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Etanol bate recorde de vendas em 2015, mão ameniza crise no setor

Impulsionado por incentivos tributários, o etanol bateu recorde de vendas no país em 2015, ano em que o combustível foi mais usado que a gasolina em São Paulo pela primeira vez em cinco anos.

Foram vendidos pelas distribuidoras 17,86 bilhões de litros de etanol hidratado (usado diretamente nos tanques dos veículos) no país, ante 12,99 bilhões de 2014, segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).

A alta de 37,5% no total fez as vendas superarem os 16,47 bilhões de litros de 2009. Apesar da marca, o setor alega que não há condições de mercado para investir e crescer, devido à crise vivida pelas usinas de açúcar e etanol.

No mesmo período, as vendas de gasolina caíram 7,3% (de 44,36 bilhões de litros para 41,13 bilhões) e as de diesel, 4,7% (de 60 bilhões para 57,21 bilhões de litros).

MINAS GERAIS

A redução do ICMS do etanol em Minas Gerais, que passou de 19% para 14%, e a alta na tributação da gasolina (de 27% para 29%) fizeram o Estado ter a maior alta no país, de 138,8%, e elevaram a participação no total consumido no Brasil de 5,77%, em 2014, para 10%.

Também houve incremento tributário (Paraná e Mato Grosso do Sul), segundo a Udop (União dos Produtores de Bioenergia), assim como a alta da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) cobrada na gasolina, que tornaram o etanol mais competitivo.

"O ICMS menor trouxe o mercado mineiro para o consumo. Uma lei obriga postos a colocarem em local visível a relação de preços entre o etanol e a gasolina, e tivemos índices perto de 60% [até 70% o etanol é vantajoso]. Isso ajudou", disse Mário Ferreira Campos Filho, presidente da Siamig (associação das usinas de Minas).

Com isso, hoje o Estado praticamente consome todo o etanol hidratado que produz: o consumo atingiu 1,79 bilhão de litros, ante uma produção nas 37 usinas em operação de 1,9 bilhão.

QUEDA DE PREÇOS

Para Celso Torquato Junqueira Franco, presidente da Udop, especialmente no início da safra houve queda nos preços devido à crise das usinas, o que ajudou o álcool a ganhar mercado.

"Mas isso ocorreu às custas de preço baixo, que não remunera as usinas. Ganhar mercado fazendo sacrifício não ajuda muito. O que é fundamental é uma política fiscal consistente e permanente, o que ainda não ocorreu."

As usinas alegam que o recorde de vendas não é suficiente para amenizar a crise do setor, que deve cerca de R$ 80 bilhões, mais que o faturamento de todas as usinas numa safra toda.

"O setor continua não tendo o menor interesse com as condições existentes em investir e crescer. Quem tinha boas condições e sem dívidas em dólar obteve preços melhores, mas as usinas com dificuldade venderam o combustível cedo, mais barato, e verão sua situação piorar", disse Junqueira Franco.

SÃO PAULO

São Paulo foi mais uma vez, disparado, o maior mercado consumidor do álcool, seguido por Minas, que superou o Paraná.

O consumo no Estado atingiu 9,45 bilhões de litros, ou 52,91% de todas as vendas do país. É a quarta vez, desde o ano 2000, que isso ocorre, as outras foram entre 2008 e 2010, quando o combustível ainda surfava no boom que o setor teve a partir de 2005 e os usineiros eram chamados de "heróis" pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. (Folha de São Paulo 06/02/2016)

 

Açúcar: Receio global

Os contratos futuros do açúcar seguiram pressionados ontem na bolsa de Nova York, influenciados pelos receios com a economia global, pela queda do petróleo e com a rolagem de posições por parte dos fundos.

Os papéis do demerara para março recuaram 6 pontos, a 13,39 centavos de dólar a libra-peso.

Já o contrato para maio fechou o pregão com estabilidade, em 13,35 centavos de dólar por libra-peso.

As incertezas com a economia global, principalmente por conta da fraqueza da atividade nos Brics, têm gerado alta dose de cautela nos mercados globais e provocado ondas de liquidação de ativos.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,11% na sexta-feira, para R$ 82,30 a saca de 50 quilos.

