Setor sucroenergético

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Abengoa apresenta plano de viabilidade sobre suas usinas de cana

Série de reuniões continua durante este mês.

Controladora das usinas de cana-de-açúcar São Luiz e São João, situadas respectivamente nos municípios de Pirassununga e São João da Boa Vista, no interior paulista, a Abengoa Bioenergia Brasil inicia rodada de reuniões com agentes financeiros.

O objetivo é apresentar o Plano de Viabilidade da empresa sucroenergética no país, que tem por meta reestruturar as dívidas e diminuir os problemas financeiros, ampliados desde o fim de 2015.

A primeira dessas reuniões foi realizada em 26/02 na Usina São Luiz. Segundo a assessoria da Abengoa Bioenergia Brasil, António Rodriguez García, diretor geral da companhia, apresentou no evento projeção do futuro dos negócios em território brasileiro.

Durante o evento assessores que trabalharam no Plano de Viabilidade esclareceram os parâmetros financeiros e operacionais, contando com apoio jurídico para sua implantação.

“Os Bancos e Fundos puderam entender que estamos focados em soluções não somente imediatas, como também a longo prazo”, ressalta o diretor Rogério Ribeiro Abreu dos Santos, conforme relato distribuído para a imprensa.

Conforme a assessoria da Abengoa, ovas reuniões já estão agendadas para ao longo deste mês. “Ficou acertado que os próximos passos serão reuniões bilaterais com cada instituição financeira para discutirmos e esclarecermos cada ponto do Plano de Viabilidade”; relata o diretor. (Jornal Cana 03/03/2016)

 

Abengoa volta a trocar presidente na Espanha

A holding espanhola de energia Abengoa nomeou nesta semana Antonio Fornieles Melero como presidente da empresa. Melero, ex-executivo da KPMG, substituirá José Domínguez Abascal, que deixou o cargo seis meses antes de terminar o mandato.

De acordo com comunicado da companhia, que entrou com pedido de proteção judicial contra dívidas na Espanha em novembro de 2015, e, desde então, interrompeu as obras que tocava no Brasil, a mudança no comando tem o objetivo prioritário de "facilitar um acordo de reestruturação com os credores financeiros e contribuir para reforçar a independência" de sua principal acionista, a Inversión Corporativa, de propriedade da família Benjumea, fundadora da Abengoa.

Segundo o jornal espanhol "El Confidencial", Melero é homem de confiança de Felipe Benjumea, filho do fundador da Abengoa e que e dirigiu a empresa por 25 anos, até ser demitido em setembro. Na Espanha, a Abengoa tem até 28 deste mês para aprovar uma reestruturação e fechar um acordo com os credores. Caso contrário, a empresa terá que declarar insolvência.

No Brasil, três empresas do grupo entraram com pedido de recuperação judicial, contra dívidas da ordem de R$ 3 bilhões. A Justiça brasileira tem até o fim do mês para aprovar o pedido ou declarar a falência das empresas. (Valor Econômico 04/03/2016)

 

Açúcar: Influência do câmbio

O enfraquecimento do dólar ante o real deu impulso aos preços do açúcar demerara na bolsa de Nova York ontem.

Os lotes com vencimento em julho fecharam com ganhos de 19 pontos, a 14,67 centavos de dólar por libra-peso.

A perda de força da moeda americana desestimula as vendas dos produtores de açúcar do Brasil (maior fornecedor global), na medida em que diminui a rentabilidade das exportações.

Com menos oferta do produto no mercado, os preços tendem a subir.

Analistas também esperam uma disponibilidade menor de açúcar da Índia, outro importante exportador global, devido à escassez de chuvas que reduziu a produção de cana local.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal ficou em R$ 78,61, em baixa de 0,35%. (Valor Econômico 04/03/2016)

 

Trading vê oferta maior de açúcar

A produção de açúcar no Centro-Sul em 2016/17 deve crescer 10%, para 34,2 milhões de toneladas, nas previsões da trading inglesa Czarnikow. O número se baseia na tendência de que as usinas vão destinar mais caldo da cana para fabricar a commodity, 43,7%, ante 40,79% de 2015/16. Ainda, que a matéria-prima terá um teor de açúcar 1,9% maior, de 133,7 quilos por tonelada.

