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Petroquímica Braskem vira moeda de troca da Odebrecht

Com uma dívida em atraso de cerca de R$ 10 bilhões que ameaça levar uma de suas empresas a pedir recuperação judicial, a Odebrecht está sendo pressionada a usar a petroquímica Braskem, sua joia da coroa, na renegociação com os bancos credores.

Evitar a derrocada da Agroindustrial, produtora de etanol, é um passo decisivo para espantar uma crise de confiança que poderia arrastar mais empresas do grupo, que deve cerca de R$ 100 bilhões no país e no exterior.

Outro movimento crucial, já em discussão, é a escolha de um novo comando depois da condenação de Marcelo Odebrecht a mais de 19 anos de prisão pela participação no esquema de corrupção da Petrobras investigado pela Operação Lava Jato.

Para renegociar a dívida da Agroindustrial e estender o prazo para pagamento, os credores querem que a Odebrecht dê em garantia ações da Braskem, segundo apurou a Folha. A petroquímica é controlada pelo grupo e tem a Petrobras como sócia.

Desempenho do Grupo em 2014:

Receita R$ 107,7 bilhões

Dívida de R$ 98 bilhões

Lucro Liquide R$ 0,498 bihões

Se um novo acordo for fechado nesses termos, Bradesco, Itaú, Santander e Banco do Brasil ficarão com um pedaço da Braskem caso a Agroindustrial venha a falhar nos pagamentos outra vez. A petroquímica responde por metade das receitas do grupo, de mais de R$ 100 bilhões.

A Odebrecht prefere não empenhar essas ações e, ainda segundo apurou a reportagem, ao mesmo tempo negocia a venda sua participação na Braskem. A Petrobras já anunciou que vai passar adiante sua fatia na empresa.

Procurada, a Odebrecht disse que "não há qualquer negociação de venda de participação na Braskem".

Sobre o uso das ações da petroquímica na renegociação da dívida da Agroindustrial, a empresa afirma que "prossegue em diálogo construtivo com os credores".

TROCA NO COMANDO

Além da necessidade de acertar suas contas, a Odebrecht precisa substituir Marcelo Odebrecht para pôr fim à incerteza dos credores no Brasil e no exterior sobre o futuro da companhia.

O empresário Emílio Odebrecht, principal acionista e pai de Marcelo, esperava que o filho saísse da cadeia para participar das discussões. Com a condenação a 19 anos, a sucessão ganhou urgência e começou a ser rabiscada.

Uma das idéias é reunir em três áreas as 15 empresas e unidades de negócios. Cada área teria um presidente, que responderiam ao presidente da holding (empresa controladora).

Esse modelo de gestão, que vigorou no passado, voltou a ser discutido como solução para a companhia no ano passado. Foi abandonado e agora voltou a ser considerada. Uma das dificuldades para adotar o modelo e definir nomes agora é o medo de que, com o desenrolar da Lava Jato, mais executivos do grupo possam vir a ser envolvidos. Isso restringe a margem para escolha dos nomes que poderiam comandar a companhia.

A Odebrecht negou que esteja trabalhando em um plano de sucessão.

R$ 9 bilhões é a dívida vencida da Agroindustrial que, se não for paga, pode gerar o vencimento antecipado de outras dívidas.

27 é o número de países em que o grupo tem atuação.

20 milhões é o total de usuários que usam rodovias, transporte público e serviços de saneamento básico prestados por empresa do grupo.

DELAÇÃO

Única das grandes empreiteiras que ainda não fez acordo de delação, a Odebrecht contratou um advogado para tentar um acerto com o Ministério Público em nome dos executivos condenados pelo juiz Sérgio Moro.

Por quase um ano eles rechaçaram a idéia, seguindo a posição de Marcelo Odebrecht. Acabaram cedendo, por pressão de suas famílias. Além da colaboração dos executivos, o grupo começou a discutir um acordo de leniência, em Brasília. (Folha de São Paulo 11/03/2016)

 

Açúcar: Ainda o câmbio

A queda do dólar em relação ao real voltou a sustentar os preços do açúcar na bolsa de Nova York.

