Setor sucroenergético

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STF julga nesta 4ª feira demanda da Abengoa contra a Dedini Agro

O STF julga quarta-feira, se a arbitragem americana, que deu razão a Abengoa na sua briga contra a brasileira Dedini, vale no Brasil. A Abengoa se diz enganada pela brasileira na compra de três usinas em 2007 e quer indenização.

A espanhola pediu recuperação judicial no Brasil ontem no dia 29-jan-16. (por Sonia Racy O Estado de São Paulo 30/01/2016)

 

Abengoa entra com pedido de recuperação judicial no Brasil

O grupo espanhol Abengoa, que atua no setor elétrico, entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça brasileira. O pedido foi feito por três empresas do grupo Abengoa Construção Brasil, Abengoa Concessões Brasil Holding e Abengoa Greenfield Brasil Holding e distribuído nesta sexta-feira à 6ª Vara Empresarial da Justiça do Rio de Janeiro.

A Abengoa Construção apresentou dívida de R$ 1,9 bilhão. A Abengoa Concessões listou dívidas de R$ 2,28 bilhões e a Abengoa Greenfield declarou dívidas de R$ 360,7 milhões de dívidas com credores. No consolidado, o processo apresenta cerca de R$ 3 bilhões em dívidas com credores.

No fim do ano passado, o grupo espanhol havia pedido proteção contra as dívidas na Espanha. Desde então, paralisou todas as suas obras no Brasil. As principais delas são do setor de transmissão, entre elas, uma das linhas que interligará a usina hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA) ao Nordeste.

O escritório de advocacia responsável pelo pedido de recuperação judicial da empresa foi o Barbosa Müssnich Aragão.

Por meio de nota, o grupo informou que o pedido de recuperação judicial das empresas Abengoa Concessões Brasil Holding, Abengoa Construção Brasil e Abengoa Greenfield Brasil Holding, apresentado hoje ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, “tem por objetivo minimizar os impactos da suspensão de alguns dos projetos em construção e alcançar uma solução que seja adequada para todas as partes interessadas e afetadas pela situação atual” de cada uma delas.

Segundo o grupo, o pedido de recuperação judicial é “mais uma etapa do processo de reestruturação da companhia no Brasil”. (Valor Econômico 29/01/2016 às 18h: 12m)

 

Açúcar: Sexta queda

Os preços futuros do açúcar recuaram pela sexta sessão consecutiva na bolsa de Nova York, em mais um dia de liquidação de posições por parte dos fundos.

Os papéis do açúcar demerara com vencimento em maio fecharam com recuo de 17 pontos na sexta-feira, a 13,08 centavos de dólar a libra-peso.

Em seis pregões, a commodity acumulou desvalorização de 109 pontos.

Segundo analistas, os traders vêm se desfazendo de posições compradas desde que os preços quebraram importantes níveis técnicos de suporte, desencadeando um sentimento pessimista sobre a direção do mercado.

Os fundos também já antecipam algum movimento de rolagem de posições.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo caiu 0,11%, para R$ 83,35 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 01/02/2016)

 

Bunge vê luz no fim do túnel para a indústria de açúcar do Brasil

A indústria brasileira de açúcar está chegando a um ponto de virada, conforme a escassez mundial leva a preços mais estáveis, em um momento em que a depreciação do real reduz os custos de produção. A avaliação é da Bunge, empresa que possui oito usinas no país.

O Brasil, maior produtor do mundo, terá de aumentar a produção na próxima década para atender à crescente demanda, afirmou o diretor-executivo da empresa, Soren Schroder, na Dubai Sugar Conference, um evento privado para 400 líderes dessa indústria. Os déficits de abastecimento global previstos para este ano e o próximo vão resultar na estabilização dos preços, disse ele.

Os contratos futuros de açúcar negociados em Nova York subiram 5% no ano passado, após quatro anos de declínio. Em 2015, o produto teve o terceiro melhor desempenho no índice Standard & Poor de 24 matérias-primas. A queda de mais de 30% do real está impulsionando os ganhos para os usineiros que vendem a mercadoria em dólar, além de reduzir os custos de um pico atingido em 2011, disse Schroder.

"Acreditamos que a moagem de cana-de-açúcar brasileira e também a indústria do etanol estão em um ponto de virada, que chegamos ao fundo", afirmou o CEO da Bunge, que movimenta cerca de 6,5 milhões de toneladas por ano em sua divisão de açúcar e bioenergia. "Há luz no fim do túnel."

Déficit no abastecimento

Os estoques globais de açúcar ficarão abaixo da demanda em 5 milhões de toneladas na temporada iniciada em 1 de outubro, de acordo com a Bunge. Outro déficit de 2 milhões de toneladas é esperado para o ano seguinte. O Brasil terá de processar mais cana para atender a demanda de açúcar que a Bunge acredita que aumentará em 48 milhões de toneladas na próxima década, além do consumo doméstico de etanol ­ para o qual a empresa prevê um crescimento de 40%.

O contrato futuro do açúcar bruto caiu 14% este ano, para US$ 0,1314 por libra no pregão da ICE na sexta-feira.

O real desvalorizado diminuiu os custos das usinas em US$ 0,08 a US$ 0,10 por libra em relação ao pico de 2011 e fez o Brasil se tornar mais uma vez o produtor mais barato, disse Schroder. Com a crise política e econômica no Brasil, o real teve o segundo pior desempenho do ano passado em uma cesta de 24 moedas de mercados emergentes monitoradas pela Bloomberg.

