Setor sucroenergético

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Sumitomo e DuPont procuram sócio para substituir Dedini

A Sumitomo e a DuPont estariam costurando a criação de uma joint venture voltada à produção de etanol de milho no Brasil. As duas empresas negam as negociações.

Não custa lembrar que a DuPont procura um sócio para o projeto há mais de um ano, desde que a Dedini, parceira original, entrou em recuperação judicial. (Jornal Relatório Reservado 28/03/2016)

 

Açúcar: Tombo em NY

 A continuidade do movimento de valorização do dólar em relação ao real levou os contratos futuros do açúcar a registrarem forte queda na quinta-feira na bolsa de Nova York, no dia 25, sexta-feira Santa, não houve sessão.

Julho fechou a 15,88 centavos de dólar por libra-peso, em baixa de 71 pontos em relação à quarta-feira.

Conforme analistas, um movimento de ajuste de posições depois das altas das semanas anteriores também colaborou para o tombo.

Mas o espaço para novas retrações é limitado, em virtude das perspectivas de produção menor que a demanda no mercado internacional nos ciclos 2015/16 e 2016/17.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal subiu 0,63% na quinta-feira, para R$ 76,82. (Valor Econômico 28/03/2016)

 

Cade aprova sem restrições compra de até 20% da Cosan Biomassa pela Sumitomo

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou sem restrições investimento da Sumitomo Corporation para comprar uma fatia de até 20 por cento do capital da Cosan Biomassa, do grupo Cosan.

O negócio de até 70 milhões de reais foi anunciado no fim de fevereiro.

De acordo com documento do Cade, o investimento da Sumitomo será feito por meio da subscrição de novas ações ordinárias, compreendendo até 20 por cento do capital total e votante da Cosan Biomassa, sendo 12,5 por cento na data do fechamento da transação e 7,5 por cento como investimento adicional, uma vez cumpridas condições estabelecidas em contrato. (Reuters 24/03/2016)

 

Concentração bancária agrava restrição de crédito a empresas

Não é só da falta de crédito que empresários de todos os setores e portes têm se queixado na atual crise. É também da falta de bancos. Em meio à saída de instituições financeiras estrangeiras do Brasil, ao encolhimento dos bancos médios e à falta de capital dos bancos públicos, empresas brasileiras têm visto sumir o número de portas para bater em busca de dinheiro.

A redução do número de bancos na ativa ajuda a amplificar os efeitos da atual escassez de crédito, resultado do temor das instituições em emprestar e não receber. (Valor Econômico 28/03/2016)

 

Abengoa faz acordo com 75% dos credores e evita entrada em processo de falência

A empresa espanhola Abengoa chegou a um acordo com os credores que pode evitar a falência do grupo que atua nos setores de construção e energia. Em comunicado, a empresa anunciou nesta manhã que 75,04% dos credores concordaram com um contrato de espera, mais conhecido como standstill, que suspende temporariamente o vencimento antecipado de empréstimos e o exercício de alguns direitos de resolução previstos em contrato.

O acordo alcançado pela empresa espanhola teve apoio superior ao mínimo necessário de 60% dos credores para ser colocado em prática. Com esse apoio majoritário, as condições aceitas pelo grupo serão aplicadas a todos os demais credores da empresa.

O apoio dos credores "será um passo chave no processo de reestruturação da Abengoa e permite à empresa levar a cabo o plano de viabilidade econômica e financeira", informou a companhia. Esse novo plano está sendo costurado e, segundo a imprensa espanhola, deve ser colocado em prática a partir de maio ou junho. Quando isso acontecer, uma nova direção tomará posse e passará a gerir a companhia.

