Setor sucroenergético

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Rumo definido

A Rumo Logística, de Rubens Ometto Silveira Mello, colocou suas cartas na mesa junto ao Ministério dos Transportes.

A companhia acena com um plano de investimentos da ordem de R$ 5 bilhões em quatro anos.

A contrapartida seria a extensão do prazo das concessões da controlada ALL. (Jornal Relatório Reservado 02/03/2016)

 

Bayer / Syngenta

A crise começa a respingar no agronegócio.

Segundo fontes próximas à Bayer CropScience, o grupo alemão cogita cortes na produção de sementes e defensivos no Brasil por conta da retração da oferta de crédito agrícola.

Procurada, a companhia nega a medida.

Já na Syngenta, a preocupação é ainda maior.

A companhia está adotando uma política comercial mais agressiva, com cortes expressivos nos preços dos defensivos.

O temor dos suíços é que a queda da receita da subsidiária brasileira, maior operação fora da Europa, contamine as negociações para a venda do controle do grupo à ChemChina. (Jornal Relatório Reservado 02/03/2016)

 

Uma semente de Vladimir Putin no agronegócio brasileiro

A China não está sozinha. Tradings russas também avançam no agronegócio brasileiro valendo-se da mesma combinação de investimentos privados e subsídios públicos – nos dois países em questão, nunca se sabe ao certo onde fica a fronteira entre um e outro.

O caso mais emblemático é o da Sodrugestvo, que opera discretamente no Brasil desde o início da década sob a placa da Aliança Agrícola do Cerrado, sediada em Uberlândia (MG). O grupo, que atua principalmente em Minas Gerais e Goiás, está expandindo seus domínios no país, com a compra de terras no Mato Grosso, Tocantins e Maranhão.

Além de ampliar a produção de grãos, notadamente soja, os russos planejam investir também na área de logística. Executivos da Sodrugestvo teriam se reunido recentemente com o secretário de Portos, Helder Barbalho, manifestando a intenção de participar das próximas licitações do setor.

Grandes empresas agrícolas da Rússia começam a investir no Brasil, seja com a aquisição de terras e produção própria, seja na comercialização de grãos. Entre elas estão a Rusagro e a PhosAgro, grupo que tem um braço também na fabricação de fertilizantes. Nenhuma delas, no entanto, se encontra no estágio da Sodrugestvo, trading que opera em 12 países, a maior parte deles nas franjas da Rússia, como Polônia, Cazaquistão e Ucrânia.

Desde que comprou a Aliança do Cerrado, a companhia já investiu cerca de R$ 3 bilhões no Brasil. Tão ou mais importantes do que estes números é o personagem por detrás desta cortina de grãos. O bilionário Alexander Lutsenko tem uma trajetória que poderia ser chamada de inusitada se não estivéssemos falando da Rússia.

Lutsenko fez carreira militar, com formação no Political College of Arms in Minsk. Nos anos 90, abandonou o Exército russo para criar a Sodrugestvo. Desde então, valeu-se da relação próxima com Vladimir Putin, característica comum a dez entre dez bem sucedidos empresários russos, para expandir seus negócios.

Após consolidar sua posição no Leste Europeu, a Sodrugestvo decidiu atravessar o Atlântico. Hoje, o Brasil já é a maior operação da empresa fora da Europa. Em julho do ano passado, a trading iniciou o embarque de soja a partir de Sergipe para São Petersburgo. (Jornal Relatório Reservado 01/03/2016)

 

Açúcar: Por Impulso do consumo

Os preços do açúcar demerara voltaram a subir na bolsa de Nova York ontem.

Os lotes para julho encerraram em alta de 5 pontos, a 14,25 centavos de dólar por libra-peso.

Na segunda-feira, data do vencimento dos contratos de março, a asiática Wilmar International comprou 600 mil toneladas de açúcar, o que deu impulso às cotações.

Foi a quarta vez consecutiva que a trading adquiriu grandes volumes do produto pouco antes do vencimento de um contrato.

Contudo, os olhos do mercado ainda estão voltados para o Brasil, maior exportador mundial.

