Setor sucroenergético

Notícias

Açúcar: Vendas técnicas

Contrariando mais uma vez os sinais relativos à oferta e à demanda e fatores macroeconômicos, os preços do açúcar recuaram ontem na bolsa de Nova York.

Os papéis do açúcar demerara com vencimento em maio caíram 32 pontos, para 13,55 centavos de dólar a libra-peso.

Os traders estão antecipando o movimento de rolagem de posições dos fundos e já liquidam contratos antes que os preços sejam ainda mais pressionados, dizem analistas.

No campo dos fundamentos, porém, há expectativa de aperto da oferta em diversas frentes. Uma é a China, cujas áreas produtoras têm sido afetadas por seca e geada, o que deve elevar sua demanda por açúcar no mercado internacional.

No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal caiu 0,41%, para R$ 82,99 a saca. (Valor Econômico 28/01/2016)

 

Unica reconhece que são 85 as usinas em processo de recuperação judicial

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Única) atualizou sua lista de unidades em recuperação judicial e em falência do país. Conforme a entidade, 11 usinas, e não 13  entraram em recuperação em 2015. Somando-se às 74 unidades que já estavam em recuperação até 2014, o número atualizado de usinas que pediram proteção da Justiça contra credores é de 85 (sendo 11 com falência decretada). Anteriormente, a Única havia informado que eram 79 usinas.

 

Abengoa reestrutura dívidas

A Abengoa Bioenergia Brasil S/A, braço do grupo espanhol Agengoa e que controla duas usinas de cana-de-açúcar em São Paulo, informou que não está em recuperação judicial, ao contrário do publicado pelo Valor Econômico. A empresa afirmou que está em processo de reestruturação de suas dívidas. Conforme balanço pulibcado pela empresa espanhola, sua dívida bancária era em 31 de dezembro de 2014 de R$ 897 milhões.

A Abengoa Bioenergia Brasil vem tendo desde 2015 problemas com pagamento de suas dívidas. Em dezembro, os fornecedores de cana das duas usinas do grupo, em Pirassununga e São João da Boa Vista, obtiveram na Justiça uma liminar de arresto de bens e bloqueios de remessa de recursos da empresa ao exterior.

Alguns dias depois, a Abengoa Bioenergia Brasil conseguiu reverter parcialmente a decisão, segundo informou em nota, tendo o arresto e as restrições limitadas a remessas de bens e valores para o exterior, alienação de imóveis e alteração do controle acionário.

Em novembro passado, a matriz da Abengoa pediu na Espanha proteção contra credores, uma espécie de recuperação judicial que dá prazo de quatro meses para negociação de um acordo com credores. No Brasil, o grupo é uma das principais transmissoras de energia do país. Desde o pedido de proteção contra credores da matriz, o grupo paralisou as obras de construção no Brasil. (Brasil Agro 28/01/2016)

 

Governo divulga lista completa com os 92 integrantes do Conselhão

Empresário Joesley Batista, da JBS, e presidente da OAB estão entre os membros.

O governo divulgou, na noite desta quarta-feira, a lista completa dos 92 integrantes do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão, que será reativado na quinta após quase dois anos parado. A listagem, que inclui o empresário Joesley Batista, da JBS, e o presidente nacional da OAB, Marcus Vinicius Coelho, além de outros nomes que já haviam sido divulgados, foi aprovada pela presidente Dilma Rousseff após sua chegada do Equador, onde participou da Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac).

Para ler a lista, acesse: http://www.brasilagro.com.br/conteudo/governo-divulga-lista-completa-com-os92-integrantes-do-conselhao.html#.VqnpRbIrK00

 

Desemprego no setor sucroenergético cresce em dezembro

O desemprego no setor sucroenergético brasileiro cresceu em dezembro de 2015 em relação a dezembro de 2014 e impediu que a cadeia produtiva de açúcar e etanol encerrasse o ano passado com saldo positivo no segmento, algo que não ocorre desde 2011.

No ano passado, as demissões superaram as admissões em 29.443 postos de trabalho, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Só em dezembro, o saldo ficou no vermelho em 35.028 postos, o maior desde 2013. Os números foram organizados e apresentados ao Broadcast Agro (serviço de notícias em tempo real da Agência Estado) pela subseção da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de São Paulo (Fequimfar), do Dieese. A entidade representa cerca de 100 usinas no Estado.

