Setor sucroenergético

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Copersucar colhe menos sócios e evapora investimentos

O presidente da Copersucar, Paulo Roberto de Souza, está rascunhando um plano de investimentos para o biênio 2016-2017 que deveria ser chamado de plano de desinvestimento. Não é para menos.

O quadro de associadas não para de encolher, as vendas deverão crescer no máximo 5% neste ano e a companhia não consegue arrumar um sócio para a sua controlada Eco-Energy, trading com base nos Estados Unidos.

Os aportes até o ano que vem, originalmente de R$ 400 milhões, não serão nem um terço do previsto.

A companhia adiou por tempo indeterminado a construção de novos terminais portuários. Apenas serão instaladas as três unidades no mercado norte-americano que estão em fase adiantada de construção.

Para compensar a perda recorrente de associadas, saíram, entre outras, as plantas do Grupo Virgolino de Oliveira, além das usinas Batatais e Clealco, a Copersucar pretende mudar o seu perfil de comercializadora exclusiva e passar a também produzir açúcar e álcool com usinas próprias.

A companhia usaria as unidades apenas como complemento de fornecimento e garantia de contratos de longo prazo. A abertura de capital na BM&F Bovespa,

um projeto acalentado há anos pela cooperativa, continuará na gaveta, mas a Eco-Energy deverá fazer o seu IPO nos Estados Unidos.

A venda de ações em Bolsa é a alternativa encontrada pela Copersucar para atrair novos investidores ao capital da trading norte-americana.

As tentativas anteriores de venda de títulos foram um fracasso de público e a empresa se viu forçada a aumentar a sua participação de 65% para quase 80% como forma de garantir os aportes necessários.

A Eco-Energy deverá comercializar oito bilhões de litros de etanol nos Estados Unidos, com crescimento de 10% em 2016.

No Brasil, a Copersucar projeta vender cinco bilhões de litros de etanol. (Jornal Relatório Reservado 16/02/2016)

 

Cargill e Louis Dreyfus navegam na mesma direção

Cargill e Louis Dreyfus costuram uma associação na área de logística portuária no Brasil. O objetivo é montar uma grande operação conjunta de escoamento de grãos. A negociação envolveria a criação de uma joint venture englobando todas as participações da dupla em terminais portuários no Brasil. Com o capital dividido meio a meio, a nova empresa nasceria com presença nos portos de Santos (SP), Paranaguá (PR), Santarém (PA) e Porto Velho (RO), além de futuras parcerias nos próximos leilões do setor.

A negociação avançou depois da recente aquisição de um terminal no porto santista, por um consórcio entre as duas empresas. Consultada, a Cargill nega a operação. Já a Louis Dreyfus não quis comentar o assunto. Segundo o RR apurou, a primeira investida da joint venture seria o leilão de construção e operação da linha ferroviária entre Sinop (MT) e Miritituba, na cidade de Itaituba, no Pará, um projeto de R$ 12 bilhões.

A Cargill e a Louis Dreyfus Commodities estariam tentando atrair o Grupo Amaggi para o consórcio. Se forem bem sucedidas na tratativa com a companhia do senador Blairo Maggi, entre as grandes tradings agrícolas deverão ter apenas a Bunge como uma grande concorrente no leilão.

A intenção do governo é realizar a licitação da ferrovia no fim deste ano ou no início de 2017. O empreendimento está em análise no Tribunal de Contas da União (TCU) e ainda vai passar por uma série de audiências públicas da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Cargill, Louis Dreyfus, Amaggi e Bunge foram responsáveis conjuntamente pelos estudos de viabilidade econômica, ambiental e técnica do empreendimento, que vão servir de base para a concessão do trecho ferroviário. Caso seja consumada, a sociedade com a Louis Dreyfus preencherá uma lacuna importante nos planos da Cargill para o Brasil.

Já há algum tempo os norte-americanos flertam com a idéia de buscar sócios não apenas para seus empreendimentos na área portuária, mas também para outros negócios no país.

A cautela da companhia se deve aos recentes prejuízos acumulados no Brasil, notadamente no mercado sucroalcooleiro e na área de citricultura. (Jornal Relatório Reservado, 16/02/2016)

 

Grupos estrangeiros entram na disputa pelo grupo Unialco

Um fundo de investimentos e uma companhia estrangeira com experiência no setor sucroenergético negociam a compra do grupo Unialco, empresa em recuperação judicial com duas usinas produtoras de açúcar, etanol e energia elétrica, em Guararapes (SP) e Aparecida do Taboado (MS). Com a costura de bancos, os grupos prepararam propostas para serem apresentadas antes da assembléia de credores, prevista para ocorrer entre abril e maio, segundo fontes ligadas ao negócio.

