Setor sucroenergético

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Desembolso do BNDES a usinas despenca

No ano que passou, apenas 1% dos R$ 2 bilhões que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ofertou para estocagem de etanol chegou às usinas. O crédito entrou no mercado tarde demais e a um custo mais alto, inibindo a demanda. Também foi fraca a procura por crédito para renovar canaviais e realizar expansões. O resultado é que os desembolsos do banco de fomento para esse setor caíram em 2015 aos menores níveis em quase dez anos.

A retração surpreendeu até as previsões do próprio BNDES que, em setembro, esperava desembolsar no ano entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4 bilhões. Mas o que se confirmou foi um montante de R$ 2,744 bilhões, queda de 59,4% em relação a 2014 ­ considerando as três categorias: agrícola, industrial e cogeração. O crédito ao setor em 2015 só não foi menor que o de 2006, antes do 'boom' de investimentos em etanol, quando foram injetados R$ 1,9 bilhão no setor.

O gerente do Departamento de Biocombustíveis do BNDES, Artur Milanez, diz que o ideal era que a linha de estocagem de etanol tivesse sido lançada em maio de 2015, no máximo, até julho. Mas a demora na definição das taxas de juros e condições levou o lançamento para setembro, encurtando muito a janela do financiamento, cuja amortização já começa em fevereiro deste ano.

Essa linha é uma das mais esperadas todos os anos pelas usinas, uma vez que permite a elas "carregar" etanol para vendê-lo ao longo de 12 meses, desconcentrando a oferta no período de pico de safra, quando os preços costumam cair. No fim das contas, o BNDES liberou apenas R$ 20 milhões para estocagem do biocombustível em 2015, só 1% do total de R$ 2 bilhões ofertados e 98% abaixo dos R$ 1,981 bilhão de 2014.

Os desembolsos para a categoria projetos "industriais" também foram afetados. Alcançaram em 2015 R$ 1,635 bilhão, 65% menos que os R$ 4,781 bilhões de 2014. O baixo interesse das usinas em investir em expansão industrial e na construção de novas unidades explica a queda na demanda por esses recursos.

O custo mais alto dos financiamentos do banco também afetou o interesse por crédito para plantio e renovação de canaviais (Prorenova). O gerente do Departamento de Biocombustíveis não detalhou o montante desembolsado para essa linha, mas reafirmou que impactou a categoria projetos "agrícolas", na qual o Prorenova se enquadra. Em 2015, essa categoria recebeu R$ 893 milhões do BNDES, um recuo de 52% frente aos R$ 1,871 bilhão de 2014.

Somente os projetos de cogeração cresceram. Os desembolsos para esse tipo de investimento atingiram R$ 216 milhões em 2015, ante R$ 116 milhões no ano anterior. Estão, no entanto, bem aquém do auge de desembolsos nessa área, ocorrido em 2012, quando somaram R$ 700 milhões.

O cenário ainda é incerto para a retomada de crescimento de capacidade instalada nesse segmento, na visão de Milanez. No entanto, ele acredita que o cenário de preços mais atrativos de açúcar e etanol no ano passado e a continuidade dessa conjuntura em 2016 tornam a retomada menos distante do que já foi no passado.

Mas essa retomada ainda não está no horizonte de 2016. Para este ano, o BNDES estima que os desembolsos às usinas serão baixos, no patamar entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões. "Se o Prorenova e o programa de estocagem de etanol forem renovados, esse montante pode crescer", avalia Milanez. (Valor Econômico 04/02/2016)

 

Açúcar: Devolvendo ganhos

Os preços do açúcar devolveram ontem os ganhos de terça-feira na bolsa de Nova York, com o retorno do movimento de vendas por parte dos fundos.

Os contratos do açúcar demerara com vencimento em maio caíram 13 pontos, a 12,84 centavos de dólar por libra-peso.

Os especuladores têm abandonado suas posições compradas desde dezembro, em meio a visões mais moderadas a respeito da diferença entre oferta e demanda nesta safra global de 2015/16.