As chuvas em importantes regiões produtoras do país são um fator de alta, porque podem atrasar a colheita de cana.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal ficou em R$ 78,99, recuo de 0,55%. (Valor Econômico 02/03/2016)

 

Abengoa deixa o bagaço para seus credores

A crise financeira da Abengoa avança pelos dois maiores negócios dos espanhóis no Brasil. Se, no setor elétrico, o grupo cogita vender ativos e até mesmo devolver licenças de transmissão para a Aneel, na área sucroalcooleira a situação é ainda mais grave.

Com uma dívida superior a R$ 800 milhões, a Abengoa Bioenergia tem atrasado o pagamento de fornecedores e, principalmente, de agricultores. Nas últimas semanas, a empresa teria feito uma série de demissões na área administrativa.

O RR fez várias tentativas de contato com a Abengoa Bioenergia, por telefone e e-mail. Em uma das ligações, um funcionário que não quis se identificar informou que não havia ninguém autorizado a atender à imprensa. Disse ainda que a área de comunicação tinha sido desativada e apenas o setor de RH ainda estava em funcionamento na sede da companhia.

No início do ano, a Abengoa Bionergia anunciou um plano para a repactuação de seu passivo. A medida, no entanto, não foi suficiente para acalmar seus credores, particularmente os fornecedores de cana. Segundo o RR apurou, um grupo de agricultores está se mobilizando para pedir na Justiça o arresto de parte da produção de etanol das duas usinas da Abengoa Bioenergia – localizadas em Pirassununga e São João da Boa Vista, no interior de São Paulo.

No fim do ano passado, os plantadores de cana conseguiram uma liminar para tomar posse de equipamentos da companhia e bloquear recursos que seriam remetidos à matriz, na Espanha. A Abengoa Bioenergia conseguiu cassar a liminar e ganhar tempo. Ainda não se sabe exatamente para quê? (Jornal Relatório Reservado 01/03/2016)

 

Estudo indica que endividamento do setor sucroenergético já alcança US$ 150 por tonelada de cana

O endividamento do setor sucroenergético cresceu em cerca de US$ 20 por tonelada de cana, segundo estudo realizado pela MB Agro a pedido da Associação Brasileira do Agronegócio. (Abag). A entidade fez, nesta terça-feira, 1º de março, uma reunião do Comitê de Agroenergia, no qual os dados de endividamento e as expectativas para a safra 2016/2017 foram apresentados.

Entre os participantes estava o diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia (MME), Ricardo Dornelles, que teria deixado entender que uma elevação da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) na gasolina, como deseja o setor sucroenergético, "pode ser de difícil implementação no cenário atual".

O presidente da Abag, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, relatou que o endividamento entre as safras 2014/2015 e 2015/2016 cresceu em US$ 20 por tonelada de cana. Com esse incremento, a dívida passou para US$ 150 por tonelada de cana. "Piorou o endividamento, sobretudo pela alta do dólar frente o real. Quem conseguiu carregar estoque, ganhou dinheiro", resumiu o executivo.

Alexandre Figliolino, sócio da MB Agro, afirmou que em reais a dívida total do setor estaria em R$ 93 bilhões. "Cresceu cerca de 15% entre uma safra e outra", calculou. Figliolino listou a alta do dólar, dos juros e o fluxo de caixa líquido negativo em parte importante do setor como principais motivos para o avanço do endividamento.

Para a safra 2016/2017, ele projeta nova queda de preço entre a última quinzena de abril e a primeira de maio. "Tem muita cana para moer. Tem muitas usinas fragilizadas que não conseguem reter estoque e vão vender na baixa. Há ainda a demanda interna decrescente", explicou.

Segundo ele, depois desse período de baixa pode haver uma recuperação nos preços. Ainda para Figliolino, esse movimento prejudica as empresas de forma assimétrica. "As que conseguem manter estoques, podem esperar um momento de preços melhor. As que estão em dificuldade financeira, comercializarão mais cedo, com preços piores", argumentou.

Durante a reunião, a Abag defendeu "um reperfilamento das dívidas", de modo a permitir um melhor fluxo de caixa para as empresas. "Não sei quanto há de espaço na agenda para algumas discussões. Talvez possamos ao menos estimular acertos entre credores e empresas do setor. São coisas complexas que ainda precisam ser detalhadas", observou Figliolino.

