Setor sucroenergético

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Estados mudam alíquota do ICMS e incentivam produção de etanol

Ao menos 12 Estados mudaram, no início deste ano, a tributação de combustíveis. Em sete deles, a medida favoreceu usineiros e deu mais competitividade à produção de etanol no país.

Cinco Estados elevaram a alíquota de ICMS da gasolina e reduziram a do etanol hidratado. Outros dois subiram só a tributação da gasolina.

Em quatro Estados, o índice foi elevado para os dois combustíveis e, em um (Bahia), só houve alta da cobrança incidente no etanol.

A estimativa do mercado é que cada ponto percentual de redução do ICMS do etanol faça o preço cair ao menos R$ 0,02 para os consumidores nos próximos meses. A queda, aliada à alta da gasolina, eleva a competitividade do álcool se o preço for inferior a 70% do valor da gasolina, ele é mais vantajoso.

GASOLINA
Estados Antes (%) Depois (%) Variação (em pp)
AL 25 27 2
BA 28 28 0
DF 25 28 3
GO 27 28 1
MG 27 29 2
PB 27 29 2
PE 27 29 2
PI 17 19 2
RN 25 27 2
RO 25 28 3
RS 25 30 5
SE 25 27 2
TO 25 29 4

A medida atinge principalmente o Nordeste, onde o consumo de etanol historicamente é baixo. Dos nove Estados da região, cinco reduziram o índice do etanol e subiram o da gasolina.

Essa onda pró-etanol, que conta com lobby do setor, iniciou em 2015, quando Minas Gerais criou a maior diferença tributária entre os combustíveis no país ao reduzir a cobrança do etanol de 19% para 14% e subir a da gasolina de 27% para 29%. As vendas de álcool mais que dobraram desde então.

Em 2015, o país bateu recorde de consumo de etanol, com alta de 37,5% ante 2014, segundo a ANP. Já as vendas de gasolina caíram 7,3%, e as de diesel, 4,7%.

Estados que alteraram as alíquotas dizem que o objetivo é incentivar a indústria alcooleira e preservar empregos do setor, que enfrenta crise desde 2008 e fechou 300 mil vagas desde então.

ETANOL
Estados Antes (%) Depois (%) Variação (em pp)
AL 25 23 -2
BA 17 18 1
DF 25 28 3
GO 22 22 0
MG 19 14 -5
PB 25 23 -2
PE 25 23 -2
PI 25 19 -6
RN 25 23 -2
RO 25 28 3
RS 25 30 5
SE 27 27 0
TO 25 29 4

A mudança, porém, não traz prejuízo aos cofres. "Quando baixam uma alíquota, ela será compensada pelo aumento do consumo do produto e a arrecadação segue a mesma. Ou elevam outra alíquota, como fizeram com a gasolina, para compensar", disse Álvaro Martim Guedes, especialista em administração pública e docente da Unesp Araraquara. (Folha de São Paulo 03/03/2016)

 

Endividamento do setor de cana cresceu em US$ 20 por tonelada, diz estudo

O endividamento do setor sucroenergético cresceu em cerca de US$ 20 por tonelada de cana, segundo estudo realizado pela MB Agro a pedido da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag). A entidade fez, ontem (1º), uma reunião do Comitê de Agroenergia, no qual os dados de endividamento e as expectativas para a safra 2016/2017 foram apresentados.

Entre os participantes estava o diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia (MME), Ricardo Dornelles, que teria deixado entender que uma elevação da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) na gasolina, como deseja o setor sucroenergético, "pode ser de difícil implementação no cenário atual".

O presidente da Abag, Luiz Carlos Corrêa Carvalho (Foto), relatou que o endividamento entre as safras 2014/2015 e 2015/2016 cresceu em US$ 20 por tonelada de cana. Com esse incremento, a dívida passou para US$ 150 por tonelada de cana. "Piorou o endividamento, sobretudo pela alta do dólar frente o real”.

“Quem conseguiu carregar estoque, ganhou dinheiro", resumiu o executivo. Alexandre Figliolino, sócio da MB Agro, afirmou que em reais a dívida total do setor estaria em R$ 93 bilhões. "Cresceu cerca de 15% entre uma safra e outra", calculou. Figliolino listou a alta do dólar, dos juros e o fluxo de caixa líquido negativo em parte importante do setor como principais motivos para o avanço do endividamento.