Nos três meses anteriores, os especuladores haviam mais do que quadruplicado suas posições compradas no mercado do açúcar.

Desde dezembro, porém, as apostas altistas já recuaram 35%.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal recuou 0,15%, para R$ 82,38 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 04/02/2016)

 

Sucden acredita que recuperação do açúcar foi 'prematura'

 A recuperação dos preços do açúcar no ano passado foi "prematura", já que o aumento da produção no Brasil e na União Européia significa que o mercado mundial voltará a entrar em equilíbrio na próxima temporada, de acordo com a Sucres et Denrées.

"As ofertas de açúcar equivalerão à demanda no ano fiscal que começará no dia 1º de outubro, acabando com a escassez de 2 milhões de toneladas registrada nesta temporada", disse Auke Vlas, diretor comercial da empresa conhecida como Sucden. E completa: "Os fundos que geraram apostas otimistas no açúcar no ano passado contando com os déficits da oferta, se precipitaram".

As usinas da região Centro-Sul do Brasil, principal área de cultivo do maior produtor mundial, vão gerar 12 por cento mais açúcar na temporada de 2016-17, enquanto que a produção na Europa aumentará 22 por cento, estima a Sucden. Os fundos que fizeram com que as apostas otimistas chegassem perto de um recorde antes de meados de dezembro, o que ajudou os preços a subirem 18 por cento no quarto trimestre, agora estão tendo que vender.

"Os fundos chegaram ao quase excessivo recorde de 200.000 lotes neste ambiente de mercado e é provável que isso não se justifique", disse Vlas em uma entrevista na terça-feira na Dubai Sugar Conference, um evento privado para 400 líderes do setor. "O mercado está dizendo a eles que foi cedo demais e, talvez, rápido ou grande demais, e eles vêm liquidando".

Redução das apostas

Os futuros negociados em Nova York despencaram 15 por cento neste ano, para 12,99 centavos de dólar por libra, porque os fundos reduziram as apostas otimistas em 32 por cento em relação ao pico registrado no ano passado, de acordo com dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA. Na semana finalizada no dia 8 de dezembro, especuladores grandes e pequenos, excetuando-se fundos de índices, mantiveram uma posição comprada de 217.808 contratos, perto do recorde de 2008.

A produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil, a principal região produtora, aumentará para 34,3 milhões de toneladas porque a desvalorização do real faz com que as usinas dessem preferência a esse produto em detrimento do etanol, segundo Vlas. A produção da UE aumentou 22 por cento, para 17 milhões de toneladas, antes da abertura do mercado em 2017.

"Por que a abundância volta?", perguntou Vlas. "Entre o Brasil e a UE, adicionam-se de 6 milhões a 7 milhões de toneladas e eu diria que essas estimativas são bastante conservadoras".

Clima na Índia

O clima seco do ano passado significou que os produtores da Índia, segundo maior produtor do mundo, plantaram menos cana-de-açúcar do que vão colher em 18 meses. Embora estime-se atualmente que a produção será 2 milhões de toneladas menor, totalizando 23,5 milhões de toneladas, a safra dependerá de plantações mais novas, das monções e da disponibilidade de água. Os preços também poderiam aumentar se as chuvas atrasarem a colheita no Brasil, disse Vlas. (Bloomberg 04/02/2016)

 

Lucro da Royal Dutch Shell cai 57% no 4º trimestre, a US$ 1,8 bilhão

A Royal Dutch Shell anunciou hoje que teve lucro com base nos custos de suprimentos de US$ 1,8 bilhão no quarto trimestre de 2015, 57% menor que o ganho de US$ 4,2 bilhões registrado em igual período do ano anterior. Essa medida é semelhante ao lucro/prejuízo líquido divulgado por petrolíferas norte-americanas.

Como outras empresas do setor, a petroleira anglo-holandesa foi prejudicada pela forte queda dos preços do petróleo.

Em todo o ano de 2015, o lucro da Shell recuou 80%, a US$ 3,8 bilhões, de US$ 19 bilhões em 2014.

Os resultados marcam o último balanço antes que a Shell conclua a aquisição do BG Group, por cerca de US$ 50 bilhões, no próximo dia 15.