A moagem de cana em 2016/17 deve ser 1% menor, nas contas da Czarnikow, de 614 milhões de toneladas. O número considera um processamento de 620 milhões de toneladas na safra 2015/16, na qual será inclusa a moagem do mês de março, conforme nova metodologia adotada pelo Ministério da Agricultura. Para a produção de etanol, a Czarnikow projetou um volume de 27,1 bilhões de litros na região Centro-Sul, sendo 16,1 bilhões de litros de hidratado e 11 bilhões de anidro. (Valor Econômico 04/03/2016)

 

Apesar de sinalização de Dilma, aumento da Cide ainda não está em pauta

Relatos de que a presidente Dilma Rousseff estaria disposta a aceitar propostas alternativas em caso de não aprovação da CPMF, como o aumento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) incidente sobre a gasolina, animaram o setor sucroenergético. Fontes da cadeia produtiva ouvidas pelo Broadcast Agro disseram, no entanto, que o diálogo com Brasília atualmente não é dos melhores por causa do ambiente político tumultuado no Planalto.

Na semana passada, a presidente teria dito a deputados federais que aceita novas formas de impulsionar a receita em meio à demora pela aprovação da CPMF no Congresso. O comentário deu margem a especulações em torno da elevação da Cide, mas o assunto parece não estar mesmo na mesa da presidente. Ontem, por exemplo, o diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia (MME), Ricardo Dornelles, frisou que qualquer alteração na taxa "pode ser de difícil implementação no cenário atual".

A Cide, que havia sido zerada em 2012, foi recomposta em fevereiro do ano passado, a R$ 0,10 por litro de gasolina. O setor sucroenergético, porém, ainda sugere um valor maior, perto de R$ 0,60, como correção monetária em relação ao R$ 0,28 aplicado em 2002, quando o imposto foi criado. Conforme as fontes, essa bandeira continuará sendo empunhada pelo segmento, pois representa a taxação das externalidades negativas da gasolina, mais poluente que o etanol.

Um estudo feito pelo próprio setor sucroenergético em setembro do ano passado mostrou que o aumento da Cide, de R$ 0,10 para R$ 0,60, teria impacto de 0,84 ponto porcentual no IPCA, que mede a inflação oficial. Além disso, o tributo geraria quase R$ 15 bilhões em receitas, sendo R$ 10,6 bilhões (71% do total) para o governo. (Agência Estado 03/03/2016)

 

Mudanças climáticas podem afetar geração de energia renovável

Todas as fontes renováveis de energia estarão, em graus variáveis, vulneráveis à mudança do clima. Em cenários de clima extremo, com aumentos de temperatura acima de 4°C neste século, a energia hidrelétrica no Brasil sofrerá pela menor vazão dos rios, assim como eólica, solar e biomassa. O país pode ingressar em um ciclo vicioso, recorrendo a fontes energéticas fósseis que alimentam o problema. Esta visão é de Roberto Schaeffer, da Coppe/UFRJ, especialista em energia e um dos autores do estudo "Riscos de Mudanças Climáticas no Brasil e Limites à Adaptação", divulgado ontem.

Coordenado pelos climatologistas Carlos Nobre e José Marengo e realizado com apoio da Embaixada do Reino Unido, o estudo analisou impactos em saúde, agricultura, biodiversidade e energia no Brasil em cenários de aumento de temperatura de mais de 4°C.

Neste quadro, o déficit no atendimento da demanda elétrica no Brasil se tornará praticamente inevitável. O sistema também será mais pressionado pela demanda, com maior necessidade do uso de ar-condicionado, por exemplo.

O Brasil, que produz 80% de sua energia elétrica com base na hidroeletricidade, fica muito vulnerável à mudança do clima, diz Schaeffer. "Cenários de menos de 4°C já causam muito impacto", reforça. Estudos contratados pela extinta Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) indicam que a mudança do clima e a mudança no regime de chuvas podem fazer com que s bacias brasileiras tenham vazão de 40% a 60% mais baixas, com perda de capacidade de geração de energia de 25%.

"O planejamento energético parte do pressuposto que o clima é estacionário, o que não é verdade", disse. "Qualquer projeto de hidrelétrica no mundo que tenha dinheiro do Banco Mundial tem de considerar cenários de mudança climática. O banco quer saber se vai emprestar para uma obra que talvez não tenha como retornar o empréstimo."

