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Açúcar: Calmaria em Londres

 Os futuros do açúcar refinado negociado na bolsa de Londres tiveram oscilações modestas ontem, em um dia de baixa liquidez por conta do feriado nos Estados Unidos, onde as bolsas não operaram.

Os papéis do açúcar refinado para maio registraram valorização de 20 centavos de dólar, a US$ 418,80 a tonelada.

Os analistas acreditam que o mercado futuro do açúcar tem força para testar novas altas no curto prazo.

Nos últimos dias, as cotações tiveram ganhos expressivos na bolsa de Nova York, contrariando as pressões dos mercados externos, diante de sinais de que a Índia não conseguirá cumprir a meta de exportar 4 milhões de toneladas de açúcar nesta safra.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,12%, para R$ 84,58 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 19/01/2016)

 

Alta do dólar deve elevar renda do produtor pelo 7º ano

A crise provoca retração em praticamente todos os setores da economia brasileira. Mas alguns continuam driblando esse cenário adverso.

Um deles é o agronegócio. O VBP (Valor Bruto da Produção), que reflete a renda do produtor, deverá atingir R$ 504 bilhões neste ano, 1% mais do que em igual período anterior.

O crescimento é pequeno, em relação ao desempenho dos últimos anos, mas mostra vigor ao registrar o sétimo ano seguido de evolução.

Há dez anos, esse valor era de apenas R$ 286 bilhões, conforme dados de José Gasques, da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura.

Os principais produtos da pauta de exportação brasileira têm forte queda no mercado externo, mas há um aumento de preços em reais, devido à valorização do dólar. E essa alta do dólar vem dando fôlego aos produtores, principalmente os de produtos exportáveis.

O segmento de lavouras lidera a renda agropecuária no país e poderá somar R$ 327 bilhões neste ano. Há uma década, era de apenas R$ 187 bilhões. Além de preços melhores em reais, houve um aumento no volume produzido no ano passado.

Já a pecuária, onde o Ministério da Agricultura inclui bovinos, frango, suínos, leite e ovos, deve atingir um valor de produção de R$ 177 bilhões neste ano, ante R$ 98 bilhões de há dez anos.

Assim como no volume produzido, o valor de produção do setor agrícola está concentrado em poucos produtos. Apenas três deles -soja, cana-de-açúcar e milho- vão obter 64% de todo o VBP do setor de lavouras.

A soja, como ocorre todos os anos, é o destaque. No ano passado, Mato Grosso manteve a liderança, mas sem crescimento de renda, em relação a 2014.

Já Paraná e Rio Grande do Sul, devido ao clima favorável, tiveram crescimento de 11% e 17%, respectivamente.

Com isso, o valor de produção da soja subiu para R$ 38 bilhões em 2015 no Sudeste, 14% mais, enquanto o do Centro-Oeste permaneceu estável, em R$ 45 bilhões.

O milho, cereal que vem ganhando o mercado externo e atingiu recorde de exportações no ano passado, deve atingir R$ 38 bilhões neste ano, 7% menos do que em 2015.

No ano passado, as receitas somaram R$ 41 bilhões, com liderança de Mato Grosso (R$ 10 bilhões) e do Paraná (R$ 6,2 bilhões).

CAFÉ

O café, cujo valor de produção deverá atingir R$ 27 bilhões neste ano, começa a mudar o perfil da renda. Em 2011, o VBP do café conilon somava 14% do total do setor. No ano passado, foi de 19%.

CANA

A cana, segundo principal produto em renda para os produtores, deverá atingir R$ 47 bilhões neste ano.

O ano passado foi marcado por uma valorização dos preços internos do etanol. Neste ano, a melhora no cenário externo para o açúcar deve sustentar os preços da commodity.

Ainda em queda

As exportações de soja que estão sendo feitas pelo país neste mês são a US$ 366,8 por tonelada, em média, abaixo dos US$ 411,3 de 2015.

Laranja

O valor da produção nacional de laranja deverá subir para R$ 11,4 bilhões neste ano, 3,6% mais do que no ano passado. Apesar dessa alta, o valor fica bem abaixo dos R$ 17 bilhões de 2011.

Inflação

Os dados são Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, que aponta, ainda, que dois dos produtos que pesam atualmente na inflação vão perder valor de produção.