O executivo-chefe da Shell, Ben van Beurden, comentou que a transação será "o início de um novo capítulo na Shell, rejuvenescendo a companhia e melhorando os retornos dos acionistas".( Dow Jones Newswires 04/02/2016)

 

Brasil: Usinas de açúcar voltam a ter lucro

O setor açucaA Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) classificou como um "grande equívoco" a intenção do governo de tributar as exportações do agronegócio. A taxação ocorreria por meio da revogação da isenção da contribuição previdenciária, que hoje vigora para os produtores que exportam o total ou parte de sua produção. Mais cedo, a Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) também repudiou a idéa.

"Não é admissível extrair recursos adicionais da sociedade e da produção para aumentar o financiamento de um sistema que está errado (o Previdenciário) e não se sustentará no tempo", criticou a CNA, em nota. Para a entidade, a economia só voltará a crescer se apostar no investimento privado e no aumento das exportações: "Trata-se de um verdadeiro ataque contra um setor que foi o principal motor dos anos de crescimento e sustenta, mesmo na crise, o equilíbrio de nossas contas externas".

O presidente da FPA, o deputado Marcos Montes (PSD-MG), disse que os parlamentares estão mobilizados e que pronunciamentos devem ser feitos no plenário, criticando a medida. "O governo vai jogar na praça qualquer coisa que possa melhorar a arrecadação. O que colar, fica. O que tiver contestação comprovada, acredito eu, não deve ficar", disse. "Tenho certeza de que o bom senso vai prevalecer", afirmou (Agência Estado, 2/2/16)

reiro do Brasil está encontrando certo alívio com a queda do real, que está ajudando as usinas do maior produtor do mundo a voltar a ter lucros.

As usinas com balanços estáveis tiveram uma margem de lucro de cerca de 20% nos últimos seis meses, disse Paulo Roberto de Souza, CEO da Copersucar, que tem 37 usinas associadas no país.

O real desvalorizado beneficia as usinas porque elas pagam a maior parte dos custos nessa moeda, mas vendem a commodity em dólares.

O setor açucareiro do Brasil está em um ponto de inflexão e o país voltou a ser o produtor com os menores custos do mundo depois da crise política e econômica que fez com que o real caísse mais de 30% no ano passado, de acordo com Soren Schroder, CEO da Bunge, proprietária de oito usinas no Brasil.

Anteriormente, a queda dos preços e os balanços apertados levaram usinas deficitárias a fechar e tornaram mais difícil que elas conseguissem financiamento.

"A moeda desvalorizada dará um respiro para o setor antes que ele consiga aumentar a produtividade", disse Souza no domingo, em uma entrevista na Dubai Sugar Conference, um evento privado para 400 profissionais do setor.

"Um ou dois anos é o tempo de que o Brasil precisa para garantir que continuará sendo o produtor de custo mais baixo. Não podemos depender somente da moeda".

O açúcar precificado em reais aumentou 45 por cento desde junho e atingiu uma alta recorde no dia 4 de janeiro. Essa é uma grande reviravolta, porque em 2014 os preços chegaram ao valor mais baixo em três anos.

O real desvalorizado ajudou a cortar os custos de produção no Brasil em US% 0,08 a US$ 0,10 de dólar por libra em relação ao pico registrado em 2011, de acordo com a Bunge.

O custo total da fabricação de açúcar no Brasil caiu de US$ 0,10 a US$ 0,12 centavos de dólar por libra, disse Martin Todd, diretor administrativo da empresa de pesquisa LMC International, durante a conferência no domingo.

Usinas lucrativas Embora as usinas tenham sido lucrativas nos últimos seis meses, os bancos que cortaram o financiamento não voltaram a conceder empréstimos, assegura a Copersucar.

É necessário que haja um longo período de melhores preços para atrair investimentos, disse Souza. Schroder, da Bunge, disse que os preços precisam estar na faixa de US$ 0,14 a US$ 0,16 por libra como incentivo para que as usinas se expandam e acima dessa faixa para estimular novos projetos.