No caso de temperaturas extremas há impactos no padrão dos ventos e a probabilidade de mais nuvens afeta a geração de energia solar. A produção de cana também é muito vulnerável e, por consequência, a eletricidade gerada por biomassa.

Schaeffer teme que esse quadro esconda uma armadilha. "Se o Brasil recorrer mais a fontes renováveis pode ficar mais vulnerável e, para se proteger, voltar­se mais às fontes fósseis", disse. "O setor elétrico terá que mudar sua cara, depender menos de hidrelétrica e, perversamente, talvez optar pelas térmicas a gás. Há uma tendência do setor energético de aumentar muito suas emissões para lidar com o problema", disse.

O estudo revelou os principais riscos para o Brasil no caso de a elevação da temperatura superar os 4°C: queda de produtividade entre 20% e 81% em culturas como arroz, feijão e soja; possibilidade de o mosquito Aedes aegypti encontrar condições ainda mais favoráveis para se disseminar e aumento da extinção em 25%. "Há limites para a adaptação à mudança do clima", disse Carlos Nobre. "A principal mensagem deste estudo é tomarmos medidas já para evitar chegar a esta situação". (Valor Econômico 03/03/2016)

 

Governo espera queda de 5% no consumo do ciclo Otto e setor deve puxar produção de açúcar

O governo federal revelou a representantes do setor produtivo de etanol e açúcar que trabalha com uma queda de 5% no consumo de combustíveis do ciclo Otto (gasolina, álcool e gás natural) em 2016. São cerca de 2,6 bilhões de litros a menos sobre a demanda de 53 bilhões a 54 bilhões de litros de 2015. Nesse cenário, um emissário do Planalto pediu ontem, em uma reunião em Brasília (DF), ao menos a manutenção da produção e da oferta de etanol ao mercado interno este ano. Com a demanda em queda e uma produção estável de álcool, governo e a combalida estatal Petrobras precisariam importar menos petróleo e gasolina.

Como resposta, ouviu um não. Ouviu ainda que governo pode não mais exigir compromissos depois do que fez com o setor entre abril de 2008 e janeiro de 2015. Nesse período, para evitar as altas da gasolina e da inflação, o poder público reduziu, gradativamente, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) cobrada sobre o combustível de petróleo, até zerá-la.

Em 2008, a Cide era de R$ 0,28 por litro de gasolina vendida na bomba. A partir daí, o governo reajustou sucessivamente a gasolina nas refinarias e diminuiu a Cide para evitar o repasse aos consumidores. Em abril de 2008, baixou-a para R$ 0,19, em outubro de 2011 para R$ 0,09 por litro e, em junho de 2012, zerou a Cide. Em maio 2015, voltou a taxar a gasolina, em R$ 0,22 centavos por litro, soma de R$ 0,10 da ressuscitada Cide e outros R$ 0,12 de PIS/Cofins.

Mas a retomada da taxação foi em benefício próprio, pois o governo tinha como único objetivo com a medida ampliar a arrecadação em estimados R$ 12 bilhões no ano passado e em R$ 14 bilhões em 2016. Os produtores até foram beneficiados indiretamente, já que o preço do etanol, livre, subiu juntamente com o da gasolina. Mas o dólar também aumentou no ano passado e o preço do açúcar, cotado na moeda norte-americana, se recupera lentamente com a previsão de déficit na demanda global, tornando a commodity brasileira novamente competitiva no exterior.

Além disso, a expectativa do governo é mais pessimista do que a apresentada pela Copersucar. Em janeiro, a empresa projetou que espera uma queda de 3% para o ciclo Otto. No entanto, as informações da ANP revelaram que o consumo em janeiro caiu 11,78%, a maior desde que os dados passaram a ser divulgados.

Na prática, ao projetar uma queda de 5% na demanda de combustíveis este ano e sem qualquer compromisso do setor pela manutenção da mesma oferta de 2015, o governo verá essa redução no consumo de gasolina e de etanol virar açúcar. Todas as estimativas de produção feitas até agora apontam para uma alta na produção da commodity na safra 2016/2017 de cana-de-açúcar e uma queda na produção do álcool.