O acordo de reestruturação reduzirá a participação acionária dos atuais controladores e deve incluir injeção de capital entre 1,5 bilhão e 1,8 bilhão de euros em horizonte de cinco anos. Os responsáveis por essa injeção de capital devem ter o controle do grupo após a reestruturação. A espanhola Abengoa tem vários projetos em andamento no Brasil, inclusive uma linha de transmissão que distribui energia elétrica de Belo Monte para alguns Estados do Nordeste. (Cana Online 28/03/2016)

 

Mais biodiesel na mistura dá ânimo ao setor Biodiesel

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) elogiou a lei 3.834/2015, que estabelece um cronograma para o aumento da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel fóssil, sancionada pela presidente Dilma Rousseff. A Abiove projetou, ainda, que a nova legislação levará a uma maior procura interna por óleo de soja.

"Foi uma lei bastante produtiva no sentido de dar uma nova perspectiva para a produção de biodiesel, culminando com o B10 e depois o B15, cada um com validação dos respectivos testes de motores", disse o gerente de Economia da Abiove, Daniel Furlan Amaral. "Representa com certeza um aumento da demanda por óleo de soja e uma perspectiva mais favorável para o esmagamento no Brasil."

Pela nova legislação, a mistura obrigatória de biodiesel no diesel passa de 7% para 8% até 2017. No ano seguinte, o porcentual sobe para 9% e, em 2019, chegará a até 10% (o B10). A mistura poderá chegar a até 15% (B15), desde que haja testes em motores e aprovação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o óleo de soja representa a maior parte da matéria-prima do biodiesel no Brasil, em torno de 77%. (Jornal do Comércio 28/03/2016)

 

EUA podem barrar compra da Syngenta pela ChemChina

A oposição dos Estados Unidos à maior aquisição de uma empresa estrangeira por uma chinesa está crescendo. Um grupo de senadores do Cinturão Agrícola americano está dizendo que a venda, por US$ 43 bilhões, da gigante de sementes e pesticidas Syngenta AGpara a China National Chemical Corp. pode representar riscos para a segurança do abastecimento de alimentos dos EUA.

O senador republicano Chuck Grassley lançou uma campanha pública contra a oferta apresentada pela ChemChina, como a empresa chinesa é conhecida, para comprar a Syngenta, dizendo que o governo precisa garantir que “nós não estamos permitindo a venda de grande parte da nossa indústria de alimentos, especialmente quando entidades controladas por governos como a ChemChina são os compradores.”

Numa entrevista ao The Wall Street Journal, Grassley disse que ele e um grupo bipartidário de senadores planejam buscar um papel formal para o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) na investigação do acordo já anunciada pelo Comitê de Investimento Estrangeiro nos EUA (CFIUS), ligado ao Departamento do Tesouro. Os legisladores querem que a segurança alimentar e riscos à cadeia de suprimentos sejam analisados, além dos fatores militares e de inteligência, disse Grassley.

A Syngenta, que tem sede na Suíça, gera cerca de 25% das suas vendas na América do Norte, onde ela é uma das principais vendedoras de pesticidas e fornece cerca de 10% das sementes de soja e 6% das de milho nos EUA.

Os comentários do senador aumentam as ameaças ao acordo, que ainda é visto com ceticismo pelos investidores. O USDA já havia expressado preocupações sobre o potencial impacto do negócio ao setor agrícola do país.

A ChemChina fechou o acordo com a Syngenta em fevereiro, unindo-se a uma série de transações fechadas entre gigantes mundiais dos agronegócios no setor de pesticidas e sementes, que movimenta US$ 100 bilhões ao ano.

“Não estou dizendo que o investimento estrangeiro é intrinsicamente ruim”, disse Grassley.

“Nós precisamos considerar as implicações de longo prazo de deixar entidades estrangeiras controlarem uma fatia de mercado significativa da agricultura americana, especialmente em mercados consolidados, como é o de sementes” hoje, disse ele.

O CFIUS é composto por representantes de 16 departamentos e agências do governo americano, incluindo o Tesouro, a agência de Segurança Nacional e o Departamento de Defesa, mas não inclui o USDA. O CFIUS tem um histórico de barrar compras de ativos americanos por empresas estrangeiras que considera um risco para a segurança nacional.

