Setor sucroenergético

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Basf e DuPont?

Voltou a ganhar fôlego a persistente especulação de que a multinacional alemã Basf poderá fazer uma oferta para comprar a americana Dupont, um negócio que evitaria a fusão entre a DuPont e sua compatriota Dow Chemical, que ainda não foi aprovada em caráter definitivo.

Analistas ouvidos por agências internacionais acreditam que é tarde para a Basf entrar no circuito. Eles realçaram que a alemã teria dificuldades em levantar os US$ 72 bilhões necessários para adquirir a DuPont. (Valor Econômico 08/03/2016)

 

GVO quer trocar bonds de US$ 735 milhões

O Grupo Virgolino de Oliveira (GVO), ex-sócio da trading Copersucar, entregou ontem uma proposta de pagamento aos seus bondholders, segundo antecipou o Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor. Esses investidores detêm US$ 735 milhões em títulos da empresa sucroalcooleira e não recebem o pagamento de seus respectivos cupons semestrais desde julho de 2014. Esses títulos estão com forte deságio no mercado secundário, e estão sendo negociados por entre 4% e 20% de seus valores originais.

Pela proposta, a GVO emitiria novos bonds em substituição aos já existentes. Esses novos papéis teriam prazos de vencimento de dez a 15 anos mais longos do que os dos títulos em vigor. Teriam, ainda, uma taxa de remuneração menor, conforme apurou a reportagem. Procurada, a GVO não comentou.

A companhia, que começou a captar recursos por meio desses títulos a partir de 2011, fez três emissões, com taxas de remuneração de cupons que variam de 10,5% a 11,75%. O de vencimento mais longo (2022) é de US$ 300 milhões, sem garantia. Há outro bond de US$ 300 milhões, também sem garantia, para 2018. A empresa emitiu ainda US$ 135 milhões em notes, com garantia, que vencem em 2020.

Desde que deixou de pagar os cupons semestrais, a GVO negocia com os credores uma solução para a dívida, enquanto tenta ampliar sua moagem de cana. Nesta temporada 2015/16, as usinas do grupo, são quatro unidades no Estado de São Paulo, moeram 7,4 milhões de toneladas de cana, e o volume deverá chegar a 9 milhões de toneladas no ciclo 2016/17. No seu auge, chegou a processar 11 milhões de toneladas. Em 2014/15, o faturamento da empresa caiu 38%, para R$ 888 milhões.

Estratégia semelhante, troca de bonds por novos títulos. foi adotada pela sucroalcooleira Tonon Bioenergia antes de a empresa entrar em recuperação judicial.

Em julho do ano passado, o grupo, que tem como sócios um fundo da gestora DGF Investimentos, conseguiu a aprovação de seus bondholders para trocar bônus sêniores que venciam em 2020 por títulos novos e de igual vencimento, mas com "covenants" mais brandos e quase dois anos de pagamento de cupom reduzido ­ de 9,25% ao ano para 7,25%. A guinada do dólar no segundo semestre de 2015, no entanto, deteriorou mais a situação financeira da companhia que, meses depois, pediu recuperação judicial. (Valor Econômico 08/03/2016)

 

Rumo ALL tenta alongar dívida e planeja oferta para levantar R$ 2 bi no mercado

Companhia, resultado da fusão entre Rumo e ALL, está em conversas com os principais bancos credores para mudar o perfil de seu endividamento; ferrovia responsável pelo escoamento de safra de grãos do País foi sondada por fundos soberanos.

A Rumo ALL (ex-América Latina Logística) planeja fazer um aumento de capital para levantar cerca de R$ 2 bilhões, apurou o ‘Estado’. A proposta será por meio de uma oferta pública, que deverá ser anunciada entre o fim de março e início de abril, segundo fontes familiarizadas com o assunto. A empresa também pretende captar R$ 1 bilhão por meio do FI-FGTS, destinado a projetos de infraestrutura.

Antes de ir ao mercado para levantar esses recursos, a companhia, principal responsável pelo escoamento da safra de grãos do País – deverá fazer realongamento de sua dívida. O endividamento líquido da Rumo ALL é de R$ 7,8 bilhões (dados referentes ao quarto trimestre de 2015), dos quais um total de R$ 1,4 bilhão vence neste ano, outros R$ 2,3 bilhões no ano que vem e R$ 2,4 bilhões em 2018. Os maiores credores são bancos comerciais: Bradesco, Itaú, Santander e HSBC (comprado pelo Bradesco no País).

A ferrovia precisa mudar o perfil de sua dívida e levantar capital para tocar seus ambiciosos projetos expansão. O Estado apurou que as negociações envolvendo os bancos já estão em andamento. Após a mudança no perfil da dívida, a proposta de aumento de capital será apresentada ao mercado.