Para a safra 2016/2017, ele projeta nova queda de preço entre a última quinzena de abril e a primeira de maio. "Tem muita cana para moer. Tem muitas usinas fragilizadas que não conseguem reter estoque e vão vender na baixa. Há ainda a demanda interna decrescente", explicou.

Segundo ele, depois desse período de baixa pode haver uma recuperação nos preços. Ainda para Figliolino, esse movimento prejudica as empresas de forma assimétrica. "As que conseguem manter estoques, podem esperar um momento de preços melhor. As que estão em dificuldade financeira, comercializarão mais cedo, com preços piores", argumentou.

Durante a reunião, a Abag defendeu "um reperfilamento das dívidas", de modo a permitir um melhor fluxo de caixa para as empresas. Ele ainda alertou que se faz necessária atenção especial ao seguimento de algodão, que é financiado em dólar e tem enfrentado clima desfavorável, principalmente na Bahia. (Agência Estado 02/03/2016)

 

Aberta a temporada de safra da cana-de-açúcar

Usinas brasileiras podem se beneficiar da alta do dólar e da valorização do comércio global.

A safra 2016/2017 de cana-de açúcar começou na segunda-feira (1º) com a Usina Batatais adiantando a colheita em 13 dias em relação ao ano passado. Segundo José Carlos de Lima Júnior, consultor da Markestrat, em 2016, com a valorização do comércio global de açúcar e a alta do dólar, o setor sucroenergético brasileiro pode começar a se recuperar da crise sofrida entre 2008 e 2014.

“O redirecionamento da produção de açúcar da Índia, que reduziu em três quartos a sua produção direcionada ao mercado mundial, criou um déficit na oferta do produto no mercado internacional. Assim, a cotação da commodity cresceu no comércio mundial. O Brasil também se beneficia da valorização do dólar, uma vez que a produção brasileira fica mais competitiva”, avalia Júnior.

Todavia, o consultor ressalta que a alta do dólar também prejudicou algumas usinas, pois, com a desvalorização do real, a dívida das empresas do setor sucroenergético cotadas na moeda norte-americana se eleva, dificultando a geração de divisas para pagar as amortizações do passivo.

O presidente da Usina Batatais, Bernardo Biagi, acredita que a recuperação do setor sucroenergético pode ser parcial neste ano. “Você não consegue em um ano modificar quatro anos de prejuízo. Não vai ser um ano de lucro, que vai pagar tudo, mas muito melhor que os anteriores”, comenta o empresário.

Para Júnior, outro fator que afetou as usinas de cana-de-açúcar entre 2008 e 2014 foi a isenção fiscal das Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) – imposto cobrado sobre os combustíveis fósseis – para estimular a economia brasileira a partir de 2009. “O retorno da cobrança parcial da Cide na gasolina a partir do ano passado deixou o etanol um pouco mais competitivo. Porém, se a volta da Cide fosse integral, o etanol ficaria ainda mais forte”, comenta o consultor.

Cresce produção de açúcar

A Usina Batatais e a sua filial de Lins esperam ter uma produção de cana de açúcar de 6,85 milhões de toneladas, representando um crescimento de 7% em relação ao ano anterior. A empresa deve dividir a produção em 48% de açúcar e 52% de etanol para a safra de 2016/2017.

De acordo com Bernardo Biagi, presidente da usina, esse percentual representa a menor diferença na produção entre os dois produtos. “O decréscimo da produção de etanol foi de 4% e houve um aumento de 30% na produção de açúcar”, disse Biagi.

Para o empresário, há a tendência de a produção de etanol se equilibrar e o açúcar ter um crescimento significativo. “A tendência para este ano é o etanol se estabilizar ou aumentar pouco e açúcar ter um aumento mais expressivo.” Assim, a diferença do mix entre os dois produtos vai diminuir, com o crescimento da produção de açúcar.

Valorização da biomassa de 2ª geração

O bagaço da cana-de-açúcar também pode se mostrar como uma fonte lucrativa, uma vez que o resíduo da produção pode ser reaproveitado para a geração de biocombustíveis.

De acordo com Marcelo Elias dos Santos, doutorando da FEA-RP/USP e professor da Estácio/Uniseb, que participou da elaboração de um relatório das Nações Unidas sobre biocombustíveis, a biomassa de segunda geração tornou-se uma alternativa viável.

