Setor sucroenergético

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Embrapa: Galho seco

Mais uma notícia negativa para a Embrapa, que convive com seguidos cortes de verba.

Dilma Rousseff determinou que a ministra Kátia Abreu congele a inclusão na nova lei agrícola de aumentos anuais do orçamento da estatal.

A medida era prioridade da ministra da Agricultura. (Jornal Relatório Reservado 10/03/2016)

 

Falência da Infinity Bio-Energy pode ser decretada amanhã (15)

A longa batalha pela sobrevivência da produtora de etanol, açúcar e energia Infinity Bio-Energy pode estar perto do fim e o final não vai ser feliz.

Em recuperação judicial desde 2009, a companhia apresentou, no fim de fevereiro, seu terceiro plano de recuperação. Os bancos não gostaram.

Com dívida de 1,5 bilhão de reais, o grupo não estava cumprindo o primeiro plano e apresentou outro em julho, que foi negado. Os quatro maiores credores precisam aprovar o plano, mas um deles, o banco Santander, já avisou que prefere a falência.

A decisão será no dia 15 de março. (Revista Exame edição nº 1109)

 

Demanda arrefece e preço do etanol deve cair

O enfraquecimento da demanda por etanol hidratado nos postos e a perspectiva de entrada de oferta nova do produto deverão a interromper a tendência de elevação dos preços do biocombustível nas usinas neste mês, o último da temporada 2015/16.

Nas últimas semanas, o litro vem sendo negociado nas usinas paulistas a preços recordes, próximos de R$ 2 por litro. Mas estimativas de mercado indicam que o consumo de hidratado (usado diretamente nos tanques dos veículos) voltará a ficar abaixo de 1 bilhão de litros em março, volume que pode ser facilmente atendido pelos estoques existentes e pela produção das unidades que já iniciaram o processamento de cana da safra 2016/17, que "oficialmente" terá início no dia 1º de abril.

Na semana encerrada no último dia 11, o indicador Cepea/Esalq para o hidratado na usina paulista atingiu o recorde de R$ 1,9528 o litro, praticamente estável em relação aos R$ 1,9525 da semana anterior, até então a maior marca registrada. No período de quatro semanas encerrado no dia 11, o indicador acumulou alta de 2,61% e, desde o início da safra, em abril do ano passado, a alta foi de 53,97%.

Grande parte desse salto chegou ao consumidor final e passou a colaborar para a redução da demanda. Em fevereiro, as usinas do Centro-Sul venderam 1,056 bilhão de litros de etanol hidratado às distribuidoras, 16% menos que no mês anterior. A trading Bioagência estima que em março as vendas alcançarão entre 900 milhões e 950 milhões de litros.

Do lado da oferta, a previsão é que as usinas em operação neste mês produzam de 500 milhões a 600 milhões de litros de etanol hidratado. Um volume que, somado aos estoques existentes ao longo de toda a cadeia (postos, distribuidoras e usinas), tende a ser suficiente para suprir a demanda, na visão do diretor da Bioagência, Tarcilo Rodrigues.

Na última semana, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) estimou que aproximadamente 70 usinas estarão em operação no Centro-Sul na primeira quinzena de março, ante as 23 unidades da última quinzena de fevereiro.

"Os preços do hidratado deverão permanecer nesse patamar [de R$ 1,95 por litro] até o fim de março. Poderá haver pequenas oscilações e os R$ 2 até poderão ser alcançados. Mas será um pico isolado. O preço não vai se sustentar nesse patamar", afirmou Rodrigues. Ele observou que, a partir de abril, com a entrada de volumes maiores da safra nova 2016/17 as cotações tendem a recuar.

As projeções do especialista para este mês já levam em conta que o clima no mês vai ser mais chuvoso no Centro-Sul do que a média histórica. "Já choveu bastante nos últimos dias. Agora a tendência é que o clima fique mais seco, o que favorece a moagem", disse. (Valor Econômico 14/03/2016)

 

Setor de cana-de-açúcar ganha com campanha global contra carvão

Os esforços globais para limitar as usinas de energia movidas a carvão poderiam trazer um alívio para a indústria da cana-de-açúcar do Brasil, que passa por dificuldades.

Ao menos essa é a aposta de empresas como a Cosan, coproprietária da maior processadora de cana-de-açúcar do mundo, que formou uma joint venture de US$ 130 milhões para produzir pellets de biomassa a partir da cana-de-açúcar que podem ser queimados para produzir eletricidade.

As geradoras de energia já estão expandindo o uso de pellets de biomassa feitos de madeira para substituir o carvão nas usinas de energia térmica. A Cosan estima que a demanda global por pellets aumentará 60 por cento nos próximos cinco anos, criando um enorme mercado para os pellets brasileiros feitos de bagaço, o subproduto fibroso do processamento da cana normalmente tratado como resíduo.

“Existe uma tendência constante de substituir o carvão e outras fontes poluentes por fontes renováveis para geração de energia”, disse Mark Lyra, presidente da Cosan Biomassa, a joint venture formada pela Cosan e pela Sumitomo Corp.

“Não há como retroceder porque as políticas de combate às mudanças climáticas estão sendo reforçadas em todo o planeta. Ao usar o resíduo da cana-de-açúcar, o Brasil se posiciona para se tornar a Arábia Saudita da energia renovável”.

Os pellets de biomassa feitos de madeira dominam o setor e quase todos vêm de florestas da Europa, dos EUA e do Canadá. A Cosan e a Sumitomo estimam que o mercado global dará um salto para 40 milhões de toneladas em cinco anos, contra 25 milhões de toneladas atualmente.

