Setor sucroenergético

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Clima ajuda, mas renovação de cana aquém do ideal impede produtividade maior

A retomada no crescimento do setor sucroenergético após quase uma década de crise deve ser prejudicada pela baixa renovação dos canaviais e o consequente impacto na produtividade das lavouras. Prática necessária para melhorar a oferta de cana, a renovação média de 18% na área com a cultura deve ficar abaixo desse nível para 2016/2017, e a quebra no rendimento só será compensada no atual período pelas chuvas favoráveis às plantações.

De acordo com Plinio Nastari, presidente da consultoria Datagro, a taxa de renovação em 2015 ficou entre 11% e 12%, abaixo dos 18%, nível considerado adequado para se evitar o envelhecimento das plantações. Consequentemente, a produtividade por hectare no próximo ciclo, cujo início oficial é em abril, deve girar em torno de 83 toneladas, em linhas com o registrado em 2015/2016.

"A menor renovação será compensada pelo desenvolvimento das plantas, mas a produtividade vai ser próxima da do ano passado", resumiu Nastari ao Broadcast Agro, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.

Para o diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Antonio de Padua Rodrigues, "vai haver mesmo canavial mais velho, sem dúvida alguma, mas a condição climática foi altamente favorável" para o ciclo 2016/17.

De acordo com o executivo, que calcula renovação de 14% no ano passado, a reforma das plantações tende a voltar para um "nível normal" neste ano. "A tendência é aumentar, impactando na safra 2017/18", avaliou, referindo-se à temporada que se inicia somente em abril do ano que vem.

Em 2015, a renovação dos canaviais foi prejudicada tanto pela crise que ainda aflige a cadeia produtiva de açúcar e etanol quanto pelas condições para acesso ao Prorenova, linha de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) voltada ao plantio de cana.

Os recursos foram alocados apenas em setembro passado e com taxas de juros mais altas, o que desestimulou a demanda. Segundo a própria instituição, o desembolso no ano passado para essa área foi de R$ 893 milhões, 52% a menos na comparação com 2014.

A Raízen Energia, joint venture entre Shell e Cosan, por exemplo, renovou apenas 11% de seus canaviais em 2015, abaixo dos 20% em anos anteriores. No longo prazo, a maior companhia sucroenergética do País, com 23 unidades em operação, pretende aumentar a taxa para 15%.

Já o Grupo Batatais, com duas usinas no interior de São Paulo, conseguirá ampliar em 12% a área de corte de cana na unidade de Lins, para 31,77 mil hectares em 2016/2017, exclusivamente por conta da redução da reforma nos canaviais, que obrigaria o plantio de outra cultura, como amendoim ou soja.

Segundo o presidente da companhia, Bernardo Biagi, a queda na renovação dos canaviais ocorreu principalmente por contenção de gastos e ainda porque houve uma expansão na área de cana na unidade para suprir a nova usina, inaugurada há três anos. "Nós gastamos entre R$ 80 milhões e 90 milhões por ano com renovação e este ano o investimento será menor", disse.

Perspectivas

Consultorias apontam para um processamento maior de cana pelo Centro-Sul do Brasil na safra 2016/17. Por ora, as projeções giram em torno de 620 milhões de toneladas, superando as pouco mais de 600 milhões apuradas na atual temporada. Com preços mais remuneradores, a produção de açúcar pode alcançar até 34 milhões de toneladas (+6%). Já a fabricação de etanol deve se manter perto dos 28 bilhões de litros do ciclo vigente. (Agência Estado 04/03/2016)

 

Usinas demitiram mais do que contrataram em 2015

A combinação entre a quebra da safra de cana-de-açúcar em alguns Estados, tais como os do Nordeste e o Paraná, e a necessidade de corte de gastos com mão de obra ampliou as demissões no setor sucroalcooleiro do Brasil em 2015. O cenário já se mostra negativo também neste início de 2016.

Conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) compilados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), as usinas brasileiras reduziram em 33.529 o número de pessoas empregadas na atividade em 2015. Isso significa queda de 3% sobre os cerca de 1 milhão de trabalhadores empregados nesse setor no país, conforme estimativas da entidade. O percentual se assemelha à retração registrada na geração de emprego em todos os setores da economia brasileira em 2015, de 3,74% em relação ao estoque de empregos de dezembro de 2014, segundo o Caged.

Em 2014, as contratações no setor sucroalcooleiro haviam superado em 49.910 as demissões. Em 2015, o maior peso do saldo negativo do setor no Brasil veio do Centro-Sul (21.291). O Nordeste, contribuiu negativamente com 12.238.

Em janeiro deste ano, o saldo do setor também ficou no vermelho, com as demissões superando as contratações em 16.579 postos, ante a movimentação negativa de 2.172 de janeiro de 2015. O Centro-Sul representou 6.205 e o Nordeste, 10.374.

As usinas paranaenses foram bastante prejudicadas pelo excesso de chuvas em 2015. No último trimestre do ano passado chegaram a ficar 28 dias seguidos com as máquinas desligadas sem poder colher cana, segundo Miguel Tranin, presidente da associação que representa as unidades do Estado, a Alcopar. "Choveu em 2015 em torno de 2.600 mm no Paraná, para uma média de 1.600 mm", acrescentou o executivo.

Ele observou que o clima não foi o único fator a puxar para baixo o saldo de empregos do setor. "Em 2015, duas usinas no Estado deixaram a atividade devido a dificuldades financeiras. Mesmo os grupos que estão em operação também enxugam a folha de pagamento para reduzir custos", afirmou Tranin.

Conforme dados do Caged, em 2015, as demissões superaram as contratações no setor sucroalcooleiro do Paraná em 6.342 vagas. A moagem de cana no Estado, inicialmente estimada em 43 milhões de toneladas, atingiu em fevereiro 40 milhões, conforme a Alcopar.

A dispensa no Paraná foi superior à registrada no Estado de São Paulo (5.457 pessoas). Segundo o diretor técnico da Unica, Antônio de Pádua Rodrigues, essa movimentação é "normal" para a atividade canavieira paulista, que processa mais da metade da cana do país. Ele observou ainda que há um ganho de eficiência da operação sucroalcooleira que vem, ano a ano, reduzindo a demanda por pessoal em todo o Centro-Sul. "São novas tecnologias que ampliam a produtividade. Máquinas que colhiam 600 toneladas por dia, agora fazem 800 toneladas".

A forte estiagem que atingiu o Nordeste afetou o saldo de empregos de 2015, mas também já se refletiu negativamente na movimentação de janeiro. Esse efeito deve continuar pesando nas estatísticas até abril, segundo o presidente do Sindicato da Indústria de Açúcar e Etanol de Alagoas (Sindaçúcar-AL), Pedro Robério Nogueira. "A produção de cana quebrou 30%. Está havendo em janeiro e fevereiro uma antecipação do fim da safra, que, normalmente, ocorreria em abril", explicou. (Valor Econômico 07/03/2016)

 

Diversos CRAs devem a chegar ao mercado; Raízen irá emitir em torno de R$ 500 mi

A partir da semana que vem uma nova leva de operações de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) deve começar a ser anunciada ao mercado, incluindo uma operação que pode superar R$ 1 bilhão da BRF, além de outros R$ 500 milhões da Suzano Papel e Celulose, apurou o Broadcast. Estão previstas ainda emissões da Fibria e da Raízen, sendo esta última em torno de R$ 500 milhões.

A primeira captação da Raízen, que totalizou R$ 675 milhões, foi concluída em outubro de 2014. Aproveitando a boa recepção, outra emissão de CRAs – essa com o objetivo de captar, pelo menos, R$ 500 milhões, foi anunciada em abril de 2015.