Ele ainda alertou que se faz necessária atenção especial ao seguimento de algodão, que é financiado em dólar e tem enfrentado clima desfavorável, principalmente na Bahia. "É um pessoal que precisa de cuidado sob pena de estarmos aniquilando uma parcela produtiva importante". (Agência Estado 01/03/2016)

 

USJ Açúcar e Álcool tem lucro, mas endividamento cresce

O grupo sucroalcooleiro USJ Açúcar e Álcool registrou no terceiro trimestre da safra 2015/16, encerrado em 31 de dezembro, um lucro líquido de R$ 11,115 milhões, revertendo a perda de R$ 935 mil obtida em igual intervalo de 2014/15. O balanço, divulgado ontem, apresentou ainda um endividamento maior e uma geração de caixa livre negativa.

A companhia, com uma usina de cana-de-açúcar em Araras (SP), é sócia da americana Cargill com 50% de duas usinas em Goiás. Seus resultados são olhados com atenção pelo mercado de dívida externa. Das quatro principais empresas desse segmento que emitiram bonds nos últimos anos, a USJ é a única em dia com o pagamento de juros.

O resultado do trimestre foi impactado positivamente por R$ 21 milhões vindos de participação nos lucros das empresas investidas (equivalência patrimonial). Também pelo diferimento de R$ 17,5 milhões de imposto de renda.

Nos nove meses da safra 2015/16, de abril a dezembro, a companhia acumulou, porém, um prejuízo líquido de R$ 112,2 milhões, bem acima da perda líquida de R$ 25,1 milhões registrada em igual intervalo do ciclo passado.

A geração de fluxo de caixa livre da empresa foi negativa em R$ 31,3 milhões nos nove meses da safra, uma melhora frente ao fluxo também negativo de R$ 82,8 milhões registrado em igual intervalo do ciclo 2014/15. O desempenho foi afetado por um pagamento de juros maior entre abril e dezembro de 2015 (R$ 128 milhões), na comparação com mesmo período de 2014 (R$ 87 milhões).

Nesse contexto, o endividamento líquido da empresa entre 1º de abril e 31 de dezembro de 2015 cresceu 23,7% para R$ 1,459 bilhão, efeito do aumento da dívida com empréstimos e financiamentos, de 9,5%, para R$ 1,511 bilhão e de uma redução de 74% do caixa, para R$ 52 milhões. (Valor Econômico 02/03/2016)

 

Wilmar é apontada como compradora de quase 600 mil t de açúcar na bolsa ICE

A Wilmar International comprou 599.011 toneladas de açúcar no vencimento do contrato março na bolsa ICE, sua quarta compra de açúcar bruto consecutiva através da bolsa, de acordo com dados da bolsa e operadores.

Os dados divulgados nesta terça-feira mostraram 11.791 lotes de açúcar bruto com origem na Argentina, Brasil e América Central, que seriam entregues contra o contrato março da ICE norte-americana, que venceu na segunda-feira, confirmando uma reportagem da Reuters.

A SG Americas Securities foi listada como a compradora do açúcar, avaliado em cerca de 192 milhões de dólares baseado nos fechamentos de segunda-feira. Operadores disseram que a transação foi em nome da Wilmar.

Nenhuma empresa respondeu imediatamente aos pedidos para comentários. (Reuters 01/03/2016)

 

Usinas liquidam estoques de etanol, mas preço segue firme

Na última semana, algumas usinas que estavam fora do mercado passaram a liquidar seus estoques de etanol, visando abrir espaço para o combustível da nova temporada. Esse cenário, no entanto, não chegou a pressionar as cotações dos etanóis, que seguiram firmes.

Entre 22 e 26 de fevereiro, o Indicador Cepea/Esalq do hidratado foi de R$ 1,9384/litro (sem impostos), aumento de 0,81% frente ao da semana anterior. No mesmo período, o Indicador Cepea/Esalq do anidro teve ligeira alta de 0,29%, a R$ 2,0975/litro (sem impostos).