“O relatório indica que os biocombustíveis de segunda geração transformaram-se em uma realidade comercial”, disse o pesquisador. (A Cidade 02/03/2016)

 

Decisão do STJ pode acarretar multa de US$ 150 milhões a usineiro

Esta quarta-feira, 02, será um dia decisivo para o empresário Adriano Gianetti Dedini Ometto e seu advogado, Fernando Serec. Há quase dez anos, Ometto vendeu duas usinas sucroalcooleiras, administradas pela Dedini Agro, para a espanhola Abengoa e agora está ameaçado de ter de pagar uma indenização de US$ 150 milhões aos espanhóis, quase o dobro do que recebeu quando fez a venda.

Só vai conseguir evitar tamanho prejuízo se os argumentos de seu advogado, da sociedade Tozzini Freire, forem bons o suficiente para conseguir convencer os ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) a não aceitarem uma decisão da Justiça e de um tribunal arbitral americanos.

Serec diz também que precisará de “muita reza” para vencer, referindo-se às diversas pulseiras de santos católicos envoltas em seu braço.

A brincadeira não é à toa, tamanha é a dificuldade de se vencer o julgamento de hoje no STJ. Os 15 ministros terão de ficar convencidos de que um tribunal arbitral americano, uma espécie de Justiça privada, pode ter tomado uma decisão viciada. E mais: terá de convencer os ministros de que a própria Justiça de Nova York não tinha razão quando determinou que a decisão fosse cumprida.

O caso se deu porque a Abengoa, que pagou R$ 300 milhões em dinheiro e assumiu dívidas de R$ 400 milhões por usinas que pertenciam ou eram arrendadas por Ometto, se sentiu enganada. Alegou que o empresário tinha vendido usinas com capacidade de processar 7,2 milhões de toneladas de cana por ano, mas que só conseguiu processar 6,1 milhões. Os contratos, segundo Serec, jamais deram garantia de capacidade.

O caso foi parar no tribunal arbitral em Nova York e três árbitros, que fazem as vezes de juízes, decidiram a favor da Abengoa e aplicaram indenização, que corrigida está em torno US$ 150 milhões.

Ometto não aceitou a derrota e questionou o caso na Justiça americana, alegando que a decisão poderia estar viciada. Isso porque o presidente do julgamento, o advogado David Rivkin do escritório americano Debevoise & Plimpton, teria que ter declinado de julgar o processo. A Abengoa contratou o escritório Debevoise, depois de iniciada a arbitragem, para resolver questões de um negócio de energia solar do grupo. Pagaram em honorários cerca de US$ 6,5 milhões.

Serec conta que, em sua decisão, Rivkin não só deu ganho de causa à Abengoa como se negou a considerar os laudos técnicos para cálculo da indenização. A defesa do americano no STJ alega que Rivkin não sabia do conflito de interesses. Isso porque teria feito a busca em seu escritório pelo nome ASA, que são as iniciais de Abengoa SA.

Rivkin não deu retorno à reportagem assim como os advogados locais da empresa, do escritório Sergio Bermudes.

Na Justiça brasileira, a Abengoa também enfrenta acusações. O banco BTG Pactual diz que a empresa desviou patrimônio com recursos que deveriam ter sido usados para construir uma das linhas do sistema de transmissão da usina hidrelétrica de Belo Monte. A empresa está com pedido de recuperação judicial aqui e na Espanha.

Por enquanto, na batalha com Ometto no STJ, a Abengoa está ganhando. O ministro Félix Fisher disse que a Justiça brasileira não pode ferir a soberania americana. Hoje é a vez do ministro João Otávio de Noronha se manifestar. E depois os outros 13 ministros da corte. (O Estado de São Paulo 02/03/2016)

 

Usinas de açúcar indianas interrompem operações antecipadamente

A escassez de cana forçou usinas de açúcar indianas a interromper operações antes do período normal e mais de 100 unidades já pararam o processamento, disse uma associação do setor nesta quarta-feira.

No ano comercial 2015/16, 513 usinas de açúcar começaram a operar, mas 107 usinas interromperam as atividades no fim de fevereiro.

Somente 13 usinas haviam interrompido a moagem no fim de fevereiro do ano passado, disse a Associação Indiana de Usinas de Açúcar em nota.

