Setor sucroenergético

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Delação de Delcidio revela que Temer recebeu R$ 8 mi em esquema de etanol

Michel Temer reza todos os dias pelo impeachment de Dilma Rousseff. A mudança do Palácio do Jaburu para o Alvorada representa bem mais do que um projeto de poder. Significa também a conquista de um salvo-conduto, ainda que simbólico.

Colocar a faixa de Presidente da República seria o mais convincente aceno a Sergio Moro e seus procuradores para que deixassem suas denúncias em banho-maria, pois o país não suportaria outro processo de impedimento.

Temer é citado na Lava Jato por uma suposta participação em um esquema de propina vinculado à compra irregular de etanol pela BR Distribuidora. A história de que o vice-presidente recebeu por muitos anos uma mesada informal da estatal já virou lugar-comum, mas essa não seria sua única travessura.

Ele teria reinado na Cia. Docas de Santos, uma informação igualmente requentada, não constasse da delação de Delcídio do Amaral. Por meio de sua assessoria, o vice-presidente Michel Temer nega as acusações. Temer está convicto de que a Presidência da República é um antibiótico de largo espectro.

Mesmo porque ele deverá se deparar com um quadro bem mais favorável, marcado pelo arrefecimento da crise política e por um Congresso novamente domável. Na economia, ele herdaria um momento de melhorias já contratadas no governo Dilma, em razão do aumento dos investimentos estrangeiros, do crescimento das exportações e da queda da inflação.

Com relação à mídia, por sua vez, a expectativa é de um noticiário igualmente mais ameno. Sem a queda de Dilma, entretanto, Temer é candidato a um distúrbio neurovegetativo. Fica difícil imaginar que o vice sairá ileso caso a Lava Jato siga no trilho atual.

Segundo o RR apurou, a delação de Delcídio do Amaral avançou muitas jardas em relação às denúncias feitas pelo ex-diretor da BR João Augusto Henriques, preso desde setembro, vide Relatório Reservado edição 28/ 9. De acordo com uma fonte, Delcidio revelou em novos depoimentos que Temer teria se beneficiado do esquema da BR por mais de uma década. Os pagamentos teriam se iniciado antes da nomeação de Henriques para a diretoria da estatal e perdurado mesmo após a sua saída do cargo.

Ainda segundo o informante do RR, Delcídio informou que os recursos repassados a Temer giravam em torno de R$ 70 mil por mês. A princípio, se comparado aos valores bilionários que caracterizam a Lava Jato, a cifra soa como modesta. Mas, partindo-se da denúncia de que o esquema durou mais de 10 anos, uma conta matemática simples mostra que o vice-presidente teria recebido algo superior a R$ 8 milhões.

Ainda segundo a fonte do RR, Temer não seria o único figurão alvejado pela revelação do “propinoduto’ da BR. De acordo com Delcídio, Eduardo Cunha e o então presidente do PMDB em Minas Gerais, o deputado federal Fernando Diniz, já falecido, também se favoreciam do esquema do etanol. (Jornal Relatório Reservado 22/03/2016)

 

Oferta da Raízen Energia

A Raízen Energia publicou ontem aviso ao mercado de sua oferta de CRA. Conforme o Valor antecipou, a empresa pretende emitir inicialmente R$ 500 milhões, mas a operação pode chegar a US$ 675 milhões com a colocação dos lotes suplementar e adicional. A oferta é voltada para investidores qualificados.

O processo da coleta das propostas ("bookbuilding") começa dia 29 e vai até 13 de abril. (Valor Econômico 23/03/2016)

 

Raízen confirma emissão de CRA de R$ 500 milhões

A Raízen anuncia emissão de R$ 500 milhões em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs). O valor é o mesmo antecipado pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, no início deste mês, em reportagem sobre operações de CRA que estavam para ser anunciadas.

A emissão será em duas séries, com data de vencimento de 16 de maio de 2022 para os títulos remunerados até 101% da taxa DI; e 15 de maio de 2023 no caso do IPCA, com sobretaxa limitada a até 0,25%.

O roadshow se inicia hoje e o procedimento de coleta de intenções de investimento (bookbuilding) está previsto para iniciar dia 29 próximo e encerrar em 13 de abril. O período de reserva vai de 29/03 a 12/04. A data de liquidação financeira dos CRA é 5 de maio, conforme o cronograma publicado em aviso ao mercado.