O Brasil, maior produtor de cana do mundo, pode ser capaz de produzir até 80 milhões de toneladas por ano a partir do bagaço, o suficiente para abastecer todo o setor, segundo a Cosan.

“A biomassa da cana-de-açúcar peletizada é uma nova commodity que está sendo criada para servir a economia de baixo uso de carbono”, disse Lyra.

Pellets de biomassa

A demanda crescente por pellets de biomassa surge em um momento em que os países buscam reduzir sua dependência em relação ao carvão, usado para gerar cerca de um terço da eletricidade do mundo, segundo o World Resources Institute, em Washington.

As importações de pellets de madeira do Japão mais que dobraram no ano passado para um recorde de 232.425 toneladas, segundo o ministério das finanças do país.

O ministério do comércio exterior aprovou mais de 2.000 megawatts em novos projetos de biomassa de madeira desde a introdução, em julho de 2012, de incentivos conhecidos como contratos de oferta padrão (FIT, na sigla em inglês), que exigiriam cerca de 40 milhões de metros cúbicos de material em madeira por ano, quase o dobro da produção doméstica anual de madeira do Japão, segundo estimativas da Biomass Industrial Society Network.

A Sumitomo estima que o consumo de pellets do país poderá chegar a 10 milhões de toneladas por ano até 2030, segundo Yoshinobu Kusano, gerente-geral da empresa para biomassa.

Isso ajudará o Japão a cumprir sua meta de reduzir em 26% a emissão de gases causadores do efeito estufa até 2030 como parte de seu compromisso sob o acordo climático global fechado em Paris em dezembro.

A fábrica de pellets do estado de São Paulo iniciou recentemente a produção e começará a produzir cerca de 175 mil toneladas por ano. A produção poderá atingir 2 milhões de toneladas por ano até 2025 e a joint venture se concentrará primeiro no Japão, na Coreia do Sul e na Europa.

Mudança climática

A Summit Energy, uma unidade da Sumitomo, está construindo a maior usina de energia de biomassa do Japão em Handa, que terá 75 megawatts de capacidade e deverá entrar em operação no ano que vem.

“Como a mudança climática está se transformando em uma preocupação mundial, a demanda por combustível de biomassa terá que aumentar drasticamente”, disse Kusano, por email.

A Sumitomo continuará usando pellets feitos a partir de madeira e aumentará o uso daqueles produzidos com cana-de-açúcar, e o Brasil é “um dos melhores países para produzir pellets a partir do bagaço”. (Bloomberg 13/03/2016)

 

Demanda por pastagens aumenta lucro de quem tem terra para alugar

Bom momento da pecuária estimula negócios e proprietários rurais estão arrendando áreas para a engorda de bois.

Depois que a produção e o preço da laranja começaram a cair, o proprietário rural Evandro Mioto fez as contas e concluiu que o melhor era arrendar a terra para a engorda de gado. Ele contou para o Nosso Campo que recebe R$ 30 mensais por cabeça de boi. A fazenda fica no município de São João das Duas Pontes (SP), no Noroeste Paulista. Ao todo, 120 dos 278 hectares foram transformados em pastagens.

A área foi alugada para diferentes criadores da região. Mioto disse que outra opção seria arrendar para a cana, mas que só conseguiria no máximo R$ 2,2 mil a R$ 2,5 mil por alqueire. Com o gado, ele consegue até R$ 3 mil.

O clima também tem ajudado os negócios. A chuva conservou o capim alto e verde, o que permitiu manter mais animais na mesma área.

O pecuarista Eduardo Camilo tem 500 animais e sempre está a procura de pastos para engordar a boiada. Ele prefere investir no rebanho do que ter que gastar com a compra de imóveis.

Em Estrela D'Oeste (SP), Ives Galbiatti também pretende aproveitar o mercado de aluguel de pastos. Os 36 hectares, que hoje estão ocupados com cana-de-açúcar, vão receber bois logo, ainda mais depois que a usina de cana-de-açúcar devolveu a área arrendada; um ano antes do vencimento do contrato.

Segundo Cleber Ximenes, presidente do Sindicato Rural de Estrela D'Oeste, a tendência é o mercado de aluguel de pastos se fortalecer ainda mais por causa da crise no setor sucroalcooleiro e da alta do boi gordo. (G1 13/03/2016)

 

BP biocombustíveis prepara aumento de capital de R$ 128 milhões

A BP Biocombustíveis, braço sucroenergético da gigante petroleira, realiza, no próximo dia 21, assembléia geral extraordinária de acionistas prevista para avaliar a proposta de aumento de capital de R$ 128 milhões na companhia.

A BP tem três unidades no País, a usina Tropical, em Edeia (GO), e as unidades de Itumbiara (GO) e Ituiutaba (MG). (Agência Estado 10/03/2016)

 

Cresce vantagem da Petrobras no combustível

A variação do dólar fez aumentar o prêmio que a Petrobras tem na venda de combustíveis no mercado interno, melhorando o fluxo de caixa da companhia. Até o dia 7 de março, o preço da gasolina vendida nas refinarias brasileiras custava 36,5% mais do que no Golfo do México americano, ponto mais próximo para importação. Já o óleo diesel custa 46,4% a mais no Brasil, na mesma comparação, segundo cálculos do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE).

