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Helicópteros vão aplicar defensivo agrícola em SP

Agência Nacional de Aviação Civil aprovou o serviço, que chega prometendo mais rapidez e precisão.

A Agência Nacional de Aviação Civil, Anac, aprovou a primeira certificação de helicópteros para a aplicação de defensivos agrícolas no Brasil. Com isso, a partir deste mês, o serviço vai começar a ser oferecido no interior de São Paulo. E os helicópteros chegam às lavouras prometendo mais precisão e rapidez nas aplicações.

Em países como Estados Unidos, Chile e Austrália, cerca de 30% das aplicações de defensivos são feitas de helicóptero. A atividade não era regulamentada no Brasil, mas, depois de avaliações da Anac, uma empresa da cidade de Monte Mor, interior de são paulo, vai ter a autorização para aplicar produtos agrícolas a bordo de helicópteros no estado.

“A inspeção tem como objetivo verificar a aderência às normas e leis que regem a atividade da aviação civil. A Anac olha basicamente a documentação, se a tripulação está ok, se a aeronave está regular” , diz João Paulo Hirae Gomes, inspetor de aviação civil da Anac.

“O principal objetivo é garantir a segurança, prezar pela segurança do tripulante e dos auxiliares de solo que estarão ali fazendo essas operações”, completa o também inspetor da Anac Fladnny Rangel de Albuquerque Gaya.

A certificação da empresa levou cerca de seis meses. “A certificação precisa de três requisitos básicos: a empresa deve ser dotada de uma aeronave, ter tripulante qualificado e cumprir os requisitos sobre os equipamentos que vão equipar a aeronave” , diz o advogado José Domingos Santos Neto.

Com a autorização, helicópteros comuns com equipamentos especiais acoplados podem ser alugados por agricultores de São Paulo.

Como esse tipo de aeronave tende a fazer a aplicação em menos tempo que um avião comum, Ramiro Leal, diretor executivo da empresa Climb Aircraft Division, afirma que o serviço pode se tornar uma alternativa a mais para o produtor reduzir custos: “Ele é mais rápido, mais preciso e, no final das contas, acaba saindo mais barato que qualquer outro tipo de aplicação”.

Maicon Santos de Souza é o único piloto de helicóptero no Brasil habilitado a operar aeronaves para manutenção agrícola. Com dez anos de experiência em vôos rurais, ele diz que o uso do helicóptero vai levar mais segurança e versatilidade à agricultura brasileira.

“Você consegue chegar aonde o avião não chega. Se tiver uma área montanhosa, com o avião você vai ter mais dificuldade. Você consegue trabalhar em áreas específicas. No avião você precisa tratar uma área maior, acaba desperdiçando o produto e tempo”, diz Souza.

O uso do helicóptero acaba agilizando a aplicação dos defensivos agrícolas pela facilidade de pouso em lugares de difícil acesso como em um caminhão. Além de servir de pista móvel, o veículo é indispensável nos trabalhos porque armazena os defensivos e o combustível da aeronave.

“Nosso caminhão foi preparado pra isso, tem toda uma adaptação da estrutura. Só o helicóptero pesa uns 700 quilos. O caminhão é nosso apoio. Eu não preciso pousar num campo, não preciso ir para um aeroporto, um aeródromo. Eu posso pousar nele dentro da propriedade, do lado da lavoura”, diz o coordenador de operações Rafael Machado. (Canal Rural 01/02/2016)

 

Demanda por etanol e custo de produção desafiam usinas

Para atender ao mercado, deve haver incremento de, no mínimo, 7 milhões de metros cúbicos do biocombustível.

A crescente demanda pelo etanol aumentará a tensão sobre usinas de açúcar brasileiras já pressionadas por dívidas, afirmou o CEO da Bunge, Soren Schroder, em uma conferência da indústria em Dubai. Na avaliação do executivo, a demanda pelo biocombustível terá uma alta de 40% até 2025, o equivalente a, "no mínimo, 7 milhões de metros cúbicos", o que representa um acréscimo em capacidade de moagem na casa dos 200 milhões de toneladas. "Como o mercado ainda está muito atrás, será difícil atingir o alvo. Haverá expansão, mas é improvável que ocorra na velocidade em que o mundo precisa", ponderou Schroder.

