Setor sucroenergético

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Investimento da Raízen Energia deve crescer com mais plantio de cana

O presidente da gigante de infraestrutura e energia Cosan, Nelson Gomes, afirmou hoje em teleconferência que o nível de Capex da Raízen Energia para os próximos anos tende a ficar próximo do projetado para o ciclo 2016/17, que começa em abril. No balanço, divulgado ontem, a empresa projetou que o Capex da sucroalcooleira Raízen Energia será na próxima safra de um montante entre R$ 1,8 bilhão e R$ 2 bilhões. Se confirmado, será superior ao projetado para a atual temporada, a 2015/16, entre R$ 1,7 bilhão e R$ 1,8 bilhão.

A razão para o aumento, segundo Gomes, se deve ao fato de que a companhia renovou uma menor área de canaviais em 2015/16, o que reduziu um pouco a demanda de investimento. Mas, para os próximos ciclos, os níveis de plantio de cana serão maiores, por isso, o Capex maior.

“Em anos anteriores, a empresa estava renovando perto de 20% de seus canaviais por ano. Neste ciclo 2015/16, fizemos um percentual de 11%, o que fez o Capex cair na atual safra”, explicou Gomes.

A tendência, no entanto, é que esse percentual de renovação da área de cana volte para o patamar de 15% ao ano. Com isso, a companhia vai manter o canavial preparado para render cana por seis anos, em vez de cinco. “Isso deve fazer com que o Capex aumente R$ 100 milhões”, afirmou.

No balanço divulgado em 18-fev-16, a Cosan, que controla Raízen juntamente com a petroleira Shell, divulgou sua primeira estimativa para a safra 2016/17. A empresa projeta que vai moer entre 60 milhões e 64 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, produzir entre 4,2 milhões e 4,6 milhões de toneladas de açúcar e entre 1,9 bilhão e 2,2 bilhões de litros de etanol.

Para o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de 2016/17, a empresa divulgou um guidance de R$ 3,3 bilhões a R$ 3,6 bilhões.

O guidance foi divulgado junto com uma revisão das projeções para safra atual 2015/16, no balanço financeiro de quarto trimestre da empresa e sua controladora Cosan.

Nesta safra, a Raízen passou a projetar um volume de cana moído entre 60 milhões e 62 milhões de toneladas, na comparação com a faixa entre 57 milhões e 60 milhões de toneladas na divulgação feita no resultado do terceiro trimestre.

O volume de açúcar produzido em 2015/16 deve ser menor que os cálculos anteriores da empresa, entre 4,1 milhões e 4,3 milhões (na comparação com 4,2 milhões e 4,4 milhões). A produção de etanol teve sua faixa de estimativa ampliada e passou de 2 milhões a 2,2 milhões de metros cúbicos para 1,9 milhão e 2,2 milhões de metros cúbicos.

Os cálculos para o Ebitda ficaram entre R$ 3 bilhões e R$ 3,3 bilhões ante R$ 2,6 bilhões e R$ 2,8 bilhões projetados anteriormente. O Capex passou de R$ 1,6 bilhão e R$ 1,8 bilhão para R$ 1,7 bilhão e R$ 1,8 bilhão. (Valor Econômico 19/02/2016 às 16h: 27m)

 

ADM espera manter paralisada usina de etanol de açúcar no Brasil neste ano

A empresa norte-americana de agribusiness Archer Daniels Midland (ADM) não espera reativar sua usina de etanol de cana-de-açúcar no Brasil depois de uma paralisação sazonal neste ano, disse a empresa em comunicado a órgãos regulatórios nesta sexta-feira, num momento em que continua uma ampla revisão de suas operações.

Sediada em Chicago, a ADM tem tentado vender sua usina em Limeira do Oeste desde 2012 e, nesta sexta, disse ainda estar buscando opções.

A ADM disse no mês passado que está avaliando opções para suas três usinas de etanol de milho nos Estados Unidos, incluindo uma possível venda.

A empresa registrou uma queda de 44 por cento em seu lucro em 2015 no seu segmento de processamento de milho, que também inclui resultados da usina de etanol no Brasil. As provisões para perdas relacionadas a este negócio tomaram 45 milhões de dólares do lucro deste segmento de operações, que foram de 648 milhões de dólares. (Reuters 21/02/2016)

 

Açúcar: Piso em cinco meses

O açúcar demerara caiu ao menor patamar de preços em cinco meses na bolsa de Nova York na sexta-feira.

