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Dilma vê mundo em situação “bastante instável e crítica”

A presidente Dilma Rousseff disse nesta quinta-feira que o país está enfrentando muitos desafios e que o mundo está em uma situação “bastante instável e crítica”. Durante discurso da inauguração da obra viária Via Mangue, no Recife, a presidente afirmou que seu objetivo é reequilibrar o orçamento do país, reduzir a inflação e reconstruir a capacidade de investimento público e privado.

“Todas as reformas que fizemos são para preservar investimentos e programas sociais”, disse Dilma. “Mesmo num ano de crise, conseguimos que 906 mil brasileiros tivessem acesso ao ensino universitário em 2015, através da universidades públicas, do Prouni e do Fies”.

A Via Mangue custou um total de R$ 431 milhões, dos quais R$ 331 milhões foram provenientes de empréstimos do governo federal (Caixa Econômica Federal), R$ 19 milhões de aporte direto do governo e o restante – R$ 81 milhões – de investimentos da prefeitura. Trata-se da maior obra viária no Recife em 30 anos.

A disputa de "paternidade" do empreendimento, que foi idealizado inicialmente no mandato do ex-prefeito Roberto Magalhães (1997-2000) e iniciado nas gestões seguintes, ficou evidente durante o evento. Enquanto metade dos presentes, estimados num total de 400, se manifestaram com gritos de “Não vai ter golpe” a outra metade gritava o nome do prefeito Geraldo Júlio (PSB). Dilma foi vaiada por parte dos presentes antes de começar a discursar, ao passo que Júlio foi vaiado quando teve seu nome citado em agradecimento de Dilma.

Em seu discurso, Dilma destacou que uma das pessoas mais importantes para a concretização da obra foi o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Cana-de-açúcar

Dilma ainda anunciou que o governo federal deve publicar amanhã um decreto que permite acesso a financiamento a produtores de cana-de-açúcar. Ela afirmou que o decreto faz parte do Plano Nacional de Exportação, elaborado pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro (PTB).

Segundo Dilma, produtores de açúcar que tenham cotas de exportação nos Estados Unidos, por exemplo, poderão acessar recursos do Fundo Garantidor de Exportação para obter financiamento privado.

Ainda em seu discurso, Dilma repetiu a promessa de concluir as obras da transposição do Rio São Francisco até o fim deste ano. Estimado de R$ 8,2 bilhões, o empreendimento começou a ser construído em 2007 e era para ter ficado pronto em 2010. (Valor Econômico 21/01/2016)

 

Case IH lança sistema que monitora o canavial com precisão

A Case IH é a primeira fabricante de máquinas agrícolas a contar com um sistema inédito de gerenciamento de produtividade voltado para o setor canavieiro no Brasil. A nova ferramenta utiliza os conceitos de agricultura de precisão para registrar e comparar a produtividade de cana-de-açúcar entre talhões, máquinas e operadores.

As informações técnicas são geradas durante a colheita, fornecendo um histórico detalhado, evitando replantio em áreas desnecessárias ou super dosagem em áreas produtivas, por exemplo. “Com o monitor de produtividade conseguimos medir com precisão a produtividade de cada área, assim é possível ajustar as curvas de adubação e a aplicação de nitrogênio em taxa variável”, conta Victor Campanelli, da Agro-Pastoril Paschoal Campanelli, fornecedora de cana-de-açúcar para usinas da região de Bebedouro (SP). Para ele, a nova ferramenta da Case IH vai ser responsável por um salto de qualidade na gestão do canavial.

Segundo Fabio Balaban, especialista da Case IH, a avaliação dos dados gerados pelo sistema permite um diagnóstico mais preciso da área plantada, economiza tempo na tomada de decisões e faz diferença na produtividade lá na ponta, no processamento na usina. “Além de acompanhar as informações da colheita mecanizada em tempo real, o produtor poderá estabelecer a variação de produtividade das áreas e ter elementos que suportarão as decisões sobre tratos culturais, logística e transporte de cana”, esclarece Balaban. (Brasil Agro 22/01/2016)

 

Açúcar: Recompondo perdas

Depois de perdas severas no mercado futuro de açúcar na quarta-feira, os traders focaram-se ontem em cobrir posições vendidas, o que fez os preços subirem na bolsa de Nova York.

Os lotes para maio tiveram alta de 25 pontos, a 14,16 centavos de dólar a libra-peso.

Os fundamentos voltaram a chamar a atenção dos investidores.

A China informou que importou em dezembro 500 mil toneladas, alta de 39% ante o mesmo mês do ano anterior.

