Setor sucroenergético

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Custos mais altos ameaçam maior rentabilidade da safra 2016/17

A safra 2016/17 de cana-de-açúcar deve começar a ser colhida mais cedo nesta temporada. Os analistas ainda discutem se esta será ou não a temporada da virada para o setor sucroenergético, uma vez que é esperada uma moagem maior que a comparada com a safra passada, e uma possível melhor rentabilidade, tanto no etanol como do açúcar. Todavia, acredito que a propalada melhor remuneração esbarra em alguns fatores:

Os custos mais elevados de alguns insumos usados pela cadeia sucroenergética, principalmente, os insumos agrícolas atrelados ao dólar, devem ameaçar a melhor remuneração do setor.

É fato que devemos ter uma remuneração um pouco melhor para o açúcar e para o etanol, porém, tivemos alguns insumos que apresentaram reajustes superiores a 100%, o que vai forçar muitas unidades a adequarem seus processos visando a otimização de seus custos e um eventual aumento na rentabilidade.

Outro fator relevante para uma virada de mesa do setor, que não deve ocorrer ainda nesta safra, é que algumas usinas com maior nível de endividamento têm pesado comprometimento na geração de caixa, agravada pela alta da taxa de juros internos e pela correção da taxa de câmbio.

Assim, não vejo esta temporada como a safra em que vamos assistir à uma redução drástica de endividamento e retomada de novos investimentos. No máximo, o que podemos assistir é algumas unidades pensando em aquisições de algumas operações, mas não na construção de novas plantas.

Já em termos de rendimento agrícola devemos esperar uma melhora. Contando com o benefício do clima, as usinas esperam uma boa oferta de cana para a safra 2016/17. Assim, a maior parte das unidades anteciparam a data de início de safra, algumas para o mês de março e o restante para início de abril. Com mais dias de processamento, o setor terá maior capacidade de processamento de cana em relação à safra 2015/16.

O clima em 2015 foi bastante favorável, as canas brotaram muito bem, apesar de algumas regiões apresentarem comprometimento no trato cultural ou no volume de plantio, mas nossa expectativa é de que sejam processadas, ao menos, 620 milhões de toneladas na região Centro/Sul do Brasil na safra 16/17.

O canavial mais velho, em decorrência de uma redução nas reformas de algumas áreas, ocasionado pela falta de dinheiro, foi compensado, de certa forma, pelas chuvas favoráveis e nem mesmo o sacrifício de algumas áreas, com pisoteio de soqueira pela mecanização pesada na última temporada, mais úmida, deve derrubar as produtividades.

Na minha visão, o que vai determinar o volume de cana a ser processado nesta próxima safra será o limite operacional das indústrias, que obviamente é influenciado pelo clima. Se tivermos um ano mais chuvoso, como parece que promete pelo menos no primeiro semestre, pode haver um prejuízo no processamento, e aí a safra se estender até dezembro e até sobrar cana novamente, mas ao que tudo indica, nós devemos ter um ano melhor do que no ano passado no geral em termos de chuva.

Outra questão comumente levantada pela mídia é o fato desta nova safra ser mais açucareira que a anterior. Mas este ponto também merece uma reflexão.

A safra 2015/16 foi uma safra alcooleira, o máximo de etanol possível de se produzir foi feito. Em 2016, acredito que teremos uma provável migração desse volume adicional para o açúcar, uma vez que o mercado externo está com um pequeno déficit mundial e o Brasil deve ser o responsável por cobrir esse déficit. Mas é um volume não muito grande, devido aos elevados estoques mundiais de açúcar, o que fará com que tenhamos, uma vez mais, uma safra mais alcooleira que açucareira.

A tendência do setor, no entanto, é continuar suprindo o mercado interno de etanol anidro, de etanol hidratado e cobrir as oportunidades de crescimento do mercado mundial do açúcar (Celso Torquato Junqueira Franco é presidente da UDOP)

 

Dedini demite mais 40 trabalhadores em Piracicaba, afirma sindicato

Cortes ocorreram em janeiro e fevereiro, diz representação da categoria. Ex-funcionários são orientados pela entidade a buscar Justiça do Trabalho.

O Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba (SP) e região informou que a empresa Dedini Indústria de Base S/A demitiu mais 40 trabalhadores em janeiro e fevereiro deste ano. Os ex-funcionários, segundo a entidade, são orientados a procurar a Justiça do Trabalho para exigir o pagamento de direitos trabalhistas.

Em reunião realizada nesta sexta-feira (26), na sede da Dedini, representantes da empresa informaram que as 40 pessoas demitidas serão incluídas no processo de recuperação judicial pelo qual a metalúrgica é submetida desde 2015. Desde 2014, cerca de 1.600 funcionários foram dispensados pela companhia em Piracicaba e Sertãozinho.

Ainda segundo o sindicato, a uma promessa "verbal" de representantes da empresa para o pagamento de R$ 1 mil na próxima quarta-feira (2) e uma segunda parcela do mesmo valor em 29 de março deste ano para os 40 demitidos desde janeiro de 2016. O compromisso, no entanto, não foi documentado.

A entidade sindical informou que orienta os metalúrgicos a entrar com uma ação na Justiça do Trabalho, independente da proposta da Dedini e da inclusão no processo de recuperação judicial. A dívida trabalhista da empresa, segundo o sindicato, é de aproximadamente R$ 32 milhões, há também atrasos de salários, no pagamento de férias e de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). (G1 27/02/2016)

 

Mercado de açúcar: ALTA VIGOROSA DE PREÇOS TRAZ ALÍVIO ÀS USINAS

O mercado de açúcar em NY fechou a semana com alta vigorosa e com os fundos voltando às compras, embora timidamente num volume próximo a 25,000 contratos. O vencimento março/2016, que expira na próxima segunda-feira, encerrou o pregão de sexta cotado a 13.93 centavos de dólar por libra-peso, numa variação positiva de 141 pontos em relação à semana anterior. Muitas usinas respiraram aliviadas por terem tido a segunda chance de fixarem bons preços para o que resta fixar da 2015/2016 e um pouco da 2016/2017. Só falta perderem essa chance também. Veja bem: o vencimento maio/2017, que fechou na sexta-feira cotado a 14.54 centavos de dólar por libra-peso, se combinado o hedge com uma estratégia de venda futura de dólar (NDF) pode representar um fixação de R$ 1.450 por tonelada. É uma excelente remuneração.

Depois daquele derretimento do mercado de açúcar que assistimos atônitos na semana passada, esta semana começou com uma recuperação de preços pujante. O mercado chegou a subir quase 140 pontos num único dia. A última vez que isso ocorreu foi em 19 de agosto de 2011, quando o mercado encerrou a 30.96 centavos de dólar por libra-peso. Percentualmente, a alta de terça feira (cujo volume de negociação ultrapassou 300.000 lotes) só encontra paralelo em 23 de janeiro de 1986 quando o mercado fechou a 6,07 centavos de dólar por libra-peso, um acréscimo de 12.6% em relação ao dia anterior que fechara a 5.39 centavos de dólar por libra-peso.

Para essa explosão de preços surgiram explicações bizarras de todo tipo: que os fundos tinham se posicionado na venda em março de 2016 e erraram a mão e tiveram que se cobrir rapidamente, ou que haveria um default na entrega de açúcar branco em Londres, ou que a previsão de chuvas para o começo do período de moagem vai ser intensa, ou seja lá o que mais. É da natureza humana querer explicar tudo que acontece, mesmo que não se encontrem as verdadeiras razões.

Temos insistido que os fundamentos do açúcar são fortes, mas os estoques mundiais, a pasmaceira da economia global, o preço do petróleo em níveis muito baixos e a perda de credibilidade da economia brasileira refletindo em real enfraquecido, tem sobremaneira compensado o vigor dos fundamentos. Acreditamos que está havendo um represamento de preços em função de todas essas variáveis exógenas que afetam e distorcem a formação de preços do açúcar.

Nos últimos doze meses, o consumo de hidratado cresceu 37.15% enquanto o de anidro e gasolina A caiu 9.16% e 1.77% respectivamente. O consumo de combustíveis em gasolina equivalente subiu apenas 0.25%, um desastre se comparado ao crescimento do ano anterior que atingiu 7.8%. Fizemos um levantamento extremamente conservador para tentar olhar adiante e entender o que pode ocorrer com a produção de cana por parte do Brasil nos próximos 5 anos.

