Setor sucroenergético

Notícias

Lucro da Raízen mais que triplica no terceiro trimestre do ano-safra

A Raízen, companhia energética controlada indiretamente pela Cosan, registrou um lucro líquido atribuível a acionistas controladores de R$ 1,06 bilhão no terceiro trimestre do ano-safra 2016, equivalente ao quarto trimestre do ano calendário de 2015, num avanço de 238% em relação a igual período do ano-safra anterior.

O resultado considera os dados consolidados e combinados de Raízen Energia e Raízen Combustíveis.

A receita operacional líquida somou R$ 20,22 bilhões no trimestre, avanço de 19%. Os lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) avançaram 71% no período, para R$ 2,19 bilhões. E o Ebitda ajustado consolidado foi de R$ 1,9 bilhão, num incremento de 38% na comparação anual.

Para a Raízen Energia, o Ebitda ajustado no trimestre, excluídos os efeitos da variação do ativo biológico e de contabilidade de hedge, somou R$ 1,1 bilhão, 50% superior ao ano-safra de 2015. Os resultados foram impulsionados pelo maior volume de venda de etanol (com alta de 25%) e pelos melhores preços de produtos vendidos, que também foram impactados pela maior taxa de câmbio no período.

No período, o Ebitda ajustado da Raízen Combustíveiscresceu 23%. “As vendas continuam impactadas pela desaceleração econômica do país, com queda de 5% no trimestre, mas os volumes vendidos da Raízen (com queda de 1%) sofreram menos que a média de mercado”, observou a companhia.

Nos três meses findos em dezembro de 2015, os investimentos consolidados da Raízen somaram R$ 581,8 milhões, recuo de 19,1% em relação ao ano anterior. A dívida líquida da companhia chegou ao fim do trimestre em R$ 9,07 bilhões, alta de 5,3% na base anual.

A controladora Cosan divulga seus resultados trimestrais em 18 de fevereiro, após o fechamento do mercado. (Valor Econômico 12/02/2016 às 21h: 18m)

 

São Martinho encerra oficialmente joint venture com Amyris Brasil

O Grupo São Martinho comunicou nesta sexta-feira, 12, por meio de fato relevante, que vendeu a totalidade de sua participação acionária na SMA Indústria Química para a Amyris Brasil. A conclusão do negócio só foi possível após a aprovação da operação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Com isso, ocorre o encerramento da joint venture criada entre as empresas, que visava à construção de uma planta de produtos químicos renováveis a partir do composto farneseno, produzido pela Amyris. (Agência Estado 15/02/2016)

 

Biosev inicia discussão com credores sobre dívidas de R$ 3 bi

A Biosev já iniciou a discussão com credores para renegociar e tentar alongar R$ 3,035 bilhões em dívidas com vencimento em 2017/2018, valor que corresponde a quase 42% do total do endividamento bruto de R$ 7,252 bilhões da companhia, braço sucroenergético da Louis Dreyfus Commodities (LDC), relatado em dezembro de 2015.

"A concentração dos vencimentos é a partir de junho de 2017 e temos um ano e meio para renovações. Mas já iniciamos discussões com credores, que estão disponíveis para concretizar renovação", disse Paulo Pregnolato, diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Biosev, durante a conferência de resultados do terceiro trimestre de 2015/2016 da companhia. "A Biosev segue concentrada na gestão para reduzir o endividamento", ratificou.

Ao fim do terceiro trimestre de 2015/2016, a Biosev conseguiu reduzir em 5,4% o endividamento bruto ante o segundo semestre, com queda de 7,4% nas dívidas de curto prazo e de 4,6% nas de longo prazo. Já a dívida líquida ajustada caiu 3,1% entre os períodos, para R$ 5,05 bilhões.