Desde o início de fevereiro, distribuidoras têm mostrado baixo interesse de compra de etanol, guiadas pela expectativa de aumento na oferta no spot com o início da safra 2016/2017 já na primeira quinzena de março em muitas regiões paulistas. Além disso, a perda de competitividade do biocombustível em relação à gasolina e o menor número de dias úteis neste mês pressionaram o volume negociado, segundo colaboradores do Cepea. (Cepea/ESALQ 01/03/2016)

 

Safra de cana terá início mais alcooleiro no Paraná

A próxima safra de cana-de-açúcar deve começar com maior quantidade de produção alcooleira do que açucareira no Estado, segundo a Associação de Produtores de Bioenergia do Paraná (Alcopar). A melhor remuneração para o litro de etanol no início deste ano e a maior quantidade de chuvas que ocorreram durante o plantio, que deixa a planta com menor teor de açúcar, devem fazer com que as usinas invertam a prioridade na moagem, ao menos até meados do ano.

Conforme a entidade, o Paraná sempre teve tendência maior à produção de açúcar do que de álcool, principalmente na comparação com outros estados fornecedores, como o Mato Grosso do Sul. Como o aumento da cotação do dólar ainda não se converteu em rendimentos maiores, já que boa parte dos contratos de exportação são fechados com cotação definida com no mínimo 12 meses de adiantamento, ainda é mais lucrativo buscar fornecer etanol aos consumidores brasileiros do que vender commodities no mercado internacional. "Teremos um cenário positivo para 2017, mas ainda complicado neste ano", explica o presidente da Alcopar, Miguel Rubens Tranin.

A estratégia visa aproveitar também o momento em que há melhora nos preços pagos pelo litro de etanol, devido à entressafra e ao alto valor da gasolina. Tranin conta que, em recente reunião do setor em Brasília, recebeu a informação de que a queda no consumo de etanol e gasolina caiu 12% em janeiro de 2016, na comparação com o mesmo mês de 2015. "Ao longo do ano, essa redução na demanda vai gerar uma maior oferta e derrubar o preço da gasolina e do etanol", prevê.

Ele conta que quatro unidades ainda mantêm a moagem da produção da safra anterior e outras três vão começar a colheita já, para aproveitar os preços atuais. "O problema é que não adianta comercializar a um bom preço por quatro meses e por um baixo por outros oito", reclama.

Ao longo do ano, o setor vai aumentar a produção de açúcar, porque há contratos já firmados de comércio exterior, diz. Para 2017, Tranin espera maior rentabilidade com a commodity pelo dólar valorizado, o que deve fortalecer o mercado produtor no Paraná.

Queda no ranking

O coordenador técnico do setor sucroalcooleiro da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), Disonei Zampieri, considera que ainda há dúvidas sobre a cotação do açúcar no mercado mundial neste ano. "Vai depender do clima da Índia e da produção de açúcar de beterraba na União Européia". (Reuters 02/03/2016)

 

Brasil abrirá contencioso na OMC contra Tailândia por subsídios ao açúcar

A Câmara de Comércio Exterior (Camex) autorizou o Ministério das Relações Exteriores brasileiro a iniciar um contencioso na Organização Mundial do Comércio contra a Tailândia, por conta de subsídios considerados ilegais aos produtores de açúcar do país asiático, o segundo exportador global do adoçante atrás do Brasil.

Segundo nota do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, os subsídios da Tailândia já foram objeto de diversas manifestações nos diferentes comitês da OMC, sem que houvesse qualquer indicação de mudança nas práticas.

"O conselho de ministros (da Camex) avaliou o pedido dos produtores brasileiros e concluiu que os dados colhidos até o momento são suficientes para embasar o início dos procedimentos", disse o comunicado.

Nos últimos anos, o governo tailandês vem concedendo apoio aos produtores de cana e de açúcar, elevando a produção e a exportação, especialmente para o Sudeste Asiático, disse o ministério.

O governo brasileiro apontou que, nos últimos quatro anos, a participação do Brasil nas exportações mundiais de açúcar caiu de 50 por cento para 44,7 por cento, tendo a Tailândia aumentado sua participação de 12,1 por cento para 15,8 por cento.