A operação tem como Securitizadora a RB Capital e como coordenador líder o Bradesco BBI, ao lado de BB-BI, Safra, Santander e XP Investimentos.

A quantidade inicial de títulos pode ser acrescida em 20% em lote adicional e 15% em suplementar, dependendo da demanda dos investidores.

A expectativa do mercado é de que o volume emitido este ano em CRA supere os R$ 6,3 bilhões do ano passado. Até o momento, foram anunciados CRA de BRF, no valor de R$ 1 bilhão, e Suzano, de R$ 500 milhões. (Agência Estado 22/03/2016)

 

Sabe em quanto a Raízen reduziu o custo do CCT nas usinas de cana?

Confira comparativos de preços das safras a partir de 2011.

A Raízen Energia S/A, joint venture da Cosan e da Shell e controladora de 24 usinas de cana-de-açúcar no País, reduziu em 5% o custo do CCT (corte, carregamento e transporte) entre 2011 e 2015.

Na safra de cana 2011/12, a companhia sucroenergética investia R$ 30,4 no CCT por tonelada de cana colhida.

O valor por tonelada caiu para R$ 27,60 na 12/13, manteve-se nesse valor no ciclo 13/14, caiu para R$ 26,90 na 14/15 e atingiu R$ 24,70 na 15/16 (centro de custo 3330)

As informações foram divulgadas por executivos da Raízen Energia no Cosan Day, evento para acionistas da companhia realizado segunda-feira (21/03) na capital paulista.

Menos custo industrial

Conforme a apresentação, a Raízen Energia reduziu também o custo industrial de suas unidades sucroenergéticas em 6% entre 2011 e 2015.

No ciclo 2011/12, o custo industrial por tonelada era de R$ 20,80.

O valor caiu para R$ 19,1 na 12/13; para R$ 17,6 na 13/14; foi para R$ 17,5 na 14/15 e caiu para R$ 16,00 na 15/16. (Jornal Cana 22/03/2016)

 

Tonon entrega plano de pagamento de credores

A Tonon Bioenergia, companhia em recuperação judicial desde dezembro passado, entregou nesta semana à Justiça sua proposta de pagamento de credores. Com três usinas de cana-de-açúcar no Centro-Sul do país, a empresa informava em 30 de setembro, último balanço disponível, débitos de R$ 2,8 bilhões, a maior parte com bondholders que detêm juntos US$ 519 milhões em títulos emitidos pela companhia.

A sucroalcooleira, que tem assessoria jurídica do escritório Felsberg Advogados, propôs pagar os credores com garantia real ­ categoria na qual se enquadram os detentores de US$ 230 milhões em bonds com garantia ­ com um desconto de 5,25% e juros semestrais de 10,5% ao ano a partir de novembro deste ano. Os 94,75% restantes do valor do título serão pagos em maio de 2024. A empresa tem ainda a opção de não pagar os cupons semestralmente e incorporar o montante devido ao valor principal da dívida.

Para os credores quirografários, na qual se enquadram os bondholders dos títulos de US$ 289 milhões sem garantia, a Tonon fez duas propostas. A primeira é de um desconto de 80% no valor da dívida, com pagamento em oito anos, sendo dois de carência. A proposta prevê ainda um pagamento de juros mensais, CDI para créditos em reais e Libor mais 2% para os em dólar, após uma carência de 12 meses.

A segunda opção para esse grupo de credores sem garantia é a conversão de dívida em ações até o limite de 72,5% do capital social da Tonon Bioenergia. A diferença, de 27,5%, ficaria com os atuais acionistas. "Os que optarem por essa alternativa estarão renovando a estrutura de capital da Tonon de forma a readequar a dívida ao tamanho da empresa", explicou o advogado Paulo Fernando Campana Filho, sócio do Felsberg Advogados.

