Setor sucroenergético

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Depois de dois anos, Biosev volta ao azul

A sucroalcooleira Biosev registrou nos últimos três meses de 2015 seu primeiro lucro líquido trimestral depois de mais de dois anos de prejuízos. No trimestre encerrado em 31 de dezembro, equivalente ao terceiro trimestre da safra 2015/16, a companhia, controlada pela francesa Louis Dreyfus Commodities, teve um resultado positivo de R$ 162,8 milhões, ante uma perda líquida de R$ 86,2 milhões obtida em igual intervalo do ciclo 2014/15. A empresa não fechava no azul desde o segundo trimestre do ciclo 2013/14 (R$ 80 milhões).

Ao Valor, o presidente da Biosev, Rui Chammas, atribuiu o lucro líquido a uma combinação de fatores, como melhorias operacionais (agrícolas e industriais), aumento dos volumes e dos preços de venda de açúcar e etanol e impacto positivo da variação cambial sobre o valor justo do ativo biológico (canaviais).

A receita líquida no terceiro trimestre do atual exercício subiu 64,1%, para R$ 1,693 bilhão, e foi embalada por preços médios de açúcar 33,5% mais elevados e de etanol 19,5% mais altos. Apenas os preços médios de venda da energia elétrica caíram no período (18,3%).

Com isso, o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado cresceu 30,8% no trimestre, para R$ 437,6 milhões. Em contrapartida, no mesmo intervalo a margem Ebitda ajustada recuou 6,6 pontos, para 25,8%. "O custo unitário subiu e houve também o pagamento de ações trabalhistas que já foram julgadas em ultima instância", explicou Chammas.

O custo unitário, detalhou o executivo, subiu 17% no trimestre, para R$ 581 por tonelada processada, como reflexo do maior custo de aquisição de cana e de outros insumos, como diesel e produtos químicos. Além disso, refletiu a continuidade da moagem de cana em algumas unidades a partir de dezembro. Nesse caso, disse Chammas, os custos deixaram de ser classificados como "manutenção de entressafra" e foram contabilizados como "custos de produção", afetando o "custo unitário". Por outro lado, houve uma compensação na linha de investimentos "manutenção de entressafra", que recuou 83,2% no trimestre, para R$ 16,7 milhões.

Apesar do resultado positivo no terceiro trimestre, no acumulado dos nove meses de 2015/16 a companhia amargou prejuízo líquido de R$ 322,3 milhões, 16,4% maior que o de igual intervalo de 2014/15. Ainda, pesa sobre o balanço da Biosev uma dívida bruta de R$ 7,3 bilhões, que, apesar de 5,4% menor em relação ao trimestre anterior, inclui um montante de R$ 2,1 bilhões com vencimento em até 12 meses. "Em torno de 70% dessa dívida de curto prazo se refere a operações de financiamento de exportação e não nos gera dificuldades de renovação", disse.

Chammas reconheceu que a elevação das taxas de juros no Brasil vem aumentando o custo financeiro da companhia. Nos nove primeiros meses do exercício 2015/16, a Biosev pagou R$ 312,9 milhões com juros de empréstimos e financiamentos, um aumento de 45,9% frente a igual intervalo da temporada anterior. "Temos uma ótima relação com os bancos credores. As negociações estão sendo feitas diretamente, sem intermediação de consultorias", afirmou. (Valor Econômico 12/02/2016)

 

Produtores de cana de São Paulo ainda não receberam pagamento da Abengoa

Alguns agricultores de São João da Boa Vista relatam que estão sem receber há quase sete meses.

Fornecedores de cana-de-açúcar na região de São João da Boa Vista (SP) ainda estão sem receber da Abengoa Bioenergia. A empresa, que opera uma usina no município, informou na semana passada ter antecipado o pagamento de suas dívidas com os parceiros. Mas os produtores, sob condição de anonimato, relataram que isso ainda não ocorreu. Um deles afirmou que o cronograma para zerar os débitos prevê o pagamento de 30% das dívidas, estimadas em R$ 500 milhões, nos próximos três meses e renegociação dos outros 70%.