Segundo o economista Daniel Ferrer, do Dieese, o segmento sucroenergético passou por um ajuste no fim do ano passado. "Todos os setores da economia estão se ajustando à mão de obra. Se havia algum excesso, foi cortado." Para ele, caso a cadeia produtiva não estivesse em recuperação, com o aumento nos preços do etanol e do açúcar, nem tivesse estendido a safra, em razão das chuvas, o saldo de empregos poderia ter sido ainda pior.

Em 2011, o setor fechou com movimentação positiva de 10.184 postos. De lá pra cá, as dificuldades financeiras enfrentadas pelas usinas provocaram saldos negativos de 18.214 postos em 2012, de 10.308 em 2013 e de 36.985 em 2014.

Em 2015, a dívida do segmento cresceu para quase R$ 100 bilhões, de acordo com cálculos da consultoria Datagro. Com relação a São Paulo, principal Estado produtor de cana-de-açúcar, foram encerrados 5.177 postos de trabalhos formais em 2015. O resultado foi, ao menos, melhor que o de 2014 (negativo em 14.599 postos), mas ainda está longe do de 2012, quando ficou positivo em 1.599 postos. (Agência Estado 27/01/2016)

 

Desvalorização do real favorece aquisição de terras no Brasil

Conforme BrasilAgro, áreas com potencial para agricultura e pecuária ficam mais baratas.

Alta do dólar favorece aquisição de terras no Brasil.

A BrasilAgro prevê para este ano boas oportunidades para compra de terras agrícolas no Brasil. "As terras estão mais baratas para comprar em dólar, então há oportunidade (no mercado de terras)", disse o diretor presidente da BrasilAgro, Julio de Toledo Piza, ao Broadcast Agro, serviço de notícias em tempo real sobre agronegócio da Agência Estado. Só em janeiro a alta do dólar é de quase 3% e, em um ano, chega a 58%. A valorização favorece os planos da empresa, que recentemente anunciou a intenção de ampliar seu portfólio. Piza lembra que ao mesmo tempo em que propriedades se tornaram mais baratas em dólar, muitos produtores com dívidas na moeda norte-americana viram seu débito em real aumentar e a venda de terras é uma alternativa para obter recursos rapidamente.

Em dezembro, durante reunião pública da empresa com investidores, Piza havia dito que "ficaria surpreso se não houvesse uma aquisição de terras (pela empresa) nos próximos três meses". Ele reiterou esta perspectiva, dizendo que "as tratativas estão andando". A empresa, segundo o executivo, vem avaliando "quase todas as regiões em que há produtores de maior porte e com problemas financeiros", com necessidade de levantar recursos para amortizar dívidas no curto prazo. Nestas condições, mencionou terras na Bahia, Mato Grosso, Piauí e Maranhão. "Temos uma posição super confortável do ponto de vista financeiro. Não temos dívida nenhuma em dólar, então o saldo da valorização da moeda ante o real é positivo. Teve gente que no ano passado travou (o preço futuro da) soja em reais e não se beneficiou da valorização da moeda. Nós não tínhamos vendido a soja em reais, então aproveitamos o câmbio", disse Piza.

A gestão das variações cambiais e do caixa da companhia tem sido fundamental para garantir rentabilidade. Piza conta que a BrasilAgro optou por negociar soja na moeda norte-americana no ano passado e o mesmo fez com os insumos: em maio de 2015 a BrasilAgro adquiriu dólares para comprar fertilizantes e defensivos para a safra 2015/16. "Víamos que havia perspectiva de valorização muito grande da moeda e por isso nos adiantamos e adquirimos dólares. Conseguimos comprar os insumos bem mais baixos", explicou.

Devido ao momento propício para a aquisição de terras, a BrasilAgro também tende a colocar em segundo plano o desenvolvimento de novas áreas. A empresa prevê neste ano desenvolver (abrir área, corrigir solo e aumentar produtividade) apenas 6 mil dos 49 mil hectares de seu banco de terras. "Quando olhamos o câmbio e nossas margens e vemos no setor oportunidades importantes de aquisição, estas operações se mostram mais interessantes para alocar capital do que desenvolver mais áreas", declarou o executivo.