Os papéis para maio fecharam em queda de 18 pontos, a 12,67 centavos de dólar por libra-peso.

Com os lotes para março perto de serem entregues, os agentes estão ansiosos para saber se a Wilmar vai adquirir grandes volumes de açúcar, como fez próximo da expiração de outros contratos recentemente.

Mas não há sinais de que a trading fará isso desta vez, dizem analistas, o que injeta certo nervosismo no mercado.

O dólar firme também estimula as vendas de açúcar pelos produtores do Brasil, porque a moeda americana em alta aumenta a rentabilidade das exportações.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 60 quilos ficou em R$ 80,77, em queda de 0,01%. (Valor Econômico 22/02/2016)

 

Demanda de etanol hidratado cai 3,2% em janeiro, estima

O consumo de combustíveis do chamado Ciclo Otto (gasolina e etanol) no país caiu 11,94% em janeiro, para 4,17 bilhões de litros, frente a janeiro de 2015, segundo dados preliminares compilados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). Conforme a entidade, trata-se do menor consumo desde 2013, quando se registrou 3,94 bilhões de litros.

A queda na demanda pelo biocombustível teve um peso menor na retração de todo o ciclo Otto em janeiro. De acordo com dados da Unica, a demanda por etanol hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos, caiu no mês 3,2%, para 1,211 bilhão de litros. Já a de gasolina C recuou 13,92%, caindo de 3,86 bilhões de litros para 3,32 bilhões em igual comparação.

“Não se observa uma queda expressiva do etanol nos mesmos padrões da gasolina. Ou seja, o consumidor continua optando pelo etanol”, afirma o diretor Técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues.

Desde de novembro de 2014, o consumo mensal de hidratado se manteve acima de 1,2 bilhão de litros. O consumo de janeiro deste ano, quando se compara a janeiro de 2014 e de 2013, significa aumentos de 9,64% e 38,32%, respectivamente.

Os números oficiais, da Agência Nacional de Petróleo (ANP), devem ser publicados hoje, segundo a Unica. (Valor Econômico 19/02/2016 às 16h: 01m)

 

Controle biológico de pragas avança e atrai estrangeiras ao Brasil

O controle biológico de pragas ganha espaço. Novas empresas, inclusive multinacionais da indústria agroquímica, começam a olhar com mais atenção para o setor.

Além disso, devido à extensão da agricultura no Brasil, empresas estrangeiras  e que atuam nesse setor de proteção biológica– têm investido na compra de companhias brasileiras. Nos últimos anos, pelo menos quatro trocaram de mãos.

A capacidade total de produção das empresas dedicadas ao setor de controle biológico no país é suficiente para cobrir apenas 20% da área semeada no país.

Diante de evolução constante, para este ano, espera-se crescimento de 15%, "é preciso estabelecermos padrões mínimos de qualidade no setor", diz Pedro Faria Jr., engenheiro-agrônomo e presidente da ABC Bio (Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico).

A associação, que congrega 23 empresas do setor, entende que é necessário o estabelecimento desses padrões mínimos de qualidade para que o produto tenha qualidade e eficácia.

O controle vai retirar do mercado produto feito sem o padrão necessário e que coloca em risco a própria imagem do setor, segundo ele.

O controle biológico se utiliza de agentes do próprio ambiente, como fungos, bactérias, nematóides (vermes), vírus, insetos e ácaros.

Esses agentes são coletados, pesquisados, identificados e, testada a eficiência deles, são utilizados no combate às pragas.

Na avaliação de Leontino Balbo, precursor na criação de um sistema agro-ecológico em lavouras de cana-de-açúcar, o controle biológico "é fundamental e de graça".

Ele é feito não só por fungos e bactérias como por animais vertebrados, como ratos e pássaros.

Para Balbo, deve haver equilíbrio de pressões no ecossistema. Organismos, quando em equilíbrio, põem pressão uns sobre outros.

Faria diz que o controle biológico das lavouras é necessário. Com a chegada dos produtos transgênicos, algumas lagartas, por exemplo, são eliminadas. Outras, que ficam sem a concorrência das eliminadas, se expandem pelas lavouras.

Esse combate pode ser feito por um controle biológico, que é complementar ao dos agroquímicos, afirma o presidente da ABC Bio.