Tomate

Neste ano, o VBP desse produto, devido a problemas na produção, deverá recuar para R$ 12,6 bilhões, ante 13,2 bilhões em 2015. O da cebola cai para R$ 2,3 bilhões, 30% menos. (Folha de São Paulo 19/01/2016)

 

Preço do etanol sobe nos postos de combustíveis de 22 Estados e do DF

Os preços do etanol hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos, subiram ao consumidor final na maior parte dos Estados, conforme dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP). Ao todo, os preços subiram em 22 Estados e no Distrito Federal entre 10 e 16 de janeiro, na comparação com a semana anterior. Em apenas um Estado o preço médio caiu, Piauí (3,71%).

A maior valorização foi observada no Distrito Federal, onde o preço médio do hidratado subiu 3,57% nos postos. Em São Paulo, maior centro consumidor de combustíveis do país, o preço médio subiu 1,09%, a R$ 2,576 o litro.

Em relação à gasolina, abastecer com etanol não é vantajoso em nenhum Estado. Isso acontece, conforme parâmetro mais aceito pelo mercado, quando o preço do etanol hidratado equivale a menos de 70% da gasolina.

Na usina em São Paulo, o movimento do hidratado também foi de alta. O indicador Cepea/Esalq para o produto subiu 4,12%, a R$ 1,8607 o litro entre 11 e 15 de janeiro. Em quatro semanas, o indicador registra alta de 9,25%. (Valor Econômico 18/01/2016)

 

Com seca, Índia dificilmente alcançará meta de exportação de açúcar

A meta oficial do governo indiano de exportar 4 milhões de toneladas de açúcar neste ano não deve ser alcançada, segundo analistas. Com poucas chuvas, a seca já está prejudicando plantações e impedindo fazendeiros de semear novos campos. Além disso, o mercado já considerava a meta ousada e questionava a capacidade do país em atingi-la sem novos incentivos à exportação.

A corretora Marex Spectron, que atribuiu a alta da commodity na semana passada à "percepção do mercado de que a Índia vive um problema climático", agora avalia que as exportações do país devem atingir 2 milhões de toneladas. Para o ano seguinte, a corretora o país não exportará nenhum açúcar e manterá um estoque baixo, de 5 milhões de toneladas. (Down Jones 18/01/2016)

 

New Holland: Coopercitrus inaugura concessionárias de máquinas agrícolas

Dentro de um de seus conceitos em oferecer soluções integradas para os produtores rurais, a Coopercitrus passa a ser a mais nova concessionária da marca New Holland. Para a cooperativa, a nova concessão fortalece as atividades e fomenta o crescimento e o desenvolvimento dos agricultores.

As quatro unidades da Coopercitrus estão nas cidades de Ribeirão Preto, Andradina, Catanduva e São José do Rio Preto, no estado de São Paulo, e atenderão 157 municípios da região.

Para Alessandro Maritano, vice-presidente da New Holland para a América Latina, a Coopercitrus tem credibilidade e dá maior visibilidade para a marca. “Estamos entregando a nossa marca para uma cooperativa que traz competência no trabalho e confiança para os produtores da região”, diz o executivo.

A parceria Coopercitrus/New Holland, segundo o presidente da cooperativa, José Vicente da Silva, complementa o atendimento da Coopercitrus no interior paulista. “Com a New Holland, damos opção aos cooperados para a escolha de mais uma importante marca de máquinas e equipamentos agrícolas com condições comerciais privilegiadas e um pós-vendas padrão Coopercitrus”, destaca.

A Coopercitrus Cooperativa de Produtores Rurais é a maior cooperativa do estado de São Paulo na comercialização de insumos, máquinas e implementos agrícolas e atua desde 1976. (Brasil Agro 19/01/2016)

 

Mercado futuro de açúcar sinaliza baixa oferta antes de safra brasileira

Uma incomum inversão nos mercados futuros de açúcar, com o primeiro contrato março custando mais que o maio, sinaliza que há oferta apertada para exportações ao longo dos próximos meses, mas a próxima safra do Brasil deverá começar mais cedo e acabar com o gargalo.

Essa estrutura inversa é rara nos contratos futuros de açúcar, uma vez que a oferta costuma estar prontamente disponível para exportação, mas uma mudança do mercado para um déficit após anos de superávits acabou com os estoques, tornando o suprimento mais escasso, disseram fontes do mercado.

"O açúcar está em déficit, e isso se reflete nessa inversão", disse o analista da corretora Marex Spectron, Robin Shaw.