As usinas de açúcar indianas produziram 19,95 milhões de toneladas entre 1º de outubro e 29 de fevereiro, pouco a mais que a produção de 19,56 milhões de toneladas no mesmo período do ano passado, com a moagem se iniciando algumas semanas antes este ano. (Reuters 02/03/2016)

 

Com maior preço em 15 anos, etanol está 47% mais caro nas usinas de SP

O preço do etanol hidratado atingiu sua maior cotação das usinas do Estado de São Paulo em 15 anos e terminou fevereiro com uma alta anual de 47,13%, apontam dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), da USP.

Na divulgação referente à quarta semana do mês, o combustível deixou a produção por R$ 1,9384, R$ 0,621 a mais na comparação com o período correspondente em 2015.

Em elevação gradativa desde janeiro, o produto já havia atingido seu pico histórico no início de fevereiro, com o litro a R$ 1,89, mas, nas semanas seguintes, continuou registrando novos recordes de R$ 1,9032 e R$ 1,9227 até chegar ao auge da cotação. O Cepea não divulga resultados mensais.

A União da Indústria da Cana-de-Açúcar/SP (Unica/SP) atribui o acréscimo ao incremento de 50% na demanda do combustível em relação à safra anterior, mas garante que o produto permanece mais vantajoso que a gasolina.

Desde abril do ano passado até a primeira quinzena deste mês, o etanol hidratado foi o foco da produção das usinas - totalizando 61% da geração alcoólica - em uma safra considerada chuvosa que resultou em uma moagem de cana 5,63% maior no Centro-Sul do país.

Etanol ´segue´ gasolina, diz economista

Segundo especialistas, além de ser uma consequência da dinâmica do mercado e da produção, o etanol tem evoluído em função de aumentos da energia e do derivado do petróleo, sobre o qual, em 2015, voltou a incidir a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide).

Desde 2013, a Petrobras aumentou o preço da gasolina quatro vezes nas refinarias: 6,6% de alta em janeiro de 2013, 4% em novembro de 2013, 3% em novembro de 2014 e 6% em setembro de 2015.

Para o economista Alexandre Nicolella, da Faculdade de Economia e Administração, da USP de Ribeirão Preto (SP) - no centro de uma das principais regiões produtoras de etanol do país - a elevação nas usinas tem repercutido no bolso do consumidor, sobretudo na entressafra, quando a maior parte das indústrias do setor interrompe a produção - o reinício, este mês, tende a amenizar os valores devido ao aumento da oferta.

Nos postos de Ribeirão, de acordo com a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o etanol hidratado ficou em fevereiro 21,02% mais caro para o consumidor em relação ao mesmo período do ano passado, cobrado em média por R$ 2,723. (G1 02/03/2016)

 

Produção brasileira de etanol está "no limite" de sua capacidade, diz ANP

Com o crescimento expressivo das vendas no ano passado, o mercado brasileiro de etanol chegou ao limite de sua capacidade de produção, avalia a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). No ano passado, a demanda por etanol hidratado subiu 37,5% e atingiu 17,6 bilhões de litros, o maior volume da história.

Segundo o superintendente adjunto de Abastecimento da ANP, Rubens Freitas, em seminário sobre o desempenho do mercado de combustíveis em 2015, a explosão nas vendas do combustível no ano passado deveu-se a três fatores principais: os aumentos do preço da gasolina, a volta da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre os derivados de petróleo e políticas estaduais de redução de impostos do etanol. Os três movimentos contribuíram para melhorar a competitividade do etanol frente à gasolina.

"Está dada nossa capacidade de ofertar etanol. Acima disso, só com ampliação dos investimentos em novas usinas ou com novas tecnologias de produção", Rubens Freitas

Além disso, ele acrescentou a pouca demanda por açúcar no mercado mundial, o que levou os produtores de etanol a optar pela produção de combustíveis.

Para 2016, a ANP acredita que o mercado permanecerá equilibrado, mas há preocupação com o momento em que a economia voltar a crescer, disse Freitas. Neste caso, além de alta nos preços do combustível, o Brasil pode ter que ampliar as importações de gasolina.

O déficit na compra deste combustível caiu à metade entre 2012 e 2015, atingindo no ano passado 1,86 bilhão de litros.