Para os credores considerados "estratégicos", tais como fornecedores de cana, a proposta da Tonon é de amortização em três anos, em parcelas mensais, sendo que 20% seriam pagos durante o primeiro ano, 40% durante o segundo e 40% no terceiro. Essa condições se aplicam no caso dos credores que continuarem o fornecimento para a companhia nas mesmas condições vigentes na data do pedido de recuperação. Aos credores trabalhistas, a Tonon Bioenergia propôs pagar o valor integral em até um ano. (Valor Econômico 23/03/2016)

 

Açúcar: Estímulo do câmbio

O açúcar demerara voltou a subir na bolsa de Nova York ontem.

Os lotes para julho fecharam em alta de 24 pontos, a 16,43 centavos de dólar por libra-peso.

A perda de força do dólar ante o real vem sustentando o açúcar.

A moeda americana mais fraca desestimula as vendas externas da commodity pelos produtores do Brasil (maior fornecedor mundial), porque reduz a rentabilidade das exportações.

Com menos oferta no mercado, os preços tendem a subir.

Mas dados relacionados aos fundamentos também influenciaram as cotações.

Analistas prevêem que a atual safra 2015/16 apresentará o primeiro déficit em seis anos, e que essa condição persistirá em 2016/17.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal ficou em R$ 76,52, queda de 0,18%. (Valor Econômico 23/03/2016)

 

AGCO nega rumores de que Santal estaria à venda

A fabricante de máquinas agrícolas AGCO negou, em nota divulgada ontem (21), rumores de que colocaria à venda sua unidade de equipamentos para a indústria sucroalcooleira.

De acordo com a companhia, após a aquisição da Santal Equipamentos S/A, iniciada em 2012 e finalizada em setembro de 2014, a empresa foi totalmente incorporada pela AGCO e 100% dos produtos da linha canavieira da empresa foram integrados ao portfólio das marcas Valtra e Massey Ferguson, ambas do grupo AGCO.

A linha de produtos voltados para o setor de cana-de-açúcar é produzida, segundo o comunicado, na unidade da AGCO localizada em Ribeirão Preto (SP) e não se encontra à venda. "Por questões estratégicas relacionadas à diversificação do mercado de energia, a companhia reafirma o potencial associado ao processo produtivo da cana-de-açúcar.

Prova disso é que investimos recentemente cerca de R$ 100 milhões na unidade AGCO Ribeirão Preto; lançamos novos produtos e expandimos nossa capacidade fabril; declarou na nota o diretor da AGCO Ribeirão Preto, Ruy Cunha. Cunha acrescentou ainda que mesmo diante dos desafios que o País tem em termos de política agrícola, "o agronegócio é um dos segmentos mais saudáveis da economia brasileira na atualidade". (Agência Estado 21/03/2016)

 

Federação nacional dos plantadores de cana tem novo presidente

A União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida) informou que seu presidente, Alexandre Andrade Lima, assume hoje o comando da Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana). Fundada em 1941, a entidade nacional congrega 70 mil canavieiros das regiões Nordeste e Centro-Sul do país, que são representados por 31 associações distribuídas por 13 Estados. Lima sucede a Paulo Leal, presidente da Associação dos Plantadores de Cana do Paraná.

Em comunicado, Lima destaca que atuará para combater as "discrepâncias" nos conselhos de produtores de cana, açúcar e etanol (Consecana), que definem os preços da cana, e para acelerar a liberação de variedades transgênicas de cana no país. (Valor Econômico 22/03/2016)

 

Kátia Abreu diz que fica no Mapa: "O Brasil não pode parar"

A ministra da Agricultura, Kátia Abreu (PMDB-TO), defendeu a presidente Dilma Rousseff em sua conta no Twitter. "Continuarei escrevendo que acredito na honestidade da presidente Dilma. Até que me provem o contrário. Pedalada não é argumento", afirmou Kátia, assinalando que não aceitará "patrulha" sobre sua posição.

"Enquanto for ministra, continuarei trabalhando pelo agronegócio. O Brasil não pode parar", escreveu a ministra na rede social. "As pessoas produzem, precisam vender os produtos, industrializar, exportar, precisam de crédito, estradas. Continuarei cumprindo meu dever."

Na semana passada, surgiram rumores de que a ministra teria decidido sair do governo antes mesmo da decisão oficial do PMDB, prevista para o fim do mês. Fontes disseram que Kátia Abreu não digeriu a entrada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na equipe presidencial, como ministro da Casa Civil. Na sexta-feira, ela comentou no Twitter que não mencionou "este assunto com ninguém". "São apenas ilações", escreveu.