Grassley disse que ele e outros senadores querem funções permanentes no CFIUS para o USDA e a FDA, a agência que regula alimentos e remédios nos EUA. Os dois órgãos são incumbidos de manifestar sua visão sobre fusões, avaliar questões como segurança alimentar e aspectos de segurança de negócios envolvendo estrangeiros, mas não de forma frequente.

Grupos de produtores e empresas agrícolas dos EUA têm reclamado também que o processo na China para avaliar e aprovar produtos agrícolas como sementes geneticamente modificadas diverge do de outras grandes economias, o que às vezes leva a longos atrasos no caso de sementes envolvendo alta tecnologia e causa interrupções no comércio.

O secretário do Departamento de Agricultura dos EUA, Thomas Vilsack, disse em fevereiro que o setor agrícola americano tem enfrentado “inconsistência” e “falta de sincronização” no que se refere à obtenção da aprovação de Pequim para que a China possa importar cultivos biotecnológicos. A China é um dos maiores mercados compradores de commodities agrícolas.

Uma porta-voz da USDA não quis fazer comentários adicionais. Uma porta-voz do Departamento do Tesouro, que responde pelo CFIUS, não quis comentar. Representantes da ChemChina e do Ministério da Agricultura chinês não responderam a pedidos de comentários.

Outros legisladores de Estados agrícolas importantes dos EUA têm suas próprias reservas.

“Sempre que os chineses compram operações americanas, é motivo de preocupação”, disse o deputado do Estado de Nebraska pelo partido Republicano, Jeff Fortenberry, em uma declaração recente ao WSJ. O deputado Adrian Smith, também do Nebraska, declarou ao WSJ que tinha “ainda muitos detalhes” a ser avaliados. “Eu planejo examinar de perto quaisquer implicações potenciais à segurança nacional.”

Um porta-voz da Syngenta não quis comentar sobre a análise do CFIUS.

O presidente do conselho da Syngenta, Michel Demaré, disse em fevereiro que a empresa não espera ter nenhum tratamento preferencial pelas autoridades agrícolas chinesas e que o negócio com a ChemChina poderia ajudar a indústria ocidental de sementes ao abrir mais o país para culturas biotecnológicas. A China atualmente permite essas sementes para as culturas de algodão, papaia, pimentão e tomate. “Estamos bem convencidos de que não há uma questão de segurança”, disse Demaré.

Os investidores ainda não consideram a fusão como algo certo.

As ações da Syngenta subiram ontem para 399,10 francos suíços e, desde o anúncio do negócio, têm sido negociadas bem abaixo do valor oferecido pela ChemChina em sua proposta de compra, equivalente a 480 francos suíços por ação.

A ChemChina e a Syngenta começaram voluntariamente a revisão do CFIUS após o anúncio do negócio. O processo formal normalmente leva 75 dias. As empresas esperam fechar o acordo até o fim deste ano.

As empresas chinesas estão cada vez mais buscando ativos no exterior, o que leva o CFIUS a investigar os acordos.

Em janeiro, a holandesa Royal Philips NV desistiu de vender 80% da sua unidade de componentes de iluminação para um investidor chinês depois que o CFIUS barrou o negócio, alegando questões de segurança nacional. As americanas Fairchild Semiconductor International e a Pericom Semiconductor Corp. recusaram propostas de compra apresentadas por firmas chinesas, receosas de um parecer negativo do CFIUS. (The Wall Street Journal 24/03/2016)

 

Vitória para o agronegócio do Brasil na OMC

Pode não ter sido manchete à época, mas em dezembro de 2015 o Brasil obteve grande vitória para o seu agronegócio nas negociações comerciais. Reunidos em Nairóbi, os membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) finalmente concordaram em proibir o uso de subsídios à exportação na agricultura.

Por muitos anos, produtores agrícolas no Brasil e em outros países em desenvolvimento foram prejudicados por essa prática, que faz com que produtores menos eficientes sejam subsidiados pelos seus governos para venderem bens agrícolas no mercado internacional. Como consequência, os preços internacionais tornam-se artificialmente baixos, prejudicando produtores mais competitivos, como os do Brasil.