A previsão foi feita tomando como base o quadro atual, qual seja, por exemplo, um consumo estagnado de combustível (gasolina equivalente) que vai crescer apenas vegetativamente. A venda de veículos leves, por exemplo, caiu 25% em 2015 e mantivemos a mesma quantidade de veículos vendidos para os anos seguintes. Assumimos também que o Brasil vai exportar abaixo de sua capacidade dando espaço para outros países (EU e Tailândia) e vamos chegar em 2020/2021 exportando apenas 25.5 milhões de toneladas de açúcar. Estimamos o crescimento do consumo de hidratado e mantivemos constante o de gasolina e anidro.

Em cinco anos, o mundo vai demandar uma quantidade adicional de açúcar próxima de 19 milhões de toneladas. O Brasil, na safra 2020/2021, mantidas as premissas de hoje, vai precisar 100 milhões de toneladas de cana. Mesmo que acreditássemos que isso seria possível, a indústria de base que atendia ao setor sucroalcooleiro e era líder mundial na produção de plantas completas de usinas está em situação de penúria ou falimentar. Quem vai construir novas usinas? Quem vai investir no setor?

Pergunta para o final de semana: se as usinas não estivessem bem fixadas para a 2015/2016, o mercado subiria com essa volúpia de 140 pontos e mais de 300.000 lotes negociados?

O mercado pode subir mais? Os olhos estarão voltados para a entrega de março que vai ocorrer nesta segunda-feira. Ainda é cedo para afirmar, mas o número de produção de açúcar do Centro-Sul com o qual alguns participantes do mercado está trabalhando (de 36 milhões de toneladas) não é factível. As usinas deverão priorizar a produção de etanol no inicio da safra por questões financeiras e de fluxo de caixa.

O medo do mercado é o estresse que o real pode sofrer em função do deplorável quadro político em que o Brasil se encontra. Alguns acreditam que o dólar pode atingir R$ 5.0000. O que aconteceria com o açúcar, nesse caso? Bem, se assumirmos um teto de R$ 1.250 por tonelada FOB para o açúcar, isso equivale – num ambiente de dólar a R$ 5.0000 – NY negociando a 10.90 centavos de dólar por libra-peso. No entanto, dólar a R$ 5.0000 colocaria a gasolina na bomba a R$ 4.4600 e o hidratado a R$ 3.1235 que equivaleria a um açúcar a 13.00 centavos de dólar por libra-peso. Em poucas palavras, o chão de NY, nos parece, ser alguma coisa em torno de 12 centavos de dólar por libra-peso. O risco de baixa para quem compra a 12.50 centavos de dólar por libra-peso é extremamente pequeno, ao passo que para quem vende nesse nível, é muito elevado. Pode ser que isso tenha entrado na equação daqueles que pensam o mercado.

A batata está assando e muito em breve veremos o maior crápula da história da república atrás das grades. (Archer Consulting 27/02/2016)

 

Com compra de fertilizantes, Bunge pode movimentar 300 mil t em MS

Os fertilizantes que a Bunge pretende importar, por meio do porto de Porto Murtinho, virão da Argentina e o negócio pode movimentar até 300 mil toneladas, por ano, na expectativa da APPM (Agência Portuária de Porto Murtinho). A importação começa em março em um esquema de logística casada, no qual o país vizinho vai comprar soja da companhia, que é a terceira maior exportadora do Brasil e a primeira no agronegócio.

Instalada no Núcleo Industrial de Dourados, a indústria concentrará o maior volume de produtos transportados pelo porto, que, após mais de uma década fechado, foi reaberto em outubro do ano passado, a fim de desafogar logística do Estado. Após ampliação, o grupo vai aumentar em 30% a capacidade de esmagamento de soja na unidade, alcançando 700 mil toneladas, por ano. 

