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Venda antecipada de açúcar bate recorde

O agressivo movimento de fundos especulativos que tanto colaborou para a queda de 14% nas cotações do açúcar este ano na bolsa de Nova York parece não preocupar muito as usinas brasileiras. Até o fim de janeiro, as produtoras de açúcar do país já haviam garantido seu pé de meia ao vender antecipadamente ao menos 60% do açúcar que vão exportar na próxima safra (2016/17), que começará em abril. O percentual é considerado recorde, apesar de não haver registros históricos sobre vendas antecipadas. "Para esta época do ano, o que já se viu foi, no máximo, 40%", afirmou um trader.

Essa fatia, calculada pelas maiores comercializadoras de açúcar a pedido do Valor, equivale a um volume de açúcar já vendido de 15,6 milhões de toneladas, e parte da previsão de que o Brasil vai exportar em 2016/17 em torno de 26 milhões de toneladas, 2 milhões acima dos embarques de 24 milhões de toneladas previstos para o ciclo 2015/16, que termina em 31 de março deste ano.

Nas contas da Archer Consulting, esse volume é ainda maior e gira em torno de 17 milhões de toneladas, 67,97% de uma exportação prevista pela consultoria em 25,12 milhões de toneladas. De acordo com a Archer, há um ano as vendas antecipadas equivaliam a 27,3% do volume que seria embarcado em 2015/16.

O que moveu o segmento a antecipar as vendas foi a atratividade dos preços da commodity em real, reflexo da valorização das cotações em Nova York e do câmbio no Brasil. Desde agosto passado, quando começou a valorização mais acentuada do dólar, até janeiro, os preços médios mensais do açúcar em real subiram expressivos 36%.

Com mais da metade das exportações da safra 2016/17 negociada, as usinas no Brasil olham agora com menos preocupação o recente recuo das "telas" em Nova York, mais evidente desde o início deste ano. Em 2016, os contratos de segunda posição (maio) já acumulam queda de 13,9%.

Há controvérsias sobre os próximos movimentos. Uma parte do mercado acredita que o declínio não passa de uma forte realização de lucros dos fundos, até então amplamente "comprados" (apostando na alta) na commodity. Mas uma outra fatia aposta que exagerada foi a valorização ocorrida no último trimestre de 2015, e que, por isso, a correção era uma consequência natural.

A realização de lucros veio na esteira da divulgação de estimativas sobre de uma oferta maior de cana em 2016/17 no Centro-Sul do Brasil, que responde por 90% da produção nacional da commodity. A própria Copersucar que, juntamente com a americana Cargill lidera o comércio global do produto (por meio da joint venture Alvean), estimou uma oferta de 625 milhões de toneladas, 20 milhões acima de 2015/16.

Na semana passada, a consultoria Kingsman também potencializou o viés baixista dos preços ao elevar em 2,18 milhões de toneladas, para 35,12 milhões, sua estimativa para a produção da commodity na principal região brasileira em 2016/17.

Mas, para muitos traders, a grande oferta de cana no próximo ciclo no Brasil não é mais novidade. O "x" da questão é o quanto será efetivamente processado pelas usinas. Se o início da próxima safra não puder ser antecipado de abril para março, devido a chuvas, será difícil moer toda a cana disponível.

Diante das incertezas, o alento das usinas brasileiras está no presente. Com a maior parte de seu excedente exportável vendido, o maior exportador global da commodity só terá 40% da oferta a negociar este ano. A menor pressão de oferta tende a sustentar os preços, dizem especialistas. "Será uma safra com cotações médias de 14 centavos de dólar por libra-peso", arriscou o executivo de uma das maiores tradings desse mercado. (Valor Econômico 05/02/2016)

 

Dreyfus é multada em Santos

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) voltou a multar ontem um terminal de carregamento de grãos no porto de Santos operado pela trading Louis Dreyfus Commodities (LDC). Segundo a agência, a empresa foi penalizada em R$ 282,6 mil por emitir material particulado (poeira) durante a operação de carregamento de farelo no navio M.V. The Creator.

De acordo com informações da Cetesb, foi a terceira multa imposta ao terminal por problemas de emissão de poluentes na operação das esteiras transportadoras de grãos. A primeira, em junho de 2015, foi de R$ 70,7 mil; a segunda, aplicada em seguida, em agosto, foi de R$ 141,3 mil. A companhia também já havia sido autuada em outras ocasiões devido ao "odor fétido" de grãos que caem na operação portuária e entram em decomposição.

