Setor sucroenergético

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Políticos se desfazem de propriedades agrícolas no Centro-Oeste

Parece até epidemia: há um súbito aumento do número de políticos que estão se desfazendo de propriedades agrícolas no Centro-Oeste.

Um importante empresário do setor, fonte de quatro costados do RR, contabiliza oito grandes fazendas à venda na região, todas pertencentes a parlamentares. (Jornal Relatório Reservado 28/03/2016)

 

Cana: Setor segue sem incentivo e amargando aumento de tributações

Nesse quadro, para o consumidor final, preços seguem elevados e devem continuar subindo. Impostos maiores são esperados pelo governo para o pagamento de suas contas, afinal. Veja a opinião de João Batista Olivi (Foto) sobre o atual momento do setor sucroenergético.

Com o aumento da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) sobre os combustíveis no final do ano passado e sem incentivos que garantam o crescimento sustentável da produção no Brasil, os preços do etanol deverão continuar subindo.

Neste ano, as chuvas beneficiaram a produção da cana-de-açúcar e a colheita já está em andamento em mais de 75 usinas no centro-sul do país. A expectativa da Unica (União das Indústrias de Cana-de-Açúcar) é de que cerca de 120 unidades estejam em operação até o final do mês.

Ao contrário que do indicam os fundamento do mercado, mesmo no período de safra, os preços do etanol ao consumidor final não param de subir.

"Se temos uma grande produção de cana, sendo o etanol um subproduto da cana; e também uma boa puxada no açúcar, porque então não temos o beneficio da diminuição do preço do etanol nas bombas?", questiona o jornalista João Batista Olivi.

Para ele, o governo continuará aumentando os impostos para elevar a arrecadação, que impedirá uma livre acomodação dos preços de acordo com a regulação do mercado.

Segundo dados da Única, as vendas de etanol pelas unidades produtoras da região Centro-Sul na primeira metade de março somaram 1,10 bilhão de litros, com apenas 53,85 milhões de litros direcionados à exportação e 1,04 bilhão de litros ao mercado interno.

Açúcar

"O açúcar que vinha se arrastando no mercado internacional, pagando de US$ 12 a US$ 13 por libra peso, voltou a subir nos últimos dias com as informações de que o El Niño quebrou a produção da Índia e Tailândia", lembra Olivi.

Na última quarta-feira (23) os futuros na bolsa de Nova York chegaram a bater US$ 16,71 cents/lb, mas depois voltaram a cair após a divulgação do relatório do Rabobank confirmando a boa safra brasileira.

Para Olivi, a partir de agora a tendência é que os preços do açúcar se acomodem no patamar de US$ 15 cents/lb. (Notícias Agrícolas 28/03/2016)

 

Açúcar: Embalado pelo câmbio

O açúcar demerara reagiu na bolsa de Nova York ontem, depois de ter despencado na quinta-feira, último pregão antes do feriado de Páscoa.

Os lotes para julho fecharam em alta de 15 pontos, a 16,03 centavos de dólar por libra-peso.

O recuo do dólar ante o real favoreceu a alta.

A desvalorização da moeda americana desestimula as vendas externas pelos produtores do Brasil, na medida em que diminui a rentabilidade das exportações.

Com menos oferta no mercado, o preço tende a subir. Mas, de modo geral, os traders estão à espera de uma maior clareza nas previsões climáticas no Brasil e na Ásia e no posicionamento dos fundos especulativos.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal subiu 0,03%, para R$ 76,84. (Valor Econômico 29/03/2016)

 

Clima e açúcar dão cenário melhor ao setor sucroenergético

A uma semana do início da nova safra de cana-de-açúcar, a 2016/17, o setor espera um período melhor no ano.

As usinas estarão mais ativas, já que haverá uma maior oferta de cana "bisada", matéria-prima não processada nesta safra que se encerra.

Além disso, o clima poderá ser mais favorável do que o da safra 2015/16. Espera-se, ainda, uma valorização dos preços, uma vez que as condições serão mais favoráveis para a produção e para a exportação de açúcar.

Após vários anos de produção acima do consumo, o cenário se inverteu, e o consumo mundial supera a produção. O produto brasileiro, já que o país é líder mundial, terá uma demanda maior.

As avaliações são de Antonio de Padua Rodrigues, diretor da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar).

De acordo com ele, não haverá mudanças significativas no número total de usinas que estarão moendo cana na safra. Enquanto uma nova unidade entra em operação em Goiás, há indícios de que outra deixe de operar em São Paulo.

CRISE

Este ano será um período de crise e de queda de renda da população. Mas Padua acredita que "há espaço para o etanol no ciclo Otto".

Na avaliação dele, poderá haver retração no consumo, mas "todos têm de comer e de se movimentar".