Ele avaliou que o mais importante para as usinas brasileiras é aumentar a produtividade da safra por meio de melhores práticas agrícolas, para reduzir o gap de custo entre as melhores e piores usinas. Segundo os cálculos da Bunge, este gap estaria na faixa de 4 cents/lb. "A própria Bunge está trabalhando para chegar a um custo mais sustentável, de 10 cents/lb", afirmou. Para o executivo, também será necessário um processo de consolidação para que o setor receba os investimentos necessários.

Ainda no evento, o diretor comercial da Sucden, Auke Vlas, afirmou que a colheita de cana-de-açúcar no Nordeste brasileiro registrará o menor volume nos últimos 15 anos, ou cerca de 2,9 milhões de toneladas. O clima desfavorável seria a principal razão pelo resultado, segundo Vlas. (Agência Estado 01/02/2016)

 

Açúcar: Alívio com oferta

As cotações do açúcar chegaram a subir no meio do pregão de ontem na bolsa de Nova York, mas perderam força e fecharam em terreno negativo, sob pressão de perspectivas mais otimistas para a oferta.

Os contratos do açúcar demerara com vencimento em maio recuaram 20 pontos, a 12,88 centavos de dólar por libra-peso.

No domingo, a consultoria Kingsman aumentou sua projeção para a produção no Brasil tanto na safra atual como na próxima, o que fez com que a empresa também reduzisse sua estimativa para o déficit global de oferta nas duas temporadas.

As cotações do açúcar vêm em baixa desde a semana passada, sob pressão de vendas dos fundos.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal caiu 0,41%, para R$ 83,01 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 02/02/2016)

 

Pine projeta preço 12% maior para o açúcar neste ano

O Banco Pine avalia que os preços internacionais do açúcar devem subir neste ano, refletindo a perspectiva de um déficit de produção pela primeira vez em cinco anos. A alta, contudo, tende a ser "comedida" em razão dos estoques globais ainda amplos.

Para a instituição, a cotação média da commodity, negociada na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), deve ser de 14,70 centavos de dólar por libra-peso em 2016, ante 13,10 centavos de dólar em 2015 (+12%). Atualmente, o mercado trabalha abaixo de 14 centavos de dólar.

Para o longo prazo, o Pine também projeta valorização. Em 2017, o açúcar tende a alcançar preço médio de 16 centavos de dólar; em 2018, de 17 centavos de dólar; e em 2019, de 18 centavos de dólar, com possibilidade de máxima de 22 centavos de dólar por libra-peso.

O banco pondera, contudo, que há diversos fatores capazes de alterar esse prognóstico. "Os subsídios na Índia ainda merecem especial atenção, pois podem ser um 'balde de água fria'. O El Niño na Ásia pode prejudicar a safra do próximo ano e fazer os preços chegarem às máximas recentes, porém é um driver de curto prazo", informou em relatório mensal sobre commodities.

Além disso, há o câmbio no Brasil, cuja desvalorização do real ante o dólar tem pressionados os preços do açúcar em Nova York.

Etanol

Quanto ao álcool, o Pine prevê que a tendência de alta para as cotações perdure por "alguns anos", já que o governo deve manter a gasolina nos atuais níveis para ajudar a Petrobras.

Em 2016, o valor do litro do biocombustível deve atingir média de R$ 1,78, bem acima do R$ 1,36 de 2015. O preço refere-se ao produto comercializado na usina. Em 2017, o litro deve alcançar R$ 1,82 e, em 2018, bater em R$ 1,85. Já em 2019, pode recuar para R$ 1,80.

"Em virtude da maior produção de etanol nas próximas safras, o consumo do biocombustível deve continuar a subir e recuperar o marketshare que perdeu para a gasolina nos últimos anos", acrescentou o Pine. (Agência Estado 01/02/2016)

 

Luís Pogetti e Rubens Ometto integram Conselho da Presidência da República

O Decreto (n° 8.645) publicado nesta quinta-feira (27/01) no Diário Oficial da União (DOU) anunciou os nomes de mais de 90 representantes que nos próximos dois anos vão participar do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) da Presidência da República.