Questionada sobre as punições, a Dreyfus respondeu, por nota, que "atende todas as determinações e solicitações encaminhadas pela Cetesb para minimizar eventuais impactos de sua operação no terminal, e que investe na manutenção constante de seus equipamentos" e que tem planos para "aprimorar a malha logística interna do terminal".

Há duas semanas, a Caramuru teve o escoamento de soja interditado após advertência e multas, pelos mesmos motivos. A ADM anunciou aporte de R$ 287 milhões para a modernização de maquinário e armazém, com o objetivo de reduzir o impacto ambiental no porto paulista. (Valor Econômico 05/02/2016)

 

Itaú Unibanco reduz projeção de preço médio em 2016

O Itaú Unibanco reduziu nesta quinta-feira sua projeção para o preço médio do açúcar demerara negociado na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). Em razão principalmente do clima favorável no Centro-Sul do Brasil e da perspectiva de um déficit menor do que o esperado, a instituição prevê agora uma cotação média de 13,90 centavos de dólar por libra-peso em 2016. Anteriormente, estimava 14,30 centavos de dólar.

"Volumes de chuva maiores e melhores distribuídos em relação ao ano passado, junto com uma eventual demanda menor por etanol, sugerem uma alta na produção de açúcar brasileira em 2016", destacou o banco, em relatório. Atualmente, os contratos futuros da commodity são negociados abaixo de 13 centavos de dólar por libra-peso na Bolsa de Nova York.

Diversas consultorias apontam para déficit de até 8 milhões de toneladas na atual temporada global, que se encerra em 30 de setembro. Seria o primeiro após cinco anos consecutivos de volume excedente. Recentemente, porém, passou a se considerar um déficit menor. Isso porque as chuvas regulares no Brasil tendem a melhorar a produtividade das lavouras e, consequentemente, a produção de açúcar na safra 2016/17, que se inicia em abril. (Agência Estado 04/02/2016)

 

Abengoa Bioenergia antecipa pagamento aos credores

Subsidiária afirma que não está nem pretende entrar em recuperação judicial.

A Abengoa Bioenergia Brasil, que controla as Usinas São Luiz e São João, localizadas respectivamente em Pirassununga e São João da Boa Vista, já iniciou os pagamentos junto aos seus parceiros dentro do cronograma de reestruturação financeira traçado pela empresa no mês passado. Além de antecipar a quitação parcial das dívidas, inicialmente programado para o dia 15 de fevereiro, a Abengoa dentro do compromisso assumido, já está pagando a primeira parcela de todos os fornecedores independentemente do valor de cada credor.

“Após assumirmos compromissos com vários setores preocupados com nossos problemas, entendemos que antecipar esse pagamento em 10 dias mostra a todos que o principal objetivo neste momento é dar ainda mais credibilidade ao processo de reestruturação financeira que traçamos ao longo do mês de janeiro”, afirma o diretor Rogério Ribeiro Abreu dos Santos. De acordo com Abreu dos Santos, a Abengoa está depositando para cada parceiro o valor acordado até sexta-feira, 5 de fevereiro.

Ao mesmo tempo que elogia o comportamento das entidades que sentaram com a Abengoa Bioenergia Brasil para colaborar nesse cronograma de reestruturação financeira, Abreu dos Santos também aproveita para ressaltar, mais uma vez, que a empresa não entrou em processo de Recuperação Judicial. “Volto a afirmar que não entramos e nem pretendemos entrar em Recuperação Judicial. Estamos focados em ações que aumentem nosso fluxo de caixa e em cumprir com os compromissos assumidos e com nossas responsabilidades, continuando com a operação e manutenção das usinas”, finaliza o diretor.

No dia 29 de janeiro, três subsidiárias da Abengoa no Brasil entraram com pedido de recuperação judicial junto ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. São elas: Abengoa Concessões Brasil Holding, Abengoa Construção Brasil e Abengoa Greenfield Brasil Holding. Desde dezembro, quando a matriz da Abengoa na Espanha entrou em recuperação judicial, todos os projetos no Brasil estão paralisados. A Abengoa é responsável pela construção de quatro sistemas associadas ao escoamento da energia da hidrelétrica de Belo Monte, entre outras obras importantes para o setor de transmissão brasileiro. (Canal Energia 04/02/2016)

 

Governo aprova estudo para a 'Ferrogrão'

O Ministério dos Transportes aprovou os estudos de viabilidade econômica, técnica e ambiental da Estação da Luz Participações (EDLP) para a concessão do trecho ferroviário de Sinop (MT) a Miritituba, no município de Itaituba (PA), a chamada "Ferrogrão".