Nesta segunda-feira, a ministra disse que espera que a Justiça continue fazendo o seu trabalho. "Confio nisto. Tudo será esclarecido e os culpados punidos." Ela criticou as manifestações de ódio na internet. "A Justiça e a urgência nos julgamentos têm que ser para todos". (Agência Estado 21/03/2016)

 

Cooperação Brasil-EUA é estratégica para crescimento do mercado de etanol avançado

O desenvolvimento de um mercado global de biocombustíveis avançados depende do fortalecimento da parceria entre o Brasil, fornecedor do etanol de primeira geração (1G) mais sustentável do mundo, e os Estados Unidos, maior importador do produto brasileiro, classificado como avançado segundo o Padrão de Combustíveis Renováveis existente naquele país. Esta foi uma das mensagens-chaves que a presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina levou ao Senado americano, em Washington, na última quinta-feira (17/03). A presença da entidade na capital americana só foi possível graças à parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) no projeto Brazilian Sugarcane Ethanol, que busca impulsionar as exportações do etanol brasileiro.

Participando do evento "RFS Reform: An Advanced Conversation", que reuniu aproximadamente 60 pessoas, a maioria assistentes legislativos e representantes da indústria de combustíveis nos EUA, a executiva da Unica enfatizou a importância do etanol de cana para a redução das emissões americanas de gases de efeito estufa (GEEs). "Devido ao seu alto poder de mitigação de GEEs, o etanol brasileiro apresenta um desempenho comparável aos biocombustíveis de segunda geração (2G). Isso significa dizer que produto brasileiro sempre terá um papel muito relevante, principalmente na categoria dos biocombustíveis avançados", afirmou.

Segundo o presidente da Associação de Biocombustíveis Avançados (ABA, em inglês), Mike McAdams, o crescimento de um mercado para os avançados necessita de uma regulamentação mais clara por parte do Governo dos EUA, que deveria conceder mais espaço ao biocombustível canavieiro em sua matriz energética. O balanço energético do etanol brasileiro, ou a proporção entre a energia fóssil utilizada para produzi-lo e a energia contida no combustível produzido, é altamente positivo. São nove unidades de energia renovável para cada unidade de energia fóssil utilizada na produção.

De acordo com o World Watch Institute, esse índice é cerca de quase cinco vezes superior ao etanol produzido a partir do milho nos EUA. Considerando este cenário, a ONG National Wildlife Federation, presente no evento realizado em Washington, criticou os dados que mostram a expansão do milho nos EUA. Segundo a instituição, é necessário um ajuste de políticas públicas para diminuir os impactos causados pela expansão da cultura do milho na produção de etanol.

Outro ponto de destaque do encontro foi a posição defendida pelo Instituto Americano de Petróleo (API, em inglês), que declarou ser a favor da extinção do programa de biocombustíveis nos EUA ou de uma completa reforma do mesmo, especialmente no que se refere à mistura de 15% de etanol à gasolina (E15). Segundo o posicionamento da entidade, o E15 causaria danos aos motores dos veículos. O professor da Universidade de Harvard, Jim Stock, ex-integrante do Conselho Econômico do presidente Barack Obama, perguntou a Farina como é o exemplo de alta mistura no Brasil. A presidente da Unica rebateu os argumentos da API, e discorreu sobre os programas E27 e E100 no Brasil.

Para atestar a viabilidade destas duas misturas usadas por quase toda a frota de automóveis nacionais, a executiva fez um relato minucioso sobre os diversos testes feitos em laboratório e nas estradas brasileiras. Os estudos, conduzidos pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), foram auditados pelo Ministério de Minas e Energia (MME). Farina também foi indagada a respeito da infraestrutura de utilização do etanol no Brasil, e explicou que o biocombustível sucroenergético - hidratado e anidro - pode ser encontrado em mais de 38 mil postos de combustíveis espalhados pelo País.