Exemplo desse "empenho" do setor sucroenergético foi dado ontem. No mesmo horário que o emissário do governo cobrava executivos em Brasília, no interior de São Paulo o empresário Bernardo Biagi, presidente do Grupo Batatais, previa ampliar em 30% o açúcar e reduzir em 4% o etanol fabricado em relação ao ano passado nas suas duas usinas. No encontro com jornalistas, Biagi externou qual é o compromisso com o governo. "Com lucro, ou prejuízo dos últimos dos anos, nós pagamos R$ 100 milhões de impostos por ano. Esse é o nosso compromisso e não tem como fugir". (Agência Estado 03/06/2016)

 

Suposta delação de Delcídio irrita governo e agita mercado financeiro

A notícia nesta quinta-feira de que o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) teria feito um acordo de delação premiada e mencionado a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre os vários nomes que citaria em depoimentos pegou de surpresa o Palácio do Planalto, que buscou desqualificar o ex-líder do governo no Senado.

No mercado financeiro, a suposta delação de Delcídio ajudou o dólar a registrar forte queda ante o real e o mercado acionário a disparar, diante de apostas de maior chance de troca de governo, com implicações nos cenários político e econômico.

Reportagem publicada no site da revista IstoÉ no começo da manhã relata conteúdo do que seria material da delação premiada de Delcídio, dizendo que Dilma e o ex-ministro da Justiça e agora ministro da Advocacia Geral da União (AGU), José Eduardo Cardozo, teriam tentado interferir na operação Lava Jato, que investiga esquema bilionário de corrupção envolvendo a Petrobras, empreiteiras e políticos.

A presidente também teria, segundo o texto, buscado indicar ministros aos tribunais superiores para favorecer acusados.

Ainda conforme a IstoÉ, a suposta delação de Delcídio traria informações relativas à controversa aquisição da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, pela Petrobras, e indicações de diretores da estatal, além do envolvimento de Lula num esquema de mesada ao ex-diretor da petroleira Nestor Cerveró.

Em rara nota à imprensa com sua assinatura, Dilma afirmou que "os vazamentos apócrifos, seletivos e ilegais devem ser repudiados e ter sua origem rigorosamente apurada, já que ferem a lei, a justiça e a verdade".

"Se há delação premiada homologada e devidamente autorizada, é justo e legítimo que seu teor seja do conhecimento da sociedade. No entanto, repito, é necessária a autorização do Poder Judiciário", acrescentou a presidente.

O Instituto Lula afirmou que o ex-presidente "jamais participou, direta ou indiretamente, de qualquer ilegalidade, seja nos fatos investigados pela operação Lava Jato, ou em qualquer outro, antes, durante ou depois de seu governo".

Delcídio foi preso no âmbito da Lava Jato em novembro, acusado de tentar facilitar a fuga do ex-diretor da Petrobras Cerveró. Ele foi solto há cerca de duas semanas e está em licença médica do Senado.

Em nota, o senador disse que "não confirma" o conteúdo da matéria da IstoÉ. O senador e sua defesa afirmaram que não conhecem "a origem, tão pouco a autenticidade" dos documentos apresentados pela revista.

Declarações de integrantes do governo Dilma ao longo do dia e o conteúdo da nota do senador não foram suficientes, porém, para alterar o rumo dos negócios no mercado financeiro local.

O dólar caiu mais de 2 por cento em relação ao real, a 3,80 reais, atingindo o menor nível em três meses. O Ibovespa disparou mais de 5 por cento, levando o índice que reúne as principais ações brasileiras ao maior patamar desde novembro de 2015.

"Está crescendo no mercado a aposta de que Dilma não vai terminar seu mandato", disse o economista Pedro Tuesta, da 4Cast. Ele ressaltou, porém, que o quadro é bastante incerto e que um eventual impeachment pode dificultar o reequilíbrio da economia.

A notícia ruim para o governo sobre a suposta delação de Delcídio saiu no mesmo dia em que foi divulgado o pior desempenho anual da economia brasileira em 25 anos, com retração de 3,8 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015.

INDIGNAÇÃO NO PLANALTO

Dilma foi informada sobre a reportagem da IstoÉ pelo ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, um pouco antes da cerimônia de posse do novo ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva.

Depois de encerrar rapidamente a posse, a presidente convocou Wagner, Cardozo e o chefe de gabinete da Presidência, Gilles Azevedo, para uma reunião de emergência onde tentaram traçar uma resposta do governo.