A ferrovia foi incluída na segunda fase do Programa de Investimentos em Logística por pressão do agronegócio, e é defendida pelo consórcio de tradings Cargill, Bunge, Louis Dreyfus Commodities e Amaggi, e a EDLP, que atua como estruturadora de negócios.

Com custo previsto de R$ 11,5 bilhões, 70% financiado pelo BNDES, o trecho de 930 quilômetros terá capacidade para escoar 30 milhões de toneladas de grãos (soja e milho) por ano de Mato Grosso aos portos do Norte. A redução estimada de frete pode chegar a 40%.

A decisão, publicada no "Diário Oficial da União", também aprova ressarcimento à EDLP pelo estudo, no valor de R$ 33,791 milhões, caso o consórcio não ganhe o leilão.

"No caso de eventual ressarcimento à empresa interessada, o valor aprovado será reajustado para a data do efetivo pagamento proporcionalmente à variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) entre fevereiro de 2014 e dois meses antes da data do efetivo pagamento", diz o despacho.

A proposta irá para audiências públicas e análise do TCU. Só após o trâmite a concessão será licitada. (Valor Econômico 05/02/2016)

 

Demanda fraca coloca ainda mais pressão sobre futuros em NY

Os futuros de açúcar demerara voltaram a fechar em queda ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). Durante o pregão, os contratos até buscaram patamares acima dos 13 cents por libra-peso, mas não conseguiram romper a resistência. Para analistas, além do avanço da colheita no Centro-Sul do Brasil, o mercado também é pressionado pela retração na demanda.

Os relatos são de que a procura pelo alimento não melhorou mesmo com as cotações nos menores níveis desde setembro. Avalia-se que o apetite dos compradores só tende a se intensificar após o Ano Novo Lunar na China, que será no próximo dia 8. O período é, geralmente, de "calmaria" no principal importador global de açúcar.

Refletindo essa menor demanda no exterior, a Williams Brazil reportou diminuição de 26 para 21 no total de navios que aguardam para embarcar açúcar nos portos brasileiros na semana encerrada ontem. O levantamento considera embarcações já ancoradas, aquelas que estão ao largo esperando atracação e também as que devem chegar até o dia 21 de fevereiro. Foi agendado o carregamento de 854,67 mil toneladas de açúcar. A maior quantidade será embarcada no Porto de Santos (SP), de onde sairão 674,27 mil t, ou 79% do total. Paranaguá responderá por 14% (117 mil t); Maceió, por 5% (42 mil t); e Suape, por 2% (21,40 mil t).

Há quem, diga, porém, que os futuros têm espaço para uma correção ainda nesta semana. Primeiro, porque os preços estão atrativos para recompras por fundos. Segundo, porque o dólar voltou a cair com força ante o real. Ontem, fechou em R$ 3,9158 (-1,82%). Só em fevereiro, o recuo já é de quase 3%.

Ontem, março caiu 10 pontos (0,77%) e fechou em 12,89 cents/lb, com máxima de 13,23 cents/lb (mais 24 pontos) e mínima de 12,77 cents/lb (menos 32 pontos). Os lotes para maio recuaram 13 pontos (1%) e terminaram em 12,84 cents/lb. O spread março/maio passou de 2 para 5 pontos de prêmio para o primeiro contrato da tela.

O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a quarta-feira em R$ 82,38/saca, baixa de 0,15% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 21,01/saca (+1,40%). (Agência Estado 04/02/2016)

 

Estoques de etanol no Centro Sul caem quase 30% e preços devem reagir

Os estoques de etanol no Centro Sul do País são quase 30% menores na comparação com janeiro de 2015 e essa oferta mais restrita deve fazer com que os preços do biocombustível continuem subindo até a entrada da próxima safra, em abril. Dados da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) apresentados recentemente ao governo e obtidos pelo Broadcast Agro mostram que, em 16 de janeiro, as reservas no País chegavam a 5,41 bilhões de litros, volume 27,6% inferior ao registrado em igual data de 2015.