O acordo entre a Abengoa Bioenergia e fornecedores ocorreu no fim de janeiro, após a empresa derrubar parcialmente a liminar relacionada ao arresto de seus bens. A companhia se comprometeu a quitar suas dívidas com os produtores a partir do dia 15 de fevereiro, mas ainda na semana passada informou que iria antecipar os pagamentos.

"Era para ter saído alguma coisa na semana passada, mas ainda não tivemos nenhuma informação a respeito. Estamos apreensivos, porque os produtores ficam em uma situação difícil", afirmou o gerente Técnico da Associação dos Fornecedores de Cana de Piracicaba (SP), José Rodolfo Penatti. Em São João da Boa Vista, existem produtores sem receber há quase sete meses.

Os problemas enfrentados pela Abengoa Bioenergia começaram em novembro do ano passado, quando pediu pré-recuperação judicial na Espanha. Com sede em Sevilha, a companhia opera, além da planta de São João da Boa Vista, uma usina em Pirassununga, também no interior paulista. Por temporada, a capacidade total de moagem supera 6 milhões de toneladas de cana.

A empresa chegou ao país em 2007 após adquirir o controle da Dedini Agro por R$ 1,3 bilhão e assumir R$ 730 milhões em dívidas. Um ano depois, houve a crise mundial de liquidez e o início da crise do setor de etanol, com o governo segurando o preço da gasolina. Em 2014, o braço sucroenergético da companhia espanhola registrou prejuízo líquido de R$ 140,9 milhões no Brasil, ante outra perda líquida de R$ 151,7 milhões em 2013. (Agência Estado 11/02/2016)

 

Lucro líquido da Bunge fica em US$ 203 milhões no quarto trimestre

A multinacional americana Bunge registrou um lucro líquido de US$ 791 milhões no ano passado, 53,6% superior aos US$ 515 milhões de 2014. Apenas no quarto trimestre, o lucro líquido ficou em US$ 203 milhões ante prejuízo de US$ 54 milhões um ano antes.

Apesar do aumento na lucratividade, as vendas caíram tanto no ano como no trimestre. Em 2015 foram US$ 43,48 bilhões ante US$ 57,16 bilhões em 2014. No último trimestre do ano passado, foram US$ 11,13 bilhões, na comparação com vendas de US$ 13,23 bilhões no mesmo período de 2014.

O Ebit (lucro antes de juros e tributos, na sigla em inglês) ficou em US$ 1,25 bilhão no ano, 30,5% mais que em 2014. No trimestre foi de US$ 294 milhões ante US$ 147 milhões um ano antes.

Na divulgação de resultados, o CEO da companhia Soren Schroder afirma que a Bunge conseguiu gerenciar as difíceis condições atuais de mercado, aumentando a presença global da empresa e capitalizando boas margens no processamento de soja. Também cita um aumento nas exportações de grãos da América do Sul. “O segmento de alimentos e ingredientes também mostrou ligeira melhoria a partir do terceiro trimestre, no entanto, nossas empresas de alimentos no Brasil continuaram a enfrentar um ambiente de mercado deprimido”.

Sobre a operação de moagem de cana, Schroder diz que o último trimestre do ano foi o mais forte, o que permitiu um Ebit positivo para a operação. O Ebit do setor no trimestre ficou em US$ 5 milhões ante prejuízo de US$ 154 milhões um ano antes.

O Ebit da divisão agronegócio foi de US$ 245 no trimestre, na comparação com US$ 314 no mesmo período de 2014. A divisão de óleos teve Ebit de US$ 16 milhões ante prejuízo de US$ 47 milhões. A área de produtos para moagem registrou US$ 15 milhões na comparação com US$ 18 milhões um ano antes. Por fim, a divisão de fertilizantes teve Ebit de US$ 13 milhões no trimestre ante US$ 16 milhões no mesmo período de 2014. (Valor Econômico 11/02/2016)

 

Cide a R$ 0,50 elevaria preço da gasolina em 10% nas bombas, diz Credit Suisse

O Credit Suisse projetou nesta sexta-feira que um aumento na Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) incidente sobre a gasolina, dos atuais R$ 0,10 para R$ 0,50 por litro, elevaria o preço do combustível fóssil na bomba em 10,1%. Como consequência, a cotação do etanol avançaria aproximadamente 12%, puxando também os valores do açúcar, dada a correlação entre o alimento e o bicombustível.