Segundo o diretor da APPM (Agência Portuária de Porto Murtinho), Michel Chaim, de início, serão importadas quatro mil toneladas de fertilizantes pelo porto, que fica na fronteira com o Paraguai. (Campo Grande News 26/02/2016)

 

Setor canavieiro e Faeg alinham estratégias para 2016

Nesta última semana, a Comissão de Cana-de-Açúcar da Federação de Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) se reuniu para destacar pontos e pautas que serão primordiais em 2016. Além do presidente da comissão, Joaquim Sardinha, estavam presentes o assessor técnico da Faeg, Alexandro Alves, e representantes de associações do setor sucroenergético. Para ambos, a reunião foi positiva e gratificante. “A representação máxima de Goiás em produtividade de cana-de-açúcar esteve presente”, disse Sardinha, referindo-se às associações e cooperativas de produtores dos principais municípios goianos.

Um dos principais pontos sublinhados foram alguns problemas com os quais os produtores deverão de preocupar em 2016. O principal gargalo, segundo Alexandro, é a inadimplência. “É um problema recorrente de anos anteriores”, comentou. Em suma, as empresas para as quais são vendidas toneladas e toneladas de cana não repassam o valor completo para o produtor rural.

“As usinas continuam recebendo empréstimos governamentais e incentivos fiscais”, pontuou Alexandro. Foto - Larissa Melo.“As usinas continuam recebendo empréstimos governamentais e incentivos fiscais”, pontuou. “Eles não estão honrando com seus compromissos”, completou Sardinha. Na maioria das vezes, explica ele, o dono do imóvel arrenda a terra para a usina, que não paga o que deve. “Para muita gente, esta é a única fonte de renda; dependem disso para viver”, explicou.

Na reunião, discutiu-se ainda a necessidade de uma agenda parlamentar que possa barrar esta situação. “O pontapé inicial já foi dado e estamos dialogando de perto com deputados da Assembleia Legislativa, além de buscar informações para o que podemos ou não fazer legalmente”, apontou Alexandro.

Segurança

Outro tópico que demonstrou preocupação por parte dos produtores foi o seguro rural. Atualmente há uma única seguradora que faz contratação de seguro no setor canavieiro e, em 2016, ela pretende encerrar as atividades. Segundo Joaquim Sardinha, até o ano passado havia subvenção do governo federal e, este ano, não haverá mais. A solução, segundo Alexandro, é buscar outra empresa e dialogar. “Vamos apresentar nosso portfólio. Fizemos um trabalho de quase 100 mil hectares. Um dado considerável”, salientou.

Ele explicou que a cana-de-açúcar é uma cultura de risco. “Ela está mais suscetível a incêndios, tanto criminosos quanto naturais. Com isso, o produtor fica preocupado. Se ele não estiver resguardado, a situação pode ficar complicada. Ele passará a safra com muito temor e, certas vezes, prejuízo”, esclareceu.

Produção

As previsões da Comissão de Cana-de-açúcar são de que o custo de produção deve aumentar, por isso o produtor deve ter cautela. “Agora, o preço está muito bom, mas deverá haver surpresas nos próximos meses”, frisou Sardinha. E, segundo ele, quem vender para etanol terá resultados um pouco melhores, já que, há três anos consecutivos o combustível tem sido melhor remunerado que o açúcar. “Nos últimos 17 anos, isso nunca aconteceu. Será mais uma safra de etanol”, completou.

Gustavo Rattes de Castro, produtor do município de Paraúna, lembra também que a produção deste combustível, apesar de lucrativa, também sofre com a taxação. “Um grande avanço para o setor seria sensibilizar o governo a reduzir o ICMS para o etanol”, afirmou. Ele contou que Goiás é o segundo maior produtor do líquido no país, mas tem a alíquota mais cara. “Hoje pagamos 22% de impostos quando o etanol fica no estado. Abaixando os impostos, abaixa-se também o preço e a população consumirá mais”, alegou.

Sardinha também comentou sobre a utilização do bagaço da cana pelas usinas. Após o uso da cana tal qual é colhida, sobra o bagaço, que é utilizado pela indústria para a geração de energia, em um acordo com a Celg. A rentabilidade disso, porém, não chega aos bolsos do produtor. “Esta é mais uma luta que travamos há tempos e que este ano deverá ter mais força”, disse. (Faeg 26/02/2016)

 

Com redução de oferta no mercado internacional, açúcar deve ter recuperação de preços em 2016

Desvalorização do real frente ao dólar aumenta a competitividade do açúcar brasileiro.

