Setor sucroenergético

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Relatório aponta 100 usinas em recuperação judicial até 2017

O ministro Eduardo Braga, de Minas e Energia, tem um número macabro sobre a mesa.

Levantamento feito recentemente pelo Ministério aponta que até o ano que vem 100 usinas de cana-de-açúcar estarão em recuperação judicial, quase um terço do setor.

Não falta muito para que o número seja atingido, pois 79 unidades já estão nessa situação. (Jornal Relatório Reservado 18/02/2016)

 

Cosan reverte prejuízo e lucra R$ 674 milhões no 4º trimestre de 2015

A Cosan Indústria e Comércio teve lucro líquido de R$ 674,2 milhões no quarto trimestre de 2015, revertendo prejuízo de R$ 83,5 milhões em igual período de 2014. No ano de 2015, o ganho líquido foi de R$ 666,6 milhões, acima dos R$ 292 milhões de 2014.

A receita líquida ficou em R$ 12,174 bilhões no quarto trimestre de 2015, um aumento de 18,5% sobre os R$ 10,270 bilhões em igual período de 2014. No ano de 2015, a receita líquida da companhia somou R$ 43,666 bilhões, crescimento de 11,7% sobre os R$ 39,083 bilhões de 2015.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado ficou em R$ 1,327 bilhão no quarto trimestre de 2015, crescimento de 19,3% sobre o R$ 1,112 bilhão no mesmo intervalo de 2014. No ano de 2015, o Ebitda ajustado totalizou R$ 4,443 bilhões, 11,7% acima dos R$ 3,785 bilhões em 2014. (Valor Econômico 18/02/2015 às 23h: 53m)

 

O lento processo de recuperação do setor de açúcar e etanol

Os resultados trimestrais das companhias abertas do setor sucroenergético, divulgados na semana passada, mostram que o setor começa a se recuperar, mas os números estão longe de apontar uma retomada geral e de longo prazo dos investimentos do setor de açúcar, etanol e bioenergia.

Grandes grupos, capitalizados ou com suporte de companhias internacionais, relataram lucros animadores após uma série de dados negativos, o que foi possível com a alta do dólar e dos preços do açúcar e do etanol. Parte dos lucros dessas companhias abertas também foi obtida com o corte de investimentos, sinal que o setor também colocou o pé no freio diante das incertezas internas e externas.

Maior grupo sucroalcooleiro do País, a Raízen Energia reduziu em 34% seu investimento no terceiro trimestre de 2015/2016, encerrado em dezembro, ante igual período do 2014/2015, para R$ 346,8 milhões. Os gastos em projetos da Raízen Energia caíram 40,1% entre os períodos, de R$ 132,2 milhões para R$ 79,3 milhões, com destaque para a redução de 52,6% no capex para cogeração.

As outras grandes companhias seguiram a mesma linha. A Tereos, por exemplo, enquanto ampliou em 20% os investimentos globais, para R$ 162 milhões no trimestre encerrado em dezembro, reduziu em R$ 9 milhões os gastos no Brasil sobre igual período de 2014. O Brasil responde por 55% dos investimentos da empresa e foi a única área na companhia de origem francesa a ter cortes.

Focada em reduzir o endividamento, a Biosev cortou em 4,8%, de R$ 717 milhões para R$ 682 milhões, investimentos nos nove meses da safra, mas aumentou de R$ 444 milhões para R$ 511 milhões os gastos em plantio e tratos nos canaviais, considerados o grande gargalo da sucroenergética. Já a São Martinho reduziu o capex em 5,1% entre os trimestres, para R$ 209,5 milhões.

A perspectiva para a próxima safra brasileira, a ser iniciada em abril, segue positiva, com déficit global nos estoques de açúcar, aumento anual na demanda de 3 milhões de toneladas e ainda com o etanol sustentado pelo preço agora alto da gasolina brasileira. Mas há um consenso entre analistas e representantes do setor que grande parte dos lucros obtidos seguirá para o caixa das companhias, sem grandes novos investimentos.

