Setor sucroenergético

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Maré favorável para usinas de cana

Após alguns anos de "vacas magras", as companhias de cana-de-açúcar do país parecem ter virado a página com a forte recuperação dos preços do açúcar e do etanol, a partir de setembro passado. No último trimestre do ano, equivalente ao 3º da safra 2015/16 no Centro-Sul, todas as quatro empresas que divulgaram balanços referentes ao período apresentaram lucro.

Foi um período em que Raízen Energia, Biosev, São Martinho e Tereos Internacional se beneficiaram de cotações de açúcar e etanol nunca antes vistas para esse período no Brasil. Entre 1º de setembro e 31 de dezembro, o preço médio do hidratado, usado diretamente no tanque dos veículos, subiu 60% na usina em São Paulo, enquanto o do açúcar, 73%, conforme o indicador Cepea/Esalq dos respectivos produtos.

Três dessas companhias têm ações negociadas na BM&FBovespa e seus papéis se valorizaram desde setembro, Biosev (2,5%), São Martinho (52%) e Tereos (345%), segundo o Valor Data. Só a Raízen não tem capital aberto, mas influenciou a alta de 37% das ações de sua controladora, a Cosan.

O "céu de brigadeiro" desse mercado significou para a Biosev, a segunda maior empresa do setor, colocar um fim a um jejum de dois anos e três meses de perdas. No último trimestre do ano passado, a companhia, controlada pela francesa Louis Dreyfus Commodities, teve um lucro líquido de R$ 163 milhões, ante a perda líquida de R$ 86 milhões de um ano antes.

A Biosev, que traz no seu DNA a expertise de comercialização da controladora, foi, entre as quatro empresas, a que melhor conseguiu captar no trimestre a valorização das cotações do açúcar. No período de três meses findos em 31 de dezembro, vendeu cada tonelada ao preço médio de R$ 1.316, 33,5% acima do registrado em mesmo intervalo de 2014/15. O quadro foi potencializado pelos ganhos com etanol. Houve um volume vendido 55% maior e um preço médio 19,5% superior no período.

No balanço apresentado na última semana, a Biosev indicou que o bom retorno com o açúcar não deve parar por aí. Até o fim do ano passado, havia vendido a maior parte da commodity que será exportada na próxima safra, a 2016/17, a preços médios 20% mais altos.

Os resultados também geraram impactos benéficos para o endividamento, apesar de este ainda ser um ponto delicado para a companhia. Ao fim de dezembro de 2015, a dívida líquida (ajustada aos estoques de alta liquidez) recuou 3,1%, para R$ 5,5 bilhões, efeito da geração operacional de caixa no período e também do menor volume de recursos aplicados em capital de giro. No entanto, a relação entre a dívida líquida ajustada e o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado ficou em 3,7 vezes, acima do teto dos 'covenants' [compromisso estabelecidos em contratos de financiamento] da empresa, de 3,5 vezes.

Sob essa maré sucroalcooleira favorável, a maior empresa do setor, a Raízen Energia, teve no intervalo um lucro de R$ 576 milhões, ante um prejuízo de R$ 87,5 milhões de igual trimestre da safra anterior, a 2014/15. No trimestre, a empresa, também controlada pela petroleira anglo-holandesa Shell, vendeu açúcar a preços 39% mais elevados que em igual intervalo de 2015/16 e o etanol, com alta de 21,2%. A maior parte do açúcar que será exportado em 2016/17 já está também vendida a preços 25% mais elevados que os da safra atual.

Para as que já registravam ganhos, a alta do açúcar e do etanol só veio para melhorar. Foi o caso da São Martinho que no 3º trimestre de 2015/16 elevou seu lucro em 42%, para R$ 76 milhões. O açúcar foi vendido a preços médios 19% maiores e o etanol, com alta de 30,1%. Para 2016/17, o ambiente tende a ser positivo. Até 31 de dezembro, a São Martinho havia vendido antecipadamente a maior parte do açúcar que será exportado a preços médios de 57,37 centavos de real por libra-peso, maior valor médio entre essas quatro companhias e 6,3% acima do seu preço médio de 2015/16.

As cotações elevadas do açúcar impulsionadas pela perspectiva de um déficit mundial da commodity em 2015/16 e do etanol, puxadas por uma demanda recorde pelo biocombustível no Brasil, também potencializaram os ganhos da Tereos Internacional. O negócio de cana no Brasil representou no 3º trimestre 59% dos R$ 492 milhões de Ebitda da companhia, que também tem negócios de amidos no país e no exterior. Em igual intervalo do ano passado, essa fatia foi de 53%. A empresa teve um lucro líquido de R$ 112 milhões, revertendo a perda de R$ 10 milhões em igual comparação. Para 2016/17, a Tereos vendeu parte de seu açúcar a preços médios 14% superiores à média de 2015/16.

Apesar de o etanol não possibilitar essa garantia de remuneração futura do açúcar, as empresas vendem a commodity em contratos na bolsa de Nova York, as perspectivas de curto e médio prazos para o mercado do biocombustível são positivas, segundo especialistas.