Commodities e insumos

Questionado sobre a comercialização da safra de grãos 2015/16, que começa a ser colhida, Piza explicou que a lógica da BrasilAgro é diferente da de produtores, que de forma geral utilizam a venda antecipada para financiar a produção. "Separamos a fixação de preço da soja em Chicago da comercialização física. Podemos ter volume significativo fixado sem ter nenhum quilo de soja vendido e vice-versa", afirmou o executivo. Ele acrescentou que, dependendo das oportunidades do mercado, a companhia pode optar apenas por travar a soja ou por vender o produto físico. Em sua última reunião pública, a BrasilAgro divulgou perspectiva de cultivar 46 mil hectares de suas propriedades com grãos (soja e milho) na safra 2015/16.

Em relação à oferta e demanda global de grãos, Piza avaliou que, apesar dos estoques mundiais atuais e de preços internacionais mais baixos que os dos últimos cinco anos, a demanda segue firme. Ele diz que, de parte do mercado chinês, a perspectiva de crescimento menos acelerado não deve ter nas commodities agrícolas o mesmo impacto observado nas commodities metálicas. "Produtos agrícolas são menos afetados pelas variações econômicas de curto prazo da China. O enfraquecimento da demanda de metais é mais imediato que o de commodities", argumentou.

Quanto à ampliação da área cultivada com cana-de-açúcar, uma das projeções feitas pela companhia em sua última reunião pública, a proposta é alcançar um crescimento entre 40% e 80%. "De 15 mil a 20 mil hectares seria um número que eu gostaria de atingir", afirmou. Novamente, o dólar fortalecido contribui para o otimismo com o setor, já que o açúcar é exportado em dólares e tem trazido bom rendimento em reais. Mas o executivo lembrou que o ajuste da oferta de cana-de-açúcar no Brasil no último ano também beneficia o setor sucroalcooleiro. (O Estado de São Paulo 27/01/2016)

 

Queda do petróleo coloca renováveis em risco no Brasil

O impacto que a queda vertiginosa do preço do petróleo pode ter na matriz de energia é diferente no Brasil e no mundo. Se nos países industrializados a crise não deve afetar a expansão da geração de eletricidade por fontes renováveis, no Brasil pode estimular o uso das térmicas movidas a combustíveis fósseis e prejudicar a competitividade dos biocombustíveis, acreditam alguns analistas.

"Aqui o risco é maior e o país deve evitar as armadilhas", alerta o físico e especialista em energia José Goldemberg, presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, a Fapesp e ex-ministro da Educação, no começo da década de 90.

As energias renováveis mais comuns, eólica e solar, são usadas para produzir eletricidade em países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Nas nações industrializadas, as renováveis competem com carvão, não com petróleo. Isso também acontece na China e Índia, que usam muito carvão. Por isso, analistas internacionais acreditam que o mercado de energias renováveis não se abalará com o preço do petróleo em queda. "Seria muito caro mudar toda a infra-estrutura para produzir eletricidade a partir do petróleo", diz Goldemberg.

O cenário é diferente no Brasil. O petróleo cada vez mais barato pode estimular o uso maior das termelétricas movidas com derivados do petróleo, como o Brasil já vem fazendo para compensar as perdas com energia hidrelétrica quando os reservatórios estão baixos, uma das "armadilhas" citadas por Goldemberg. "Essa é a lógica puramente econômica, e isso não deveria acontecer", aconselha.

A outra ameaça, na visão dele, é seguir explorando o pré-sal. "Continuar investindo no pré-sal é ir na contramão do mundo. Talvez o Brasil tenha que enfrentar essa realidade". Goldemberg se refere às notícias da semana passada, com grandes empresas adiando investimentos de US$ 380 bilhões em exploração de petróleo em "lugares problemáticos, como o Ártico", cita.

