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Justiça derruba liminar da Unica e CCEE conclui liquidação de setembro

A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) concluiu ontem a liquidação do mercado de curto prazo de setembro do ano passado. A operação, que tinha sido suspensa no início de novembro, foi possível depois que a Justiça derrubou uma liminar da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), que pedia prioridade às suas associadas no recebimento dos créditos.

Segundo nota enviada ontem pela CCEE aos agentes do setor, os valores distribuídos se referem ao que sobrou depois da distribuição dos créditos referentes às associações das termelétricas (Abraget) e comercializadoras (Abraceel).

A CCEE pagou R$ 1,4 bilhão, de um montante de R$ 4,2 bilhões contabilizado. Segundo a câmara, dos R$ 2,8 bilhões não pagos, R$ 2,6 bilhões possuem relação com liminares judiciais, a maioria delas usadas para limitar os efeitos do risco hidrológico (medido pelo fator GSF, na sigla em inglês).

A inadimplência foi de 66,6%, mas, desconsiderando os montantes protegidos por liminares, a inadimplência real teria sido de 4,03%, ou R$ 169 milhões.

A câmara faria, em novembro, a distribuição dos créditos recolhidos entre todos os agentes credores, mas as associações Abraget, Unica, Abraceel e Abeeólica, que representa as usinas eólicas, entraram com liminares pedindo prioridade no recebimento desses créditos. Com isso, queriam evitar a participação do rateio da inadimplência.

A CCEE paralisou a liquidação, que terminaria em 10 de novembro com a distribuição dos créditos, por não ter como cumprir todas as liminares por indisponibilidade financeira. A Abraget e a Abraceel, porém, recorreram e conseguiram garantir o recebimento parcial dos seus créditos.

A CCEE disse ainda que informará em novo comunicado sobre a liquidação financeira de outubro, novembro e dezembro, que se encontram atrasadas atualmente devido à paralisação do mercado.

A expectativa é que o mercado se normalize na próxima semana, quando termina o prazo para desistência das liminares daqueles que aderiram à repactuação do risco hidrológico. Os R$ 2,8 bilhões que não foram pagos em setembro serão somados às operações dos próximos meses.

O prazo para adesão à repactuação do GSF terminou na sexta-feira. Houve solicitação de repactuação dos contratos no ambiente de contratação regulado (ACR) da maior parte das geradoras hidreléricas brasileiras. Como a desistência das liminares é uma exigência para o acordo do GSF, a CCEE deve voltar a recolher créditos suficientes para normalizar o mercado. (Valor Econômico 19/01/2016)

 

Açúcar: Realização de lucros

As cotações do açúcar registraram perdas ontem na bolsa de Nova York, devolvendo os ganhos das últimas três sessões.

Os contratos do açúcar demerara para entrega em maio fecharam com variação negativa de 7 pontos, a 14,41 centavos de dólar a libra-peso.

Os investidores liquidaram suas posições para tentar embolsar os ganhos acumulados na semana passada, quando o mercado ganhou impulso diante dos receios com a oferta da Índia e o alcance de sua meta de exportações.

Ontem, porém, a Associação Indiana de Usinas de Açúcar informou que a produção do país entre outubro e 15 de janeiro está 6,8% maior que no mesmo período da temporada passada.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal caiu 0,11%, para R$ 84,49 a saca. (Valor Econômico 20/01/2015)

 

Brasil deve ampliar uso de cana para produção de açúcar na temporada 2016/17

Uma parcela maior da cana do Brasil deverá ir para a produção de açúcar em 2016/17 que na temporada anterior, o que dará um impulso para uma oferta global apertada, com preços mais atraentes para o adoçante que para o etanol derivado da cana.

Operadores disseram que a fraqueza da moeda brasileira ante o dólar ajudou a elevar a atratividade da produção de açúcar.

A maior parte do açúcar do Brasil é exportado em dólares, enquanto o etanol é vendido principalmente no mercado doméstico e pago com a enfraquecida moeda local.

"Ainda é cedo, mas nós estamos projetando de 43,5 a 56,5 por cento de açúcar para etanol em 2016, após um 2015 rico em etanol, quando apenas 41,8 por cento da cana foi para a produção de açúcar. O principal motivo é o preço, que está bastante atraente", disse Arnaldo Correa, da Archer Consultoria em São Paulo.

