Setor sucroenergético

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Agronegócio Defende o Estado Democrático de Direito

Diante da atual crise política e econômica vivida pelo País e dos últimos acontecimentos em decorrência das investigações da Polícia Federal e do Ministério Público, o setor produtivo do agronegócio, por meio da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), conclama para que, em qualquer situação, se mantenha o Estado Democrático de Direito e o princípio da ordem pública constituída.

Entendemos como legítimo o direito constitucional de todos se manifestarem, sejam quais forem as posições defendidas. Salientamos, no entanto, que tudo deve ser feito observando o respeito às instituições públicas, sem animosidades e sem violação de qualquer Lei.

Vivemos a falta de confiança das empresas e da sociedade no Governo e na classe política. Um momento de redução nos investimentos, no consumo e aumento do desemprego. Essa instabilidade econômica e social afeta a todos nós. Para recuperarmos a confiança e o crescimento são necessárias mudanças significativas na política e, consequentemente, na economia.

Reforçamos ainda nosso integral apoio à imprensa livre e a todas as instituições da nossa democracia, que vêem somando esforços com a sociedade civil brasileira na defesa da ética, em especial ao trabalho realizado pela Justiça brasileira. (Brasil Agro 09/03/2016)

 

Unica apóia decisão do Brasil em contestar o regime de açúcar da Tailândia na OMC

A decisão do governo brasileiro de iniciar os procedimentos de solução de controvérsias no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar o regime de açúcar da Tailândia foi recebida por satisfação pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), segundo comunicado enviado pela entidade à imprensa.

A posição não é exatamente surpreendente. Afinal, a ação foi motivada justamente por uma série de discussões entre os produtores brasileiros, via Unica, e representantes dos ministérios das Relações Exteriores e da Agricultura.

No último dia 29 de fevereiro, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) autorizou que o Ministério das Relações Exteriores inicie um contencioso junto ao Órgão de Solução de Controvérsias da OMC, questionando uma série de medidas baseadas em leis, regulações internas e outras medidas que impactam o setor açucareiro, em desacordo com normas da OMC.

O relatório que embasou a consulta informal na OMC foi elaborado pela Agroicone, consultoria especializada em disputas internacionais. Uma vez que a Tailândia é o segundo maior exportador mundial de açúcar, seus subsídios afetam gravemente o mercado global.

De acordo com informações divulgadas pela Agência Estado, o Brasil alega que a Tailândia elevou em 2014 o valor pago pela tonelada de cana para 160 bahts (US$ 4,50). O incentivo é válido para cerca de 300 mil produtores e para um total de 103,67 milhões de toneladas, o que acarreta em gasto de 16,59 bilhões de bahts (US$ 466,79 milhões).

A expectativa, ainda segundo a agência, é de que o processo se desenrole por até três anos e já há dúvidas quanto a uma vitória brasileira. A INTL FCStone, por exemplo, avaliou que o Brasil terá dificuldades em convencer os oficiais da OMC de que os subsídios oferecidos pelo governo tailandês ao setor sucroenergético do país asiático são desleais.

O comunicado da Unica, contudo, confirma que a entidade acredita que o governo tailandês controla virtualmente todos os aspectos dos mercados de cana e de açúcar e concede subsídios aos produtores de forma incompatível com as obrigações assumidas perante a OMC. “As medidas adotadas pela Tailândia distorcem de forma acentuada os mercados globais de açúcar e impactam a indústria brasileira”, aponta a nota.

Além disso, a diretora-presidente da entidade, Elizabeth Farina, também se pronunciou. “A Unica apoia plenamente a decisão do governo brasileiro de contestar o regime tailandês de açúcar na OMC”, afirma e completa: “As ações do governo brasileiro são fundamentais para assegurar os direitos do Brasil nos termos da legislação do comércio internacional e para evitar maiores danos ao setor brasileiro de açúcar”. (Unica 09/03/2016)

 

Grupo GVO propõe desconto de 70% para detentores de títulos

Em dificuldades financeiras, o grupo brasileiro de açúcar e etanol Virgolino de Oliveira (GVO) está propondo aos seus credores que aceitem desconto de cerca de 70 por cento em seus 735 milhões de dólares em títulos, disse uma fonte com conhecimento direto do assunto.