A ALL trocou de mãos no ano passado e passou a ter o grupo Cosan, do empresário Rubens Ometto Silveira Mello, como maior acionista individual da empresa, com 26,3% do negócio. As gestoras TPG (Texas Pacific Group) e Gávea, além do BNDES, também fazem parte do bloco de controle do grupo.

Em meados de janeiro, os membros do conselho de administração do grupo desistiram de fazer aumento de capital na companhia, uma vez que as ações da ferrovia vinham registrando forte queda e as condições macroeconômicas não estavam favoráveis para fazer a captação. 

A decisão de voltar ao mercado deverá acontecer depois de as negociações com os maiores bancos credores estiverem bem encaminhadas.

Se levar adiante o processo de aumento de capital, os atuais acionistas da empresa terão prioridade para fazer as subscrições das ações. A própria Cosan Logística deverá colocar capital na companhia e outros sócios podem ir pelo mesmo caminho.

A Rumo ALL, que faz parte do grupo Cosan, é a principal escoadora de grãos do Centro-Oeste para Santos

Fundos de olho

O grupo chegou a ser sondado por fundos de investimentos interessados em ter uma participação na companhia. Foi o caso do fundo soberano de Abu Dabi, o Adia. No entanto, as negociações não avançaram, de acordo com outra fonte de mercado. Há outros fundos de investimentos que estariam interessados em uma fatia da companhia, segundo a mesma fonte.

A Rumo ALL tem um plano de investir de R$ 7 bilhões a R$ 10 bilhões nos próximos anos para promover a expansão da companhia. No entanto, a nova administração tem desafios pela frente, como a renovação da concessão antes de colocar seus planos de expansão em prática. Além disso, tem de fazer corte de custos e melhoria operacionais de sua atual malha ferroviária, que está sucateada.

Fontes familiarizadas com o assunto afirmam que os cortes de custos estão em andamento e a companhia ferroviária já colocou em prática plano para elevar o escoamento de grãos.

A expectativa é de que com o aumento da safra de grãos previsto para este ano, os volumes transportados pela companhia cresçam e melhorem as margens da empresa. 

Chancela

A fusão entre Rumo e ALL foi bem vista no governo, uma vez que a antiga administração da companhia enfrentou nos últimos anos diversos problemas para conseguir honrar os seus contratos.

Com uma malha ferroviária de cerca de 12 mil quilômetros, a Rumo ALL é responsável por boa parte do escoamento de grãos do Centro-Oeste até o porto de Santos. Procurada, a Cosan não comentou o assunto. (O Estado de São Paulo 08/03/2016)

 

Açúcar: Pressão cambial

Uma nova rodada de valorização do dólar ante o real pressionou as cotações do açúcar demerara na bolsa de Nova York.

Os lotes com entrega em julho fecharam ontem em baixa de 9 pontos, a 14,61 centavos de dólar por libra-peso.

A reação da moeda americana estimula as vendas de açúcar pelos produtores do Brasil, maior fornecedor global, na medida em que eleva a rentabilidade das exportações.

Com mais oferta no mercado, os preços tendem a cair.

No que diz respeito aos fundamentos, as previsões indicam clima favorável para o desenvolvimento das lavouras de cana nos próximos dias em São Paulo, principal pólo mundial de produção de açúcar.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal ficou em R$ 78,27, em baixa de 0,23%. (Valor Econômico 08/03/2016)

 

Indústria química avança em tecnologias enzimáticas para produção de E2g

Capazes de tornar mais eficiente o processo produtivo do etanol de segunda geração (2G), novas tecnologias enzimáticas estão na mira de multinacionais da indústria química e prometem conferir ainda mais sustentabilidade ao biocombustível celulósico a partir de resíduos agrícolas, casos da palha e bagaço de cana no Brasil.

O consultor de Tecnologia e Emissões da União da Indústria de Cana-de-Açúcar/SP (UNICA/SP), Alfred Szwarc (Foto) explica a importância do desenvolvimento destas substâncias orgânicas (enzimas) em parceria com empresas e instituições brasileiras e como este trabalho é vital para manter o país na vanguarda tecnológica do produto.

Szwarc acredita que o surgimento de novas enzimas, bem como outras tecnologias aplicadas na conversão de materiais celulósicos em açúcares, uma das principais etapas de fabricação do bioetanol 2.0, tornará a biomassa da cana (palha e bagaço), matéria-prima abundante no país, ainda mais vantajosa do ponto de vista comercial.