Ontem, os contratos futuros com entrega em julho encerraram o pregão a 14,79 centavos de dólar por libra-peso, alta de 21 pontos.

Com a valorização do real, as exportações de açúcar do Brasil, o maior produtor e exportador mundial da commodity, são desestimuladas, na medida em que a rentabilidade dos embarques diminui.

Com menos oferta no mercado, os preços tendem se valorizar.

Do lado dos fundamentos, no entanto, as condições continuam favoráveis ao desenvolvimento das lavouras de cana no Brasil, o que pode limitar uma alta mais sustentada dos preços do açúcar.

Em São Paulo, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou em R$ 78,29 por saca, valorização diária de 0,28%. (Valor Econômico 11/03/2016)

 

Demanda por etanol no Brasil em 2016 deve cair com aumento dos preços

A demanda por etanol no Brasil, que disparou 20 por cento em 2015, não deve ter mais qualquer ganho este ano e pode cair com os preços mais altos e a crise econômica atingindo as vendas, aumentando a possibilidade de mais exportações de açúcar, de acordo com especialistas.

A vantagem dos preços do combustível ante a gasolina pode também evaporar em vários Estados do Brasil, uma vez que os valores não devem cair tanto quanto no ano passado, quando a colheita da cana estava em pleno andamento.

A demanda doméstica por etanol é um fator essencial para a quantidade de açúcar que o país exportará, já que ambos os produtos competem pela cana, e o uso da capacidade das usinas é parcialmente baseado em condições de mercado.

"Mantido o cenário do jeito que está, temos uma perda de competitividade do (etanol) hidratado, porque as usinas têm mais caixa e o açúcar subiu, levando o etanol junto", disse o analista de açúcar e etanol da Agroconsult, Fabio Meneghin.

A empresa projeta que a parcela de mercado do etanol hidratado, que é usado pela frota flex do país em vez da gasolina, caíra para 28 por cento em 2016, ante 30 por cento em 2015, o equivalente a uma queda de 600 milhões de litros.

O presidente da consultoria Datagro, Plinio Nastari, também espera muito menos pressão nos preços do etanol no pico da safra de cana. Ele disse que as usinas fizeram bons acordos de hedge de seu açúcar com boas cotações e que não precisam vender o biocombustível para obter dinheiro rapidamente, como visto no ano passado.

"No início da safra normalmente o preço cai, pelo acúmulo de oferta. Na safra passada esse piso foi de 1,15 real por litro para os produtores, sem impostos. A estimativa para 2016 está entre 1,5 real e 1,55 real", disse Nastari.

Os preços da gasolina no Brasil --estabelecidos pelo governo-- estão atualmente acima dos níveis internacionais e provavelmente devem continuar dessa maneira, com o governo tentando restaurar o fluxo de caixa da altamente endividada Petrobras.

A Datagro também projeta uma queda de 3 por cento no consumo combinado de gasolina e etanol este ano, devido à severa recessão econômica, que eliminaria o consumo de 1,6 bilhão de litros em gasolina equivalente.

Uma recente mudança de impostos em alguns Estados do Nordeste, favorecendo o etanol em relação à gasolina, deve aumentar os volumes na região, mas especialistas dizem que é improvável que isso impulsione muito o consumo.

A Agroconsult vê um aumento de 100 milhões de litros do consumo de etanol nos seis Estados com a mudança de impostos.Por Marcelo Teixeira

SÃO PAULO (Reuters) - A demanda por etanol no Brasil, que disparou 20 por cento em 2015, não deve ter mais qualquer ganho este ano e pode cair com os preços mais altos e a crise econômica atingindo as vendas, aumentando a possibilidade de mais exportações de açúcar, de acordo com especialistas.

A vantagem dos preços do combustível ante a gasolina pode também evaporar em vários Estados do Brasil, uma vez que os valores não devem cair tanto quanto no ano passado, quando a colheita da cana estava em pleno andamento.

A demanda doméstica por etanol é um fator essencial para a quantidade de açúcar que o país exportará, já que ambos os produtos competem pela cana, e o uso da capacidade das usinas é parcialmente baseado em condições de mercado.