Um dos grupos seria a trading Glencore, cujo braço sucroalcooleiro no Brasil, a Glencane Bioenergia, possui a usina Rio Vermelho, em Junqueirópolis (SP). A usina é próxima à unidade de Guararapes da Unialco, o que ajudaria na sinergia das operações. Além dos estrangeiros, o grupo Cocal, que tem duas usinas em São Paulo também negociaria a compra. "Em um mês devemos ter alguma coisa", disse uma fonte.

Com uma dívida próxima a R$ 700 milhões, a companhia pediu recuperação judicial em novembro do ano passado, mas segue operando normalmente. A saída pela venda do grupo Unialco ocorre por pressão das instituições financeiras, o que deve fazer com que os atuais donos, da família Zancaner, deixem o negócio.

Procurado, o presidente do grupo Unialco, Luiz Guilherme Zancaner, disse que não poderia se pronunciar sobre o andamento da operação e nem confirmou as negociações de venda das usinas. Ele se limitou a comentar que as unidades devem iniciar a moagem da safra 2016/2017 de cana ainda em fevereiro.

O processamento deve ficar entre 3,8 milhões e 3,9 milhões de toneladas nas duas usinas, próximo à capacidade máxima de moagem, de 4,1 milhão de toneladas de cana. (Agência Estado 16/02/2016)

 

Preço do etanol sobe mais nas usinas que nos postos

A desaceleração da economia brasileira está "segurando" o repasse, ao consumidor final, da alta de preços do etanol verificada nas usinas. Desde setembro, os preços do hidratado (usado diretamente no tanque dos veículos) nas usinas de São Paulo subiram 62%, conforme o indicador Cepea/Esalq. No mesmo intervalo, a alta média nos postos do Estado foi de 41%, quase 20 pontos percentuais a menos. Nas últimas quatro semanas, o hidratado subiu, em média, 3,26% nas usinas e 1,26% ao consumidor final.

"Há um encolhimento de margens nos outros elos da cadeia [distribuidoras e postos]. Está havendo uma dificuldade de repassar mais reajustes de preços ao consumidor final", afirmou Vitor Andrioli, especialista em etanol da consultoria FCStone.

Apesar de o repasse não ter chegado ao motorista em toda a sua magnitude, os preços do hidratado estão elevados nos postos. Em novembro, superaram em todos os Estados brasileiros (mas, principalmente, em São Paulo) 70% do preço da gasolina, o que torna o biocombustível menos atrativo ao motorista do que o derivado fóssil, conforme parâmetro mais aceito pelo mercado.

O consumo de hidratado de janeiro a dezembro de 2015 foi recorde. Atingiu 17,8 bilhões de litros, com aumentos de 37,5% frente a 2014 e de 8,45% em relação ao recorde anterior, de 2009 (16,4 bilhões de litros), conforme dados da ANP. Na maior parte do ano, os preços do biocombustível estiveram mais vantajosos que os da gasolina ao motorista dos principais Estados consumidores, como São Paulo, Goiás, Paraná e Minas Gerais. Começaram a subir com força em setembro, e em outubro atingiram o maior volume mensal da história (1,750 bilhão de litros).

Nos meses de novembro e dezembro, a demanda mostrou sinais de resiliência, apesar dos preços mais altos nos postos, e manteve o ritmo de dois dígitos de crescimento em relação aos mesmos meses do ano anterior.

Em janeiro, os sinais de arrefecimento do consumo foram mais evidentes. A ANP ainda não divulgou seus dados referentes ao mês passado, e, por ora, o mercado se baseia em informações da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). Conforme a entidade, o volume total de etanol hidratado vendido pelas usinas do Centro-Sul às distribuidoras recuou 10,5% em relação a dezembro, para 1,26 bilhão de litros.

"Agora em fevereiro, as distribuidoras estão comprando muito pouco etanol das usinas. Mas não dá para saber ainda se elas estão usando estoques que já tinham ou a demanda está, de fato, caindo bastante neste mês", disse um trader. A expectativa do mercado, no entanto, é a que a demanda mensal diminua para patamares de 1,1 bilhão de litros em fevereiro e em março.