Considerando-se apenas o hidratado, utilizado diretamente no tanque dos veículos, os estoques diminuíram 42,8%, para 4,25 bilhões de litros. Já os de anidro, misturado em até 27% à gasolina, caíram 7,6%, para 3,23 bilhões de litros. Conforme a Unica, a expectativa é de o que Centro-Sul termine a atual temporada, em 31 de março, com estoques de 1,23 bilhão de litros de etanol, sendo 400 milhões de litros de hidratado e 837 milhões de litros de anidro.

Os estoques de álcool são fundamentais para que os preços do produto não oscilem demais durante a entressafra, quando a produção é menor. Em 2014, a demanda mais fraca pelo biocombustível fez com que as usinas iniciassem o ano de 2015 com estoques confortáveis. Ao longo do ano passado, contudo, os preços atrativos do produto elevaram a procura nos postos e o consumo se refletiu nos estoques neste início de 2016. Além disso, as empresas não tiveram condições favoráveis para armazenamento - a linha de financiamento para estocagem de etanol foi oferecida a juros mais altos em 2015, o que reduziu a tomada dos recursos disponibilizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A oferta mais restrita do produto se reflete em preços mais elevados nos últimos meses. De acordo com o levantamento mais recente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço do etanol nos postos de combustíveis subiu em 20 Estados na semana passada. Só em São Paulo, principal consumidor, a alta foi de 1,4% na semana e de 4% no mês, para R$ 2,659 o litro. Desde dezembro, quando começou a entressafra, a valorização beira os 5%.

Produção

Até 16 de janeiro, as usinas e destilarias do Centro Sul haviam processado 596 milhões de toneladas de cana (+5%), com produção de 27,26 bilhões de litros de etanol (+5%), dos quais 10,52 bilhões de litros de anidro (-3,1%) e 16,73 bilhões de litros de hidratado (+10,7%).

Pelas projeções da Unica, 95 unidades produtoras devem dar início ao ciclo 2016/17 antes de abril. A previsão é que processem a cana que ficou em pé no campo por causa das chuvas ao longo do ano passado. Serão 4 usinas em Goiás, 10 em Mato Grosso do Sul, 5 em Minas Gerais, 14 no Paraná e 62 em São Paulo. Juntas, elas devem processar 15,79 milhões de toneladas de cana referentes à próxima safra. (Agência Estado 04/02/2016)

 

Demitidos da Dedini esperam decisão da Justiça Federal sobre pagamentos

Metalúrgica recebeu R$ 15,8 milhões por venda de imóveis no ano passado.

Sindicato dos Metalúrgicos quer que verba seja destinada a trabalhadores.

O uso do dinheiro da venda de imóveis da metalúrgica Dedini Indústria de Base S/A para pagamento de salários e direitos trabalhistas a ex-funcionários da unidade de Piracicaba (SP) ainda depende de decisão da Justiça Federal, segundo informou o Sindicato dos Metalúrgicos nesta quinta-feira (4).

Caso a 4ª Vara Federal na cidade se manifeste favorável aos trabalhadores, o que não tem prazo para ocorrer, R$ 15,8 milhões obtidos com a venda de propriedades da empresa e bloqueados pela Justiça local poderão ser usados para quitação de pendências com cerca de 500 pessoas dispensadas, além de funcionários com salários atrasados. A Dedini não se manifestou sobre o assunto.

No dia 11 de novembro de 2015, terrenos da Dedini que eram utilizados como estacionamento do Shopping Piracicaba foram vendidos por R$ 15,8 milhões, conforme o sindicato, em meio a uma ação de execução fiscal federal contra a metalúrgica. No entanto, dias depois, o valor foi bloqueado pela Justiça de Piracicaba para que fosse avaliado qual instância judicial deveria decidir o destino do dinheiro.

Aproveitando a "brecha", no dia 17 de dezembro, o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Piracicaba e Região solicitou ao juiz Marcos Douglas Veloso Balbino da Silva, da 2ª Vara Cível do município, que o recurso fosse destinado ao pagamento dos cerca de 500 trabalhadores dispensados em agosto do ano passado pela Dedini.

Antes mesmo de Silva tomar a decisão, o Ministério Público (MP) opinou favorável à solicitação. Já a Fazenda Nacional da União afirmou que o dinheiro deveria ser destinado ao pagamento de débitos fiscais.

Apesar disso, no dia 19 de janeiro, o juiz da 2ª Vara, após analisar o caso, entendeu que tanto o sindicato quanto o MP tinham razão. "É inegável que o crédito trabalhista tem preferência concursal em relação a qualquer outro, inclusive tributário", disse Silva em nota.