Com isso, a consolidação no setor, imaginada por alguns, pode até não vir no curto prazo, justamente por falta de empresas já consolidadas dispostas a crescer ainda mais. Investimentos em novas usinas para atender o cenário de futura alta na demanda são impensáveis. Restarão negócios no varejo como os já vistos recentemente: compras de grupos endividados e ainda não insolventes por empresas e fundos em busca de pechinchas. (Agência Estado 18/02/2016)

 

Açúcar: Fator S&P

O rebaixamento do rating do Brasil de "BB+" para "BB", anunciado na quarta-feira pela Standard & Poor's, pesou sobre o açúcar demerara na bolsa de Nova York, tendo em vista que o país é o maior fornecedor global da commodity.

Os lotes para maio fecharam em baixa de 30 pontos, a 12,85 centavos de dólar por libra-peso.

O mercado espera uma depreciação do real frente ao dólar ainda maior com a revisão da S&P, o que pode impulsionar as exportações de açúcar pelo Brasil.

A moeda americana forte incentiva os produtores do país a venderem ao exterior, porque aumenta a rentabilidade das exportações.

Com mais oferta no mercado, os preços tendem a cair.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal ficou em R$ 80,78, em ligeira alta de 0,07%. (Valor Econômico 19/02/2016)

 

Plano de reestruturação interna da Abengoa Bioenergia deve ser concluído ainda este mês

A Abengoa Bioenergia planeja concluir até o fim deste mês o plano de reestruturação interna para poder renegociar dívidas com bancos e dar continuidade aos pagamentos a fornecedores. Em entrevista exclusiva ao Broadcast Agro, o diretor e porta-voz do braço sucroenergético do conglomerado espanhol, Rogério Abreu dos Santos, informou que o orçamento em discussão prevê a moagem de 5,8 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2016/17 e desconsidera qualquer apoio por parte da matriz, com sede em Sevilha.

"A tendência é que as coisas se acertem, que tenhamos tudo acordado, para seguirmos com as operações e acertarmos toda a dívida em 2016", disse, reafirmando não estar no radar qualquer pedido de recuperação judicial.

De acordo com o executivo, o plano de reestruturação inclui a reavaliação de contratos com fornecedores que não trazem "boa margem", seja por questões de distância até as unidades fabris ou de qualidade da matéria-prima. A companhia também pretende elevar os índices de produtividade e não planeja demitir. "Queremos operar para fazer caixa", afirmou Abreu dos Santos.

As 5,8 milhões de toneladas de moagem estimadas para o ciclo 2016/17 estão em linha com o observado nos dois anteriores. No total, a Abengoa Bioenergia, com duas usinas no interior de São Paulo, uma em Pirassununga e outra em São João da Boa Vista, tem capacidade para processar 6,7 milhões de toneladas de cana por ano.

Em 2016, as unidades devem alternar os períodos de manutenção, para que o processamento não seja interrompido mesmo no período tradicional de entressafra. Em abril, quando se inicia oficialmente a próxima temporada, a companhia deverá ter as duas plantas em operação, com mix previsto para o ciclo de 65% para açúcar e 35% para etanol.

A Abengoa Bioenergia chegou ao País em 2007 ao adquirir o controle da Dedini Agro por R$ 1,3 bilhão e assumir R$ 730 milhões em dívidas. Um ano depois, houve a crise mundial de liquidez e o início das dificuldades do setor de etanol por causa do congelamento dos preços da gasolina. No segundo semestre do ano passado, a situação ficou ainda mais delicada devido ao pedido de pré-recuperação judicial pela matriz na Espanha, e os fornecedores de cana no Brasil deixaram de receber.

Segundo Abreu dos Santos, os atrasos nos pagamentos começaram em setembro passado, mas a situação já está sendo resolvida. No início deste mês, a Abengoa Bioenergia pagou a primeira parcela da dívida com os produtores e planeja quitar mais duas em março e abril. Fornecedores na região de São João da Boa Vista já haviam relatado ao Broadcast Agro que cada uma das parcelas representa 10% do total, enquanto os 70% restantes serão renegociados. No mercado, estima-se que a empresa teria R$ 500 milhões em débito com os produtores. Abreu dos Santos, no entanto, afirmou que o montante é "bem menor" que isso. Ele não citou números.

