Setor sucroenergético

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Dilma blinda Lula de Sérgio Moro e novos protestos tomam ruas do País

Presidente confirma seu antecessor na Casa Civil da Presidência e provoca nova onda de manifestações; juiz federal libera arquivos de áudio com monitoramento telefônico do petista e afirma que diálogos indicam que ele atuou para tentar influenciar o Judiciário.

A nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a Casa Civil do governo Dilma Rousseff desencadeou nesta quarta-feira, 16, uma série de protestos pelo País motivada também pela divulgação de arquivos de áudio da Operação Lava Jato com diálogos do petista com a presidente e com o ex-ministro Jaques Wagner.

Em uma dessas conversas, às 13h32 de quarta, Dilma diz a Lula: “Seguinte, eu tô mandando o ‘Bessias’ (Jorge Messias, subchefe de Assuntos Jurídicos) junto com o papel pra gente ter ele e só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse, tá?”.

Para a oposição, a frase da presidente indica que a nomeação do líder petista teve o objetivo de conferir a ele foro privilegiado e, portanto, configura que ambos atuaram para obstruir as investigações.

O monitoramento das conversas telefônicas (grampos) sugerem também uma tentativa de influenciar o Ministério Público e o Judiciário. “Trata-se de processo vinculado à assim denominada Operação Lava Jato e no qual, a pedido do Ministério Público Federal, foi autorizada a interceptação telefônica do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de associados”, afirmou em despacho o juiz Sérgio Moro. Dilma, de acordo com a operação, não foi monitorada.

O diálogo entre ela e Lula foi captado, segundo a força-tarefa, de uma ligação recebida pelo aparelho celular de um assessor de Lula. Os advogados do líder petista classificaram como uma “arbitrariedade” a divulgação dos arquivos de áudio. A presidente “repudiou” a medida. A posse de Lula deve ocorrer hoje.

No fim da tarde de quarta, grupos anti-Dilma e antipetistas realizaram protestos em frente ao Palácio do Planalto e em várias capitais do País. Os protestos se estenderam até a madrugada. Também foram registrados panelaços. Os manifestantes pediram a saída de Lula do ministério e de Dilma da Presidência.

Enquanto as manifestações começavam a tomar forma, o Diário Oficial da União publicou, em edição extraordinária, a nomeação do ex-presidente como chefe da Casa Civil no lugar de Wagner, que foi remanejado para a chefia de Gabinete da Presidência. Em uma conversa com Wagner, também captada pelo monitoramento da PF, Lula afirma que a “Suprema Corte está acovardada”. Ele também fala sobre o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e o STF. (O Estado de São Paulo 17/03/2016)

 

Délcidio envolve usinas da Brenco em escândalo de corrupção da Lava Jato

O depoimento do senador Delcídio do Amaral na operação Lava Jato trouxe indícios de que a indústria sucroenergética também pode estar envolvida no esquema de lavagem de dinheiro que envolve a Petrobras.

A denúncia envolvendo usinas de etanol foi destacado pela Reuters e ganhou espaço ontem no norte-americano The New York Times com o título: Delação de senador arrasta indústria brasileira de etanol para escândalo de propinas.

No documento de delação premiada com 250 páginas, Amaral explica como fundos da estatal petroleira foram desviados para uma start-up do setor de etanol. O senador já havia sido preso em novembro por obstruir uma investigação federal.

De acordo com o testemunho, Philippe Reichstul, presidente da Petrobras de 1999 a 2001, ajudou a direcionar fundos da estatal para a Brenco, empresa de biocombustíveis fundada em 2006 com foco no mercado de etanol. A empresa teve como investidores o indiano Vinod Khosla, um dos fundadores da Sun Microsystems; o americano Steve Case, fundador da AOL, e a investidora Tarpon.

Reichstul negou as acusações do senador e considerou o depoimento absurdo, além de alegar desconhecer projetos de financiamento e formação de capital de lançamento para a Brenco durante seu período na petroleira.

Diante de dificuldades financeiras a Brenco foi comprada pela divisão de cana-de-açúcar da Odebrecht em 2010. A empreiteira é o maior conglomerado de engenharia da América Latina e a figura central do esquema de propinas e contratos superfaturados com a Petrobras.