Em balanço trimestral, a companhia relatou lucro líquido de R$ 162,80 milhões no terceiro trimestre do ano-safra, ante prejuízo de R$ 86,24 milhões em igual período de 2014/2015. No acumulado de 2015/2016, iniciado em abril do ano passado, a companhia ainda relata prejuízo de R$ 322,32 milhões, alta de 16,4% sobre igual período da safra anterior. (Agência Estado 12/02/2016)

 

Lucro da São Martinho cresceu 42% no 3º trimestre

A estratégia do grupo sucroalcooleiro São Martinho de segurar as vendas de açúcar e etanol no segundo trimestre da safra 2015/16 (equivalente ao terceiro trimestre do ano passado) impulsionou os resultados da empresa no terceiro trimestre do ano-safra (quarto trimestre de 2015). No período, a São Martinho teve um lucro líquido de R$ 76 milhões, alta de 42% sobre os R$ 53,5 milhões obtidos no terceiro trimestre de 2014/15.

"Com nossa estratégia de 'carry' para vendas mais concentradas na segunda parte da safra, conseguimos pegar preços positivos de açúcar e etanol", afirmou o presidente da São Martinho, Fábio Venturelli.

Impulsionadas pelo maior volume de venda e pelos preços mais altos dos seus dois principais produtos, a São Martinho reportou uma receita líquida de R$ 852,6 milhões no terceiro trimestre da temporada 2015/16, avanço de 43,5% sobre os R$ 594,1 milhões registrados em igual período da safra anterior.

Na mesma base de comparação, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado da São Martinho cresceu 43,2%, de R$ 287,6 milhões para R$ 411,9 milhões.

Apesar disso, a margem Ebitda da empresa ficou praticamente estável na comparação entre os terceiro trimestre das safras 2014/15 e 2015/16, caindo 0,1 ponto percentual, para 48,3%. Segundo o diretor-financeiro e de relações com investidores da São Martinho, Felipe Vicchiato, a margem só não aumentou devido à forte retração dos preços da energia elétrica vendida no mercado "spot".

"A energia elétrica estava a R$ 700 o MWh no terceiro trimestre de 2014/15", lembrou. Agora, o preço está mais próximo de R$ 70 por MWh, disse Vicchiato. A São Martinho produz energia elétrica a partir do bagaço da cana. No terceiro trimestre da safra 2015/16, as vendas de energia somaram R$ 50 milhões. (Valor Econômico 15/02/2016)

 

Açúcar: Rolagem de posições

Os traders do mercado futuro de açúcar terminaram de realizar a rolagem de posições na bolsa de Nova York com o vencimento do contrato de março.

Com isso, os contratos para maio, que passaram a ser o de maior liquidez, fecharam com alta de 10 pontos, a 13,12 centavos de dólar a libra-peso.

Os analistas calculam que serão entregues entre 200 mil e 300 mil toneladas de açúcar, sendo a América Central a principal origem.

Nick Penney, da Sucden Financial, estima que 300 mil toneladas tenham sido entregues, conforme dados de contratos em aberto na ICE. Outro trader estimava entre 200 mil e 250 mil toneladas, principalmente da Guatemala.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal em São Paulo teve queda de 0,27%, para R$ 81,59 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 15/02/2016)

 

Química 'verde' pode perder força

Com o barril de petróleo cotado a US$ 30 ou abaixo disso, projetos petroquímicos baseados em fontes renováveis devem ser revistos.

O preço do petróleo em um patamar próximo a US$ 30 por barril – ou abaixo disso – tem influência nos próximos anos não apenas nas estratégias de negócios das petroleiras, mas também em setores intensivos no uso da commodity e seus derivados, bem como em fornecedores da cadeia. O impacto é direto na área de pesquisa e desenvolvimento de energias alternativas, a despeito de o mundo mirar avanços rumo à sustentabilidade propostos na 21.ª Conferência do Clima (COP 21) no ano passado.

Beneficiada pelo petróleo desvalorizado, a indústria petroquímica pode ser obrigada a repensar o avanço em direção à produção a partir de fontes renováveis. “A química verde não compete com o petróleo a US$ 30 o barril”, diz o diretor da consultoria MaxiQuim, Otávio Carvalho. Embora a produção renovável tenha apelo em nichos de mercado, o especialista destaca que, de maneira geral, “ninguém paga uma passagem mais cara porque o combustível da aeronave é verde”.

