Setor sucroenergético

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Preço da energia no spot desestimulará venda de excedentes por usinas de cana

As usinas de cana do Brasil terão uma queda nas receitas com a energia elétrica neste ano, diante de projeções de baixos preços no mercado spot de eletricidade que desestimularão vendas, após a cogeração ajudar a aliviar balanços do setor em 2015, em meio a preços menores do açúcar.

As usinas geralmente produzem energia para suprir o próprio consumo em suas caldeiras, mas muitas delas possuem também contratos de longo prazo para vender parte da produção às distribuidoras.

Há também a possibilidade de produzir além da demanda e dos contratos para vender a energia no mercado spot, mas o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), utilizado nessas operações, deverá ficar em 30 reais por megawatt-hora em 2016 e até meados de 2017, segundo projeção da Câmara de Comercialização de Energia Elétricas (CCEE) --ante média de 288 reais em 2015 e 690 reais em 2014.

"As usinas estavam queimando qualquer coisa (nas caldeiras para gerar energia) porque o preço alto justificava. O preço altera a viabilidade dessa geração extra por parte dos usineiros", disse o diretor da consultoria especializada em preços de energia Dcide, Patrick Hansen.

Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), já é possível notar uma desmobilização desses esforços das usinas por mais produção de eletricidade.

"Com o PLD em 30 reais, essa operação de geração adicional acabou sendo desmontada. Em janeiro, as usinas já geraram 17 por cento menos que em janeiro de 2015. Não há estímulo para essa geração extra", disse o gerente de bioeletricidade da Unica, Zilmar Souza.

A Raízen, joint venture entre Cosan e Shell, já apresentou redução de 10 por cento na receita com cogeração de energia entre outubro e dezembro de 2015, ante mesmo período de 2014, para 167 milhões de reais, segundo balanço divulgado na semana passada.

Na época, o PLD variou em média entre 212 reais e 116 reais, ante uma média próxima dos 727,5 reais no último trimestre de 2014.

CUSTO MAIOR QUE O PREÇO

O diretor da comercializadora de energia Delta, Geraldo Mota, disse que usinas com sistema de condensação conseguem gerar energia a um break-even de cerca de 30 reais por megawatt-hora, enquanto sistemas de contrapressão produzem a custo de 50 reais de megawatt-hora, considerando o uso de bagaço próprio.

Mota também estimou que os preços spot devem continuar baixos "nos próximos três ou quatro anos", dada a expectativa de pouco crescimento da demanda por energia em um cenário de baixa atividade econômica.

"As usinas vão produzir o mínimo (de energia) necessário para atender os contratos de açúcar e alcool... isso cria até um incentivo para as usinas de cogeração pararem de produzir e passem a comprar energia no mercado", disse.

Zilmar, da Unica, lembrou que a geração de caixa com energia ajudou a indústria em uma época de preços baixos do açúcar.

"Em 2014, início de 2015, a energia ajudou a melhorar a receita média do setor sucroenergético... o setor pensa num portfólio açúcar, etanol e energia", explicou.

A mudança de cenário já reduziu a procura por compras de biomassa, que estiveram em alta nos últimos anos conforme os usineiros tentavam produzir energia acima dos contratos.

Além do bagaço de cana, mais comum, as usinas podem queimar outros materiais para a cogeração, como casca de arroz e madeira.

"Muita empresa com excedente de madeira, que vendia, hoje está ficando com isso estocado. Ninguém tem interesse em comprar essa madeira excedente para queimar", disse Mota, da Delta.

Ele estimou que a geração com biomassa comprada de terceiros pode ter um custo de entre 100 e 200 reais por megawatt-hora, dependendo do sistema da usina, um patamar inviável diante dos preços atuais.

A Unica estima que as usinas a biomassa tenham produzido 22,6 mil gigawatts-hora em 2015, ou 5 por cento da demanda do país. (Reuters 24/02/2016)

 

Distribuidoras aumentam ganho com preço alto de combustíveis

Os altos preços dos combustíveis no país em relação ao mercado internacional ajudaram os resultados das duas maiores distribuidoras privadas do país, Ipiranga e Raízen (que opera com a marca da Shell).