O GVO, que já foi o maior produtor dentro da Copersucar, a maior comercializadora de açúcar do Brasil, tem três emissões de bônus em circulação. A empresa tem 300 milhões de dólares com vencimento em 2018, 135 milhões de dólares em 2020 e 300 milhões de dólares em 2022.

A empresa parou de pagar juros dos bônus em junho de 2014 e nesta semana está fazendo a primeira proposta de reestruturação da dívida aos detentores dos títulos. O bônus mais curto, com vencimento em 2018, foi cotado nesta quarta-feira a 2,5 centavos por dólar.

A GVO está se oferecendo emitir novos bônus com vencimentos mais longos para substituir os títulos antigos. Além de desconto e datas de vencimentos maiores, a empresa está tentando obter taxas de juros menores. Os bônus em dólares têm cupons variando entre 10 e 11,75 por cento ao ano.

Os detentores de títulos ainda não responderam a oferta, mas têm a opção de recusar a proposta e tentar recuperar as garantias colaterais de duas emissões.

O grupo possui quatro usinas em São Paulo, maior Estado produtor de cana do país. Assim como muitas usinas brasileiras, a GVO entrou em dificuldade após investir demais nos anos de boom do etanol brasileiro até 2009, apenas para ver estas apostas sendo esmagadas pela política do governo de subsidiar os preços da gasolina.

O presidente-executivo da GVO, Joamir Alves, disse que não ter comentários sobre os detalhes da oferta aos detentores de títulos.

Mais de cem usinas brasileiras fecharam suas portas ou entraram em recuperação judicial nos últimos 8 anos, com um excesso de açúcar pressionando preços.

Com a depreciação de 40 por cento do real ante o dólar no último ano, as dívidas em dólares sem hedge da GVO e outras usinas inflaram.

Os contratos futuros de açúcar começaram a se recuperar nos últimos meses, com o déficit de oferta global apoiando os preços. Além disso, a decisão do governo brasileiro de elevar os preços da gasolina melhorou os retornos da produção de biocombustível. No entanto, muitas usinas ainda estão lutando para quitar suas dívidas. (Reuters 09/03/2016)

 

"Se me deixarem solto, viro presidente", diz Lula

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem feito um diagnóstico positivo sobre o impacto da ação da Operação Lava Jato que o levou para prestar depoimento de forma coercitiva.

As pessoas de sua confiança, ele tem dito que o PT e o governo mais ganharam do que perderam com o episódio.

"A partir de agora, se me prenderem, eu viro herói. Se me matarem, viro mártir. E se me deixarem solto, viro presidente de novo", disse Lula a mais de um interlocutor.

Conforme o jornal O Estado de S. Paulo apurou, o ex-presidente mostrou-se confiante em resgatar a imagem do partido.

Lula chegou nesta terça-feira, 8, à tarde em Brasília para reunir-se com a presidente Dilma Rousseff pela segunda vez em quatro dias.

Nesta quarta pela manhã, o ex-presidente tem encontro marcado com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que tem sido pressionado por alguns colegas a aderir ao impeachment.

No Congresso, a avaliação é de que a ação da Lava Jato causou um efeito positivo para Lula em vários aspectos. "O episódio unificou o PT e tirou o partido da paralisia. Atualmente, não há clima mais para falar em disputa entre correntes internas", disse o deputado Paulo Teixeira (PT-SP).

Para ele, a forma como ocorreu a condução coercitiva de Lula também sensibilizou os movimentos sociais. "Até para quem não vota no Lula de jeito nenhum foi transmitida uma sensação de que houve abuso por parte da Lava Jato."