No momento, além da quantidade de operações que estão sendo anunciadas, chama a atenção o fato de que, apesar da crise no crédito ser uma das piores em pelo menos uma década, essas companhias estão captando a custo inferior ao de operações feitas no ano passado. A BRF, por exemplo, irá oferecer aos investidores remuneração teto de 96,5% do CDI, inferior aos 97% de captação feita com o mesmo instrumento em 2015, segundo fontes. A Suzano estipulou como teto 100% do CDI e, no ano passado, emitiu a 101% do CDI.

"A demanda tem sido grande por papéis isentos em geral, não há muita opção, e o CRA é o melhor deles nesse momento", disse fonte de uma securitizadora. Na colocação feita em fevereiro pela Bayer, de R$ 100 milhões, a demanda teria alcançado algo próximo de R$ 4 bilhões, de acordo com o mercado. A remuneração ficou no piso da banda prevista, de 0,29% acima da taxa CDI. O teto era 1,39% sobre o CDI.

"Apesar da grande demanda, os investidores são seletivos e é preciso que os ratings e a estrutura da operação sejam excelentes", acrescentou. Mesmo que haja um público grande de interessados, as próximas operações que se encontram no pipeline dos bancos estruturadores serão distribuídas gradualmente para evitar "congestionamento" nas family offices, nos gestores de fortunas e áreas de private banking.

De acordo com o Valor Econômico a partir dados da Cetip, o estoque investido em CRAs mais do que triplicou entre janeiro e dezembro de 2015, chegando a R$ 6,4 bilhões. Ainda que esteja longe do volume da parente mais conhecida, a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), com quase R$ 200 bilhões, o papel chama a atenção pelo crescimento acelerado, inclusive no varejo. O retorno pode ser interessante, disseram os alocadores consultados pelo jornal. O perigo é somente a carona no sucesso da prima mais famosa, que tem características muito diferentes, especialmente quanto ao risco.

Ainda segundo o Valor, para Rubens Machado, da equipe de renda fixa da XP Investimentos, as primeiras emissões da Raízen, no fim de 2014, representaram um marco na história dos certificados. “O mercado tinha um preconceito com a emissão de CRAs porque não acreditava que teria liquidez no secundário. Provamos que ela pode ser alcançada por meio da pulverização”, diz, em referência à distribuição para um grande número de investidores.

Agora, na semana que vem, no dia 11, acontece o bookbuilding da emissão de R$ 500 milhões em CRAs da Duratex, lastreados por recebíveis de sua unidade florestal. A remuneração teto oferecida é de 102,50% do CDI.

A expectativa do mercado é de que o volume emitido este ano supere os R$ 6,3 bilhões do ano passado. Na verdade, alguns sugerem que esse número possa ser batido até o final do primeiro semestre, dado o volume de interessados no instrumento este ano. Seguramente, é possível que estimar que pelo menos R$ 3,5 bilhões venham a mercado até maio, na opinião de vários estruturadores. (Agência Estado 04/03/2016)

 

Com aumento da crise, empresários passam a defender a saída de Dilma

Os mais recentes desdobramentos da Lava Jato praticamente esgotaram a tolerância do empresariado com o governo Dilma Rousseff.

Pesos-pesados que estavam em cima do muro agora defendem a renúncia ou o impeachment da presidente para escapar de um desastre completo na economia.

Em 2015, o PIB caiu 3,8%. A preocupação é que, se nada mudar, a queda seja mais violenta neste ano. Em conversas reservadas, banqueiros já falam em retração de 5%.

"É preciso encurtar o mandato da presidente porque o pior cenário são mais três anos com o transatlântico à deriva", diz Flávio Rocha, presidente da Riachuelo.

A Folha ouviu dez empresários da indústria, do comércio, do agronegócio e do setor financeiro. Sete falaram sob anonimato. Eles afirmam que, após a saída de Dilma, é necessário um arranjo político capaz de levar o país até as eleições de 2018.