Além da Brenco, o senador citou a família Bumlai 111 vezes no depoimento. José Carlos Bumlai ficou conhecido pelo relacionamento com o ex-presidente Lula. O pecuarista é controlador da usina São Fernando, que teve a falência solicitada pelo BNDES. Ele também foi preso em novembro do ano passado devido ao envolvimento no esquema de propinas e lavagem de dinheiro. (Reuters 16/03/2016)

 

Açúcar: De olho no Brasil

Os contratos de açúcar demerara também ameaçaram cair ontem na bolsa de Nova York, mas fecharam em alta.

Os lotes para julho subiram 14 pontos, para 15,41 centavos de dólar por libra-peso.

O mercado segue de olho no Brasil, principal produtor mundial. Muitas usinas do CentroSul estenderam a moagem de cana da safra 2015/16 até este mês e vão praticamente "emendar" os trabalhos com o processamento da matéria-prima que será colhida em 2016/17.

Mesmo assim, e impulsionados pelas estimativas de déficit na safra internacional 2015/16, os preços seguem em um patamar próximo ao pico alcançado recentemente.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal registrou queda de 0,84%, para R$ 76,95. (Valor Econômico 17/03/2016)

 

Dedini deliberará plano de recuperação judicial com credores em abril

A Dedini Indústrias de Base, tradicional fabricante de equipamentos para o setor sucroenergético, vai deliberar o plano de recuperação judicial junto aos credores no dia 26 de abril, confirmou ao Broadcast Agro, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, o advogado Júlio Mandel, do escritório Mandel Advocacia, que está à frente do processo. Caso não haja quórum mínimo, a segunda chamada está agendada para 5 de maio. A companhia, que entrou com o pedido de recuperação em agosto do ano passado, apresentou seu plano no fim de 2015. "Os credores têm três opções agora: deliberar mais, aceitar ou rejeitar o plano, o que significaria falência (da empresa)", explicou Mandel.

A companhia realizou uma série de demissões no segundo semestre de 2015. Só em Piracicaba (SP), onde está sua matriz, há mais de 400 pessoas com salários ou benefícios em atraso, de acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos local. Em Sertãozinho, também no interior paulista, são 600 funcionários afetados. Ao todo, a empresa tem um passivo superior a R$ 300 milhões, entre bancos, trabalhadores, fornecedores e o fisco.

A situação financeira da Dedini vem se deteriorando desde o fim de 2008, com a crise financeira mundial, que coincidiu com a crise do setor sucroenergético no País. A empresa estava em seu auge naquele ano e chegou a faturar R$ 2,1 bilhões. (Agência Estado 17/03/2016)

 

Agência rebaixa nota de crédito do grupo USJ Açúcar e Álcool

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s rebaixou a nota de crédito da sucroalcooleira USJ Açúcar e Álcool, após a companhia anunciar uma proposta de troca dos seus bonds de US$ 275 milhões (sem garantias e com vencimento em 2019) por 65% do seu valor de face.

A S&P reduziu sua nota de crédito corporativo em escala global para “CC” de “CCC-“ e o rating de crédito corporativo em escala nacional para “BRCC” de “brCCC-“.

Os ratings da empresa foram colocados em observação negativa, dada a visão da S&P de que um calote do grupo é “iminente”. O prazo de pagamento do próximo cupom semestral pela USJ é no mês de maio.

O rebaixamento reflete a visão da agência de que a proposta de troca é uma oferta de “distressed”, pois a empresa não deve ser capaz de cumprir o seu pagamentos de juros e outras obrigações na ausência desta proposta e nem de deter uma estrutura mais equilibrada de capital.

Conforme a S&P, a proposta da USJ é a de troca das notes de US$ 275 milhões (sem garantia, com vencimento em 2019) por 65% do seu valor de face. A troca seria seguida por uma nova emissão de bonds com as mesmas condições, mas a empresa teria a opção de não pagar o cupom semestral pelos próximos dois anos, levando o pagamento do valor acumulado no vencimento do título. Durante esses dois anos, a taxa dos juros semestrais aumentaria do original 9,875% para 12%, e depois seria revertido para o valor original. (Valor Econômico 16/03/2016)

 

Cota adicional pode elevar exportações de açúcar brasileiro ao mercado dos EUA

Estados Unidos anunciam que país tem direito a embarcar mais 13,1 mil toneladas em 2016.

O Brasil poderá exportar este ano para os Estados Unidos mais 13,1 mil toneladas de açúcar em bruto (cerca de US$ 4 milhões), além das 155,7 mil toneladas (equivalente a US$ 48 milhões) previstas inicialmente. A informação é da Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio (SRI) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Após fazer consulta aos países detentores de cotas preferenciais, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos identificou 86.533 toneladas em cotas não preenchidas do produto e as redistribuiu entre 26 exportadores.