O país deve ter na safra atual uma de suas piores produções da história, com um déficit de 6 milhões de toneladas, frisou Bruno Zanetti, da FCStone.

As consultorias têm reforçado seus cálculos de déficit de oferta global nesta temporada.

No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal subiu 0,17%, para R$ 84,74 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 22/01/2016)

 

Produção de açúcar da Índia em 2015/16 será suficiente para demanda local, diz ministro

A produção de açúcar da Índia em 2015/16 será suficiente para suprir a demanda local, disse nesta quinta-feira o ministro de Alimentação, Ram Vilas Paswan, à medida que a primeira seca seguida do país em três décadas prejudica plantações e eleva preocupações com a safra de cana.

O país asiático, segundo maior produtor global atrás do Brasil, tem exportado açúcar para reduzir estoques e pagar dívidas com produtores de cana.

Paswan disse que pagamentos atrasados para produtores de cana caíram para 27 bilhões de rúpias (396,6 milhões de dólares) ante 210 bilhões de rúpias em abril de 2015. (Reuters 21/01/2016)

 

China importa recorde de 4,85 mi t de açúcar em 2015, informa alfândega

A China, maior comprador mundial de açúcar e principal destino das exportações das usinas do Brasil, importou 4,85 milhões de toneladas do adoçante em 2015, superando um recorde registrado dois anos antes, com a ajuda dos baixos preços internacionais.

As importações subiram 39 por cento no ano, superando os 4,5 milhões de toneladas do recorde de 2013, mostraram dados de alfândega nesta quinta-feira. (Reuters 21/01/2016)

 

Custo com energia elétrica no campo sobe 50% em um ano

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc)  está preocupada com a inflação de custos na produção agropecuária catarinense. Um dos insumos essenciais, a energia elétrica aumentou 50% em apenas um ano.

Necessária em todas as cadeias produtivas, a energia elétrica é particularmente importante na cadeia do leite, nas etapas do campo e da indústria. Nos estabelecimentos rurais é necessária para a ordenha mecânica dos animais, preparo da alimentação do rebanho por meio das “picadeiras” e resfriamento do leite, entre outras atividades.

Em razão de sua importância operacional, inclusive a iluminação dos ambientes, a variação de tarifa merece atenção nos custos de consumo, o valor médio nacional no ano passado foi de R$ 0,3317/kWh. Isso representa alta de 50% se comparado ao mesmo período de 2014.

O presidente da Faesc, José Zeferino Pedrozo, cita dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da ESALQ/USP para realçar que o gasto com o grupo energia elétrica e combustível representou 3,2% dos custos operacionais efetivos (COE) no mês de setembro, considerando-se a média ponderada dos estados de GO, MG, PR, RS, SC, SP e BA.

Em 2014, a média nacional do preço da energia elétrica da classe de consumo Rural (considerando-se os dados da ANEEL das regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Norte) também dobrou no correr do ano, fechando na média de R$ 0,1928/kWh. A região Sul do País apontou a maior alta do ano, de 41,36%, e a região Norte a menor elevação, de 20,78%.

A estiagem que atingiu grande parte do Brasil, desde meados de 2014, reduziu consideravelmente a oferta de energia elétrica, uma vez que o País depende da gestão dos estoques de água nos seus reservatórios para atender a demanda interna. Com isso, foram acionadas as usinas termoelétricas, que levaram ao reajuste nas tarifas.

Pedrozo acrescenta que o encarecimento dos combustíveis, defensivos e fertilizantes também afetou a competitividade da atividade agrícola e pecuária. (FAESC 21/01/2016)

 

Reajustes salariais perderam para a inflação em dezembro

No mês anterior, salários já haviam encolhido 0,3%; melhor mês para o trabalhador em 2015 foi janeiro, quando reajustes foram 1,3% acima da inflação.

Os acordos de negociação salarial firmados em dezembro não conseguiram acompanhar o ritmo da inflação e, com isso, o trabalhador brasileiro terminou o ano com perda real em seu salário. É o que aponta levantamento feito pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), com base em dados do Ministério do Trabalho (MTE). No ano passado, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) subiu 11%, enquanto os trabalhadores com carteira assinada tiveram em dezembro, na mediana, aumento salarial de 10%.