Por isso, a percepção de Carvalho é de que o fim da era do petróleo só ocorrerá quando a química verde ou outra fonte renovável for mais econômica que o petróleo. Mais do que isso, o especialista avalia que, se for vislumbrado um cenário em que petróleo permaneça baixo por muito tempo, “dentro de dois ou três anos, voltará a haver análises sobre investimentos em nafta, o que não ocorria desde o início dos anos 2000, na Arábia Saudita, quando esse derivado de petróleo era subsidiado”, relembra Carvalho.

Competitividade. Desde então, os principais projetos do mundo foram idealizados a partir da exploração do gás natural.

“Havia uma grande diferença de custo entre quem utilizava o gás natural e quem usava a nafta, e a margem do gás foi muito favorável durante algum tempo. Na medida em que o preço do petróleo cai, a diferença de preço relativo muda e as margens entre nafta e gás hoje são mais próximas”, comenta Carvalho. Como a química nacional tem a nafta como principal insumo, a nova relação de preços entre o petróleo e o gás torna a indústria nacional mais competitiva.

Os balanços da Braskem, única grande petroquímica brasileira, são mostra disso. A receita líquida da companhia entre janeiro e setembro de 2015 cresceu apenas 2%, para R$ 34,9 bilhões, porém o lucro saltou 265% em igual período, para R$ 2,7 bilhões. O número supera o lucro de R$ 2,1 bilhões acumulado pela Petrobrás, uma das controladoras da Braskem, no mesmo período.

Mesmo assim, a Braskem confronta a avaliação de que o desenvolvimento de tecnologia e processos para uma economia sustentável será interrompido. A empresa afirma que a estratégia de apostar na química verde “está mantida”.

O esperado avanço na produção de resinas termoplásticas a partir da cana de açúcar, contudo, pouco se assemelhou ao que se vislumbrava no início desta década, após o início da produção de “polietileno verde”. A expectativa da Braskem de viabilizar novas linhas de produção “verde” não saiu do papel, assim como projetos idealizados pela norte-americana Dow Chemical e pela belga Solvay, todos com base na utilização da cana de açúcar.

Carros

Na indústria automobilística, a disposição também é de manter os investimentos no desenvolvimento de energias renováveis no mesmo ritmo, segundo o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, Luiz Moan. Há anos o setor empenha esforços para colocar no mercado carros elétricos, que possam competir com os modelos movidos a combustão. Mas o fato é que, hoje, a maioria das empresas não se arrisca mais a fazer previsões de quando esse objetivo será alcançado.

“Havia, entre as montadoras, uma onda de inovação que pode perder força, não só pela queda do preço do petróleo, mas também por causa da demanda por veículos enfraquecida no Brasil”, analisa o economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Rafael Cagnin. Ele concorda, no entanto, que o movimento em direção às energias (O Estado de São Paulo 14/02/2016)

 

País aposta em fontes renováveis

Para especialistas, produção de energia eólica, solar e de biomassa deve continuar em alta, mesmo com o preço do petróleo em queda.

As chamadas novas fontes renováveis de energia, formadas por usinas eólicas, solares e de biomassa, foram as que mais cresceram nos últimos anos no Brasil. Entre 2005 e 2014, a produção desse tipo de energia aumentou 146%, enquanto as hídricas avançaram 10%; o petróleo, 38%; e o gás natural, 80%, segundo o Balanço Energético Nacional 2015 (BEN).

Embora ainda tenham uma participação pequena na matriz energética, elas vão reforçar as medidas do governo para que o País consiga atingir as metas de redução das emissões de gases do efeito estufa definidas na 21.ª Conferência do Clima (COP 21), ocorrida em dezembro, em Paris. O objetivo do Brasil é reduzir as emissões em 37% até 2025 e em 43% até 2030.

Para isso, o governo pretende elevar a participação das novas fontes renováveis de 9%, em 2014, para 24% da produção de energia elétrica do País até 2030, diz o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim. “Hoje, a média dessas novas energias renováveis na matriz mundial está em torno de 6%. É claro que alguns países têm participação maior, como a Alemanha (13,4%).”

Na opinião de Tolmasquim, o Brasil vai continuar mantendo sua posição de liderança na produção de energia limpa nos próximos anos. E isso deve ocorrer a despeito da queda dos preços do petróleo e mesmo com a perspectiva de que o barril não volte aos patamares de US$ 100.