Depois de um período de quatro anos vendendo combustíveis mais barato do que o preço de importação, a Petrobras está se beneficiando com o preço interno elevado, o que serve de contrapeso para a queda do preço do petróleo Brent. A taxa de câmbio tem grande influência no resultado da companhia, assim como a melhora do risco Brasil.

Um estudo do banco J.P. Morgan calcula que cada apreciação de 10% da moeda brasileira aumenta em US$ 3 bilhões a geração de caixa da Petrobras, aumentando o prêmio sobre os preços da gasolina e diesel em cerca de 1,7 ponto percentual.

O J.P. Morgan observa que a desvalorização do dólar em relação ao real também ajuda a Petrobras a se desalavancar, já que aumenta o "prêmio" com que os combustíveis são vendidos no Brasil. No cenário mencionado, considerando os preços do Brent constantes, a relação entre dívida líquida e Ebitda cairia de 6,4 vezes para cerca 5,4 vezes no final de 2016.

O banco também mediu os efeitos da redução de risco país sobre a estatal. A cada queda de um ponto percentual no risco Brasil aumenta em US$ 2 o preço alvo atribuído pelo banco aos recibos de ações (ADRs) negociados no mercado americano.

"O movimento macroeconômico como a apreciação do real tem um impacto positivo no Ebitda da empresa devido a margens mais elevadas no refino, com consequente geração de fluxo de caixa, enquanto o risco­país mais baixo ajuda a melhorar avaliação global das suas ações / ativos", afirma o J.P. Morgan, no relatório distribuído para clientes assinado pelo analista Felipe Dos Santos.

O CBIE calcula que, de novembro de 2014 a janeiro de 2016, a Petrobras conseguiu recuperar R$ 16,6 bilhões com a venda de gasolina e diesel acima da paridade internacional, mas pelo acompanhamento da consultoria, a estatal ainda não recuperou as perdas acumuladas entre 2011 e outubro de 2014.

"O fator câmbio é mais dramático para a Petrobras do que a queda do petróleo, já que a empresa é importadora líquida. E o problema continua sendo o fato de a geração de caixa ser em reais, desatrelada dos custos operacionais e da dívida, que é muito atrelada ao dólar", diz Adriano Pires, sócio do CBIE.

Os dados do balanço do terceiro trimestre de 2015, os últimos disponíveis, mostram que o equivalente a R$ 376,67 bilhões da dívida da Petrobras estava denominada em dólares, um aumento de 49% em relação ao fechamento de 2014.

Pelos cálculos de Pires, a manutenção da diferença positiva entre os preços de refinaria nacional e internacional da gasolina e do diesel vem sendo benéfica para o fluxo de caixa da Petrobras e possibilita que a empresa recomponha parte da receita perdida entre 2011 e outubro de 2014, quando a situação era inversa. Mesmo assim, pelo acompanhamento do CBIE até janeiro deste ano a Petrobras ainda acumulava perdas de R$ 41,7 bilhões, dos quais R$ 16,6 bilhões relativas à gasolina e de R$ 27,5 bilhões relacionadas às vendas de diesel no período de congelamento dos preços em um momento de aumento do consumo.

O descompasso entre custo de aquisição dos combustíveis e o preço de venda no mercado interno é responsável por parte da dívida líquida da Petrobras, que estava em US$ 101,27 bilhões até setembro, equivalente a R$ 402,3 bilhões no terceiro trimestre.

A importância de ter preços equalizados com os do mercado internacional também vão refletir no interesse dos estrangeiros pelos ativos da companhia. João Luiz Zuñeda, da consultoria MaxiQuim, lembra que a Petrobras está ganhando mais dinheiro com o petróleo mais baixo, e estava perdendo quando o preço estava alto. "É difícil para o estrangeiro entender essa dinâmica", afirma Zuñeda. (Valor Econômico 14/03/2016)

 

Cresce lista de interessados na Braskem

A chinesa CNOOC (China National Offshore Oil Corporation) tem interesse na compra da participação da Petrobras na Braskem e as americanas Dow e ExxonMobil podem entrar na disputa mais à frente, quando o processo de venda ganhar contornos mais concretos, com a abertura do "data room", apurou o Valor.

Essas companhias engrossam a lista de potenciais compradores da fatia da estatal, que inclui também a canadense Brookfield e a saudita Saudi Arabian Oil Company, conhecida como Saudi Aramco. A venda, porém, pode ser mais difícil e demorada do que se esperava por causa de direitos garantidos à controladora Odebrecht em um acordo de acionistas.

A Petrobras já confirmou que pretende se desfazer da participação na Braskem, como parte do programa de venda de ativos para reforçar o caixa, e o banco Bradesco teria o mandato da operação. Pelas cotações atuais, obteria cerca de R$ 5,85 bilhões com a alienação da fatia de 36,1% do capital total da Braskem. Na sexta­feira, enquanto as ações PNA da petroquímica recuaram 1,19%, a R$ 24,06 cada, as ON subiram 9%, a R$ 17,45.

A percepção é a de que as conversas com possíveis compradores ainda são preliminares, embora a operação da Braskem seja considerada atrativa e tenha despertado o interesse de multinacionais. Além disso, o fato de a Petrobras ser a principal fornecedora de matéria-prima da Braskem e poder estabelecer um novo contrato para venda de nafta, com prazo mais longo, poderia ser usado nas negociações. Ainda assim, a operação de venda pode ter se tornado mais complexa do que aparentava à primeira vista.