Os resultados do quarto trimestre da safra 2015/16, de janeiro a março, tendem a ser beneficiados também pelas cotações mais altas do etanol. Entre o início de janeiro até agora, os preços médios do hidratado já estão 19% mais elevados que a média do trimestre anterior (setembro-dezembro), conforme o indicador Cepea/Esalq.

Os estoques mais apertados do produto e a demanda elevada devem sustentar os preços na próxima safra, que começa em abril. Em relatório publicado nesta semana, o BTG Pactual avaliou que os preços do etanol ainda ficarão em níveis "muito rentáveis". (Valor Econômico 18/02/2016)

 

Tonon - TJ­SP nega liberação de garantia dada a credor por empresa em recuperação

Desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ­SP) têm reformado decisões que liberam garantias dadas por empresas em recuperação judicial a credores. Em dois recentes julgamentos monocráticos, não aceitaram o argumento de que seriam essenciais ao desenvolvimento dos negócios. Os processos agora serão analisados pela 1ª Câmara Empresarial.

Um dos casos envolve a Tonon Bioenergia, uma das maiores do setor no país, que havia obtido, em primeira instância, autorização para vender safra de cana-de-açúcar e derivados dados em garantia a credores que adquiriram títulos emitidos no exterior.

A decisão foi revertida após análise de recurso apresentado pelo Bank of New York Mellon (BNYM), agente fiduciário dos detentores dos títulos. Os papéis emitidos pela Tonon somam US$ 530 milhões. Deste total, US$ 230 milhões têm garantia.

O outro caso envolve a Zamin Amapá Mineração. A companhia havia obtido liberação para comercializar cerca de US$ 6 milhões em minério de ferro, parte da garantia dada ao ABN Amro Bank.

Neste caso, o relator, desembargador Pereira Calças, entendeu que havia perigo de dano grave e de difícil reparação ao credor. "Há dúvida se a recuperanda permanece ativa e sobre sua real capacidade de, após a exportação, repor o minério de ferro e recompor a garantia do agravante", afirma no acórdão o desembargador.

No caso da Tonon Bioenergia, a decisão foi menos rigorosa. O relator, desembargador Hamid Bdine, determinou que os recursos obtidos com a comercialização dos produtos sejam depositados em conta judicial até o julgamento do caso pelo colegiado.

Os julgamentos são bastante aguardados pelo mercado. De um lado estão companhias em recuperação, que buscam a aplicação do artigo 47 da Lei de Recuperação Judicial e Falências, Lei nº 11.101, de 2005, que trata sobre o princípio da preservação das empresas. De outro, credores, que defendem o parágrafo 1º do artigo 50 da mesma lei. O dispositivo estabelece que a "supressão ou substituição da garantia somente serão admitidas mediante aprovação expressa do credor".

"As garantias servem como mecanismo de ajuste da taxa de juros. Se o Judiciário liberar essas garantias sem nenhuma contrapartida pode haver impacto na precificação do financiamento", diz o representante do BNYM no caso, Eduardo Wanderley, do Veirano Advogados. Ele chama a atenção ainda para uma súmula do TJ­SP, de nº 61, que reforça o que consta no artigo 50 da Lei nº 11.101.

Wanderley também afirma que a situação é preocupante porque o pedido de recuperação judicial da Tonon Bioenergia foi aceito no começo deste ano e ainda não há sequer a lista de credores. "Não existe nem um esboço do que será o plano de recuperação. Não temos como saber se a empresa vai sobreviver a esse processo", diz.

O advogado Paulo Campana, do escritório Felsberg Advogados, que defende a Tonon Bioenergia, argumenta, porém, que o caso envolve bem perecível e não utilizá-lo acarretaria em prejuízos tanto para a companhia como para seus credores.

"O que nós fizemos foi pedir para a juíza [de primeira instância] substituir a garantia da safra deste ano pela do ano seguinte", afirma Campana. "Até mesmo depósito em juízo prejudica. A empresa precisou dispender valores para cortar, colher e transportar a cana. Os valores depositados não são líquidos. Isso acaba gerando um prejuízo duplo e não é bom para nenhuma das partes."

No caso da mineradora Zamin, o representante da companhia, Antonio Carlos Mazzuco, sócio do MHM Advogados, diz que a liberação do uso do minério de ferro, pela primeira instância, estava condicionada ao custeio de despesas essenciais, como salários de funcionários, pagamento de tributos, água e energia elétrica.

"Estamos percebendo que os juízes da primeira instância estão sensíveis ao princípio da preservação da empresa nas situações de empenho de ativo que é a fonte de receita da companhia. Cabe aos credores mais cautela ao tomar essas garantias. A avaliação de risco precisa ser diferente", afirma Mazzuco.

Especialista na área, Juliana Bumachar, do escritório Bumachar Advogados Associados, chama a atenção para um acórdão da 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ). No caso, que teve a relatoria do ministro Paulo de Tarso Sanseverino, a decisão acompanha entendimento dos juízes da primeira instância paulista. Para os ministros, não haveria porque existir um processo de recuperação para empresas em dificuldade financeira se os débitos não pudessem ser alterados.