EPA

Durante a sua passagem pelos EUA, a presidente da Unica também esteve na Agência de Proteção Ambiental americana (Environmental Protection Agency - EPA), onde se reuniu com os técnicos responsáveis pelo gerenciamento do Padrão de Combustíveis Renováveis (Renewable Fuel Standard - RFS), conjunto de regras que determina quais são os volumes de etanol de cana consumido nos EUA. "A despeito das dificuldades econômicas vividas pelo Brasil e, consequentemente, pelo segmento sucroenergético, procurei mostrar que somos um setor forte e inovador, tivemos safra e produção recordes, que atendemos um mercado cuja demanda por etanol cresceu incríveis 37%", ressalta.

Questionada sobre a atual produção de etanol 2G brasileiro, a executiva deixou claro a disposição dos produtores brasileiros em continuar investindo na tecnologia e em exportar o produto para os EUA. "Reiteramos nosso interesse de manter a relação cordial e exitosa, deixando claro que esperamos que o papel da cana continue importante dentro do RFS, principalmente por meio de um sinal claro de política pública nesse sentido. E eles sinalizaram que continuarão, sim, contando conosco" conclui Farina. (Unica 22/03/2016)

 

Vantagem do preço paulista diminui em relação à exportação de açúcar

Os preços do açúcar cristal continuam em queda no mercado spot paulista. Na semana passada, o Indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal voltou a fechar na casa dos R$ 76,00/sc de 50 kg, patamar que não era observado desde a primeira quinzena de novembro. A pressão vem, principalmente, do início antecipado da moagem da safra 2015/16 por parte de algumas usinas paulistas.

Além disso, as chuvas neste mês têm sido rápidas, não interrompendo a colheita da cana-de-açúcar por longos períodos. A demanda, por sua vez, segue relativamente baixa. Na sexta-feira, 18, o Indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal cor Icumsa entre 130 e 180, mercado paulista, fechou a R$ 76,29/saca de 50 kg, baixa de 1,92% em relação à sexta anterior, 11.

Já no mercado internacional, os valores seguem em alta, impulsionados pela menor produção mundial de açúcar, em decorrência de problemas climáticos enfrentados principalmente por países asiáticos. A consultoria F.O. Licht elevou a previsão de déficit global de açúcar de 6,5 milhões de toneladas para 7,2 milhões de toneladas.

Os embarques da Tailândia – segundo maior exportador global – nesta temporada devem ser 20% inferiores aos da safra passada, somando cerca de 7,1 milhões de toneladas, segundo o Escritório do Conselho de Cana e Açúcar do país. Já o Brasil exportou 4,199 milhões de toneladas de açúcar de janeiro a fevereiro deste ano, volume 22,4% superior ao do mesmo período do ano passado, segundo a Secex.

De sexta a sexta, o contrato nº 11 de açúcar demerara (Maio/16) da ICE Futures (Bolsa de Nova York) subiu 5,55%, fechando a 15,97 centavos de dólar por libra-peso no dia 18. Em Londres (Euronext Liffe), o contrato de açúcar refinado com vencimento em Maio/16 avançou 4,01% de sexta a sexta, fechando a US$ 450,80/tonelada.

Com preços internos em queda e os externos em alta, a vantagem da venda do cristal no spot paulista frente às exportações diminuiu para menos da metade do verificado na semana anterior. Cálculos do Cepea mostram que, de 14 a 18 de março, o açúcar cristal no spot paulista proporcionou rendimento 4,48% maior que a exportação – na semana anterior, a vantagem era de 10%. Enquanto a média semanal do Indicador de Açúcar Cristal CEPEA/ESALQ foi de R$ 77,06/sc, as cotações do contrato nº 11 da ICE Futures, com vencimento em Maio/16, equivaleriam a R$ 73,76/sc. Para esse cálculo, foram consideradas as médias semanais de US$ 52,07/t de fobização, de US$ 80,59/t de prêmio de qualidade e dólar a R$ 3,677.

O Indicador de Açúcar Cristal Esalq/BVMF, referente ao produto posto no porto de Santos ou com custos equivalentes, sem impostos, cor Icumsa máxima de 150, que inclui vendas domésticas e para exportação, caiu 0,53% na semana, fechando a sexta-feira, 18, a R$ 76,92/saca 50 kg.

No mercado atacadista do estado de São Paulo, o Indicador de Cristal Empacotado fechou a R$ 8,9330/saca de 5 kg na sexta-feira, baixa de 1,43% sobre a sexta anterior. Já o açúcar refinado amorfo fechou a R$ 2,2195/saca de 1 kg, alta de 1,47% no mesmo período.