"Mantido o cenário do jeito que está, temos uma perda de competitividade do (etanol) hidratado, porque as usinas têm mais caixa e o açúcar subiu, levando o etanol junto", disse o analista de açúcar e etanol da Agroconsult, Fabio Meneghin.

A empresa projeta que a parcela de mercado do etanol hidratado, que é usado pela frota flex do país em vez da gasolina, caíra para 28 por cento em 2016, ante 30 por cento em 2015, o equivalente a uma queda de 600 milhões de litros.

O presidente da consultoria Datagro, Plinio Nastari, também espera muito menos pressão nos preços do etanol no pico da safra de cana. Ele disse que as usinas fizeram bons acordos de hedge de seu açúcar com boas cotações e que não precisam vender o biocombustível para obter dinheiro rapidamente, como visto no ano passado.

"No início da safra normalmente o preço cai, pelo acúmulo de oferta. Na safra passada esse piso foi de 1,15 real por litro para os produtores, sem impostos. A estimativa para 2016 está entre 1,5 real e 1,55 real", disse Nastari.

Os preços da gasolina no Brasil --estabelecidos pelo governo-- estão atualmente acima dos níveis internacionais e provavelmente devem continuar dessa maneira, com o governo tentando restaurar o fluxo de caixa da altamente endividada Petrobras.

A Datagro também projeta uma queda de 3 por cento no consumo combinado de gasolina e etanol este ano, devido à severa recessão econômica, que eliminaria o consumo de 1,6 bilhão de litros em gasolina equivalente.

Uma recente mudança de impostos em alguns Estados do Nordeste, favorecendo o etanol em relação à gasolina, deve aumentar os volumes na região, mas especialistas dizem que é improvável que isso impulsione muito o consumo.

A Agroconsult vê um aumento de 100 milhões de litros do consumo de etanol nos seis Estados com a mudança de impostos. (Reuters 10/03/2016)

 

Usinas brasileiras já fixaram o preço do açúcar para quase 80% da safra 2016/17

A alta recente registrada pelos preços do açúcar na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) e o dólar ainda em nível atrativo para venda fizeram com que as usinas brasileiras fixassem em fevereiro o maior volume já visto de commodity para comercialização futura. Conforme cálculos da Archer Consulting, especializada no segmento, até 29 de fevereiro eram 19,036 milhões de toneladas da safra 2016/17, que se inicia em abril, já fixadas. A quantidade representa 75,78% da exportação prevista pela consultoria, de 25,12 milhões de toneladas. No ano passado, esse acumulado chegava a apenas 30,30%.

O preço médio alcançado foi de 13,62 centavos de dólar por libra-peso, equivalente a R$ 1.206,25 por tonelada FOB. O dólar médio obtido pelas usinas foi de R$ 3,8594. De acordo com a Archer, o modelo admite um erro para mais ou para menos de 1,39% do volume e do preço apurados.

Em relatório, o diretor da Archer Consulting, Arnaldo Luiz Corrêa, salienta que um número maior de usinas está fixando seus volumes de exportação também para o ciclo seguinte e não apenas para a temporada corrente. "Acredito, sem poder afirmar categoricamente, que esse comportamento das usinas (que objetiva capturar a vantagem do real desvalorizado numa curva ascendente) adicionou um volume extra de fixação para 2017/18 que não consegue ser isolado do modelo. Em outras palavras, é como se o modelo estimasse que 19 milhões de toneladas já foram fixadas para 2016/2017 e safras seguintes", explicou. "No entanto, dada a impossibilidade de separarmos as fixações por safra, continuaremos a informar o volume total de fixações apesar das distorções que o modelo parece ter."