No mês, o indicador acumula queda de 1,26%. (Valor Econômico 10/02/2016)

 

Mecanização e proibição de queimadas levarão à queda na produção de cana em 2016, diz IBGE

O novo ordenamento nas lavouras de cana-de-açúcar, com proibição de queimas e aumento da mecanização, deve levar a uma redução na produção este ano a despeito dos preços mais competitivos de açúcar e etanol, afirmou há pouco Carlos Barradas, gerente da Coordenação de Agropecuária do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o órgão, serão colhidas 721,389 milhões de toneladas, queda de 4,4% ante 2015.

"Em São Paulo, as lavouras estão assumindo um novo ordenamento em função da proibição da queima e do aumento da mecanização da colheita. Como a mobilização de pesadas máquinas demanda logística adicional e custosa, lavouras mais distantes e localizadas em áreas de difícil acesso tendem a não ser replantadas", explicou Barradas.

Só em São Paulo, há expectativa de queda de 6,2% na produção de cana este ano. Com isso, a colheita do Estado sai da casa das 400 milhões de toneladas, de acordo com o IBGE. Também devem ter quedas Goiás (-8,4%) e Paraná (-0,4%). (Agência Estado 05/02/2016)

 

Usinas do Brasil elevarão produção de açúcar para nível perto de recorde

As usinas do Brasil aumentarão a quantidade de cana-de-açúcar destinada à produção de açúcar na próxima safra 2016/17, o que deve elevar a fabricação do adoçante para volumes quase recordes, apontou uma pesquisa da Reuters.

Produtores na região produtora do centro-sul vão direcionar 43 por cento de uma safra de cana de mais de 600 milhões de toneladas para o açúcar, de acordo com a previsão mediana de uma sondagem junto a analistas e operadores.

Isso colocaria a produção de açúcar do centro-sul em 33,9 milhões de toneladas em 2016/17, chegando perto da marca histórica de 2013/14, de 34,4 milhões de toneladas.

As usinas destinaram ao menos de 41 por cento da cana para o açúcar na última colheita, de acordo com a mediana.

Pode ser difícil apontar o "mix" da matéria-prima na próxima safra, que vai ser observada de perto, devido às oscilações cambiais e com os preços da energia sob pressão do petróleo, cujos preços estão próximos dos níveis mais baixos em mais de uma década.

"O preço do açúcar está mais interessante que no ano passado, em dólares e certamente em reais", disse o analista Bruno Zaneti, da INTL FCStone, em Campinas (SP).

Ele estimou a parcela de cana dedicada ao açúcar entre 42 e 42,5 por cento.

O preço do açúcar bruto na ICE Futures EUA caiu para o menor nível desde setembro recentemente, com a volatilidade da taxa de câmbio real-dólar alta nas últimas semanas.

"Sabemos que a safra do Brasil vai ser grande, mas o mix ainda é um alvo em movimento", disse Michael McDougall, diretor de commodities do Société Générale em Nova York.

Os preços do açúcar devem continuar em recuperação após mínimas de sete anos registradas em 2015, segundo uma pesquisa da Reuters, com déficit global sustentando os preços. (Reuters 05/02/2016)

 

Drones viram aliados na busca por produtividade na lavoura

Nos últimos anos, o campo assistiu uma verdadeira invasão de veículos aéreos não tripulados, também conhecidos como drones (zangão, em inglês). Considerada uma tecnologia promissora até pouco tempo, os drones se tornaram uma ferramenta essencial para produtores, principalmente os que apostam na agricultura de precisão.

Operados por meio de controle por rádio, as câmeras dos zangões – antes usadas apenas para fotografar propriedades – apontam falhas nas plantações, áreas com excesso ou falta d’água e indicam onde é preciso usar mais fertilizantes. Se usado corretamente, os dados colaboram para aumentar em até 30% a produtividade, segundo estudos da Embrapa.

Isso é possível porque os drones levam transmissores que enviam imagens que são analisadas por meio de programas específicos. Modelos mais sofisticados carregam sensor infravermelho que revela em detalhes doenças, pragas e pontos de estresse hídrico e nutricional. Os aparelhos custam entre R$ 5 mil e R$ 500 mil. (Reuters 09/02/2016)

 

Produção de cana-de-açúcar da BrasilAgro cresceu 42% em 2015

A BrasilAgro informou nesta sexta-feira que a produção de cana-de-açúcar em 2015 foi de 1,03 milhão de toneladas, crescimento de cerca de 42% em relação ao ano anterior (723,6 mil t). O dado foi apresentado durante teleconferência sobre os resultados do segundo trimestre do ano safra 2015/16, realizado nesta sexta.