Segundo balanços divulgados no fim da semana passada, o resultado das empresas teve crescimento superior a 20% no quarto trimestre, refletindo o aumento das margens de lucro em 2015.

As duas companhias têm importado combustível, se beneficiando da política de preços da Petrobras, que mantém gasolina e diesel a valores bem acima dos praticados no exterior como estratégia para gerar caixa e enfrentar a crise financeira.

De acordo com estimativa do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), o preço da gasolina vendida pela Petrobras está 45% acima da cotação internacional nesta semana. No caso do diesel, a diferença chega a 60%.

Os preços dos combustíveis são livres mas, pelo seu porte, a Petrobras acaba ditando o valor final de venda aos postos brasileiros.

Diante da grande diferença em relação ao mercado internacional, as distribuidoras privadas têm optado por importar óleo diesel por conta própria para abastecer parte de seu mercado.

Nos dois últimos meses de 2015, os pedidos para importação do combustível por empresas privadas foram superiores, em volume, aos feitos pela Petrobras.

Além disso, dizem analistas, aproveitaram os reajustes promovidos pela Petrobras para ampliar suas margens de lucro.

A analista do UBS Lilyanna Young afirma que o resultado da Ipiranga "enfatiza a capacidade da companhia para repassar mais do que os reajustes promovidos pela Petrobras em setembro".

A Ipiranga teve, no quarto trimestre, um avanço de 22% no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações, um indicador da capacidade de geração de caixa), para R$ 868 milhões.

Já a Cosan, sócia da Shell na Raízen, mostrou ganho de 23% no Ebitda de seu segmento de distribuição de combustíveis, que chegou a R$ 771 milhões.

No acumulado do ano, a alta nos resultados da Ipiranga foi de 21%, para R$ 2,7 bilhões. A Raízen registrou crescimento de 15%, para R$ 2,4 bilhões.

"Suspeitamos que a Ultrapar tenha conseguido importar com ganhos, uma vez que os preços da gasolina e do diesel estão bem acima dos preços internacionais desde o final de 2014", diz Yang.

Ipiranga e Raízen dividem com a BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, o controle do mercado brasileiro de combustíveis. Juntas, as três empresas têm 65% das vendas no país.

A BR, porém, tem menos margem para alterar sua estratégia de suprimento, já que é obrigada a comprar combustíveis da Petrobras. (Folha de São Paulo 24/02/2016)

 

Açúcar: Alta histórica

A queda de braço entre tradings e produtores com a proximidade do vencimento do contrato para março levou o açúcar à maior alta percentual diária em três décadas.

Os lotes para maio fecharam em 13,90 centavos de dólar por libra-peso na bolsa de Nova York, elevação de 8,93% (114 pontos).

Analistas dizem que tradings tentam influenciar o spread entre os papéis para março e maio, para controlar a quantidade de açúcar que será vendida quando o primeiro contrato expirar e quem receberá esses volumes.

A maior projeção da Organização Internacional do Açúcar para o déficit global do produto em 2015/16 deu suporte adicional aos preços.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal ficou em R$ 80,80, baixa de 0,27%. (Valor Econômico 24/02/2016)

 

Na contramão das commodities, preços do açúcar fecham com mais de 9% de alta em Nova York nesta 3ª feira

Na contramão das demais commodities, os futuros do açúcar negociados na Bolsa de Nova York subiram mais de 9% na sessão desta terça-feira (23), ou fecharam o dia registrando ganhos de 88 a 139 pontos entre as posições mais negociadas.

O mercado internacional subiu, segundo o diretor-presidente da G7 AgroCommodities, João Oswaldo Baggio, motivado por uma junção de fatores liderada, principalmente, pelo anúncio da Organização Internacional do Açúcar de um aumento da previsão do déficit global do produto. 

A instituição estimou, nesta terça, uma lacuna de cerca de 5 milhões de toneladas para a temporada 2015/16 contra as 3,5 milhões projetadas em novembro. O cenário é agora o oposto do ocorrido na campanha 2014/15, quando foi apontada um excedente mundial da ordem de 2,3 milhões de toneladas. 

"Embora 2015/16 deva ser a terceira temporada consecutiva da contração da produção global, pela primeira vez desde 2008/09 a queda de produção é tão pronunciada, excedendo 4 milhões de toneladas", informou a OIA.