O açúcar contrariou uma tendência em geral negativa para os preços das commodities em 2015, com uma modesta alta de 5 por cento. Quando os preços são convertidos para real, no entanto, a alta é bem maior, de mais de 50 por cento.

Outros analistas também projetaram um retorno à maior produção de açúcar que poderia ser guiada pela retomada de climas mais normais, após pesadas chuvas no final de 2015 reduzirem o conteúdo de açúcar na cana do Brasil.

O Rabobank prevê que 43 por cento da cana do centro-sul do Brasil será alocada para açúcar em 2016/17, ante 41 por cento estimados para 2015/16.

Analistas da Green Pool projetam que 42,5 por cento da cana do centro-sul irá para o açúcar, ante 40,8 por cento previstos para a temporada anterior.

O mercado global de açúcar começou a ficar mais apertado, com um déficit global amplamente esperado para a temporada 2015/16 depois de quatro anos consecutivos em que a oferta superou a demanda.

Operadores disseram que produtores do Brasil, maior exportador global de açúcar, estão buscando tomar vantagem dos altos preços com operações de hedge em contratos futuros de açúcar bruto na bolsa ICE, fechando antecipadamente o preço que receberão pela produção da próxima temporada. (Reuters 19/01/2016)

 

Abengoa: Investidores estudam assumir linhas de transmissão

Investidores em energia eólica no Brasil avaliam a possibilidade de assumir a construção de parte das linhas de transmissão que estavam a cargo da Abengoa, que paralisou todos projetos no país, para evitar terem usinas prejudicadas pela falta de conexão ao sistema.

Segundo três especialistas próximos ao assunto, a solução seria válida apenas para determinados projetos e provavelmente seria de interesse apenas de grandes grupos, como Renova e CPFL Renováveis, que podem perder receita se não tiverem linhas onde conectar suas usinas a partir da data estipulada em contrato para início da operação.

"Vários agentes geradores já estão se reunindo para ver se conseguem viabilizar (a proposta)... Isso pode dar certo para alguns casos. Não é uma solução generalizada, mas poderia atender algumas situações específicas", afirmou o consultor Barne Laureano, da Laureano & Meirelles Engenharia.

Mesmo a geradora Casa dos Ventos, que não tem projetos imediatamente afetados, poderá se envolver no caso, mirando o potencial futuro das usinas que estuda implementar na região Nordeste.

"Como temos projetos nas áreas afetadas, nós nos dispusemos a eventualmente estudar ativos específicos (da Abengoa). Talvez isso passe por um consórcio, com transmissoras ou geradoras, para tentar dar uma solução", afirmou à Reuters o diretor de Novos Negócios da Casa dos Ventos, Lucas Araripe.

O vice-presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Lauro Fiúza Jr, confirmou que há uma busca dos empreendedores de meios para fazer frente à gravidade da situação.

"É real essa movimentação... Uma das soluções é as empresas que já estão no meio do caminho (com obras em andamento) se unirem para propor de fazer a conexão à rede", explicou.

A Abeeólica estima que 1,5 gigawatt em usinas eólicas já licitadas seriam conectadas a linhas em construção pela Abengoa, que suspendeu as obras após sua matriz na Espanha entrar com pedido preliminar de recuperação judicial.

A ideia das geradoras é que, caso a saída em estudo seja vista como viável pelo regulador, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), elas possam escolher quais linhas ou subestações da Abengoa têm interesse em construir, assumindo a receita anual estabelecida para as obras em questão.

Segundo Laureano, o interesse das empresas não é necessariamente assumir os contratos de concessão da Abengoa, mas apenas as instalações minimamente necessárias para escoar a energia das usinas.

"Ele (investidor em eólicas) coloca, por exemplo, um transformador em uma subestação e passa a receber uma receita pelo investimento que fez. A Aneel poderia fazer uma resolução e transferir esse ativo para uma transmissora, e ele fica livre da operação e manutenção disso", explicou.

Tanto Fiúza quanto Laureano defendem que será necessário tomar medidas que não estão previstas na regulação para viabilizar a geração das eólicas sem atrasos.

"O problema é muito sério e só medidas emergenciais e que passem por cima do processo (podem solucioná-lo)... Não dá pra ficar seguindo os trâmites normais", apontou Fiúza.

Procuradas pela reportagem, Renova Energia e CPFL Renováveis não comentaram o assunto.