Apesar do aumento do consumo de hidratado em 2015, a demanda por gasolina sofreu uma retração de 7,3%, para 41,1 bilhões de litros, conforme a ANP. Com isso, o consumo total do chamado "Ciclo Otto", que considera gasolina e etanol equivalente (o etanol tem um rendimento energético equivalente a 70% do da gasolina), foi de uma leve alta de 0,3% em 2015, de acordo com cálculos da FCStone. Para 2016, essa demanda deve recuar 3%, conforme previu em janeiro deste ano a Copersucar, a maior trading de etanol do mundo. (Valor Econômico 17/02/2016)

 

ATR-SP: Janeiro tem alta de 7,77% no valor mensal

O Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (Consecana-SP) divulgou os valores do quilo de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) mensal e acumulado referentes ao mês de janeiro de 2016.

Segundo o Consecana-SP, o ATR registrou alta de 3,29% no acumulado, cotado a R$ 0,5354 em janeiro ante R$ 0,5183 em dezembro de 2015. O valor mensal teve valorização de 7,77%, passando de R$ 0,6319 em dezembro para R$ 0,6810 em janeiro.

Os contratos de parceria baseados no índice de cana campo fecharam janeiro em R$ 58,46 a tonelada, alta de 3,30% ante os R$ 56,59 a tonelada de dezembro. A cana esteira também subiu 3,29%, negociada a R$ 65,30 a tonelada contra os R$ 63,22. (UDOP 16/02/2016)

 

CANA DE AÇÚCAR: FCStone vê produção recorde de etanol em 16/17 no centro-sul

Com um clima favorável, o centro-sul do Brasil deverá ter uma safra recorde de cana e uma produção histórica de etanol em 2016/17, voltando também a registrar volumes de açúcar próximos dos maiores patamares já vistos, projetou nesta terça-feira a consultoria INTL FCStone, em sua primeira projeção para a nova temporada.

A produção de açúcar deverá subir 10,8 por cento ante 2015/16 e atingir 34 milhões de toneladas na região, que responde por cerca de 90 por cento da produção canavieira nacional.

"Com a alta do dólar e a recuperação nas cotações do açúcar na bolsa de Nova York a partir de setembro passado, o preço do adoçante no mercado internacional (transformado em reais) subiu mais de 40 por cento nos últimos meses em relação ao mesmo período no ano anterior; o que levou muitas usinas a fixarem quantidades maiores das exportações do produto", disse em nota o analista da consultoria João Paulo Botelho.

Caso seja confirmada, a produção de açúcar ficará muito perto do recorde de 34,3 milhões de toneladas registrado em 2013/14, conforme dados históricos da Unica.

Segundo ele, a destinação de cana para a fabricação de açúcar só não será maior porque parte significativa das usinas ainda está em condição financeira desfavorável, o que deve continuar incentivando a venda de etanol hidratado, que oferece remuneração mais rápida.

A produção de etanol hidratado, usado diretamente nos tanques dos automóveis flex, deverá subir 4,5 por cento, para 17,6 bilhões de litros na nova temporada.

A FCStone destacou que o consumo de combustíveis irá ficar praticamente estável no país este ano.

"Com isso, o maior volume de hidratado deve deslocar parte da demanda por gasolina C (com mistura) e, portanto, reduzir a procura por anidro", afirmou Botelho.

A consultoria projetou queda de 1,6 por cento na produção de etanol anidro (misturado à gasolina), que deverá atingir 10,4 bilhões de litros.

A produção total do biocombustível foi estimada em um recorde 28 bilhões de litros, alta anual de 2,1 por cento.

A moagem de cana do centro-sul do Brasil deve subir 3,2 por cento na safra 2016/17, para 619 milhões de toneladas.

"Esperamos que neste ano o clima seja melhor para a moagem, com menos paradas durante a safra, principalmente porque os meteorologistas projetam o fim do El Niño ao longo do primeiro semestre", disse Botelho.

A FCStone disse que deverá haver melhora na concentração de açúcares, também devido ao clima relativamente mais seco.

A concentração de açúcares recuperáveis (ATR) deverá atingir 134,8 kg por tonelada de cana em 2016/17, alta de 2,6 por centoda safra anterior, mas ainda assim 1,5 por cento abaixo da média das cinco temporadas anteriores. (Reuters 17/02/2016)

 

Moagem de cana no Centro-Sul deve chegar a 619 mi ton na safra 2016/17, diz FCStone

Com a expectativa de que o clima seja mais adequado ao processamento da cana, a consultoria INTL FCStone estima que a moagem da safra 2016/17 deve configurar aumento de 3,2% em relação ao avanço do ciclo atual, para 619 milhões de toneladas. “Esperamos que este ano o clima seja melhor para a moagem, com menos paradas durante a safra, principalmente porque os meteorologistas projetam o fim do El Niño ao longo do primeiro semestre”, explica o analista da consultoria, João Paulo Botelho.