O caso julgado pelo STJ envolvia a safra de cana-de-açúcar dada em garantia ao credor. Os ministros aplicaram o artigo 1.443 do Código Civil Brasileiro. No dispositivo consta que "o penhor agrícola que recai sobre colheita pendente, ou em via de formação, abrange imediatamente o seguinte, no caso de frustrar-se ou ser insuficiente a que se deu em garantia".

"Entendo que não há substituição de garantia em casos como esse e por isso não se aplica o artigo 50", afirma a advogada Juliana Bumachar, acrescentando que a transferência do penhor para safras seguintes não esvaziaria a utilidade da garantia. (Valor Econômico 18/02/2016)

 

Eletricidade gerada pela cana-de-açúcar é fundamental para o Brasil atingir meta ambiental definida na COP-21

Setor sucroenergético é responsável por 80% da capacidade de geração de energia pela biomassa e tem grande potencial de crescimento, mas precisa de políticas públicas bem estruturadas.

O compromisso apresentado pelo governo brasileiro na COP21, em dezembro passado, foi considerado ousado ao propor a redução de 43% de emissões dos Gases Geradores de Efeito estufa (GEE) até 2030 (comparação às emissões de 2005), além do alcance da utilização de 45% de energias renováveis. 

Para atingir estas metas, será fundamental para o país investir na produção de energia elétrica a partir da biomassa, chamada também de bioeletricidade. Dados da International Renewable Energy (IRENA) apontam que o Brasil, em 2014, já era o país com maior capacidade instalada de geração por meio da biomassa no mundo, com 15,3% do total mundial. Em segundo lugar vêm os EUA, com 13,6%, seguidos de China (11,8%), Índia (6,2%) e Japão (5%). 

Em 2015, a oferta de energia obtida da biomassa teve crescimento estimado de 7%, com um total de geração de mais de 22 TWh, o que equivale ao abastecimento de 11 milhões de residências durante um ano inteiro. A alternativa da bioeletricidade já representa, em termos de capacidade instalada, quase 10% da matriz energética, de acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), ocupando a segunda posição na matriz, atrás apenas das fontes hídrica e fóssil.

Hoje, cerca de 80% da capacidade instalada de geração pela fonte biomassa vêm do setor sucroenergético, que emprega o bagaço e a palha da cana para a autossuficiência energética e ainda tem promovido um crescimento significativo na oferta de excedentes de eletricidade para o Sistema Interligado Nacional (SIN).  

O resultado disso é fantástico em termos de sustentabilidade. Estima-se que, em 2015, a geração de energia renovável e limpa pela biomassa tenha evitado a emissão de cerca de aproximadamente 10 milhões de toneladas de CO2, marca que seria atingida com o cultivo de 68 milhões de espécies nativas ao longo de 20 anos.

Além disso, a alternativa da biomassa também levou à preservação de água nos reservatórios das hidrelétricas, já que o pico da geração oriunda da fonte biomassa ocorre em épocas marcadas por chuvas escassas. Em 2015, a oferta estimada de mais de 22 TWh pela biomassa ao Sistema Interligado Nacional ajudou a poupar 15% das águas nos reservatórios do submercado elétrico Sudeste e Centro-Oeste. Vale lembrar que a geração da biomassa tem como característica a produção previsível ao longo do ano, durante a safra sucroenergética. Dessa maneira, é possível contribuir para a segurança na gestão de um Sistema Interligado cada vez mais diversificado.

Apesar dos números significativos, o potencial de crescimento do setor sucroenergético para ampliar sua capacidade de fornecimento de energia ainda é enorme. Em 2014, das 355 unidades produtoras sucroenergéticas do país, apenas 177 unidades exportaram o excedente de energia gerado a partir do bagaço e da palha da cana. Ou seja, metade das unidades sucroenergéticas, que hoje já cumprem um papel importante de autoprodutoras de energia, podem receber investimentos que promovam o chamado retrofit das usinas, tornando-as exportadores de energia limpa e sustentável para o SIN.

Segundo Elizabeth Farina, presidente da UNICA, com investimentos na modernização das unidades fabris e o pleno aproveitamento da biomassa sucroenergética, será possível ampliar em mais de oito vezes o volume oferecido à rede pela bioeletricidade até 2024 (comparado com a oferta em 2014).

“Hoje, o setor já tem papel fundamental no fornecimento de eletricidade pelas fontes de energias renováveis e sustentáveis, mas há um potencial gigantesco como o da bioeletricidade, o que reforça a importância cada vez maior de uma matriz energética diversificada e um olhar dedicado para cada uma destas fontes. É essencial que o país estabeleça políticas públicas bem estruturadas e de longo prazo, incluindo externalidades ambientais na precificação da bioeletricidade, além de outras vantagens pelo uso da biomassa na gestão do sistema interligado de fornecimento de energia. Só assim, com um ambiente institucional que transmita segurança na tomada de decisão de novos investimentos, o Brasil poderá atingir suas metas estabelecidas na COP 21”, completa Farina.