A Abengoa Bioenergia trabalha com aproximadamente 900 fornecedores. Desse total, 20 não receberam a primeira parcela porque estavam com algum processo na Justiça contra a empresa, afirmou o executivo.

Aporte

Abreu dos Santos comentou também sobre o aporte feito pela gestora de fundos norte-americana Waddell&Reed, que agora detém 5% da Abengoa. O negócio foi anunciado na segunda-feira e fez as ações da empresa dispararem quase 20% na Bolsa de Madri. "Isso melhora o ambiente de uma maneira geral e se reverte em créditos positivos para nós", disse o diretor. (Agência Estado 18/02/2016)

 

Mercado de colhedora de cana-de-açúcar será estável em 2016

A AGCO inicia oficialmente, em 2016, a venda de sua primeira colhedora de cana-de-açúcar, a Valtra BE 1035, em um cenário de estabilidade no mercado brasileiro, bem como uma demanda de máquinas basicamente para renovação da frota. Mesmo assim, a companhia divulgou nesta quinta-feira já ter 40 colhedoras negociadas, o que corresponderia a cerca de 6% de um mercado total estimado de 700 máquinas para este ano.

O mercado nacional de colhedoras mostra-se estático, após a explosão de vendas no setor até 2014 com fim da queima dos canaviais para a colheita manual, e com os níveis atuais de colheita mecânica próximos de 100% e ainda sem perspectiva de aumento nas áreas cultivadas com cana.

Atualmente, as oportunidades de vendas das companhias do setor no curto prazo ocorrem por conta da curta vida útil dos equipamentos. Após entre cinco e seis anos de uso, uma colhedora de cana - que opera 3 mil horas por safra, ante 300 horas de uma máquina para colher soja - vira sucata. "Portanto, não há crescimento no mercado. Hoje é apenas de renovação da frota", disse Marco Antônio Gobesso, gerente de Marketing de cana-de-açúcar da AGCO.

A AGCO transformou a unidade no interior paulista no centro de especialidade global para cana-de-açúcar da companhia. A fábrica teve a participação majoritária adquirida pela multinacional em 2012, negócio finalizado em 2014 com a aquisição de toda a empresa e a decisão pelo uso da marca Valtra na nova colhedora. Os investimentos somaram R$ 100 milhões nos quatro anos.

"Até então, a Santal tinha uma participação de 3% do mercado e uma máquina boa de operação, mas com baixa confiabilidade", explicou o executivo. "Agora, com as mudanças no projeto, resgatamos a confiabilidade da máquina que tem 90% de disponibilidade mecânica garantida para o primeiro ano de operação", completou.

Sem revelar números, a AGCO tem como meta ampliar a participação de mercado nos próximos cinco anos e "roubar" uma fatia no setor de colhedoras dominado pelas concorrentes Deere e Case. "Sabemos do cenário de baixo crescimento nas próximas safras, do alto endividamento do setor, da falta de política governamental no longo prazo e da baixa capacidade de investimento no curto prazo. Mas a meta é crescer a participação dentro desse mercado de 700 máquinas por ano".

Exportação

Com uma capacidade instalada de produção anual de até 240 máquinas com o uso de um turno de operação ainda não atingida e o mercado interno estável, a AGCO já iniciou a busca de clientes no mercado externo, com testes de colhedoras de cana na Índia e Tailândia, países asiáticos entre os maiores produtores de cana do mundo, e ainda na Bolívia.

"O projeto de Ribeirão Preto não visa só o mercado interno. Já iniciamos a aproximação com outros mercados com máquinas operando na Índia, Tailândia e Bolívia, inclusive com técnicos já treinados aqui para atuarem lá", explicou Gobesso. "Ao contrário do mercado asiático de cana, os mercados da América do Sul e Central têm características parecidas das do Brasil e já temos canais abertos de comercialização e condições de atendê-los", concluiu o executivo, salientando que, em 2016, não serão feitas exportações de colhedoras. (Agência Estado 18/02/2016)

 

Etanol e açúcar mais caros animam indústria na região de Sertãozinho

O prefeito de Sertãozinho, José Alberto Gimenez (PSDB), disse, em 2015, que o município sairá da crise antes do que o Brasil. A previsão parece começar a se realizar graças à volta da saúde do setor sucroenergético, base da economia local. No último trimestre do ano, as usinas começaram a vender etanol com o preço 60% mais caro para as distribuidoras de combustível, enquanto isso, o açúcar também apresentou ganhos de 73%, segundo o Cepea.