Entre eles, estão dois empresários do setor bioenergético: Luís Roberto Pogetti e Rubens Ometto Silveira Mello. Pogetti é presidente da Copersucar, a maior trading global de açúcar e etanol. Já Rubens Ometto é o presidente do Conselho da Raízen, companhia que é formada por 24 unidades de produção e é uma das cinco maiores empresas do país em faturamento.

O CDES, originalmente criado em 2003, estabelece uma espécie de assessoramento ao Presidente da República na formulação de políticas e diretrizes específicas. Ele propõe maior interlocução entre o governo e a sociedade para que, de forma compartilhada, sejam definidos os rumos do país. Pelas estimativas do governo, cerca de 70% dos conselheiros que faziam parte do grupo até então foram substituídos após a publicação do novo decreto. (Udop 01/02/2016)

 

Prêmio do açúcar refinado sobre demerara é insustentável, diz produtor indiano

O atual prêmio de preço do açúcar refinado sobre o demerara é "insustentável", avaliou nesta segunda-feira, 1º de fevereiro, o diretor geral da refinaria Al Khaleej, Jamal Al-Ghurair, que participa de uma conferência sobre o setor em Dubai.

Na sexta-feira, o chamado "prêmio do branco" ficou em US$ 110 por tonelada, o maior nível em cinco meses, puxado pela maior demanda de Mianmar. "Há apenas um mercado que está absorvendo este açúcar", disse Al-Ghurair. "Se algo de errado acontecer em Mianmar, então todos nós estaremos com problemas."

Segundo o executivo, a demanda dos principais compradores do açúcar produzido pela Al Khaleej, localizados no norte da África e no Oriente Médio, está bem fraca. A unidade, a maior dos Emirados Árabes Unidos, está operando com 70% da capacidade, com produção de 7 mil toneladas por dia, para tentar desovar os estoques.

Al-Ghurair comentou ainda que a queda de 9% do açúcar demerara só na semana passada na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) já era algo esperado, dada a ampla posição comprada por fundos. Ele prevê que as cotações da commodity permanecerão em torno do atual patamar de 13 centavos de dólar por libra-peso nos próximos meses.

Direção

A produtora de açúcar australiana Queensland Sugar afirmou, em nota, que os contratos futuros do açúcar demerara devem oscilar nesta semana ao sabor das discussões na conferência realizada em Dubai. "Podemos ter uma reação positiva", disse, referindo-se aos comentários sobre a neve que atingiu plantações chinesas, cujos prejuízos ainda são analisado. (Dow Jones 01/02/2016)

 

Canaviais estão melhor formados, mas safra 2016/17 pode ser complexa

O canavial está melhor formado neste ano no Centro-Sul do País, mas nada garante que o setor sucroenergético terá uma tranquila temporada 2016/17. Na avaliação do presidente da consultoria Canaplan, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, as chuvas em excesso ao longo do verão podem provocar floradas nas plantações, o que reduz a produtividade. "O setor está nas mãos de São Pedro. Temos de ver o que ocorrerá em fevereiro e março e também em abril e maio, meses que marcam o início e indicam como será a próxima safra", comentou ao Broadcast Agro.

Ainda segundo ele, outro aspecto são as próprias dificuldades enfrentadas pelas usinas, que detêm endividamento na casa dos R$ 100 bilhões. "A realidade do setor preocupa, com muitas usinas em recuperação judicial, redução do plantio e envelhecimento do canavial", afirmou. "Vai ser uma safra complexa."

O ciclo 2016/17 no Centro-Sul do Brasil começa, oficialmente, em 1º de abril. Por ora, consultorias apontam que a moagem de cana-de-açúcar durante a próxima temporada supera 600 milhões de toneladas, podendo alcançar 630 milhões de toneladas. Pelo mais recente relatório da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), as usinas e destilarias da principal região produtora do País haviam processado 596 milhões de toneladas no acumulado de 2015/16 até a primeira quinzena de janeiro (Agência Estado 01/02/2016)

 

Europa terá de tomar medidas para demanda de açúcar, diz Sucden

A Europa terá de tomar medidas 'excepcionais' para atender à demanda por açúcar nos próximos meses, afirmou nesta segunda-feira o diretor comercial da Sucden, Auke Vlas, durante uma conferência sobre o setor em Dubai. Para a consultoria, a colheita de beterrabas no continente deve cair neste ano, para 13,9 milhões de toneladas, impactando, consequentemente, na produção.