A elevação da Cide é algo demandado pelo setor sucroenergético, que visa a melhorar a competitividade do etanol ante a gasolina. O assunto também é ventilado em Brasília, pois um tributo maior ajudaria no reequilíbrio fiscal. No ano passado, um estudo feito pela cadeia produtiva de açúcar e álcool e revelado pelo Broadcast mostrou que uma Cide a R$ 0,60 geraria arrecadação de R$ 15 bilhões ara o governo.

Ainda segundo o Credit Suisse, o preço do açúcar tem tendência de alta devido à perspectiva de déficit de produção no atual ciclo. Em 2016, a cotação média da commodity na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) deve ficar entre R$ 14 centavos e 15 centavos de dólar por libra-peso. No longo prazo, deve chegar a 16 centavos de dólar por libra-peso, projetou o banco. (Agência Estado 11/02/2016)

 

Açúcar: Sob forte pressão

Um conjunto de fatores de fundamento, macroeconômicos e técnicos fez com o açúcar caísse ontem na bolsa de Nova York.

Os lotes do demerara para maio caíram 31 pontos, a 13,02 centavos de dólar a libra-peso.

Um movimento de aversão ao risco por causa de incertezas com o crescimento econômico global fez com que muitos investidores liquidassem posições também no mercado de açúcar.

Além disso, a produção de 97 mil toneladas de açúcar no Centro-Sul do Brasil na segunda quinzena de janeiro, reportada ontem pela União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica), ante 14 mil toneladas na mesma quinzena de 2015, também pressionou as cotações.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo recuou 0,26%, para R$ 81,81 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 12/02/2016)

 

Com usina mais flexível, preços do açúcar caem em São Paulo

Os preços do açúcar cristal estão em queda no mercado spot paulista desde o final de janeiro. Agentes de usinas baixaram os valores de suas ofertas em meio à demanda doméstica enfraquecida. Apesar de um maior volume de açúcar já estar comprometido por meio de contratos, algumas usinas têm liquidado as quantidades adicionais em estoque, já que pretendem iniciar a moagem da nova safra (2016/17) na segunda quinzena de março. Na sexta-feira, 5, o Indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal cor Icumsa entre 130 e 180, mercado paulista, fechou a R$ 82,30/saca de 50 kg, baixa de 1,26% em relação à sexta-feira anterior, 29 de janeiro.

Outro fator que influenciou o recuo interno foi a desvalorização do açúcar demerara na Bolsa de Nova York (ICE Futures). No acumulado das últimas duas semanas (de 22 de janeiro a 5 de fevereiro), o contrato nº 11 de açúcar demerara (Março/16) caiu 8%, pressionado pela fraca demanda mundial e por liquidações de posições compradas.

Já no acumulado da última semana (de 29 de janeiro a 5 de fevereiro), as cotações de Nova York tiveram suporte da valorização do Real frente ao dólar – no período, o contrato nº 11 de açúcar demerara (Março/16) na ICE Futures subiu 1%, fechando a 13,27 centavos de dólar por libra-peso no dia 5. Em Londres (Euronext Liffe), o contrato de açúcar refinado com vencimento em Março/16 recuou 2,7% de sexta a sexta, fechando a semana a US$ 396,00/tonelada.

Com relação à paridade, de 1º a 5 de fevereiro, as vendas de açúcar cristal no spot paulista remuneraram 14,35% a mais que as externas. Enquanto a média semanal do Indicador de Açúcar Cristal Cepea/Esalq foi de R$ 82,48/sc, as cotações do contrato nº 11 da ICE Futures, com vencimento em Março/16, equivaleriam a R$ 72,13/sc. Para esse cálculo, foram consideradas as médias semanais de US$ 48,05/t de fobização, de US$ 103,00/t de prêmio de qualidade e dólar de R$ 3,9356.