A Archer estima processamento de 618,5 milhões de toneladas de cana no Centro-Sul em 2016/17, acima das pouco mais de 600 milhões de toneladas registradas em 2015/16. A consultoria projeta produção de 34,3 milhões de toneladas de açúcar e 27,5 bilhões de litros de etanol no ciclo que começa mês que vem. (Agência Estado 10/03/2016)

 

USDA aumenta previsão de importação de açúcar e de estoque da safra 2015/16

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) aumentou em 5,18% a sua previsão de estoques finais domésticos de açúcar na temporada 2015/16, para 1,646 milhão de toneladas curtas (1,493 milhão de toneladas), ante o volume de 1,565 milhão de toneladas curtas (1,420 milhão de toneladas) previsto em fevereiro.

A produção doméstica de açúcar foi cortada em 0,25%, de 8,849 milhões de toneladas curtas (8,028 milhões de toneladas) para 8,827 milhões de toneladas curtas (8,008 milhões de toneladas).

O USDA aumentou a sua estimativa para importação dos EUA em 1,20%, a 3,200 milhões de toneladas curtas (2,903 milhões de toneladas). Em fevereiro, a previsão era de 3,162 milhões de toneladas curtas (2,869 milhões de toneladas). (Down Jones 10/03/2016)

 

Moagem pela Copersucar na safra 2016/17 deve superar 90 mi de toneladas

A Copersucar S.A., maior trading de açúcar e etanol do País, prevê que a moagem de cana-de-açúcar pelas suas quase 40 usinas associadas na safra 2016/17 seja maior do que as 90 milhões projetadas para o ciclo 2015/16, que se encerra em 31 de março.

Ao Broadcast Agro, a companhia destacou, por intermédio de sua assessoria, que o volume deve superar a média histórica de 89 milhões de toneladas observada desde 2008, quando se tornou sociedade anônima.

Ainda de acordo com a assessoria da companhia, essa quantidade deve ser alcançada mesmo após a "saída de algumas usinas", como a do Grupo Virgolino de Oliveira (GVO), em meados do ano passado. À época, o GVO era o maior acionista individual da Copersucar, com 11,05% de participação.

O desligamento mais recente foi o do Grupo Batatais. Após 30 anos, o Grupo Batatais, com unidades no interior de São Paulo, encerra neste mês a parceria que manteve com a Copersucar. A companhia sucroalcooleira trabalhará, agora, com o Grupo São Martinho, com o qual pretende movimentar uma produção de 400 mil toneladas de açúcar e 300 milhões de litros de etanol por temporada. A Copersucar afirmou, porém, que a saída "já estava negociada, incluindo o cumprimento do aviso prévio de três anos, a se encerrar em 31 de março de 2016".

Na safra 2016/17, a Copersucar deverá operar de forma totalmente integrada os dois dutos do Terminal Copersucar de Etanol (TCE), em Paulínia (SP). Em fevereiro, as instalações receberam autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para entrarem em atividade. Por ora, o TCE trabalha em fase de pré-operação. Quando estiver em plena operação, deverá movimentar 2,3 bilhões de litros por ano. (Agência Estado 10/03/2016)

 

Alta dos preços estimula novos contratos de exportação de açúcar na Índia

Usinas de açúcar indianas fecharam nesta semana contratos de exportação com o Mianmar para fornecimento de 100 mil toneladas, enquanto negociam outros contratos que, somados, ultrapassam 1 milhão de toneladas, em meio aos esforços para aumentar os embarques ao exterior diante dos estoques domésticos em alta, informou nesta quinta-feira o diretor-gerente da Federação Cooperativa de Usinas do Estado de Maharashtra, Sanjeev Babar.

O executivo não disse com que país ou quando os demais contratos devem ser celebrados. Os acordos de exportação vêm num momento de dificuldades para o setor sucroalcooleiro indiano, com pressões do governo para que as usinas elevem as vendas ao exterior a fim de reduzir os estoques e quitar dívidas junto aos produtores de cana do país.

Os estoques indianos atingiram a marca de 9,6 milhões de toneladas em consequência de uma grande produção doméstica ao longo dos últimos cinco anos, a despeito dos preços globais enfraquecidos, o que reduziu a atratividade das exportações. Ainda assim, problemas com a safra do Brasil deram algum suporte aos preços, favorecendo as vendas indianas no mercado internacional.