O consumo de combustíveis do ciclo Otto (gasolina e etanol) deverá cair de 5% a 6%, prevê o mercado. Nos dois primeiros meses deste ano, a queda foi de 3%.

O diretor da Unica afirma, no entanto, que o etanol vai ter de ser mais competitivo em relação à gasolina.

Quanto aos preços, eles vão depender da demanda, que, na safra que se encerra, chegou a 1,7 bilhão de litros em alguns meses.

Parte desse aumento ocorreu devido aos incentivos que o mercado teve no ano passado: mudança na tributação de combustíveis, elevação do percentual da mistura do anidro à gasolina e aumento nos preços desse combustível. Parte desses efeitos, no entanto, permanecem neste ano.

O setor aposta também na valorização do açúcar, devido às exportações e ao câmbio favorável. Essa alta, porém, tem um limite, de acordo com Padua.

CLIMA FAVORÁVEL

Além dos fatores positivos de mercado, o setor espera um clima mais favorável à colheita neste ano, somada a uma melhora na qualidade da matéria-prima.

A safra 2015/16, que se encerra nesta semana, deverá moer 615 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na região centro-sul, 6% mais do que na anterior.

A produção de açúcar está próxima de 31 milhões de toneladas, 3% menos, enquanto a de etanol sobe para 28 bilhões de litros, 6% mais, segundo dados da Unica.

Ritmo acelerado

Devem sair 10 milhões de toneladas de soja e de milho neste mês pelos portos brasileiros. O ritmo atual é forte em relação ao de março de 2015, quando foram embarcados 6,3 milhões.

Ainda aquecidas

A exportação de milho, apesar do avanço da soja, continua aquecida, somando 2,2 milhões de toneladas. Em março de 2015, eram 700 mil toneladas.

Soja

O embarque da oleaginosa deverá atingir 8,1 milhões de toneladas neste mês, 45% mais do que há um ano, tomando como base os dados já publicados pela Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

Bom desempenho

As vendas externas de carne suína deverão atingir 55 mil toneladas neste mês, superando em 77% o registrado em igual período de 2015. Já as exportações de carnes bovina e de frango deverão subir 39% e 22%, respectivamente, no mesmo período. (Folha de São Paulo 27/03/2016)

 

Raízen é condenada por transformar banco de horas em dívida; empresa vai recorrer

O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 15ª Região voltou a condenar a Raízen Energia, joint venture entre Shell e Cosan, e o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Araraquara (SP) por transformar banco de horas em dívida para o trabalhador. Sob pena de multa diária de R$ 5 mil a cada um, o TRT deu provimento parcial a recurso do Ministério Público do Trabalho (MPT). A Raízen afirmou que vai recorrer da decisão.

Conforme o MPT, o acórdão não proveu os recursos apresentados pela empresa e pela entidade sindical, mantendo as determinações impostas pela Justiça de primeira instância, sendo estas: absterem-se de firmar acordo coletivo que preveja descontos salariais ou rescisórios relacionados a horas negativas (horas não trabalhadas com o consentimento da empresa) em banco de horas; e pagamento de indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 100 mil (Raízen) e R$ 10 mil (sindicato).

As investigações do MPT tiveram início após o recebimento de um ofício do Ministério do Trabalho e da Previdência Social com impugnação a três cláusulas do acordo coletivo 2011/2012 celebrado entre a empresa e o sindicato. As cláusulas previam descontos salariais por horas negativas existentes no banco de horas.

Ao Broadcast Agro, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, a Raízen afirmou que "cumpre as normas estabelecidas pela legislação trabalhista e esclarece que a prática de descontar o saldo negativo do banco de horas é legal, na mesma diretriz lógica do desconto salarial decorrente de faltas injustificadas ao trabalho". "A empresa irá recorrer dessa decisão e reitera que mantém um canal de comunicação aberto com o MPT, empenhada em seguir as melhores práticas para o setor". (Agência Estado 28/03/2016)

 

Rumo faz rolagem de quase R$ 3 bilhões de suas dívidas

Para aliviar seu pesado endividamento em três anos, a Rumo Logística, fruto da fusão com ALL, anunciou ontem que fechou um acordo com bancos comerciais para reestruturar parte de sua dívida bruta, de R$ 8,58 bilhões no fim de 2015. A empresa fez alongamento de prazo com seis bancos para pagar R$ 2,925 bilhões, que venceriam entre este ano e 2018.

Uma das operações foi com os bancos Bradesco BBI, Itaú BBA, Santander, BB-Banco de Investimento e HSBC Bank Brasil, que alterou o perfil de parte de suas dívidas e de controladas. Pelo acordo, as dívidas serão liquidadas antecipadamente com recursos vindos de até duas emissões de debêntures (títulos de dívida) simples, não conversíveis em ações, no montante de R$ 2,375 bilhões.