O consumo de combustíveis automotivos ficou estável no Brasil em 2015, diz a ANP. Já as vendas de óleo diesel, que costumam acompanhar mais de perto a atividade econômica, registrou queda de 4,7%. Considerando todos os combustíveis, o mercado brasileiro caiu 1,9%.

Para 2016, a ANP espera estabilidade nas vendas em relação ao ano anterior. (Folha de São Paulo 02/03/2016)

 

Depois de deixar Copersucar, Grupo Batatais faz parceria com São Martinho para comercializar açúcar e etanol

O presidente do Grupo Batatais, Bernardo Biagi, revelou hoje que a companhia sucroalcooleira firmou parceria comercial para que a São Martinho comercialize sua produção de açúcar e etanol. A parceria durará inicialmente três anos e ocorreu depois de o Grupo Batatais deixar a Copersucar após 30 anos. O acordo com a São Martinho deve movimentar uma produção de 400 mil toneladas de açúcar e 300 milhões de litros de etanol por safra.

A Copersucar nasceu de uma cooperativa de usinas e se tornou sociedade anônima, sendo uma das maiores tradings do mundo do setor sucroenergético. A sistemática de operação da companhia "engessou" as os negócios do Grupo Batatais, segundo Biagi. "Quando se faz parte da Copersucar, ela determina as quantidades a serem negociadas e não há muita flexibilidade no negócio. É uma operação engessada e não há, por exemplo, a possibilidade de fixação de preços", explicou.

"Quando se faz parte da Copersucar, ela determina as quantidades a serem negociadas e não há muita flexibilidade no negócio. É uma operação engessada"

De acordo com o executivo, o volume negociado de açúcar com a São Martinho deve atingir 1,7 milhão de toneladas, e o de etanol ficar em 1,3 bilhão de litros com as operações em conjunto com o Grupo Batatais. "A São Martinho não aumentou sua estrutura e terá ganho de diluição de custo, porque vamos pagar parte da operação. Para o grupo (Batatais), o negócio será importante para operarmos nesse negócio, que é novidade", concluiu.

O Grupo Batatais tem unidades na cidade homônima na região de Ribeirão Preto e em Lins (SP). A companhia espera processar 6,858 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2016/2017, cuja moagem começou ontem. O volume, caso seja atingido, será 7% maior que o total de 6,32 milhões de toneladas da safra anterior.

Com os preços mais remuneradores, o grupo irá priorizar a produção de açúcar nesta safra, com alta de 30% no volume ante 2015/2016, para 8,35 milhões de sacas de 50 quilos cada. Já a produção de etanol deve atingir 296 milhões de litros, queda de 4% entre os períodos.

Grupo Batatais prevê alta de 7% na moagem e de 30% na produção de açúcar 2016/17

O Grupo Batatais, com unidades na cidade homônima na região de Ribeirão Preto e em Lins (SP), espera processar 6,858 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2016/17, cuja moagem começou ontem. O volume, se obtido, será 7% maior que o total de 6,32 milhões de toneladas de cana moído na safra anterior. Com os preços mais remuneradores, o grupo priorizará a produção de açúcar nesta safra, com alta de 30% no volume ante 2015/16, para 8,35 milhões de sacas de 50 quilos. "O açúcar sinaliza preços bastante superiores ao do etanol, diferentemente dos das últimas duas safras", disse Bernardo Biagi, presidente da companhia.

Já a produção de etanol do grupo deve atingir 296 milhões de litros, queda de 4% ante a temporada 2015/16, mas o mix de destino de matéria-prima deve ficar em 48% para o açúcar e 52% para o álcool. A produtividade deve atingir 88 toneladas por hectare nas duas usinas, alta de 2%, e o Açúcar Total Recuperável (ATR) deve ficar em 133 quilos por tonelada processada, aumento de 3%.

A unidade Batatais espera incremento de 6% na moagem, para 4,1 milhões toneladas. A produção de açúcar deve avançar 26%, para 5,8 milhões de sacas, e a de etanol recuará 9%, para 153,73 milhões de litros. Com isso, no mix de processamento da cana 56% terá como destino a produção de açúcar e 44%, a de etanol. A colheita na usina é 99,5% mecanizada.