"A combinação da moeda e maior eficiência coloca o Brasil de volta no mapa de uma forma muito sólida", disse o executivo.

Fardo da dívida

Mesmo assim, o real depreciado significa que a dívida dos usineiros "atravessou o telhado", já que mais de 50% dos empréstimos são tomados em dólares, continuou Schroder. Ele citou um estudo realizado em março de 2015, com 65 grupos no centro­sul (maior região produtora de açúcar do Brasil), mostrando que o endividamento líquido tinha aumentado 23% na comparação anual.

Vários anos de preços baixos e dificuldades financeiras fizeram 47 usinas fechar nos últimos três a quatro anos, o que reduziu a capacidade de processamento, disse ele. Enquanto o mercado global precisa que o Brasil atenda à demanda, o país provavelmente não será capaz de atrair investimentos para aumentar a capacidade de processamento de cana rápido o suficiente, disse o executivo.

A indústria de açúcar do Brasil vai precisar de preços mais estáveis para atrair investimentos. A cotação tem de estar entre US$ 0,14 e US$ 0,16 por libra para criar um incentivo à expansão das usinas existentes, e acima dessa faixa para estimular novos projetos. Schroder se recusou a comentar se a Bunge ainda planeja vender seus ativos no país.

Embora o real mais baixo tenha dado "uma pequena folga" aos usineiros brasileiros, ainda existe espaço para melhorar a eficiência no país, de acordo com a Bunge.

"A política no Brasil no momento está muito complicada, mas um dia isso vai ser resolvido", disse Schroder. "Como é que vamos competir nesse momento? Isso é o que temos que pensar. Temos que pensar em uma maneira de assegurar a viabilidade a longo prazo”. (Bloomberg 31/01/2016)

 

Sócia da Cosan, Shell compra a BG. Irá focar o petróleo?

Será que a Shell inicia um afastamento do setor de açúcar e etanol?

Os acionistas da britânica BG Group decidem nesta quinta-feira (28/01) se aprovam ou não. Mas é quase certo que darão sinal verde para a venda da companhia petrolífera com sede em Reading, nos arredores de Londres, para a anglo-holandesa Shell.

Será o primeiro grande negócio de 2016 envolvendo dois gigantes. O valor da transação é estimado em US$ 50 bilhões. Mas o que tem o setor sucroenergético brasileiro a ver com essa compra e venda, se o foco da BG é o petróleo?

O impacto no setor virá logo primeiro em termos corporativos. A Shell é sócia da companhia sucroenergética Cosan, do Grupo Ometto, na joint-venture Raízen.

No último trimestre de 2015, o jornal Valor divulgou que a Shell possuía tendência de adquiria a parte da Cosan na Raízen. Rubens Ometto Silveira Mello, presidente do Conselho de Administração da Cosan, desmentiu essa informação para o Portal Jornal Cana, durante evento na capital paulista.

O assunto sobre a Raízen deixou de ser comentado, mas agora, com a investida da Shell na BG, é de se questionar: a companhia anglo-holandesa pretende investir no universo petrolífero, setor que a adquirida tem expertise de sobra?

No mais, sempre é bom lembrar que a BG surgiu em 1997 quando a British Gas procedeu à cisão parcial da Centrica e assumiu a denominação BG.

Sabe quem é a British Gas?

A mesma companhia inglesa que adquiriu o controle da então estatal Comgás, do governo do estado de São Paulo, e que depois vendeu o mesmo controle para a Cosan.

Melhor dizendo: em 2012, a Cosan adquiriu do Grupo BG 60,1% do capital social da Comgás.

Atualmente, entre os acionistas da Comgás estão, além da Cosan, a própria Shell.

Saiba mais sobre a compra da BG Group

Na quarta-feira (27/01), os acionistas da empresa aprovaram a aquisição do BG Group e encaminharam resolução para a implementar a transação, que foi fechada em torno de US$ 50 bilhões.

A conclusão do acordo, que deve se tornar o maior do setor de óleo e gás nos últimos dez anos depende apenas da aprovação por parte dos acionistas da BG, que se reunirão em assembléia nesta quinta-feira (28).

Após meses de espera, a expectativa das companhias é de que a compra seja oficializada em fevereiro, com sanção por parte do Superior Tribunal de Justiça britânico.

O acordo vem tramitando em órgãos competentes desde abril do ano passado, quando foi anunciado pelas empresas, e recentemente recebeu aprovação final por parte da União Européia.

A aprovação entre os acionistas da Shell foi de 83%

A compra da BG integra o planejamento a longo prazo da Shell, que busca reestruturar suas operações e aposta no retorno financeiro dos ativos adquiridos. Entre eles estão projetos produtivos na costa brasileira, como participações em blocos do pré-sal. (Jornal Cana 29/01/2016)

 

Abengoa fecha acordo com fornecedores de cana para manter operações

A companhia espanhola Abengoa, que está em dificuldades financeiras, chegou a um acordo com um grupo de produtores de cana no Brasil em relação a valores devidos pelo fornecimento de cana que pode permitir que a companhia mantenha as operações em suas duas usinas locais, em meio à aproximação da nova safra, disseram pessoas envolvidas nas negociações.

As duas usinas de açúcar e etanol no Brasil quase entraram em colapso recentemente devido às fortes dívidas com bancos e fornecedores. Localizadas na principal região de cana do país, no interior paulista, elas têm uma capacidade combinada para processar 6,5 milhões de toneladas de cana anualmente, produzindo 235 milhões de litros de etanol e 645 mil toneladas de açúcar.