No último ano e meio, o preço do petróleo caiu mais de 75%. Saiu de US$ 110 o barril para ficar em menos de US$ 30 nos últimos dias. Enquanto isso, o mercado das renováveis coleciona boas notícias. É provável que a China bata dois novos recordes, ter instalado 30,5 gigawatts (GW) de eólica em um único ano, 2015, e ainda, 16,5 GW de solar. A usina de Belo Monte, a título de comparação, terá potência instalada de 11,2 GW.

"O que se imagina é que a China irá migrar do carvão direto para as renováveis", diz a engenheira Suzana Kahn, presidente do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PMBC), que reúne cerca de 350 cientistas brasileiros. O preço baixo do petróleo é conjuntural, e os investimentos da indústria de energia são de longo prazo, analisa. "As oscilações do preço do petróleo não afetam tanto a estratégia de investimento do setor, por isso não acredito que atrapalharia o bom momento das renováveis".

Para Suzana, as renováveis se beneficiam da instabilidade do Oriente Médio, porque os países buscam segurança energética. "As renováveis têm a vantagem de serem fontes de energia distribuídas e geradas localmente. Essas instabilidades, de certa forma, beneficiam as renováveis, que não estão sujeitas às oscilações mundiais".

"No caso brasileiro, o consumo de petróleo ocorre basicamente no transporte", diz André Ferreira, diretor­presidente do Instituto de Energia e Meio ambiente (Iema), de São Paulo. "Para nós, o grande desafio desse cenário está em viabilizar combustíveis renováveis. Se o petróleo se mantiver baixo assim, dificulta o etanol de segunda geração, que vem sendo pesquisado no Brasil", cita Ferreira. "Mesmo o etanol que usamos hoje pode ser desafiado no futuro, se essa situação se prolongar. Nosso problema está aí, na competitividade do etanol, não na geração de energia elétrica".

"A discussão central, que vai além do petróleo, é o Brasil falar sobre o nosso portfólio de ativos para a nova economia", diz Carlos Nomoto, secretário-executivo do WWF-Brasil. "Na nossa cesta de ativos temos água, floresta, luminosidade, ventos e 8 mil quilômetros de costa. A dependência do Brasil ao petróleo não deveria ser assim".

Para Nomoto, que trabalhou mais de 20 anos no mercado financeiro, "é preciso precificar estes ativos e valorizá­los." Ele defende que o país crie "um ambiente regulatório para atrair capital para isso. Dinheiro existe e o Brasil poderia ser o país perfeito para investidores nestes recursos".

Segundo relatório da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), de novembro, pelo menos 27 países estão reduzindo ou acabando com os subsídios aos combustíveis fósseis. Na ausência de subsídios, as tecnologias das renováveis se tornam ainda mais competitivas.

"O setor de energias renováveis tem crescimento mais estável", diz Pedro Telles, da campanha de clima e energia do Greenpeace. "O preço do petróleo está baixo agora. Mas até quando irá sustentar esse nível? A perspectiva de longo prazo das energias renováveis é mais atraente do que a do petróleo." Telles lembra a mensagem do acordo assinado na CoP­21: "O principal sinal do Acordo de Paris foi que teremos que ficar longe dos combustíveis fósseis". (Valor Econômico 28/01/2016)

 

Alta em preços domésticos do açúcar provoca recompras por produtores do Nordeste

Uma elevação dos preços do açúcar no Brasil ampliou os incentivos para que produtores do Nordeste recomprarem o açúcar vendido mais cedo às casas de comércio internacionais para conseguir retornos melhores no mercado doméstico.

A safra de cana do Nordeste, que corresponde a cerca de 10 por cento da produção brasileira, foi colhida no último trimestre de 2015. A safra sofreu períodos de escassez de chuvas de moderados a médios nos principais Estados produtores de Alagoas, Pernambuco e Paraíba em cinco dos oito meses (janeiro a agosto) antes da colheita.

Um gerente de vendas de uma usina em Alagoas disse que ainda está decidindo exatamente a quantidade de açúcar vendida antecipadamente aos operadores internacionais que será recomprada.

No entanto, ele disse que planeja recomprar cerca de 5 por cento das vendas de açúcar negociadas antes de setembro para entrega no primeiro trimestre de 2016.

"Os preços domésticos subiram acentuadamente desde que as usinas fecharam contratos no segundo trimestre de 2015, para entrega no início de 2016. Os retornos estão muito melhores agora do que no mercado externo", disse o gerente.