Eduardo Daher, diretor-executivo da Andef (Associação Nacional de Defesa Vegetal), concorda com essa complementariedade.

APRENDIZADO

Isso tem levado várias empresas do setor agroquímico a buscar esse mercado. "Vai ser, no entanto, um aprendizado para todos", diz Daher.

Para Balbo, a participação dessas empresas no setor de controle biológico é positiva, mas é necessário o desenvolvimento de novo modelo de agricultura, em que o fazendeiro passa a entender em que ambiente ele está cultivando.

As empresas deveriam tentar entender como funcionam esses ecossistemas e se especializarem em vender manejo. Apontar ao produtor como fazer, e não o que fazer.

Mas há problemas a serem resolvidos, segundo Faria. Entre as lições de casa, está a capacitação de técnicos e de agentes de vendas.

Além disso, o governo deve entrar em ação, coibindo a "produção caseira" desses produtos biológicos. "O biológico depende de orientação técnica até mais refinada do que a do produto químico". (Folha de São Paulo 20/02/2016)

 

Governo deve aguardar estabilização do petróleo para ajustar a gasolina, diz ANP

O diretor da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) Waldyr Barroso afirmou nesta sexta-feira que o governo tende a aguardar uma estabilização dos preços globais do petróleo e seus derivados para então promover ajustes nos prêmios internos da gasolina e do diesel em relação ao mercado internacional. "Acho que (o governo) só vai tomar ação depois que observar previsibilidade no valor", disse Barroso durante evento da Câmara de Comércio dos Estados Unidos (Amcham), em São Paulo.

Segundo ele, a expectativa de participantes do setor é de uma elevação gradual das cotações para o intervalo de US$ 50 a US$ 60 o barril em um horizonte de até cinco anos.

Barroso acrescentou que a decisão do governo de manter os preços da gasolina e do diesel elevados em relação aos níveis praticados no exterior não se deve necessariamente à situação de caixa limitado e endividamento alto da Petrobrás. "Eu acredito que não seja por isso, porque no passado recente já observamos uma situação adversa, com os derivados no mercado internacional em patamares superiores aos preços domésticos", afirmou.

O diretor da ANP ressaltou, ainda, que reajuste nos preços combustíveis é um procedimento complexo porque compromete a inflação, tendo desdobramentos macroeconômicos.

Energia renovável

O diretor observou ainda que o preço atualmente mais baixo do petróleo desencoraja os investimentos em energia renovável. "O petróleo mais elevado é positivo porque incentiva outras fontes de energia renovável", disse Barroso. De acordo com ele, o setor de energia eólica teve avanço significativo quando as cotações da commodity estavam em patamares mais elevados.

Na avaliação de Otavio Mielnik, coordenador de projetos da Fundação Getúlio Vargas, também presente no evento, uma retomada gradual da demanda internacional, puxada principalmente pelos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), pode fazer os preços voltarem ao nível de US$ 80 o barril até 2020. No médio prazo, ele avalia que o petróleo pode oscilar entre US$ 40 a US$ 45 o barril se houver entendimento entre os principais participantes do setor, principalmente Rússia e Arábia Saudita, para estabilização do mercado.

Barril para águas ultra profundas

O coordenador de projetos da Fundação Getúlio Vargas, Otavio Mielnik, também presente ao evento, estima que o barril de petróleo deva custar pelo menos US$ 60 o barril para que a exploração em águas ultraprofundas seja rentável. De acordo com ele, a dramática trajetória de queda das cotações internacionais da commodity de US$ 100 o barril para cerca de US$ 30 o barril é uma reação do mercado global ao súbito acréscimo de preço em 2008, o que encorajou os produtores a expandir os volumes disponibilizados ao mercado nos anos subsequentes.

Mielnik ressaltou, ainda, que a revolução do gás de xisto (shale gas) nos Estados Unidos reduziu a influência da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), permitindo que os norte-americanos colocassem no mercado mais 4 milhões de barris por dia entre 2011 e 2014. "Os produtores de xisto dos EUA têm uma versatilidade muito grande e conseguem se ajustar ao preço menor e continuar produzindo", explicou.

Na avaliação dele, o atual cenário de cotações mais baixas deve intensificar um movimento de fusões e aquisições no setor de petróleo e gás. "Essa é a principal tendência decorrente da situação de preço baixo, o que deve ter impacto na atividade econômica", afirmou Mielnik. (Agência Estado 19/02/2016)

 

'El Niño do século' atingiu seu ápice e começa a enfraquecer

De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), apesar de perder força o fenômeno continuará modificando o clima ao redor do globo.