"Eles nos enviaram uma proposta para pagar as quantias devidas gradualmente, a partir de 15 de fevereiro", disse o diretor da Associação dos Fornecedores de Cana de Piracicaba (Afocapi), Arnaldo Antonio Bortoletto (Foto). A entidade representa fornecedores de cana da região em que a Abengoa opera.

"Então, se eles cumprirem com o primeiro pagamento em fevereiro, o grupo vai dar oportunidade de continuar (o fornecimento)", ele disse.

O acordo com os produtores de cana pode fornecer uma corda salva-vidas para a Abengoa Brasil Bionergia, enquanto sua matriz em Madri procura compradores para as instalações. A Abengoa disse esta semana que planeja vender todos os ativos em biocombustíveis para levantar capital e tentar salvar a empresa da falência.

A matriz entrou com um pedido na Justiça espanhola para buscar soluções para seu endividamento.

A Abengoa comprou as duas usinas brasileiras em 2007 da companhia brasileira Dedini Agro, por cerca de 500 milhões de euros, incluindo dívidas.

Naquele momento, o setor brasileiro de açúcar e etanol estava passando por uma avalanche de investimentos estrangeiros, com o mercado de biocombustíveis parecendo extremamente promissor.

Mas logo depois o governo iniciou uma longa política de manter os preços da gasolina artificialmente baixos para conter a inflação. Isto, em conjunto com um ciclo de baixa nos preços do açúcar, praticamente arruinou o setor.

O diretor de açúcar e etanol da Abengoa no Brasil, Rogério Ribeiro Abreu dos Santos, confirmou o acordo com os produtores de cana e disse que a empresa também está trabalhando com os bancos e outros credores para renegociar obrigações financeiras com objetivo de manter as operações.

"Estamos trabalhando forte para reestruturar nossa dívida para gerar fluxo de caixa e captar capital de giro", ele disse à Reuters.

"Nosso trabalho nesse sentido já vem trazendo resultados positivos, não só com bancos, mas com credores em geral", ele disse.

Santos não quis revelar a carga de dívidas da unidade.

A última declaração pública da Abengoa Brasil Bioenergia no início do ano passado cotava as dívidas com bancos em cerca de 900 milhões de reais. A dívida total com fornecedores não é conhecida. (Reuters 29/01/2016)

 

Isolada, Dilma encontra apoio em sua ex-inimiga Kátia Abreu

No dia 21 de janeiro, após se submeter a uma série de tratamentos para se livrar, sem sucesso, de dores na coluna causadas por uma hérnia de disco, a ministra da Agricultura, Kátia Abreu (PMDB), ouviu o conselho da presidente Dilma Rousseff e passou por uma sessão de acupuntura com o médico chinês Gu Hanghu, queridinho dos políticos que sofrem com males em Brasília.

Dias antes, a presidente já havia telefonado para o cardiologista Roberto Kalil Filho pedindo que ele ajudasse a auxiliar a encontrar um tratamento que a curasse, de vez, das dores que a incomodavam há mais de cem dias.

Isolada politicamente, é na líder ruralista, uma ex-inimiga política, que Dilma tem encontrado uma improvável fonte de apoio.

A relação das duas começou em 2009, logo depois que a petista anunciou estar em tratamento contra um câncer.

Antipetista ferrenha, Kátia, à época senadora pelo DEM do Tocantins, deixou as críticas de lado e decidiu escrever uma carta de próprio punho, bastante religiosa, prestando solidariedade.

"Fiquei muito chocada e abatida como mulher", afirmou Kátia Abreu à Folha.

Apontada já na época como nome à sucessão de Lula, Dilma ligou para a senadora para agradecer "pelas palavras que a tocaram muito".

A carta e o telefonema ganharam status de segredo de Estado. Até porque, meses depois, na campanha presidencial de 2010, Kátia tentou a vaga de vice na chapa de José Serra (PSDB) e trabalhou pelo tucano, que acabou derrotado por Dilma.

Logo que soube que sua ministra da Agricultura havia jogado uma taça de vinho na cara de Serra, durante um jantar, no fim do ano passado, na casa do senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), a presidente aplaudiu a auxiliar.

"Eu fiz o que qualquer mulher honrada faria. Respondi à altura de quem preza a sua honra", afirmou Kátia à época sobre sua reação, depois de ter sido chamada pelo tucano de "namoradeira".

DIGO SIM

Já presidente reeleita e montando sua equipe para o segundo mandato, Dilma convidou Kátia para jantar no Palácio da Alvorada. "Chegou a hora. Quero que você seja ministra da Agricultura", disse a petista.

A interlocutores, Dilma já manifestava desde o início de seu primeiro mandato intenção de ter Kátia em seu ministério, mas sempre que era sondada a ruralista dizia que não poderia ser incoerente.

Mesmo assim, mantiveram-se próximas. Em diversos momentos, Dilma recebeu Kátia no Palácio do Planalto para conversas reservadas. A senadora tornou-se conselheira da presidente para os assuntos ligados ao setor agropecuário.

Como senadora pelo PSD, Kátia teve participação ativa na aprovação da MP dos Portos e na votação do Código Florestal no Congresso.

A proximidade com a presidente, entretanto, fez com que ela ganhasse mais inimigos –além do PT, dos movimentos de sem-terra e ambientalistas.

"Na política, existe a seguinte receita: quando não se pode vencer um inimigo, junte-se a ele", diz a senadora Ana Amélia (PP-RS), vice-presidente da Frente Parlamentar Agropecuária no Senado.