Já a usina de Lins irá processar 2,785 milhões de toneladas, alta de 9% ante 2015/16, e a produção de açúcar deve disparar 41%, para 2,55 milhões de sacas. "Nós já estamos na terceira safra na planta de açúcar e nas duas primeiras o etanol estava com preço melhor. A fábrica de açúcar, que estava ociosa, agora vai ser usada o máximo possível", explicou Biagi. Já a produção de etanol na usina de Lins deve cair 2% ante 2015/16, para 142 milhões de litros. A unidade tem 100% da cana colhida mecanicamente.

Segundo o executivo, apesar da safra mais açucareira, o processamento das duas usinas nos meses de março e abril será destinado à produção de etanol hidratado, diante dos preços remuneradores do combustível. "Vamos dar prioridade ao hidratado, que está sendo mais necessário ao mercado e tem preços mais remuneradores", explicou Biagi. (Agência Estado 02/03/2016)

 

FCStone: Brasil terá dificuldade em disputa com Tailândia na OMC

A FCStone avalia que o Brasil terá dificuldades em convencer os oficiais da Organização Mundial do Comércio (OMC) de que os subsídios oferecidos pelo governo tailandês ao setor sucroenergético do país asiático são desleais.

A consultoria afirma que o sistema de precificação do país, que paga os produtores acima dos preços internacionais, não é considerado desrespeito às regras da Organização. "Os subsídios são oferecidos por meio de uma série de mecanismos que, quando analisados isoladamente, não se mostram prejudiciais à competição internacional", disse a consultoria.

Brasil e Tailândia são os maiores exportadores de açúcar do mundo. O Brasil estuda abrir processo contra tais subsídios desde o ano passado, e realizou uma consulta informal à OMC para sondar a receptividade do pleito pelos oficiais.

O Brasil afirma que a Tailândia elevou em 2014 o valor pago pela tonelada de cana para 160 Bahts (US$ 4,50). O incentivo é válido para cerca de 300 mil produtores e para um total de 103,67 milhões de toneladas, o que acarreta em gasto de 16,59 bilhões de Bahts (US$ 466,79 milhões).

O Brasil também questiona o aumento da área plantada com cana na Tailândia nos últimos anos, mesmo em meio à queda constante dos preços internacionais do açúcar. Na safra 2011/12, eram 1,28 milhão de hectares, ao passo que em 2014/15, 1,51 milhão de hectares.

Por fim, o governo brasileiro também pede informações sobre os custos de logística e sobre como são estabelecidas as cotações internas do açúcar, que ficam acima das do mercado. (Agência Estado 02/03/2016)

 

Exportação de etanol do Brasil em 2015/16 já alcançou 2,25 bilhões

Nas estimativas da consultoria Datagro, o Brasil exportou no acumulado desta safra 2015/16, entre abril do ano passado e fevereiro deste ano, um volume de 2,25 bilhões de litros de etanol. O número calculado pela consultoria é 300 milhões de litros maior que os dados oficiais da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC), que aponta um total de 1,95 bilhão de litros.

A diferença em relação aos números oficiais, segundo a Datagro, se deve a diferenças de metodologia na apuração dos dados.

Ambos os números de exportação de etanol em 2015/16, tanto da Datagro como da Secex, já superam a previsão feita pela própria consultoria de embarques de 1,720 bilhão de litros de etanol. (Valor Econômico 02/03/2016)

 

Venda de gasolina cai 9,2% no Brasil

Já o etanol serviu como alternativa frente à elevação do preço dos combustíveis e procura subiu 37,5%.

O levantamento de vendas de combustíveis da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicou uma queda de 1,9% no consumo total de combustíveis em 2015, na comparação com o ano anterior. A queda foi puxada, sobretudo, pelo fraco desempenho da economia.

Segundo Waldyr Barroso, diretor da agência reguladora, a perspectiva é que neste ano haja uma estabilidade no volume de vendas. "Devemos ter um comportamento bem parecido, em função da própria queda na economia. Acredito que deve espelhar o que aconteceu ao longo de 2015, com estabilidade nas vendas em relação a 2015", avaliou Barroso.

Para ele, o perfil do consumo neste ano também vai depender do resultado da safra de açúcar, que interfere sobre a produção de etanol e seus preços. "O consumidor vai para o posto com uma calculadora. Quando ele percebe que o preço do etanol está deslocado em até 70% em relação à gasolina, rapidamente ele entende que é vantajoso o etanol pela mesma quantidade de energia", completou.