Vale ressaltar que o compromisso assumido foi de aumentar o uso sustentável de energias renováveis (solar, eólica e biomassa), excluindo energia hidrelétrica, para ao menos 23% da geração de eletricidade do Brasil até 2030.

SOBRE A UNICA

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA -www.unica.com.br) é a entidade representativa das principais unidades produtoras de açúcar, etanol (álcool combustível) e bioeletricidade da região Centro-Sul do Brasil, principalmente do Estado de São Paulo. As usinas associadas à UNICA são responsáveis por mais de 50% da produção nacional de cana e 60% da produção de etanol. Na safra 2014/15, o Brasil produziu aproximadamente 571 milhões de toneladas de cana, matéria-prima utilizada para a produção de 32 milhões de toneladas de açúcar e 26 bilhões de litros de etanol. (Unica 17/02/2016)

 

Para FCStone, déficit global de açúcar deve atingir 7 milhões de toneladas

Apesar do aumento de produção no Centro-Sul, saldo negativo mundial será maior que o esperado.

A safra global 2015/16 de açúcar deve configurar déficit de 7 milhões de toneladas, segundo avaliação da INTL FCStone. A consultoria havia projetado quebra de 5,6 milhões de toneladas na divulgação anterior, o que mostra que, com o andamento da safra, as perspectivas vêm piorando em importantes players globais, tais como União Europeia, Índia, China e Tailândia. Segundo cálculos do grupo, a produção global deve ficar em 175,6 milhões de toneladas, 3,7% abaixo da safra anterior.

“Na maioria dos casos, a redução no volume foi resultado do clima pouco adequado para o desenvolvimento da matéria-prima, seja ela cana ou beterraba”, destaca o analista da consultoria, João Paulo Botelho. O principal fenômeno influenciando esta piora climática foi o El Niño, cuja ocorrência atual está entre as mais intensas já registradas, tendo seu ápice entre novembro de 2015 e janeiro deste ano.

De acordo com relatório divulgado nesta quarta-feira (17), a produção mais enxuta vem sendo puxada pela União Europeia, que sofreu com o clima seco durante o verão, além do decrescimento da área plantada, que levou a redução estimada em 18,5% na produção de açúcar, para 14,3 milhões de toneladas (valor branco).

Os impactos do El Niño também pesaram sobre a China e a Tailândia (um dos poucos países onde houve investimento no aumento da produção ao longo dos últimos anos). O clima desfavorável resultou em reajuste das produções para 9,2 milhões de toneladas (valor branco) no caso da China e 11,1 milhões de toneladas para a Tailândia, o que representa redução de 12,8% e 4,3%, respectivamente, em relação ao ciclo anterior.

Na Índia, a forte seca prejudicou os canaviais de Maharashtra e Karnataka, estados onde acreditava-se que a elevada participação de cana irrigada pudesse diminuir o impacto de monções abaixo da média. As chuvas foram tão fracas, entretanto, que a disponibilidade de água para irrigação foi drasticamente reduzida, prejudicando o desenvolvimento dos canaviais e até o plantio da próxima safra.

O principal player a aumentar a produção neste ciclo deve ser o Centro-Sul do Brasil, com total de 33,5 milhões de toneladas (tel quel), 10,8% acima do ciclo anterior. “A safra da região que se inicia em 2016 deve ser beneficiada pelas chuvas acima da média no final da temporada anterior ao mesmo tempo em que o fim do El Niño esperado para o primeiro semestre deste ano deve reduzir o volume de chuvas durante a colheita”, disse a INTL FCStone em relatório.

A consultoria estima a demanda mundial em 182,7 milhões de toneladas, 1,8% acima da safra passada, considerando o consumo beneficiado pelo crescimento populacional e urbanização em várias partes do globo, apesar da perspectiva de desaceleração nas economias emergentes. (INTL FCStone 17/02/2016)

 

CNA teme que mais Estados cobrem ICMS de exportação de soja e milho

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) está preocupada com a possibilidade de que mais Estados adotem a cobrança de ICMS sobre exportações agrícolas, após Mato Grosso do Sul e Goiás implementarem a cobrança sobre grãos, disse nesta quarta-feira o presidente da entidade.

"Não temos dúvida que outros Estados vão pelo mesmo caminho", disse o presidente da CNA, João Martins, em uma conferência de imprensa, acrescentando que outros produtos como carnes e frutas podem acabar sendo taxados com ICMS em um momento em que Estados em crise estão ávidos por novas fontes de arrecadação. (Reuters 17/02/2016)

 

Odebrecht trava disputa com credores estrangeiros que temem calote

A Odebrecht trava, sem alarde, uma batalha com credores internacionais, que temem um calote bilionário de uma subsidiária do grupo. Investidores que deram dinheiro à Odebrecht Óleo e Gás agora pressionam por uma renegociação da dívida.

O problema é que, em dezembro, a empresa já não cumpriu o prazo para substituir um contrato de sonda rescindido pela Petrobras, gerando dúvidas sobre sua capacidade de honrar empréstimos que, juntos, somam cerca de US$ 5 bilhões.