Os advogados do ex-presidente recorreram da decisão da ministra do Supremo Tribunal Federal Rosa Weber, que negou pedido de liminar para que a Corte suspendesse a 24.ª fase da Operação Lava Jato e decidisse qual órgão deve ser responsável pelas investigações contra o petista. (Agência Estado 09/03/2016)

 

Demanda por etanol em 2016 deve cair com aumento dos preços

A demanda por etanol no Brasil, que disparou 20 por cento em 2015, não deve ter mais qualquer ganho este ano e pode cair com os preços mais altos e a crise econômica atingindo as vendas, aumentando a possibilidade de mais exportações de açúcar, de acordo com especialistas.

A vantagem dos preços do combustível ante a gasolina pode também evaporar em vários Estados do Brasil, uma vez que os valores não devem cair tanto quanto no ano passado, quando a colheita da cana estava em pleno andamento.

A demanda doméstica por etanol é um fator essencial para a quantidade de açúcar que o país exportará, já que ambos os produtos competem pela cana, e o uso da capacidade das usinas é parcialmente baseado em condições de mercado.

"Mantido o cenário do jeito que está, temos uma perda de competitividade do (etanol) hidratado, porque as usinas têm mais caixa e o açúcar subiu, levando o etanol junto", disse o analista de açúcar e etanol da Agroconsult, Fabio Meneghin.

A empresa projeta que a parcela de mercado do etanol hidratado, que é usado pela frota flex do país em vez da gasolina, caíra para 28 por cento em 2016, ante 30 por cento em 2015, o equivalente a uma queda de 600 milhões de litros.

O presidente da consultoria Datagro, Plinio Nastari, também espera muito menos pressão nos preços do etanol no pico da safra de cana. Ele disse que as usinas fizeram bons acordos de hedge de seu açúcar com boas cotações e que não precisam vender o biocombustível para obter dinheiro rapidamente, como visto no ano passado.

"No início da safra normalmente o preço cai, pelo acúmulo de oferta. Na safra passada esse piso foi de 1,15 real por litro para os produtores, sem impostos. A estimativa para 2016 está entre 1,5 real e 1,55 real", disse Nastari.

Os preços da gasolina no Brasil --estabelecidos pelo governo-- estão atualmente acima dos níveis internacionais e provavelmente devem continuar dessa maneira, com o governo tentando restaurar o fluxo de caixa da altamente endividada Petrobras.

A Datagro também projeta uma queda de 3 por cento no consumo combinado de gasolina e etanol este ano, devido à severa recessão econômica, que eliminaria o consumo de 1,6 bilhão de litros em gasolina equivalente.

Uma recente mudança de impostos em alguns Estados do Nordeste, favorecendo o etanol em relação à gasolina, deve aumentar os volumes na região, mas especialistas dizem que é improvável que isso impulsione muito o consumo.

A Agroconsult vê um aumento de 100 milhões de litros do consumo de etanol nos seis Estados com a mudança de impostos. (Reuters 09/03/2016)

 

Impeachment Já: Manifestantes atraem entidades de classe

Principal movimento por trás das manifestações contra o governo Dilma, marcadas para domingo, o Vem Pra Rua (VPR) afirma ter ampliado sua rede de apoio social e política com o alinhamento de entidades de classe como OABs estaduais, Sociedade Rural Brasileira, associações de médicos e Fiesp.

A Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrace), está enviando um comunicado sobre a manifestação para os funcionários de todos os 538 shoppings associados, espalhados por 196 cidades do País.

Nesta última segunda-feira, líderes do VPR e do Movimento Brasil Livre, segundo maior grupo organizador dos protestos, reuniram-se por três horas, a convite do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, com quase 200 representantes do empresariado.