O Indicador de Açúcar Cristal Esalq/BVMF referente ao produto posto no porto de Santos ou com custos equivalentes, sem impostos, cor Icumsa máxima de 150, que inclui vendas domésticas e para exportação, caiu 2,4% na semana, fechando a sexta-feira a R$ 80,56/saca 50 kg.

No mercado atacadista do estado de São Paulo, o Indicador de Cristal Empacotado fechou a R$ 9,3029/saca de 5 kg na sexta-feira, baixa de 1,32% sobre a sexta anterior. Já o açúcar refinado amorfo fechou a R$ 2,2174/saca de 1 kg, alta de 0,32% no mesmo período.

No Nordeste, as negociações no spot estão lentas e os preços, estáveis. Algumas usinas estão fora do mercado e aguardam aumento nos valores para voltar a ofertar, enquanto outras já encerraram os estoques e devem voltar a ofertar apenas na próxima safra.

No mercado de etanol, o indicador semanal Cepea/Esalq do anidro combustível subiu 1,63% e o hidratado, 2% em relação à semana anterior. Frente ao açúcar cristal, que acumulou queda de 1,26% entre as duas sextas-feiras, cálculos do Cepea mostram que o açúcar remunerou 31,65% a mais que o anidro e 37,14% a mais que o hidratado. (Agência Estado 11/02/2016)

 

Vendas de etanol hidratado caem 10,5% em janeiro

As vendas no mercado interno de etanol hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos, feitas pelas usinas do Centro-Sul às distribuidoras foram em janeiro de 1,260 bilhão de litros, uma queda de 10,5% em relação aos 1,409 bilhão de litros vendidos no mês anterior (dezembro). Na comparação com janeiro de 2015, a retração foi de 2,77%, conforme dados divulgados hoje pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

Desde o início da safra 2015/16, em abril, até 1º de fevereiro, foram vendidos pelas usinas no mercado interno 15,148 bilhões de litros de hidratado, 32,7% acima dos 11,4 bilhões de litros do registrado em igual intervalo de 2014/15.

As vendas de anidro, que é misturado à gasolina, também caíram no mercado interno em janeiro na comparação com dezembro de 2015. Segundo a Unica, as usinas do Centro-Sul venderam às distribuidoras no mês passado 832 milhões de litros desse tipo de etanol, 11,11% de queda em relação aos 936 milhões de litros comercializados no mês anterior. Na comparação com janeiro de 2015, houve um aumento de 2,8%.

Ao todo, as usinas do Centro-Sul venderam em janeiro às distribuidoras 2,21 bilhões de litros de etanol (anidro e hidratado), queda de 12,4% frente ao mês anterior (dezembro) e alta de 1,19% frente a janeiro de 2015.

Desse total, 117,08 milhões de litros foram direcionados para exportação e 2,09 bilhões de litros ao mercado interno.

A Unica também divulgou hoje a moagem de cana no Centro-Sul na segunda quinzena de janeiro. Conforme a entidade, foram 3,9 milhões de toneladas, um aumento de 379% frente a igual intervalo do ano passado. No mês passado, 39 usinas de cana estavam em operação no Centro-Sul. Esse número deve cair para 32 plantas na primeira quinzena de fevereiro, conforme a Única. (Valor Econômico 11/02/2016 às 15h: 39m)

 

Tereos Internacional tem lucro de R$ 59 milhões no 3º trimestre fiscal

A Tereos Internacional, companhia com operações em cana-de-açúcar e amidos no Brasil e na Europa, registrou lucro líquido de R$ 59 milhões no trimestre encerrado em dezembro de 2015 (equivalente ao terceiro trimestre do ano fiscal 2015/16 da companhia), ante lucro líquido de R$ 1 milhão em igual trimestre do ano anterior, conforme demonstrações financeiras consolidadas divulgadas nesta quinta-feira. O lucro líquido considerado é o atribuído aos sócios da empresa controladora, base para a distribuição de dividendos.

De acordo com a demonstração de resultados, disponível no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a receita líquida da empresa foi de R$ 2,995 bilhões no terceiro trimestre fiscal, ante R$ 2,144 bilhões um ano antes, em alta de 39,6%.