A Odebrecht não quis comentar os valores em negociação. Diz que “segue em negociações construtivas” com os credores e que ainda mantém contratos com a Petrobras. A estatal não respondeu.

A agência de risco Fitch colocou uma das controladas da Odebrecht Oléo e Gás entre as dez empresas mais problemáticas da América Latina e aponta risco de calote. Afirmou, também, que a Petrobras deve renegociar mais contratos de sondas. (Folha de São Paulo 16/02/2016)

 

Exportação de açúcar em contêiner cresce 5,7%, diz Williams Brasil

O Brasil exportou 2,170 milhões de toneladas de açúcar em contêiner no ano passado, 5,7% mais na comparação com as 2,052 milhões de toneladas registradas em 2014, de acordo com levantamento da agência marítima Williams Brazil.

O maior volume foi escoado pelo Porto de Santos (SP), de onde saíram 1,956 milhão de toneladas, ou 90,1% do total. Logo em seguida vem o Porto de Paranaguá (PR), com 111,559 mil toneladas (5,1% do total).

O pico de exportações de açúcar em contêiner foi em outubro, com 248,048 mil toneladas. Já janeiro foi o mês em que esse tipo de embarque registrou o menor volume, com 107,875 mil toneladas.

De acordo com a Williams Brazil, Sri Lanka foi o principal comprador em 2015, com 257,080 mil toneladas, ou 11,8% do total. Na sequência estão Angola, com 200,988 mil toneladas (9,26%), e Benin, com 189,069 mil toneladas (8,7%). (Agência Estado 17/02/2016)

 

Depois das usinas de cana, setor de grãos descobre o potencial dos drones

Equipamento ajuda a detectar a presença de pragas e falhas na plantação, além de coletar dados para traçar estimativas de safra.

A baixo custo, drones sobrevoam e fotografam lavouras para avaliar suas condições

A agropecuária brasileira sempre teve na tecnologia uma aliada para colocar o País entre os líderes na produção de alimentos no mundo e os drones são a "bola da vez" em inovação tecnológica. Os veículos aéreos não tripulados - ou Vant -, como são chamados, foram adotados há aproximadamente três anos pelo setor sucroalcooleiro para o monitoramento dos canaviais e identificação de plantas com desenvolvimento aquém do esperado e agora estão invadindo as lavouras de grãos. O interesse é assegurar a produtividade projetada no início do ciclo ou até mesmo superá-la.

A Xmobots, uma das principais fabricantes de drones do Brasil, viu a procura por parte de grandes produtores de grãos dobrar neste começo de ano em comparação ao ano passado. "Quando olhamos as prospecções de negócios agora e no início de 2015, percebemos que a demanda de empresas produtoras de grãos aumentou mais de 100%, numa estimativa bem conservadora", disse ao Broadcast Agro a diretora comercial da Xmobots, Thatiana Miloso.

Esse maior interesse dos produtores de grãos tem reflexo direto no crescimento da demanda pelos drones do setor agrícola como um todo. O número de cotações feitas pela Xmobots apenas a partir de novembro do ano passado já equivale, aproximadamente, à metade das prospecções feitas nos 12 meses de 2015. Até o momento, as empresas do agronegócio vêm utilizando o equipamento para identificar falhas na plantação, detectar a presença de pragas, deformidades nas plantas, estresse hídrico e coletar dados para traçar estimativas de safra e produção das áreas monitoradas.

Mas elas já perceberam que não tardará muito até que a tecnologia se transforme numa forte arma de combate às pragas, uma das principais ameaças à produtividade. Por isso, vêm demandando da indústria e de entidades de pesquisa equipamentos capazes de identificar com precisão qual é a praga presente nas lavouras monitoradas pelo equipamento - produto ainda inexistente no mercado. "Temos sido extremamente demandados para desenvolver drones e softwares capazes de detectar o tipo de praga presente na planta", afirmou Lúcio André de Castro Jorge, pesquisador da Embrapa Instrumentação.

A tarefa, no entanto, não é fácil.

Para que os drones possam ajudar empresas e produtores a detectar qual é a praga que ataca uma planta, entidades de pesquisa e indústria ainda precisam identificar o tipo de câmera com precisão adequada para correlacionar as características da planta com determinada doença. O mercado disponibiliza hoje três "categorias" de drones, de acordo com a precisão da câmera do equipamento. As mais simples capturam imagens com a precisão do olho humano e, portanto, não ajudam na detecção prévia da praga. Drones com câmera com infravermelho próximo, como são chamadas, já conseguem fazer a leitura de algumas informações abaixo da superfície visível da planta como, por exemplo, o nível de nitrogênio e fósforo, segundo o pesquisador da Embrapa.