Em novembro os salários já haviam encolhido 0,3%, descontada a inflação, também levando em consideração a mediana dos reajustes. Novembro e dezembro foram os dois únicos meses do ano em que houve perda real de salários. De julho a outubro, os acordos conseguiram repor a alta dos preços. De janeiro a junho sempre houve algum avanço real, mesmo que de apenas 0,1%, como em abril. O melhor mês para o trabalhador foi em janeiro, quando os salários tiveram alta mediana de 1,3% acima da inflação.

Nos 12 meses encerrados em dezembro, o setor de atividade que apresentou a maior queda foi o do agronegócio da cana-de-açúcar, com perda real de 1,3% nos salários. Os trabalhadores de extração e refino de petróleo aparecem logo em seguida, com recuo de 0,4%. As cinco atividades que apresentaram maior ganho real foram limpeza urbana, asseio e conservação (1,8%), distribuição cinematográfica (1,5%), confecções e vestuário (1,2%), vigilância e segurança privada (1,2%) e refeições coletivas (1,1%).

No recorte geográfico, os cinco Estados com reajustes reais mais significativos nos 12 meses encerrados em dezembro foram Ceará (1,2%), Maranhão (1%), Alagoas (0,9%), Sergipe (0,9%) e Paraná (0,7%). Na parte de baixo do ranking, com perda real dos salários, ficaram Amazonas (-0,8%), Amapá (-0,8%), Espírito Santo (-0,6%), São Paulo (-0,3%) e Acre (-0,2%). (O Estado de São Paulo 21/01/2016)

 

Cresce procura de grupos estrangeiros por empresas brasileiras do agro

Valorização do dólar, que chega a quase 60% em um ano, é principal motivador.

O maior interesse em investir no agronegócio no Brasil fez crescer a procura por escritórios de advocacia. Esse movimento tem sido especialmente observado entre investidores estrangeiros, interessados em operações de fusão ou aquisição de empresas brasileiras, sobretudo no segmento de fertilizantes. "O agronegócio é um dos poucos setores que nos últimos anos efetivamente tem dado muito certo no Brasil. Tem havido maior procura sim", disse ao Broadcast Agro, serviço de informações da Agência Estado, Alexei Bonamim, sócio na área de mercados de capitais da Tozzini Freire Advogados. Nos últimos oito meses, o escritório vem assessorando cerca de 15 empresas e fundos de investimento que buscam companhias de todo o setor para operações de fusão e aquisição. A procura, de acordo com Bonamim, foi significativamente maior neste período que no ano anterior.

Os escritórios Pinheiro Neto Advogados e Mattos Filho têm a mesma percepção. O primeiro trabalha neste momento com duas operações envolvendo misturadoras de fertilizantes e grupos estrangeiros. Já o sócio do Mattos Filho, Pedro Whitaker de Souza Dias, disse que o escritório recebeu, entre julho do ano passado e a primeira quinzena de 2016, um número maior de demandas tanto de empresas de fora do País interessadas em comprar como de brasileiras propensas a vender ou se unir a outras. O maior interesse dos estrangeiros, segundo Dias, tem sido por unidades de fertilizantes.

"Somos procurados pelos dois lados. Tem sido comum nos depararmos com nomes de empresas totalmente desconhecidas de fronteiras agrícolas, tanto produtoras como distribuidoras de adubo, com uma atratividade grande", afirmou Dias. Caso transações em curso no escritório avancem, devem ser finalizadas ainda no primeiro semestre deste ano, estimou o sócio da Mattos Filho.

Uma das principais razões para o maior apetite de grupos e fundos estrangeiros por empresas do agronegócio é a firme valorização do dólar ante o real no último ano (59,9% até hoje). Apenas em janeiro, a moeda norte-americana acumula alta de 5% ante a brasileira. Neste cenário, ativos brasileiros do agronegócio, cotados em real, se tornaram bem mais baratos para os estrangeiros, que pagam em dólar. Além disso, o agronegócio já era visto como oportunidade mesmo quando o real não estava tão desvalorizado.

Em contrapartida, o enfraquecimento de alguns pilares econômicos do País, dentre os quais a moeda real, os juros mais altos e o aumento da inflação acabam por atingir algumas empresas do setor mais endividadas e que, no ano passado, encontraram dificuldades para acessar crédito nos bancos, lembrou Bonamim. O sócio da área empresarial da Pinheiro Neto Advogados, Fernando Meira, considera ainda que algumas delas, como revendas e distribuidoras de insumos, viram seus débitos atrelados ao dólar aumentarem junto com a valorização da moeda.