Para a safra que se inicia, é provável que ocorra melhora na concentração de açúcares, também devido ao clima relativamente mais seco. Considerando essa mudança, a INTL FCStone estima ATR médio de 134,8 Kg/t, 2,6% acima do registrado na safra corrente, mas ainda assim 1,5% abaixo da média das cinco temporadas anteriores. (INTL FCStone 16/02/2016)

 

BNDES define foco de fundo tecnológico com orçamento de R$ 100 milhões

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social informou em comunicado ter definido focos que serão prioritários na atuação do seu Fundo Tecnológico, BNDES Funtec, durante este ano, com orçamento disponível de R$ 100 milhões. De acordo com o banco, o apoio do BNDES Funtec será destinado em especial a projetos ligados à urbanização, segurança alimentar, envelhecimento da população, escassez de recursos naturais e mudanças climáticas.

Em seu comunicado, a instituição lembra que o BNDES Funtec é composto de partes do lucro do banco. São apoiados, com recursos não reembolsáveis, projetos estratégicos de inovação executados por Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) em parceria com empresas.

Assim, na prática, as ICTs poderão apresentar propostas ao BNDES Funtec/2016 em três datas limites ao longo do ano, sendo que a primeira encerra-se em 29 de abril. As instituições poderão inserir seus empreendimentos em oito focos temáticos definidos: energia fotovoltaica; veículos automotores de baixo impacto ambiental; pré-tratamento de biomassa para etanol 2G; tecnologias para setor de petróleo e gás; semicondutores; minerais estratégicos; medicamentos com novos princípios ativos para doenças crônicas; e manufatura avançada e sistemas inteligentes.

No seu comunicado, o banco detalhou que, entre 2007 e 2012, o BNDES Funtec desembolsou R$ 198 milhões para 23 instituições de ciência e tecnologia no País, em parceria com 15 empresas, responsáveis pela introdução dos resultados das pesquisas no mercado. Ainda de acordo com informações apuradas pelo banco, cerca de 70% das tecnologias geradas já foram introduzidas no mercado e os projetos apoiados pelo programa geraram 50 pedidos de patentes. (Valor Econômico 16/02/2016 às 17h: 21m)

 

Questões fundamentais sobre uso da palha de cana para cogeração de energia

A importância da palha de cana-de-açúcar como componente energético começou a ser percebida de forma organizada a partir de meados dos anos 1990, devido principalmente aos trabalhos de instituições como o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) e a Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq/USP). Durante esse período, os pesquisadores produziram conhecimentos relevantes sobre quantidades disponíveis de palha no campo, impactos agrícolas e possíveis rotas de recolhimento. Tais informações possibilitaram a elaboração de inúmeros estudos e análises detalhados sobre os impactos energéticos e econômicos do recolhimento e uso da palha para gerar mais eletricidade excedente ou etanol de segunda geração (2G).

Os trabalhos produzidos contemplam números expressivos, como mais de 70% de eletricidade adicional exportável ou cerca de 40% a mais de etanol por tonelada de cana, e estimularam algumas usinas a iniciarem o processo de recolhimento de palha. Aí começaram a surgir os problemas: os 50% de recolhimento de palha normalmente apontados nas análises têm apresentado grandes desafios para se tornarem realidade. A falta de uma tecnologia comercial fez as usinas utilizarem soluções próprias, adaptadas de outros processos agrícolas. Isso dificulta um desenvolvimento pleno e acelerado devido ao grande número de alternativas em uso, assim como seus problemas específicos. A falta de informações organizadas e confiáveis adiciona complexidade à busca de solução para os problemas do uso da palha na indústria de cana-de-açúcar.

Nesse contexto, o Projeto Sucre (Sugarcane Renewable Electricity) foi idealizado para responder as principais perguntas que pairam no ar sobre essa temática. Para isso, foi feita uma avaliação preliminar da situação atual nas usinas brasileiras e identificados gargalos tecnológicos, carências de informações estruturadas e Marco Regulatório atual precário para a comercialização de eletricidade gerada nas usinas. Após a aprovação do projeto, quatro usinas parceiras foram selecionadas para estudos de casos reais em diferentes condições de tecnologia, tipos de solo e clima, contratos de venda assinados e outras diferenças relevantes. Mas que perguntas o projeto procura responder?