Há mais de dez anos, o Brasil obteve vitória contra subsídios ao açúcar, em um contencioso contra a União Europeia que teve impactos significativos no mercado, com reformulações nas políticas dos europeus.

Na época, Tailândia e Austrália foram parceiros dos brasileiros na disputa contra os europeus.

Contatada, a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), mais importante associação de produtores do Brasil, não comentou imediatamente a informação. (Reuters 02/03/2016)

 

Volume exportado cresce, e milho é destaque na balança do agronegócio

Não fosse a queda de preços das commodities no mercado externo, o país estaria com o caixa bem mais cheio.

O volume das exportações do agronegócio do mês passado supera, de longe, o de igual mês de 2015.

Um dos destaques fica para o milho. Nunca se exportou tanto esse cereal como nos últimos seis meses, cujo volume acumulado já atinge 30 milhões de toneladas.

Em igual período anterior, as exportações do cereal se limitavam a 16 milhões de toneladas.

Aos poucos, o país vai se firmando como um grande exportador desse produto. Dólar favorável às exportações e mercado ávido pelo produto brasileiro fazem com que as vendas externas se tornem uma constante.

O Brasil, no entanto, é um dos maiores produtores e exportadores de proteínas e necessita, portanto, de muito milho para a criação dos animais.

As consequências dessas exportações são óbvias sobre os preços, que aumentam. Em fevereiro do ano passado, uma saca de milho valia R$ 14 em Lucas do Rio Verde (MT). Neste ano, está em R$ 25, segundo cotações da Horizon Consultoria.

O respingo dos preços passa pelo aumento de custos na produção de carnes, chega ao bolso dos consumidores e bate na inflação.

O volume das exportações, até então recorde, poderá perder ritmo. Mas, provavelmente, o país ainda vai avançar mais no mercado externo nesse setor nos próximos anos.

Uma das saídas para o atendimento desse crescimento das demandas interna e externa será uma elevação da produção, que já é crescente nos últimos anos.

As vendas externas de milho somaram 5,4 milhões de toneladas no mês passado, um recorde para o mês e o terceiro maior volume exportado na história do país, conforme dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

Esse cenário se repete para os demais itens da balança do agronegócio. Dos 16 principais produtos do setor, apenas 1 teve redução de volume exportado no mês passado, em relação a igual período anterior.

Além do milho, que teve aumento de 361% no volume exportado no período, outros quatro itens também tiveram forte aceleração: soja, açúcar, carne suína e etanol.

Quando se trata de preços, no entanto, todos tiveram queda nos valores médios de comercialização neste ano em relação a fevereiro de 2015.

VOLUME EXPORTADO DE CARNES CRESCE 18% NO MÊS

As exportações de carnes "in natura" somaram 431 mil toneladas em fevereiro, 18% mais do que em igual período do ano passado. A maior expansão ficou para a carne suína, que aumentou 89% no período. O volume desse segmento, no entanto, soma 44 mil toneladas. É o menor do setor de carnes.

As exportações de frango atingiram 288 mil toneladas, com crescimento de 2%. Já a carne bovina, ao atingir 99,5 mil toneladas no mês passado, superou em 24% o volume de fevereiro de 2015.

Se os volumes exportados aumentam, os preços vão na direção contrária. O valor da tonelada de carne suína recuou 33% no mês passado em relação a fevereiro de 2015. Já as carnes de frango e bovina caíram 16% e 9%, segundo a Secex. (Folha de São Paulo 02/03/2016)

 

EUA: Petróleo agora é estocado em vagões de trem

Vagão usado para armazenar petróleo em Williston, no Estado americano de Dakota do Norte.

Os estoques de petróleo dos Estados Unidos estão tão altos que os negociantes do produto estão testando uma nova forma de armazenamento: vagões ferroviários vazios.

Milhares de vagões encomendados para transportar petróleo agora jazem ociosos porque os preços baixíssimos do petróleo inviabilizaram os carregamentos ferroviários.

Ao mesmo tempo, os tanques tradicionais de armazenagem estão repletos com o maior estoque de petróleo já registrado nos EUA desde a década de 1930.