Além disso, três companhias do setor, que têm cotação na Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa), tiveram valorização no último ano. As ações da Biosev cresceram 2,5%, da São Martinho aumentaram 52%, e as da Tereos cresceram 345%.

E isso começa a animar o presidente do Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (Ceise BR), Paulo Gallo.

“Iniciamos 2016 com perspectivas melhores do que em anos anteriores. O aumento dos preços do etanol ao produtor, bem como os preços internacionais do açúcar, criaram ao menos uma inversão de tendência observada até 2015, em que sempre havia um viés de queda nestes preços, comprometendo a geração e o fluxo de caixa das empresas”, aponta Gallo.

E a tendência é melhorar, já que a consultoria FCStone estima que a próxima safra de cana-de-açúcar, que começa na metade do ano, seja 3,2% maior,alcançando 619 milhões de toneladas. A produção deve ser de 34 milhões de toneladas de açúcar (10,8% a mais do que na safra atual), e 28 bilhões de litros de etanol (aumento de 2,1%).

“O preço do etanol deverá ser muito mais regulado pela relação entre oferta e demanda. O açúcar deverá, provavelmente, oscilar com menor intensidade, mantendo patamares também atraentes nos próximos meses. Em resumo, esta safra deverá ser melhor em termos de remuneração do que as anteriores, mas ainda há muito espaço para melhorias”, completa.

Ajuda do mercado

De acordo com o governo da Venezuela, a atual cotação do barril do petróleo, que opera em baixa, na casa dos US$ 30, fez com que o país arrecadasse em janeiro US$ 4 milhões a menos com as vendas de petróleo, do que no mesmo mês do ano anterior – de US$ 81 milhões para US$ 77 milhões.

O país vizinho não é o único que sofre com a baixa valorização do produto. Rússia e Arábia Saudita, os maiores produtores de petróleo no mundo, vivem crises políticas internas, e muitos especialistas apontam que fatores econômicos, influenciados pelo preço baixo do produto, sejam o motivo.

Tanto que, na última segunda-feira, 15, esses países, mais o Qatar, selaram um acordo para o congelamento da extração do petróleo para fazer os preços aumentarem no mercado internacional.

Mesmo assim, Gallo acredita na competitividade do produto para que o setor sucroenergético volte a ganhar espaço. Não é apenas uma posta, já que os resultados começam a aparecer.

“No caso do Brasil, a Petrobras, em um cenário diferente do atual, já teria, provavelmente, reduzido o preço da gasolina, mas não deve fazê-lo em função de seu agudo desequilíbrio presente de caixa. Não me parece que possa haver redução no preço da gasolina no curto prazo, e, talvez, os preços do petróleo venham a se recuperar antes disso, o que deverá manter a competitividade do etanol nos patamares de hoje”, vislumbra. (Revide 18/02/2016)

 

Prêmio para açúcar bruto no Nordeste salta após vendas para Europa

Os prêmios para o açúcar bruto no mercado à vista do Norte e Nordeste do Brasil dispararam devido à contratação de pelo menos 300 mil toneladas dentro de uma cota para refinarias da União Europeia e com a destinação de mais cana para etanol.

Operadores europeus cotaram nesta quinta-feira os prêmios no mercado físico em 25 pontos sobre os contratos futuros com vencimento em maio, em forte alta ante os 5 pontos registrados na sexta-feira.

Pelo menos 300 mil toneladas do açúcar da chamada "cota CXL" teriam sido contratados com fornecedores do Norte/Nordeste, disseram operadores europeus na terça-feira.

A cota de importação CXL é um volume de açúcar bruto de cana que tem acesso preferencial no mercado da UE.

Refinarias da UE têm aumentado suas importações de açúcar bruto em resposta a uma safra ruim de beterraba e a uma queda de estoques, disseram fontes do mercado.