Operadores esperam menor disponibilidade para exportações nas próximas semanas, com o período de entressafra no Brasil, maior produtor e exportador, um rendimento desapontador no segundo maior exportador, a Tailândia, e atrasos na colheita da América Central causados por chuvas.

Além disso, temores de produção menor que o esperado no segundo maior produtor, a Índia, devido à seca, podem reduzir a expectativa para as exportações de açúcar bruto do país.

A atual falta de oferta para exportações deverá acabar quando a próxima colheita de cana no Brasil começar, o que deverá acontecer bem mais cedo que o usual, em abril, uma vez que muita cana foi deixada no campo desde a safra anterior.

A expectativa é que as usinas no Brasil priorizem a produção de açúcar ao invés de etanol, com o açúcar rendendo mais e a fraqueza do real incentivando as exportações.

Muitas usinas estão endividadas após anos de baixos preços do açúcar e iniciarão o processamento assim que puderem.

"Muita gente diz que a falta de oferta de açúcar vai desaparecer assim que a safra do Brasil entrar em pleno andamento", disse Shaw. (Reuters 18/01/2016)

 

BR Distribuidora fechou contrato com usina falida de aliado de Collor

Mesmo em fase de falência, a Laginha Agro Industrial fechou contrato de R$ 240 milhões com a BR Distribuidora. A empresa realizou transferência de R$ 300 mil para conta do jornal Gazeta de Alagoas, de propriedade de Collor.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em denúncia realizada ao STF (Supremo Tribunal Federal) contra o deputado federal Vander Loubet (PT/MS), apontou irregularidades em contratos entre a usina de açúcar e álcool Laginha Agro Industrial S/A, usina de açúcar e álcool, e a BR Distribuidora S.A. A empresa Laginha estava em processo de falência. Ela pertence ao empresário e político alagoano João José Pereira de Lyra (Foto) , ligado ao senador Fernando Collor de Mello (PTB/AL).

A Laginha Agro Industrial S/A encontrava-se em recuperação judicial desde novembro de 2008, e, na época, acumulava dívidas de R$ 1,2 bilhão. Desde então, a empresa tentava na Justiça reverter a decretação de falência. Mas sempre sem sucesso.

Mesmo nessa situação, em 2010, a empresa celebrou um conjunto de contratos com a BR Distribuidora no âmbito da Diretoria de Operação e Logística, na época ocupada por José Zonis, indicado de Collor. Um dos contratos foi realizado no valor de R$ 240 milhões, para compra e venda de álcool, de óleo diesel e lubrificantes.

Compra antecipada

Próximo ao período de celebração desse contrato, o ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró, teve uma reunião na BR Distribuidora com Collor e José Pereira de Lyra, na qual foi discutida a compra antecipada de “uma grande quantidade de álcool, no valor de um bilhão de reais”. Segundo Cerveró no termo da sua delação premiada, “se tratava de uma compra de safra antecipada”.

O lobista Fernando Soares, conhecido por Fernando Baiano, ratificou as informações prestadas por Cerveró em uma de suas delações premiadas. Ele disse que Cerveró sofreu pressões de Collor para a celebração de contratos de aquisição de álcool em favor de usinas que seriam beneficiadas com esse tipo de negócio. A negociação, segundo Baiano, também poderia render propina ao ex-diretor da Petrobras.

Negociação "desastrosa"

Os investigadores acreditam que Collor usou a BR Distribuidora para tirar a empresa do amigo da falência. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, classificou a negociação entre a Laginha e a BR Distribuidora como “desastrosa”, realizada para “satisfazer anseios políticos no sentido de satisfazer indevidamente determinados grupos econômicos”.

Além de atender aos interesses do amigo, neste caso, uma das suspeitas da PGR é que o senador teria recebido propina de R$ 300 mil por esse contrato. Relatório de inteligência financeira, encomendado no âmbito da Operação Lava-Jato, apontou uma transferência, realizada em 2014, da Laginha em favor do jornal Gazeta de Alagoas, de propriedade de Collor e que, conforme aponta a PGR, é utilizada para “recebimentos oculto de valores ilícitos”. O senador é investigado e já foi denunciado pela PGR no inquérito 3.883, que tramita no STF e que já lhe rendeu busca e apreensão em suas residências na capital federal e em Alagoas.