Assim, os EUA anunciaram a cota adicional de 13,1 mil toneladas de açúcar em bruto para o Brasil, porque alguns países não estão conseguindo cumprir o volume que poderiam vender para aquele mercado.

O Brasil foi um dos principais beneficiados na distribuição da cota adicional, além de Filipinas, Austrália e República Dominicana.

O mercado brasileiro também se destaca como um dos tradicionais fornecedores de açúcar em bruto aos EUA. Em 2015, o produto do Brasil ocupou a segunda posição em valores importados pelos EUA (US$ 108 milhões), e terceira, em quantidade importada (222 mil toneladas). (Ministério da Agricultura 16/03/2016)

 

Reino Unido revela plano para taxar açúcar da indústria de refrigerantes

O Reino Unido irá introduzir uma taxa sobre o açúcar nos refrigerantes dentro de dois anos, na tentativa de combater o problema de obesidade no país, disse nesta quarta-feira o ministro de Finanças, George Osborne, em um anúncio surpresa, abalando os preços das ações de empresas de bebidas e de açúcar.

Apenas alguns meses após o governo descartar um imposto sobre o açúcar, Osborne disse que a taxa prevista, que será imposta sobre as empresas com base no conteúdo de açúcar nas bebidas, vai gerar uma arrecadação equivalente a 730 milhões de dólares.

"Claro que algumas empresas podem escolher repassar isso para o preço cobrado dos consumidores, e isso terá um impacto no consumo também", disse Osborne ao parlamento, durante seu discurso anual sobre o orçamento.

"Nós entendemos que a taxa afeta o comportamento. Portanto, vamos taxar as coisas que queremos reduzir, e não as coisas que queremos encorajar."

As ações de companhias de bebidas e de açúcar caíram após a notícia, com a Britvic a AG Barr recuando entre 3 e 5 por cento. O papel do grupo açucareiro Tate & Lyle recuou 2 por cento.

Países escandinavos já impuseram tarifas semelhantes, com diferentes graus de sucesso ao longo dos últimos anos. Em 2012, a França e a Hungria entraram na lista, seguidas pelo México, em 2014. (Reuters

 

Índia "não tem medo" que Monsanto deixe o país, diante de disputa sobre algodão

A empresa de sementes norte-americana Monsanto está convidada a deixar a Índia se não quiser reduzir os preços das sementes de algodão geneticamente modificado, como o orientado pelo governo, disse um ministro nesta quarta-feira, em um sinal de que a cisão entre Nova Délhi e a companhia está aumentando.

Os comentários vieram com o governo nacionalista do primeiro-ministro Narendra Modi esperando desenvolver suas próprias variedades de algodão geneticamente modificado no início do próximo ano para acabar com o domínio da Monsanto; a empresa controla 90 por cento da oferta de sementes de algodão.

Novas tecnologias são fundamentais para elevar a produtividade agrícola da Índia.

Apesar dos ganhos que o algodão geneticamente modificado trouxe para mais de 7 milhões de produtores na Índia, alguns deles e suas associações, incluindo uma afiliada ao partido de Modi, têm se queixado de que a Monsanto superfatura seus produtos.

Pressionado para acalmar produtores atingidos por três safras consecutivas arruinadas devido ao clima ruim, o governo Modi impôs um corte de cerca de 70 por cento nos royalties que empresas locais pagam à Monsanto por sua tecnologia do algodão.

O regulador antitruste da Índia também está investigando se a empresa utilizou de maneira inapropriada sua condição de quase monopólio para aumentar taxas. Uma joint venture da Monsanto com uma empresa local disse que está confiante que as alegações vão se provar sem fundamento. A Monsanto levou o governo aos tribunais por causa dos royalties. (Reuters 16/03/2016)

 

Indústria paulista corta 257,5 mil empregos em um ano, diz Fiesp

Na base comparativa, o nível de emprego despencou 10,18% e se configurou como a retração mais intensa da série histórica.

A indústria paulista eliminou 257,5 mil postos de trabalho em um ano, na comparação entre fevereiro de 2016 e o mesmo mês do ano passado. Nesta base comparativa, o nível de emprego despencou 10,18%, a 53ª retração consecutiva, sendo a mais intensa da série histórica. Em relação a janeiro, a queda foi de 0,53%, o que representa um corte de 12 mil vagas.