Ao colocar um ponto final nesses subsídios, a OMC obteve a mais significativa reforma comercial na área agrícola em mais de duas décadas, atendendo a uma demanda antiga de países como o Brasil. A decisão trará ganhos concretos, por exemplo, para os exportadores de açúcar, carne suína e frango, produtos para os quais subsídios às exportações ainda são frequentes. Mesmo que, na prática, a concessão desse tipo de subsídio tenha caído nos últimos anos, a decisão de Nairóbi impede que no futuro eles sejam retomados. Certamente, ainda há muito espaço para reduzir distorções no mercado agrícola, mas Nairóbi representa um grande passo.

Essa decisão histórica ocorre na sequência de outro grande marco nas negociações da OMC: a conclusão do Acordo de Facilitação de Comércio (AFC), no fim de 2013. O AFC ajudará a remover a burocracia que ainda atrapalha o fluxo de mercadorias nas fronteiras. A implementação total do acordo poderá reduzir os custos de comércio em cerca de 15% em média, além de aumentar as exportações globais em até US$ 1 trilhão por ano. Seu impacto comercial será maior do que se houvesse a eliminação de todas as tarifas de importação hoje existentes mundo afora.

A OMC precisa que 2/3 de seus membros ratifiquem o AFC para que ele entre em vigor. Numa decisão que merece ser comemorada, o Congresso brasileiro aprovou o acordo no dia 3 de março. Com isso, o Brasil está muito próximo de se juntar ao grupo de mais de 70 países que já o ratificaram.

Esses sucessos recentes estão mudando os rumos do debate sobre o comércio internacional. Muita atenção tem sido dedicada aos acordos megarregionais negociados fora da OMC. Mas o fato é que esses esforços não precisam ser feitos em detrimento da OMC. Tampouco a atenção dada à OMC precisa ocorrer em prejuízo de outras negociações. Os temas recentemente negociados com sucesso na organização, caso tivessem sido tratados no nível regional, teriam, no melhor cenário, gerado resultados econômicos mais limitados ou, mais provavelmente, não teriam gerado acordo algum. Esses resultados positivos tiveram de ser assegurados no plano global pela OMC. Isso mostra a relevância da organização e prova que o comércio pode avançar em frentes distintas e ao mesmo tempo. O que precisamos garantir é que as diferentes iniciativas comerciais complementem umas às outras.

Na OMC, o atual debate é sobre quais temas avançar a partir de agora. Assuntos importantes para o Brasil continuam na mesa de negociação, como acesso a mercados e subsídios domésticos na área agrícola. Alguns se perguntam se a OMC não deveria começar a olhar para outras questões que ganham importância atualmente, entre elas, por exemplo, economia digital, investimentos ou a participação de empresas de menor porte no comércio.

Esse debate vai determinar o futuro das negociações globais de comércio. Este é, portanto, um momento crucial. O Brasil deve assegurar que a OMC continue concluindo acordos que beneficiem o País, e que também apoiem o crescimento econômico e o desenvolvimento em nível global. Temos de seguir colhendo resultados positivos na OMC e, ao mesmo tempo, plantar as sementes para o futuro do comércio internacional. (O Estado de São Paulo 26/03/2016)

 

Fornecedores projetam produzir 3,1 milhões de toneladas de cana em MS

Os agricultores integrantes da Associação dos Fornecedores de Cana-de-Açúcar Sul-Mato-Grossense (Sulcanas) projetam colher 3,1 milhões de toneladas do produto na nova safra do segmento, a 2016/2017, que deve começar a ser colhida no mês de abril.

Atualmente, a instituição conta com 31 associados, provenientes de Angélica, Caarapó, Deodápolis, Maracaju, Nova Alvorada do Sul e Novo Horizonte do Sul. A Sulcanas foi fundada em 2008 e tem como presidente, Luis Alberto Moraes Novas, diretor-tesoureiro do Sistema Famasul e presidente da Fundação MS.