O País tem uma matriz energética invejável comparada ao resto do mundo. Pelos dados do Balanço Energético Nacional, cerca de 40% da oferta interna de energia vem de fontes renováveis – que incluem a energia hidrelétrica e o etanol – e 60% de combustíveis fósseis. No mundo, a média de uso de energia limpa era de apenas 13,8% em 2013, último dado da Agência Internacional de Energia.

Os números brasileiros já foram melhores. Em 2009, por exemplo, 46,8% da oferta de energia no País era renovável. Tolmasquim explica que a queda é reflexo da crise hídrica que assolou o País nos últimos anos e exigiu a produção de energia elétrica de óleo combustível e diesel. “O Brasil é privilegiado. Tem água em abundância, vento forte e sol o ano todo”, afirma o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires.

Segundo ele, a energia eólica e a solar vão crescer muito nos próximos anos e exigir estudos avançados em novas tecnologias. Como são fontes intermitentes, que estão sujeitas às intempéries da natureza, elas não conseguem garantir um volume de produção o tempo todo. Por isso, o mundo vem apostando em estudos para o desenvolvimento de baterias que consigam armazenar a energia produzida por essas novas fontes renováveis.

“Algumas empresas têm estudos aprofundados. Mas, por enquanto, elas são muito caras”, destaca o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), José Goldemberg, um dos principais cientistas brasileiros especializados em energia. Ele explica que as baterias são as mesmas que são usadas para os carros elétricos, mas com mais capacidade. “Para se ter uma idéia do custo, as baterias usadas nos carros custam mais de US$ 20 mil, quase metade do valor do carro.”

Na avaliação dele, enquanto essas inovações continuam no papel, o Brasil deveria voltar a investir nas hidrelétricas com reservatórios, que acumulam água e, portanto, armazenam energia. Como os novos potenciais hidrelétricos estão localizados na Amazônia, a pressão ambiental em cima das hidrelétricas tem tornado inviável a construção de usinas com represas. Isso diminuiu a capacidade de armazenamento de água e deixou o País mais vulnerável às condições climáticas.

Na opinião de especialistas, as usinas eólicas devem ser usadas como complemento. No período de seca no Sudeste, as eólicas produzem mais no Nordeste. Mas é preciso ter usinas de reserva para o caso de o vento diminuir e reduzir a geração de energia.

Enquanto persistem as discussões sobre como armazenar a energia, a eólica continua tendo forte expansão e tem recebido vultosos investimentos. Foram R$ 22 bilhões em 2015 e, para este ano, a expectativa é aplicar outros R$ 25 bilhões. Segundo a presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica, Elbia Gannoum, em 2015 o setor cresceu 35% comparado com 2014 e colocou o País na 10.ª posição no ranking dos maiores produtores do mundo.

Solar. A energia solar está num estágio atrás da eólica, mas tem atraído investidores. Com a realização de leilões específicos para a fonte, o Brasil conseguiu dar o pontapé inicial na ampliação da fonte renovável, que ainda é incipiente – em 2014, o País tinha apenas 15 megawatt (MW) de energia solar instalada. Nos leilões, entretanto, foram contratados mais de 2,5 mil MW.

Maurício Tolmasquim diz que o planejamento da matriz energética brasileira inclui ainda a ampliação da produção de etanol. Apesar da crise que abalou o setor e fechou várias usinas, ele diz que a previsão é ampliar a fatia do produto de 38% para 49% entre os combustíveis até 2030.

Além das renováveis, uma fonte fóssil, mas menos poluente que o petróleo, deve ganhar espaço na matriz energética mundial, diz Pires. Para ele, o gás natural será o combustível da transição de uma economia suja para uma mais limpa. (O Estado de São Paulo 14/02/2016)

 

Mercado de fertilizantes do Brasil terá dificuldade para crescer em 2016, diz Yara

A recuperação das vendas de fertilizantes no país não deverá ocorrer no curto prazo, após uma retração em 2015, com as dificuldades dos produtores em obter crédito limitando eventuais ganhos com o crescimento da safra de grãos, disse nesta sexta-feira um dos vice-presidentes globais norueguesa Yara, maior empresa de fertilizantes do Brasil.