O argumento é endossado pelo chefe de desenvolvimento de negócios da Novozymes para etanol celulósico na América Latina, Daniel Cardinali, cuja empresa detém 48% de share do mercado global de enzimas para aplicação industrial.

Estima-se que o volume do biocombustível avançado obtido a partir da palha e do bagaço da cana, somado ao volume produzido pelo atual processo de fermentação do caldo – etanol de 1ª geração , deverá incrementar em até 40% a produtividade por tonelada de cana, sem que haja necessidade de expandir área plantada.

Há dez anos investindo em enzimas para etanol celulósico, a dinamarquesa Novozymes, que destina 14% de sua receita global para pesquisa e desenvolvimento em bioinovação, fornece tecnologia enzimática para quatro plantas em escala comercial existentes no mundo, duas delas no Brasil, onde possui parcerias com duas das maiores empresas do setor sucroenergético mundial. Construídas em 2014 e 2015 nas cidades de São Miguel dos Campos (AL) e Piracicaba (SP) pelo Grupo Granbio e Raízen, respectivamente, ambas unidades tem capacidade de produzir, juntas, até 182 milhões de litros do etanol 2G por ano.

Para Daniel Cardinali, a indústria de biocombustíveis avançados atravessa um momento de validação que resultará em uma segunda onda de projetos comercias.

Na opinião do consultor de Emissões e Tecnologias da UNICA/SP, as empresas e centros de pesquisa ligados à cadeia sucroenergética nacional estão preparados para surfar novos desafios.

O desenvolvimento de um novo processo biotecnológico para produção de etanol de segunda geração (2G), chamado sunliquid, capaz de converter açúcares em produtos para aplicações além do combustível automotivo, motivou uma parceria inédita entre as empresas Clariant, detentora da tecnologia, e a Werner & Mertz, fabricante dos produtos de limpeza na Alemanha.

O consultor de Emissões e Tecnologia da União da Indústria de Cana-de-Açúcar/SP (UNICA/SP), Alfred Szwarc, avalia que o acordo firmado no início de 2016 entre as duas multinacionais, envolvendo o fornecimento anual de mil toneladas de biocombustível celulósico para ser usado como limpador multiuso Frosch Bio-Spiritus, é o primeiro de muitos projetos comerciais a serem explorados pela indústria química no decorrer dos próximos anos, quando o uso do etanol 2G for ainda mais diversificado.

Segundo o especialista da UNICA/SP, o aproveitamento do bioetanol 2.0 em novos nichos de mercado é uma questão de tempo, ocorrerá na medida em que novas tecnologias, especialmente as enzimáticas, forem surgindo, algo semelhante ao observado com o etanol de primeira geração.

Atualmente, no Brasil, 100% das garrafas PET comercializadas pela Coca-Cola, conhecidas como PlantBottle, são compostas por bioplástico obtido diretamente do etanol de primeira geração, que além de abastecer mais de 25 milhões de automóveis flex também serve como base para a confecção de 12 bilhões de embalagens distribuídas anualmente pela Tetra Pak.

Para o gerente de Negócios da Clariant nas Américas, Martin Mitchel, a tecnologia sunliquid está pronta para o mercado brasileiro. “Realizamos amplos testes e convertemos mais de 400 toneladas de bagaço, pontas e folhas de cana-de-açúcar em etanol, na cidade de Straubing, confirmando a eficiência e a viabilidade comercial com essas matérias-primas. Estamos dialogando com diferentes players no País”, informa, acrescentando que a Clariant estuda a integração da sunliquid a uma planta brasileira de etanol 1G, principalmente pelas “condições favoráveis da cadeia de fornecimento de biomassa e a infraestrutura já existentes.”

O etanol celulósico, produzido a partir de qualquer resíduo agrícola, como a palha e o bagaço da cana, é hoje uma das maiores apostas da indústria química. O segmento enxerga o produto como a solução mais sustentável para substituir derivados de petróleo, principalmente nos países europeus. Neles, onde a capacidade agrícola para produzir biocombustível de primeira geração é limitada e a dependência pela gasolina e óleo diesel gera altos níveis de poluição, o bioetanol 2.0, com poder de reduzir em até 95% as emissões de gases causadores do efeito estufa se comparado à gasolina, representa uma grande alternativa energética. (Única 04/03/2016)

 

Grupo Bio Soja investe na cultura da cana-de-açúcar

Presente nas culturas brasileiras há mais de quatro décadas, o Grupo Bio Soja ampliou sua atuação no mercado e desenvolveu uma linha específica de tecnologias para manejo nutricional e fisiológico da cana-de-açúcar. A empresa montou uma equipe experiente e especializada no setor para oferecer as melhores soluções para fornecedores de cana e usinas de todo o país.