Ao mesmo tempo, o mercado e analistas brasileiros trabalham com a perspectiva de uma produção recorde do produto no Brasil. A moagem de cana-de-açúcar nesta safra deve passar de 602 milhões de toneladas, porém, ainda conforme explicou Baggio, o impacto dessas informações acaba sendo limitado em um cenário onde os demais países produtores registram perdas e safras menores. 

"Temos quebras na China e na Tailândia em função de adversidades climáticas, e na Índia, a produção e o consumo lutam para manter um equilíbrio. Na Europa, também por conta do clima, o açúcar de beterraba teve problemas. Somente no Brasil se fala em aumento da produção e isso vai trazer boas oportunidades", diz o diretor da G7. "Quando o preço está bom lá fora, toda a cadeia produtivo aqui no Brasil se beneficia", completa. 

O executivo explica ainda que o movimento do mercado internacional é o de recuperar patamares importantes para as cotações nesse momento. "Há tempos o mercado estava trabalhando entre 11 e 13 centavos de dólar por libra-peso, agora está voltando a buscar os 14 cents", diz. 

Assim, nesta terça-feira, a posição março/16 fechou o dia com 14 cents/lb, subindo 139 pontos, o maio com 13,90 cents e ganho de 114 pontos e o julho/16 valendo 13,78 cents e valorização de 97 pontos. (Notícias Agrícolas 23/02/2016)

 

Contrabando de açúcar para a China afeta demanda, dizem analistas

As importações chinesas de açúcar totalizaram 288.500 toneladas em janeiro, uma queda de 25% em relação ao mesmo mês do ano passado, informou mais cedo o Departamento de Alfândegas da China. Analistas observaram, no entanto, que centenas de milhares de toneladas do produto entraram ilegalmente no país por Mianmar nos últimos meses, resultando em queda da demanda oficial chinesa.

Para ajudar produtores locais, o governo da China restringe o volume de açúcar que pode ser importado. Na atual temporada, uma quebra de safra impulsionou os preços internos, criando um incentivo para contrabandistas ignorarem as restrições chinesas e movimentarem açúcar mais barato através das fronteiras de difícil fiscalização do Sudeste Asiático. (Down Jones 23/02/2016)

 

Para OIA, mesmo com déficit crescente, açúcar segue recuo das commodities

Mesmo com o déficit crescente no mercado global de açúcar, os preços da commodity continuam caindo no mercado internacional. O fenômeno é explicado pela Organização Internacional do Açúcar (OIA) como resultado do colapso do mercado das commodities, especialmente do petróleo.

"Os preços no mercado mundial voltaram a apresentar queda desde o relatório trimestral anterior de novembro a despeito da expectativa de que o mercado volte a ter déficit de açúcar na safra 2015/2016", cita o documento divulgado nesta terça-feira pela entidade na capital britânica. "A queda é atribuída basicamente à fraqueza do mercado de commodities em particular o colapso do preço do petróleo".

No mesmo relatório, a OIA elevou a previsão de déficit no mercado global em 2015/16 (outubro/setembro) para 5 milhões de toneladas, ante previsão feita em novembro de déficit de 3,5 milhões.

Segundo a organização, em 19 de fevereiro o preço do açúcar bruto no mercado à vista atingiu o menor preço desde setembro de 2015, a 12,65 centavos de dólar por libra-peso. No mercado à vista do açúcar branco ocorreu a mesma tendência e o produto caiu para 16,68 centavos de dólar por libra-peso em 19 de fevereiro, valor 13,3% menor que o registrado em meados de janeiro, diz a OIA.

Apesar das condições desfavoráveis, o mercado global pode ter um momento "mais construtivo", diz a OIA. "O déficit estatístico é claramente um fator que apoia os preços mundiais e, se os fatores não mudarem, podemos esperara uma tendência generalizada de aumento nos meses restantes da safra 2015/2016", cita a entidade no relatório.