O açúcar bruto estava a US$ 0,1309 em Nova York na segunda-feira.

"Quando falamos de crescimento, isso depende do financiamento, e o financiamento ainda não está disponível", disse Souza. "Sem financiamento, nada vai acontecer".

As usinas do Brasil precisam se tornar mais eficientes para sustentar os lucros quando o real se fortalecer, de acordo com a Bunge, que estima que 47 usinas tenham fechado nos últimos três a quatro anos.

Mesmo que os produtores plantem mais cana-de-açúcar, a Bunge diz que o setor de açúcar e de etanol do Brasil não expandirá a capacidade de processamento com a rapidez necessária para satisfazer a crescente demanda mundial.

"Há muitas oportunidades no Brasil para melhorar o rendimento", disse Schroder. "Precisamos pensar em um modo de assegurar a viabilidade a longo prazo mesmo que as coisas voltem a padrões mais normais e, com isso, esperamos criar o apetite por investimentos no setor brasileiro de processamento da cana, pois é disso que o mercado precisa". (Bloomberg 03/02/2016)

 

Dificuldades da ADM no setor de etanol refletem problemas na indústria

Quando a Archer Daniels Midland abriu duas das maiores usinas de etanol dos Estados Unidos em Nebraska e Iowa seis anos atrás, o mercado de biocombustíveis registrada um boom, com preços e lucros aumentando.

Agora, as usinas são mais uma dor de cabeça para a empresa com sede em Chicago, considerada uma pioneira da indústria, em meio a margens esmagadas e fraqueza nos preços.

Na maior capitulação da indústria ante condições de mercado desfavoráveis, o presidente executivo da ADM, Juan Luciano, na terça-feira, disse que consideraria opções, incluindo uma venda, para as duas usinas, assim como outra em Peoria, Illinois.

As três usinas de processamento de grãos para fabricação de etanol, entre as maiores do país, representam um pouco menos da metade da capacidade de etanol da ADM nos EUA, de 1,8 bilhão de galões por ano.

As notícias vieram com a ADM culpando as margens ruins do etanol e as fracas exportações de grãos dos EUA por lucros trimestrais menores que o esperado, levando suas ações a uma queda de quase 9 por cento, o pior dia em seis anos e meio.

A revisão também aconteceu com a empresa de 114 anos continuando a transição para focar no desenvolvimento de novos ingredientes alimentares, conforme a demanda doméstica do etanol para uso como aditivo na gasolina está prevista para permanecer estável na próxima década. (Reuters 03/02/2016)

 

Contrabando de açúcar para China soma até 1 mi t ao ano, diz autoridade

Até um milhão de toneladas de açúcar são contrabandeadas para a China todos os anos, disse uma autoridade do Ministério da Agricultura da China nesta quarta-feira.

Enfrentar o contrabando é um desafio para o governo devido às extensas fronteiras do país, disse a chefe de pesquisa da indústria de açúcar do ministério, Xu Xue.

"O custo de cumprir totalmente a lei é elevado... Há uma enorme demanda para lidar com o contrabando, mas pouco poder para fazê-lo", ela disse em uma conferência sobre açúcar em Dubai, através de um tradutor.

Ela disse que de cerca de meio milhão a um milhão de toneladas de açúcar por ano está sendo contrabandeado para a China, a maior compradora de açúcar do mundo.

"É difícil estimar o número exato, mas está próximo dessas estimativas", ela disse.

O contrabando de produtos agrícolas nas fronteiras da China com o Vietnã e Mianmar tem sido um problema há muito tempo. Embora uma ofensiva tenha ajudado a limitar isto, há preocupações de que os compradores lutarão por açúcar, enquanto os mercados globais se preparam para o primeiro déficit em seis anos. (Reuters 03/02/2016)

 

China aprova importação de nova soja transgênica da Monsanto

A Monsanto informou nesta quarta-feira que recebeu a aprovação para importações da China de sua nova soja geneticamente modificada Roundup Ready 2 Xtend e que começará a vender as sementes nos Estados Unidos e no Canadá.