Em São Paulo, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou que, para evitar confrontos, manifestantes favoráveis ao PT e ao governo não poderão se reunir na avenida Paulista. (Brasil Agro 09/03/2016)

 

Europa adia voto sobre a extinção do herbicida glifosato nas lavouras

A União Européia (UE) propôs nesta terça-feira (8) um voto sobre renovação da autorização por 15 anos do glifosato, substância ativa utilizada nos pesticidas, depois que vários países do bloco se uniram aos críticos da substância - segundo fontes diferentes.

A Comissão Européia deverá apresentar à votação de uma comissão de peritos que representam os Estados-membros reunidos na segunda-feira e terça-feira em Bruxelas, a renovação da autorização que expira em junho. Mas pela pressão e a ameaça de não obter maioria qualificada, a questão não foi submetida, embora debatida, segundo fontes européias.

De acordo com fontes diplomáticas, a maioria necessária para a aprovação não foi alcançada, que se trata de 55% dos Estados, representando 65% da população da UE.

A Comissão recusou na terça-feira a confirmar o adiamento da votação sobre esta autorização, que tem causado uma onda de protestos de organizações não governamentais e euro deputados. “Os serviços da Comissão e os Estados-membros discutiram os próximos passos”, disse uma fonte da UE, salientando que “não há tempo para ter mais discussões”.

O comitê de peritos deve se reunir em 18 e 19 de maio. A questão pode no entanto ser tratada antes “se necessário”.

A Holanda adiantou na semana passada que iria pedir que a votação fosse adiada. França, Suécia e Itália tinham avisado que iriam votar contra. A Alemanha, onde os ambientalistas militam contra a renovação, também teria pedido o adiamento do voto, o que deixou sem maioria qualificada para proceder.

Os riscos à saúde pelo uso do glifosato, inclusive o risco de câncer, será analisado por outro organismo comunitário, a Agência Européia de Substâncias e Misturas Químicas (ECHA, na sigla em inglês), que poderia adotar uma avaliação diferente daquela da EFSA, destacou o Greenpeace. (Reuters 09/03/2016)

 

Desempenho fora da porteira prejudica agronegócio brasileiro

Se tem uma modalidade em que o Brasil é campeão absoluto é o desperdício no transporte. Ninguém no mundo consegue, tanto quanto nós, jogar grãos nas estradas. Uma cena que se repete por todo país.

O chamado transporte curto, do campo até os silos, pode representar um grande prejuízo para os agricultores. Cooperativas e cerealistas estimam que durante o percurso, meio por cento da carga fique pela estrada. Quantidade que pode chegar até a três sacas por caminhão.

O problema é parecido no transporte longo, que é aquele dos armazéns até os portos ou indústrias esmagadoras. Na safrinha 14/15 Mato Grosso colheu cerca de 15 milhões de toneladas de milho. Considerando ambos trechos de transporte ficaram pelas estradas cerca de 115 mil toneladas do grão. Volume suficiente para encher mais de 3.100 caminhões, com capacidade para 37 toneladas cada um. Esse desperdício todo transformado em dinheiro, a conta surpreende. “Isso representa, considerando o valor da saca de milho de hoje, cerca de R$ 35 milhões”, alerta Cid Sanches, gerente da Aprosoja-MT. 

Um estudo da CNT chamado “Transporte & Desenvolvimento: Entraves logísticos ao escoamento de soja e milho” comprova os graves problemas existentes no escoamento da produção no país. Somente as condições do pavimento das rodovias levam a aumento de 30,5% no custo operacional. Se fossem eliminados os gastos adicionais devido a esse gargalo, haveria economia anual de R$ 3,8 bilhões.

Esse desperdício emperra o objetivo de tornar o Brasil um grande player do mercado internacional de milho. (Reuters 09/03/2016)

 

Agricultores fazem protesto em frente ao Ministério da Fazenda, em Brasília

Grupo de Minas e Espírito Santo pede perdão de dívidas com bancos.