A previsão foi apresentada na reunião da entidade realizada na sede do Sistema Famasul, em Campo Grande. O volume projetado, conforme a Sulcanas, representa aproximadamente 7% do volume que deverá ser colhido no estado no próximo ciclo que é de cerca de 45 milhões de toneladas. (G1 28/03/2016)

 

Controle de preços da Petrobras: chegou a hora de pagar a conta

Mesmo após a liberalização dos preços dos derivados em janeiro de 2003, o governo continuou controlando os preços através da Petrobras. A partir do argumento de que buscava-se evitar a internalização no Brasil da volatilidade dos preços do petróleo no mercado internacional, o governo Brasileiro utilizou o controle dos preços dos derivados nas refinarias como instrumento de política econômica.

A partir do momento que os preços do petróleo internacional dispararam atingindo mais de 100 dólares em 2007, esta política teve um enorme impacto econômico na Petrobras. Uma avaliação do alinhamento dos preços dos principais derivados (gasolina, Diesel e GLP) entre 2007 e 2015 em relação aos preços internacionais mostra que os brasileiros pagaram gasolina, diesel e GLP abaixo do que cobrava o mercado internacional na maioria do período. O valor das perdas acumuladas por vender combustíveis abaixo do mercado internacional foi muito superior ao dos ganhos dos períodos em que a empresa vendeu produtos aqui acima do mercado internacional.

Os gráficos 1 e 2 abaixo mostram a evolução dos preços da gasolina e diesel nas refinarias do Brasil e no mercado spot americano entre 2007 e janeiro de 2016. Estes gráficos não deixam dúvidas de que a Petrobras não praticou um alinhamento de preços na última década. Quando avaliamos todo o período, fica claro que não só a duração dos períodos em que os preços ficaram abaixo do mercado internacional foi maior, mas também que os diferenciais de preços foram mais elevados nos períodos em que os preços praticados foram inferiores ao mercado internacional.

Vale ressaltar ainda que as perdas com GLP também foram expressivas. Entre junho de 2009 e novembro de 2014 o preço do GLP residencial ficaram muito inferior ao preço internacional. O mesmo ocorreu para o óleo combustível, que passou a ser vendidos no Brasil com desconto em relação ao mercado internacional a partir de 2009.

O Gráfico 3 abaixo apresenta uma estimativa das perdas mensais de receita pela Petrobras. Os valores positivos são perdas por vender gasolina, diesel e GLP no Brasil a preços mais baixos que o mercado internacional. Os valores negativos são os ganhos referentes aos períodos em que os preços destes produtos estavam acima do mercado internacional. Como pode ser observado, o Diesel é o produto que mais contribui para as perdas ou ganhos. Em seguida vem a gasolina e por último o GLP.

Mas a melhor maneira de se analisar os efeitos da política de controle de preços sobre a Petrobras é avaliar o valor das perdas e ganhos acumulados. O Gráfico 4 apresenta a evolução destas perdas acumuladas. Podemos observar que as perdas acumuladas atingiram o incrível patamar de 56,5 bilhões de dólares em outubro de 2014. Este valor equivale a mais da metade da dívida líquida da Petrobras. Ou seja, se o governo brasileiro tivesse deixado a Petrobras praticar preços de mercado no Brasil, a empresa certamente não teria perdido se grau investimento pelas agendas de avaliação de risco. O tamanho dos desafios que a empresa estaria enfrentando neste momento de crise do mercado internacional do petróleo seria muito menor.

Se por um lado é importante tirar uma lição sobre os enormes impactos negativos desta política sobre a Petrobras para buscas novas alternativas de política setorial, por outro a situação econômica dramática da Petrobras neste momento requer reflexão de todos sobre a “dívida” que os consumidores e/ou o governo têm com a empresa.

A partir de novembro de 2014, os preços domésticos estiveram acima dos praticados no mercado internacional. Isto permitiu reduzir o valor das perdas acumuladas após 2007 de US$56,5 bilhões em outubro de 2014 para US$49 bilhões em dezembro de 2015. Ainda que pequena em relação ao valor total acumulado, esta recuperação de recursos foi fundamental para evitar uma situação econômica ainda pior da Petrobras. Ou seja, os consumidores começaram a “pagar a dívida” com a Petrobras numa boa hora.