A China, maior importadora mundial de soja, não permite importações de grãos transgênicos até que sejam aprovados por reguladores do governo.

A nova variedade de soja da empresa norte-americana de sementes e agroquímicos é projetada para tolerar aplicações dos pesticidas glifosato e dicamba, em meio a um crescente problema com ervas daninhas resistentes ao glifosato na América do Norte.

O uso do dicamba é permitido no Canadá, mas ainda não está aprovado nos EUA, onde a Agência de Proteção Ambiental do país ainda está revisando o produto químico, disse a Monsanto.

A Monsanto disse que está oferecendo descontos para produtores norte-americanos que comprem as sementes Roundup Ready 2 Xtend caso a aprovação regulatória não chegue a tempo da temporada de plantio de 2016.

A empresa tem como objetivo 3 milhões de acres plantados na próxima temporada e espera que a tecnologia genética seja cultivada em dois terços das lavouras de soja nos EUA até 2019. A empresa também licencia sua biotecnologia para outras empresas de sementes. (Reuters 03/02/2016)

 

Chineses ampliam presença no setor de cana-de-açúcar

Confira os impactos desse avanço Chineses finalizam compra da Syngenta. E já têm quatro usinas da Noble.

Companhias de origem chinesa aumentam o controle em empresas com atuação no setor sucroenergético do Brasil. A mais recente negociação que envolve grupo chinês está relacionada à compra do controle do grupo suíço Syngenta.

Especializada em defensivos agrícolas e sementes, a Syngenta tem forte atuação no setor sucroenergetico. É dela, por exemplo, a tecnologia CEEDS, focada no desenvolvimento de canaviais.

Até onde vai o apetite chinês pelo setor de cana-de-açúcar brasileiro?

O Portal Jornal Cana analisa os impactos desse avanço:

A oferta de compra da suíça Syngenta envolve US$ 43 bilhões a serem oferecidos pela ChemChina, que é companhia estatal. Se o negócio foi concluído, será a maior aquisição promovida por uma empresa chinesa no exterior.

Ao longo de 2015 a Syngenta foi sondada por outros interessados de peso, como a americana Monsanto e a alemã Basf. Os chineses levaram a melhor.

Caso a compra da Syngenta seja efetivada, a China ganhará forte presença na ‘porteira para fora’ do setor sucroenergético brasileiro, formado por cerca de 10 milhões de hectares.

Além da tecnologia CEEDS, a companhia suíça oferece produtos e serviços já empregados nos canaviais, muitos decorrentes de seu sistema Plene, como as ‘sementes’ de cana previstas para chegar ao mercado em 2017.

Dona da Noble

Fora a presença no ‘porteira para fora’, os chineses já operam ‘porteira adentro’ do setor sucroenergético brasileiro. São eles quem controlam, por exemplo, a companhia sucroenergética Noble.

Com quatro usinas de cana-deaçúcar no estado de São Paulo, capazes de moer 17 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra, a Noble Agri é resultado de joint venture criada em outubro de 2014 entre o Noble Group, a COFCO e um consórcio de investidores. Detalhe: são chineses.

A COFCO, por exemplo, acaba de adquirir 100% do controle da Noble Group. Criada em 1949, ficou durante 21 anos entre as 50 companhias mais ricas do mundo.

Assim como a ChemChina, a COFCO também tem controle do governo chinês.

Sendo assim, quem entra firme no setor sucroenergético brasileiro é o próprio governo da China.

Vantagens dos chineses

Quais as vantagens disso para o setor de cana-de-açúcar do Brasil?

O Portal Jornal Cana apurou junto a analistas e, entre os favorecimentos, estão a expertise de companhias como a COFCO, consolidadas como operadoras de comercialização (tradings), o que ampliará a negociação de produtos decorrentes da cana entre outros países.

Outro benefício está relacionado a novos investimentos. “Como estão capitalizadas, e não dependem de financiamentos com taxas de juros exorbitantes, essas empresas estatais podem investir nas plantas industriais existentes e até ampliar aportes no setor sucroenergético geral”, avalia analista.

E as desvantagens?