"A região onde produzimos cana-de-açúcar mostrou altíssimo potencial", afirmou o diretor presidente da BrasilAgro, Julio Piza, durante a conferência. A BrasilAgro produz cana-de-açúcar nos municípios de Mineiros (GO) e Alto Taquari (MT).

O executivo informou que a produtividade média nessas áreas foi de 95,3 toneladas por hectare, enquanto o ATR (açúcar total recuperável) alcançou a 137,7 quilos por tonelada. "Estamos extremamente satisfeitos. A produtividade atingida é muito acima da média nacional e do Estado de São Paulo", declarou.

Segundo Piza, os níveis de ATR que vêm sendo verificados ainda podem elevar a margem líquida, atualmente de R$ 1,9 mil por hectare. A área total de cana da empresa prevista para a atual temporada é de 10,303 mil hectares.

Piza relatou também sobre a produção de grãos da BrasilAgro. A companhia reduziu a área de plantio de soja em 7,4 mil hectares em propriedades da Bahia e do Piauí, do total de 31,203 mil hectares inicialmente previstos para a safra 2015/16 para 23,811 hectares. "O clima extremamente seco durante o plantio levou a companhia a diminuir a área cultivada com soja nesses Estados", disse Piza.

Questionado sobre os efeitos que o fenômeno climático El Niño ainda pode provocar nas lavouras da companhia, Piza afirmou que existe a possibilidade de queda na produtividade das lavouras de soja ao final da temporada. "Vemos um pequeno decréscimo na produtividade, mas se março e abril forem meses mais úmidos, podemos ter surpresa positiva e a situação pode mudar", explicou.

Piza lembrou que as alterações climáticas provocadas pelo El Niño também vêm prejudicando a cultura do milho e que a expectativa de produção menor do grão "pode ter influência importante sobre os preços" da commodity. (Agência Estado 05/02/2016)

 

Chuva renova a esperança dos fornecedores de cana de Alagoas

As chuvas que caíram nos meses de dezembro de 2015 e janeiro de 2016 na região Nordeste animaram os fornecedores de cana de Alagoas. Segundo dados da Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, já choveu mais de 400mm no Estado.

A perspectiva dos fornecedores de cana alagoanos é de que a próxima safra seja beneficiada com a quantidade de chuvas que caíram do Litoral ao Sertão, apresentando acumulado de 115% e 278% acima da média climatológica das regiões.

"Enxergamos com a perspectiva futura de que para o próximo ano a chuva está sendo excelente. Acredito que teremos uma boa safra para a cana-de-açúcar e outras culturas no nosso estado também", afirma o diretor Técnico da Asplana, Antônio Rosário.

Para a safra atual, mesmo com o índice pluviométrico acima da média registrado em Alagoas, as chuvas não afetam muito, já que a safra 15/16 já está terminando e poucas usinas ainda estão moendo a cana-de-açúcar.

Segundo Rosário, para quem vive da agricultura, esse é um bom momento, principalmente para economizar com os tratos na renovação dos hectares plantados. "Com a quantidade de chuva correta, a cana brota melhor e tem uma boa resposta para adubação, pois a água da chuva facilita a penetração no solo, além de reduzir custos e aumentar a produtividade", explica o diretor Técnico.

Recursos

O diretor Técnico atenta que, mesmo com a chuva que caiu, ainda sim é preciso adubar, mas para isso é preciso ter recurso para investir na lavoura. "O que anima mais os fornecedores de cana alagoanos é que, além das chuvas, com a liberação do financiamento das usinas, poderemos ter o pagamento em dia e investir na próxima safra de cana", destaca Rosário.

O momento é especial e o diretor Técnico da Asplana afirma que 2016 será um ano melhor. "Estamos saindo do fundo do poço com a vinda desses recursos, pois poderemos plantar mais e todos vão sair ganhando", aponta Antônio Rosário. (Asplana 09/02/2016)

 

Monsanto pagará multa de US$ 80 milhões para encerrar processo nos EUA

A americana Monsanto, maior empresa de sementes do mundo, concordou nesta terça-feira em pagar uma multa de US$ 80 milhões para encerrar as investigações nos Estados Unidos sobre violação de regras contábeis e distorção de informações financeiras referentes aos produtos de sua marca de herbicida, a Roundup.