Ainda segundo Vlas, os produtores locais plantaram menos na atual temporada, pois os estoques estavam elevados após a forte produção em 2014/15. Para o diretor, as medidas que a Europa precisará tomar incluem licitações de compra e a reclassificação das cotas. (Dow Jones 01/02/2016)

 

Oferta apertada dá suporte ao açúcar e preço interno é o maior desde novembro de 2011

Sustentados pela oferta restrita, os preços do açúcar no mercado interno registraram em janeiro o maior patamar em mais de quatro anos.

De acordo com cálculos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), a cotação média da saca de 50 kg alcançou R$ 83,75 no mês passado, 4% mais na comparação com dezembro; 49% superior à de janeiro de 2015 e próxima da observada em novembro de 2011 (R$ 83,62). Os valores referem-se ao spot paulista.

"Mesmo com algumas usinas em plena atividade no início de 2016, o processamento da cana foi mais direcionado para a produção do etanol", explicou o centro de estudos em relatório antecipado ao Broadcast Agro. Com isso, muitas usinas deram prioridade à entrega de contratos, restringindo a oferta adicional ao mercado spot, acrescentou o Cepea.

Quanto às paridades, de 25 a 29 de janeiro as vendas de açúcar cristal no spot paulista remuneraram 11,14% mais que as exportações. Enquanto a média semanal do Indicador de Açúcar Cristal Cepea/Esalq foi de R$ 83,45/saca, as cotações do contrato com vencimento em março na Bolsa de Nova York equivaleriam a R$ 75,09/saca. (Agência Estado 01/02/2016)

 

Usinas da Índia esperam fechar novos contratos para exportar 1 mi t de açúcar

Usinas indianas de açúcar já contrataram a venda de 1 milhão de toneladas do produto para a temporada 2015/16 e esperam assinar acordo para outro 1 milhão, com exportações destinadas à China, disse nesta segunda-feira o presidente de uma associação do setor.

"Um milhão de toneladas foram contratadas e mais um milhão de toneladas serão contratadas", disse o presidente da Associação Indiana das Usinas de Açúcar, Tarun Sawhney, em uma conferência em Dubai.

Do total de 1 milhão de toneladas contratadas, cerca de 700 mil toneladas já saíram do país.

Sawhney disse que muitos dos atuais e futuros contratos foram com Mianmar, de onde o açúcar deve sair por contrabando para a China, maior importador global.

"O açúcar irá para a China", afirmou. "Os contratos são todos por Mianmar e de lá o açúcar é levado para a fronteira norte do país."

O contrabando de produtos agrícolas na fronteira da China com Vietnã e Mianmar é um problema antigo.

A indústria de açúcar da China já pediu que o governo de Pequim enfrente o ressurgimento do contrabando na região, onde estima-se que grandes volumes de açúcar barato cruzaram a fronteira ilegalmente nos últimos meses.

Sawhney disse que a produção de açúcar da Índia deverá alcançar 26 milhões de toneladas na temporada 2015/16, que vai de outubro a setembro, e que provavelmente o mesmo volume deverá ser registrado em 2016/17.

A Índia produziu 28,3 milhões de toneladas em 2014/15.

"Ainda é muito cedo para dizer, mas provavelmente não haverá aumento ou queda", disse o executivo. "A produção em Uttar Pradesh provavelmente irá compensar uma queda de Maharashtra e Karnataka."

A primeira seca de dois anos consecutivos em quase três décadas atingiu as lavouras de cana nos importantes Estados produtores de Maharashtra, Karnataka e Uttar Pradesh.

"Maharashtra e Karnataka certamente terão um menor plantio e uma menor disponibilidade de cana no próximo ano", disse Sawhney.