Sem garantia

Em auditoria da CGU (Controladoria-Geral da União) sobre o caso, foram constatadas graves irregularidades na transação em face do estado de falência da empresa beneficiada. De acordo com a CGU, verificou-se que a empresa, na época, tinha obtido uma linha de crédito na BR Distribuidora para compra e venda de diesel e lubrificantes no valor de R$ 2,2 milhões “sem a exigência de garantia compatível com o alto risco da operação aprovada”.

O Laudo da CGU constatava que o “Comitê de Crédito DMCO e DFIN, que aprovou a operação, e a Diretoria Executiva, que homologou o ato de gestão, não atuou com a prudência requerida, de tal forma que concedeu crédito de alto risco sem a necessária garantia de terceiro”. Como resultado, "constata que a Petrobras Distribuidora S.A, por meio de duas ações judiciais, tenta recuperar as perdas decorrentes da celebração de uma operação que, previamente, já se tinha ciência do grande risco de ser mal sucedida. Assim sendo, concluímos que os prejuízos decorrentes da operação poderiam ter sido evitados”.

O senador Fernando Collor informou que “não é acusado na referida denúncia, não é parte no mencionado processo, e, portanto, não comentará as conjecturas e especulações do dr. Rodrigo Janot”. (Fato Online 18/01/2016)

 

Alta, de defensivos, busca dobrar receita

Em um setor dominado por gigantes multinacionais, a Alta-Brasil, dedicada ao desenvolvimento e distribuição de agroquímicos, é ambiciosa. Há pouco mais de um ano no mercado brasileiro, a companhia registrou um faturamento de R$ 50,2 milhões em 2015 e tem planos para mais do que dobrar esse valor em 2016, para R$ 120 milhões. "Prevemos um salto grande, por isso também investimos bastante. E estamos motivados porque a resposta tem sido boa", disse ao Valor Túlio Zanchet, fundador e atual presidente do conselho do Grupo Agrihold, que controla a Alta.

A Alta nasceu em 2008, mas começou as vendas no país apenas no segundo semestre de 2014. Nos seis anos até a estreia, investiu R$ 108 milhões (a maior parte em dossiês técnicos para o registro de produtos) e montou um portfólio com oito defensivos agrícolas, que devem se juntar a outros 17 em fase de registro. Produtos para soja, milho, cana-de-açúcar e café lideram as vendas. "Devemos ter quatro novos defensivos por ano no Brasil nos próximos cinco anos. E até lá, esperamos que o país represente 40% do nosso faturamento [hoje é menos de 5%]", estimou Zanchet.

O Grupo Agrihold teve receita de R$ 1,2 bilhão em 2015 e ainda concentra seus ganhos no Paraguai, onde foi criado 25 anos atrás por Zanchet, que é brasileiro. O engenheiro agrônomo rumou de Francisco Beltrão (PR) para o país vizinho com US$ 5 mil emprestados pelo avô para prestar serviços de consultoria. Mas logo criou a empresa para comercializar insumos agrícolas (agroquímicos, sementes e fertilizantes) e lançou-se ao desafio de formular defensivos.

"São produtos genéricos [moléculas fora de patente], mas baseados em misturas inovadoras, criadas por nós", explicou o empresário. Para encontrar seu lugar ao sol, a Agrihold optou por um modelo apoiado na terceirização: a empresa não tem fábricas próprias. "Somos proprietários das formulações, mas homologamos indústrias já instaladas na China, na Índia e no Brasil como fornecedores", disse.

O processo de criação dos produtos passa por campos experimentais no Paraguai, no Uruguai e no Brasil, os três países onde a Agrihold atua. A companhia também conta com um laboratório próprio em Xangai, na China.

A Alta é o braço da Agrihold no Brasil, mas no Uruguai e no Paraguai, a empresa tem nomes diferentes e posição de liderança na distribuição de insumos, conforme Zanchet. No Uruguai, atende por Solaris, e no Paraguai, Agrotec e Caelum. Além de vender seu portfólio, o grupo é representante exclusivo da Basf nos dois países, e no Paraguai, especificamente, tem oito lojas próprias. Próxima ao produtor, desenvolveu também uma pequena operação de trading de grãos, que negocia 250 mil toneladas de soja e 150 mil de milho por ano.

É também no Paraguai e no Uruguai onde estão as duas unidades de beneficiamento de sementes da Agrihold que, juntas, têm capacidade para produzir 25 mil toneladas de sementes de soja e 15 mil de trigo.