Atualmente, a empresa possui um portfólio de tecnologias capazes de desenvolver melhor a planta, conferir uniformidade ao canavial, melhorar e acelerar a brotação, acelerar o desenvolvimento inicial das raízes, minimizar o estresse, garantir o equilíbrio nutricional e, o mais importante, aumentar a produtividade. Entre as principais tecnologias podemos destacar as linhas NHT, Active, Bioenergy e Fertilis.

Para complementar a parte fisiológica das plantas, o Grupo Bio Soja está desenvolvendo também produtos biológicos para aplicação na cana-de-açúcar, com pesquisas realizadas em parceria com as principais universidades do país. “Esse é um projeto ambicioso e pretendemos chegar até o ano de 2020 como a principal empresa fornecedora de micronutrientes para cana do país”, afirma Wilson Romanini, Diretor Superintendente do Grupo Bio Soja.

As tecnologias para cana-de-açúcar poderão ser encontradas nas principais revendas e cooperativas do país, com orientação exclusiva da equipe técnica do Grupo Bio Soja, garantindo a melhor destinação e aplicabilidade dos produtos na cultura. Mais informações no site: www.biosoja.com.br.

Sobre o Grupo Bio Soja

Criado em 1971, o Grupo Bio Soja possui cinco unidades industriais localizadas em São Joaquim da Barra (2), Serrana, Ituverava e Artur Nogueira. A empresa possui cerca de 500 colaboradores e vendas anuais na ordem de R$ 400 milhões. Dedicado à produção de insumos de alta tecnologia para a agricultura moderna, conta com diversos produtos nas linhas de fertilizantes, inoculantes, sais, acaricidas, adjuvantes, condicionadores de solo e fertilizantes organominerais, entre outros. O Grupo conta com modernos e completos laboratórios e certificados de qualidade, bem como equipe de agrônomos e assistentes técnicos integrados com clientes e a cadeia do setor. Mais informações: www.biosoja.com.br. (Brasil Agro 08/03/2016)

 

MT: Primeira indústria de etanol de milho e sorgo será lançada neste mês

A pedra fundamental da primeira indústria de etanol de milho e sorgo do Brasil, a “F&S Agrisolutions”, será lançada no próximo dia 29, em Lucas do Rio Verde. O projeto visa valorizar a cadeia do sorgo e milho através da agregação de valores, proporcionando alternativas tecnológicas a demanda local. Para aproveitar a larga escala de produção de milho e sorgo da região, foi instituída a F&S Agrisolutions que é uma joint venture entre a empresa Fiagril e o grupo americano Summit. A indústria terá tecnologia de ponta sendo uma das mais avançadas no mundo para a produção de três produtos: o etanol anidro e o hidratado que serão utilizados no abastecimento de automóveis, o DDG, que é o farelo para ração animal e também o CO².

A capacidade prevista de produção da indústria é de 500 mil toneladas/ano na primeira fase, chegando em um milhão de toneladas na segunda. É importante frisar que uma tonelada de sorgo/milho processados resultam na produção de 400 litros de etanol, 380 quilos de DDGs (farelo/nutriente animal) e 20 quilos de óleo bruto.

As obras tiveram início no começo deste ano e serão finalizadas em setembro do ano que vem. A industrialização destas duas culturas vai agregar novas oportunidades para a Fiagril, para os produtores, bem como para todo o Mato Grosso.

O grupo não informou quanto será investido no empreendimento. (Só Notícias 07/03/2016)

 

CPI vistoria Usina Canabrava, no RJ, financiada por fundos de pensão e que está paralisada

Integrantes da CPI dos Fundos de Pensão vão tentar mediar uma solução para salvar parte dos recursos investidos.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fundos de Pensão vistoriou nesta sexta-feira (4) a Usina Canabrava, em Campos dos Goytacases (RJ). A usina, paralisada desde outubro passado, pertence ao Fundo de Investimento em Participações Bioenergia (FIP), cujos cotistas são os fundos de pensão dos Correios (Postalis), da Petrobras (Petros), do Serpro (Serpros) e da Companhia Energética de Brasília (Faceb).

Cerca de R$ 700 milhões já foram investidos no grupo Canabrava Bioenergia desde 2008, para produção de álcool e exportação de energia. A CPI constatou, no entanto, que os fundos de pensão não obtiveram qualquer retorno pelos investimentos.

A usina está sendo investigada por suspeitas de supervalorização de ativos, dívidas trabalhistas e com fornecedores, desvio de recursos que deveriam ser destinados a obras, manipulação contábil e insolvência das empresas. As denúncias chegaram de fornecedores e da imprensa.