Ele afirmou também que a Índia irá atingir, pela primeira vez, seu objetivo de misturar 5 por cento de etanol em toda a gasolina vendida no país em 2015/16, e talvez até supere este índice. (Reuters 01/02/2016)

 

Dilma quer CPMF, Cide e taxar exportador agrícola, revela conselheiro

Acuada com a recessão imposta pela falta de visão estratégica e criatividade do seu ‘desgoverno’, a presidente Dilma Rousseff já tem pronta três medidas para assegurar os recursos que se esvaíram com os escândalos sucessivos de corrupção que envolvem as administrações do PT.

Segundo influente e recém empossado membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República, a presidente vai anunciar no próximo dia 17 de fevereiro, durante o Fórum da Previdência, o fim da isenção aos produtores rurais que exportam. Ao mesmo tempo ela prepara o anúncio para o aumento da CIDE na gasolina e a volta da CPFM.

O mesmo conselheiro, que prefere ficar no anonimato, saiu de Brasília na última quinta-feira, quando se reuniu pela primeira vez o novo ‘conselhão’, com a sensação de total insegurança em relação ao futuro do governo Dilma. “Falta confiança, trata-se de um governo perdulário, irresponsável e corrupto. Nenhum empresário ou líder minimamente responsável, acredita que ela possa reverter a crise em que meteu o país”, afirmou.

Sobre a volta da CIDE na gasolina, o conselheiro lembra que a medida pode alavancar o etanol. “Estamos em plena entressafra e havia risco de desabastecimento caso as vendas continuassem no ritmo em que se encontravam. Os produtores precisam estar atentos às mudanças que estão sendo impostas com a queda brutal do preço do petróleo. A tendência é que o petróleo continue durante um bom tempo ao nível atual de preços”, avalia.

Em relação à volta da CPMF, o conselheiro afirma que o governo pode se desgastar ainda mais quando a medida for encaminhada ao Congresso Nacional. Ele lembra que o imposto sobre cheques e transações financeiras foi criado pelo então presidente FHC com o objetivo de alavancar investimentos na saúde.

“Eu ouvi do ex-ministro da Saúde, Adib Jatene, os piores impropérios contra FHC, que nunca destinou nenhum recurso à saúde. O ex-ministro morreu triste e indignado com o presidente que criou este imposto que apenas serviu para aumentar a receita do Tesouro Nacional. Este fato deve ser relembrado pelos nossos parlamentares na hora de votarem se o imposto deve voltar ou não”, afirma o conselheiro.

Reforma mira isenção a exportador agrícola

A proposta de reforma da Previdência em estudo no governo poderá incluir duas surpresas no financiamento das aposentadorias: o fim da isenção dada atualmente às contribuições previdenciárias dos produtores rurais que exportam e um aumento da alíquota paga pelos micro-empreendedores individuais ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

As mudanças estão sendo discutidas por integrantes de alto escalão do governo, mas enfrentam diversas resistências na Esplanada dos Ministérios. Se as divergências internas forem minimamente superadas, a proposta será apresentada na próxima reunião do Fórum da Previdência, agendada para o dia 17 de fevereiro.

Em termos fiscais, o maior impacto deve vir do fim da isenção aos produtores rurais (pessoas física e jurídica). Hoje eles precisam recolher 2,6% sobre a comercialização de sua produção como contribuição previdenciária, mas ficam isentos quando exportam uma parte de sua produção agrícola – basta vender um único dólar ao exterior para gozar do benefício. No ano passado, isso gerou R$ 5,3 bilhões em renúncia fiscal, segundo dados fornecidos pela Receita Federal nas discussões. Em 2016, esse montante deve atingir R$ 6,5 bilhões.

A proposta é vista com cautela pelo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, que teme mexer em um dos setores mais produtivos da economia brasileira. Setores do PT envolvidos nas conversas defendem a medida. A ministra da Agricultura, Kátia Abreu, já reagiu com dura resistência e promete articular junto à presidente Dilma Rousseff, se a idéia embrionária for levada adiante.

“Ninguém no mundo vai comer carne do Brasil com tempero amargo da tributação”, disse Kátia Abreu ao Valor Econômico. “A presidente Dilma já disse a mim e a outros ministros que não vai permitir esse absurdo”, conclui, dizendo que o Brasil “não pode virar a Argentina”, que taxava exportações agrícolas até o ano passado.