Dos 22 setores pesquisados, em 17 houve eliminação de vagas. Em apenas três deles houve mais contratações que demissões, e dois registraram estabilidade. O destaque negativo foi o segmento de metalurgia, com 4,5 mil empregos eliminados em fevereiro, representando 37,5% das demissões na indústria paulista no segundo mês do ano.

Do lado positivo, o melhor desempenho ficou com o setor de produtos alimentícios, com a criação de 4,2 mil vagas. Segundo a Fiesp, pesou para este resultado as 3,5 mil contratações no segmento de açúcar e álcool em fevereiro, revertendo a tendência de demissões que teve início em junho de 2015. As vagas estão ligadas ao início da safra da cana-de-açúcar. 

Pelo segundo mês consecutivo, outro setor que admitiu mais que demitiu foi o de couro e calçados, com mil empregos a mais em fevereiro. O desempenho reflete o processo de substituição de importações viabilizado pela desvalorização do real ante o dólar nos últimos meses.

Dentre as 36 regiões do Estado analisadas pela Fiesp, 26 tiveram variação negativa no índice de emprego em fevereiro, três ficaram estáveis e sete contrataram mais do que demitiram. (O Estado de São Paulo 16/03/2016)

 

Embrapa pesquisa cana-de-açúcar em área de expansão no Cerrado

A expansão do setor sucroalcooleiro, com crescimento na última década de 379% da área plantada na região Centro-Oeste, passou a exigir o desenvolvimento de tecnologias apropriadas ao manejo da cana-de-açúcar no Cerrado. Desde 2009 uma equipe multidisciplinar da Embrapa Cerrados (Brasília, DF) desenvolve experimentos em usinas localizadas nos estados de Goiás, Minas Gerais e Tocantins com o objetivo de ajustar as pesquisas às necessidades do setor produtivo.

A melhoria da produtividade e redução do custo de produção são as principais demandas das usinas da região Centro-Oeste. A produtividade de colmos na região do Cerrado é inferior à registrada no estado de São Paulo que responde por 53% da área plantada comcana-de-açúcar no País. No período de 2009 a 2013, a produtividade média de colmos no Centro-Oeste foi de 77 toneladas por hectare e de 82 toneladas por hectare em São Paulo.

As pesquisas em irrigação da cana-de-açúcar, com experimentos em andamento na Embrapa Cerrados e na usina Jalles Machado (Goianésia, GO), mostram o grande potencial desta prática na elevação da produtividade da cultura no Cerrado. Com a irrigação a cana-planta atinge produtividade de colmos de até 255 t/ha e a primeira soca até 220 t/ha para as melhores variedades, índices muito superiores à média da região centro-sul do país. Em termos de produtividade de açúcar, o sistema irrigado tem atingido 38 t/ha, enquanto a região centro-sul produz em média 12 t/ha.

Além de aumentar a produtividade, o sistema de produção irrigado de cana-de-açúcar, como ressalta o pesquisador Vinicius Bufon, permite atingir eficiência de uso da água maior do que do sistema de sequeiro, ou seja, produzir mais cana com menos água. Enquanto um sistema de sequeiro produz em torno de 7 kg de cana para cada metro cúbico de água que consome, o sistema irrigado produz até 20 kg com a mesma quantidade de água.

Outra vantagem da irrigação é a verticalização da produção de palhada da cana, cada vez mais importante para a receita das usinas. O sistema de produção irrigado produz, em média, três vezes mais palhada do que o sistema utilizado atualmente pelas usinas. "A produtividade aumenta significativamente até regimes hídricos próximos a 70% do atendimento da evapotranspiração potencial da cultura para a maioria das variedades avaliadas. Isso indica que a maioria dos sistemas de irrigação instalados nas usinas está subdimensionada para atingir a máxima produtividade", afirma Bufon.

Em função das características dos solos do Cerrado (predomínio de solos ácidos e baixa fertilidade) é importante melhorar suas condições para aumentar a produtividade da cana-de-açúcar. De acordo com os pesquisadores Thomaz Rein e Djalma Martinhão algumas práticas de manejo da adubação fosfatada, que ainda são pouco adotadas na região, podem aumentar a produtividade.

Em experimentos realizados nas usinas Goiasa (Goiatuba, GO), Anicuns (Anicuns, GO) e Destilaria Veredas (João Pinheiro, MG), em solos com baixos teores de fósforo, a adubação fosfatada corretiva a lanço com incorporação (fosfatagem), complementando a tradicional adubação no sulco de plantio, e a adubação fosfatada anual de manutenção da soqueira, aplicada superficialmente sobre o palhiço, levaram a aumentos de 10 a 20 toneladas por hectares de colmos por corte.