Desafios do Projeto Sucre

Primeiramente, existe a questão fundamental do volume de palha que realmente existe em cada usina estudada e quais os critérios para o seu recolhimento sustentável, considerando os impactos do colchão de palha presente no campo na proteção e fertilidade do solo, nas emissões de gases de efeito estufa (GEE), nas populações de pragas e plantas daninhas e finalmente, na produtividade do canavial.

Segundo, tem-se a forma de recolher, transportar e processar a palha para que essa chegue em quantidade e qualidade (impurezas minerais e granulometria) adequada na entrada das caldeiras das usinas, com custos viáveis. Esta questão inclui também a forma segura e eficiente de alimentar e queimar a palha nas caldeiras para se evitar, ou pelo menos minimizar, os problemas esperados de erosão, corrosão, depósito e fusão de cinzas caso a qualidade da palha e o sistema de queima não sejam adequados.

A terceira questão engloba o Marco Regulatório atual e as modalidades de negócio e contratos de venda de eletricidade. Apesar dos avanços recentes nessa área, ainda restam gargalos que têm inibido o entusiasmo de muitas usinas em investir para aumentar a geração de energia excedente para venda. É necessário um estudo detalhado da atual legislação, feito por especialistas no assunto, para identificar as barreiras existentes e sugerir melhorias que facilitem a comercialização de eletricidade pelas usinas. A União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) irá utilizar essas informações relevantes para negociar melhorias com o governo federal e com as concessionárias. Uma cartilha contendo recomendações para as usinas será disponibilizada pelo Sucre/Unica.

Finalmente, as informações geradas pelo Projeto Sucre precisam ser integradas e transformadas em avaliações técnico-econômicas e ambientais para indicar às usinas interessadas em venda de eletricidade algumas alternativas importantes para a expansão da produção e venda de seus excedentes de energia.

Além das usinas parceiras da primeira fase do projeto, outras sete usinas serão selecionadas para avaliações específicas de seus potenciais de geração, tecnologias recomendadas, formas de modelos de negócios e contratos de venda. Nesse momento futuro, serão avaliadas as alternativas de geração durante a safra exclusivamente ou ao longo do ano todo, bem como o impacto do fator de capacidade no valor da energia comercializada. Outro aspecto que pode ser explorado é a viabilidade de projetos de venda de certificados de redução de emissões de gases de efeito estufa via Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL).

O projeto prevê ainda uma ampla divulgação dos resultados via workshops e seminários específicos, publicações em revistas do setor e internacionais, portal do projeto na internet e outros meios eficientes de divulgação. (Unica 16/02/2016)

 

Fábrica de tratores será 1ª dos EUA a chegar a Cuba em mais de 50 anos

A Cleber recebeu a aprovação do Departamento do Tesouro dos EUA.

Companhia quer vender tratores na ilha a partir do 1º trimestre de 2017.

Uma empresa de tratores com sede no Alabama será a primeira fábrica dos Estados Unidos autorizada a instalar-se e operar em Cuba em mais de 50 anos, graças às medidas executivas adotadas pelo governo do presidente Barack Obama para relaxar o embargo econômico que pesa sobre a ilha.

A companhia Cleber recebeu a aprovação do Departamento do Tesouro dos EUA no início deste mês, segundo informou um de seus dois fundadores, o cubano-americano Saúl Berenthal.

Berenthal, de 72 anos e que emigrou de Cuba aos EUA com 16 anos, explicou que com esta iniciativa, além de fazer negócio, quer sentir-se "orgulhoso" de poder contribuir para que os "povos de ambos países se aproximem e se conheçam melhor".

Seu objetivo é começar a vender os tratores fabricados em Cuba tanto na ilha como em outros países da América Latina a partir do primeiro trimestre de 2017.

Para isso, necessita um investimento inicial de US$ 5 milhões, que poderia chegar aos US$ 10 milhões em 2020, quando preveem ampliar a atividade da empresa também com a fabricação de maquinaria para a construção.

Berenthal destacou que a agricultura e a construção são dois dos principais pilares para o futuro econômico da ilha, pois representam o suporte necessário para alimentar o principal motor da economia da ilha: o turismo.