O El Niño mais poderoso do século atingiu seu auge e começa a perder força, mas continuará a influenciar no clima global. De acordo com anúncio feito nesta quinta-feira (17) pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da Organização das Nações Unidas especializada no comportamento da atmosfera da Terra, o fenômeno deve ficar mais fraco nos próximos meses, até desaparecer no segundo semestre. Consequência do aquecimento anormal das águas do Pacífico tropical, o El Niño é um evento que ocorre em intervalos que variam de dois a sete anos.

O Oceano Pacífico aumentou sua temperatura em até 2°C acima da média em 2015, indicando aos especialistas que o El Niño de 2015 e 2016 é um dos mais poderosos da história, sendo comparado aos fortes fenômenos registrados em 1997-1998 e 1982-1983. Após atingir seu pico em novembro e dezembro de 2015, o El Niño tem arrefecido com uma queda de meio grau na temperatura do Oceano Pacífico. (Veja.com 19/02/2016)

 

Setor do biogás quer reduzir custo logístico de indústrias

A associação que reúne empresas ligadas ao biogás e ao biometano, a Abiogás, ainda tenta romper barreiras para expandir a presença do produto no país.

A entidade vai levar para o Ministério de Minas e Energia a proposta de um programa nacional para o setor, segundo Cícero Bley Junior, presidente da Abiogás.

Segundo o documento, o país precisa estabelecer políticas claras de comercialização como leilões regulares e mecanismos de distribuição do biometano em parceria com distribuidoras estaduais de gás canalizado.

"Esse combustível pode usar toda a logística que já existe no Brasil para o GNV. Todas as capitais do Brasil já têm frota de táxis a GNV. Já está pronto", diz Bley.

De acordo com a entidade, o desenvolvimento do mercado do biogás pode beneficiar setores como o alimentício, não só em atividades como irrigação e moagem de grãos, mas, principalmente, no abastecimento de frotas para o escoamento da produção, reduzindo custos logísticos do diesel.

Na visão da entidade, trata-se de operações da produção que não necessitariam ser realizadas com energia gerada em grandes centrais, com linhas de transmissão, subestações e linhas de distribuição, mas sim com energias e combustíveis gerados por seus próprios resíduos orgânicos.

A Abiogás estima o potencial de produção de biogás no Brasil em 23 bilhões de m³ ao ano, sendo 12 bilhões de cana de açúcar, 8 bilhões de alimentos e 3 bilhões de resíduos. Segundo a entidade, esse volume corresponde a cerca de 12 bilhões de litros de diesel. (Folha de São Paulo 20/02/2016)

 

Açúcar: Um duro golpe – Por Arnaldo Luiz Corrêa

O mercado de açúcar em NY fechou à sexta-feira cotado a 12.52 centavos de dólar por libra-peso no vencimento março de 2016, uma dolorida queda de quase 14 dólares por tonelada na semana. A curva de preços de NY que até pouco tempo era invertida, agora está no carrego. Quando isso ocorre, os fundos liquidam suas posições compradas e ato contínuo passam e ficar vendidos. Será que isso vai ocorrer? O custo de carrego para alguns spreads já está acima de 8%. O mercado futuro sentiu o impacto de um físico sem nenhum vigor. Compradores vão empurrar com a barriga as compras para a última hora. O preço, cuja média foi de R$ 1.329 por tonelada FOB em janeiro, na sexta-feira encerrou a R$ 170 a menos. Um duro golpe.

Sazonalmente fevereiro é o mês do ano que apresenta o mais alto preço médio de fechamento das cotações do contrato futuro de açúcar em NY. Tem sido assim nos últimos dezesseis anos (de 2000 a 2015). Maio e junho, na posição oposta, dividem o posto do mais baixo preço médio do ano. No período analisado, em apenas 25% das vezes o preço médio de março superou o de fevereiro. Até o fechamento desta sexta-feira, o preço médio de fevereiro cravava 13.07 centavos de dólar por libra-peso uma queda 8.5% em relação ao preço médio de janeiro que foi de 14.29 centavos de dólar por libra-peso. Nosso modelo apontava uma recuperação dos preços nesse começo de 2016 atingindo o pico de 16.16 centavos de dólar por libra-peso. Os modelos falham, como se vê, e a lição que fica é aquela velha e surrada que diz que ninguém quebra com lucro no bolso. Os preços em reais por tonelada estavam tão atraentes que inúmeras vezes recomendamos aqui a fixação de preços para 2017/2018.