A Enel Green Power, que também tem usinas eólicas em instalação no Nordeste, afirmou que "não tem interesse em adquirir esses ativos (da Abengoa)", mas confirmou que participou de reunião sobre o assunto por ser um dos investidores mais relevantes em energias renováveis no Brasil.

"Qualquer discussão sobre a rede de transmissão do país é relevante para o negócio e as operações locais da EGP", afirmou em nota a companhia italiana.

A Abengoa informou, também em nota, que "está em contato permanente com as autoridades locais e em busca de uma solução para os empreendimentos em desenvolvimento no país".

Segundo a companhia espanhola, os esforços estão concentrados na busca de uma saída que "permita retomar os projetos, minimizar impactos e alcançar uma solução adequada para todas as partes interessadas afetadas pela situação atual”. (Reuters 19/01/2016)

 

Usinas da Índia têm contratos para exportar 900 mil t de açúcar, diz associação

As usinas de açúcar da Índia fecharam contratos para exportar 900 mil toneladas do produto até o momento no ano comercial 2015/16, com as fábricas do segundo maior produtor de açúcar do mundo tentando reduzir estoques, disse uma associação do setor nesta terça-feira.

Além da quantidade contratada, usinas já despacharam quase 700 mil toneladas, disse a Associação Indiana de Usinas de Açúcar (ISMA, na sigla em inglês) em comunicado.

As exportações da Índia podem pressionar os preços globais, mas ajudam as usinas locais a reduzir dívidas com produtores de cana.

As usinas indianas estão exportando principalmente açúcar branco para países asiáticos como Mianmar, Sri Lanka e Bangladesh, disseram operadores.

A produção de açúcar da Índia subiu 6,8 por cento, para 11 milhões de toneladas nos primeiros três meses e meio da temporada que se iniciou em 1º de outubro, com muitas usinas começando o processamento mais cedo este ano, disse a associação. (Reuters 19/01/2016)

 

Dilma enfrentará protesto de canavieiros na inauguração da Via Mangue

A presidente Dilma Rousseff deve enfrentar um protesto de canavieiros do Nordeste durante a inauguração da Via Mangue, no Recife, nesta quinta-feira (21). A União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida) promete levar cerca de 2 mil produtores de AL, PB, PE, RN, SE e BA para o evento, além de canavieiros do Rio de Janeiro.

O segmento acusa Dilma de estelionato eleitoral, nas prévias das eleições presidenciais, em 2014, por publicar e não cumprir a lei de subvenção para socorrer os canavieiros vítimas da maior seca dos últimos 50 anos no NE e RJ.

De acordo com a Unida, dois anos após a publicação, 30 mil agricultores não têm como receber o subsídio para amenizar os efeitos daquela seca, já que a lei não foi regulamentada por Dilma, apesar dela fazer promessas para o setor de que daria rápida resposta sobre o caso, a exemplo do episódio mais recente, como relata a Unida, quando se reuniu com a entidade de classe no Recife em 2015, durante visita à Federação da Indústria de Pernambuco (Fiepe).

"Até hoje, mesmo com o aceno de que nos responderia logo, a presidente não cumpriu a promessa feita na reunião da Fiepe em 2015", diz Alexandre Andrade Lima, presidente da Unida.

O dirigente conta que na ocasião, Dilma designou a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, que também participou do encontro, para dar uma resposta em 20 dias. Até hoje não houve resposta alguma e os 30 mil agricultores, cujo 90% deles recebem por mês menos de R$ 800 bruto com o cultivo da cana, como revelam os dados do próprio Ministério da Agricultura, continuarão vítima da seca e das promessas da presidente Dilma.

A lei da subvenção econômica da cana nordestina e do RJ foi publicada em julho de 2014, meses antes da eleição presidencial. A lei garante R$ 12 ao produtor por tonelada de canafornecida na safra 2012/13 - auge da seca na região.

"Até hoje a lei não foi regulamentada, o que impede o início do pagamento do subsídio", critica Lima, acusando a presidente Dilma de ter praticado estelionato eleitoral, visto que fez promessas e não cumpriu, publicando a lei para enganar os canavieiros, a fim de arregimentar apoio eleitoral, e depois não cumprir a referida lei.

Via Mangue

A Via Mangue é uma das principais obras viárias da história do Recife. A obra liga os bairros do Pina e Boa Viagem, numa alternativa de trânsito na Zona Sul, desafogando as avenidas Domingos Ferreira e Conselheiro Aguiar, um dos principais entraves da cidade.