O fenômeno climático El Niño causou impactos negativos na produção mundial das principais lavouras de cana-de-açúcar. No Brasil, maior exportador do produto no mundo, as chuvas foram a principal causa dos prejuízos e na Índia, a segunda maior exportadora, as secas prejudicaram a safra. 

Na terça-feira, dia 24/02, a Organização Internacional do Açúcar (OIA) aumentou a previsão de déficit do produto, no mercado global, de 3,5 milhões de toneladas para 5 milhões, na safra iniciada em outubro 2015 e que se encerra em setembro de 2016. De acordo com o relatório trimestral da entidade, a justificativa é a retração nas expectativas para a produção do Brasil, Índia, União Europeia e Tailândia.

Apesar do cenário ruim no mundo, as perspectivas para os produtores brasileiros são boas. Segundo o assessor técnico da Comissão Nacional de Cana-de-Açúcar da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rogério Avellar, a diminuição da oferta pode apressar uma recuperação nos preços do açúcar, após o produto atingir em agosto do ano passado as menores cotações em 10 anos. “Com a alta do dólar, os preços reagiram e a saca de 50 kg de açúcar refinado, que no mercado interno, era vendida a R$ 46, hoje está valendo R$ 80;”.  O assessor técnico acrescentou que a previsão brasileira de produção de açúcar, para esta safra, é de 34 milhões de toneladas, com aproximadamente 12 milhões para o mercado interno.

Histórico

A OIA também divulgou no relatório que a última vez que a demanda ultrapassou a oferta foi em 2009/10, quando o desequilíbrio puxou os preços para acima de 30 centavos de dólar por libra-peso, contra os valores atuais que giram em torno de 15 centavos de dólar. No entanto, os estoques atuais são grandes o bastante para prevenir uma reação com esta proporção. "Não são previstos apertos na oferta de açúcar no mercado físico uma vez que a disponibilidade global de exportação e a demanda de importação parecem estar bem ajustadas".

Próxima safra - A entidade destacou também no documento que o déficit deve persistir "por pelo menos mais uma temporada". Na sua primeira estimativa para a safra 2016/17, a Organização prevê oferta ainda menor, com déficit de cerca de seis milhões de toneladas. (CNA 26/02/2016)

 

Ex-diretor financeiro da Guarani assume posição no Grupo Clealco

Em comunicado enviado hoje (26) à imprensa, o Grupo Clealco confirmou uma mudança no quadro de diretores da companhia. O cargo de diretor administrativo financeiro (CFO), ocupado desde julho de 2015 por Denise Araújo Francisco, passará para Reynaldo Ferreira Benitez.

O executivo ocupou por oito anos a posição de diretor financeiro e relações com investidores no Grupo Guarani e, segundo a Clealco, possui mais de 35 anos de experiência na área financeira. Anteriormente também atuou como diretor financeiro na Alstom Brasil, empresa do setor ferroviário e logístico.

Benitez é engenheiro de produção formado na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), com especialização em administração de empresas pelo Insead. “Reynaldo tem a missão de dar continuidade à reorganização financeira e administrativa da Clealco, alinhando as ações aos objetivos estratégicos e visão de longo prazo da companhia, consolidando-a como player estratégico do setor”, afirma a nota da Clealco.

Atualmente, o Grupo Clealco controla três usinas no estado de São Paulo, localizadas nos municípios de Clementina, Queiroz e Penápolis.

Irregularidades na Guarani

De acordo com informações divulgadas pelo Valor Econômico em junho de 2015, Benitez, já na qualidade de ex-diretor da Guarani, fechou um acordo com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para pagar R$ 400 mil com o objetivo de encerrar um processo administrativo sancionador aberto pela autarquia sem que houvesse julgamento.

O processo havia sido aberto pela CVM por conta de reorganização societária que resultou na incorporação da Guarani pela Tereos Internacional, divulgada em 28 de março de 2010. Um mês depois, em 20 de abril de 2010, novo fato relevante informou que a Guarani recebeu aportes de capital da controlada Cruz Alta, oriundos da Petrobras Biocombustíveis.