A combinação de petróleo barato e um excesso de vagões criou um novo negócio paralelo para os operadores. J.P. Fjeld-Hansen, diretor-gerente da negociadora de petróleo Musket Corp., experimentou armazenar o produto em vagões no ano passado e descobriu que poderia lucrar estocando o petróleo e garantindo um preço mais alto para entregá-lo um mês depois.

Em 2012, a empresa construiu um terminal ferroviário em Windsor, no Estado americano do Colorado, para despachar carregamentos de petróleo durante o boom da produção americana. Agora, diz Fjeld-Hansen, “o foco mudou do terminal de carregamento para negócio de armazenagem de petróleo e armazenagem em vagões”.

Em fevereiro, a Energy Midstream, empresa de negociação de commodities sediada no Texas, armazenou petróleo condensado em vagões no Estado de Ohio por cerca de 15 dias, antes de despachá-lo para um comprador no Canadá.

Dennis Hoskins, sócio-gerente da Energy Midstream, diz que há tantos tanques ociosos que ele diariamente recebe ofertas de proprietários para utilizá-los.

O emprego de vagões para armazenagem pode ser limitado pelo custo do uso da linha férrea e preocupações com segurança e possíveis indenizações, depois de uma série de acidentes graves na América do Norte envolvendo o transporte de petróleo por trens. Os problemas vão do vazamento de vagões até o risco de colisões e incêndios.

As leis americanas exigem que as ferrovias que abrigam vagões carregados com materiais perigosos, como o petróleo, sigam regras estritas de armazenagem e segurança para manter os vagões distantes do tráfego diário de trens. As ferrovias e os usuários são responsáveis por vazamentos, colisões ou outros acidentes.

“Eu não quero essa responsabilidade”, diz Judy Petry, diretora-superintendente da operadora ferroviária Farmrail System Inc., de Oklahoma. “Preferimos não guardar um vagão carregado.”

Mas o petróleo tem que ser armazenado em algum lugar. O aumento da produção de petróleo em formações de xisto nos EUA criou um excedente enorme que o setor está com dificuldades de absorver. Em fevereiro, o diretor-presidente da petrolífera britânica BPPLC, Bob Dudley, disse em tom de brincadeira que, até o meio do ano, “todo tanque de armazenamento e piscina do mundo estarão cheios de petróleo”.

Khory Ramage, diretor-superintendente da Ironhorse Permian Basin LLC, que opera um terminal ferroviário em Artesia, no Novo México, diz que negociadores de petróleo o procuram regularmente querendo armazenar nos vagões de sua empresa.

Os custos de armazenagem de petróleo “estão aumentando rapidamente, devido à maior demanda e menor disponibilidade”, diz ele.

Os estoques de petróleo bruto nos EUA superaram os 500 milhões de barris no fim de janeiro pela primeira vez desde 1930, segundo a Agência de Informação sobre Energia do país.

A forma mais barata de armazenagem — cavernas subterrâneas de sal — pode ter um custo mensal de 25 centavos de dólar por barril, enquanto a estocagem em vagões custa cerca de 50 centavos de dólar por barril e a armazenagem em embarcações pode chegar a 75 centavos de dólar ou mais. O custo estimado não inclui o carregamento e o transporte.

Os vagões podem guardar entre 500 e 700 barris de petróleo, menos que a capacidade de armazenamento de uma caverna, tanque ou navio.

O uso de vagões de trem para transportar grandes volumes de petróleo no EUA começou a ganhar força há alguns anos em decorrência do boom do fraturamento hidráulico, ou “fracking” — a técnica que permite a extração de petróleo das antes inacessíveis formações de xisto. Campos de exploração surgiram mais rapidamente do que a construção de oleodutos, então os produtores improvisaram e passaram a transportar sua produção até o mercado por meio das ferrovias. As empresas descobriram logo que as ferrovias ofereciam maior flexibilidade de levar o petróleo para quem oferecesse o melhor preço. Algumas empresas de oleodutos chegaram até a se unir a empresas ferroviárias, construindo terminais para carregar e descarregar petróleo. Ontem, o petróleo de referência nos EUA foi negociado a US$ 34,40 por barril, uma queda de quase 70% desde meados de 2014.