"É uma ótima oportunidade para a Índia exportar mais e se livrar do excesso de oferta", explica Abinash Verma, diretor geral da Associação das Usinas de Açúcar no país.

Desde o início da safra, em 1º de outubro, usinas de açúcar da Índia firmaram contratos de exportação no total de 1,25 milhão de toneladas, a maioria para Mianmar, Sri Lanka, China e Bangladesh. Até setembro, a ideia do governo é exportar, no mínimo, 4 milhões de toneladas. (Down Jones 10/03/2016)

 

Abengoa negocia plano de socorro com credores para evitar insolvência

A endividada elétrica espanhola Abengoa disse nesta quinta-feira que fechou uma primeira versão de um plano de socorro junto a credores para reduzir a dívida e injetar dinheiro novo na companhia, na mais recente tentativa de evitar o que seria a maior falência de uma empresa na Espanha.

A companhia, fundada há 70 anos como um negócio de engenharia em Sevilha, tomou grandes dívidas para expandir-se rumo ao setor de energia limpa, mas iniciou um processo preliminar de recuperação judicial no ano passado, quando os credores recusaram-se a prorrogar financiamentos à empresa.

Pela proposta, os credores emprestariam até 1,8 bilhão de euros (2 bilhões de dólares) à Abengoa ao longo de um período de cinco anos, o que daria a eles direito a uma participação de 55 por cento na companhia reestruturada, disse a Abengoa em um comunicado.

Ao mesmo tempo, cerca de 70 por cento das dívidas existentes seriam convertidas em capital, dando a seus credores direito a 35 por cento da companhia, disse a Abengoa.

Uma fonte próxima às conversas com os credores disse à Reuters na quarta-feira que a maior parte do crédito para a companhia poderá vir dos detentores de títulos, enquanto a parte restante seria injetada pelos bancos.

A proposta em negociação já recebeu o apoio de credores que representam cerca de 40 por cento da dívida, disse a fonte, mas convencer os outros 35 por cento necessários para aprovar o plano de socorro pode ser difícil antes de 28 de março, prazo final para a Abengoa evitar um processo de insolvência.

Os atuais acionistas, incluindo o majoritário e membro da família fundadora da empresa, Felipe Benjumea, irão ter a participação diluída para 5 por cento da companhia reestruturada, de acordo com esse acordo, disse a Abengoa.

No Brasil, a Abengoa detém principalmente linhas de transmissão em operação e em implementação, sendo que todas obras foram paralisadas no final do ano passado, quando a matriz iniciou o processo preliminar de recuperação judicial. (Reuters 10/03/2016)

 

MP pede prisão preventiva de Lula em denúncia sobre tríplex no Guarujá

O Ministério Público de São Paulo pediu a prisão preventiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso envolvendo um tríplex no Guarujá, no qual é acusado de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

O pedido de prisão, duramente criticado pela defesa do ex-presidente, membros do governo e até da oposição, acirra ainda mais o clima político do país, a poucos dias das manifestações contra a presidente Dilma Rousseff.

O promotor Cássio Conserino disse que o MP estadual reuniu uma "gama de provas testemunhais e documentais" que provam que o imóvel no Guarujá estava reservado para o ex-presidente. Além de Lula, também foram denunciadas outras 15 pessoas, entre elas a ex-primeira-dama Marisa Letícia e Fábio Luís Lula da Silva, filho do ex-presidente.

Em entrevista nesta quinta-feira para detalhar a denúncia, Conserino se recusou a informar se o MP havia pedido a prisão de Lula, mas logo em seguida a notícia do pedido de prisão começou a ser divulgada pela mídia.

Em nota, o Instituto Lula reagiu ao pedido de prisão do ex-presidente e voltou a criticar Conserino, afirmando que ele antecipou à imprensa que denunciaria Lula e que não é o promotor natural do caso.

"Cássio Conserino, que não é o promotor natural deste caso, possui documentos que provam que o ex-presidente Lula não é proprietário nem de tríplex no Guarujá nem de sítio em Atibaia, e tampouco cometeu qualquer ilegalidade", afirma a nota.