De acordo com os dados apresentados nesta quarta-feira (2), as vendas de gasolina no País caíram 9,2% em 2015 ante o ano anterior. Acompanhando o fraco desempenho da economia, o consumo de diesel também recuou, em 4,7%. Apenas o consumo de etanol cresceu no País, na faixa de 37,5%, como alternativa para o consumidor frente à elevação do preço dos combustíveis. (O Estado de São Paulo 02/03/2016)

 

Exportação cresce, mas continua insatisfatória

A balança comercial brasileira melhorou em fevereiro com o primeiro crescimento das exportações em 17 meses e o maior superávit (diferença entre exportações e importações) para o mês desde 1989, de US$ 3 bilhões, atingindo US$ 29,6 bilhões em 12 meses. Os resultados superaram as expectativas – a consultoria Tendências já projeta um superávit comercial de US$ 41,8 bilhões em 2016, o dobro do de 2015. Mas a corrente de comércio (soma de exportações e importações), que mostra o grau de abertura da economia, caiu mais de 20% entre os últimos 12 meses e os 12 meses anteriores e o superávit só é crescente por causa do recuo constante das importações, em razão da recessão econômica.

Sem câmbio favorável e fraca demanda interna, os resultados seriam piores. Cresceram as vendas de industrializados em fevereiro (+9,6%) e elas já respondem por 58,6% das vendas totais, mas dependem de produtos de baixa intensidade tecnológica, como celulose, tubos, etanol, suco de laranja, açúcar, laminados planos, catodos de cobre ou madeira.

Poucas indústrias de alta intensidade tecnológica despontam como exportadoras, como a aeronáutica, cujas vendas aumentaram 24,6% entre os primeiros bimestres de 2015 e 2016. Também cresceram as vendas de automóveis (+79,8%), mas esse é um mercado dependente da política das matrizes.

A participação dos básicos caiu para 39,3%, com quedas expressivas de petróleo bruto (28,2%), café em grão (23,8%), carne de frango (14,7%) e farelo de soja (11,4%). A maior queda foi de minério de ferro (48,8%) – o balanço de 2015 da maior exportadora (Vale) mostrou queda de US$ 12,1 bilhões da receita bruta em razão da desvalorização do minério de ferro, das pelotas e do níquel.

Em geral, os preços das commodities caíram entre janeiro e fevereiro. Mesmo que a recuperação dos últimos dias das cotações se confirme, os efeitos positivos não serão imediatos.

Com exportações de US$ 702 milhões em média em fevereiro e US$ 759 milhões em 12 meses, o Brasil ainda terá de percorrer longo caminho não só para retomar as vendas diárias dos 12 meses anteriores (US$ 875 milhões), como voltar à casa do US$ 1 bilhão/dia, o que ocorreu pela última vez em 2011 (US$ 256 bilhões foram exportados em 254 dias úteis). Ainda mais longo será o caminho para retomar a corrente de comércio de US$ 482 bilhões, também em 2011 (hoje está em US$ 350 bilhões). (O Estado de São Paulo 03/03/2016)

 

Câmbio pressiona e provoca alta nos preços ao produtor

A desvalorização cambial voltou a pressionar o Índice de Preços ao Produtor (IPP) em janeiro, que subiu 0,56% no mês após dois meses de queda do indicador que mede a variação dos preços dos produtos na porta de fábrica, sem impostos e fretes, na indústria de transformação e extrativa. Em dezembro, a queda foi de 0,35%, segundo o IBGE. No acumulado em 12 meses, o IPP soma alta de 9,86%.

Na avaliação do gerente do IPP, Alexandre Brandão, a volta do índice para o campo positivo indica que os produtores, mesmo com a demanda em queda, conseguiram repassar pelo menos parte do aumento de custos. Entre dezembro e janeiro, o dólar ficou 4,7% mais caro, de acordo com o IBGE. "Os produtores ficam num jogo de ajustes", disse o pesquisador. De um lado a matéria-prima fica mais cara com a desvalorização cambial e do outro, o consumidor está com menor poder de consumo.