A Odebrecht, acionista majoritária da petroquímica, com 38,3% do capital total, têm direitos em caso de venda das ações da Petrobras, previstos em acordo de acionistas, que podem encarecer e dificultar o processo. Além do direito de preferência na compra dessa participação, a Odebrecht pode escolher o sócio que terá na Braskem. Há rumores de que essa última condição estaria dificultando o avanço das conversas entre Petrobras e potenciais compradores.

Um segundo direito, de tag along, obriga o comprador a estender a oferta à Odebrecht nas mesmas condições apresentadas à Petrobras, caso a Odebrecht também queira vender suas ações. A controladora nega que vá fazer isso e essa negativa foi reforçada na sexta-feira, após o jornal "Folha de S. Paulo" informar que o grupo poderá usar ações da Braskem como garantia firme em uma negociação com credores da Odebrecht Agroindustrial, empresa do grupo que produz e distribui etanol.

A Agroindustrial tem R$ 10 bilhões de dívidas em atraso e a holding já anunciou que está disposta a aportar R$ 2 bilhões na empresa, usando dinheiro do caixa, desde que os bancos concordem com o alongamento do passivo.

Conforme a reportagem, a Odebrecht, porém, teria preferência por não empenhar esse ativo e estaria negociando sua venda. Consultada, a Odebrecht Agroindustrial não negou a possibilidade de uso de ações da petroquímica em negociações com os bancos e a holding descartou a intenção de venda de sua posição na Braskem.

Contudo, caso a Odebrecht, que foi envolvida na Operação Lava-Jato, queira vender o ativo para fazer caixa, o comprador da parte da Petrobras terá de levar também sua participação, que valia, conforme as cotações na BM&FBovespa, cerca de R$ 6,2 bilhões na sexta-feira. Essa obrigação do comprador dispararia ainda outro direito, dessa vez dos minoritários, de tag along de 100% por troca de controle. Isso adicionaria ao menos R$ 4,1 bilhões à operação, que ultrapassaria a casa de R$ 16 bilhões no total, considerando-se apenas a cotação das ações em bolsa. Não inclui o prêmio de controle societário.

Na avaliação de fontes do setor, todos os nomes vinculados a uma potencial compra das ações da Petrobras na Braskem teriam condições de bancar a compra de 100%. No ano passado, por exemplo, a agência Bloomberg reportou, com base em fontes, que a Saudi Aramco planejava investir entre US$ 50 bilhões e US$ 80 bilhões em aquisições e investimentos no mercado internacional até 2020. Já a Brookfield teria interesse em comprar ações da Braskem desde que tivesse o controle a petroquímica.

Em resposta ao Valor, a Odebrecht informou que, na condição de acionista controladora da Braskem, tem acompanhado as notícias sobre o plano de venda de ações da Petrobras. "Uma vez que a Odebrecht S.A. não tem a intenção de alienar sua participação na Braskem, não faz sentido em atribuir à Odebrecht S.A. responsabilidade sobre a eventual paralisia no processo de venda da participação da Petrobras na Braskem", disse.

A Odebrecht afirmou ainda que "considera a Braskem um valioso ativo, com higidez financeira, geradora de sólidos resultados e em plena expansão internacional, o que tem gerado alto interesse de investidores e do mercado". Procurada, a Petrobras informou que não vai comentar o assunto. A Dow informou, por meio de assessoria de imprensa, que não comenta rumores de mercado. (Valor Econômico 14/03/2016)

 

Presidente Fundecitrus nomeado presidente da Câmara Setorial Citricultura

Presidente do Fundecitrus é nomeado para a presidência da Câmara Setorial da Citricultura.

O presidente do Fundecitrus, Lourival Carmo Monaco, foi nomeado para a presidência da Câmara Setorial da Citricultura, do Ministério da Agricultura e Abastecimento (Mapa). A publicação foi feita no Diário Oficial da União (DOU) de 10 de março de 2016.

A Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Citricultura foi oficialmente criada em 2005 e reúne representantes de todos os estados produtores de citros, de associações de viveiristas, dos produtores, das indústrias, dos exportadores, dos varejistas e dos órgãos públicos. Tem por finalidade propor, apoiar e acompanhar ações para o desenvolvimento das atividades da cadeia produtiva, além de servir como órgão consultivo do governo.

A indicação de Monaco foi feita por unanimidade pelos membros da Câmara. Citricultor há mais de 25 anos, é formado em Engenharia Agronômica, mestre e doutor pela Universidade da Califórnia. Atuou no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), foi pesquisador científico e Diretor-Geral do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Presidente da Academia de Ciências de São Paulo, Secretário da Secretaria de Tecnologia Industrial (STI), do Ministério da Indústria e do Comércio (MIC), Secretário da Comissão Nacional de Energia (CNE), Presidente da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), do Ministério da Ciência e da Tecnologia e Secretário da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo.

É presidente do Fundecitrus desde 2008, onde utiliza sua experiência profissional para viabilizar a realização de pesquisas que promovem a sanidade da citricultura, a sustentabilidade, as novas tecnologias buscando competitividade e lucratividade do setor e a segurança do trabalhador. Uma das prioridades da nova presidência serão as questões sanitárias que colocam em risco a liderança do Brasil na produção de citros e suco de laranja, como pomares abandonados, doenças quarentenárias e legislação de viveiros.