A Cleber planeja construir uma fábrica de montagem para seus tratores na Zona Especial de Desenvolvimento do Mariel (ZEDM), um grande porto mercante e centro empresarial em construção que é um dos principais projetos do governo cubano para captar investimentos estrangeiros e que permite vender tanto na ilha como no exterior.

O cubano-americano e seu sócio Horace Clemmons, também de 72 anos, fundaram a empresa em 2015, pouco depois do anúncio do processo de aproximação bilateral entre EUA e Cuba, com a intenção de fornecer aos agricultores cubanos "um trator de custo acessível e que é simples de operar e manter", segundo consta no site da Cleber.

Berenthal confia que seu trator não só contribuirá para eliminar a necessidade de importar alimentos à ilha, mas também estimulará a exportação de seus produtos, pois a agricultura cubana está baseada em métodos "verdes" que têm uma "grande demanda" em muitos países, inclusive os EUA.

Em sua opinião, ser os primeiros representa uma "grande vantagem" empresarial e, além disso, cria um "precedente", no qual "puderam definir como é que uma empresa dos EUA pode começar a produzir em Cuba". (EFE 15/02/2016)

 

Commodities Agrícolas

Cacau: Pequena oscilação: Após uma forte elevação na sexta­feira, os preços do cacau recuaram ontem na bolsa de Nova York, no pregão que marcou o retorno das negociações após o feriado do Dia do Presidente nos EUA. Os contratos com entrega em maio encerraram a sessão a US$ 2.834 por tonelada, queda de US$ 40. De modo geral, as cotações da amêndoa seguem oscilando em um estreito intervalo, com suporte em US$ 2.738 e resistência em US$ 2.890. Apesar da redução de mais de 3% nas entregas de cacau nos portos da Costa do Marfim, analistas destacam que essa queda não teve impactos significativos sobre os preços. No mercado brasileiro, o preço médio do cacau em Ilhéus e Itabuna (BA) ficou estável ontem, a R$ 142 por arroba, de acordo com o levamento do Central Nacional de Produtores de Cacau.

Suco de laranja: Movimento técnico: Depois de cair por seis sessões seguidas, os preços do suco de laranja congelado e concentrado reagiram ontem na bolsa de Nova York. Os lotes com entrega para maio encerraram o pregão negociados a US$ 1,3605 por libra-peso, avanço de 620 pontos. De acordo com analistas, a forte alta dos preços da commodity é um movimento técnico, porque os fundamentos permanecem baixistas. O clima na Flórida (que detém o segundo maior pomar de citros do mundo, atrás de São Paulo) agora está favorável ao desenvolvimento das frutas. Além disso, as expectativas de forte quebra de safra no Estado estão precificadas, de acordo com analistas. No mercado brasileiro, o preço da laranja destinada à indústria ficou estável ontem, em R$ 13,90 a caixa, conforme levantamento do Cepea. No acumulado do mês, o preço subiu 0,5%.

Algodão: Reação em NY: Os preços futuros do algodão subiram na bolsa de Nova York ontem, o que de certa forma surpreendeu o mercado, uma vez que os especuladores estão com apostas baixistas para o produto. Os contratos para maio fecharam em alta de 110 pontos, a 59,74 centavos de dólar por libra-peso. Na semana passada, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) cortou em 5% sua previsão para as exportações de algodão do país na 2015/16, o que levou a um aumento das projeções de estoques do produto. Mas alguns analistas crêem que o mergulho dos preços foi excessivo e estimam que a fibra voltará ao nível de 65 centavos de dólar. No oeste da Bahia, a arroba da pluma foi negociada a R$ 80,68, segundo a Associação de Agricultores e Irrigantes do Estado (Aiba).

Soja: Cobertura de posições: Um movimento de cobertura de posições vendidas contribuiu para a valorização da soja na bolsa de Chicago ontem. Os lotes com entrega em maio fecharam em alta de 6 centavos, a US$ 8,8250 por bushel. Levantamento divulgado na sexta-feira pela Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês) indicou que os gestores de recursos aumentaram as apostas na baixa de produtos agrícolas, inclusive da soja. Isso levou parte dos investidores a cobrir suas posições vendidas, com o objetivo de reduzir o risco de perdas caso as cotações da oleaginosa subam. Do lado dos fundamentos, chuvas em importantes regiões produtoras de soja do Brasil elevam a tensão com o escoamento da safra. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca no Paraná ficou em R$ 74,06, alta de 1,61%. (Valor Econômico 17/02/2016)