O custo de vendas da companhia no terceiro trimestre fiscal foi de R$ 2,429 bilhões, ante R$ 1,772 bilhão no mesmo trimestre do ano anterior, uma alta de 37,0%.

O lucro operacional da companhia no terceiro trimestre fiscal subiu 141%, para R$ 176 milhões, ante lucro operacional de R$ 73 milhões no mesmo período do ano anterior.

A Tereos registrou despesa financeira líquida de R$ 62 milhões no terceiro trimestre fiscal, ante R$ 103 milhões no mesmo período do ano anterior, um recuo de 39,8% na despesa financeira líquida.

Já o Ebitda ajustado da companhia avançou 62,8% na comparação anual, para R$ 471 milhões no terceiro trimestre fiscal 2015/16, registrando uma margem Ebitda de 15,7%. (Valor Econômico 11/02/2016 às 22h: 51m)

 

Centro-Sul eleva moagem de cana com tempo seco favorecendo usinas em dificuldades

As usinas de açúcar e etanol do centro-sul do Brasil voltaram a acelerar os trabalhos de moagem na segunda quinzena de janeiro, com um tempo mais seco favorecendo as atividades de unidades em dificuldades financeiras que buscam operar nesta época de entressafra para gerar caixa.

O processamento de cana na segunda metade do mês passado atingiu 3,93 milhões de toneladas, um volume relativamente baixo na comparação com os meses de pico de safra, mas 115 por cento acima da quinzena anterior e 380 por cento acima do mesmo período no ano passado, informou a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) nesta quinta-feira.

Com o prolongamento dos trabalhos, o centro-sul deverá moer um volume recorde de cana de mais de 600 milhões de toneladas na safra 2015/16 (abril/março).

Até o final de janeiro, a moagem havia somado 599,9 milhões de toneladas, alta de 5,2 por cento ante o mesmo período da temporada anterior.

"Essa situação desse primeiro trimestre não é típica, reflete a situação financeira das usinas, e particularmente das usinas que estão moendo", comentou o consultor Júlio Maria Borges, da Job Economia, ressaltando que as empresas que operam nesta época de custos mais altos o fazem porque não têm outra alternativa para gerar caixa.

Ele observou também que a segunda quinzena de janeiro foi mais seca, e isso favoreceu as unidades que estão em operação.

"O começo de fevereiro está tendo chuvas alternadas com sol, não é tão bom quanto a segunda quinzena de janeiro, mas permite a moagem", acrescentou.

O analista, no entanto, avalia que essa condição não deverá alterar significativamente os números finais da safra 15/16.

A Unica ressaltou em nota nesta quinta-feira que, seguindo orientação do Ministério da Agricultura, a produção realizada pelas unidades produtoras até 31 de março de 2016 será contabilizada nos dados da safra 2015/16.

Do ponto de vista econômico, não é recomendável moer cana nesta época porque o custo é mais alto pelo baixo rendimento industrial da cana, além de a colheita ser mais cara.

Segundo a Unica, 39 unidades produtoras estavam em atividade na segunda quinzena de janeiro. No início de janeiro, havia 56 usinas operando.

Até o final de janeiro, as usinas do centro-sul haviam produzido 30,7 milhões de toneladas de açúcar no acumulado da safra 15/16, queda de 4 por cento ante o mesmo período do ano anterior, com o setor privilegiando a fabricação de etanol, que cresceu 5,4 por cento no mesmo período, para 27,4 bilhões de litros.

VENDAS DE HIDRATADO EM QUEDA

As vendas de etanol pelas unidades produtoras da região Centro-Sul em janeiro somaram 2,21 bilhões de litros, com 117,08 milhões de litros direcionados para exportação e 2,09 bilhões de litros ao mercado interno, segundo a Unica, que reportou recuo nas vendas de hidratado pela primeira vez na safra, em meio a preços mais altos na bomba.

O volume de etanol hidratado comercializado pelas usinas atingiu 1,26 bilhão de litros em janeiro, ante 1,3 bilhão de litros no mesmo período da safra anterior.