“A Câmara Setorial promove a oportunidade de conhecimento mais detalhado dos elos da cadeia produtiva e de identificação de oportunidades e prioridades da citricultura. É um fórum técnico que poderá ajudar muito na evolução e preservação dessa importante cadeia de geração de valores econômicos e oportunidades de trabalho”, destaca Mônaco. (Brasil Agro 11/03/2016)

 

Abengoa negocia plano de socorro com credores para evitar insolvência

A endividada elétrica espanhola Abengoa disse nesta quinta-feira que fechou uma primeira versão de um plano de socorro junto a credores para reduzir a dívida e injetar dinheiro novo na companhia, na mais recente tentativa de evitar o que seria a maior falência de uma empresa na Espanha.

A companhia, fundada há 70 anos como um negócio de engenharia em Sevilha, tomou grandes dívidas para expandir-se rumo ao setor de energia limpa, mas iniciou um processo preliminar de recuperação judicial no ano passado, quando os credores recusaram-se a prorrogar financiamentos à empresa.

Pela proposta, os credores emprestariam até 1,8 bilhão de euros (2 bilhões de dólares) à Abengoa ao longo de um período de cinco anos, o que daria a eles direito a uma participação de 55 por cento na companhia reestruturada, disse a Abengoa em um comunicado.

Ao mesmo tempo, cerca de 70 por cento das dívidas existentes seriam convertidas em capital, dando a seus credores direito a 35 por cento da companhia, disse a Abengoa.

Uma fonte próxima às conversas com os credores disse à Reuters na quarta-feira que a maior parte do crédito para a companhia poderá vir dos detentores de títulos, enquanto a parte restante seria injetada pelos bancos.

A proposta em negociação já recebeu o apoio de credores que representam cerca de 40 por cento da dívida, disse a fonte, mas convencer os outros 35 por cento necessários para aprovar o plano de socorro pode ser difícil antes de 28 de março, prazo final para a Abengoa evitar um processo de insolvência.

Os atuais acionistas, incluindo o majoritário e membro da família fundadora da empresa, Felipe Benjumea, irão ter a participação diluída para 5 por cento da companhia reestruturada, de acordo com esse acordo, disse a Abengoa.

No Brasil, a Abengoa detém principalmente linhas de transmissão em operação e em implementação, sendo que todas obras foram paralisadas no final do ano passado, quando a matriz iniciou o processo preliminar de recuperação judicial. (Reuters 11/03/2016)

 

Comissão Nacional de Política Agrícola da CNA recebe propostas de produtores do sudeste para o Plano Agrícola 2016/2017

Membros dos sindicatos rurais e federações de agricultura e pecuária da região participam do debate que visa o aperfeiçoamento de políticas agrícolas e pecuárias para o país.

A Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) realiza, na próxima segunda-feira, (13/03), às 14h, em Belo Horizonte (MG), a terceira edição do workshop para receber propostas, que visam o aperfeiçoamento de políticas agrícolas e pecuárias para o país. Membros da Comissão Nacional de Política Agrícola da CNA reúnem-se com representantes dos sindicatos rurais e das federações de agricultura e pecuária da região Sudeste (São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro), para o encontro na sede da Federação de Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg).

O evento vai debater assuntos decisivos para o setor, como: conjuntura econômica do país com foco no Plano Agrícola, crédito rural (volume de recursos e taxas de juros), política de garantia de preço mínimo, seguro rural, zoneamento agrícola de risco climático e demandas setoriais. Além de colher propostas para a elaboração da Lei Agrícola Plurianual, que terá um encaminhamento diferente, fora do Plano Agrícola.

Para o superintendente técnico da CNA, Bruno Lucchi, o objetivo do workshop, que realizará a sua quarta etapa no dia 15 de março na região do MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), é receber sugestões de forma regionalizada, respeitando os diferentes sistemas de produção existentes no Brasil. Aquelas aprovadas nas reuniões vão compor o conjunto de propostas dos produtores, levadas como subsídios ao Ministério da Agricultura e Pecuária e Abastecimento (MAPA) para elaboração do Plano Agrícola e Pecuário. “O resultado formará uma proposta que represente, ao máximo, os produtores brasileiros”, afirma.

Dentro de suas metas de atuação, a Comissão Nacional de Política Agrícola da CNA tem por objetivo discutir as principais questões relacionadas à política agropecuária do país e viabilizar ações para o fortalecimento do setor. Os workshops, portanto, promovem discussões com vistas ao Plano Agrícola e Pecuário 2016/2017. (CNA 11/03/2016)

 

Mercado de açúcar: CICLO DE ALTA ADIANTE?

O mercado futuro de açúcar em NY teve um fechamento auspicioso nesta sexta-feira. O vencimento maio/2016 encerrou a terceira semana de alta consecutiva cotado a 15.18 centavos de dólar por libra-peso, uma alta de 35 pontos na semana, ou quase oito dólares por tonelada. Os altistas estão em polvorosa, bastante animados com a recuperação do mercado. Como dissemos aqui, esse fortalecimento, no entanto, precisa ser validado pelo mercado físico cuja demanda sofreu uma paralização após a entrega de açúcar da bolsa na expiração do contrato com vencimento março. Os prêmios para embarque imediato ainda não demonstraram a robustez necessária para a consolidação desse movimento de alta.

A possibilidade de mais chuvas no início do período de moagem no Centro-Sul deverá fortalecer os spreads uma vez que o atraso faz com que as tradings recomprem suas posições com vencimento mais longo trazendo-as para vencimentos mais curtos, quando o açúcar será mais demandado. Fique atento a essas movimentações.