Retorno dos investimentos

O presidente da empresa, Ludovico Giannattasio, e o gestor do FIP e diretor da usina, Antônio Melo, prestaram depoimento à CPI. Eles afirmaram que a situação é de normalidade, sem dívidas, e que o dinheiro será recuperado, porque a empresa está em fase de investimento. Os empresários informaram que os investimentos só terão retorno, porém, a partir de 2021.

A CPI vai tentar mediar alguma solução para salvar parte dos recursos investidos e também os empregos diretos e indiretos que as usinas geraram.

Na vistoria, os parlamentares constataram que a Usina Canabrava não tem condições de voltar a funcionar em breve, mesmo se tiver safra de cana e mais recursos.

Sobrevoo

A comitiva da CPI também sobrevoou a Usina Só Brasil, uma das usinas compradas pelo grupo, que não chegou a operar. Representantes da empresa, que acompanharam a visita, entregaram dados sobre as dívidas e as contratações de pessoal, serviços e empresas.

O grupo tem uma dívida trabalhista de R$ 6 milhões e recebeu, em 2015, R$ 3 milhões em taxa de administração. (Agência Estado 07/03/2016)

 

Agroconsult estima moagem recorde de cana no CS em 2016/17 a 622 mi t

A moagem de cana do centro-sul do Brasil na safra 2016/17 deverá atingir um recorde de 622 milhões de toneladas, previu nesta segunda-feira a Agroconsult, que em novembro havia projetado entre 615 milhões e 630 milhões.

Com chuvas favoráveis, a moagem de cana 2016/17, que começa oficialmente em abril, deverá ter crescimento de 2,8 por cento ante a temporada anterior.

"Em termos de desenvolvimento de safra, os índices de vegetação estão maiores que no ano passado, em alguns Estados, maiores da média de cinco anos", afirmou o analista de açúcar e etanol da Agroconsult Fábio Meneghin, citando o impacto do clima para as lavouras.

Ele disse que a consultoria vê um "tímido" crescimento de área plantada, de 160 mil hectares, no centro-sul.

A Agroconsult estima disponibilidade de 640 milhões de toneladas de cana, mas o setor não conseguirá processar todo o volume.

"Vai ter muita cana e o desafio vai ser conseguir moer tudo. Se clima colaborar, o pessoal consegue moer mais (que 620 milhões de t). Mas tem que ser condição ideal", comentou.

A concentração de açúcar na cana (ATR) tende a ser um pouco melhor, disse ele, ressaltando que para isso as chuvas teriam de cessar.

A produção de açúcar do centro-sul foi estimada em 33,15 milhões de toneladas, ante 32,9-33,7 milhões na projeção de novembro, com crescimento de 7,6 por cento na comparação com a safra anterior.

Já a produção de etanol do centro-sul foi projetada em 28,3 bilhões de litros, ante 27,8-28,5 bilhões em novembro, alta de 1,8 por cento ante 2015/16.

A Agroconsult estimou ainda que 58,3 por cento da safra de cana do centro-sul será direcionada para a produção de etanol e 41,7 por cento para a produção de açúcar. (Reuters 07/03/2016)

 

Itamaraty prepara contestação na OMC contra subsídios ao açúcar na Tailândia

O Ministério das Relações Exteriores está trabalhando com o setor açucareiro e aconselhamento legal externo para montar uma contestação formal aos subsídios para o açúcar na Tailândia na Organização Mundial do Comércio (OMC).

A coordenadora de disputas do ministério e conselheira líder, Daniela Benjamin, disse nesta segunda-feira que os subsídios e os suportes de preços que o Brasil acredita terem favorecido injustamente as exportações de açúcar da Tailândia são complexos e não um simples caso de subsídios de exportação.

"Ainda estamos avaliando como apresentaremos o caso. Além dos problemas legais, há a questão do impacto econômico em nossa indústria", disse ela, que não tinha um prazo específico para quando a consulta seria apresentada à OMC.

A Unica, associação que reúne as empresas do setor açucareiro, está em consulta com o gabinete de Daniela Benjamin e financiará os custos legais de uma disputa, que pode se arrastar por anos, como aconteceu com outros casos de referência do Brasil na OMC, contra os subsídios para o açúcar da União Europeia e os do algodão dos Estados Unidos.

A Unica contratou o escritório King & Spalding como conselheiro legal independente em Genebra e também está trabalhando com a empresa de análises brasileira Agroicone, para ajudar com dados sobre a indústria de açúcar da Tailândia.

Nem a Unica nem a Agroicone concordaram em falar com a Reuters, dizendo que não querem revelar sua estratégia legal. O escritório local da King & Spalding não retornou aos pedidos para comentários.