Entre as desvantagens está a concentração de companhias de cana­de­açúcar nas mãos de estatais de um só país, o que pode gerar possíveis controles e até imposição de preços sobre produtos e serviços.

Negociações

Fora a Noble Agri e a Syngenta, os chineses têm um histórico de negociações com empresas do setor sucroenergético brasileiro. É um histórico de uma década para cá e os resultados não deram certo. Mas diante o apetite chinês atual, e com o real enfraquecido, é bem possível que tais negociações voltem a ocorrer.

O Portal Jornal Cana lista a seguir alguns negócios entre chineses e companhias de cana-de-açúcar que não chegaram a ser concluídos.

1) Em 2007 foi anunciada parceria entre a estatal chinesa BBCA Bioquímica, da província de Anhui, e a companhia de cana-de-açúcar Grupo Farias, com sede em Pernambuco, para a implantação de duas usinas de etanol. A previsão inicial era de uma produção de 800 milhões de litros, toda ela focada à exportação para a China. As usinas estavam projetadas para entrar em funcionamento em 2010.

2) Em 2014 ganhou força a possível aquisição pela estatal COFCO de unidade produtora de etanol e açúcar da Unialco no estado do Mato Grosso do Sul. A unidade integra a Alcoolvale, controlada pela Unialco. (Jornal Cana 03/02/2016)

 

Empresa chinesa compra a Syngenta por US$ 43 bilhões

ChemChina supera a norte-americana Monsanto, que vinha tentando adquirir a companhia suíça de sementes e defensivos

Syngenta espera ampliar sua paticipação em mercados emergentes, especialmente o chinês

A Syngenta informou nesta quarta-feira (3/2) ter aceito uma oferta de compra de US$ 43 bilhões feita pela chinesa ChemChina. O valor equivale a US$ 465 por ação da companhia. A expectativa é que o negócio seja concluído até o fim do ano.

“O quadro de diretores considerou que a proposta respeita os interesses de todas as partes interessas e recomendou sua aceitação por unanimidade”, informa a nota publicada no site oficial, acrescentando que os bancos Goldman Sachs, J.P Morgan e UBS atuaram como consultores financeiros.

Conforme o comunicado, a operação permitirá uma presença maior em mercados considerados emergentes, especialmente a China. O nome da companhia deve ser mantido, bem como sua sede na Suíça. As mudanças no quadro executivo envolvem a inclusão do atual presidente da ChemChina, Ren Jianxin, e a manutenção de pelo menos quatro dos atuais diretores.

“A Syngenta é líder global em proteção de cultivos e vem ampliando de forma significativa sua participação no mercado global nos últimos dez anos. O negócio nos permite manter e expandir essa posição”, disse, no comunicado, o executivo-chefe da Syngenta, John Ramsay.

O presidente da ChemChina, Ren Jianxin, avaliou que as discussões sobre a aquisição foram feitas de forma “amigável, construtiva e cooperativa” e que o trabalho continuará com o foco na manutenção da competitividade da Syngenta no mercado global. “Nossa visão não está restrita aos ganhos mútuos, mas também em maximizar os ganhos de agricultores e consumidores ao redor do mundo”, disse.

A compra da Syngenta pelos chineses é um revés para a norte-americana Monsanto, que tentava adquirir a companhia suíça de sementes e defensivos. Uma das propostas chegou a US$ 46 bilhões. Marca também um importante passo na consolidação no setor de agroquímicos. Em dezembro passado, DuPont e Dow Chemical anunciaram a intenção de se unir. (Globo Rural 03/02/2016)

 

Tributação de exportações do agronegócio é um 'grande equívoco'

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) classificou como um "grande equívoco" a intenção do governo de tributar as exportações do agronegócio. A taxação ocorreria por meio da revogação da isenção da contribuição previdenciária, que hoje vigora para os produtores que exportam o total ou parte de sua produção. Mais cedo, a Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) também repudiou a idéia.