"Mesmo assim, solicita medida cautelar contra o ex-presidente em mais uma triste tentativa de usar seu cargo para fins políticos."

Também em nota, a defesa de Lula disse que os motivos citados pela mídia para o pedido de prisão de Lula --entre eles o de que o ex-presidente poderia inflamar a população contra as investigações-- revelam "uma tentativa de banalização do instituto da prisão preventiva".

"Buscou-se, de fato, amordaçar um líder político, impedir a manifestação do seu pensamento e até mesmo o exercício de seus direitos. Somente na ditadura, quando foram suspensas todas as garantias do cidadão, é que opinião e o exercício de direitos eram causa para a privação da liberdade", disse a defesa, acrescentando esperar que a Justiça rejeite o pedido do MP.

Uma fonte do governo disse à Reuters que a avaliação do Palácio do Planalto é de que o pedido de prisão do ex-presidente visa criar um fato político antes das manifestações contra a presidente Dilma Rousseff, marcadas para domingo, além de acirrar os ânimos entre os militantes do partido.

“As ruas são algo imponderável. Depois disso (o pedido de prisão) não se sabe qual será a reação dos militantes”, disse a fonte, lembrando que Lula ainda é um ícone do partido.

O presidente do PT, Rui Falcão, por sua vez, considerou o pedido sem cabimento por não haver provas contra o ex-presidente.

"Um procurador que antes mesmo de ouvir qualquer pessoa já tinha dito para uma revista que iria denunciar o presidente não merece credibilidade, portanto acho que nenhum juiz vai atender esse pedido", disse o dirigente petista.

Falcão, que estava reunido em São Paulo com Lula, disse que a medida do MP lhe causou "indignação" e que o ex-presidente estava tranquilo.

O senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), líder do principal partido de oposição no Senado, recebeu com cautela o pedido de prisão de Lula e avaliou, por meio de nota, que não há fundamentos para o pedido do MP.

"Não estão presentes os fundamentos que autorizam o pedido de prisão preventiva, até porque o Ministério Público Federal e a Polícia Federal fizeram buscas e apreensões muito recentemente buscando provas. Vivemos um momento incomum na vida nacional. É preciso ter prudência", defendeu o tucano.

O pedido foi encaminhado à Justiça de São Paulo a quem cabe aceitá-lo ou não.

A presidente Dilma Rousseff cancelou compromissos que teria nesta quinta no Rio de Janeiro e retornou a Brasília após a divulgação do pedido de prisão de seu antecessor. Segundo uma fonte do Palácio do Planalto, a presidente convocou uma reunião de emergência com seus assessores mais próximos.

Nesta semana, ventilou-se no governo a possibilidade de Lula ser nomeado ministro, o que lhe daria foro privilegiado junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) e o tiraria da jurisdição do MP paulista e dos procuradores da República que atuam na operação Lava Jato, que investiga um bilionário esquema de corrupção na Petrobras. Lula foi alvo da 24ª fase da Lava Jato na semana passada.

MOTE DA DENÚNCIA

Lula foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo em um desdobramento das investigações sobre a Bancoop, a cooperativa habitacional dos bancários. Se condenado por lavagem de dinheiro, o ex-presidente poderia ser setenciado a prisão por um prazo de 3 a 10 anos, enquanto a pena pelo crime de falsidade ideológica vai de 1 a 3 anos de detenção.

Segundo os promotores, a Bancoop cometeu fraude contra seus cooperados e, quando foi sucedida pela OAS, uma das empreiteiras investigadas na operação Lava Jato, passou a cobrar taxas extorsivas e não realizar as obras contratadas.

O ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, que foi presidente da Bancoop, também está entre os denunciados pelo MP paulista, assim como o ex-presidente da OAS José Aldemário Pinheiro Filho, o Léo Pinheiro. Ambos já foram condenados em primeira instância em ações ligadas à Lava Jato.

"O nosso raciocínio, do Ministério Público estadual, é o seguinte: enquanto milhares de famílias ficaram sem seus apartamentos, enquanto milhares de famílias foram despojadas de realizar o sonho da casa própria, um dos investigados (Lula) foi contemplado com um tríplex", disse Conserino. "É esse o mote da denúncia."