O Norte/Nordeste do Brasil tem enfrentado falta de açúcar devido à conclusão da safra na região e após as vendas contratadas, disseram as fontes.

Além disso, a produção do adoçante foi reduzida pela maior destinação de cana para a fabricação de etanol em um momento de demanda pelo combustível. (Reuters 18/02/216)

 

Tribunal nega recurso e mantém Bumlai na prisão

Desembargador entendeu que, mesmo com a confissão do pecuarista, que admitiu ter repassado R$ 12 milhões de empréstimo com o Banco Schahin para o PT, ainda faltam episódios para serem esclarecidos.

A 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) negou na quarta-feira, 17, o habeas corpus do pecuarista José Carlos Bumlai, preso na 21ª fase da Lava Jato em 25 de novembro do ano passado, e manteve ele na prisão.

O pedido da defesa do pecuarista e amigo do ex-presidente Lula já havia sido negado liminarmente no dia 27 de novembro pelo tribunal.

Em dezembro, Bumlai e outros 10 investigados foram denunciados por corrupção, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta por suspeita de irregularidade na contratação da Schahin para a operação do navio-sonda Vitoria 10.000 da Petrobrás envolvendo um empréstimo de R$ 12 milhões para o amigo de Lula – parte desta quantia teria sido destinada ao PT.

A Procuradoria da República cobra uma reparação de R$ 53, 5 milhões dos investigados.

Com isso, o relator do caso no TRF4, juiz federal Nivaldo Brunoni, convocado para substituir o desembargador federal João Pedro Gebran Neto, relator da Lava Jato na Corte e que está em férias, afirmou em seu voto que a prova da materialidade e os indícios só foram reforçados pela denúncia do Ministério Público Federal (MPF).

A defesa do pecuarista argumentou que a confissão realizada por Bumlai afastaria o risco à ordem pública ou ao processo e que a privação de liberdade não se justifica. O empresário admitiu à Polícia Federal que o empréstimo de R$ 12 milhões tomado junto ao Banco Schahin foi destinado para o PT.

O desembargador, contudo, entendeu que a confissão do empresário foi parcial e existem outros fatos na ação penal sobre os quais não foram dadas explicações. “A confissão parcial não afasta a necessidade de manutenção da prisão cautelar, pois em relação aos demais fatos ainda subsistem os riscos à sociedade e ao processo”, entendeu Brunoni que elencou os seguintes fatos que ainda não foram esclarecidos:

-Em que circunstâncias a empresa São Fernando Açúcar e Álcool, controlada pelo empresário e familiares, conseguiu, em fevereiro de 2005, empréstimo de R$ 64.664.000,00 do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) e, em dezembro de 2008, R$ 388.079.767,00, quantia essa classificada como “espantosa” pelo magistrado.

-Como obteve, em julho de 2012, mesmo não tendo pago os empréstimos já tomados do BNDES, R$ 101.500.000,00 para outra empresa sua, a São Fernando Energia, que contava à época com sete funcionários, bem como duas transferências de um milhão cada uma, em julho e agosto de 2011, para a empresa Legend Engenheiros Associados, pertencente a Adir Assad, condenado por lavar dinheiro oriundo do esquema criminoso da Petrobrás. (O Estado de São Paulo 18/02/2016)

 

Braskem estuda diversificar matéria-prima no Brasil, diz presidente

A Braskem está estudando a possibilidade de diversificar sua matéria-prima no Brasil, onde consome principalmente nafta, o que pode envolver a migração de uma pequena parte do insumo para gás, disse o presidente da petroquímica, Carlos Fadigas, a jornalistas nesta quinta-feira.

O executivo ressaltou que a questão é de longo prazo. A substituição seria menos propícia em fábricas com logística mais difícil, como a do ABC paulista, afirmou Fadigas, e mais propícia em fábricas com conexão com a costa e o litoral do país.

"Há iniciativas que eu espero que no curto prazo possam ser divididas de migrar uma parte pequena para gás, mas esse é um projeto de década", disse.