Investigações da Securities and Exchange Comission (SEC, na sigla em inglês), órgão equivalente à CVM no Brasil, descobriram que a Monsanto lançou em 2009 um programa de incentivos por meio de descontos que tinha o objetivo de promover sua marca Roundup em uma época que o produto estava perdendo espaço no mercado para outros concorrentes que vendiam a preços mais baratos.

Segundo o órgão americano, a Monsanto não tinha controles contábeis internos suficientes sobre os descontos dados a varejistas e distribuidores e não registrou os custos desses incentivos nas vendas da Roundup divulgadas nos balanços financeiros de três anos.

A SEC não divulgou o valor dos lucros distorcidos pela empresa. A Monsanto aceitou pagar a multa estabelecida pelo órgão, mas a empresa e seus executivos continuam negando as acusações de violação. (Valor Econômico 09/02/2016)

 

Terminal da Copersucar aposta nas operações de grãos

Empresa uniu forças com a Cargill e aumentou sua demanda.

Para não ser impactado pelo atual cenário econômico, o Terminal da Copersucar no Porto de Santos, especializado no transporte e na armazenagem de açúcar, pretende manter as operações de soja e milho em suas instalações. A empresa também espera começar a contabilizar os resultados de sua união de forças com a multinacional Cargill, o que possibilitou o incremento em sua demanda e garantiu a manutenção dos níveis de produtividade.

No atual ano-safra, que terminará no próximo mês, a companhia deverá atingir 6,5 milhões de toneladas movimentadas no cais santista. O número é 60% maior do que o registrado no período anterior, quando a capacidade estática da empresa estava comprometida em razão de um incêndio que destruiu parte da instalação no complexo portuário. Reestruturada, a meta agora é atingir 8,5 milhões de toneladas.

“Em 2015, o segmento de granéis sólidos cresceu em comparação ao período anterior. Nossa operação acompanhou esse ritmo e a movimentação, complementada pela elevação de soja e milho, contribuiu para esses números no Porto de Santos”, explica o presidente da Copersucar, Paulo Roberto de Souza.

Segundo o executivo, o açúcar teve incremento principalmente em razão da consolidação da parceria com a Cargill, que resultou na abertura da companhia Alvean. Ela foi criada no final de 2014 com o intuito de atuar na comercialização e negociação de açúcar bruto e branco (refinado). Em meio à queda dos preços da commodity no mercado internacional, a firma, de acordo com Souza, colaborou para manter os índices positivos, atraindo cargas de outras zonas produtoras. O ganho não foi divulgado.

Otimismo

As expectativas são positivas para o ano, mas novos projetos no Porto não estão previstos. “O cenário de restrições que ainda persiste não diminui a confiança, embora desestimule os investimentos imediatos. Mantemos nosso otimismo em relação ao mercado global”, pondera o presidente, ao informar que não deverá realizar novas intervenções em Santos, mas, na verdade, colher “frutos dos investimentos realizados nos últimos anos”. A instalação no cais santista é considerada o principal centro logístico da empresa.

Paulo Roberto de Souza analisa que o segundo semestre de 2015 ofereceu melhores condições para o mercado de granéis sólidos e espera que a tendência se mantenha ao longo deste ano. Entre os fatores positivos, ele destaca o preço dos produtos no exterior, o câmbio (uma vez que as receitas são em dólar) e, ainda, a demanda, que registrou melhora em razão da diversificação das mercadorias trabalhadas.

Crescimento para Santos

O presidente da Copersucar também aguarda ansioso os investimentos em infraestrutura no cais santista. Ele destaca o aprofundamento do canal do estuário, que permitirá a operação de navios maiores, com maior capacidade de carga. “A manutenção da dragagem é fundamental para a nossa operação”, afirma.

Em paralelo, o executivo destaca a importância de investimentos no modal ferroviário, que, em sua avaliação, precisa ser ampliado e melhorado, justamente para aumentar seu uso - não somente pela Copersucar como por outros terminais. São condicionantes para garantir o ganho de eficiência no cais e auxiliar na retomada do crescimento da economia. (A Tribuna 05/02/2016)

 

Círculos viciosos que fizeram o dólar se valorizar pelo mundo viram desafio para os EUA

O Fed e sua presidente, Janet Yellen, poderão não só reduzir o número de altas de juros planejadas para este ano, mas até não fazer nenhuma.