"O que é mais justo (ou menos injusto): R$ 15,8 milhões para o pagamento de dívidas fiscais neste exato momento ou R$ 15,8 milhões para mais de 500 trabalhadores dispensados, desempregados, e para todo o entorno social interligado?", questionou o advogado do sindicato, Luis Fernando Severino, nesta quinta.

A dívida total da Dedini com credores é de aproximadamente R$ 32 milhões, de acordo com a entidade sindical.

O juiz da 2ª Vara de Piracicaba enviou um ofício à 4ª Vara Federal, e solicitou que o valor obtido com a venda dos imóveis fosse utilizado para o pagamento dos créditos dos ex-funcionários, que não receberam as verbas rescisórias.

Justiça Federal

A 4ª Vara Federal de Piracicaba informou ao G1, por telefone, que a decisão sobre o caso não tem prazo para acontecer. O juiz responsável no órgão solicitou parecer do procurador da Fazenda, que já se manifestou sobre o assunto. A posição do procurador não foi divulgada pela 4ª Vara Federal. Ainda segundo o órgão, o processo é tratado com prioridade.

Dedini

Procurada, a metalúrgica Dedini informou que o processo está em discussão jurídica e que, portanto, a empresa não irá se pronunciar. (G1 04/02/2016)

 

Mesmo com safra recorde, venda de máquinas despenca

Em um ano de recorde de safra de grãos, a produção e as vendas de máquinas e implementos agrícolas despencam no país.

Enquanto a Anfavea (Associação Nacional do Fabricantes de Veículos Automotores) apontou nesta quinta-feira (4) números desastrosos para o setor, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) apontou patamar recorde na safra de grãos para o ano.

Se a estimativa do órgão oficial se concretizar, o Brasil deverá produzir 210 milhões de toneladas de grãos, acima do recorde 208 milhões de 2015.

Na outra ponta, a produção de máquinas recuou para 1.570 unidades no mês passado, 53% abaixo da de janeiro do ano passado.

"Se olharmos o agronegócio como um todo, veremos que está indo bem, com previsões de recordes de safras. Acredito que o cenário político esteja contaminando o setor", diz Luiz Moan, presidente da Anfavea, sobre a queda nas vendas de maquinário agrícola.

Não é só o mercado interno de máquinas que não vai bem. O externo, apesar da alta do dólar, também não reage.

As indústrias brasileiras de máquinas exportaram 328 unidades no mês passado, 41% menos do que em janeiro de 2015, segundo dados da Anfavea.

A maior queda na comercialização ocorreu no setor de tratores, cujas vendas retrocederam 53% ante janeiro do ano passado. Já a comercialização de colheitadeiras teve queda menor, de 12% no período.

As colheitadeiras começam a ser utilizadas com mais intensidade a partir de agora, devido ao andamento da safra de verão.

SAFRA

A produção de soja, líder em volume na área de grãos, é menor do que se previa no final do ano passado. Dados de janeiro da Conab apontam 101 milhões de toneladas para 2015/16, volume que, se confirmado, superará em 5% o de 2014/15.

Várias consultorias privadas, no entanto, já indicam volume inferior a 100 milhões de toneladas.

O milho, segundo mais importante produto da produção brasileira, recua para 83,3 milhões de toneladas, 2% menos do que em 2015.

Já o arroz, um dos produtos que preocupam o governo devido ao peso na alimentação do dia a dia do consumidor, terá volume de 1 milhão de toneladas a menos nesta safra.

A produção recua para 11,5 milhões de toneladas, enquanto o consumo nacional será de 11,8 milhões de toneladas.

Já exportações e importações ficam próximas de 1 milhão de toneladas. (Folha de São Paulo 05/02/2016)

 

Preços de fertilizantes precisam cair mais para equilibrar mercado

Os preços fracos dos fertilizantes devem cair ainda mais, o que provavelmente levará alguns produtores chineses de alto custo a sair do negócio para ajudar a reduzir um excesso de estoques e levantar os preços mais adiante em 2016, disse um dos maiores produtores do mundo, a russa PhosAgro.

O presidente executivo da companhia, Andrei Guryev, disse que espera que os preços dos fertilizantes à base de fosfato, potássio e nitrogênio enfraqueçam pelo menos mais 10 por cento após terem caído 30 por cento nos últimos meses, uma queda mais acentuada que o comum durante a redução da demanda sazonal, que elevou os estoques, incluindo aqueles na Índia, consumidor essencial.