Alguns dos fatores exógenos que contribuíram para que o mercado futuro de açúcar alcançasse o fundo do poço a 12,45 centavos de dólar por libra-peso, foram o preço do petróleo no mercado internacional derretendo e o real despencando em relação ao dólar. Ora, isso mudou. O real valorizou-se em relação ao dólar em função do aumento considerável da probabilidade de impeachment da presidente Dilma Rousseff e da prisão do seu criador, o ex-presidente Lula e o petróleo subiu 15% no acumulado do mês.

Segundo o economista Sérgio Vale, da MB Associados, “com as novas descobertas e delações da operação Lava-jato e o declínio político do ex-presidente Lula, a presidente Dilma se encontra isolada”. “A ideia de que a mudança política virá já traz os esperados impactos positivos em câmbio e bolsa”, e segundo ele, “haveria espaço para queda adicional de 10% da taxa de câmbio, o que significa que ela pode chegar a R$ 3.2500 se todo o risco político diminuir. Assim, ainda há gordura política para queimar na taxa de câmbio”.

Caso venha a se concretizar a linha de raciocínio exposta pelo economista, assumindo que o valor mais baixo que vimos recentemente do açúcar em NY convertido pela taxa do Banco Central foi de R$ 1.140 por tonelada, então com o dólar a R$ 3.2500 o chão do mercado de açúcar em NY seria de 15.29 centavos de dólar por libra-peso. Esse pensamento corrobora a percepção que os fundos têm sobre ficarem comprados no açúcar quando a commodity visitou recentemente a área de 13 centavos de dólar por libra-peso. O risco era muito pequeno.

Acredito que lentamente vamos começar a ver um ciclo de alta no preço mundial da commodity. Além do mais, simulações feitas pela Archer para produção e consumo mundiais nos próximos 2-3 anos apontam com razoável possibilidade que continuemos a ter déficits. O consumo de açúcar no mundo cresce a uma velocidade maior do que os países produtores são capazes de aumentar sua oferta. O Brasil, como um dos principais produtores, vê sua oferta de ATR diminuindo pelo quarto ano consecutivo além de ínfima perspectiva de expansão. Não é surpresa, portanto, que tenhamos constantes déficits (ainda que pequenos) nos próximos anos.

Outro fator relevante é o custo de produção do Brasil e de seus concorrentes. Hoje, a estimativa da Archer para os custos de produção da Tailândia é de 15.10 centavos de dólar por libra-peso e da Índia é 24.47 centavos de dólar por libra-peso. Austrália tem um custo de 11.90 centavos de dólar por libra-peso e o Brasil 11.25 centavos de dólar por libra-peso.

Mudando de assunto, verificamos que existe uma alta correlação entre os preços médios de açúcar negociados em NY no trimestre outubro/novembro/dezembro e aqueles negociados no trimestre seguinte, ou seja, janeiro/fevereiro/março. A aderência resultante analisando os últimos 15 anos é de 0.9731. Desta forma, baseando-se no preço médio ocorrido no último trimestre de 2015, de 14.58 centavos de dólar por libra-peso, o preço médio para o primeiro trimestre de 2016 seria de 14.70. Como a média de janeiro e fevereiro, meses já encerrados, foi de 13.80, março teria que encerrar na média em 16.48 centavos de dólar por libra-peso para atender à correlação demonstrada.

A sétima estimativa do volume de açúcar para a safra 2016/2017 fixado pelas usinas na bolsa de NY, apurada pelo modelo desenvolvido pela Archer Consulting, é de 19,036 milhões de toneladas de açúcar ao preço médio de 13,62 centavos de dólar por libra-peso, ou seu equivalente em R$ 1.206,25 por tonelada FOB. A estimativa considera as fixações efetuadas até o dia 29 de fevereiro de 2016.

O volume representa aproximadamente uma fixação de 75.78% da safra, considerando a estimativa da Archer de um volume de exportação brasileira de açúcar de 25,12 milhões de toneladas. O dólar médio obtido pelas usinas é de 3,8594 reais. O modelo admite um erro para mais ou para menos de 1.39% do volume e do preço apurados. Comparativamente às últimas quatro safras, o percentual acumulado de fixação de 75.78% para a 2016/2017 é o mais alto já visto. O ano passado, por exemplo, o acumulado nesse mesmo período era de apenas 34.30%.

Neste domingo o Brasil vai às ruas pedindo o impeachment da presidente Dilma Rousseff. O governo dela já acabou há muito tempo. Só falta mesmo a esse defunto insepulto vagando sem rumo tal qual um zumbi de Walking Dead, renunciar ou aguardar sua queda. A quadrilha de bandoleiros que tomou conta do país destruiu valores éticos, destruiu a Petrobrás e colocou uma pecha nos brasileiros de bem, aos olhos do mundo, como se todos fôssemos corruptos ou apoiássemos essa camarilha descontrolada.

O que os treze anos de PT prejudicaram o setor sucroalcooleiro, por exemplo, merece um cálculo em separado. Uma dívida que ultrapassa os R$ 100 bilhões sem contar a perda de receita com a interrupção de um ciclo expansionista que permitiu que chegássemos a produzir, em dezembro de 2009,  quase 55% de todo o combustível consumido pela frota de veículos nacional, que multiplicaria empregos diretos e indiretos. São verdadeiros cancros que precisam ser extirpados da vida pública nacional.

As inscrições para o XXV Curso Intensivo de Futuros, Opções e Derivativos em Commodities Agrícolas estão COM VAGAS LIMITADAS. O curso ocorre nos dias 29, 30 e 31 de março em São Paulo, das 09 às 17 horas. Para mais informações mande uma mensagem para priscilla@archerconsulting.com.br.