Nesta manhã, o segundo vencimento (maio) do contrato futuro de açúcar demerara na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) chegou a subir 8,8% (111 pontos), a 13,72 cents de dólar por libra-peso. (Agência Estado 23/02/2016)

 

Propriedade rural deve ser vista como empresa, avalia presidente do Sindicato Rural de Paranaíba/MS

"O produtor rural ainda é carente de informações confiáveis e de qualidade".  A afirmação é do presidente do Sindicato Rural de Paranaíba, Wilberto Antônio de Amaral, dando ênfase à importância da realização do Circuito Pecuário - Sistema Famasul, que acontecerá no dia 05 de março, no Tatersal da Leilosin Leilões Rurais, a partir das 8h30.

O evento é promovido pelo Sistema Famasul - Federação da Agricultura e Pecuária de MS, com o apoio do Senar/MS - Serviço de Aprendizagem Rural e com a parceria da Embrapa Gado de Corte e da Novilho Precoce MS. De acordo com o presidente do Sistema Famasul, Mauricio Saito, o Circuito elevará o nível técnico dos pecuaristas do município. "A informação é o agente que pode transformar a realidade dos criadores de gado do nosso Estado. É por isso que ao longo deste ano percorreremos cidades estratégicas para que o número máximo de produtores sejam alcançados. Em Paranaíba, queremos repetir o sucesso de Camapuã que estreou o circuito com um público de aproximadamente 200 pessoas".

Para o presidente do sindicato rural do município, o atual cenário econômico exige que o produtor rural tenha um perfil mais empreendedor e que obtenha um maior controle dos gastos. "A crise, que atinge todo o País, reduz a rentabilidade do pecuarista. Este cenário não é diferente do que ocorre aqui em Paranaíba. Para sobreviver a isso, o produtor rural precisa ver sua propriedade como empresa, não dá mais para tocar o negócio como fazia o seu pai, o seu avó. Ele precisa mudar o modo de gestão, com planilha de custos, e modernizar a propriedade".

Com o tema 'Criando oportunidades, construindo soluções', o evento em Paranaíba contará com a palestra do diretor presidente da Scot Consultoria, Alcides Torres, com o tema: Perspectivas do Mercado Pecuário. De acordo com as informações apuradas pelo Departamento de Economia do Sistema Famasul, o município ocupa a 11ª posição no ranking estadual de rebanho bovino, com um total de aproximadamente 513 mil cabeças. (Famasul 23/02/2016)

 

Moagem de cana no Centro-Sul segue forte em fevereiro

As 32 usinas que estavam em operação no Centro-Sul na segunda quinzena de fevereiro processaram um volume de 2,694 milhões de toneladas de cana-de-açúcar e produziram 52 mil toneladas de açúcar e 132 milhões de litros de etanol, conforme dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). Os volumes, para todos os produtos, superam de longe o fabricado no mesmo intervalo do ano passado quando poucas usinas estavam em operação no período, considerado atípico para o processamento de cana, devido ao excesso de chuvas.

Conforme a Unica, na segunda quinzena do mês ainda estarão em safra 25 unidades. O crescimento se deveu a uma combinação de um volume de cana bisada (que sobra de uma safra para outra no campo), preços mais atrativos de açúcar e etanol e, em alguns casos, da situação financeira complicada das empresas, afirmou o diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues. Conforme a entidade, entre o início de dezembro e 16 de fevereiro, as usinas da região processaram mais de 37 milhões de toneladas de cana.

Desde o início da safra 2015/16 até a primeira quinzena deste mês, a moagem de cana atingiu 602,688 milhões de toneladas, um aumento de 5,63% frente a igual período de 2014/15. A produção acumulada de açúcar foi a 30,7 milhões de toneladas, queda de 3,90%, e a de etanol (total) 27,576 bilhões de litros, alta de 5,75% — sendo 10,6 bilhões de litros de anidro (queda de 2,45%) e 19,968 bilhões de litros de hidratado (alta de 11,62%).

As vendas de etanol hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos, feitas pelas usinas do Centro-Sul às distribuidoras para o mercado interno, foram de 561 milhões de litros na primeira quinzena de fevereiro, uma queda de 12% frente aos 638 milhões de litros de igual período do ano passado, conforme dados divulgados pela Unica.

No acumulado desde o início da safra até 16 de fevereiro, as vendas de hidratado atingiram 15,7 bilhões de litros no mercado interno, 30,8% de aumento frente a mesmo intervalo do ciclo passado.