A resposta para a detecção da praga exata que ataca plantações, segundo Lúcio Jorge, pode vir das câmeras multiespectrais (até dez vezes mais precisa que a câmera com infravermelho) ou hiperespectrais (300 vezes mais precisa). "Estamos avaliando qual é a faixa necessária para esta atividade, a fim de adaptar as câmeras mais elaboradas à demanda dos produtores", explicou o pesquisador. Há cerca de quatro anos, uma câmera multiespectral custava R$ 1 milhão, lembra ele. Hoje, vale em torno de R$ 100 mil. "Nos próximos dois ou três anos devemos chegar a um modelo", complementou Lúcio Jorge.

O diretor presidente da Xmobots, Giovani Amianti, concorda que a tecnologia para identificar o tipo de doença que atinge as plantas deve tardar alguns anos para chegar ao mercado. "É uma promessa futura. Existe a tendência de que a hiperespectral consigo fazer isso", diz. A Xmobots já trabalha com drones dotados de câmeras multiespectrais, conta Amianti, mas modelos com câmeras hiperespectrais "são caros e ainda há não justificativa para seu uso".

Além da identificação de pragas, indústria e entidades de pesquisa estão de olho também no uso de drones para aplicação de defensivos. No ano passado, pesquisadores do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo (ICMC-USP) de São Carlos desenvolveram um projeto piloto de um sistema de pulverização de agroquímicos com drones, que ainda não saiu do âmbito acadêmico. Na visão de Amianti, da Xmobots, a esperada regulamentação do uso de drones pela Anac pode levar ao uso do equipamento em larga escala e permitir aprimorar a troca de dados entre câmeras e softwares que decodificam as imagens. "Talvez no ano que vem comecemos a falar em aplicação de herbicidas feita pelos drones", afirmou.

Regulamentação

Faltam dados estatísticos sobre a comercialização dos veículos aéreos não tripulados. O mercado é novo e, no caso brasileiro, ainda sem regulamentação. Nos Estados Unidos, a Administração Federal de Aviação (FAA, na sigla em Inglês) regularizou o uso civil de drones apenas no final de 2015. No Brasil, a previsão é de que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) regulamente o uso destes equipamentos até abril.

O pesquisador da Embrapa estima que mais de 2 mil drones estejam operando nas regiões produtoras brasileiras. Mas o número de pedidos de autorização de voo de drones para uso agrícola expedidos nos últimos dois anos pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), órgão subordinado ao Ministério da Defesa e ao Comando da Aeronáutica, é bem menor, de cerca de 120, nos cálculos do pesquisador. "Muita gente está usando drones sem ter autorização", afirmou Lúcio Jorge.

Mercado brasileiro

Aproximadamente dez empresas atuam hoje no Brasil fabricando drones. Mas nem todos os equipamentos que sobrevoam terras do País foram adquiridos de empresas brasileiras. Metade dos produtos ainda é importada, em boa medida, da China, segundo Lúcio Jorge, da Embrapa. Além de adquirir os drones, produtores e empresas precisam de softwares capazes de ler as imagens e gerar informações novas a partir delas - por exemplo, a carência de aplicações de defensivos ou de maior irrigação em um lote de terra. Também têm de investir em computadores mais potentes e com memória suficiente para processar o enorme volume de imagens com alta resolução. "Tem empresas que investem R$ 50 mil em um bom computador", diz o Lúcio Jorge.

O preço final dos drones no mercado nacional varia de R$ 15 mil a R$ 300 mil. Há modelos com autonomia para percorrer 200 hectares por voo e também 12 mil hectares em um único voo. Os mais demandados, segundo Amianti, da Xmobots, têm sido os destinados a áreas de médio porte, de aproximadamente 300 hectares, para monitoramento de lavouras de cana-de-açúcar, eucalipto e arroz. Estes equipamentos, custam, em média, R$ 200 mil.

"Nos dois últimos anos, o setor que mais absorveu a tecnologia, de longe, foi o setor sucroalcooleiro", afirmou Amianti. Apesar disso, a empresa tem atentado para a demanda crescente de grandes empresas produtoras de grãos. Em maio do ano passado, lançou uma nova versão de drone capaz de percorrer 12 mil hectares em um só voo e destinado aos setores de soja e algodão. "A primeira versão do produto cobria metade desta área. Lançamos um de maior alcance porque havia demanda", justificou. O custo do produto gira em torno de R$ 300 mil. Metade das vendas da Xmobots, segundo Amianti, foi viabilizada por linhas de crédito do Finame e pelo Cartão BNDES (destinado a financiamento de compras de micro, pequenas e médias empresas). As demais compras têm sido feitas com recursos próprios dos clientes.