"Trabalhamos de forma conservadora... Nos preparamos para um mercado semelhante ao do ano passado", disse à Reuters Lair Hanzen, que comanda as operações da Yara no Brasil, empresa que detém cerca de 25 por cento do mercado nacional.

A entrega total de fertilizantes aos produtores rurais brasileiros recuou em 2015, para 30,2 milhões de toneladas, abaixo do volume recorde de 32,2 milhões de toneladas de 2014, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda).

Hanzen evitou citar números em sua projeção, mas descartou uma forte recuperação ao longo deste ano, quando serão feitas as vendas para a safra 2016/17 de soja, a principal cultura do país.

"Vemos uma situação de equilíbrio, tem fatores positivos e outros que puxam (as vendas) para baixo", afirmou o executivo.

Ele apontou dificuldades para obtenção de financiamento barato pelos agricultores, um quadro que começou em 2015 devido aos ajustes nas políticas econômicas do governo federal. "Estruturalmente tem um grande desafio de curto prazo (o financiamento), que eventualmente vai se resolver. Mas não sei se resolve-se logo", disse ele.

Embora ele veja a agricultura como um dos poucos setores do país que continuam crescendo, admite que algumas regiões e agricultores poderão "sofrer mais" para obter crédito em um cenário de aversão a risco dentro dos bancos.

O fator que pode eventualmente garantir um aumento marginal nas vendas é a necessidade dos produtores em recuperar a qualidade dos nutrientes no solo, após uma expansão de safra em 2015/16 combinada com menor uso de fertilizantes.

"O produtor construiu uma pequena poupança de nutrientes no solo (que foi utilizada na última temporada)... Essa lógica pode ser usada num ano, mas ela não é sustentável", afirmou o executivo.

Para o médio e o longo prazos, há sinais de otimismo para o setor agrícola.

"Acreditamos que o mercado de fertilizantes vai começar uma retomada. A lógica de produção continua forte, o mundo continua demandando comida", completou.

INVESTIMENTOS

A visão positiva para o negócio de fertilizantes no Brasil se traduz numa mudança anunciada esta semana na sede da Yara em Oslo, na qual a unidade brasileira foi alçada à categoria de vice-presidência, respondendo diretamente ao CEO global.

Os negócios no país respondem por um terço dos volumes movimentados pela Yara ao redor do planeta.

"Com a posição que temos hoje no mercado, precisamos construir uma unidade nova (de distribuição) a cada um ou dois anos (para manter crescimento orgânico)", avaliou Hanzen.

Após garantir forte presença no Sul, Sudeste e Nordeste do Brasil, o foco da empresa está agora na expansão no Centro-Oeste e Norte, revelou o executivo.

"Estamos concluindo unidade em Rondonópolis (MT), que entra em operação na metade do ano... O Brasil também está crescendo bastante no corredor Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). Nossas próximas expansões, com crescimento orgânico, vão ser nessas regiões", disse ele.

Outra atenção da Yara está nas operações pelos novos corredores do Norte do país, que têm nos portos de São Luís (MA) e Barcarena, na região metropolitana da Belém (PA), seus principais pontos de saída de grãos e importação de fertilizantes nessa região.

"Esses seriam os típicos locais onde se fariam as próximas unidades de distribuição", projetou o executivo.

A Yara também não descarta fazer aquisições no Brasil, se oportunidades surgirem, mas o executivo evitou dar detalhes.

Um dos negócios mais importantes da história recente da companhia foi a aquisição da unidade de distribuição de fertilizantes da gigante multinacional Bunge no Brasil, concluída em 2013. (Reuters 15/02/2016)

 

Opinião: Barril de petróleo a US$ 20, um cenário muito provável

Entusiastas do petróleo, não desanimem. O atual mercado baixista que começou em meados de 2014 está provavelmente perto do fim, à medida que produtores marginais ficam pelo caminho. Os cortes na produção devem levar a um aumento nos preços do petróleo no segundo semestre deste ano.