Manifestantes chegaram a fechar Eixo Monumental por 15 minutos.

Membros da Confederação Nacional de Trabalhadores da Agricultura (Contag) se reuniram em um protesto em frente ao Ministério da Fazenda na manhã desta quarta-feira (9). Eles pedem o perdão das dívidas de empréstimos feitos pelos agricultores.

Os manifestantes fecharam as seis pistas do Eixo Monumental por cerca de 15 minutos, no sentido Congresso-Rodoviária. De acordo com a Polícia Militar, 500 pessoas estavam no local por volta das 11h. No mesmo horário, os manifestantes estimavam a presença de 800 pessoas.
O grupo afirma que vai continuar na frente do ministério até o final da tarde. Os agricultores vieram em caravanas de Minas Gerais e do Espírito Santo. Segundo a organização, não há agricultores do DF no protesto.

"Eu sou de Pancas, no Espírito Santo, e, no nosso município, 70% das pessoas sobrevivem de agricultura familiar. Nós queremos que o governo perdoe as dívidas porque perdemos nossa produção e não temos como pagar. O comércio na nossa região depende dos agricultores", afirma o sindicalista e produtor de café Reginaldo Muniz. (G1 09/03/2016)

 

Governo dará desconto de 40% na dívida dos Estados em troca de apoio

Medida deve aliviar o caixa dos Estados e abrir espaço para outros gastos, mas, de acordo com analistas, deve fazer com que o rombo nas contas do governo este ano fique acima dos R$ 60 bilhões já previstos.

Governo quer apoio à volta da CPMF

Em busca de apoio político, o governo dará um desconto de 40% nas prestações das dívidas dos Estados junto ao Tesouro pelo prazo de um ano, segundo fontes da área econômica. Mas a estratégia do governo, ainda em análise, poderá ser a de enviar ao Congresso na semana que vem um projeto com desconto de 20%, para haver espaço de negociação. Em contrapartida ao socorro, o governo quer apoio à volta da CPMF.

O desconto deverá trazer alívio adicional ao caixa dos Estados, que hoje estão pressionados por um lado pela queda da arrecadação e, por outro, pelo crescimento das despesas de pessoal. Reduzindo o pagamento da dívida, sobrarão mais recursos para atender a outras prioridades. O resultado, porém, é que os governos estaduais terão um resultado primário (a diferença entre a arrecadação e as despesas não financeiras) menor do que o esperado.

Além do desconto, cujo impacto não foi informado, o governo aceitou alongar a dívida por 20 anos e por 10 anos para o pagamento do financiamento dos Estados com o BNDES. O impacto total é calculado em R$ 37 bilhões em três anos. Os efeitos em 2016 foram estimados em R$ 12 bilhões. Esse valor não leva em conta a redução da prestação com desconto, que vai gerar maior espaço para gastos.

Essa piora deverá ser incorporada à chamada banda fiscal do governo. Se essa proposta for aprovada, portanto, o déficit, ao fim do ano, deve ser superior aos R$ 60,4 bilhões já anunciados e, ainda assim, a meta fiscal será dada como cumprida. A criação da banda depende da aprovação de um projeto de lei a ser enviado ao Congresso ainda este mês.

“É uma medida que vai permitir que os Estados consigam atravessar o ano”, disse ao Estado o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Dyogo Oliveira. “E ela virá acompanhada de novas regras de condução fiscal que preservarão a saúde financeira dos Estados”, como a proibição de contratarem mais crédito e a adoção de um programa de redução gradual de gastos com folha salarial.

O alívio financeiro aos Estados, no entanto, é visto com preocupação por especialistas. O professor titular de direito financeiro da Universidade de São Paulo (USP), Heleno Torres, avaliou que a proposta aumenta a dívida do setor público e o governo corre grande risco de os parlamentares ampliarem ainda mais os benefícios durante a votação do projeto no Congresso, porque a base governista está muito frágil.