"É muito cedo para dizer que o caso se tornará disputa ... mas a Unica tem feito bastante lição de casa", disse Daniela. (Reuters 08/03/2016)

 

PE: Demanda maior de etanol pede investimentos

A recente valorização do preço do açúcar no mercado internacional e o crescimento expressivo das vendas de etanol, no ano passado, sinalizam a necessidade de ampliação da produção sucroalcooleira no mundo. No Brasil, embora o cenário internacional seja favorável aos negócios, os estoques nacionais, sobretudo no Nordeste, não têm acompanhado a valorização dos produtos.

No Nordeste, a safra de cana 2015/2016, que se encerrará em março, deve apresentar 23% de queda em comparação à produção da colheita anterior, apontou o Sindicato da Indústria e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE). Além das dificuldades climáticas, faltam investimentos para ampliar a produtividade. A entidade estima uma produção de 49 milhões de toneladas de cana no Nordeste para o ciclo atual, contra os 60,7 milhões do anterior. Em Pernambuco, o saldo da safra deve chegar a 11,7 milhões de toneladas, contra os 15 milhões de 2014/2015. Desse montante serão gerados 850 mil toneladas de açúcar e 315 milhões de litros de etanol, ambos os volumes inferiores ao período anterior.

Quando os preços estão favoráveis, faltam produtos. No ano passado o consumo de açúcar sobrepujou a produção mundial. Apesar disso, o Brasil - maior exportador da commodity - não tem tirado o devido proveito do momento favorável, na avaliação do presidente do Sindaçúcar, Renato Cunha. “O mercado futuro do açúcar se mostra bastante promissor, porém há uma urgência em garantir políticas governamentais para alavancar a produtividade na próxima safra”, ponderou.

Entraves produtivos também ameaçam o desempenho do etanol no mercado. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) informou que, no ano passado, quando a demanda pelo etanol hidratado (combustível) subiu 37,5%, estimulada pelo aumento da gasolina e as desonerações do produto, o País atingiu o limite de sua capacidade produtiva. “Uma ampliação de volume somente acontecerá quando “houver investimentos em novas usinas e tecnologias”, determinou o superintendente da ANP, Rubens Freitas.

'Falta clareza'

Para Renato Cunha, falta ainda de clareza do Governo Federal sobre a política de preços de combustíveis. “Não está definida qual serão as diretrizes da Petrobras sobre a comercialização da gasolina nacional. Nos últimos anos, o etanol foi prejudicado pelo controle de preços da gasolina”, lembrou, se referindo à retenção de ajustes do combustível fóssil para controle inflacionário. “O etanol precisa participar de forma mais estável da matriz do ciclo Otto (veículos que utilizam gasolina e etanol), sendo valorizado por ser um produto limpo e de menor impacto ambiental”, acrescentou.

Em 2014, o Brasil exportou 24 milhões de toneladas e a Tailândia, 7,5 milhões de toneladas. No País, os produtores da commodity recebem apoio do governo para elevar a produção e a exportação, o que levou a um crescimento rápido da participação no mercado internacional. “O Brasil vai entrar com uma ação na Organização Mundial do Comércio contra esses subsídios”, comentou Cunha. A medida foi autorizada pelos ministros da Câmara de Comércio Exterior (Camex). (Folha de Pernambuco 07/03/2016)

 

Sicredi acredita no potencial do agronegócio brasileiro

Com o olhar mirando as oportunidades e suas estratégias bem alicerçadas nas necessidades das comunidades onde está presente, o Sicredi disponibiliza o mesmo valor em crédito do ano passado (R$ 220 milhões) para seus associados, durante a 17ª edição da Expodireto Cotrijal. A feira agrodinâmica internacional (onde também são realizados o Fórum Nacional da Soja e a Conferência Mercosul sobre Agronegócio), vai se realizar até 11 de março de 2016, no Parque da Cotrijal, RS 142, km 24, no município de Não Me Toque. “Este ano, por conta do cenário mais retraído, teremos o grande desafio de vislumbrar as oportunidades em cada uma das Cadeias Produtivas em que atuamos diretamente, para ajudar nossos associados a manterem a sustentabilidade de seus negócios”, pondera Orlando Müller, presidente da Central Sicredi Sul.

Com foco nas pessoas e olho firme no associado, o Sicredi, que é parceiro da Expodireto desde sua 1ª edição, iniciou o ano apontando o bom desempenho de 2015 e traçando cenários para ajudar o agronegócio brasileiro a manter seu nível de desenvolvimento. Para Müller, as linhas que o Sicredi estará ofertando na feira são destinadas à aquisição de máquinas e equipamentos agrícolas, sistemas de irrigação e fomento às cadeias produtivas. “Nossa missão na Expodireto é apoiar o crescimento dos associados. É para ele que trabalhamos arduamente para garantir os recursos e o suporte necessário para que possa realizar seus investimentos da forma mais adequada ao perfil do seu negócio”, ressalta Müller.