Numa hipótese irrealista de que os preços dos derivados e câmbio se mantenham no patamar atual, a Petrobras levaria cerca de 10 anos para recuperar as perdas impostas à empresa pelo controle de preços na década passada. Certamente, a política de precificar produtos no mercado Brasileiro acima do mercado internacional por um longo período de tempo não seria sustentável economicamente, considerando o atual contexto de abertura do mercado. Esta política atrairia novos importadores que colocaria em xeque a participação da Petrobras no mercado.

Assim, é necessária uma reflexão das autoridades energéticas e da sociedade brasileira sobre este tema. A situação econômica da Petrobras continua muito difícil e o governo/consumidores têm uma a “dívida” com a Petrobras. No momento em que a empresa se debate para sair da maior crise econômica da sua história, cabe a pergunta: como fica os US$50 bilhões que faltam?. (Blog Infopetro 28/03/2016)

 

Açúcar: Mercado fica pesado e realiza fortemente

Um mercado que sobe 430 pontos em pouco mais de um mês (16.75-12.50) estava fadado a um ajuste de preços e tomada de lucro. Foi isso que aconteceu. O vencimento maio/2016 encerrou a quinta-feira a 15.87 centavos de dólar por libra-peso uma desvalorização na semana de apenas 10 pontos, no entanto, o colapso nos preços no último pregão da semana, desvalorizando mais de 5%, com o mercado caindo de 16.75 para 15.78 demonstra que o mercado estava pesado demais. Os demais meses de vencimento fecharam praticamente inalterados. Ou seja, tudo que o mercado subiu ao longo da semana devolveu no pregão de quinta-feira com acentuada desvalorização de 88 pontos.

Além de ter subido fortemente e muito rapidamente, o fato é que a desvalorização do real na semana atraiu novas fixações de preços. O fechamento da quarta-feira mostrava mais de R$ 1.400 por tonelada (se pegarmos NY negociado a 16.71 centavos de dólar por libra-peso e o real a 3.6765), ou seja, um preço recorde. Acredito que muitos negociadores se deram conta de que os preços estavam absurdamente vantajosos e saíram fixando no dia seguinte incentivados por um real mais fraco. Ainda assim, o fechamento de quinta-feira mostrava R$ 1.340 por tonelada o que me leva a crer que NY poderá continuar a cair (dependendo do desempenho do real) mais uns 3-4%.

Os sinais de que precisávamos para consolidar a alta robusta do mercado de açúcar em NY não se confirmaram porque o mercado físico continua devagar e o enfraquecimento dos spreads demonstra que os participantes do mercado já não acreditam em falta de disponibilidade de açúcar para maio.

Por outro lado, a queda na venda de etanol hidratado pode colocar ainda mais pressão no início de safra e mudar a equação uma vez que o açúcar em NY ainda é mais vantajoso para a usina do que o hidratado em aproximadamente 20-30 pontos.

O mercado de açúcar em NY tem sido alimentado fortemente pela posição especulativa dos fundos que carregam um volume de mais de 200.000 contratos comprados. O derretimento do mercado na quinta-feira mostra que os fundos liquidaram parte de suas posições ainda não refletidas pelo número publicado pelo CFTC. O mercado esticou e parece ter encontrado um nível provisório de segurança.

Muito embora os fundamentos do mercado continuam positivos com as constantes correções de déficit mais acentuados, o componente câmbio voltou a fazer a diferença. Nos últimos seis meses, a média do fechamento de NY foi de R$ 1.275 por tonelada usando a taxa de câmbio do Banco central. Esse número deve ser usado como parâmetro para tentarmos estabelecer aonde os preços de NY devem orbitar. Nos últimos 3 meses, esse valor passa para R$ 1.288. Ou seja, com o real a 3.6000 um chão razoável para o açúcar seria 15.42 centavos de dólar por libra-peso, com o real a 3.8000 o chão passa para 14.61 centavos de dólar por libra-peso.