Os estudos ocorrem após a Braskem ter firmado com a Petrobras em dezembro contrato para fornecimento de nafta por um preço que considerou caro, a fim de encerrar a incerteza em torno da questão, o acordo teve cinco aditivos de curto prazo enquanto as empresas não chegavam a um consenso.

Além da questão do preço, a Braskem disse que o contrato alcançado também não é ideal pois tem duração de apenas cinco anos, e não dez, além de poder ser renegociado no terceiro ano. A petroquímica vinha afirmando que a falta de um acordo de prazo mais longo estava travando investimentos.

Segundo a empresa, a Petrobras estava usando o nafta de suas refinarias na produção de gasolina, motivo pelo qual passou a importar o insumo para atender a Braskem, tentando repassar o custo à petroquímica.

Fadigas disse nesta quinta-feira que a Braskem não firmou um contrato com a estatal para transformar matéria-prima importada, e sim nacional e que a empresa não vai mudar sua estratégia caso a Petrobras venda sua participação na petroquímica, de 36 por cento.

2016

Para este ano, a expectativa da Braskem é se beneficiar nas exportações, com o dólar mais forte, e do início da operação de sua nova fábrica no México, disse Fadigas. Contudo, segundo ele, os spreads petroquímicos não devem ser tão favoráveis quanto os de 2015, já que no ano passado problemas operacionais de concorrentes permitiram spreads muito positivos.

A petroquímica deve aumentar as exportações, cuja rentabilidade é menor que a das vendas para o mercado interno, por conta do cenário recessivo brasileiro. A demanda do Brasil por resinas encolheu 7,6 por cento em 2015.

Para 2016, a projeção da Braskem é de que o mercado nacional de resina retroceda por volta de 4 ou 5 pontos percentuais, caso se confirmem as expectativas ruins para o PIB.

"A Braskem não gostaria de ficar mais dependente da exportação, mas a capacidade de exportar é boa notícia", disse Fadigas.

A companhia projeta investimento de 3,66 bilhões de reais este ano, 50 por cento atrelado ao dólar e referentes às operações na Estados Unidos e Europa. Sem incluir os gastos com a nova planta da empresa no México, o investimento programado é de 2,33 bilhões de reais. Em 2015, a empresa investiu 2,38 bilhões de reais.

A petroquímica teve lucro líquido de 158 milhões de reais no quarto trimestre, revertendo resultado negativo de 24 milhões de reais sofrido um ano antes. A companhia teve geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de 2,234 bilhões de reais em termos ajustados, alta de 65 por cento sobre o obtido um ano antes.

O Conselho de Administração da Braskem decidiu encaminhar para assembleia, que deve ocorrer em abril, proposta de distribuição de 1 bilhão de reais em dividendos, disse Fadigas.
As ações da Braskem exibiam alta de 6,6 por cento às 13h30, enquanto o Ibovespa operava estável. (Reuters 18/02/2016)

 

Tereos prevê aumentar produção europeia de beterraba para 18 mi t em 2017

O grupo francês Tereos planeja produzir 18 milhões de toneladas de beterraba em 2017 e 2018, uma alta ante os 15 milhões de toneladas desta temporada, como parte de seu plano para se preparar para o final das cotas de açúcar da União Europeia no ano que vem, disse a empresa nesta quarta-feira.

A meta está alinhada com a estratégia da companhia para elevar sua produção na UE em 20 por cento até 2017 para compensar uma queda nos preços relacionada à liberalização do mercado de açúcar e à abolição dos preços mínimos do açúcar, considerados limitadores das exportações.

A França produziu cerca de 33 milhões de toneladas de beterraba em 2015, uma queda de cerca de 14 por cento ante 2014, devido à redução na área de plantio e o impacto de um clima muito quente e seco no verão, que estressou as lavouras.

A cooperativa disse que o aumento na produção em 2017 seria relacionado à uma extensão no período de produção para as plantas estipulado em 130 dias, ante 105 dias anteriormente.