A ministra ainda comentou que o próprio Barbosa já abordou o assunto com colegas da equipe econômica e já vem tratando a idéia com a Previdência.

Há uma semana, em sua conta no Twitter, Kátia Abreu, que é grande defensora de um maior protagonismo do Brasil no comércio exterior para reanimar economia do país neste momento, já havia se posicionado radicalmente contra a proposta trabalhada na Previdência. “Tem gente na Previdência querendo tributar as exportações do Agro. Aviso que soja e carnes não se aposentam”, afirma a ministra. “O agronegócio exportou mais de US$ 80 bilhões em 2015. E vai fazer muito mais em 2016. Desde que não nos atrapalhem”, concluiu a ministra.

Os defensores da idéia no Ministério do Trabalho e Previdência Social argumentam que a arrecadação proveniente da mudança pode atenuar a necessidade de outras medidas impopulares no âmbito de uma reforma, como a introdução de idade mínima para as aposentadorias e o maior tempo de contribuição dos trabalhadores.

Eles também alegam que a isenção aos exportadores agrícolas não se justifica mais porque não guarda isonomia com a indústria – uma montadora, por exemplo, não deixa de recolher INSS de seus empregados porque exporta carros. Além disso, lembram que as matérias-primas do campo não sofreram a mesma redução de preços das commodities minerais, como o petróleo e o minério de ferro, portanto haveria margem de manobra para acabar com a isenção sem comprometer a rentabilidade dos exportadores. (Brasil Agro 02/02/2016)

 

Entrega de fertilizantes no Brasil cai 6,2% em 2015

A entrega de fertilizantes aos produtores rurais brasileiros recuou 6,2 por cento em 2015, informou nesta segunda-feira a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), em um relatório mensal.

Com entregas em dezembro de 2,02 milhões de toneladas, o volume entregue ao longo do ano atingiu 30,2 milhões de toneladas, ante 32,21 milhões em 2014. (Reuters 01/02/2016)

 

Energia renovável deve manter liderança em project finance em 2016

Empreendimentos de geração de energia renovável devem seguir liderando a captação de recursos por meio de project finance no Brasil em 2016, embora o movimento global de financiamentos deve se contrair, dado os cenários econômico e de mercado mais adversos, disse um executivo do Santander Brasil.

"Os números mais recentes de captações refletem o volume de estruturação de projetos licitados em 2013 e 2014, que foram anos muito bons", disse à Reuters Diogo Berger, chefe da área no Santander Brasil, cujo grupo liderou a captação via project finance nas Américas em 2015, com 6,77 bilhões de dólares em 142 transações.

Os projetos de energia renovável envolvendo empreendimentos de geração eólica, solar, biomassa, além de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), vêm crescendo rapidamente no Brasil, na esteira da maior dificuldade do país para licitar hidrelétricas de grande porte nos últimos anos.

Em 2013, apenas as usinas eólicas representaram 2.139 gigawatts médios em energia contratada em leilões do governo federal, quase o dobro do recorde anterior, de 1.284 gigawatts médios, em 2011, segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) compliados pela Reuters. Em 2014, foram contratados mais 607 megawatts médios em eólicas e 202 megawatts em usinas solares, que nesse ano estrearam nas licitações.

A estruturação financeira de longo prazo desses projetos, os project finance, leva um período médio de dois anos para ser constituída.

De acordo com dados da Dealogic, o Brasil liderou em 2015 o mercado mundial de project finance em número de transações, com 220, com destaque para energia eólica. Mas o volume financeiro total das operações brasileiras caiu 31 por cento ante 2014, para 20,2 bilhões de dólares.

Segundo Berger, o financiamento de projetos de energia renovável tende a ser menos impactado pela recessão no país, do que empreendimentos de infraestrutura logística, que estão mais sujeitos à reavaliação por parte de investidores e do governo.

"Há um ambiente mais propício para um realismo tarifário (no setor de energia elétrica), assim como investidores pedindo uma taxa de retorno maior", disse Berger.