Coincidência? Segundo o analista Marcos Masagão, da Futures Analysis (http://www.futureanalysis.com.br) o preço médio de compra dos fundos para o vencimento março estava em 13.07 centavos de dólar por libra-peso, exatamente o valor médio dos fechamentos deste mês.

A queda brusca do petróleo no mercado internacional provocou uma reação em cadeia nas commodities afetando a percepção que o mercado tem sobre a saúde financeira dos bancos europeus e asiáticos que possuem pesada exposição no mercado de energia. Quem investiu nesse setor amarga um prejuízo doloroso no acumulado do ano: a gasolina derreteu 25%, o gás natural despencou 22%, o petróleo WTI desabou 21%. Energia barata traz desconforto (para ser elegante) para as economias dependentes do petróleo (Venezuela, Rússia, por exemplo) e mais dinheiro no bolso das famílias nas economias fortes.

Paradoxalmente pensava-se (leia-se J.P.Morgan) que a queda no preço do petróleo teria o efeito de aumentar a renda das famílias trazendo um impulso de 0.7% no crescimento da economia. Erraram. Petróleo barato fez despencar em 50% o investimento privado no setor de energia nos Estados Unidos enquanto a renda amargou uma queda de 0.2%. Apenas quatro países possuem custo de produção abaixo de 30 dólares por barril: Arábia Saudita, Irã, Iraque e Kuwait, embora o preço de equilíbrio que eles precisam para atender ao orçamento do país é acima disso. Há dois anos a Arábia Saudita achava que a queda do preço do petróleo iria eliminar seus concorrentes. Não poderia supor, no entanto, que o embargo dos Estados Unidos contra o Irã fosse suspenso. O mundo se viu inundado de petróleo. A origem dessa superprodução é lá em 2007/2008 quando o mundo acreditava que nunca mais veríamos petróleo abaixo de 100 dólares por barril. Hoje o mundo produz 96.3 milhões de barris por dia e consome apenas 94.5. Há alguns meses, a área de inteligência de um grande banco europeu previra que o preço médio do petróleo para 2016 50 dólares por barril e o açúcar 14.50 centavos de dólar por libra-peso.

A impressão que tenho, em relação ao mercado de açúcar, à luz do que ocorre com o cenário macro, poderia ser ilustrada da seguinte maneira. Imagine um tubo maleável cheio de água. Você vai pisando numa extremidade do enquanto a água se move na direção contrária se represando na outra extremidade do tubo. E pouco a pouco você caminha sobre ele e vai pressionando mais. Até o ponto em que o tubo não aguenta mais a pressão e vai estourar. Quem em sã consciência admitiria que um mercado que pela primeira vez em cinco anos apresenta um déficit extraordinário que alcança (dependendo da fonte) 7.8 milhões de toneladas poderia estar negociando nos níveis atuais?

Não recordo, no passado recente, uma situação tão divergente como essa que ocorre no mercado de açúcar. Aumento do déficit, estoque nas mãos de China e Índia, mas com pouca possibilidade concreta de que esse estoque vá para o mercado externo, produção de cana estagnada no Centro-Sul (veja nossa previsão adiante), consumo crescente de hidratado e ainda assim o mercado não reage. Pois é, o fator macro deixou de ser coadjuvante no mercado de açúcar (e consequentemente na formação de preço) e passa a ser protagonista. Falta de dinheiro novo para as tradings as torna mais restritivas e seletivas. Mercado físico de exportação modorrento diminui o fluxo de negócios, portanto é a mesma quantidade de caixa girando menos. Como as tradings ganham no giro, menor giro demanda margem de contribuição maior, dessa forma espera-se que as tradings procurem aumentar os descontos para a próxima safra. Enquanto isso, consumidores industriais que compram com base no índice ESALQ agora querem roer a corda e sentar para discutir uma flexibilização do contrato, se é que me entendem. Outros, reconhecem agora na carne o risco enorme que existe quando compra e venda são feitas em bases diferentes. Para quem vendeu baseado no índice ESALQ e tem o hedge em NY, está rindo à toa. Existem algumas estruturas que podem diminuir esses riscos. Estamos à disposição.