Separadamente, a Tereos disse também que sua unidade de comercialização, Tereos Commodities, havia negociado 200 mil toneladas de açúcar na segunda metade de 2015, principalmente para África e Oriente Médio. (Reuters 18/02/2016)

 

Brasil e Argentina estudam ação conjunta no agronegócio

Brasil e Argentina pretendem estreitar a relação bilateral no agronegócio, desenvolvendo uma agenda conjunta para impulsionar o comércio internacional de produtos. Esse foi o principal foco de encontro realizado na quarta-feira (17) em Brasília (DF), com representantes dos dois países.

Conforme o Ministério da Agricultura brasileiro, o governo do novo presidente da Argentina, Mauricio Macri, acredita que o agronegócio será o vetor de desenvolvimento do país. Nesse sentido, a Argentina propõe a construção de uma ambiciosa agenda de negociações comerciais com grandes mercados importadores de produtos agropecuários. Os dois ministérios concordam que as tratativas com a União Europeia, China e Rússia, além de outros mercados, devem ter prioridade na pauta dos governos. (Globo Rural 18/02/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Fator S&P: O rebaixamento do rating do Brasil de "BB+" para "BB", anunciado na quarta-feira pela Standard & Poor's, pesou sobre o açúcar demerara na bolsa de Nova York, tendo em vista que o país é o maior fornecedor global da commodity. Os lotes para maio fecharam em baixa de 30 pontos, a 12,85 centavos de dólar por libra-peso. O mercado espera uma depreciação do real frente ao dólar ainda maior com a revisão da S&P, o que pode impulsionar as exportações de açúcar pelo Brasil. A moeda americana forte incentiva os produtores do país a venderem ao exterior, porque aumenta a rentabilidade das exportações. Com mais oferta no mercado, os preços tendem a cair. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal ficou em R$ 80,78, em ligeira alta de 0,07%.

Suco de laranja: Queda estendida: O suco de laranja estendeu ontem as perdas verificadas na sessão anterior em Nova York. Os papéis para maio fecharam em baixa de 100 pontos, a US$ 1,3030 por libra-peso. Além do recuo no consumo da bebida, particularmente nos países desenvolvidos, o clima no Estado da Flórida (que detém o segundo maior pomar de citros do mundo, atrás de São Paulo) está favorável ao desenvolvimento da fruta. Ainda assim, a expectativa é de uma nova redução de safra no Estado americano, provocada pelo greening, doença bacteriana que causa a queda prematura da laranja dos pés. Ocorre que analistas afirmam que o menor volume a ser colhido já foi "precificado". No mercado spot de São Paulo, a caixa de 40,8 quilos da laranja destinada à indústria ficou em R$ 13,80, queda de 0,72%.

Soja: Chuvas no radar: Previsões que indicam chuvas para as regiões produtoras de soja no Brasil e na Argentina pesaram sobre as cotações da oleaginosa na bolsa de Chicago ontem. Os contratos com vencimento em maio fecharam em queda de 2,50 centavos, a US$ 8,8275 por bushel. O clima mais úmido, depois de um período de seca que atrapalhou o plantio, tende a ajudar as lavouras de soja em fase final de desenvolvimento na América do Sul. O benefício das chuvas reforça o cenário de ampla oferta global da commodity e a intensificação da concorrência da soja americana com o produto de outras origens ­ em especial do Brasil, onde a colheita já começou. No oeste da Bahia, a saca de 60 quilos foi negociada à média de R$ 71,33, de acordo com a Associação de Agricultores e Irrigantes do Estado (Aiba).

Trigo: Demanda enfraquecida: Os estoques cheios e a demanda fraca pelo trigo dos Estados Unidos no mercado internacional empurraram para baixo os preços do cereal nas bolsas americanas ontem. Em Chicago, os contratos com vencimento em maio fecharam em queda de 6 centavos, a US$ 4,6850 por bushel.. A desvalorização, contudo, foi limitada pela previsão de tempo mais quente no sul das Grandes Planícies americanas, onde se concentra o plantio do cereal no país. Temperaturas amenas podem ajudar as plantas a saírem prematuramente da dormência de inverno, pondo em risco a produtividade caso ocorra geadas tardias. No Paraná, a saca de 60 quilos ficou cotada à média de R$ 39,96, alta de 0,13%, conforme o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura do Estado. (Valor Econômico 19/02/2016)