Em suas primeiras declarações sobre a reportagem, Cardozo disse que o senador não teria credibilidade após ter mentido mais de uma vez. “O senador Delcídio, lamentavelmente, depois de todos os episódios, não tem credibilidade para fazer nenhuma afirmação”, disse Cardozo.

Com a delicada tarefa de rebater denúncias sem ter certeza se houve a delação, Cardozo em vários momentos recorreu à condicional em suas declarações, como quando disse que se há uma delação, Dilma é envolvida em um “conjunto de mentiras”.

Em entrevista no início da tarde, o ministro da Casa Civil afirmou que Dilma estava “preocupada” e indignada com as informações.

“Ela está com a mesma indignação que eu, talvez até mais que eu, porque envolve diretamente o nome dela", disse Wagner. “Uma delação que, pelo que eu sei, não foi homologada, que envolve ministros e, principalmente, a figura da Presidência da República."

No Congresso, os partidos de oposição se reuniram e anunciaram que farão na próxima segunda-feira um aditamento do pedido de impeachment contra Dilma que tramita na Câmara dos Deputados, para incluir o conteúdo da suposta delação de Delcídio (Reuters, 3/3/16)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Influência do câmbio: O enfraquecimento do dólar ante o real deu impulso aos preços do açúcar demerara na bolsa de Nova York ontem. Os lotes com vencimento em julho fecharam com ganhos de 19 pontos, a 14,67 centavos de dólar por libra-peso. A perda de força da moeda americana desestimula as vendas dos produtores de açúcar do Brasil (maior fornecedor global), na medida em que diminui a rentabilidade das exportações. Com menos oferta do produto no mercado, os preços tendem a subir. Analistas também esperam uma disponibilidade menor de açúcar da Índia, outro importante exportador global, devido à escassez de chuvas que reduziu a produção de cana local. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal ficou em R$ 78,61, em baixa de 0,35%.

Algodão: Demanda em alta: Sinais de demanda aquecida pelo algodão americano embalaram os preços da fibra em Nova York. Os lotes para maio fecharam em elevação de 48 pontos ontem, a 56,41 centavos de dólar por libra-peso. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os exportadores do país venderam 37,86 mil toneladas de algodão na semana encerrada em 25 de fevereiro, alta de 57% frente à semana anterior. Contudo, persiste a tensão no mercado com os leilões de estoques de algodão da China. Nas últimas semanas, cresceram as especulações de que o país deve vender parte das 11 milhões de toneladas que teria em seus estoques. No oeste da Bahia, a arroba da pluma foi negociada à média de R$ 63,50 ontem, conforme a Associação de Agricultores e Irrigantes do Estado (Aiba).

Soja: Vendas aquecidas: A soja voltou a subir ontem na bolsa de Chicago, em meio ao bom desempenho das vendas externas americanas. Os lotes para maio fecharam em alta de 2,25 centavos, a US$ 8,6375 por bushel. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) indicou que exportadores do país acertaram a venda de 440,1 mil toneladas de soja da safra atual na semana entre 19 e 25 de fevereiro. O volume é 70% superior ao da semana anterior. Também foi fechada a venda de 2,1 mil toneladas a serem entregues em 2016/17, safra que começa em setembro. Porém, os ganhos foram limitados pelo avanço da colheita no Brasil, onde muitos sojicultores têm reportado produtividades acima do esperado. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a soja no Paraná ficou em R$ 69,26 por saca, queda de 1,72%.

Trigo: Dólar e clima: O dólar mais fraco e os temores com o clima nos EUA turbinaram os preços do trigo nas bolsas americanas ontem. Em Chicago, os papéis para maio fecharam em alta de 9,50 centavos, a US$ 4,5975 por bushel. Em Kansas, onde se negocia o cereal de melhor qualidade, os papéis de mesmo vencimento subiram 11 centavos, a US$ 4,66 por bushel. A desvalorização do dólar torna o trigo dos EUA mais barato para compradores estrangeiros. Com a demanda aquecida, as cotações tendem a subir. Além disso, analistas dizem que parte das lavouras americanas emergiu da dormência nos últimos dias e estão mais vulneráveis a danos que possam ser causados pelo frio. No Paraná, a saca de trigo foi negociada a R$ 39,48, alta de 1,62%, conforme o Departamento de Economia Rural do Estado (Deral). (Valor Econômico 04/03/2016)