Mas sabem que o processo será longo. Temem que o cerco ao ex-presidente Lula acirre a divisão da sociedade e jogue por água abaixo qualquer entendimento entre as lideranças partidárias que restarem depois da Lava Jato.

Prova disso foi a reação do mercado na sexta (4). Pela manhã, enquanto Lula era levado pela PF para depor, o dólar chegou a ser cotado a R$ 3,65 —depois, reduziu as perdas e fechou a R$ 3,73.

Nas mesas de operação, a leitura foi que o discurso de Lula sugere que o risco de radicalização política atrase uma solução para a crise.

DESGASTE

No início do ano passado, os empresários deram um voto de confiança a Dilma, que agradou ao mercado ao escolher Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda.

Após as derrotas do ministro nas tentativas de ajustar as contas públicas, que culminaram com sua saída do cargo, muitos perderam a confiança na presidente.

Mas, naquele momento, temiam ser acusados de golpe por apoiar um processo baseado nas "pedaladas fiscais" e liderado pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, também alvo da Lava Jato.

Agora, o cenário mudou com os indícios de caixa dois na campanha de reeleição e as acusações do senador Delcídio do Amaral de que Dilma manobrou para interferir na Lava Jato. "A presidente perdeu a pouca capacidade de governar que lhe restou", diz Lawrence Pih, fundador do Moinho Pacífico e um dos primeiros a apoiar o PT. (Folha de São Paulo 06/03/2016)

 

Lava Jato derruba dólar e os preços internos do mercado de grãos

O avanço da Operação Lava Jato mexe com o mercado interno de grãos, derrubando os preços. A principal vítima desse processo é a soja, cuja negociação interna depende da cotação do dólar.

A queda ocorre porque o mercado considera que esse avanço pode reacender a expectativa de um afastamento da presidente Dilma Rousseff e a, ao atingir o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um enfraquecimento do PT e de sua política econômica.

Com isso, um dos termômetros dessa crise na economia, o dólar, perde força e cai. O recuo da moeda provoca a queda nos preços em reais das commodities, que têm como base de negociação a moeda dos Estados Unidos.

A soja, por exemplo, perdeu até 9% do preço em algumas praças, como Uberlândia (MG) nesta semana.

Em Passo Fundo (RS), a queda foi de 7%, com os preços recuando para R$ 57 por saca nesta sexta (4).

Daniele Siqueira, analista da AgRural, diz que é preciso esperar para ver se essa queda do dólar é sustentável. Além do efeito do dólar, a soja vai viver um período de volatilidade devido às boas perspectivas de colheita no Brasil e na Argentina. Os EUA já colheram uma boa safra.

O lado ruim para os produtores é a queda nos preços em reais, mas muitos já aproveitaram o período de alta do dólar e efetivaram as vendas.

A AgRural estima que em Mato Grosso, líder na produção de soja, as vendas antecipadas somem 67% –52% em igual período de 2015.

Já no Rio Grande do Sul, as negociações antecipadas atingem apenas 35%.

O lado bom, se houver uma sustentação da queda do dólar, é uma elevação menor nos preços dos insumos para o produtor que ainda não comprou esses produtos, segundo a analista da AgRural.

Mas o problema é que boa parte dos custos já foi repassada para os preços, afirma Daniele. (Folha de São Paulo 05/03/2016)

 

Acionistas fecham acordo para vender Sem Parar por cerca de R$ 4 bilhões

Após meses de negociação, sócios como CCR, Raízen, Arteris e Ivan Toledo, fundador do negócio, teriam chegado a um consenso para repassar 100% da empresa de serviço de pagamento eletrônico à FleetCor.