O investimento total foi de R$ 431 milhões, sendo R$ 81 milhões de recursos da Prefeitura do Recife, R$ R$ 331 milhões financiados e R$ 19 milhões do governo federal. O corredor tem, ao todo, 4,5 quilômetros de extensão.

A expectativa é, com a pista leste, a Via Mangue receba cerca de 30% do fluxo da Avenida Boa Viagem, que é de 37 mil veículos por dia, além de 15% da Avenida Conselheiro Aguiar, por onde passam 36,5 mil veículos diariamente.

De acordo com cálculos da Companhia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU), a pista oeste reduziu o tráfego na Avenida Domingos Ferreira em 40%, passando de 57,5 mil por dia para 35 mil diariamente. Isso possibilitou também a implantação da Faixa Azul na avenida, o que aumentou a velocidade dos ônibus em 118% - saiu de 11.5 km/h para 24 km/h.

Após a inauguração da pista oeste, as obras da pista leste ficaram paradas e só foram retomadas em maio do ano passado. A estimativa era que em dezembro estivesse pronta. Porém, no fim do mês, o prefeito Geraldo Julio anunciou na Rádio Jornal que a data de abertura da via seria 17 de janeiro. (Blog do Jamildo NE10 19/01/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Realização de lucros: As cotações do açúcar registraram perdas ontem na bolsa de Nova York, devolvendo os ganhos das últimas três sessões. Os contratos do açúcar demerara para entrega em maio fecharam com variação negativa de 7 pontos, a 14,41 centavos de dólar a libra-peso. Os investidores liquidaram suas posições para tentar embolsar os ganhos acumulados na semana passada, quando o mercado ganhou impulso diante dos receios com a oferta da Índia e o alcance de sua meta de exportações. Ontem, porém, a Associação Indiana de Usinas de Açúcar informou que a produção do país entre outubro e 15 de janeiro está 6,8% maior que no mesmo período da temporada passada. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal caiu 0,11%, para R$ 84,49 a saca.

Cacau: Oferta apertada: Os contratos futuros de cacau fecharam ontem em alta na bolsa de Nova York, impulsionados pelos ganhos nos mercados internacionais e pelo aperto da oferta em relação à demanda. Os papéis para março subiram US$ 26, a US$ 2.935 a tonelada. As entregas de cacau nos portos da Costa do Marfim continuam abaixo do ritmo da safra passada, o que vem sendo interpretado como um reflexo de problemas na produção por causa do tempo seco na região. As lavouras marfinenses e ganenses têm sido atingidas pelos ventos Harmattan, que neste ano estão mais fortes que o normal por causa do El Niño, segundo Edward George, analista do Ecobank. No mercado baiano, o preço do cacau subiu 0,7% em relação à sexta-feira, para R$ 143 a arroba, segundo a Secretaria de Agricultura da Bahia.

Algodão: Otimismo com China: Os preços futuros do algodão subiram ontem na bolsa de Nova York, puxados pela onda de otimismo nos mercados internacionais depois que o dado oficial do PIB da China veio dentro do esperado. Os lotes do algodão com vencimento em março encerraram a sessão com avanço de 84 pontos, a 62,74 centavos de dólar a libra-peso. A confirmação de que a desaceleração econômica na China ­ maior importadora mundial de algodão ­ não foi tão grave quanto se temia ofereceu um alívio aos investidores do mercado da pluma. O otimismo ignora a indicação dada pelo próprio governo do país de que pode voltar a consumir algodão das reservas domésticas a baixos preços. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma subiu 1,6%, para R$ 2,4927 a libra-peso.

Milho: Cobertura de posições: As cotações do milho dispararam ontem na bolsa de Chicago para o maior valor em um mês na esteira dos ganhos nos mercados globais com o crescimento de 6,9% do PIB chinês e com cobertura de posições vendidas de investidores. Os papéis para maio encerraram o pregão com alta de 4,5 centavos, a US$ 3,72 o bushel. Na sexta-feira, a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês) reportou um forte aumento no saldo líquido vendido (que aposta na queda do preço) dos gestores de recursos para 22.305 posições na semana até o dia 12. Como segunda o mercado ficou fechado por causa do feriado de Martin Luther King nos Estados Unidos, a cobertura de posições vendidas ocorreu apenas ontem. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa subiu ontem 0,16%, a R$ 43,21 a saca. (Valor Econômico 20/01/2016)