Em 2015, o Sicredi protocolou 1.573 pedidos de financiamentos, que representaram R$ 170,8 milhões e um ticket médio de R$ 108,6 mil por pedido. Para este ano, com base no histórico de solicitação de crédito da Expodireto, o Sicredi espera uma ação mais moderada dos associados – em comparação aos últimos seis anos. As linhas que estarão sendo ofertadas são: PSI, PRONAF, Moderagro, Moderinfra e PROCaminhoneiro.

Nas últimas seis edições da Expodireto, o Sicredi protocolou mais de 11 mil propostas que representaram mais de R$ 796 milhões focados para o fomento do agronegócio gaúcho. “Mesmo com um compasso mais lento, este ano devemos manter nossa expectativa. Mas o principal foco será o de estreitar, ainda mais, nosso relacionamento com os associados”, avalia Müller.

Sobre o Sicredi

O Sicredi é uma instituição financeira cooperativa com mais de 3,1 milhões de associados e mais de 1.400 pontos de atendimentos, em 11 estados do País*. Organizado em um sistema com padrão operacional único, conta com 95 cooperativas de crédito filiadas, distribuídas em quatro Centrais regionais – acionistas da Sicredi Participações, uma Confederação, uma Fundação e um Banco Cooperativo, que controla uma Corretora de Seguros, uma Administradora de Cartões e uma Administradora de Consórcios. (Brasil Agro 07/03/2016)

 

Demanda por crédito rural de múlti é 37 vezes maior que a oferta

O mercado de crédito agrícola está com um cenário desafiador. As linhas de crédito que vêm do governo tendem a encurtar, os bancos privados se retraem e as tradings não têm mais o apetite que tinham no passado.

A Bayer, há 120 anos no Brasil e uma das principais do setor de agroquímicos, resolveu testar o setor e buscar uma forma de fornecer crédito para seus clientes.

Fez um lançamento-piloto de CRA (Certificados Recebíveis do Agronegócio) no valor de R$ 107,6 milhões.

A empresa ficou surpresa com o resultado: a demanda dos investidores foi 37 vezes superior à oferta, atingindo R$ 4,1 bilhões.

Com o sucesso do primeiro lançamento e ante a possibilidade de aumentar o crédito para distribuidores e clientes em um momento difícil do país, Matias Correch, diretor-executivo de Finanças e Administração da Bayer CropScience para o Brasil e América Latina, diz que virão novos lançamentos.

"Molhamos o dedão", diz ele sobre o lançamento-piloto. "Agora vamos começar a jogar de verdade." A demanda por crédito é alta, e a capacidade de tomada de recursos pelo agricultor no cenário atual não aponta para melhoras. Por isso, a Bayer poderá, ainda neste ano, duplicar o valor do lançamento dessa modalidade de crédito.

"O CRA é uma alternativa para aumentarmos o crédito para nossos distribuidores e clientes. Estamos permitindo que eles se autofinanciem no momento em que o crédito está escasso", diz Correch.

Ele atribui essa grande procura por esses títulos à boa rentabilidade e ao baixo risco dos papéis.

O custo financeiro fica extremamente conveniente. Produtor que compra por meio do distribuidor vai ter o benefício do CRA, que tem taxas de juros melhores.

Já os distribuidores e os clientes que fazem compras diretas da Bayer ficam devendo para o fundo do CRA, também com taxas menores.

Para Correch, um papel bem estruturado, rentabilidade boa e a Bayer assumindo o risco são a base do sucesso dessa procura.

MERCADO FINANCIADOR

A demanda por crédito deve continuar alta, e a capacidade de tomar crédito no agronegócio não dá indicação que vai melhorar, afirma.

"Idealmente, nossa estratégia é crescer mais e mais nisso para que o mercado financeiro acabe tomando o papel de financiamento. Mas o nosso papel não é o de financeira, mas investigar, pesquisar e produzir", diz ele.

Martha de Sá, sócia-diretora da Octante Securitizadora, empresa que estruturou os papéis da Bayer, diz que essa é uma nova linha de financiamento para produtores, distribuidores e cooperativas.

O lançamento da Bayer teve 1.620 participantes, dos quais o 1.602 pessoas físicas, que não pagam Imposto de Renda e IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

Essa procura mostra a potência desse mercado, segundo ela. A remuneração do CRA da Bayer será de CDI mais 0,29% ao ano.