A cana-de-açúcar é uma cultura que apresenta elevada tolerância à acidez do solo comparada às principais culturas anuais. Em experimento na Embrapa Cerrados foram observados ganhos anuais de produtividade ao redor de 15 toneladas por hectare de colmos e 2,5 toneladas por hectare de açúcar em resposta ao gesso como corretivo da acidez superficial e fonte de enxofre. "Em experimentos em usinas de Goiás e de Minas Gerais não foram obtidos os mesmos resultados. O que mostra a necessidade de se ampliar a rede experimental para a validação de critérios de recomendação de gesso para a cultura, assim como para quaisquer outras recomendações agronômicas, dado o caráter recente e preliminar dos nossos trabalhos", destaca o pesquisador João de Deus dos Santos.

Em busca de respostas

Definir o melhor sistema de cultivo para os canaviais da região é um dos desafios da pesquisa. Em experimentos nas usinas Goiasa e Jalles Machado que avaliam o sistema de plantio direto da cana-de-açúcar, sem preparo do solo na reforma do canavial, os pesquisadores Marcos Carolino de Sá e João de Deus dos Santos, procuram responder as seguintes dúvidas: É viável a técnica do plantio direto para esta cultura? Há problemas de compactação superficial do solo? A impossibilidade de incorporação do calcário seria um problema?

Os resultados preliminares desses experimentos mostram o plantio direto como uma alternativa promissora para redução dos custos de reforma do canavial e melhoria no balanço energético com a economia em máquinas e combustíveis, além de propiciar melhor conservação do solo através da manutenção plena da sua cobertura com o palhiço até o momento da operação de sulcação. "Ainda são necessários mais experimentos para a recomendação desta prática, principalmente para áreas colhidas em solo úmido, condição comum no início e final de safra que favorece a compactação do solo", ressaltou Marcos Carolino.

O palhiço, que é o resíduo da colheita da cana-de-açúcar, tem fins diversos na indústria, entre eles a cogeração de energia elétrica. Mas quais os efeitos de seu recolhimento sobre o desempenho da cultura e sobre a perda de água do solo? Experimentos nas usinas Goiasa e Jalles Machado mostraram efeito positivo do palhiço na redução da perda de água do solo por evaporação na fase de rebrota da cultura, mesmo com níveis de palhiço remanescente inferiores a 50%.

Nestes dois experimentos não houve perdas de produtividade pela remoção total do palhiço, o que sugere a viabilidade do recolhimento parcial desta biomassa. Porém, em experimento em que a renovação do canavial foi realizada com plantio direto, os pesquisadores Cláudio Franz e Marcos Carolino de Sá observaram que o recolhimento total do palhiço gerou perdas de produtividade da cana colhida em início de safra.

Para responder a questão de como o arranjo de plantas pode influenciar na produtividade da cana-de-açúcar foi montado experimento na Embrapa Cerrados, em que estão sendo avaliados diferentes espaçamentos entrelinhas. Resultados do primeiro ano do experimento mostraram que a produtividade de uma variedade de arquitetura foliar prostrada (com rápido fechamento da entrelinha) não foi afetada pelos tratamentos. Já para a variedade de arquitetura foliar ereta com fechamento mais lento da entrelinha, foi verificada a tendência de maior produtividade com a redução do espaçamento.

A cana-de-açúcar é bastante suscetível aos nematoides, pragas e doenças que provocam a redução da produtividade e, por isso, a definição de medidas fitossanitárias é uma das demandas do setor produtivo. A equipe de fitopatologia e entomologia da Embrapa Cerrados tem realizado levantamentos em algumas usinas da região para a identificação de patógenos da parte aérea e raízes e as principais variedades susceptíveis; a ocorrência de nematoides de galhas e das lesões radiculares da cana-de-açúcar; e avaliações da incidência de insetos-praga nos novos sistemas de cultivo em estudo (cana irrigada e o plantio direto).

Expansão das pesquisas

As parcerias nas pesquisas com cana-de-açúcar no Cerrado são fundamentais. Tanto para a Embrapa quanto para o setor produtivo. "A carência do setor produtivo nesta área é muito grande. A Embrapa veio ocupar uma lacuna, pois temos poucas instituições trabalhando na pesquisa agronômica básica. A maioria desenvolve pesquisa em melhoramento genético da cultura", declarou Patrícia Fontoura, que já foi gestora da usina Jalles Machado e atualmente é coordenadora de Processos Agrícolas da usina SJC Bioenergia, do Grupo São João/Cargill, em Quirinópolis- GO.