A outra foi acertada com o Banco do Brasil nas mesmas condições de prazo para quitar dívidas da ALL América Latina Logística que somam R$ 550 milhões.

O prazo de vencimento das debêntures, a serem subscritas pelos próprios credores, é de sete anos, a partir da data de emissão, com amortização em oito parcelas iguais. A primeira terá vencimento no 42º mês do contrato (três anos em meio), após a emissão.

Além disso, segundo o comunicado, o comitê de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), outro credor da Rumo, além de acionista do bloco de controle ­, indicou, em carta, que poderá dar apoio financeiro à empresa, mas isso ainda será submetido à aprovação da diretoria do banco. O mesmo está condicionado à renegociação das dívidas e à realização da oferta restrita via participação da BNDESPar (braço de participações do banco) na referida oferta.

O banco prevê um apoio direto com abertura de uma linha de financiamento de até R$ 1,5 bilhão e, outro, indireto, via linhas de "funding" do BNDES, por meio de repasses de bancos comerciais ou com fianças bancárias, no montante mínimo R$ 1 bilhão. E sinalizou também subscrever até R$ 300 milhões em debêntures conversíveis que Rumo emitir no futuro.

A oferta restrita, de até 1,5 bilhão de ações, com valor mínimo de subscrição de R$ 2 bilhões, no Brasil e exterior, já tem a garantia de R$ 1,09 bilhão, mais da metade, de acionistas. Cerca de R$ 750 milhões da Cosan Logística, pelo menos R$ 100 milhões de Júlia Dora Arduini e R$ 240 milhões do Eminence Capital (12% do valor).

Conforme o comunicado da Rumo, os recursos oriundos do aumento de capital irão para o reforço de caixa e financiamento do plano de negócios da companhia. A empresa tem planos de investir até R$ 7,4 bilhões em suas operações ferroviárias e portuárias no prazo de cinco anos, a contar do início de 2015. (Valor Econômico 29/03/2016)

 

EUA investigam Odebrecht e Braskem

O Departamento de Justiça americano (DoJ, em inglês), órgão do governo dos Estados Unidos, está investigando a Odebrecht e a Braskem por suspeita de corrupção envolvendo contratos com a Petrobras. No caso da Braskem, braço petroquímico da Odebrecht, a investigação mira contratos de nafta firmados com a estatal brasileira a partir de 2009.

A informação sobre o fato de a Braskem ser investigada nos Estados Unidos consta de despacho do juiz Sergio Moro, titular da Operação Lava-Jato na primeira instância da Justiça Federal do Paraná.

A Odebrecht informou não ter sido notificada sobre nenhuma investigação do DoJ além da que recai sobre a Braskem e, por isso, não comentou o assunto.

As investigações do DoJ apuram se houve descumprimento da lei americana que trata sobre atos de corrupção praticados por empresas estrangeiras que atuem nos Estados Unidos (FCPA, na sigla em inglês).

Nos Estados Unidos, a Braskem é alvo de três ofensivas distintas, duas delas investigativas, sendo na esfera civil e a outra na criminal, e outra no plano judicial.

No procedimento civil, a companhia é investigada pela Securities and Exchange Commission (SEC, órgão equivalente à Comissão de Valores Mobiliários no Brasil), por ter ações negociadas na bolsa de valores americana (Nyse). O órgão avalia se a empresa emitiu informações falsas aos investidores.

A Braskem também enfrenta uma ação coletiva movida por investidores na Corte de Nova York. O processo corre no Tribunal do Distrito Sul da cidade. Os autores alegam que a companhia teria divulgado falsas informações e descumprido práticas de governança, levando­os a ter prejuízos com suas aplicações. Esse processo tem a finalidade exclusiva de ressarcir perdas com ações compradas na bolsa americana.

A legislação americana é rigorosa e prevê sanções que vão desde multas até a proibição de atuar no mercado americano. Outra consequência possível às empresas sob investigação é a impossibilidade de obter recursos e financiamentos de instituições financeiras americanas e organismos de fomento internacionais.

Moro foi informado sobre a investigação do DoJ pela Polícia Federal (PF). Ao cumprir mandado de busca e apreensão em computadores de Alexandrino Alencar, ex-diretor da Braskem, em fevereiro, a PF não encontrou as informações buscadas. Os dados já tinham sido levados pelo escritório americano Baker & McKenzie, que, segundo a PF, informou atuar na investigação sobre a Braskem a serviço do DoJ. O delegado Eduardo Mauat falou por telefone com o escritório de advocacia americano, conseguindo "obter algumas mensagens eletrônicas", segundo o juiz Sergio Moro.

A Braskem afirmou, em nota, que partiu dela a contratação do escritório americano, para “abrir uma investigação independente a fim de apurar as alegações”. Segundo a petroquímica, "o processo vem sendo conduzido por escritórios de advocacia externos junto ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ) e a Securities Exchange Comission (SEC)".