No dia 3 de fevereiro de 2015, Dilma estava na primeira fila de convidados do casamento de sua ministra da Agricultura com o engenheiro agrônomo Moisés Gomes.

CRÍTICOS

Os empresários críticos ao trabalho de Kátia Abreu preferem o anonimato. Dizem que, antes porta-voz dos ruralistas, a ministra perdeu força no setor por estar mais preocupada com sua projeção pessoal do que com as demandas agropecuárias.

Afirmam ainda que ela deixou muitas de suas bandeiras de lado por, agora, fazer parte de um governo petista.

"O maior problema dela está dentro do próprio governo. O ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Agrário), por exemplo, continua com suas convicções e combate ferozmente o agronegócio. Como fazer parte de um governo em que há visões diferentes para um tema que é fundamental para o país?", questionou Ana Amélia.

Parte da bancada ruralista no Congresso diz não ter interlocução com a ministra, que quase sempre recebe deputados de pé para que a conversa seja rápida.

"A Kátia Abreu, que foi a maior líder rural do país, não é a mesma Kátia Abreu ministra. Ela não defende mais as mesmas lutas. Parece que esqueceu as bandeiras que ela defendia", disse o deputado Nilson Leitão (PSDB-MT).

"Não concordo, mas compreendo porque já fui como eles", responde a ministra.

"Não me arrependo e faria tudo de novo. Agi de acordo com a minha consciência e com os meus princípios. Fiz por gratidão a tudo que a presidente já fez pelo setor", diz. (Folha de São Paulo 31/01/2016)

 

Cana: consultor pede atenção à nova safra

Presidente da Canaplan alerta que precipitações podem diminuir a produtividade do setor sucroenergético.

A formação do canavial no Centro-Sul do país está melhor neste ano, mas nada garante que o setor sucroenergético terá uma temporada 2016/2017 tranquila. Na avaliação do presidente da consultoria Canaplan, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, as chuvas em excesso ao longo do verão podem provocar floradas nas plantações, o que reduz a produtividade.

"O setor está nas mãos de São Pedro. Temos de ver o que ocorrerá em fevereiro e março e também em abril e maio, meses que marcam o início e indicam como será a próxima safra", comentou.

Ainda segundo ele, outro aspecto são as próprias dificuldades enfrentadas pelas usinas, que detêm endividamento na casa dos R$ 100 bilhões. "A realidade do setor preocupa, com muitas usinas em recuperação judicial, redução do plantio e envelhecimento do canavial", afirmou. "Vai ser uma safra complexa.

"O ciclo 2016/2017 no Centro-Sul do Brasil começa, oficialmente, em 1º de abril. Por enquanto, consultorias apontam que a moagem de cana-de-açúcar durante a próxima temporada superará 600 milhões de toneladas, podendo alcançar 630 milhões de toneladas.

Pelo mais recente relatório da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), as usinas e destilarias da principal região produtora do país haviam processado 596 milhões de toneladas no acumulado de 2015/16 até a primeira quinzena de janeiro. (Cana Rural 29/01/2016 às 16h: 42m)

 

2016 e o projeto de energia verde do País - LUIZ CARLOS CORRÊA CARVALHO*

Milton Friedman, ganhador do Nobel de Economia de 1976, cunhou a frase “se puserem o governo federal para administrar o Deserto do Saara, em cinco anos faltará areia”. No caso do Brasil, diria que o prazo pode ser até inferior. Em relação ao segmento sucroalcooleiro, por exemplo, a brincadeira do economista americano ganhou ares de realidade, pois, apesar da recente alta nos preços da commodity e também no câmbio, a situação dos produtores brasileiros de etanol ficou bem crítica desde que o atual governo impôs restrições ao alinhamento de preços para segurar a inflação, exacerbar o populismo e conseguir a reeleição.

A manutenção da política de preços do governo, voltada para subsidiar o consumo de gasolina, além dos prejuízos causados à Petrobrás, também desorganizou a indústria de etanol como um todo. Conseguiram quebrar dois ícones nacionais: a Petrobrás e o etanol, nosso pioneirismo que encantou o mundo. Os preços congelados dos combustíveis fósseis em período de elevadíssimos preços do petróleo no mercado interno desestimularam a produção e o consumo do etanol, aumentando a demanda por gasolina, e o País não tem refinaria para aumentar a oferta. Basta notar que a importação de gasolina cresceu, de 2010 para cá, mais de 300%.

O etanol hidratado tornou-se presa fácil da gasolina com a perda da política da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) – cuja alíquota sobre o preço da gasolina foi reduzida no fim de 2011 e zerada entre junho de 2012 e maio de 2015. E também com a manutenção da defasagem do preço da gasolina em relação ao mercado internacional (desde 2011). Dessa forma, o etanol perdeu a competitividade perante o combustível fóssil, ficando sem uma Cide capaz de refletir verdadeiramente os seus benefícios ambientais, sem um programa junto à indústria automobilística incentivando a eficiência dos motores flex e sem a definição do papel do etanol anidro e hidratado na matriz de combustíveis. Como o etanol anidro, aditivo da gasolina, é via regulação amarrado aos preços do hidratado, sofre junto!

Consequentemente, durante esse período o setor sucroalcooleiro foi acometido por outros efeitos nocivos: o aumento da dívida, o corte na expansão dos investimentos e da produção e o aumento de oferta global subsidiada de açúcar na Ásia, gerando elevados excedentes. O resultado final: uma crise generalizada no setor, cuja dívida é estimada em R$ 85 bilhões, segundo o cálculo de um universo de 200 grupos em operação no segmento. Além disso, desde 2008 mais de 80 usinas pararam suas atividades por problemas financeiros e cerca de 70 estão em recuperação judicial.