No Nordeste, as negociações seguem lentas, com algumas usinas fora de mercado. Segundo colaboradores do Cepea, a demanda retraída e também a entrada do açúcar do Centro-Sul no Nordeste tem reduzido as negociações envolvendo o cristal da região.

No mercado de etanol, o Indicador semanal Cepea/Esalq do anidro combustível caiu 0,56% e o do hidratado, 1,01% em relação à semana anterior. Frente ao açúcar cristal, que acumulou queda de 1,92% entre as duas sextas-feiras, cálculos do Cepea mostram que o açúcar remunerou 24,23% a mais que o anidro e 25,92% a mais que o hidratado. (Agência Estado 22/03/2016)

 

Mercado de etanol segue ritmo lento da economia nacional

O mercado paulista de etanol segue no compasso lento da economia brasileira. Desde meados de janeiro, os Indicadores semanais dos etanóis hidratado e anidro não apresentam variações superiores a 2%, seja para cima ou para baixo. Esse comportamento dos preços reflete a manutenção da demanda em patamar relativamente baixo num período em que a oferta também é limitada. Ainda que algumas usinas estejam em atividade, o primeiro trimestre é tipicamente de entressafra na região Centro-Sul.

Na terceira semana de março (entre 14 e 18), especificamente, o Indicador Cepea/Esalq do hidratado (estado de São Paulo) teve média de R$ 1,933/litro (sem impostos, a retirar), queda de 1,01% em relação à semana anterior. No mesmo sentido, o Indicador do anidro registrou baixa de 0,56%, a R$ 2,0849/litro (sem impostos, a retirar).

Nesse período, as negociações envolvendo o etanol hidratado estiveram lentas, já que grande parte das distribuidoras trabalha com estoques reduzidos, adquirindo apenas de forma pontual. Representantes de distribuidoras relatam que a demanda, de fato, está desaquecida.

Do lado vendedor, tem aumentado o número de usinas que ofertam etanol no spot paulista, tanto de estoques quanto de moagem recente. O início antecipado da nova temporada por parte de algumas usinas é motivado pelo volume de cana bisada e também pelo preço atual.

Influenciado também pela entrada de etanol de outros estados no mercado paulista, o Indicador diário do hidratado ESALQ/BM&FBovespa posto Paulínia teve queda de 2,8% ao serem comparadas as duas últimas sextas-feiras, indo para R$ 1.843,50/m³ no dia 18.

Nos postos, o preço do hidratado se mantém acima dos 70% do valor da gasolina em todos os estados brasileiros. Segundo informações da ANP referentes ao intervalo de 13 a 19 de março, a cotação média do hidratado foi de R$ 2,742/l em São Paulo, correspondendo a 76,8% do valor do combustível fóssil (R$ 3,572/l). Em São Paulo, a gasolina se mostra mais favorável que o hidratado desde a primeira semana de novembro.

Conforme cálculos do Cepea, na última semana, o açúcar remunerou 24% a mais que o anidro e 26% que o hidratado no mercado paulista. Comparando-se os dois tipos de etanol, o anidro teve vantagem de 2%. O preço médio do etanol anidro que seria equivalente ao do açúcar cristal foi calculado em R$ 2,5901/litro (sem impostos). Para obter equiparação com o açúcar, o hidratado precisaria ter tido média de R$ 2,4340/litro (sem impostos). O preço do etanol hidratado que seria equivalente ao do anidro teria que ser de R$ 1,9683/litro (sem impostos).

Na Bolsa de Chicago (CME/CBOT), o contrato de etanol anidro combustível desnaturado (primeiro vencimento – Abril/16) caiu 0,35% na comparação das últimas duas sextas-feiras, com média de US$ 1,4344/galão (US$ 378,97/m3) no período. Já na New York Mercantile Exchange (Nymex), o contrato futuro de crude oil com vencimento em Abril/16 teve média semanal de US$ 38,32/barril, aumento de 2,44%. (Agência Estado 22/03/2016)

 

BR Distribuidora termina 2015 com prejuízo de R$ 1,2 bilhão

Subsidiária passou a sofrer a concorrência de importadores com a manutenção do preço da gasolina e o diesel acima do praticado no mercado externo.