"O mercado precisa chegar ao nível mínimo. Preços podem cair mais 10 por cento nas próximas semanas", disse Guryev. "Precisamos chegar ao chão primeiro para reduzir os estoques e começar a crescer novamente."

Guryev não quis dizer se a queda nos preços seria guiada pela própria PhosAgro, mas disse que a empresa, a qual aumentou a produção em cerca de 1 milhão de toneladas nos últimos dois anos, para 6,8 milhões de toneladas, continuaria a aumentar a produção.

A PhosAgro é a terceira maior produtora de rocha fosfática no mundo, um nutriente agrícola essencial. A empresa também vende fertilizantes compostos, uma mistura processada de fosfatos, nitrogênio e potássio.

Guryev disse que espera que os preços do importante fertilizante fosfato diamônio (DAP, na sigla em inglês) caiam cerca de 10 por cento, para 320 dólares por tonelada, em uma base FOB, antes de se recuperar para 400 dólares mais adiante em 2016. (Reuters 04/02/2016)

 

Commodities Agrícolas

Café: Quarta alta seguida: Pela quarta sessão consecutiva, as cotações do café registraram ganhos na bolsa de Nova York ontem em meio a receios com um aperto na oferta de curto prazo. Os lotes do arábica para maio subiram 165 pontos, a US$ 1,2515 a libra-peso. Em quarto dias, o grão subiu 665 pontos. Analistas dizem que houve aumento da demanda por cafés certificados em estoques em um momento em que a oferta está menor. Além disso, enquanto a colheita da safra 2016/17 do Brasil não começa, os produtores têm apenas oferta da safra passada para negociar. A queda do dólar ante o real piora o quadro de oferta, já que desestimula as exportações pelos brasileiros. No mercado interno, o café de boa qualidade oscilou entre R$ 510 e R$ 520 a saca de 60,5 quilos, segundo o Escritório Carvalhaes, de Santos.

Soja: Compras canceladas: O alto volume de compras canceladas de soja americana na semana passada pesou sobre as negociações dos futuros da oleaginosa ontem na bolsa de Chicago. Os contratos para maio caíram 2,25 centavos, a US$ 8,775 o bushel. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que, devido a cancelamentos de compras, as vendas externas de soja pelo país tiveram um saldo líquido negativo de 43,6 mil toneladas na semana encerrada em 28 de janeiro. Todo o volume é referente à atual safra 2015/16. O dado levanta preocupações a respeito da demanda internacional, que nesta época começa a se direcionar para a oferta de soja do Brasil. No mercado doméstico, o indicador Cepea/ Esalq para a soja em Paranaguá caiu 2,8%, para R$ 77,44 a saca.

Algodão: Demanda fraqueja: Os preços do algodão tombaram ontem na bolsa de Nova York diante de receios com a demanda pela pluma produzida nos EUA. Os lotes para maio encerraram a sessão em baixa de 171 pontos, a 60,70 centavos de dólar a libra-peso. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), as vendas da fibra para o exterior na semana até o dia 28 de fevereiro foram de 54,77 mil toneladas, abaixo do necessário para que se alcance o volume estimado pelo USDA para esta safra. Além disso, a piora das avaliações para a economia americana neste ano, com possibilidade de o Fed não elevar mais os juros este ano, gera receios com a demanda por artigos de vestuário. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias caiu 0,35%, para R$ 2,6154 a libra-peso.

Trigo: Vendas em baixa: O volume considerado fraco das vendas semanais de trigo dos EUA ao exterior derrubou os preços futuros do cereal ontem nas bolsas do país. Em Chicago, os lotes para maio caíram 7 centavos, a US$ 4,7675 o bushel. Em Kansas, onde se oferta o trigo de melhor qualidade, os papéis para maio caíram 8,75 centavos, a US$ 4,6975 a libra-peso. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), as vendas externas de trigo do país somaram 66,2 mil toneladas na semana encerrada em 28 de janeiro, queda de 78% em relação à semana anterior e de 74% ante a média das quatro semanas anteriores. O recente recuo do dólar, porém, pode reativar as exportações americanas, segundo analistas. No Paraná, o preço do cereal subiu 0,03% para R$ 39,58 a saca, de acordo com o Deral/Seab. (Valor Econômico 05/02/2016)