O CRA é um título lastreado em créditos do agronegócio e proporciona aos clientes uma nova linha de financiamento sem usar o limite deles com os bancos e nem com a Bayer, diz Martha.

FARIA LIMA NO CAMPO

As pessoas físicas estão ávidas por por papéis bem estruturados, mas o desafio é levar o entendimento do mercado de capitais para produtores e distribuidores, algo a que não estão acostumados. "O desafio é adaptar o operacional do dia a dia à realidade de uma emissão", diz ela.

"O CRA é a Faria Lima [referência ao centro financeiro de São Paulo] indo ao campo", diz Ivan Wedekin, da Wedekin Consultoria.

A engenharia de segurança dos papéis permite que um investidor urbano financie um produtor no campo, o que ele não faria em uma operação individual, diz Wedekin.

A Bayer vende insumos, mas o produtor não consegue levantar todo o dinheiro no crédito rural e não tem capital próprio para esse pagamento. A saída é fazer dívida por meio de uma CPR (Cédula de Produto Rural), papel com a finalidade de obtenção de recursos para a produção.

Com uma operação dessa, a Bayer dá tempo para o produtor plantar e colher. Mas ela também precisa de crédito, o que consegue no mercado financeiro devido a essas operações, diz Wedekin. (Folha de São Paulo 08/03/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Pressão cambial: Uma nova rodada de valorização do dólar ante o real pressionou as cotações do açúcar demerara na bolsa de Nova York. Os lotes com entrega em julho fecharam ontem em baixa de 9 pontos, a 14,61 centavos de dólar por libra-peso. A reação da moeda americana estimula as vendas de açúcar pelos produtores do Brasil, maior fornecedor global, na medida em que eleva a rentabilidade das exportações. Com mais oferta no mercado, os preços tendem a cair. No que diz respeito aos fundamentos, as previsões indicam clima favorável para o desenvolvimento das lavouras de cana nos próximos dias em São Paulo, principal pólo mundial de produção de açúcar. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal ficou em R$ 78,27, em baixa de 0,23%.

Café: Impacto do dólar: A apreciação do dólar sobre a moeda brasileira pressionou ontem os contratos de café arábica na bolsa de Nova York. Os lotes com vencimento em maio encerraram o pregão cotados a US$ 1,2090 a libra-peso, queda de 15 pontos. O movimento reflete a reação da moeda americana, após a forte baixa vista na semana passada. Com o dólar mais forte, as vendas de café arábica pelos produtores do Brasil, maior produtor e exportador mundial da commodity, são estimuladas, uma vez que a rentabilidade das exportações cresce. Com mais oferta, portanto, os preços tendem a recuar. No mercado brasileiro, o indicador Cepea/Esalq para o café arábica em São Paulo ficou em R$ 482,23 por saca, alta de 0,67%. No acumulado de março, a valorização da commodity é de 0,34%.

Suco de laranja: Ladeira abaixo: O suco de laranja ampliou as perdas em Nova York ontem, em meio à ausência de novidades ligadas aos fundamentos que possam sustentar as cotações. Os contratos para maio fecharam com queda de 245 pontos, a US$ 1,1805 por libra-peso. Foi o sétimo pregão seguido de desvalorização do suco, desde 26 de fevereiro, os preços da commodity já caíram quase 10%. Nos EUA, persistem as preocupações com a safra da Flórida (que detém o segundo maior pomar de citros do mundo, atrás de São Paulo), devido ao ataque de greening, uma doença bacteriana. Entretanto, a perda de força da demanda dificulta uma reação dos preços da bebida. No mercado spot de São Paulo, a caixa de 40,8 quilos da laranja destinada à indústria permaneceu estável, em R$ 13,86, conforme o Cepea/Esalq.

Algodão: Movimento técnico: O contínuo movimento de cobertura de posições vendidas e as notícias sobre o clima nas lavouras dos EUA elevaram as cotações da soja na bolsa de Chicago no pregão de ontem. Os contratos futuros com vencimento em maio encerraram a sessão a US$ 8,8175 por bushel valorização de 3,25 centavos de dólar. De acordo com analistas, previsões para fortes chuvas na região do Delta dos EUA esta semana contribuíram para sustentar os preços da soja, tendo em vista que o excesso de umidade pode dificultar o início do plantio da safra. Além disso, a recente perda de força do dólar também pode estimular a demanda pela soja americana. No Brasil, o preço do grão subiu 1,1% ontem, a R$ 74,40 por saca, conforme o indicador Esalq/BM&FBovespa no porto de Paranaguá, no Paraná. (Valor Econômico 08/03/2016)