De acordo com o Valor Econômico, ao analisar os negócios com as ações da companhia antes das divulgações dos dois fatos relevantes, a CVM identificou tanto oscilações como volumes atípicos nas negociações dos papéis. A partir desses dados, a CVM concluiu que houve falha do diretor de relações com investidores ao não divulgar tempestivamente fato relevante sobre as operações, diante do comportamento atípico das ações e que indicavam possível vazamento das operações.

Na ocasião, Benitez alegou que as oscilações apontadas não eram atípicas, uma vez que as ações possuíam alta volatilidade, e, nos dias citados, estavam possivelmente atreladas ao comportamento dos preços do açúcar no mercado. Por essa razão, entendeu que as informações não haviam fugido ao controle de acionistas e administradores.

Ainda segundo informações do jornal, inicialmente, Benitez propôs termo de compromisso com o pagamento de R$ 200 mil. O comitê de termo de compromisso sugeriu que ele dobrasse o valor, e o acordo acabou fechado. (Nova Cana 26/02/2016)

 

Commodities Agrícolas

Cacau: Realização de lucros: Após quatro altas seguidas, os preços do cacau fecharam no campo negativo na sexta-feira na bolsa de Nova York, invertendo os ganhos do início do dia em um movimento de realização de lucros. Os lotes para entrega em maio fecharam com recuo de 2%, ou US$ 59, a US$ 2.888 a tonelada. Os investidores liquidaram suas posições para tentar embolsar os ganhos acumulados recentemente. Após o fechamento, a Organização Internacional do Cacau divulgou que projeta um déficit de oferta de 113 mil toneladas nesta safra, após um superávit de 42 mil toneladas no ciclo anterior, refletindo tanto aumento da demanda como redução da produção. Em Ilhéus e Itabuna, o preço médio do cacau subiu R$ 2, para R$ 146 a arroba, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Soja: Oferta sul-americana: O avanço da colheita de soja no Brasil e a alta competitividade do grão na América do Sul; fez à oleaginosa recuar na sexta-feira na bolsa de Chicago. Os contratos para maio fecharam a US$ 8,635 o bushel, recuo de 2 centavos. Em Mato Grosso, a colheita chegou a 52,5% da área plantada, e no Paraná, a 50%. O aumento da oferta disponível e a alta do dólar têm tornado a soja da América do Sul mais competitiva que a dos Estados Unidos. Por isso, os traders ignoraram a projeção do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) de redução dos estoques finais no país em 2016/17, para 11,97 milhões de toneladas, um dia após projetar uma redução da área plantada. No Paraná, o preço médio da soja caiu 1,07%, para R$ 68,30 a saca, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab).

Milho: Estoques nos EUA: Os preços do milho voltaram a cair na bolsa de Chicago na sexta­feira diante de uma nova projeção de oferta elevada do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Os papéis para milho recuaram 1 centavo, a US$ 3,595 o bushel. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que espera uma elevação nos estoques americanos de milho na próxima safra (2016/17) para 50,22 milhões de toneladas, ante 46,67 milhões de toneladas esperadas para os estoques finais da safra atual. O aumento deve ser reflexo do avanço da área plantada que o órgão havia projetado no dia anterior, para 36,42 milhões de hectares. No mercado doméstico, o indicador Esalq/ BM&FBovespa teve leve alta de 0,02%, para R$ 43,73 a saca.

Trigo: Mais pressão: As cotações do trigo perderam força na sexta-feira nas bolsas americanas diante da projeção de aumento dos estoques nos Estados Unidos. Em Chicago, os lotes para maio recuaram 1,75 centavo, para US$ 4,5225 o bushel. Em Kansas, onde se negocia o trigo de melhor qualidade, os lotes também para maio recuaram 0,5 centavo, para US$ 4,5425 o bushel. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que prevê que os EUA terão, no fim da safra 2016/17, 26,92 milhões de toneladas do cereal, ante 26,29 milhões de toneladas que se calcula que haverão nos estoques domésticos no fim desta temporada, mesmo diante de uma redução da área cultivada. No mercado paranaense, o preço médio ficou estável em R$ 39,48 a saca, de acordo com o Deral/Seab. (Valor Econômico 29/02/2016)