Nota-se, portanto, que a falta de previsibilidade e a inexistência de regras claras e duradouras, tanto em relação à formação de preços no mercado doméstico de gasolina quanto ao uso da Cide nos últimos anos, associadas ao considerável aumento de custos de produção do etanol, desestimularam os investimentos para a expansão da sua produção. Tais investimentos demandam um longo prazo de maturação e a rentabilidade deste negócio está intrinsecamente associada à política adotada para os preços dos combustíveis fósseis e, principalmente, a uma política tributária que reflita as vantagens ambientais do etanol (Cide corrigida), assim como todo o potencial energético decorrente da biomassa. E para uma melhor exploração de todo o potencial da biomassa como fonte de energia seria necessário:

l Haver uma definição clara do papel desses produtos na matriz energética brasileira (afinal, essa é uma recomendação global vinda da recente COP 21, em Paris).

l Buscar o equilíbrio entre as diversas fontes na geração de energia, a fim de aproveitar as particularidades que cada uma fornece, como a complementaridade com a hidreletricidade no caso da biomassa, criando mecanismos para a redução dos custos destas energias, com incentivos ao retrofit dos equipamentos das usinas, próprios para geração de energia elétrica.

l A veriguação de soluções de viabilidade técnica e de investimentos para a conexão dos sistemas à rede de transmissão e distribuição de energia elétrica.

l Tornar viável o interesse e a margem de venda de energia elétrica gerada por biomassa, nos leilões. Para tanto devem-se realizar leilões exclusivos e regionais voltados para as fontes renováveis descentralizadas ,dentre as quais a biomassa, com a fixação de aquisição de um porcentual significativo do crescimento projetado do mercado;

A bioeletricidade deveria ser incentivada, pois além de ser uma energia limpa, complementa a gerada por hidrelétricas e está presente na Região Sudeste, que é a maior consumidora de energia do País. Contudo a política do setor elétrico continua velha e olhando somente para o curto prazo. Não enxerga as mudanças de paradigma que estão ocorrendo no mundo, com o incentivo à produção de energia limpa e renovável vinda das chamadas energias intermitentes.

Preços elevados do diesel acima dos preços internacionais se traduzem em impacto inflacionário (afinal, carrega o Brasil nas costas) e, por outro lado, fazem subir efetivamente os custos de produção do agronegócio. Segundo Adriano Pires, na média de 2015 o diesel na refinaria brasileira ficou 17% acima dos preços do mercado internacional.

Diante desse quadro de ausência de política energética, o estímulo da produção de energia a partir da biomassa não é prioridade no curto prazo. Tal postura é lamentável, pois o Brasil, como lembrou um cientista recentemente, tem uma verdadeira “camada de pré-sal” oculta nas regiões canavieiras espalhadas pelo interior, e poderia colocar-se mundialmente como um ícone na energia renovável e limpa, principalmente num momento em que as lideranças planetárias estão abduzidas pela questão climática. (O Estado de São Paulo 30/01/2016)
*LUIZ CARLOS CORRÊA CARVALHO É PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DO AGRONEGÓCIO (ABAG)

 

Kingsman eleva previsão de produção de açúcar no Centro-Sul em 2016/17

A consultoria Kingsman elevou em 2,18 milhões de toneladas, para 35,12 milhões de toneladas, sua estimativa para a produção de açúcar do Centro-Sul no ciclo 2016/17, que começa em abril. A projeção anterior, feita em dezembro, apontava uma produção de 32,94 milhões de toneladas.

Na visão da consultoria, que apresentou os números hoje em conferência que realiza em Dubai, haverá muita cana disponível na região e, as usinas tendem a maximizar a moagem. A tendência é de que seja estabelecido um recorde de moagem na próxima safra, ainda mais que há chances de este ano ser mais seco do que o ano passado.

“Se a próxima safra for mais seca isso pode significar um ATR [Açúcar Total Recuperável] mais elevado e, com o açúcar continuando a pagar melhor que o etanol, pode significar um mix mais açucareiro”, analisou a Kingsman no relatório. A previsão para 2016/17 é de um ATR, índicador que mede o teor de açúcar contido na cana, de 134,5 quilos por tonelada, acima dos 131,5 quilos previstos para 2015/16, safra que termina em 31 de março.

Para a produção de etanol no Centro-Sul em 2016/17, a Kingsman projeta um volume de 27,3 bilhões de litros, praticamente o mesmo de 2015/16 (27,4 bilhões), mas maior que o estimado em dezembro (26,9 bilhões de litros).

O mix para açúcar em 2016/17, em dezembro projetado em 43%, foi agora alterado para 44,20%. Em 2015/16, esse percentual foi de 40,81%.

A produção maior de açúcar no Brasil no próximo ciclo fez a Kingsman reduzir sua estimativa para o déficit mundial da commodity na safra global 2015/16, que vai até 30 de setembro. A nova projeção é de 4,86 milhões de toneladas, 400 mil toneladas menor que o déficit anterior, previsto em meados de dezembro, de 5,26 milhões de toneladas.

No relatório divulgado hoje, a Kingsman explicou que a redução se deveu principalmente à expectativa de maior produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil. A visão da consultoria é de que uma produção maior da commodity também ocorrerá na Rússia e na Austrália.

A redução de oferta em outros países, como Índia, Filipinas, Tailândia e Colômbia, não deve ser suficiente para compensar a alta de produção nas outras regiões produtoras.