Mas, antes que isso aconteça, a cotação do West Texas Intermediate, o petróleo de referência nos Estados Unidos, provavelmente continuará caindo, talvez até US$ 20 o barril, segundo alguns analistas, antes de voltar a superar a marca de US$ 50 o barril até o fim do ano.

Os investidores das bolsas também podem respirar aliviados. Ultimamente, os índices de ações estiveram estreitamente correlacionados com os preços do petróleo. Esse padrão tem persistido, apesar de a grande maioria das empresas globais se beneficiarem do petróleo mais barato, já que compram produtos refinados para tocar suas operações.

É verdade que muitos exportadores de petróleo são países emergentes e a queda dos preços desacelerou seu crescimento. No entanto, muitos operadores de ações podem estar seguindo a crença equivocada de que os preços baixos do petróleo indicam uma recessão global iminente.

Consequentemente, a esperada recuperação do petróleo no segundo semestre deve causar uma recuperação das ações. Mas, talvez, mesmo antes disso, os operadores percebam que o petróleo barato tenha sido principalmente um reflexo de um mundo inundado do chamado ouro negro.

É verdade que a fraca demanda mundial tem desempenhado um papel importante na acumulação de estoques, mas ela representa um recuo na taxa de crescimento, não uma contração econômica de fato. Um novo abrandamento da expansão global, especialmente na China, também terá influência, mas aqui também é a oferta que dominará a cena, à medida que os cortes de produção causem uma recuperação dos preços.

O consumo mundial de petróleo se manteve relativamente estável. Ele subiu de 91,9 milhões de barris por dia em 2013 para 92,8 milhões em 2014. Em 2015, avançou para 94,5 milhões de barris por dia, um salto relativamente grande, mas em parte devido à queda acentuada dos preços do petróleo. Eric Lee, analista sênior de energia do Citigroup, prevê um crescimento medíocre, de 1 milhão de barris por dia, para 95,5 milhões, em grande parte devido à esperada desaceleração econômica da China.

O lado da oferta tem sido o principal causador do excesso de petróleo que derrubou o mercado. E em nenhum lugar essa revolução na oferta foi mais drástica que nos EUA. Em 2010, por exemplo, o país produziu 5,5 milhões de barris por dia. Mas, graças ao fraturamento hidráulico, ou “fracking”, a extração de petróleo de formações de xisto, a produção diária do país saltou para 8,7 milhões em 2014 e 9,7 milhões em 2015, um recorde.

Enquanto isso, a Arábia Saudita, há muito o membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo que define a direção dos preços, reconheceu que agora é incapaz de controlar o mercado e simplesmente passou a produzir a todo vapor para arrecadar o máximo que puder. A Rússia também logrou ampliar sua produção, em parte devido à queda do rublo ante o dólar.

O excesso mundial de petróleo é evidente no acúmulo de estoques. Fora dos EUA, a capacidade de armazenamento em tanques praticamente se esgotou. Edward Morse, diretor de pesquisa global de commodities do Citigroup, diz que o inverno mais quente no hemisfério norte gerou um excesso de óleo de calefação na Europa que foi guardado em navios, pois não há onde mantê-lo.

Os EUA são praticamente o único país com espaço de armazenamento disponível. Ainda assim, a Agência de Informação de Energia informou que os estoques do país estão perto do maior nível em pelo menos 80 anos.

A queda dos preços do barril em janeiro para uma média de US$ 31,70, ante US$ 37,20 em dezembro, com o valor de US$ 26,21 registrado pelo WTI ontem, o menor em 13 anos, deve-se a quatro fatores: sinais claros de desaceleração da economia chinesa e, portanto, queda na demanda; um inverno ameno na Europa, causando acúmulo de grandes estoques de óleo de aquecimento; investidores apostando na queda nos preços devido à suspensão das sanções às exportações do Irã; e a retração sazonal das refinarias em janeiro e dezembro. Uma recuperação dos preços é esperada neste mês e em março, com a volta da demanda das refinarias e a queda da temperatura no hemisfério norte.

Para o segundo trimestre, Morse prevê um retorno a preços mais baixos com base em dois fatores principais: um longo período de manutenção de refinarias no mundo todo, particularmente nos EUA, especialmente em abril, causando um declínio na demanda; e a expectativa que, até lá, a produção iraniana tenha um efeito perceptível sobre a oferta.