 

Governo estuda modernização da Conab

A ministra Kátia Abreu (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) reuniu toda a diretoria da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para dar início ao trabalho de modernização da empresa.

As ações na companhia seguirão a mesma proposta que está sendo implementada no Mapa, com foco na modernização de processos e na inovação da gestão. Além disso, o grupo encarregado do assunto vai estudar a ampliação das atribuições da companhia.

A reunião, ocorrida nessa quarta-feira (9), é a primeira de uma série de encontros que a diretoria e o corpo técnico da Conab terão com o Mapa.

“Esperamos que em 120 dias esteja concluída a modernização e o choque de gestão que queremos fazer na Conab, instituição que é um importante instrumento de política agrícola e abastecimento no país”, afirmou a ministra. (Mapa 11/03/2016)

 

Etanol brilha sozinho em importações de commodities da China

Etanol: Segunda maior economia do mundo começou a importar etanol em volume grande.

Notícias recentes da China desanimam produtores de commodities, com uma economia do país em desaceleração,preços das ações tombando e desvalorização cambial, todas sinalizando uma demanda mais fraca.

Há uma exceção: a segunda maior economia do mundo começou a importar etanol em volume grande o suficiente para estimular as esperanças de que o país poderia ter uma abertura maior, até agora pouco acessível, do mercado.

"Se isto se tornar uma constante, serão grandes notícias. A China é umlugar onde todo mundo olha e diz, 'e se'", disse Jordan Fife, comerciante com a BioUrja Trading em Houston.

A estatal negociadora de grãos China National Oils and Foodstuffs, conhecida como Cofco, começou a enviar etanol de suas recentemente adquiridas usinas no Brasil nos últimos meses, os primeiros carregamentos para a China do segundo maior exportador do mundo desde 2012, de acordo com fontes do mercado e dados de comércio brasileiros.

No total, a China importou mais de 56 mil toneladas do biocombustível no primeiro semestre deste ano, no valor de cerca de 27 milhões de dólares baseado nos preços dos Estados Unidos, o dobro do volume do ano de 2014 inteiro.

ETH/CN: O etanol brasileiro está vindo de uma joint venture de 1,5 bilhão de dólares da Cofco com a Noble Group no último ano, de acordo com autoridade da companhia chinesa, que informou sobre os envios. A Noble Agri tem quatro usinas no país.

Isto pode sugerir que estes envios podem ser mais resultado da expansão ultramar da China, relacionada a ativos, do que a uma tendência mais ampla da demanda. (Jornal Floripa 11/03/2016)

 

Maior manifestação da história do País aumenta pressão por saída de Dilma

Alta adesão derruba discurso governista e do PT de que País está dividido, reforça pedido de impeachment e pode influenciar o TSE

Na maior manifestação da história do País, milhões de brasileiros foram às ruas neste domingo, 13, em pelo menos 239 cidades nas cinco regiões, pedir a saída da petista Dilma Rousseff, 68 anos, da Presidência da República. Os protestos também tiveram como alvo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fundador e principal líder do PT, investigado pela Operação Lava Jato e pelo Ministério Público de São Paulo.

Os manifestantes se dividiram entre o apoio ao impeachment de Dilma, em tramitação na Câmara dos Deputados, a cassação do mandato pela Justiça, sob análise do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e a pressão pela renúncia da petista do cargo que ela ocupa desde janeiro de 2011 e para o qual foi reeleita em 2014 com 51,64% dos votos no segundo turno.

A enorme adesão às manifestações, convocadas majoritariamente por grupos como o Vem Pra Rua e o Movimento Brasil Livre (MBL), praticamente enterrou o discurso governista e petista de que o País estava dividido. À noite, após o fim dos protestos, o Palácio do Planalto divulgou nota em nome da presidente Dilma Rousseff na qual afirma que “a liberdade de manifestação é própria das democracias e por todos deve ser respeitada”, diz trecho do texto assinado pela secretaria de Imprensa da Presidência.

A nota de Dilma comprova uma inflexão do governo em relação ao protesto de março de 2015, quando o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rossetto, criticou os atos e disse que eles eram de “eleitores que não votaram em Dilma Rousseff”.

De acordo com institutos de pesquisa, Polícia Militar e historiadores consultados pelo Estado, os atos públicos deste domingo superaram em adesão as manifestações das Diretas Já (movimento pelo fim da ditadura entre 1983 1984) e do movimento conhecido como Junho de 2013 (série de protestos desencadeada pelo aumento do preço das passagens do transporte público).

A maior concentração de manifestantes ocorreu em São Paulo, assim como já havia acontecido em março do ano passado, no primeiro grande protesto contra a gestão Dilma e o PT. Apesar do tom maciçamente contrário à petista e a Lula, o governador do Estado, Geraldo Alckmin, e os senadores Aécio Neves (MG) e José Serra (SP), todos do PSDB, foram impedidos de subir em um carro de som.

Os protestos tiveram forte apelo contra a corrupção, pela ética pública e pelo fim da impunidade. O juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato na primeira instância da Justiça e que autorizou o depoimento sob condução coercitiva de Lula no dia 4, agradeceu o apoio recebido em diversos atos pelo País. Ele pediu que as autoridades e os partidos “ouçam a voz das ruas”.

Estimativas

Os protestos ocorridos neste domingo em todo o País levaram cerca de 3 milhões de pessoas às ruas nos 26 Estados e no Distrito Federal, de acordo com dados colhidos nas polícias militares estaduais.