O dólar está no centro de um emaranhado de círculos viciosos que está golpeando os mercados financeiros e economias no mundo todo. A situação está chegando a um ponto em que o Federal Reserve, o banco central americano, poderá ser obrigado a agir.

Mesmo depois de recuar ontem, o fortalecimento do dólar nos últimos 18 meses continua sem precedentes. Nesse período, a moeda americana avançou 21% ante o euro e 15% contra o iene. ganhos que se tornam pequenos perto das altas em relação a várias moedas de países emergentes. O dólar subiu 72% ante o real, 49% contra o rand sul-africano e 117% sobre o rublo russo.

Esses movimentos estão tornando mais difícil para as empresas americanas concorrerem globalmente em preço e reprimindo ainda mais a inflação nos Estados Unidos, num momento em que o Fed quer que ela suba. Uma valorização ainda maior do dólar pode piorar a situação e, ao mesmo tempo, intensificar pressões globais que podem colocar a economia americana em risco.

Reconhecendo isso, o Fed e sua presidente, Janet Yellen, poderão não só reduzir o número de altas de juros planejadas para este ano, mas até não fazer nenhuma. Os mercados futuros, que no começo do ano indicavam que o investidor apostava em 50% de chances de que o Fed aumentaria os juros em sua reunião de março, agora mostram uma expectativa de que o banco central vai desistir da idéia.

Entre as várias forças relacionadas que estão sustentando a alta do dólar está o desempenho da economia americana, que é melhor que o de muitas outras e tornou os EUA mais seguros para os investidores globais. O Fed elevou os juros, enquanto os outros principais bancos centrais do mundo estão estimulando suas economias. Os preços do petróleo e de outras matérias-primas caíram fortemente, colocando os países produtores de commodities em risco e prejudicando ainda mais o crescimento global.

Apesar do recuo de ontem, no qual o dólar caiu 1,7% em relação ao euro, o iene ganhou 1,7% e o real, 2,3% em meio à turbulência nos mercados globais, a tendência de alta do dólar no longo prazo está exacerbando muitas das pressões que deram impulso à moeda.

Uma manifestação disso é o volume expressivo de dívidas em dólar contraídas por empresas não financeiras fora dos EUA. Muitas firmas turcas, por exemplo, captaram muito em dólar nos últimos anos, mesmo gerando pouca receita na moeda.

A alta de 37% do dólar ante a lira turca nos últimos 18 meses tem dificultado o pagamento desses empréstimos. Essas pressões de dívida tornam o cenário econômico mais sombrio e intensificam a necessidade de dólares, o que, por sua vez, só serve para fortalecer ainda mais a moeda americana.

Produtores de commodities endividados em dólar estão sendo atingidos por um golpe duplo. O petróleo, o minério de ferro e a soja que o Brasil exporta são cotados globalmente em dólar. Então, quando o dólar se valoriza, os preços caem e os exportadores ganham menos. Combinada com a deterioração do real brasileiro, essa situação cria uma necessidade intensa de dólares que força os produtores de commodities a vender com descontos ainda maiores.

Enquanto isso, o enfraquecimento de outras moedas de países emergentes está deixando a já abatida China menos competitiva globalmente, o que está colocando ainda mais pressão nos formuladores de políticas chineses para que o yuan seja ainda mais desvalorizado.

Receios de que isso possa acontecer está elevando a pressão sobre os preços das commodities, já que um yuan mais fraco tornaria mais difícil para a China comprar matérias-primas. Isso, por sua vez, enfraqueceria mais as demais moedas à medida que os mercados de câmbio levam em conta a possibilidade de uma desvalorização do yuan.

As preocupações com o yuan estão contribuindo para uma debandada de capital da China, com chineses e estrangeiros tirando seu dinheiro do país para protegê-lo contra futuras desvalorizações. As autoridades chinesas têm liquidado títulos do Tesouro dos EUA para manter o yuan estável em meio à fuga de capital, mas, como mostra a queda dos rendimentos desses títulos neste ano, está fácil encontrar compradores para esses papéis.

Na verdade, a disponibilidade dessas notas do Tesouro americano pode ter tirado a liquidez de outros títulos de dívida em dólar, piorando uma situação que já era ruim.