Isso aconteceu em alguns bens de consumo duráveis como automóveis e móveis de madeira, que subiram em janeiro ante dezembro. Camas de madeira e poltronas e sofás de madeira são produtos atrelados ao câmbio, ressalta Brandão. Houve também influencia do dólar em produtos de consumo não duráveis, como óleo de soja e sucos concentrados de laranja.

O grupo de bens de consumo subiu 0,86% no mês ­ alta de 1,43% em bens duráveis e de 0,68% em semiduráveis e não duráveis. Foi o maior impacto do IPP em janeiro, 0,30 ponto percentual. O IPP também mediu a variação de preços ao produtor de 2,36% em bens de capital em janeiro e 0,11% em bens intermediários.

Além do dólar mais caro, alguns produtos como o açúcar cristal também subiram influenciados pelo mercado interno. Segundo Brandão, com a alta da gasolina muitos usineiros deixaram de produzir o alimento para se dedicar à fabricação de etanol, pressionando o preço do açúcar. (Valor Econômico 03/03/2016)

 

Commodities Agrícolas

Café: Correção em NY: Depois de seis pregões consecutivos de desvalorizações, o café arábica reagiu ontem em Nova York. Os contratos com vencimento em maio fecharam em elevação de 0,69% (80 pontos), cotados a US$ 1,1555 por libra-peso. O movimento é basicamente de correção, tendo em vista que a tendência do mercado de café é muito mais baixista do que altista nesse momento. No Brasil, principal produtor mundial da commodity, as previsões climáticas para os próximos cinco dias indicam clima favorável ao desenvolvimento dos grãos. Análises técnicas indicam, ainda, que o café arábica pode voltar a testar o patamar de suporte de US$ 1,1335 por libra-peso em Nova York. No mercado interno, a saca de 60,5 quilos do café de boa qualidade oscilou entre R$ 480 e R$ 500, conforme o Escritório Carvalhaes.

Suco de laranja: Queda modesta: Os preços do suco de laranja registraram modesta queda ontem na bolsa de Nova York ontem. Os contratos para maio caíram 0,08% (10 pontos), a US$ 1,2555 por libra-peso. Do lado dos fundamentos, não há novidades. Nos EUA, persistem as preocupações com a safra da Flórida (que detém o segundo maior pomar de citros do mundo, atrás de São Paulo). Um ataque de greening, doença bacteriana que causa a queda prematura dos frutos dos pés, tem dizimado as lavouras do Estado americano. Apesar da oferta menor, a demanda também tem perdido força, especialmente em países desenvolvidos, o que dificulta uma reação dos preços do suco. No mercado spot de São Paulo, a caixa de 40,8 quilos da fruta destinada à indústria ficou em R$ 13,86, queda de 0,36%, conforme o Cepea/Esalq.

Algodão: Demanda fraca: O algodão recuou ontem na bolsa de Nova York, diante dos contínuos temores com o enfraquecimento da demanda pela fibra. Os contratos para maio fecharam em queda de 0,32% (18 pontos), a 55,93 centavos de dólar por libra-peso. O Conselho Consultivo do Algodão da Índia previu que a safra no país, maior produtor global d e algodão, deve recuar 8%, para 7,68 milhões de toneladas na atual safra 2015/16. No entanto, a expectativa de desova dos estoques chineses continua a pressionar as cotações. O mercado ainda está à espera de qual será a política da China para descarregar seus grandes estoques de algodão, movimento que tende a limitar a reação das cotações no mercado global. No oeste da Bahia, a arroba da pluma foi negociada a R$ 81,68, conforme a Aiba.

Trigo: Estímulo do dólar: A perda de força do dólar em relação a outras moedas serviu de estímulo aos preços do trigo nas bolsas americanas ontem. Em Chicago, os contratos com entrega em maio fecharam com valorização de 4,25 centavos, a US$ 4,5025 por bushel. Em Kansas, onde se negocia o cereal de melhor qualidade, os papéis de mesmo vencimento subiram 5,50 centavos, a US$ 4,55 por bushel. A desvalorização da moeda americana torna o trigo produzido nos Estados Unidos mais barato para compradores estrangeiros. Com a demanda aquecida, as cotações da commodity tendem a subir. Contudo, estoques abundantes, especialmente nos EUA, continuam como fator de pressão sobre os preços. No Paraná, o trigo recuou 1,47% ontem, para R$ 38,85 por saca, segundo o Deral. (Valor Econômico 03/03/2016)