Para o especialista em finanças públicas Fernando Montero, economista-chefe da corretora Tullett Prebon, a medida piora as contas públicas, mas a redução do crédito pelos Estados pode ser positiva. Segundo ele, o déficit dos governos regionais que deverá ocorrer por conta do socorro aos Estados é agora um problema menor diante de tantas variáveis “dramáticas” para as finanças públicas, como o tombo das receitas, a recessão e o juros elevados; (O Estado de São Paulo 10/03/2016)

 

Commodities Agrícolas

Café: Safra no Brasil: O café arábica voltou a subir na bolsa de Nova York ontem, em meio a novas previsões para a safra do Brasil, maior fornecedor global da commodity. Os contratos para maio com alta de 65 pontos, a US$ 1,2235 por libra-peso. Durante a Conferência Mundial do Café, na Etiópia, o Rabobank previu que a safra 2016/17 no Brasil será menor que a estimada atualmente por agentes do mercado, mas superior à do ciclo anterior. O banco projetou que a produção brasileira do grão somará 51,8 milhões de sacas, um aumento de 2,6 milhões de sacas sobre o estimado pela instituição para a temporada anterior. A produção de arábica deve crescer 6,5 milhões de sacas, para 39,2 milhões de sacas, conforme o Rabobank. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o café subiu 0,76%, para R$ 486,83 a saca.

Cacau: Movimento de correção: Os preços do cacau reagiram ontem na bolsa de Nova York, depois das perdas registradas no pregão anterior. Os papéis para maio fecharam em alta de US$ 52, a US$ 3.022 por tonelada. O movimento, contudo, tem caráter de correção, visto que há poucas notícias ligadas aos fundamentos que permitam uma elevação mais sustentada do cacau. Chuvas recentes no oeste da África (que concentra a produção da amêndoa no mundo) tendem a melhorar a umidade das lavouras, após um período de seca. Também não há grandes preocupações com a colheita da safra principal da commodity na região neste momento. No Brasil, o clima também permanece favorável à colheita do cacau. Em Ilhéus e Itabuna (BA), o preço médio da arroba ficou em R$ 146, conforme a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Suco de laranja: Revisão nos EUA: A expectativa mais otimista para a safra de laranja na Flórida não impediu os preços do suco de avançarem em Nova York. Os lotes para maio encerraram ontem em alta de 130 pontos, para US$ 1,2355 por libra-peso. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) elevou a projeção de produção na Flórida para 71 milhões de caixas nesta safra 2015/16, 2,9% acima do estimado mês passado, mas ainda aquém das 96,8 milhões de caixas de 2014/15. O Estado americano detém o segundo maior pomar de citros do mundo, atrás de São Paulo. Com isso, a estimativa para a produção de laranja nos EUA subiu de 122,41 milhões para 124,91 milhões de caixas. No mercado spot de São Paulo, a caixa de 40,8 quilos da laranja destinada à indústria permaneceu estável, em R$ 13,88, de acordo com o Cepea/Esalq.

Algodão: Oferta mais enxuta: As cotações do algodão recuaram na bolsa de Nova York ontem, apesar da expectativa de enxugamento na oferta global da fibra. Os contratos com vencimento em maio encerraram a sessão com queda de 27 pontos, a 56,59 centavos de dólar por libra­peso. Em relatório divulgado ontem, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) reduziu sua estimativa para os estoques finais mundiais de algodão na safra 2015/16 em 25,2%, para 22,49 milhões de toneladas. A revisão foi causada por uma menor projeção de colheita neste ciclo, que passou de 22,07 milhões de toneladas, no relatório de fevereiro, para 21,82 milhões. No oeste da Bahia, a arroba da pluma foi negociada ao preço médio de R$ 80,02, conforme a Associação de Agricultores e Irrigantes do Estado (Aiba). (Valor Econômico 10/03/2016)