Segundo Steve Briese, editor da publicação setorial “Bullish Review of Commodity Insiders”, isso poderia fornecer a base para o cenário de US$ 20 o barril que ele vem prevendo há tempos. Até 2 de fevereiro, grandes especuladores mantinham posições que se beneficiam exclusivamente de uma alta nos preços em 579.266 contratos futuros, cerca de 36% de todas as posições de petróleo em aberto na Bolsa Mercantil de Nova York. À medida que os fundamentos começam a afetar os preços, a liquidação dessas posições poderia forçar o preço a cair brevemente para menos de US$ 20 o barril.

Lee, do Citigroup também prevê um cenário temporário com o barril a US$ 20. Segundo ele, se os estoques se acumularem ao ponto de toda a capacidade de armazenamento se esgotar, qualquer produção teria que ser vendida imediatamente, levando os preços a cair brevemente abaixo de US$ 20 o barril.

Mas os preços devem subir no segundo semestre. “Achamos que o mundo está prestes a perder um grande volume de produção de petróleo nos EUA, Colômbia, México, Venezuela, China e, em seguida, provavelmente, Rússia, Brasil e a parte do Reino Unido no Mar do Norte”, diz Morse. Ele estima um preço médio de US$ 50 no quarto trimestre.

Nos últimos cinco anos, o mundo descobriu um trilhão de barris em novos depósitos de petróleo, equivalente a 30 anos de oferta adicional, vindo do petróleo de xisto, de águas profundas e areias betuminosas. Durante o ano passado, o custo de extração dessas fontes caiu significativamente. Isso significa que um retorno aos preços do petróleo de três dígitos é improvável no futuro próximo. (Wall Street Journal 12/02/2016)

 

Brasil irá à OMC contra Tailândia e Indonésia

O Brasil prepara-se para denunciar a Indonésia e a Tailândia na Organização Mundial do Comércio (OMC) por medidas que prejudicam as exportações brasileiras, num cenário de fragilidade da demanda global. O Valor apurou que o Ministério das Relações Exteriores vai informar à Câmara de Comércio Exterior (Camex), em reunião no dia 26, a deflagração de um contencioso contra a Indonésia por causa de restrições à entrada da carne bovina brasileira naquele mercado.

Ao mesmo tempo, vai pedir o sinal verde para abrir denúncia contra a Tailândia envolvendo o comércio de açúcar. Isso deverá colocar os dois maiores exportadores da commodity diante dos juízes da OMC.

Um contencioso contra os subsídios dados pelos EUA a seus produtores de soja continua no radar. Mas ainda não avançou porque os produtores brasileiros não fizeram o pedido formal para o Itamaraty levar adiante uma queixa na OMC.

"Estamos sempre atentos a qualquer violação de nossos direitos e, quando necessário, o sistema de solução de controvérsias da OMC existe é para isso", afirmou o subsecretário Geral de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, embaixador Carlos Márcio Cozendey, ao ser indagado sobre as novas disputas. "É um instrumento importante para agir em defesa de nossos exportadores sem criar atritos políticos desnecessários".

O embaixador do Brasil junto à OMC, Marcos Galvão, acrescentou que "ao longo dos anos, o Brasil, seja como parte diretamente envolvida, ou como terceira parte, adquiriu crescente experiência com o sistema de controvérsias da OMC e está preparado a recorrer a ele sempre que julgar necessário para os interesses do país".

A abertura de denúncia na OMC contra a Indonésia foi aprovada pela Camex em fins de 2014. O Itamaraty agora vai acionar a demanda de consultas formais em Genebra, que é o primeiro passo antes de pedir que o caso seja levado diante de um painel (comitê de especialistas).

A queixa brasileira é que a Indonésia não reconhece o princípio de regionalização previsto no Acordo sobre Aplicação de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias (SPS, na sigla em inglês), o que na prática bloqueia a entrada da carne bovina brasileira em seu mercado. Só que ao mesmo tempo os indonésios dão amplo espaço para a Austrália aumentar suas vendas a seu mercado.