A BR Distribuidora, considerada pela Petrobrás um dos seus bens mais atrativos entre os que negociam a venda, registrou prejuízo de R$ 1,2 bilhão em 2015. Desde que a Petrobrás decidiu manter os preços da gasolina e do óleo diesel superiores aos praticados no mercado externo, a BR passou a sofrer a concorrência de importadores e perdeu participação de mercado. A empresa ainda é afetada pela retração do comércio de combustíveis no Brasil por conta do desaquecimento da economia.

A manutenção dos preços dos combustíveis em patamares elevados é favorável à contabilidade da Petrobrás controladora, mas prejudica o resultado da sua subsidiária de distribuição. Em 2015, melhoraram as margens da área de Abastecimento da Petrobrás, responsável pelas refinarias que fornecem à BR Distribuidora, informou o gerente-executivo de Relações com Investidores, Lucas Tavares de Mello, em teleconferência com analistas.

No mesmo período, no entanto, o resultado da BR caiu 3,4% no último ano, frente ao lucro de R$ 2,1 bilhões de 2014, por conta do "menor volume de venda", disse o executivo.

De dezembro de 2014 a igual mês do ano passado, a BR perdeu participação de mercado, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). No mercado de gasolina, a queda foi de 28,5% para 27,7%. Já no segmento de óleo diesel, foi de 38,52% para 37,23%. Saíram ganhando a Ipiranga, do Grupo Ultra, e a Raízen, uma parceria da Shell com a Cosan, que expandiram suas participações. A BR ainda decaiu nos mercados de querosene de aviação (QAV) e solventes. (O Estado de São Paulo 22/03/2016)

 

Odebrecht decide fazer "colaboração definitiva" com Lava Jato

A Odebrecht, maior empreiteira do país e um dos principais alvos da operação Lava Jato, anunciou na noite desta terça-feira que decidiu fazer "uma colaboração definitiva" com as investigações sobre um esquema bilionário de corrupção envolvendo a Petrobras, partidos políticos e grandes empreiteiras.

"As avaliações e reflexões levadas a efeito por nossos acionistas e executivos levaram a Odebrecht a decidir por uma colaboração definitiva com as investigações da Operação Lava Jato", afirmou a empresa em nota, no mesmo dia em que foi alvo principal de mais uma fase da operação Lava Jato.

A decisão da Odebrecht de colaborar com os procuradores da Lava Jato deve trazer mais revelações, já que a empresa é uma importante doadora para campanhas eleitorais, ajudando a financiar a campanha de políticos de vários partidos, além de ter uma série de contratos com o poder público.

"A empresa, que identificou a necessidade de implantar melhorias em suas práticas, vem mantendo contato com as autoridades com o objetivo de colaborar com as investigações, além da iniciativa de leniência já adotada em dezembro junto à Controladoria Geral da União", acrescenta a nota.

O ex-presidente da empresa, Marcelo Odebrecht, é um dos condenados pela operação Lava Jato e está preso desde meados do ano passado em Curitiba, onde o juiz federal Sérgio Moro concentra os processos ligados à operação.

O advogado Nabor Bulhões, que representa Marcelo Odebrecht e do grupo Odebrecht, disse à Reuters por telefone que o acordo de colaboração da empresa com o Ministério Público inclui uma "cláusula de abrangência de seus funcionários e executivos que queiram e que tenham com que colaborar com as investigações".

Ele afirmou que fazer acordos de delação premiada será uma decisão pessoal dos funcionários e executivos da companhia, entre eles Marcelo Odebrecht.

A Polícia Federal lançou nesta terça-feira a 26ª fase da operação, na qual a Odebrecht é acusada de realizar pagamento sistemático de propinas por meio de um setor especializado para obter contratos em várias áreas de atuação da empresa, além do esquema envolvendo a Petrobras.

As investigações apontaram que havia dentro da Odebrecht uma área profissionalmente organizada para pagamentos ilegais, chamada “setor de operações estruturadas", que incluía o pagamento de vantagens indevidas a servidores públicos, além da propina milionária paga pela empreiteira por contratos com a estatal de petróleo que é o foco principal da Lava Jato.