Quem está vindo às compras não são os investidores tradicionais, segundo as fontes ouvidas. "Muitos clientes acreditam que não é o momento de investir no Brasil. Os americanos não estão vindo. Quem tem manifestado interesse em colocar recursos aqui são os europeus, dentre eles os russos, e os chineses. Eles sabem que o Brasil é um mercado de altos e baixos, mas acreditam no seu potencial de longo prazo", afirmou Meira. Os russos, complementou, estão entre os interessados em uma das operações do escritório envolvendo misturadoras de fertilizantes brasileiras.

Bonamim, da TozziniFreire, conta que das 15 operações sob assessoria do escritório, a maioria ainda não foi concluída. Elas contemplam revendas de insumos, projetos de armazenamento em terminais portuários, plantas de beneficiamento de produtos agrícolas, dentre outros negócios. Se concretizadas, somarão investimentos da ordem de R$ 6 bilhões.

"Algumas devem ser fechadas ainda no primeiro trimestre", estimou Bonamim. Para ele, a procura de estrangeiros por ativos brasileiros do agronegócio só deve aumentar. "As duas principais variáveis de estímulo deste cenário são os ativos baratos (devido à depreciação do real ante o dólar) e as empresas brasileiras que precisam de dinheiro. Não vejo nenhuma delas se alterando ao longo de 2016", complementou o advogado. (O Estado de São Paulo 22/01/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Recompondo perdas: Depois de perdas severas no mercado futuro de açúcar na quarta-feira, os traders focaram-se ontem em cobrir posições vendidas, o que fez os preços subirem na bolsa de Nova York. Os lotes para maio tiveram alta de 25 pontos, a 14,16 centavos de dólar a libra-peso. Os fundamentos voltaram a chamar a atenção dos investidores. A China informou que importou em dezembro 500 mil toneladas, alta de 39% ante o mesmo mês do ano anterior. O país deve ter na safra atual uma de suas piores produções da história, com um déficit de 6 milhões de toneladas, frisou Bruno Zanetti, da FCStone. As consultorias têm reforçado seus cálculos de déficit de oferta global nesta temporada. No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal subiu 0,17%, para R$ 84,74 a saca de 50 quilos.

Café: Alta técnica: O movimento de cobertura de posições foi generalizado entre as commodities agrícolas ontem, e o café não foi exceção. Com o movimento técnico, os contratos futuros do arábica com vencimento em maio fecharam com valorização de 270 pontos na bolsa de Nova York, a US$ 1,1660 a libra-peso. O movimento ignorou a pressão exercida pela alta do dólar sobre o real, fator que costuma ter forte influência negativa sobre as cotações do café. Os fundamentos, inclusive, favorecem valores mais pressionados da commodity. Na quarta-feira, a Conab projetou um forte aumento da produção brasileira, puxado pela safra de arábica. No mercado interno, o café de boa qualidade oscilou entre R$ 500 e R$ 510 a saca de 60,5 quilos, segundo o Escritório Carvalhaes, de Santos.

Soja: Fôlego após o mergulho: Após os preços da soja mergulharem na quarta-feira diante do colapso dos mercados internacionais, os traders buscaram recompor algumas perdas ontem, o que sustentou o grão na bolsa de Chicago. Os lotes da soja para maio subiram 4,25 centavos, a US$ 8,79 o bushel. A recuperação do petróleo e de algumas bolsas colaborou para o movimento de cobertura de posições vendidas. Contribuíram também para oferecer suporte ao mercado os relatos de produtividade aquém do esperado em Mato Grosso, principal produtor do Brasil. Até a última semana, a produtividade média foi de 49,8 sacas por hectare, segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). No Paraná, o preço médio da soja subiu 0,01%, para R$ 72,24 a saca, de acordo com o Deral/Seab.

Milho: Fraqueza no etanol: Mais uma vez na contramão, os preços do milho recuaram ontem na bolsa de Chicago. Enquanto os investidores da maior parte das commodities agrícolas buscavam cobrir posições vendidas e recuperar parte das perdas de quarta-feira, as cotações do grão cederam ante a fraqueza do mercado americano de etanol. Os contratos do milho para entrega em maio recuaram 1,5 centavo, para US$ 3,7175 o bushel. Segundo a agência de informações de energia do governo americano (EIA, na sigla em inglês), a produção de etanol na semana até o dia 15 caiu 1,9%, para 983 mil barris por dia, enquanto os estoques cresceram 2,8%, para 21,9 milhões de barris ­ evidenciando uma redução da demanda. No Paraná, o preço médio subiu do milho 2,59%, para R$ 32,08 a saca, de acordo com o Deral/Seab. (Valor Econômico 22/01/2016)