As vendas de etanol anidro, que é misturado à gasolina, ao mercado interno cresceram 11,7%, para 419,16 milhões de litros na primeira quinzena de fevereiro frente a igual intervalo do ano passado. No acumulado desde o início da safra até 16 de fevereiro, houve um crescimento de 4,6%.

Considerando as vendas de anidro e hidratado aos mercados interno e externos, as usinas venderam na primeira quinzena de fevereiro 996,41 milhões de litros, com 15,35 milhões de litros direcionados à exportação e 981,05 milhões de litros ao mercado interno. O volume é 3,86% menor que os 1,036 bilhão de litros registrados na mesma quinzena do ano passado. No acumulado da temporada até 16 de fevereiro, o aumento foi de 19,8%, para 26,1 bilhões de litros. (Valor Econômico 23/02/2016)

 

Consumo de combustíveis inicia ano com queda de 12,7%

O consumo de combustíveis começou o ano com uma queda de 12,7% em janeiro, na comparação com igual período de 2015, segundo dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Ao todo, foram comercializados 10,514 bilhões de litros no mês passado, o que representa o pior volume de vendas para o mês desde janeiro de 2012.

Os dados do órgão regulador indicam que o mercado consumidor começou 2016 ainda pior que o ano passado, quando as vendas caíram 1,9% no acumulado do ano. Para efeitos de comparação, em janeiro do ano passado a comercialização de combustíveis cresceu 5,4% frente a igual mês de 2014.

A redução no volume consumido foi geral e afetou todos os oito combustíveis acompanhados pelo órgão regulador, refletindo o impacto da retração da economia tanto sobre o consumo das famílias (sobretudo na comercialização de gasolina, etanol e gás liquefeito de petróleo), quanto sobre o desempenho da indústria (grande consumidora de diesel).

O principal destaque negativo foi a venda de etanol hidratado, que foi o único produto a ter seu mercado expandido em 2015. Após subir 37% no acumulado do ano passado, a comercialização do biocombustível fechou janeiro com queda de 3,2%, na comparação anual, totalizando 1,21 bilhão de litros.

O consumo de gasolina comum, que costuma ser mais forte no primeiro mês do ano, por sua vez, caiu 13,9%, para 3,32 bilhões de litros, revertendo o aumento de 7,5% registrado em janeiro do ano passado, frente a igual mês de 2014.

Já as vendas de diesel caíram 16,7%, para 3,94 bilhões de litros, no mês passado. A exemplo do mercado de gasolina, a comercialização de óleo diesel em janeiro deste ano reverteu o aumento de 3,63% registrado no consumo do combustível no primeiro mês de 2015.

A queda das vendas afetou também o mercado de gás liquefeito de petróleo (GLP), consumido tanto pelas famílias nas residências quanto pelas indústrias e comércio. Ao todo, foram vendidos no mês passado 1 bilhão de litros do combustível, o que representa uma redução de 3,5% na comparação anual. Já as vendas de óleo combustível caíram 22,7% no mês passado, quando foram consumidos 376 milhões de litros.

No mercado de aviação, o consumo de querosene (QAV) caiu 2,3% (654 milhões de litros), enquanto as vendas de gasolina de aviação recuaram 29,1% (5,4 milhões de litros) na mesma base de comparação.

Por fim, ainda segundo os dados da ANP, a comercialização de querosene iluminante em janeiro foi 6,9% menor que a registrada em igual período do ano passado. Ao todo, foram consumidos 454 mil litros do combustível, usado na indústria de tintas e na limpeza industrial. (Valor Econômico 24/02/2016)

 

Demanda por gasolina no Brasil deve crescer 1% ao ano até 2021; alta recente foi de 6,3%

O ritmo de aumento da demanda por gasolina diminuirá no médio prazo no Brasil. Diante da queda na venda de veículos e com o aumento da eficiência energética, a Agência Internacional de Energia (AIE) prevê que o consumo de gasolina no País deve crescer a um ritmo anual de 1% até 2021. A velocidade não lembra em nada o forte ritmo observado nos últimos seis anos, quando brasileiros aumentaram o consumo do combustível em 6,3% a cada ano.