"Não é admissível extrair recursos adicionais da sociedade e da produção para aumentar o financiamento de um sistema que está errado (o Previdenciário) e não se sustentará no tempo", criticou a CNA, em nota. Para a entidade, a economia só voltará a crescer se apostar no investimento privado e no aumento das exportações: "Trata-se de um verdadeiro ataque contra um setor que foi o principal motor dos anos de crescimento e sustenta, mesmo na crise, o equilíbrio de nossas contas externas".

O presidente da FPA, o deputado Marcos Montes (PSD-MG), disse que os parlamentares estão mobilizados e que pronunciamentos devem ser feitos no plenário, criticando a medida. "O governo vai jogar na praça qualquer coisa que possa melhorar a arrecadação. O que colar, fica. O que tiver contestação comprovada, acredito eu, não deve ficar", disse. "Tenho certeza de que o bom senso vai prevalecer", afirmou. (Agência Estado 02/02/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Devolvendo ganhos: Os preços do açúcar devolveram ontem os ganhos de terça-feira na bolsa de Nova York, com o retorno do movimento de vendas por parte dos fundos. Os contratos do açúcar demerara com vencimento em maio caíram 13 pontos, a 12,84 centavos de dólar por libra-peso. Os especuladores têm abandonado suas posições compradas desde dezembro, em meio a visões mais moderadas a respeito da diferença entre oferta e demanda nesta safra global de 2015/16. Nos três meses anteriores, os especuladores haviam mais do que quadruplicado suas posições compradas no mercado do açúcar. Desde dezembro, porém, as apostas altistas já recuaram 35%. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal recuou 0,15%, para R$ 82,38 a saca de 50 quilos.

Café: Poucos negócios: Os futuros de café tiveram a terceira valorização consecutiva ontem na bolsa de Nova York, em meio à baixa liquidez no mercado brasileiro. Os contratos do café arábica para entrega em maio fecharam com alta de 160 pontos, a US$ 1,235 a libra-peso. Os analistas relatam que os produtores do Brasil continuam com poucas ofertas diante dos atuais patamares de preços. A falta de interesse também é reflexo da queda do dólar em relação ao real, o que reduz a rentabilidade das exportações brasileiras. Além disso, a Colômbia registra clima mais seco que o normal nas lavouras, o que pode afetar a próxima safra, disse Jack Scoville, da Price Futures Group, em nota. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o café arábica teve queda de 0,32%, para R$ 496,98 a saca.

Soja: Pressão sul-americana: O avanço da colheita de soja no Brasil e chuvas na Argentina, após dias de seca, pressionaram os preços da oleaginosa na bolsa de Chicago ontem. Os lotes para maio fecharam em baixa de 9 centavos, a US$ 8,7975 por bushel. Ainda que a colheita no Brasil esteja mais lenta que na safra passada, a entrada da oferta do país no mercado começa a afetar as cotações. Na Argentina, chuvas estão previstas para o centro do país no fim de semana, o que tende a favorecer o desenvolvimento da soja. Analistas também relatam que agricultores americanos aproveitaram a recente alta nos preços para desovar parte da produção, aumentando a disponibilidade interna da oleaginosa. No mercado brasileiro, o indicador Cepea/Esalq para a saca no Paraná ficou em R$ 74,98, em queda de 0,41%.

Trigo: Rumores do Egito: Os contratos futuros de trigo retomaram ontem a trajetória de alta na bolsa de Chicago, impulsionados por rumores de que o Egito pode afrouxar as exigências de importação do cereal. Em Chicago, os lotes com entrega em maio fecharam com ganhos de 3,75 centavos, a US$ 4,8375 por bushel. Em Kansas, onde se negocia o cereal de melhor qualidade, os contratos de mesmo vencimento avançaram 3,25 centavos, para US$ 4,7850 por bushel. Entre os traders circula o rumor de que o Egito (maior importador mundial de trigo) pode permitir que as cargas do cereal que chegam ao país tenham pequenas quantidades do fungo ergot, o que havia sido proibido no início do ano. No Paraná, a saca de 60 quilos apresentou ligeira alta de 0,23%, para R$ 39,57, de acordo com o Deral/Seab. (Valor Econômico 04/02/2016)