Segundo um operador europeu do mercado físico de açúcar, alguns produtores haviam vendido muito da oferta do Nordeste encorajados pelo enfraquecimento do real, que impulsionou os retornos do açúcar vendido em dólar.

"Há uma série de recompras por produtores do Nordeste do Brasil", disse ele. (Reuters 27/01/2016)

 

Hidrovia Tietê-Paraná é reativada para navegação

A Hidrovia Tietê-Paraná foi reativada para navegação ontem entre o trecho do km 99,5 do reservatório de Três Irmãos e a eclusa inferior de Nova Avanhandava.

O ponto estava interrompido para a passagem de embarcações, desde maio de 2014, em decorrência do baixo nível dos reservatórios de Três Irmãos e Ilha Solteira.

A navegação no trecho foi reativada com o calado de 2,80 metros, estabelecido pelo Departamento Hidroviário a partir da manutenção da cota dos reservatórios definida pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), órgão federal responsável pelo setor energético.

De 2006 a 2013, a quantidade de cargas escoada pela Tietê­Paraná cresceu de cerca de 3,9 milhões de toneladas para 6,3 milhões de toneladas, entre milho, soja, óleo, madeira, carvão, cana de açúcar e adubo.

Com a reativação da passagem de cargas de longo percurso, a projeção de movimentação na hidrovia é superar este ano o montante de 6,3 milhões de toneladas de cargas registrado em 2013. Para 2017, a expectativa é de que essa quantidade suba para 7 milhões de toneladas. (Valor Econômico 27/01/2016)

 

Furtos de defensivos agrícolas em Mato Grosso disparam com alta de preços

Os altos preços dos defensivos agrícolas, impulsionados pela alta do dólar ante o real, têm estimulado um aumento dos furtos e roubos em fazendas no Mato Grosso, maior produtor de grãos do país, causando dor de cabeça e perdas financeiras a produtores.

O número de furtos e roubos de defensivos no Estado, principalmente com ataques a depósitos nas propriedades rurais, saltou 82 por cento em 2015, para 51 casos, contra 28 registros em 2014, segundo dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública compilados a pedido da Reuters.

Nas primeiras semanas de 2016, apesar de não haver estatísticas fechadas, os casos continuam frequentes.

O produtor Orcival Guimarães teve uma carga de defensivos agrícolas avaliada em 1,3 milhão de reais roubada de sua fazenda no município de Matupá, na semana passada.

"Vizinhos viram duas caminhonetes com seis a oito pessoas, por volta da meia-noite... Cortaram o cadeado do depósito. Foram seletivos, pegaram os produtos mais caros", relatou.

Nesta época do ano, em que a soja está em plena fase de desenvolvimento, esse tipo de ação é facilitada pelas grandes quantidades de defensivos que os produtores precisam manter perto das lavouras para aplicação contra doenças e pragas.

Os preços dos defensivos estão atualmente 30 por cento mais elevados do que um ano atrás, refletindo uma alta de 45 por cento na cotação do dólar frente o real no mesmo período, segundo levantamento do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).

"Em razão do alto valor agregado desse produto, as quadrilhas que lidavam com roubo a banco e de carro-forte estão migrando", disse o delegado da Polícia Civil de Mato Grosso Diogo Santana, que lidera as investigações a esse tipo de crime. "A lucratividade é maior e o risco é muito menor”.

O isolamento das fazendas, a dificuldade de patrulhamento policial nas grandes extensões de terra de Mato Grosso e a fraca segurança dos depósitos nas propriedades --muitas vezes um pequeno galpão fechado com uma tranca simples-- facilitam a ação dos bandidos. A maior parte dos registros é de furtos, à noite, sem violência.

Segundo Santana, os crimes são cometidos por grandes quadrilhas que atuam sob encomenda.

"Quem comete o crime já sabe para quem vai vender. Ele sabe qual produto precisa levar", destacou o delegado.

Na avaliação do presidente da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja), Endrigo Dalcin, alguns produtores em más condições financeiras, em um momento de crédito mais apertado no país, podem estar buscando a alternativa de uma compra ilegal.