"O Brasil vai regredir substancialmente no médio prazo. O menor crescimento na frota de veículos e o aumento médio de 2% na eficiência energética devem restringir o aumento da demanda brasileira por gasolina. O aumento será apenas modesto do patamar estimado de 1 milhão de barris diários em 2015 para 1,1 milhão de barris diários em 2021", diz a AIE em relatório de médio prazo sobre as perspectivas de médio prazo do mercado global.

Entre os fatores que explicam o menor apetite por gasolina está o aumento da demanda por biocombustíveis. A AIE nota que em 2015, por exemplo, o etanol usado em carros teve aumento da demanda de 40% após incentivos tributários. A Agência sinaliza que os biocombustíveis deverão continuar com papel relevante no mercado brasileiro especialmente se considerar que a frota de veículos leves tem cerca de 90% dos carros com motores flex. (Agência Estado 23/02/2016)

 

Reajustes salariais perdem para a inflação pelo 3º mês seguido

Trabalhadores tiveram perda real de 1,3% em suas remunerações em janeiro e situação dos dissídios já é a pior desde a crise financeira global de 2008.

Reajuste mediano permaneceu em 10% pelo terceiro mês consecutivo em janeiro, enquanto o INPC acelerou para 11,3%.

O reajustes salariais que entraram em vigor em janeiro não acompanharam a inflação acumulada e os trabalhadores tiveram perda real de 1,3% em seus salários no primeiro mês do ano. O levantamento do projeto Salariômetro, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), revela que o reajuste mediano permaneceu em 10% pelo terceiro mês consecutivo em janeiro, enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acelerou para 11,3%. 

"Nas mesas de negociação existe uma tendência a buscar um número exato e, agora, parece que o 10% é o número mágico", afirmou o professor Hélio Zylberstajn, coordenador da pesquisa.

Segundo ele, dificilmente os empregadores concederão aumentos acima do nível atual e, mesmo quando a inflação começar a arrefecer nos próximos meses, os reajustes salariais seguirão modestos. "Quando o INPC começar a ceder para baixo de 10%, será uma força puxando os reajustes para os 9%", estimou Zylberstajn. Janeiro foi o terceiro mês consecutivo em que os reajustes salariais ficam abaixo da inflação, o que não ocorria desde a crise financeira global de 2008.

Nos 12 meses encerrados em janeiro, os trabalhadores da extração e refino de petróleo foram os que tiveram perda real de salário mais significativa no País, de 3,9%. A diminuição na renda é mais intensa que as registradas por outras categorias em anos anteriores. De acordo com o coordenador do levantamento, o motivo é a Operação Lava Jato e o consequente desmanche da cadeia de óleo e gás 

Em tempos de inflação e desemprego elevados, mais brasileiros estão apertando o cinto para conseguir pagar as contas. Mas, além de olhar para os gastos, especialistas dizem que é importante pensar em caminhos para aumentar a renda. Veja a seguir algumas opções de como ter uma renda extra.

"O setor de petróleo parou no Brasil. Aí você tem a Petrobrás e uma quantidade enorme de empresas que prestam serviços para ela. Em boa parte, os acordos ficaram só no zero a zero", afirmou Zylberstajn, em referência aos dissídios que apenas repõem a inflação do período.

Em segundo lugar na lista de salários que encolheram estão os trabalhadores do agronegócio da cana-de-açúcar, com perda real 1,3%, seguidos pela categoria de outros serviços, 0,9%. Entre os Estados, aqueles em que os reajustes menos beneficiaram os trabalhadores foram Roraima (-1,3%), Espírito Santo, Amapá, Amazonas e Rio Grande do Norte (todos com -0,3%).

Por outro lado, o reajuste mediano foi positivo em 0,2% nos Estados do Paraná, Santa Catarina, Bahia e Rio Grande do Sul. Em São Paulo, o ganho real foi de 0,1%. No âmbito das categorias, a de confecções e vestuário lidera a lista, com ganho mediano real de 1,2%, seguida por vigilância e segurança privada (1,0%), bancos e serviços financeiros (0,8%), indústria cinematográfica e fotografia (0,7%) e distribuição cinematográfica (0,5%).