O esquema foi utilizado pelo menos até o segundo semestre de 2015, segundo as investigações, que apontaram que Marcelo Odebrecht não apenas tinha conhecimento dos pagamentos ilícitos em outras áreas, como também comandava diretamente o esquema.

FINANCIAMENTO POLÍTICO

Na nota, a Odebrecht se exime de "responsabilidade dominante" pelos fatos apurados na Lava Jato e diz haver um sistema ilegal e ilegítimo de financiamento de campanhas e partidos.

"Apesar de todas as dificuldades e da consciência de não termos responsabilidade dominante sobre os fatos apurados na Operação Lava Jato --que revela na verdade a existência de um sistema ilegal e ilegítimo de financiamento do sistema partidário-eleitoral do país-- seguimos acreditando no Brasil", disse a empreiteira na nota.

Marcelo Odebrecht foi condenado a 19 anos e quatro meses de prisão pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa em uma ação penal da Lava Jato. (Reuters 22/03/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Estímulo do câmbio: O açúcar demerara voltou a subir na bolsa de Nova York ontem. Os lotes para julho fecharam em alta de 24 pontos, a 16,43 centavos de dólar por libra-peso. A perda de força do dólar ante o real vem sustentando o açúcar. A moeda americana mais fraca desestimula as vendas externas da commodity pelos produtores do Brasil (maior fornecedor mundial), porque reduz a rentabilidade das exportações. Com menos oferta no mercado, os preços tendem a subir. Mas dados relacionados aos fundamentos também influenciaram as cotações. Analistas prevêem que a atual safra 2015/16 apresentará o primeiro déficit em seis anos, e que essa condição persistirá em 2016/17. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal ficou em R$ 76,52, queda de 0,18%.

Suco de laranja: Disparada em NY: O suco de laranja disparou ontem na bolsa de Nova York, em meio à falta de novidades ligadas aos fundamentos. Os contratos com vencimento em julho fecharam em alta de 580 pontos, a US$ 1,3380 por libra-peso. No início de março, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) elevou a previsão de produção de laranja na Flórida, que tem o segundo maior pomar de citros do mundo, atrás de São Paulo, em 2,9%, para 71 milhões de caixas nesta safra 2015/16. Ainda assim, é o menor volume em pelo menos 50 anos. Porém, a demanda enfraquecida, sobretudo nos países desenvolvidos, dificulta uma reação sustentada dos preços do suco. No mercado spot de São Paulo, a caixa de 40,8 quilos da laranja destinada à indústria permaneceu estável em R$ 14,11, conforme o Cepea/Esalq.

Soja: Na esteira do óleo: Os preços futuros da soja em grão registraram ganhos ontem na bolsa de Chicago, na esteira da valorização de seus derivados, caso do óleo de soja. Os contratos para julho fecharam em alta de 8,75 centavos, a US$ 9,17 por bushel. As cotações do óleo de soja avançam desde o início de março, em meio aos temores com a oferta do concorrente óleo de palma, cuja produção na Malásia foi prejudicada pelo clima seco este ano. Mas analistas dizem que a valorização da soja é limitada pelos estoques abundantes da commodity nos EUA. Na América do Sul, a colheita da oleaginosa evolui, e os relatos indicam rendimentos acima do previsto inicialmente. No oeste da Bahia, a saca de soja foi negociada a R$ 62,50, conforme a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba).

Milho: Movimento técnico: O milho registrou variação pouco expressiva na bolsa de Chicago ontem, em meio a movimentos técnicos guiados por especuladores. Os lotes para julho fecharam com alta de 0,50 centavo, a US$ 3,7475 por bushel. Investidores ainda detêm uma posição vendida (que indica a aposta na queda dos preços) quase recorde no milho em Chicago, e parte deles continuou ontem a cobrir essas posições para reduzir o risco, caso a escalada nos preços da commodity persista. Entretanto, a alta do milho é limitada pelos temores de que essa recente valorização torne o grão produzido nos EUA menos competitivo no mercado internacional, desacelerando a demanda pelo produto. No Paraná, a saca de 60 quilos do grão ficou em R$ 35,46, avanço de 1,03%, conforme o Deral/Seab. (Valor Econômico 23/03/2016)