Por isso, a estimativa da Kingsman é de uma produção mundial maior em 2015/16. O novo número é de 177,087 milhões de toneladas, ante as 176,738 milhões de toneladas previstas em dezembro. Para o consumo mundial, a nova estimativa da Kingsman é de 181,945 milhões de toneladas, menor que as 182 milhões projetadas em dezembro.

O cenário de maior produção nos principais produtores globais também tende a afetar a próxima safra mundial da commodity, a 2016/17, que se inicia em 1º de outubro deste ano. A Kingsman reduziu para 7,21 milhões de toneladas as estimativas de déficit no próximo ciclo mundial. Na projeção anterior, a Kingsman havia estimado um déficit global de açúcar de 7,8 milhões de toneladas. (Valor Econômico 31/01/2016)

 

Acionistas da Noble aprovam venda de subsidiária agrícola para Cofco

A Noble convocou uma reunião especial de acionistas em Cingapura para explicar as condições de venda e conseguir a aprovação.

Acionistas do Noble Group aprovaram nesta quinta-feira (28) a venda da unidade agrícola do grupo, a Noble Agri, para a trading estatal chinesa Cofco International.

A Noble convocou uma reunião especial de acionistas em Cingapura para explicar as condições de venda e conseguir a aprovação. De acordo com a empresa, 90% dos votos foram favoráveis.

No mês passado, a Cofco fez uma proposta de US$ 750 milhões pela compra dos 49% da Noble Agri pertencentes ao Noble Group, que tem sido afetado pela queda dos preços internacionais das commodities.

Em novembro, o grupo reportou uma queda de 84% no lucro líquido do terceiro trimestre. Com o downgrade da nota de crédito da Noble para o nível “junk” por Moody’s e S&P, o mercado espera a entrada dos US$ 750 milhões no balanço do primeiro trimestre de 2016 para analisar a situação financeira da empresa.

Sem o grau de investimento, o custo de operação da companhia deve aumentar. “Devido à estrutura da transação, a Noble continuará a ser beneficiada por qualquer ganho no valor futuro da Noble Agri”, disse o executivo­chefe da Noble, Yusuf Alireza, em comunicado. (Estadão 29/01/2016)

 

Rumo conversa com possíveis investidores sobre financiamento

A Rumo ALL tem avaliado alternativas de financiamento para seu plano de investimentos e mantém contato com possíveis investidores, entre eles o FI-FGTS, disse a operadora logística nesta sexta-feira.

A empresa respondeu a pedidos de esclarecimentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) após publicação de reportagem da Agência Estado que afirmava que o comitê do FI-FGTS aprovou aporte de até 1 bilhão de reais na companhia. (Reuters 29/01/2016)

 

Comgás aposta em inovação para manter crescimento

Apesar de sofrer os efeitos da valorização do dólar e da redução da demanda, a Comgás está conseguindo manter o ritmo de crescimento buscando inovações tecnológicas que aumentam o uso do gás natural, afirmou o presidente da companhia, Nelson Gomes, em sua primeira entrevista desde que assumiu o cargo, no começo de janeiro.

"Em que pese toda a conjuntura econômica que estamos atravessando, temos conseguido fazer com que os resultados cresçam graças a inovação, essa forma de buscar incansavelmente novos usos e aplicações para o gás natural", disse Gomes, que até então era presidente da Cosan, controladora da Comgás desde 2012.

Esses projetos passam, por exemplo, pela construção de uma rede integrada alimentada por gás natural comprimido para abastecer Campos do Jordão, expandindo a área de fornecimento dentro da área de concessão. A Comgás investe também na cogeração de energia usando gás natural para clientes industriais e residenciais, e no desenvolvimento de produtos como geradores que utilizam diesel (40%) e gás natural (60%).

Até o fim de setembro de 2015, a Comgás tinha 1,5 milhão de clientes interligados à rede, com potencial para outros 7,5 milhões de clientes em toda a área de concessão. O objetivo, no longo prazo, é chegar a esses consumidores.

"Inovação, tanto para novos usos de gás quanto para o barateamento dos custos de conexão, são investimentos que vamos fazer pelo resto da vida. São coisas que teremos de fazer sempre para buscar novos caminhos para levar energia de forma competitiva para os consumidores", afirmou Gomes, completando que é no momento de crise que a companhia aproveita para pensar no que pode fazer para melhorar a eficiência e baratear o serviço.

Os investimentos em inovação e a queda dos preços do gás natural, como consequência do petróleo, ajudaram os serviços da Comgás a ficarem mais competitivos em comparação com a energia elétrica convencional, que, por sua vez, teve um aumento muito forte nos preços ao longo do ano passado.

Nos primeiros nove meses do ano passado, a Comgás reportou queda de 2,8% no volume total de gás distribuído. Sem essas medidas utilizadas para expandir o número de conexões, a queda teria sido muito maior, disse Gomes.

"Nossos planos são sempre de cinco anos, nossa visão é de longo prazo. A conjuntura econômica mais dia menos dia vai mudar, claro que as sementes que plantamos hoje vamos colher os frutos lá na frente", afirmou.

Para garantir a oferta de gás natural no longo prazo, a companhia conta com alternativas como gás natural liquefeito (GNL) importado, gás transportado da Bolívia via gasoduto, ou ainda o gás do pré-sal. O Rota 4, projeto de gasoduto vindo do pré-sal anunciado em julho do ano passado, ainda está nos planos da Comgás, mas para 2025. "Um dia os preços do petróleo voltam a subir, o investimento voltará a ser viável, queremos estar preparados para esse dia", afirma.