Massa salarial encolhe. Segundo a pesquisa da Fipe, o valor total de salários pagos aos trabalhadores com carteira assinada em novembro de 2015 ficou R$ 5,9 bilhões abaixo do registrado no mesmo mês do ano anterior. Em novembro do ano passado, os empregados contratados sob regime da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) receberam juntos R$ 94,4 bilhões, ante R$ 100,3 bilhões pagos no décimo primeiro mês de 2014. 

O valor dessazonalizado é calculado pela Fipe com base no volume de depósitos vinculados ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Novembro é o terceiro mês em que a folha salarial calculada pela Fipe apresenta estabilidade. O valor total foi de R$ 94,4 bilhões em setembro e de R$ 94,5 bilhões em outubro do ano passado. 

Para Zylberstajn, a sinalização mais importante é que, mesmo após um longo período de queda, a massa salarial dos celetistas não está crescendo. Segundo ele, tanto o aumento do desemprego quanto a inflação elevada contribuem para diminuir a folha de pagamentos dos trabalhadores com carteira assinada no País. (O Estado de São Paulo 23/02/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Alta histórica: A queda de braço entre tradings e produtores com a proximidade do vencimento do contrato para março levou o açúcar à maior alta percentual diária em três décadas. Os lotes para maio fecharam em 13,90 centavos de dólar por libra-peso na bolsa de Nova York, elevação de 8,93% (114 pontos). Analistas dizem que tradings tentam influenciar o spread entre os papéis para março e maio, para controlar a quantidade de açúcar que será vendida quando o primeiro contrato expirar e quem receberá esses volumes. A maior projeção da Organização Internacional do Açúcar para o déficit global do produto em 2015/16 deu suporte adicional aos preços. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal ficou em R$ 80,80, baixa de 0,27%.

Café: Em busca de lucros: A reversão dos ganhos dos mercados globais e a valorização do dólar em relação ao real estimularam ontem liquidações de posições por parte dos traders no mercado futuro do café na bolsa de Nova York, com o objetivo de embolsar os lucros do dia anterior. Os contratos do grão do tipo arábica com vencimento em maio fecharam ontem em queda de 1,12%, ou 135 pontos, cotados a US$ 1,1925 por librapeso. As negociações de café continuam sendo dominadas por investidores especulativos, uma vez que os produtores do Brasil ainda esperam uma definição melhor da safra 2016/17 antes de iniciarem suas vendas. No mercado doméstico, a saca de 60,5 quilos do café de boa qualidade oscilou entre R$ 500 e R$ 510, de acordo com o Escritório Carvalhaes.

Algodão: Receios com China: A perspectiva de que a China dará continuidade à sua política de substituição de importações com a venda do algodão de seus estoques domésticos pesou sobre as cotações da pluma ontem na bolsa de Nova York. Os contratos da commodity com entrega em maio fecharam com desvalorização de 1,18% ou 69 pontos, a 58 centavos de dólar por librapeso. De acordo com Hamish Smith, da consultoria Capital Economics, o governo chinês deve ofertar o algodão que está nos estoques a preços bastante competitivos, porque a pluma que está armazenada já está se deteriorando, e o último leilão não teve muito sucesso. No oeste da Bahia, o preço médio da arroba da pluma ficou em R$ 81,34, conforme levantamento da Aiba, a associação de agricultores e irrigantes do Estado.

Soja: Pressão da oferta: As perdas nos mercados acionários e de commodities e o avanço da colheita no Brasil derrubaram os preços da soja ontem na bolsa de Chicago. Os papéis com vencimento em maio fecharam em queda de 1,27%, ou 11,25 centavos, a US$ 8,73 por bushel. De acordo com a consultoria AgRural, os produtores brasileiros já colheram 23% da área plantada no país, à frente dos 20% na mesma época do ano passado. A perspectiva de clima favorável para o plantio de soja nos EUA também é um indicador favorável para a oferta e já está no radar dos investidores. No front externo, houve influência da queda do petróleo. No Paraná, a saca de 60 quilos de soja foi negociada por R$ 68,35 em média ontem, uma baixa de 1,82%, segundo o Departamento de Economia Rural do Estado (Deral). (Valor Econômico 24/02/2016)