Em 2016, o mercado de drones no Brasil (incluindo venda de equipamentos e prestação de serviços) deve movimentar entre R$ 100 e R$ 200 milhões, na estimativa do diretor da empresa de geoprocessamento MundoGEO e promotora da primeira feira do setor, a DroneShow, Emerson Zanon Granemann. O levantamento diz respeito não apenas ao setor agrícola e ainda não é possível estimar o quanto deste volume, no Brasil, corresponderia ao investimento do agronegócio. No mundo, de acordo com dados do grupo norte-americano de pesquisa aeroespacial Teal Group, coletados por Granemann, o uso de drones movimentou cerca de US$ 6,4 bilhões em 2014. Estima-se que 90% dos equipamentos em operação no mundo são destinados para uso militar e 10% para aplicações na área civil. O setor agrícola responde por 70% dos negócios na área civil em escala global, de acordo com Granemann. A projeção é de que, em 2024, o mercado de drones como um todo movimente, por ano, cerca de US$ 11,5 bilhões. (O Estado de São Paulo 17/02/2016)

 

Safra de soja de Mato Grosso deve superar anterior

À medida que as colheitadeiras avançam sobre as lavouras de soja de Mato Grosso apresentam um cenário jamais esperado há algumas semanas. A colheita de soja 2015/16 deverá superar a da safra anterior.

Os produtores das regiões oeste, centro-sul e sudeste do Estado vêm obtendo uma produtividade bem acima da que esperavam.

Algumas áreas, inclusive, vão obter a maior produtividade da história.

Essas avaliações levam em consideração o relato de produção dos produtores dessas regiões. O Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária), órgão que faz um acompanhamento da produção no Estado, ainda não tem os novos números disponíveis, o que deverá fazer na última semana do mês.

Apesar da boa produtividade nessas regiões, os produtores do médio norte e norte do Estado continuam tendo baixa de produtividade, devido a problemas climáticos.

Prevista no último relatório do Imea em 27,8 milhões de toneladas, a produção de soja desta safra poderá superar os 28,1 milhões de 2014/15. Se isso ocorrer, o Estado continuará quebrando recordes de produção.

A quebra de safra estimada inicialmente ocorreu devido à avaliação de uma produtividade média de 50,37 sacas por hectare, 3% menos do que na safra anterior.

Já a área semeada subiu 2%, somando 9,2 milhões de hectares, segundo levantamento do Imea.

O acompanhamento semanal mais recente do órgão constatou que a produtividade ponderada apresentou avanço considerável, com média estadual de 52,6 sacas por hectare.

Apesar de produtividade menor nas regiões nordeste e médio-norte, a média estadual ponderada com os 25% colhidos vem superando a safra passada.

A aceleração da produtividade ocorreu porque a colheita se deu em áreas de boa produtividade e em condições climáticas ideais de colheita. Nas próximas semanas, as colheitadeiras poderão não encontrar áreas tão produtivas.

Inflação?

Os produtos agropecuários tiveram elevação de 2,72% no atacado nos últimos 30 dias até o dia 10, segundo o IGP-10, da FGV. Em média, os produtos no atacado subiram 1,69%.

O que sobe?

As maiores pressões vieram de milho (20%), cana-de-açúcar (4%) e de carne bovina (2%). Carnes de aves (5%) e de suínos (6,5%) estiveram entre as principais quedas. (Folha de São Paulo 18/02/2016)

 

Francesa Tereos prevê aumentar produção de beterraba para 18 mi t em 2017

O grupo francês Tereos planeja produzir 18 milhões de toneladas de beterraba em 2017 e 2018, uma alta ante os 15 milhões de toneladas desta temporada, como parte de seu plano para se preparar para o final das cotas de açúcar da União Europeia no ano que vem, disse a empresa nesta quarta-feira.

A meta está alinhada com a estratégia da companhia para elevar sua produção na UE em 20 por cento até 2017 para compensar uma queda nos preços relacionada à liberalização do mercado de açúcar e à abolição dos preços mínimos do açúcar, considerados limitadores das exportações.

A França produziu cerca de 33 milhões de toneladas de beterraba em 2015, uma queda de cerca de 14 por cento ante 2014, devido à redução na área de plantio e o impacto de um clima muito quente e seco no verão, que estressou as lavouras.

A cooperativa disse que o aumento na produção em 2017 seria relacionado à uma extensão no período de produção para as plantas estipulado em 130 dias, ante 105 dias anteriormente.

Separadamente, a Tereos disse também que sua unidade de comercialização, Tereos Commodities, havia negociado 200 mil toneladas de açúcar na segunda metade de 2015, principalmente para África e Oriente Médio. (Reuters 17/02/2016)

 

JBS contrata Enéas Pestana para comandar divisão da América do Sul

A JBS, maior processadora de carne bovina do mundo, anunciou nesta quarta-feira a contratação do ex-presidente do Grupo Pão de Açúcar Enéas Pestana como presidente da divisão para América do Sul.

A JBS também anunciou a contratação de Russ Colaco, ex-diretor do banco Morgan Stanley, para comandar a nova área de estratégia e desenvolvimento corporativo.

Segundo a empresa, as outras áreas formadas por América do Norte, Europa e Ásia-Pacífico continuarão sendo administradas pelos atuais gestores e a divulgação dos resultados do grupo não sofrerá mudanças.

Em teleconferência com jornalistas, o presidente-executivo da companhia, Wesley Batista, afirmou que a organização da empresa na América do Sul, América do Norte, Europa e Ásia-Pacífico, "não tem nenhuma relação com planos para abertura de capital de subsidiárias".