As vendas de etanol anidro (misturado à gasolina), por sua vez, totalizaram 832,05 milhões de litros em janeiro, ante 809,81 milhões de litros verificados no mesmo mês de 2015. (Reuters 11/02/2016)

 

Mesmo com crise, commodities sustentam balança

As commodities continuam salvando a balança comercial brasileira. Pelo menos em volume, uma vez que os preços médios mantêm queda no mercado internacional.

O milho dá ritmo aos portos brasileiros. As exportações médias diárias do cereal atingem 404 mil toneladas neste mês.

Os dados são da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) e apontam que, se for mantido esse ritmo diário até o final de mês, as exportações do cereal poderão superar os 7 milhões de toneladas.

Em dezembro, até então o mês de maior volume exportado, a saída do cereal foi de 6,3 milhões de toneladas.

Câmbio favorável e queda de preços do produto no mercado internacional têm trazido vários importadores para o Brasil, principalmente da Ásia.

Os países dessa região compraram 2,8 milhões de toneladas do cereal brasileiro no mês passado, 33% mais do que em igual período de 2015.

Líder nas importações, o Japão adquiriu 868 mil toneladas, seguido do Vietnã, que comprou 672 mil toneladas.

O ritmo de exportação de 404 mil toneladas por dia útil poderá não se confirmar até o final de mês.

Mesmo assim, esse período se destacará em relação ao de fevereiro de 2015. As exportações atuais já somam 2 milhões de toneladas, 83% mais do que as de todo o mês de fevereiro de 2015.

O setor de carnes é outro de destaque neste mês. Os embarques diários de carne suína superam em 88% o de igual período do ano passado, enquanto os de carnes bovina e de frango sobem 37% e 5%, respectivamente.

O Brasil está embarcando mais carnes, mas o valor recebido pelo produto continua caindo. Em relação há um ano, os preços médios da carne suína caíram 32%, enquanto as bovina e de frango recuaram 6% e 14%.

O ritmo das exportações deste mês indicam, também, forte evolução para açúcar, suco de laranja, celulose e algodão.

O embarque médio de açúcar bruto deste mês é 255% superior à média diária registrada em fevereiro de 2015.

MOAGEM DE CANA ATINGE 600 MILHÕES DE TONELADAS

A moagem de cana atingiu 600 milhões de toneladas na região centro-sul, 5% mais do que na anterior.

Os dados são da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), que ainda registra atividades em 39 usinas.

Até o final do mês passado, a produção acumulada de açúcar somava 30,7 milhões de toneladas, com recuo de 4%. Já a de etanol subiu para 27,4 bilhões de litros, 5,4% mais.

As vendas de etanol pelas usinas somaram 2,2 bilhões de litros, o menor volume mensal desde o início da safra 2015/16, em abril do ano passado.

O volume total comercializado pelas unidades produtoras nesta safra, no entanto, somam 25,1 bilhões de litros, 21% mais do que em igual período anterior.

NOTAS

Bunge A multinacional teve lucro líquido de US$ 203 milhões no quarto trimestre do ano passado. Durante 2015, o lucro líquido somou US$ 791 milhões, ante US$ 515 milhões em 2014.

Faturamento As vendas líquidas, que haviam atingido US$ 57,2 bilhões em 2014, recuaram para US$ 43,5 bilhões no ano passado, segundo balanço divulgado pela empresa. (Folha de São Paulo 12/02/2016)

 

Mosaic procura compras de barganha enquanto setor de fertilizantes está em baixa

A produtora de fertilizantes norte-americana Mosaic, em dificuldade devido aos preços e lucros em queda, está procurando aquisições a preços baixos em um fraco setor de commodities.

A maior fabricante de produtos fosfatados finalizados estimou nesta quinta-feira preços de vendas mais baixos para potássio e fosfato no atual trimestre. A empresa de Plymouth, Minnesota, também divulgou uma queda menor que o esperado no lucro do quarto trimestre e anunciou um programa de recompra de ações no valor de 75 milhões de dólares.

O presidente-executivo Joc O'Rourke disse que a empresa está interessada em aquisições em potássio ou fosfato, mas consideraria quaisquer oportunidades.