Atualmente, o Brasil já tem uma disputa com a Indonésia por causa de restrições à entrada da carne de frango brasileira e causam milhões de dólares de prejuízos.

Com relação ao açúcar, o Itamaraty foi acionado pela União da Industria de Cana-de-Açúcar (Unica) para denunciar inicialmente a Tailândia, segundo maior exportador mundial. O alvo é um sistema de apoio interno aos produtores.

Os brasileiros vêem um movimento crescente de aumento de produção da Tailândia. Hoje, um programa visa a reconversão de áreas de arroz para cana. E tudo indica que os tailandeses vão aumentar ainda mais a produção de açúcar. Como o mercado tailandês é limitado, a produção deve ser cada vez mais destinada à exportação. Ou seja, a Tailândia formalmente não dá subsídio à exportação, mas o apoio à produção leva a maior oferta que é exportada, tirando mercado de concorrentes e derrubando preço. (Valor Econômico 15/02/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Rolagem de posições: Os traders do mercado futuro de açúcar terminaram de realizar a rolagem de posições na bolsa de Nova York com o vencimento do contrato de março. Com isso, os contratos para maio, que passaram a ser o de maior liquidez, fecharam com alta de 10 pontos, a 13,12 centavos de dólar a libra-peso. Os analistas calculam que serão entregues entre 200 mil e 300 mil toneladas de açúcar, sendo a América Central a principal origem. Nick Penney, da Sucden Financial, estima que 300 mil toneladas tenham sido entregues, conforme dados de contratos em aberto na ICE. Outro trader estimava entre 200 mil e 250 mil toneladas, principalmente da Guatemala. No mercado doméstico, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal em São Paulo teve queda de 0,27%, para R$ 81,59 a saca de 50 quilos.

Café: Recuperação em NY: As cotações do café acompanharam a recuperação dos demais mercados globais e fecharam em alta na bolsa de Nova York na sexta-feira. A redução das exportações brasileiras de café em janeiro também contribuiu para a valorização. Os contratos do café arábica com vencimento em maio, que passaram a ser os mais negociados, fecharam com alta de 250 pontos, a US$ 1,175 a libra-peso. Os traders buscaram cobrir posições vendidas, em um momento em que a maior parte das negociações estão na mão de especuladores. As exportações brasileiras de café caíram 11,4% em janeiro, para 2,71 milhões de sacas, segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). O indicador Cepea/Esalq para o arábica subiu 1,8% na sexta, para R$ 490,88 a saca.

Cacau: De volta ao fundamento: Depois de sofrer pressão de uma onda de aversão ao risco, o mercado do cacau voltou a operar de acordo com os fundamentos e registrou alta na sexta-feira na bolsa de Nova York. Os papéis para maio subiram US$ 74, a US$ 2.874 a tonelada. Os ventos Harmattan, secos, estão mais fortes neste ano por causa do El Niño, atingindo as lavouras do oeste da África. Edward George, analista do Ecobank, estima que a produção de Gana pode perder 300 mil toneladas, provocando déficit global de oferta. Na Costa do Marfim, maior produtor mundo, a safra pode recuar entre 12% a 22% em relação à temporada passada, projeta o Ecobank. No mercado doméstico, o preço médio do cacau em Ilhéus e Itabuna ficou estável em R$ 138 a arroba, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Trigo: Egito no radar: As cotações do trigo apresentaram ligeira desvalorização nas bolsas dos Estados Unidos diante da elevada oferta global e da incerteza com as exigências do Egito, maior importador global. Em Chicago, os lotes para maio caíram 1 centavo, para US$ 4,625 o bushel. Em Kansas, onde se oferta o trigo de melhor qualidade, os papéis para maio ficaram estáveis, a US$ 4,5375 o bushel. Apesar de incertezas iniciais, o Egito acabou realizando o leilão de compra de trigo no qual adquiriu 60 mil toneladas do cereal da Romênia. Porém, o mercado está preocupado porque o país já rejeitou em dezembro uma carga da França, alegando que havia traços de fungos danosos à saúde no produto. No mercado interno, o preço no Rio Grande do Sul apurado pelo Cepea/Esalq subiu 0,41%, para R$ 625,33 a tonelada. (Valor Econômico 15/02/2016)