Segundo Batista, o movimento o ocorreu para dar mais eficiência ao grupo e ampliar geração de valor aos acionistas. Porém, ele terminou o raciocínio afirmando que "no futuro, quem sabe? Sempre pode ser uma alternativa", disse ele sobre eventual IPO de alguma unidade da JBS.

Pestana afirmou que assumirá o comando da JBS na América do Sul, englobando desde atividades da unidade de alimentos processados JBS Foods como negócios couro, em tempo integral e que por isso está deixando suas funções na consultoria que ajudou a fundar. O executivo estava no Conselho de Administração da JBS Foods e era consultor do grupo JBS há cerca de 18 meses.

"Não tenho nenhum trabalho específico. Assumo como presidente para América do Sul. É um trabalho em tempo integral e que vai contar com todo meu engajamento", disse Pestana ao responder pergunta sobre se sua contratação como presidente da unidade teria como objetivo a implementação de algum projeto específico que sua consultoria tenha elaborado para o grupo JBS.

A contratação do executivo, segundo Batista, aconteceu após longo tempo de "namoro" e também não tem relação com notícias recentes, negadas pela empresa, de que a JBS estaria avaliando o GPA e a empresa de cosméticos Natura para uma eventual aquisição.

"Não estamos pensando em nada com relação a varejo. Enéas esta vindo para comandar o que nós temos. Logicamente, ele traz experiência de varejo que a gente acha que vai adicionar valor aos negócios e melhorar nossos serviços e relacionamento com nossos parceiros clientes", disse Batista.

"Não temos pretensão de comprar nenhuma empresa de varejo. A notícia foi completamente infundada, sem nenhuma base. A época de contratação do Enéas é mera coincidência. O convite para ele já tinha sido feito há algum tempo, o namoro era de longa data", acrescentou o presidente-executivo da JBS. (Reuters 17/02/2016)

 

Commodities Agrícolas

Café: Movimento técnico: Os preços do café arábica voltaram a cair na bolsa de Nova York ontem. Os papéis para maio fecharam com recuo de 40 pontos, a US$ 1,1660 por libra­peso. A queda veio mesmo diante do ligeira valorização do real ante o dólar, o que costuma levar os exportadores do grão a segurar as vendas do produto, à espera de que a rentabilidade dos embarques suba com um novo repique da moeda americana. Com a menor oferta no mercado, o preço tende a subir. As condições climáticas estão em geral favoráveis ao desenvolvimento dos cafezais em São Paulo e Minas Gerais, apesar da seca e do calor nas últimas semanas, que contribuíram para reduzir a umidade do solo. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica recuou 0,45%, a R$ 87,04 a saca.

Cacau: Alta expressiva: Os preços futuros do cacau reagiram ontem após as perdas da sessão anterior e fecharam com alta expressiva na bolsa de Nova York. Os contratos para maio encerraram o pregão em valorização de US$ 46, a US$ 2.880 por tonelada. De modo geral, os investidores estão à espera dos novos dados da Organização Internacional do Cacau (ICCO) sobre a situação da safra intermediária do oeste da África, maior região produtora do mundo. Os números serão divulgados no fim de fevereiro. As cotações do cacau estão estacionadas em um estreito intervalo, em meio a preocupações macroeconômicas que têm levado traders a prever queda na demanda. Em Ilhéus e Itabuna (BA), a arroba foi negociada com estabilidade a R$ 136, conforme a Central Nacional dos Produtores de Cacau.

Soja: Impulso externo: Os preços da soja voltaram a subir na bolsa de Chicago ontem, em meio a um ambiente macroeconômico mais favorável, que permitiu altas no mercado acionário e uma reação nas cotações do petróleo. Os contratos para maio fecharam com ganhos de 2,75 centavos, a US$ 8,8525 por bushel. A alta do petróleo impulsiona os preços da oleaginosa, na medida em que pode encorajar refinarias a aumentar a mistura de combustíveis alternativos, a exemplo do biodiesel de soja. A perda de força do dólar ante outras moedas também favorece a demanda pelos grãos produzidos nos EUA, porque os torna mais baratos para compradores estrangeiros. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 60 quilos de soja no Paraná ficou em R$ 73,96, em ligeira baixa de 0,14%.

Milho: Estímulo do petróleo: O milho registrou valorização pela segunda sessão seguida na bolsa de Chicago, embalado pelo maior otimismo no cenário macroeconômico global. Os contratos para maio fecharam ontem com ganhos de 3,75 centavos, a US$ 3,7150 por bushel. A alta das cotações do petróleo deu sustentação adicional ao milho, porque tende a incentivar as refinarias a aumentar a mistura de combustíveis alternativos, como o etanol feito de milho. Ainda assim, analistas dizem que temores com a demanda global pelo grão dos EUA limitaram os ganhos. Os embarques de milho pelos americanos estão cerca de 20% aquém de um ano atrás. No oeste da Bahia, a saca de 60 quilos foi negociada à média de R$ 40, segundo a Associação de Agricultores e Irrigantes do Estado (Aiba). (Valor Econômico 18/02/2016)