Além disso, usinas eólicas e solares têm maior participação do BNDES, o que garante maior volume de recursos referenciados na TJLP, hoje em 7,5 por cento ao ano, enquanto projetos de logística e de óleo e gás, por exemplo, acabam usando uma parcela maior do financiamento a juros de mercado, mais caros.

O governo federal pretendia que os leilões dos primeiros lotes das rodovias federais incluídas na segunda etapa do Programa de Investimento em Logística (PIL), lançado no ano passado, já tivessem acontecido, mas discussões sobre remuneração do investimento, incluindo taxas de retorno, estão atrasando o processo.

"Há chance de algumas licitações (de rodovias) tenham as condições redesenhadas, o que pode atrasar mais", disse Berger.

Ele citou como exemplo a chamada Rodovia do Frango, que reúne trechos das BR 364 e 365, entre Goiás e Minas Gerais, e BR 476/153/282/480, entre Paraná e Santa Catarina. O governo está fazendo ajustes no edital. (Reuters 01/02/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Alívio com oferta: As cotações do açúcar chegaram a subir no meio do pregão de ontem na bolsa de Nova York, mas perderam força e fecharam em terreno negativo, sob pressão de perspectivas mais otimistas para a oferta. Os contratos do açúcar demerara com vencimento em maio recuaram 20 pontos, a 12,88 centavos de dólar por libra-peso. No domingo, a consultoria Kingsman aumentou sua projeção para a produção no Brasil tanto na safra atual como na próxima, o que fez com que a empresa também reduzisse sua estimativa para o déficit global de oferta nas duas temporadas. As cotações do açúcar vêm em baixa desde a semana passada, sob pressão de vendas dos fundos. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal caiu 0,41%, para R$ 83,01 a saca de 50 quilos.

Café: Aperto no curto prazo: As cotações do café arábica registraram ganhos ontem na bolsa de Nova York, refletindo a desvalorização do dólar em relação ao real e os receios com a oferta de curto prazo. Os papéis do grão para maio subiram 135 pontos, a US$ 1,1985 a libra­peso. As exportações de café do Brasil, maior exportador global do produto, recuaram em janeiro tanto na comparação com o mesmo mês do ano passado como em relação a dezembro. Estima-se que o Brasil chegará ao fim de março com um dos menores estoques de café da história, após uma safra reduzida e embarques recorde no fim do ano passado enxugando a oferta doméstica. Além disso, a queda do dólar desestimula as vendas por parte dos produtores. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica recuou 0,92%, para R$ 492,63 a saca.

Cacau: Harmattan na área: O clima seco nas áreas produtoras de cacau do oeste da África, relacionado aos ventos Harmattan, que saem do deserto do Saara, preocupa o mercado e colaborou ontem para uma forte alta dos preços na bolsa de Nova York. Os papéis para maio subiram US$ 104, a US$ 2.871 a tonelada. Produtores da região dizem que a falta de umidade deve prejudicar o desenvolvimento dos frutos para a colheita da safra intermediária, no fim do semestre. Os traders aproveitaram as incertezas com a oferta para cobrir posições vendidas. Analistas dizem que a queda do dólar ante diversas moedas também ofereceu suporte para a alta. No mercado doméstico, o preço médio do cacau em Ilhéus e Itabuna permaneceu em R$ 139 a arroba, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Trigo: Tempestade de neve: Os contratos futuros do trigo recuaram ontem nas bolsas dos Estados Unidos ante previsões de que uma tempestade de inverno favoreça as lavouras do sul do país. Em Chicago, os papéis do trigo para maio fecharam com desvalorização de 4,5 centavos, a US$ 4,805 o bushel. Em Kansas, onde se oferta o trigo de melhor qualidade, os lotes para maio recuaram 5,5 centavos, a US$ 4,7675 o bushel. A agência de meteorologia DTN previa para entre ontem e hoje uma tempestade de chuva e neve na região das Planícies do Sul, especialmente no sudoeste de Kansas até o norte. Espera-se que as lavouras sejam beneficiadas pela umidade. No mercado doméstico, o preço médio do trigo no Rio Grande do Sul apurado pelo Cepea/Esalq teve alta de 1,51%, para R$ 623,58 tonelada. (Valor Econômico 02/02/2016)