Na maioria das vezes, os problemas que fortalecem o dólar estão acontecendo longe dos EUA. Mas não há como o país escapar de seu impacto adverso. A combinação de fraqueza externa e dólar forte derrubou os preços dos importados nos EUA, empurrando ainda mais para longe a meta do Fed de atingir uma inflação de 2% ao ano. E isso também está afetando a economia de outras formas: se não fosse pela expansão do déficit comercial, a alta do produto interno bruto americano no quarto trimestre teria sido 0,5 ponto percentual maior.

Embora a atuação do Fed se concentre nos EUA, essas são coisas difíceis de um banco central ignorar, e mostram como a globalização tem aumentado continuamente a exposição da economia americana ao resto do mundo.

Além disso, depois que o Banco do Japão fixou juros negativos, na semana passada, e o Banco Central Europeu sinalizou que está pronto para fornecer novos estímulos à economia em março, a divergência entre as políticas monetárias do Fed e de outros BCs aumentou. Isso ameaça dar um novo ímpeto ao avanço do dólar e justifica uma sinalização mais forte pelo Fed de que vai adiar seus planos de subir os juros.

O perigo é que isso não tenha força suficiente para segurar uma alta do dólar, nem suas consequências. Certamente não será uma panaceia para os problemas do mundo. Mas, considerando a alternativa de ficar assistindo a uma situação perigosa ficar ainda pior, o Fed pode não ter escolha. (Wall Street Journal 05/02/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Receio global: Os contratos futuros do açúcar seguiram pressionados ontem na bolsa de Nova York, influenciados pelos receios com a economia global, pela queda do petróleo e com a rolagem de posições por parte dos fundos. Os papéis do demerara para março recuaram 6 pontos, a 13,39 centavos de dólar a libra-peso. Já o contrato para maio fechou o pregão com estabilidade, em 13,35 centavos de dólar por libra-peso. As incertezas com a economia global, principalmente por conta da fraqueza da atividade nos Brics, têm gerado alta dose de cautela nos mercados globais e provocado ondas de liquidação de ativos. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,11% na sexta-feira, para R$ 82,30 a saca de 50 quilos. No mês, o indicador acumula queda de 1,26%.

 

Suco de laranja: Estabilidade na Flórida: Os preços futuros do suco de laranja cederam ontem na bolsa de Nova York depois que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) manteve pelo segundo mês seguido sua estimativa para a safra de laranja na Flórida. Os contratos do suco de laranja concentrado e congelado para entrega em maio caíram 115 pontos, para US$ 1,3240 a libra-peso. O USDA manteve sua projeção de colheita de 69 milhões de caixas de laranja na safra atual (2015/16), o que representa uma queda de 29% ante a safra passada. O órgão também reduziu sua estimativa para o rendimento industrial da laranja em 3%, para 5,51 litros para cada caixa de 40,8 quilos. No mercado interno, a laranja para a indústria ficou estável na sexta­feira a 13,76 a caixa de 40,8 quilos, segundo o Cepea/Esalq.

 

Algodão: Embarque menor: Os contratos futuros de algodão perderam força ontem em Nova York depois que o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) reduziu as estimativas de importação da pluma pela China e de exportação pelos EUA, o que deve elevar os estoques americanos ao fim da safra 2015/16. Os lotes da pluma para maio caíram 112 pontos, a 59,24 centavos de dólar por libra-peso. O órgão reduziu sua estimativa para as importações chinesas de 1,197 milhão de toneladas para 1,088 milhão de toneladas, em meio a sinais de que o país mexerá em seus estoques domésticos de algodão neste ano. O USDA reduziu a estimativa para os embarques americanos de 2,18 milhões para 2,06 milhões de toneladas. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma caiu 0,28% na sexta-feira, para R$ 2,6082 a libra-peso.

Trigo: Menos competitivo: Os preços futuros do trigo tiveram ligeiras perdas ontem nas bolsas americanas depois que o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) aumentou suas projeções de produção e traçou um cenário de perda de competitividade do cereal americano em relação ao do Canadá e o da Argentina. Em Chicago, os papéis para maio caíram 1,25 centavo, para US$ 4,6175 o bushel. Em Kansas, o mesmo contrato caiu 0,75 centavo, para US$ 4,5475 o bushel. O órgão elevou levemente para 735,77 milhões de toneladas sua estimativa para a colheita mundial, puxada sobretudo pela Argentina. Também elevou a expectativa de exportação do país sul-americano. No Paraná, o cereal ficou estável na sexta-feira, a R$ 39,58 por saca, conforme o Deral/Seab. (Valor Econômico 10/02/2016)