A estimativa de safra da Archer para o Centro-Sul é de 618.5 milhões de toneladas, sendo 34.35 milhões de toneladas de açúcar e 27.49 bilhões de litros de etanol. Estamos usando um mix de 43.5% para o açúcar. Acreditamos que a combinação de custo financeiro alto, a modorra do mercado físico de exportação, o aumento dos descontos (conforme mencionado no parágrafo anterior) e a sufocação do fluxo de caixa vão impelir as usinas a produzirem mais etanol no começo da safra do que se pensava, principalmente agora com os preços deprimidos. Podemos ter surpresas no mix desta safra.

As inscrições para o XXV Curso Intensivo de Futuros, Opções e Derivativos em Commodities Agrícolas estão abertas. O curso ocorre nos dias 29, 30 e 31 de março em São Paulo, das 09 às 17 horas. Para mais informações mande uma mensagem para priscilla@archerconsulting.com.br

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O Demarest Advogados promove na próxima quinta-feira, dia 25 de fevereiro, o Seminário Mercado de Capitais e Agronegócio. Um dos temas importantes para quem está atrás de dinheiro novo é sobre crédito estruturado para o agronegócio. Mais informações eventos@demarest.com.br (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Piso em cinco meses: O açúcar demerara caiu ao menor patamar de preços em cinco meses na bolsa de Nova York na sexta-feira. Os papéis para maio fecharam em queda de 18 pontos, a 12,67 centavos de dólar por libra-peso. Com os lotes para março perto de serem entregues, os agentes estão ansiosos para saber se a Wilmar vai adquirir grandes volumes de açúcar, como fez próximo da expiração de outros contratos recentemente. Mas não há sinais de que a trading fará isso desta vez, dizem analistas, o que injeta certo nervosismo no mercado. O dólar firme também estimula as vendas de açúcar pelos produtores do Brasil, porque a moeda americana em alta aumenta a rentabilidade das exportações. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 60 quilos ficou em R$ 80,77, em queda de 0,01%.

Cacau: Clima favorável: Depois de duas sessões consecutivas em alta, os preços do cacau cederam na bolsa de Nova York. Os contratos com vencimento em maio fecharam em baixa de US$ 61 na sexta-feira, a US$ 2.857 por tonelada. Previsões indicam a continuidade do tempo seco no oeste da África (principal região produtora de cacau no mundo), o que tende a beneficiar a maturação e a colheita. Essa condição climática, contudo, é desfavorável à safra intermediária da amêndoa na região. No Brasil, o tempo está benéfico à colheita da safra principal de cacau na Bahia. Os mapas climáticos indicam que chuvas também devem favorecer a floração da safra intermediária no país. Em Ilhéus e Itabuna (BA), o preço médio da arroba ficou em R$ 144, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Algodão: Demanda não sustenta: As cotações do algodão caíram em Nova York na sexta-feira, apesar dos sinais positivos em relação à demanda pela fibra americana. Os contratos para maio fecharam em baixa de 16 pontos, a 59,54 centavos de dólar por libra-peso. Em relatório divulgado na sexta, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) informou que o país registrou um saldo líquido de exportação (entre novos contratos de compra e possíveis cancelamentos) de 67,23 mil toneladas de algodão na semana até o dia 11 de fevereiro. O volume, todo referente à atual safra 2015/16, é 36% maior que o vendido na semana anterior. Outras 2,77 mil toneladas de algodão dos EUA foram negociadas para entrega em 2016/17. No oeste da Bahia, a arroba da pluma foi negociada à média de R$ 81,34, conforme a Aiba.

Soja: Avanço da colheita: Os preços da soja recuaram na bolsa de Chicago, impactados pelo ganho de ritmo da colheita no Brasil e por relatos de produtividade melhor que o esperado no país. Os lotes com entrega em maio encerraram o pregão de sexta-feira em baixa de 2 centavos, a US$ 8,8075 por bushel. Nem mesmo os dados que indicaram boa demanda pela soja americana sustentaram as cotações. Conforme relatório do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), o país registrou um saldo líquido de venda de 567 mil toneladas da commodity ao exterior na semana encerrada em 11 de fevereiro. O volume é 15% superior ao resultado da semana anterior. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 60 quilos no Paraná ficou em R$ 74,26, com valorização de 0,54%. (Valor Econômico 22/02/2016)