O gás natural é competitivo para as indústrias, mas a grande dificuldade ainda é o acesso à rede de distribuição. "Até abastecemos de caminhão enquanto estamos construindo a rede, mas a partir do momento em que temos a possibilidade de fazer chegar na indústria, dificilmente temos uma fonte de energia tão competitiva como o gás natural", disse o executivo.

Em meio à consolidação da estratégia de buscar novas formas de aplicação do gás natural, a Comgás apresenta hoje ao mercado e aos consumidores sua nova marca. A companhia contratou uma consultoria responsável pelas mudanças, em um trabalho que durou sete meses.

Sobre a percepção do mercado, em que a volatilidade tem marcado os últimos pregões, Gomes se mostrou confiante. "Esse é o momento de olhar para dentro da empresa, ser mais eficiente, gerar valor para o acionista e para o cliente, que é quem nos remunera. Com o tempo, o valor disso certamente será refletido no preço das ações", afirmou. (Valor Econômico 01/02/2016)

 

Setor teve altos e baixos em 2015, avalia presidente do Fórum Nacional Sucroenergético

A desvalorização do real frente ao dólar prejudicou o setor sucroalcooleiro no Brasil em 2015, ao contrário de outros segmentos agropecuários do País. A avaliação é do presidente do Fórum Nacional Sucroenergético (FNS), André Luiz Rocha, em entrevista exclusiva à equipe SNA/RJ.

Para ele, a constante variação do câmbio foi ruim: “Primeiro, por causa do grande endividamento em dólar do setor; segundo, como o Brasil detém 50% do mercado de açúcar, à medida que o real se desvalorizava, o mercado ajustava o preço em reais”.

Prova disto, conforme Rocha, “é que tivemos uma das piores cotações de preços de açúcar na bolsa de Nova York, no ano passado”. “Só tivemos um leve aumento, quando o mercado percebeu a diminuição dos estoques de Mato Grosso do Sul no mercado internacional”.

Mesmo assim, destaca alguns pontos positivos no ano passado, que favoreceram o setor sucroalcooleiro: a elevação da mistura do álcool anidro na gasolina, em todo o País, de 25% para 27%; o retorno da taxa de Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico (Cide); e o aumento temporário do PIS/Cofins (Programa de Integração Social/Contribuição para Financiamento da Seguridade Social), que trouxe maior competitividade ao etanol; além dos leilões de energia para biomassa.

“Alguns Estados aumentaram as alíquotas de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) da gasolina para 30% (o que favoreceu o abastecimento de veículos com etanol): Paraná era 29% e Bahia, 27 %. O Estado de Minas Gerais, além de aumentar a alíquota de gasolina de 27% para 29%, diminuiu a de etanol de 19% para 15%”, destaca o presidente do FNS.

Para Rocha, 2015 também foi marcado por outra medida positiva, que favoreceu o setor sucroalcooleiro nacional, além dos pontos citados anteriormente: o crescimento do mercado de etanol em virtude do aumento de preço do litro da gasolina, aplicado pela Petrobras, após alguns anos sem reajuste deste combustível.

“Isto fez com que houvesse um expressivo aumento da participação do etanol hidratado no mercado de ‘Ciclo de Otto’ – de 25% para 38%”. O termo citado por ele é definido como um ciclo termodinâmico usado nos principais modelos de motores de combustão interna.

Pontos negativos

De acordo com o presidente do Fórum Nacional Sucroenergético, o setor também encontrou diversos entraves para seu crescimento, no ano passado, como a elevação dos custos produtivos, impulsionada pela alta do diesel, dos preços dos fertilizantes e dos gastos com mão de obra.

“Também registramos um aumento dos custos financeiros, que vieram com a alta da Selic (taxa de juros básicos) e do dólar. Vale destacar que 42% da dívida do segmento é na moeda norte-americana. Ainda enfrentamos restrição de crédito, fazendo com que o preço médio da safra, até o mês de setembro, fosse menor em 5% em relação à safra anterior. Fora a retração da economia brasileira, que colaborou para a queda nas vendas de veículos novos”.

Retorno da Cide

Na avaliação de Rocha, o retorno da Cide, embora seja um tema polêmico, deveria girar em torno de “valores que poderiam valorizar as externalidades positivas do etanol, que é menos poluente”. Para ele, com a volta da cobrança, haveria geração de empregos e de renda, principalmente no interior do País; elevação da balança comercial; existência de uma indústria de base 100% nacional; geração distribuída de energia com menor custo de transmissão; além de menos perdas do setor sucroalcooleiro.

“Também teríamos maior valor de referência no preço da energia produzida por meio da biomassa, possibilitando maior oferta de energia, que levaria o País a ser menos dependente de importação de energia e de térmicas movidas a diesel e óleo combustível, que são mais poluentes e mais caras”.

Ele ainda defende “a liberação dos recursos de Warrantagem no início da safra”. O termo se refere à linha de crédito aprovada pelo governo federal, para a formação de estoques por empresas produtoras e comercializadoras de etanol.

Perspectivas para 2016

Para 2016, Rocha espera “um aumento da safra de cana-de-açúcar e uma safra com maior participação de etanol”. “Também aguardamos por melhorias do preço do açúcar no mercado internacional, com a queda dos estoques. Vale destacar, enfim, que grande parte do setor ainda está em crise, principalmente por causa dos altos custos financeiros e da restrição de crédito”.