"O problema é a receptação... Tem maus produtores no meio desse esquema, tem revenda de produtos agrícolas", disse ele.

Segundo ele, esse tipo de roubo não chega a ameaçar a produção de soja de Mato Grosso, mas instala um clima de grande insegurança entre os agricultores.

"Eu mesmo já tive ameaça de roubo. Tivemos que contratar segurança particular, tentaram entrar duas ou três vezes na minha fazenda à noite. É muito ruim, porque abala os funcionários."

O presidente da Aprosoja disse que não existe seguro para esse tipo de produto e que mesmo apólices sobre a propriedade não abrangem defensivos agrícolas. Assim, o produtor arca com todo o prejuízo nos casos de roubo.

Nesta temporada, Mato Grosso deverá responder por quase 30 por cento de uma safra projetada oficialmente em 102 milhões de toneladas de soja no país, (Reuters 27/01/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Vendas técnicas: Contrariando mais uma vez os sinais relativos à oferta e à demanda e fatores macroeconômicos, os preços do açúcar recuaram ontem na bolsa de Nova York. Os papéis do açúcar demerara com vencimento em maio caíram 32 pontos, para 13,55 centavos de dólar a libra-peso. Os traders estão antecipando o movimento de rolagem de posições dos fundos e já liquidam contratos antes que os preços sejam ainda mais pressionados, dizem analistas. No campo dos fundamentos, porém, há expectativa de aperto da oferta em diversas frentes. Uma é a China, cujas áreas produtoras têm sido afetadas por seca e geada, o que deve elevar sua demanda por açúcar no mercado internacional. No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal caiu 0,41%, para R$ 82,99 a saca.

Café: Mercado físico: As cotações do café subiram pela quarta sessão consecutiva ontem na bolsa de Nova York em meio a um ligeiro aperto no mercado físico. Os papéis do café arábica para maio subiram 150 pontos, a US$ 1,2035 a libra-peso. Para analistas, a desvalorização do café dias atrás desestimulou os produtores a negociarem sua produção, limitando a oferta disponível. Nas contas do Rabobank, as exportações de café do Brasil deverão recuar no curto prazo. O analista Jack Scoville, da Price Futures Group, observou ainda que há um aumento da demanda por cafés de alta qualidade, embora ainda exista pouco interesse pelos de menor qualidade. No mercado doméstico, o café de boa qualidade oscilou entre R$ 500 e R$ 510 a saca de 60,5 quilos, segundo o Escritório Carvalhaes, em Santos.

Cacau: Queda em NY: Os preços futuros do cacau perderam terreno ontem na bolsa de Nova York diante de forte liquidação de posições. Os contratos da amêndoa para maio fecharam com queda de US$ 63, a US$ 2.771 a tonelada. As cotações de cacau acumulam desvalorização expressiva neste mês, revertendo a maior parte da alta de 2015. O aumento das compras de cacau pelo conselho estatal do setor em Gana, um dos maiores produtores do mundo, reportado dias atrás sinalizou ao mercado que a produção local pode estar melhor que esperado inicialmente. Já se avalia inclusive superávit elevado na safra 2016/17 no oeste da África. Na Bahia, o preço médio do cacau permaneceu em R$ 141 a arroba, de acordo com a Secretaria de Agricultura do Estado.

Trigo: Realização de lucros: As cotações do trigo recuaram ontem nas bolsas americanas, refletindo um movimento de realização de lucros após duas fortes altas consecutivas. Em Chicago, os contratos do cereal com vencimento em maio caíram 7,75 centavos, a US$ 4,8225 o bushel. Em Kansas, onde se negocia o cereal de melhor qualidade, o mesmo vencimento caiu 9 centavos, a US$ 4,78 o bushel. Nas últimas duas sessões, os preços ganharam impulso diante das especulações de que a Rússia pode voltar a restringir suas exportações de trigo, como já fez no ano passado, para controlar a inflação de alimentos no seu mercado interno. No Brasil, o movimento dos preços foi inverso. O indicador Cepea/Esalq para o cereal subiu 0,36%, a R$ 740,44 a tonelada. No mês, o indicador acumula alta de 1,69%. (Valor Econômico 28/01/2016)