As negociações entre a companhia americana FleetCor e a STP, dona da Sem Parar, empresa de serviços de pagamento eletrônico para pedágios e estacionamentos, avançaram. A venda do controle da companhia poderá ser anunciada nos próximos dias, apurou o Estado. Todos os acionistas da STP teriam chegado a um acordo para vender 100% do negócio à companhia americana, segundo três fontes próximas à operação.

 valor da transação, se toda a empresa for vendida, é de cerca de R$ 4 bilhões.

A STP tem como acionistas a concessionária CCR (com participação de 34,24%); o fundador do negócio, Ivan Toledo (com 31,33%); o fundo americano Capital Group (com 11,41%); a Raízen (joint venture entre Shell e o Grupo Cosan, com 10%); a empresa de tecnologia GSMP (8,34%); e a espanhola Arteris (4,68%). O Estadoinformou em janeiro que ainda não havia um consenso entre os acionistas para a venda de suas participações. O BTG Pactual é o assessor financeiro da STP.

O setor de serviços de pagamentos eletrônicos, no qual a Sem Parar é a líder, é considerado rentável“As conversas avançaram nas últimas semanas e a decisão é pela venda total do negócio”, disse um dos acionistas relevantes, que não quis se identificar.

Maior acionista da empresa, a CCR manteve o mesmo posicionamento de dia 18 de janeiro, quando divulgou fato relevante ao mercado, informando que recebeu e está analisando “uma oportunidade de alienação de sua participação acionária na STP, apresentada em caráter não vinculativo.” À época, a CCR não informou qual seria a empresa interessada no ativo.

Uma outra fonte familiarizada com a negociação afirmou que as conversas agora dependem de detalhes que envolvem acertos entre advogados que fazem parte da operação.

Procuradas, STP, FleetCor e Capital Group não retornaram os pedidos de entrevista. A Raízen, BTG e Arteris preferiram não comentar a operação. O fundador da Sem Parar, Ivan Toledo, e a empresa GSMP não foram encontrados pela reportagem para comentar.

Venda. Não é a primeira vez que a Sem Parar é colocada à venda. Em 2011, o grupo, fundado onze anos, já tinha sido sondado por vários investidores, incluindo fundos de private equity (que compram participações em empresas), entre eles, o americano Advent, e a própria FleetCor, uma das maiores empresas globais de cartões de pagamento de combustíveis, com receita líquida de US$ 1,2 bilhão em 2014.

O que pesou contra a venda, à época, foi a mudança regulatória do setor, que teve seu monopólio quebrado em 2013, com a entrada de concorrentes no mercado, como a ConectCar, empresa controlada pelo grupo Ultra, dono da Rede Ipiranga, e Itaú; a Auto Expresso DBTrans, que pertence ao próprio FleetCor, e Move Mais.

A receita da Sem Parar vem de clientes que usam pedágios, estacionamentos e postos de gasolina. Líder no segmento, a companhia é considerada um negócio atraente. Em agosto de 2013, a Raízen adquiriu 10% da Sem Parar e, no ano seguinte, a Ecovias vendeu sua fatia na STP ao fundo Capital Group.

Também em 2014, a Sem Parar anunciou um acordo para integrar o serviço de abastecimento da rede de combustíveis Shell com os aparelhos da Sem Parar. Esse movimento foi uma resposta à expansão da ConectCar, que tem os postos Ipiranga como ponto de venda.

Em 2014, a receita líquida da STP foi de R$ 744,5 milhões e o lucro líquido de R$ 131 milhões. O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ficou em R$ 325 milhões. A empresa opera em 12 Estados e tem 5 milhões de clientes. (O Estado de São Paulo 05/02/2016)

 

Açúcar: Alta de preços precisa de reação no físico para se consolidar

O mercado futuro de açúcar em NY fechou a semana em espetacular alta motivada por uma releitura dos fundamentos que permeiam a commodity. As chuvas que atingem as regiões produtoras acenderam uma luz amarela alertando que pode haver atraso no inicio da moagem da safra 2016/2017 e a produção de açúcar no Centro-Sul pode não ser aquela que o mercado tem trabalhado.