Antes da parceria com a Embrapa, de acordo com Patrícia Fontoura, era o próprio corpo técnico da usina que fazia as pesquisas agronômicas. "Muitas vezes, chegava-se a conclusões errôneas por não ter o know how e a experiência em pesquisa como a Embrapa", comentou. Os experimentos em conjunto já foram responsáveis por algumas mudanças nas usinas, principalmente ao que se refere à fertilidade do solo (aplicação de gesso e adubação fosfatada) e ao manejo de irrigação.

A mais recente parceria é com a usina WD, em João Pinheiro (MG), em que foram instalados experimentos para estudar sistemas de preparo do solo e plantio direto, alternativas de controle do bicudo da cana-de-açúcar e a rotação de culturas e seus efeitos no desempenho da cana subsequente, além do manejo da fertilidade em solos arenosos.

As pesquisas em cana-de-açúcar no Cerrado também envolvem outras unidades da Embrapa - Agropecuária Oeste (Dourados, MS), Informática Agropecuária (Campinas, SP) e Solos (Rio de Janeiro, RJ), com destaque para a experimentação em manejo do solo e da cultura no Mato Grosso do Sul e no Noroeste Paulista. (Embrapa 17/03/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: De olho no Brasil: Os contratos de açúcar demerara também ameaçaram cair ontem na bolsa de Nova York, mas fecharam em alta. Os lotes para julho subiram 14 pontos, para 15,41 centavos de dólar por libra-peso. O mercado segue de olho no Brasil, principal produtor mundial. Muitas usinas do CentroSul estenderam a moagem de cana da safra 2015/16 até este mês e vão praticamente "emendar" os trabalhos com o processamento da matéria-prima que será colhida em 2016/17. Mesmo assim, e impulsionados pelas estimativas de déficit na safra internacional 2015/16, os preços seguem em um patamar próximo ao pico alcançado recentemente. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal registrou queda de 0,84%, para R$ 76,95.

Café: Robusta ajuda arábica: Os contratos futuros de café arábica começaram a sessão de ontem em Nova York em baixa, acompanhando outras commodities, mas mudaram de lado e os contratos para maio fecharam em alta de 335 pontos, a US$ 1,2905 por libra­peso. O mercado tem sido guiado basicamente pelas oscilações do dólar ­ que ontem subiu em relação a outras moedas, inclusive o real e por notícias sobre a safra brasileira, a mais importante do mundo. Nesse contexto, sinais de seca e ataque de cochonilha em região produtoras de café robusta no Brasil colaboraram para a valorização de ontem, já que podem beneficiar a demanda por arábica. No mercado doméstico, a saca de 60,5 de café de boa qualidade foi negociada por entre R$ 480 e R$ 510, conforme informações do Escritório Carvalhaes.

Soja: Contra os fundamentos: Os preços da soja registraram alta moderada ontem na bolsa de Chicago, apesar do avanço da colheita na América do Sul e da valorização da moeda americana, que torna o grão colhido nos EUA menos competitivo. Os lotes da oleaginosa para entrega em julho subiram 2,50 centavos de dólar, para US$ 9,0025 por bushel. De positivo para os preços, chamou a atenção a venda de 100 mil toneladas de soja pelos produtores americanos a "destinos desconhecidos". Assim, alguns analistas também identificaram na alta um movimento de correção. No Paraná, a saca de 60 quilos foi negociada, em média, por R$ 62,57, 1,32% abaixo da média da véspera, de acordo com informações do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura

Trigo: Boas condições nos EUA: Os preços futuros do trigo caíram nas bolsas americanas ontem diante de uma menor preocupação com o clima nas planícies americanas e diante do dólar mais forte. Em Chicago, os papéis para julho encerraram o pregão em queda de 6,25 centavos, a US$ 4,7825 o bushel. Em Kansas, onde se negocia o cereal de melhor qualidade, o mesmo vencimento caiu 5,25 centavos, a US$ 4,9350 o bushel. Nos últimos dias, o clima mais ameno nas Grandes Planícies, onde se concentra a produção do cereal nos EUA, trouxe preocupações sobre eventuais prejuízos à cultura. Mas notícias mais recentes indicam que as lavouras ainda estão em boas condições, conforme a Midwest Market Solutions. No mercado do Paraná, o trigo foi negociado com estabilidade, a R$ 39,83 a saca, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 17/03/2016)