O recuo nos preços do petróleo paralisou o transporte ferroviário do produto. Analistas estimam que cerca de 20 mil vagões — em torno de 35% da frota da América do Norte dedicada ao transporte de petróleo — estejam sendo usados para armazenagem. Esses vagões estariam estacionados nos pátios ou parados próximos a trechos ferroviários desativados nas áreas rurais.

Produtores e transportadores que assinaram contratos de longo prazo de aluguel dos vagões durante o boom estão atados a tarifas mensais entre US$ 1.500 e US$ 1.700 por vagão. Os negociadores podem pagar esses preços e ainda lucrar. O petróleo comprado a preços de abril e vendido através do mercado futuro para entrega um ano depois pode gerar uma lucro líquido de US$ 8,07 por barril para o negociante, excluindo custos de armazenagem e transporte. (The Wall Street Journal 02/03/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Por Impulso do consumo: Os preços do açúcar demerara voltaram a subir na bolsa de Nova York ontem. Os lotes para julho encerraram em alta de 5 pontos, a 14,25 centavos de dólar por libra-peso. Na segunda-feira, data do vencimento dos contratos de março, a asiática Wilmar International comprou 600 mil toneladas de açúcar, o que deu impulso às cotações. Foi a quarta vez consecutiva que a trading adquiriu grandes volumes do produto pouco antes do vencimento de um contrato. Contudo, os olhos do mercado ainda estão voltados para o Brasil, maior exportador mundial. As chuvas em importantes regiões produtoras do país são um fator de alta, porque podem atrasar a colheita de cana. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal ficou em R$ 78,99, recuo de 0,55%.

Cacau: Alívio climático: O cacau devolveu ontem parte dos ganhos conquistados na sessão anterior na bolsa de Nova York, diante da redução dos temores com o clima no oeste da África, que concentra a produção da amêndoa no mundo. Os lotes para maio fecharam em queda de US$ 22, a US$ 2.933 por tonelada. Os ventos Harmattan, carregados de areia do deserto do Saara, já não estão mais sendo observados na Nigéria. O fim desses ventos traz alívio às lavouras do país, um dos principais produtores da amêndoa na região. A expectativa dos agricultores nigerianos é que ocorram chuvas na sequência, o que tende a beneficiar a segunda safra anual de cacau. Em Ilhéus e Itabuna (BA), o preço médio da commodity ficou em R$ 147 por arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Algodão: Demanda mais fraca: Os contratos futuros do algodão recuaram ontem na bolsa de Nova York, sob o peso das preocupações com a desaceleração da demanda pela fibra. Os lotes com entrega em maio fecharam em queda de 39 pontos, a 56,11 centavos de dólar por libra-peso. O Escritório Australiano de Economia Agrícola e Recursos e Ciências previu ontem que os preços globais do algodão devem recuar cerca de 4% no curto prazo, refletindo estoques de passagem mais elevados e um enfraquecimento da demanda mundial pela commodity. Muitos compradores também estão aguardando para ver qual será a política da China para escoar suas grandes reservas de algodão. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma subiu 0,10% ontem, para R$ 2,5273 a libra-peso.

Soja: Pressão da colheita: A soja caiu ontem pelo sexto pregão consecutivo na bolsa de Chicago, pressionada pelo avanço da colheita na América do Sul. Os contratos com vencimento em maio fecharam em baixa de 3 centavos, a US$ 8,58 por bushel. Relatos de produtividade maior que o esperado no Brasil e o aumento das exportações da oleaginosa sul­americana têm pesado sobre as cotações. Entretanto, as perdas da soja foram limitadas por sinais de demanda aquecida. Ontem, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) informou que 140 mil toneladas da oleaginosa foram vendidas por exportadores americanos a "destinos desconhecidos", o que o mercado considera ser a China. No Paraná, a saca de 60 quilos de soja foi negociada à média de R$ 67,98, com queda de 0,47%, conforme o Deral/Seab. (Valor Econômico 02/03/2016)