Em São Paulo, onde foi registrada a maior manifestação do País, houve divergências de números de público. Segundo a PM, 1,4 milhão de pessoas foram à Avenida Paulista neste domingo. Já o Datafolha apontou público de 500 mil manifestantes. No protesto de março do passado, enquanto a PM estimou 1 milhão na Paulista, o Datafolha apontou 210 mil pessoas.

O público recorde de 3 milhões de pessoas também não considera o protestorealizado na cidade do Rio de Janeiro. A exemplo das manifestações ocorridas no ano passado, a PM fluminense não divulgou estimativas oficiais de público. De acordo com os organizadores do ato, cerca de 1 milhão de manifestantes participaram do protesto que se concentrou na orla de Copacabana.

Comparação

Outras capitais também registraram público maior que o dos protestos ocorridos no ano passado. O ato deste domingo em Curitiba levou 200 mil pessoas às ruas, segundo a PM; há um ano, o público foi de 80 mil pessoas, também de acordo com dados oficiais.

Em Florianópolis, 95 pessoas participaram da manifestação, ante 30 mil nos protestos de março do ano passado. Porto Alegre praticamente manteve o público de um ano atrás (100 mil) neste 13 de março (105 mil pessoas), conforme a Polícia Militar.

Também na Região Nordeste houve aumento expressivo do público registrado nos atos deste domingo em comparação aos de 15 de março de 2015. Fortaleza, a capital que teve o maior público há um ano (12 mil pessoas), neste ano reuniu 80 mil manifestantes. No Recife, neste ano, a PM não divulgou estimativas oficiais, mas os organizadores dos protestos falaram em 150 mil pessoas na capital pernambucana. Há um ano, 8 mil pessoas se mobilizaram, conforme a PM.

Em Salvador também foi registrado aumento de pública. Há um ano, 10 mil pessoas se mobilizaram contra o governo Dilma; neste domingo, o público foi de 20 mil. O alcance dos protestos também superou o de março do ano passado, quando pelo menos 212 cidades de todo o País registraram manifestações. Neste 13 de março, ao menos 239 cidades se mobilizaram, os organizadores haviam convocado atos em mais de 400 municípios em todo o Brasil. (O Estado de São Paulo 14/03/2016)

 

Commodities Agrícolas

Café: No embalo do câmbio: O café arábica teve alta significativa na bolsa de Nova York na sexta-feira, impulsionado pelo ganho de força do real frente ao dólar. Os lotes para maio fecharam com ganhos de 365 pontos a US$ 1,2580 por libra-peso. A moeda americana mais fraca desestimula as vendas externas pelos produtores do Brasil (maior fornecedor global do grão), porque diminui a rentabilidade das exportações. Com menos oferta no mercado, os preços tendem a subir. Além disso, a Marex Spectron previu um excedente de 1,03 milhão de sacas de café na safra 2016/17, mas disse que a perspectiva de safra abundante pode ser ameaçada pelo clima seco no Brasil e no Vietnã. No mercado interno, a saca de 60,5 quilos do café de boa qualidade oscilou entre R$ 480 e R$ 500, de acordo com o Escritório Carvalhaes.

Algodão: Novos ganhos: As cotações do algodão ampliaram os ganhos do pregão anterior na bolsa de Nova York. Os contratos para julho fecharam em alta de 26 pontos na sexta-feira, a 57,03 centavos de dólar por libra-peso. Em relatório divulgado na quinta-feira, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) indicou que o país acertou a venda de 40,3 mil toneladas de algodão na semana encerrada em 3 de março, 7% a mais que na semana anterior. Ainda assim, esse volume é 10% inferior à média das quatro semanas anteriores. Além disso, persistem no mercado preocupações com a possibilidade de a China vender parte de seus amplos estoques de algodão, o que tem potencial para empurrar os preços para baixo. No oeste da Bahia, a arroba foi negociada a R$ 80,52, em média, segundo a Aiba.

Soja: Arrancada em Chicago: A soja subiu pelo sétimo pregão seguido na bolsa de Chicago, diante de temores com o clima nos EUA. Os lotes com entrega em maio fecharam em alta de 6,50 centavos na sexta-feira, a US$ 8,9575 por bushel. A umidade no Delta dos EUA ­ e a perspectiva de mais chuvas nas próximas duas semanas, pode encorajar parte dos produtores a abandonar os planos de semear soja. A desaceleração das vendas no Brasil atuou como fator adicional de suporte à oleaginosa. O dólar tem perdido força frente ao real nos últimos dias, o que desestimula os produtores brasileiros a venderem soja ao exterior, porque a moeda americana mais fraca diminui a rentabilidade das exportações. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca no Paraná ficou em R$ 68,90, queda de 0,58%.

Milho: Petróleo em alta: Um movimento de cobertura de posições vendidas e a elevação nos preços do petróleo contribuíram para o milho avançar na bolsa de Chicago. Os contratos com vencimento em maio fecharam com ganhos de 2,25 centavos na sexta-feira, a US$ 3,65 por bushel. A alta do petróleo estimula as refinarias a aumentar a mistura de combustíveis alternativos, caso do etanol de milho. O dólar mais fraco também incentiva a demanda pelos grãos produzidos nos EUA, porque os deixa mais atraentes a compradores estrangeiros. Na sexta-feira, exportadores privados americanos reportaram a venda de 170,8 mil toneladas de milho para o Japão. No Paraná, a saca de 60 quilos do grão ficou estável, em R$ 33,90, segundo o Departamento de Economia Rural do Estado (Deral). (Valor Econômico 14/03/2016)