Mais recentemente, a companhia voltou suas atenções para o segmento de "agricultura sustentável", segundo Zanchet. Assim, estabeleceu uma joint venture nos EUA e começou a importar para o Brasil no fim de 2015 um produto para a recuperação de solos degradados, adaptado às condições do país. "Ele traz ainda um incremento significativo na produtividade e na qualidade das culturas. No café, por exemplo, tem ajudado a incrementar a bebida para os níveis gourmet", afirmou.

A Alta cogita fabricar o produto no Brasil, mas espera um volume de comercialização mais elevado. "Como o produto é baseado em nanotecnologia e os equipamentos são caros, uma planta pequena absorveria R$ 50 milhões", previu Zanchet.

O executivo também não descarta uma indústria para produzir defensivos localmente, o que necessitaria de um aporte de ao menos R$ 40 milhões. Contudo, disse ele, isso ainda não compensa. "Mas imaginamos que, com o crescimento dos volumes vendidos, será essencial. Só não sabemos em qual dos três países". (Valor Econômico 19/01/2016)

 

Petróleo e dólar diminuem peso da logística e melhoram competitividade do açúcar brasileiro

O baixo preço do petróleo, combinado com outros fatores (como a desaceleração na China), vem levando a forte queda no preço do transporte marítimo. Na semana anterior, o frete da tonelada de açúcar de Santos para Taiwan (República da China) chegou a ser cotado em US$18,14, quase metade de um ano atrás e 77% abaixo do início de 2014.

A maior distância do Brasil para os maiores importadores de açúcar em relação aos principais competidores neste mercado significa que a queda no preço do frete aumenta a competitividade do produto nacional.

“A queda no frete marítimo deve dar sustentação para o prêmio de exportação do açúcar, uma vez que o frete é a principal diferença entre o produto dos principais portos de origem”, explica o analista da INTL FCStone, João Paulo Botelho. Dessa forma, o prêmio/desconto praticado em Santos tende a se aproximar daquele notado nos portos asiáticos.

Considerando o mercado chinês, o VHP brasileiro chegava com custo de US$439/t no começo de 2014, 5,4% mais caro que o equivalente tailandês. Já no patamar de preços da última quinta-feira, o produto do Brasil chegaria neste mercado cotado a US$350/t, 2% mais barato que o seu concorrente.

O frete marítimo mais barato não foi a único fator melhorando a competitividade das usinas brasileiras. Com a disparada no dólar em relação ao real, o custo do frete rodoviário interno caiu consideravelmente quando cotado na moeda americana. Apesar do preço desta modalidade de transporte ter subido em média 17% desde o começo de 2014, a desvalorização cambial levou o preço em dólares a cair 30%.

Olhando no médio e longo prazo, o preço do frete no Brasil é influenciado diretamente pelo petróleo, uma vez que o principal custo é o diesel. “Apesar da Petrobras ter importado o combustível vendido com prejuízo em alguns momentos, é improvável que consiga fazer isto novamente por longo períodos. Dessa forma, o baixo preço do petróleo é essencial para manter o frete barato nos próximos anos, principal caso o real continue desvalorizado”, atenta Botelho.

O analista também ressalta que o frete rodoviário tem influência mais direta sobre a remuneração das usinas, uma vez que estas empresas são normalmente as que arcam com este custo.

Combinado estas duas mudanças, nos fretes marítimo e rodoviário, a participação do transporte no preço do VHP brasileiro colocado na Ásia caiu de 25% para 12% no caso do produto de Ribeirão Preto e de 31% para 17% considerando o açúcar goiano.

Ambas mudanças devem aumentar a rentabilidade obtida pelas usinas com a exportação de açúcar. Em suma, a queda no custo do transporte pode acabar aumentando a participação do açúcar no mix produtivo, o que deve ser mais notável nos estados mais distantes dos portos (onde tradicionalmente a produção é mais alcooleira) uma vez que estes serão mais beneficiados pelo frete barato.

“O frete marítimo barato é essencial para que este aumento da produção seja absorvido pelos mercados importadores, principalmente da Ásia, onde o Brasil encontra maior competição com exportadores locais”, resume. (INTL FCStone 18/01/2016)

 

Brasil é principal risco para demanda por combustíveis na América Latina

Opep destaca, em relatório, a queda de mais de 5% no consumo de combustíveis no País entre novembro de 2015 e o mesmo mês de 2014.