Política

Presidente do Fórum Nacional Sucroenergético desde julho de 2013 e dos Sindicatos da Indústria de Fabricação de Etanol do Estado de Goiás e da Indústria de Fabricação de Açúcar da mesma região (Sifaeg/Sifaçúcar), André Luiz Rocha avalia como positiva a criação e a atuação da Frente Parlamentar em Defesa do Setor Sucroenergético, comandada pelo deputado federal Sérgio Sousa (PMDB-PR).

“A Frente nos ajudou e muito na interlocução, principalmente com o Executivo, com grande apoio da já consolidada Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), presidida pelo deputado federal Marcos Montes (PSD-MG)”.

Segundo Rocha, no ano passado, o setor conquistou uma participação mais ativa em diversas discussões no Congresso Nacional, na Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e nos ministérios.

“Preciso destacar o grande apoio da ministra Kátia Abreu, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que muito ajudou em nossa interlocução com outros ministérios, fundamental para as nossas conquistas, papel que já vinha desempenhando em 2014, na CNA (Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária) e no Senado”. (SNA 29/01/2016)

 

Canaviais estão melhor formados, mas safra do Centro Sul pode ser complexa

O canavial está melhor formado neste ano no Centro Sul do País, mas nada garante que o setor sucroenergético terá uma tranquila temporada 2016/17. Na avaliação do presidente da consultoria Canaplan, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, as chuvas em excesso ao longo do verão podem provocar floradas nas plantações, o que reduz a produtividade.

"O setor está nas mãos de São Pedro. Temos de ver o que ocorrerá em fevereiro e março e também em abril e maio, meses que marcam o início e indicam como será a próxima safra", comentou ao Broadcast Agro.

Ainda segundo ele, outro aspecto são as próprias dificuldades enfrentadas pelas usinas, que detêm endividamento na casa dos R$ 100 bilhões. "A realidade do setor preocupa, com muitas usinas em recuperação judicial, redução do plantio e envelhecimento do canavial", afirmou. "Vai ser uma safra complexa."

O ciclo 2016/17 no Centro-Sul do Brasil começa, oficialmente, em 1º de abril. Por ora, consultorias apontam que a moagem de cana-de-açúcar durante a próxima temporada supera 600 milhões de toneladas, podendo alcançar 630 milhões de toneladas.

Pelo mais recente relatório da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), as usinas e destilarias da principal região produtora do País haviam processado 596 milhões de toneladas no acumulado de 2015/16 até a primeira quinzena de janeiro. (Agência Estado 29/01/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Sexta queda: Os preços futuros do açúcar recuaram pela sexta sessão consecutiva na bolsa de Nova York, em mais um dia de liquidação de posições por parte dos fundos. Os papéis do açúcar demerara com vencimento em maio fecharam com recuo de 17 pontos na sexta-feira, a 13,08 centavos de dólar a libra-peso. Em seis pregões, a commodity acumulou desvalorização de 109 pontos. Segundo analistas, os traders vêm se desfazendo de posições compradas desde que os preços quebraram importantes níveis técnicos de suporte, desencadeando um sentimento pessimista sobre a direção do mercado. Os fundos também já antecipam algum movimento de rolagem de posições. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo caiu 0,11%, para R$ 83,35 a saca de 50 quilos.

Cacau: Vendas técnicas: Apesar da divulgação de novos dados de redução da produção de cacau, um movimento de vendas técnicas derrubou as cotações da amêndoa na sexta-feira na bolsa de Nova York. Os contratos futuros para maio encerraram a US$ 2.767 por tonelada, queda de US$ 30. Na última quinta-feira, a Organização Internacional do Cacau observou que o superávit de oferta da safra passada (2014/15) pode ter sido menor do que o esperado porque os estoques crescerem pouco (0,2%). Além disso, traders voltaram a relatar fortes rajadas de ventos do deserto do Saara sobre as áreas produtoras do oeste da África, o que prejudica a cultura. Em Ilhéus (BA), o preço médio do cacau ficou estável na sexta-feira, à R$ 142 por arroba, segundo a Secretaria de Agricultura da Bahia.

Algodão: Volume menor: A redução do volume de algodão negociado para exportação pelos EUA em uma semana pressionou os contratos futuros da pluma na sexta-feira na bolsa de Nova York. Os contratos para entrega em maio fecharam com queda de 31 pontos, a 61,60 centavos de dólar a libra-peso. Segundo o Departamento de Agricultura americano (USDA), foram negociadas 27,9 mil toneladas para o mercado internacional na semana até o dia 21, queda de 34% em relação à semana anterior e de 8% em relação à média das quatro semanas anteriores. Os traders aguardam uma definição da China sobre sua política de estoques para este ano. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias caiu 0,13%, para R$ 2,6199 a libra-peso.

Soja: Otimismo global: O anúncio de corte dos juros no Japão gerou uma onda de otimismo nos mercados globais que contagiou os preços futuros da soja na sexta-feira na bolsa de Chicago. Os investidores aproveitaram para recomprar os contratos da oleaginosa, após a queda de quinta-feira. Os papéis com vencimento em maio subiram 14 centavos, para US$ 8,8450 o bushel. As incertezas sobre o efeito do clima seco nas lavouras da Argentina também sustentou as cotações. Além disso, o mercado estima que o volume de soja negociado pelos Estados Unidos com importadores na semana móvel encerrada dia 21 ficou acima das expectativas. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o Paraná caiu 1,48%, para R$ 75,64 a saca. No mês, o indicador tem queda de 3,11%. (Valor Econômico 01/02/2016)