Antes de os produtores se entusiasmarem pela recente trajetória altista dos preços é necessário que observem dois pontos importantes que precisam ocorrer para que o mercado físico de açúcar corresponda de maneira satisfatória às expectativas que estão refletidas no mercado futuro. O primeiro é o comportamento do spread maio/julho e julho/outubro: quanto mais fortalecidos os spreads se comportarem maior é a indicação de que as tradings se preocupam com uma eventual falta de disponibilidade de açúcar para abril e maio e compram os spreads para tentar lucrar no papel ou trazem seus hedges dos meses com vencimentos mais longos para os vencimentos mais curtos e lucrarem com isso. Segundo, é observar o comportamento dos prêmios/descontos no físico (açúcar para embarque em abril/maio/junho). A melhora do prêmio/desconto indica que o comprador final está preocupado com o atraso da safra e paga mais para não correr o risco de desabastecimento. Se esses dois componentes andarem nessa direção, a tendência do mercado futuro e potencializar isso.

Os fundos voltaram a ficar comprados em cerca de 70-75 mil lotes. Parece-me que quando o mercado chegou aos 12-13 centavos de dólar por libra-peso alguém deve ter apontado os lápis e calculado que o potencial de cada a partir daquele nível era infinitamente menor se comparado com o potencial de alta.

As valorizações do real e do petróleo na semana acabam tendo efeito neutro na formação de preço da gasolina. Como o preço médio do combustível na bomba, com base em 100 países, está em US$ 0.95 por litro, o preço de equilíbrio do hidratado na bomba, usando esse parâmetro seria de R$ 2.3265 por litro, abaixo do preço atual. Evidente que isso pode exercer pressão para que as usinas priorizem a produção de açúcar.

Para o mercado FOB do açúcar, a valorização do real, no entanto, pode fazer com que as usinas se retraiam para a venda de novos contratos comerciais. Baseando-se no fechamento de sexta-feira, o vencimento maio, encerrado a 14.83 centavos de dólar por libra-peso com o dólar a 3.7610 representa uma fixação do açúcar para aquela data de R$ 1.279 por tonelada, ou seja, praticamente o mesmo preço da semana anterior com dólar a R$ 3.990 e com NY quase 100 pontos mais barato. Ou seja, podemos esperar a volta da correlação negativa se o real continuar a se valorizar frente à moeda americana? Se voltar para 3.5000 NY pode ir para 16 centavos de dólar por libra-peso?

Falando um pouco da estimativa de safra 2016/2017, a estimativa da Archer é de 618.5 milhões de toneladas no Centro-Sul, divididas entre 34.3 milhões de toneladas de açúcar e 27.5 bilhões de litros de etanol. Essa quantidade de cana é aproximadamente 3% maior do que aquela moída na safra passada. No entanto, quando falamos de ATR (açúcares totais recuperáveis) este será o quarto ano seguido de menor produção de ATR: 83 milhões de toneladas, contra 84 milhões na safra passada, 86.7 milhões de toneladas na 2014/2015 e 87.4 milhões de toneladas na 2013/2014.

Para um produtor que vai precisar aumentar a produção de cana em 100 milhões de toneladas para os próximos cinco anos, esse número preocupa e torna evidente que os próximos anos do mercado de açúcar deverão ser extremamente voláteis e sujeitos à extrema oscilação de preços em função de um evidente desequilíbrio entre a produção e consumo mundiais, que crescem ao ritmo de 1.8% e 2.2% respectivamente, sobremaneira com a condição do Brasil que não vê incremento substancial em seus canaviais.

O Brasil viveu um dia de glória ao assistir o ex-presidente Lula sendo coercitivamente levado pela Policia Federal para prestar depoimentos. A novela está longe de terminar, mas aproxima-se o dia D para que essa organização criminosa (usando o termo de um dos membros da Suprema Corte) travestida de partido político sair de cena e ter seus responsáveis atrás das grades.