A demanda por combustíveis no Brasil caiu mais de 5% em novembro de 2015 na comparação com igual período do ano anterior. O mau desempenho recebeu destaque no relatório mensal da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). A entidade nota que, em termos de demanda, o Brasil parece como principal risco para a América Latina em 2016.

Dados divulgados pela Opep mostram que o Brasil consumiu o equivalente a uma média diária de 2,3 milhões de barris de petróleo em novembro de 2015. O volume representa queda de 5,1% na comparação com igual mês de 2014 ou 126 mil barris a menos. "O fraco desempenho continua amplamente influenciado pelo quadro geral de desaceleração econômica no País", diz a entidade.

Por segmento, a demanda por gasolina caiu 8,2%, o consumo de diesel recuou 7,2% e houve retração de 2,8% em gás e de 5,9% em querosene de aviação. O único segmento com aumento no consumo foi o de etanol, cuja demanda foi ampliada em 20,7% entre os meses de novembro de 2014 e 2015. O aumento foi gerado pelo preço baixo do combustível, o que incentiva o consumo, diz a Opep.

Para 2016, o consumo no Brasil é apontado pela Organização como principal risco para a demanda na América Latina. "Olhando para frente, os riscos estão atualmente enviesados pela perspectiva negativa da economia do Brasil, o maior consumidor na região", diz a entidade. (O Estado de São Paulo 18/01/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Calmaria em Londres: Os futuros do açúcar refinado negociado na bolsa de Londres tiveram oscilações modestas ontem, em um dia de baixa liquidez por conta do feriado nos Estados Unidos, onde as bolsas não operaram. Os papéis do açúcar refinado para maio registraram valorização de 20 centavos de dólar, a US$ 418,80 a tonelada. Os analistas acreditam que o mercado futuro do açúcar tem força para testar novas altas no curto prazo. Nos últimos dias, as cotações tiveram ganhos expressivos na bolsa de Nova York, contrariando as pressões dos mercados externos, diante de sinais de que a Índia não conseguirá cumprir a meta de exportar 4 milhões de toneladas de açúcar nesta safra. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,12%, para R$ 84,58 a saca de 50 quilos.

Café: China e Vietnã: Sem referência na bolsa de Nova York, os traders do café liquidaram posições ontem na bolsa de Londres, em meio a uma nova queda das ações chinesas e a dados fracos das exportações do Vietnã. Os contratos do café robusta com vencimento em março fecharam em baixa de US$ 21, a US$ 1.420 a tonelada. Os mercados como um todo foram marcados por mais um dia de nervosismo com as perdas de 3,5% na bolsa de Xangai e os receios com a economia global. O dado de queda de 20% das exportações de café do Vietnã, maior exportador mundial de café robusta, para 1,34 milhão de toneladas. também pressionou o mercado. No front doméstico, o preço do café de boa qualidade oscilou entre R$ 500 e R$ 510 a saca de 60,5 quilos, de acordo com o Escritório Carvalhaes, de Santos.

Cacau: Leve alta: Os contratos futuros do cacau fecharam com oscilações tímidas ontem na bolsa de Londres, em um dia de baixa liquidez diante da ausência de negociações na bolsa de Nova York em decorrência do feriado americano de Martin Luther King. Os contratos de cacau para entrega em maio fecharam a 2.117 libras a tonelada, alta de 1 libra ante o fechamento de sexta­feira. O mercado de cacau encontrou sustentação depois que as indústrias européias reportaram aumento do volume processado no quarto trimestre. Apenas o processamento da Alemanha subiu 20% no período, surpreendendo os analistas. No mercado interno, o último dado disponível é do preço na sexta-feira em Ilhéus e Itabuna, de R$ 144 a arroba, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Milho: Sustentação interna: Os preços do milho registraram ligeiras perdas ontem no mercado interno, embora continuem em patamares historicamente elevados para a época. O indicador Esalq/BM&FBovespa, referente à região de Campinas, recuou 0,18%, para R$ 43,28 por saca. No ano, porém, o índice já acumula alta de 17,51%. A valorização do dólar tem impulsionado as exportações, deixando os estoques finais inclusive menores que os registrados na safra passada, segundo nota do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Além disso, as estimativas de uma redução da produção na safra atual (2015/16) também tem mantido as cotações, em termos reais, próximas dos maiores patamares desde meados de 2013 ou do primeiro trimestre de 2014, a depender da região. (Valor Econômico 19/01/2016)