"A parte de baixo do ciclo (das commodities) apresenta oportunidades", disse o diretor financeiro Rich Mack em uma conferência com analistas. "Se houver algo extremamente atrativo, é algo em que podemos agir."

O lucro dos produtores de fertilizantes tem sido atingido por preços em queda, amplamente devido à fraqueza das moedas em países como o Brasil e preços baixos dos grãos.

A fraqueza das moedas ante o dólar diminuiu os custos de produção em 17 por cento no Canadá, onde as maiores minas de potássio da Mosaic estão localizadas, mas as economias somam 41 por cento em Belarus, onde a rival de potássio Belaruskali opera, disse a Mosaic.

A Mosaic projetou embarques globais de fosfato em 2016 em 65 milhões de toneladas a 67 milhões de toneladas, uma alta ante os 64,4 milhões de toneladas do ano passado, de acordo com o BMO Nesbitt Burns. As vendas de potássio parecem levemente menores este ano, entre 58 milhões de toneladas a 60 milhões de toneladas, uma queda ante os 60,7 milhões de toneladas de 2015. (Reuters 11/02/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Sob forte pressão: Um conjunto de fatores de fundamento, macroeconômicos e técnicos fez com o açúcar caísse ontem na bolsa de Nova York. Os lotes do demerara para maio caíram 31 pontos, a 13,02 centavos de dólar a libra-peso. Um movimento de aversão ao risco por causa de incertezas com o crescimento econômico global fez com que muitos investidores liquidassem posições também no mercado de açúcar. Além disso, a produção de 97 mil toneladas de açúcar no Centro-Sul do Brasil na segunda quinzena de janeiro, reportada ontem pela União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica), ante 14 mil toneladas na mesma quinzena de 2015, também pressionou as cotações. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo recuou 0,26%, para R$ 81,81 a saca de 50 quilos.

Cacau: Abalo financeiro: A onda de aversão ao risco que abalou os mercados financeiros ontem afetou os preços do cacau na bolsa de Nova York. Os papéis para maio fecharam a US$ 2.800 a tonelada, queda de US$ 54. A liquidação em massa de ativos acabou desviando o foco dos investidores de avaliações mais pessimistas para a produção do oeste da África. O banco Commerzbank estimou que a safra de Gana em 2015/16 ficará em 750 mil toneladas. O volume é menor que a estimativa inicial, de 900 mil toneladas, mas próximo das 740 mil toneladas da safra passada. O banco cita os ventos Harmattan, que apesar de sazonais, estão mais fortes este ano e devem afetar a safra intermediária. Em Ilhéus e Itabuna, o preço subiu R$ 1, para R$ 138 a arroba, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Soja: Vendas dos EUA: Na contramão das demais commodities e ativos financeiros, os preços futuros da soja subiram de forma moderada ontem na bolsa de Chicago, impulsionados pelo aumento expressivo das vendas semanais do grão dos Estados Unidos ao exterior. Os contratos para maio subiram 10,75 centavos, a US$ 8,7775 o bushel. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), as negociações dos exportadores com compradores internacionais resultaram na venda de 666,8 mil toneladas na semana entre 29 de janeiro e 4 de fevereiro, referentes à safra atual, 2015/16. Na semana imediatamente anterior, o saldo havia sido negativo em 43,6 mil toneladas. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq do Paraná subiu 0,89%, a R$ 72,68 a saca.

Trigo: Efeito Rússia: Apesar do aumento expressivo das vendas semanais americanas de trigo, os contratos futuros do cereal registraram desvalorização ontem nas bolsas americanas. Em Chicago, o contrato para maio caiu 1,5 centavo, a US$ 4,635 o bushel. Em Kansas, onde se negocia o cereal de melhor qualidade, o mesmo vencimento recuou 0,5 centavo, a US$ 4,5375 o bushel. A queda refletiu receios com o desempenho da economia global que geraram uma onda de aversão ao risco nos mercados financeiros e de commodities. Mas os fundamentos também contribuíram. A Rússia sinalizou que pode reavaliar a taxa para as exportações em um período curto de tempo. No mercado do Paraná, a saca do cereal do tipo pão foi negociada ontem em queda de 0,96%, a R$ 39,20, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 12/02/2016)