As inscrições para o XXV Curso Intensivo de Futuros, Opções e Derivativos em Commodities Agrícolas estão abertas. O curso ocorre nos dias 29, 30 e 31 de março em São Paulo, das 09 às 17 horas. Para mais informações mande uma mensagem para priscilla@archerconsulting.com.br

Caso você queira receber nossos comentários semanais de açúcar diretamente no seu e-mail basta cadastrar-se no nosso site acessando o link http://archerconsulting.com.br/cadastro/ (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)

 

Commodities Agrícolas

Café: Empurrão do câmbio: Sob o contínuo impulso do câmbio, o café arábica registrou alta expressiva na bolsa de Nova York na sexta-feira. Os lotes para maio fecharam com ganhos de 2,7% (320 pontos), a US$ 1,2105 por libra-peso. A condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, feita pela Polícia Federal, contribuiu para a valorização do real ante o dólar. A moeda americana mais fraca desestimula as vendas dos produtores de café do Brasil, porque diminui a rentabilidade das exportações. Com menos oferta no mercado, os preços tendem a subir. No que diz respeito aos fundamentos, não há novidades: o clima permanece favorável aos cafezais de arábica no Brasil. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 60 quilos ficou em R$ 479,04, com ligeira queda de 0,14%.

Suco de laranja: Seis quedas seguidas: O suco de laranja despencou na bolsa de Nova York na sexta-feira, ampliando as perdas das cinco sessões anteriores em meio à ausência de novidades do lado dos fundamentos. Os lotes para maio fecharam em baixa de 2,8% (345 pontos), cotados a US$ 1,2050 por libra-peso. Nos Estados Unidos, persistem as preocupações com a safra da Flórida (que detém o segundo maior pomar de citros do mundo, atrás de São Paulo), devido ao ataque de greening, uma doença bacteriana que causa a queda prematura dos frutos dos pé. Contudo, a demanda tem perdido força, em especial nos países desenvolvidos, o que dificulta uma reação dos preços do suco. No mercado spot de São Paulo, a caixa de 40,8 quilos da laranja destinada à indústria ficou estável, em R$ 13,86, conforme o Cepea/Esalq.

Soja: Chuva no Brasil: Um movimento de cobertura de posições vendidas e preocupações com o clima no Brasil fizeram os preços da soja avançar na bolsa de Chicago na sexta-feira. Os contratos para maio subiram 14,75 centavos, para US$ 8,7850 por bushel. Crescem os temores no mercado de que o excesso de chuvas em importantes regiões produtoras de soja do Brasil dificulte a evolução da colheita e atrase os embarques da oleaginosa. O país é concorrente dos EUA no mercado global da commodity e atrasos assim podem aumentar a demanda pela soja americana. A valorização do real ante o dólar também torna o grão produzido do Brasil menos atrativo para compradores estrangeiros. No mercado do Paraná, o grão foi negociado na sextafeira em queda de 1,91%, a R$ 65,37 a saca, segundo o Deral/Seab.

Milho: Chuva nos EUA: O milho registrou alta na bolsa de Chicago na sexta-feira, em meio a uma cobertura de posições vendidas e especulações de que o tempo chuvoso nos próximos dias possa trazer lentidão ao plantio de milho precoce nos EUA. Assim, os lotes com entrega em maio fecharam em alta de 0,49% (1,75 centavo), a US$ 3,5825 por bushel. O solo em importantes regiões produtoras de milho do Meio-Oeste americano está saturado devido à alta umidade. Já no Brasil, onde a segunda safra do grão está sendo plantada, as previsões climáticas indicam condições em geral favoráveis à semeadura e ao desenvolvimento das lavouras. No oeste da Bahia, a saca de 60 quilos do grão foi negociada à média de R$ 40, de acordo com a Associação de Agricultores e Irrigantes do Estado (Aiba). (Valor Econômico 07/03/2016)