Conserino rejeitou a tese da defesa do Lula de que não seria o promotor natural do caso e disse que as investigações do MP paulista não sobrepõem às do Ministério Público Federal no âmbito da Lava Jato.

Ele explicou que a Lava Jato investiga as suspeitas de que a OAS teria mobiliado o tríplex que seria ocupado pela família do ex-presidente, seara que não é alvo das apurações do Ministério Público paulista. (Reuters 10/03/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Ainda o câmbio: A queda do dólar em relação ao real voltou a sustentar os preços do açúcar na bolsa de Nova York. Ontem, os contratos futuros com entrega em julho encerraram o pregão a 14,79 centavos de dólar por libra-peso, alta de 21 pontos. Com a valorização do real, as exportações de açúcar do Brasil, o maior produtor e exportador mundial da commodity, são desestimuladas, na medida em que a rentabilidade dos embarques diminui. Com menos oferta no mercado, os preços tendem se valorizar. Do lado dos fundamentos, no entanto, as condições continuam favoráveis ao desenvolvimento das lavouras de cana no Brasil, o que pode limitar uma alta mais sustentada dos preços do açúcar. Em São Paulo, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou em R$ 78,29 por saca, valorização diária de 0,28%.

Café: Embarques brasileiros: Num dia de grande volatilidade do dólar e da divulgação de um leve aumento das exportações brasileiras de café, os contratos futuros de arábica recuaram na bolsa de Nova York. Os lotes com entrega para maio fecharam ontem a US$ 1,2215 por libra-peso, queda de 20 pontos. Ontem, o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) informou que as exportações do país somaram 2,78 milhões de sacas em fevereiro, alta de 1,5% ante o mesmo mês de 2015 e de 0,8% ante janeiro. De acordo com analistas, o ritmo de vendas externas sinaliza que o Brasil deve ter uma boa produção na safra 2016/17, que começa a ser colhida em maio. No Brasil, o indicador Cepea/Esalq para o café ficou ontem em R$ 482,98 por saca, queda de 0,79%. No acumulado de março, porém, há uma alta de 0,49%.

Soja: Efeito USDA: Pelo sétimo dia consecutivo, os preços da soja subiram na bolsa de Chicago. Os contratos futuros da commodity com entrega para maio encerraram o pregão de ontem cotados a US$ 8,8925 por bushel, valorização de 3,50 centavos de dólar. A diminuição da estimativa para os estoques globais e o clima adverso em regiões produtoras dos EUA rondam o mercado. Na quarta-feira, o USDA reduziu de 80,4 milhões para 78,9 milhões de toneladas sua estimativa para os estoques de soja ao fim da atual temporada 2015/16, em agosto. O clima úmido no Delta dos EUA também pode prejudicar o plantio da safra 2016/17. No mercado brasileiro, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a saca de soja no porto de Paranaguá (PR) ficou em R$ 73,45 ontem, recuo de 0,80%. Em março, a queda acumulada é de 4,25%.

Trigo: Dólar mais fraco: O dólar mais fraco e a preocupação com o clima nos EUA elevou as cotações do trigo na bolsas americanas ontem. Em Chicago, os contratos futuros do cereal com vencimento em maio subiram 8,75 centavos de dólar, a US$ 4,77 o bushel. Já na bolsa de Kansas, onde o trigo de melhor qualidade é negociado, os lotes de mesmo vencimento registraram alta de 7,5 centavos de dólar, a US$ 4,8325 por bushel. Com a queda do dólar, o trigo americano se torna mais atrativo para os importadores, impulsionando os preços. Além disso, notícias sobre o clima também têm sustentado os preços do cereal. No mercado brasileiro, a cotação média do trigo no Paraná ficou ontem em R$ 751,02 por tonelada, recuo de 0,04%, conforme levantamento do Cepea. No Rio Grande do Sul, o preço caiu 0,48%, para R$ 641,66 por tonelada. (Valor Econômico 11/03/2016)