O que pode mudar esse cenário é o atraso na moagem em consequência das chuvas. No entanto, o arrefecimento da economia pode mudar a abordagem das usinas em relação o mix de produção, colocando mais açúcar no sistema e consequentemente pressionando os atuais níveis de preço. Por enquanto, isso são conjecturas.

Acredito que o mercado ainda não se deu conta de que o Centro-Sul pode ir para seu terceiro ano seguido de menor produção de ATR apesar de uma quantidade de cana maior a ser moída. Embora 2020/2021 ainda esteja muito longe, não tenho dúvidas de que estamos começando a construir um mercado extremamente positivo para os próximos anos dada a limitação que o Brasil tem de expansão de investimentos vis-à-vis um mercado consumidor mundial que cresce entre 1.9% e 2.2% ao ano enquanto a produção patina nos 1.6% de crescimento ao ano. (Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Tombo em NY: A continuidade do movimento de valorização do dólar em relação ao real levou os contratos futuros do açúcar a registrarem forte queda na quinta-feira na bolsa de Nova York, no dia 25, sexta-feira Santa, não houve sessão. Julho fechou a 15,88 centavos de dólar por libra-peso, em baixa de 71 pontos em relação à quarta-feira. Conforme analistas, um movimento de ajuste de posições depois das altas das semanas anteriores também colaborou para o tombo. Mas o espaço para novas retrações é limitado, em virtude das perspectivas de produção menor que a demanda no mercado internacional nos ciclos 2015/16 e 2016/17. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal subiu 0,63% na quinta-feira, para R$ 76,82.

Café: Pressão cambial: Os contratos futuros do café arábica também não resistiram à pressão da continuidade da valorização de dólar em relação ao real e registraram forte queda na quinta-feira na bolsa de Nova York ­ no dia 25, sexta-feira Santa, não houve sessão. Julho fechou a US$ 1,2950 por libra-peso, em queda de 350 pontos. De acordo com analistas, condições em geral favoráveis à produção em pólos de São Paulo e de Minas Gerais colaboraram para a retração observada e permanecem exercendo pressão sobre as cotações. O Brasil lidera a produção e as exportações globais da commodity. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 60 quilos do arábica posta na cidade de São Paulo registrou leve alta de 0,02% na quinta-feira, para R$ 495,90.

Algodão: Demanda fraca: A queda das exportações dos Estados Unidos tirou sustentação dos contratos futuros do algodão na quinta-feira na bolsa de Nova York, no dia 25, sexta-feira Santa, não houve sessão. Julho caiu 52 pontos, para 57,58 centavos por libra-peso. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os embarques do país somaram 18,4 mil toneladas na semana encerrada no dia 17 de março, 63% menos que na semana imediatamente anterior. Na comparação com a média das quatro semanas anteriores, a retração foi de 51%. O leilão de estoques que a China deverá realizar na segunda quinzena de abril também continua a pressionar as cotações, segundo analistas. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a libra-peso subiu 0,06%, para R$ 2,4339.

Soja: Ajuste de posições: Um movimento de ajustes de posições típico de véspera de feriado garantiu a valorização dos contratos futuros da soja na quinta-feira na bolsa de Chicago ­ no dia 25, Sexta-feira Santa, não houve sessão. Os papéis para entrega em julho subiram 5,50 centavos de dólar, para US$ 9,1775 por bushel, já com uma "gordura" um pouco maior em relação à barreira psicológica dos US$ 9. Além dos ajustes, colaborou para a alta do grão o avanço das cotações do farelo. Esses fatores suplantaram, em Chicago, a pressão exercida pela queda das exportações americanas do grão, de 34% na semana encerrada em 17 de março, para 410,8 mil toneladas. No mercado doméstico, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a saca de 60 quilos negociada em Paranaguá (PR) subiu 1,03%, para R$ 75,74. (Valor Econômico 28/03/2016)