Nos Estados Unidos a prática corrente é que todos os tipos de investigação e eventuais processos sejam encerrados por meio de acordo com as empresas.

O DoJ e a SEC podem aplicar punições independentes, mas, cada vez mais, os acordos de leniência tendem a unificar as sanções aplicadas às companhias. A exceção são as ações coletivas movidas por investidores, que buscam a reparação judicial por perdas financeiras.

A Braskem é a única empresa de capital aberto das que integram o Grupo Odebrecht. Outras sociedades da organização atuam no mercado americano com a emissão de títulos de dívida.

O grupo é investigado pela Operação Lava-Jato e seus dirigentes e executivos são acusados de integrar um cartel de empreiteiras na Petrobras destinado á corrupção e lavagem de dinheiro.

Os investigadores brasileiros concluíram que a Braskem teria pago propina em troca de supostos benefícios no contrato com a Petrobras. A empresa tem negado qualquer envolvimento em irregularidades desde o início das investigações.

Principal fornecedora de matérias-primas à Braskem, a Petrobras é também a segunda maior acionista da petroquímica. Em documento entregue à PF com data de 24 de setembro de 2015, a estatal admitiu que a necessidade de importação de nafta para atender ao contrato celebrado com a Braskem em 2009 resultou em prejuízo à estatal.

As perdas, porém, não foram atribuídas à petroquímica ou ao contrato que vigorou até 2014, mas a "uma alteração imprevisível do mercado de nafta, ocorrida após a celebração" do acordo. A petrolífera fez uma referência indireta à política de combustíveis baseada no congelamento dos preços da gasolina, implementada a partir de 2010, que ajudou a elevar drasticamente a demanda pelo derivado no país.

Para atender à procura crescente por gasolina, a Petrobras passou a direcionar cada vez mais nafta doméstica para o chamado "pool", mistura de gasolina tipo A, etanol e nafta que é vendida nas bombas. Para cumprir o contrato com a Braskem, por sua vez, a estatal passou a importar nafta, o que teria motivado as perdas. (Valor Econômico 29/03/2016)

 

Rockefeller diz adeus ao petróleo, que deu origem à fortuna da família

O Fundo da Família Rockefeller decidiu dar as costas para a origem da riqueza do clã, o petróleo e anunciou que, assim que possível, vai se desfazer de sua fatia na ExxonMobil e outras empresas que atuam com combustíveis fósseis. Os magnatas americanos alegam que as petroleiras estão enganando as pessoas sobre os riscos do aquecimento global.

Ainda que a fundação só tenha investidos cerca de US$ 130 milhões nesse tipo de ativos, o movimento é significativo quando se leva em conta que, há um século, John D. Rockefeller, patriarca da dinastia, fez sua fortuna criando a Standard Oil, petroleira precursora da Exxon. A organização afirmou também que vai se desfazer de seus ativos de carvão e areias petrolíferas no Canadá.

DECISÃO NÃO SURPREENDE

Considerando a ameaça que supõe para a sobrevivência dos ecossistemas humanos e naturais, “não há nenhuma razão sensata para que as empresas continuem explorando novas fontes de hidrocarbonetos”, disse o Fundo da Família Rockefeller. Em uma carta publicada em seu site, o fundo alega que a conduta da Exxon sobre questões climáticas parece ser “moralmente reprovável”.

Em 2008, os membros da família Rockefeller tinham pedido à Exxon para aumentar o investimento da empresa em combustíveis alternativos. E, no fim de 2014, outro fundo associado à poderosa família americana, o Fundo dos Irmãos Rockefeller, já havia dito que venderia seus ativos relacionados a combustíveis fósseis.

A Exxon não demorou em reagir ao anúncio mais recente, dizendo que a decisão não surpreende. “O Fundo da Família Rockefeller proporcionou apoio financeiro à Inside Climate News e à escola de jornalismo da Universidade de Columbia, que produziram notícias imprecisas e deliberadamente enganosas sobre a história da investigação sobre a participação da ExxonMobil na mudança climática”, disse em nota Allan Jeffers, porta-voz da petroleira.

A diretora do fundo do clã, Lee Wasserman, retrucou:

-Temos apoiado o jornalismo de interesse público para compreender melhor como a indústria de combustíveis fósseis estava participando realmente nos efeitos sobre o clima.

Ano passado, depois da publicação das histórias mencionadas pela Exxon, o procurador-geral do estado de Nova York, Eric Schneiderman, lançou uma investigação para checar se a empresa enganou público e acionistas sobre os riscos ligados ao aquecimento global.

Em resposta ao movimento de desinvestimento, muitos executivos da indústria de petróleo disseram que milhões de pessoas nos países em desenvolvimento seriam condenadas à pobreza se a sociedade interromper a queima de combustíveis fósseis antes de encontrar um amplo suprimento de fontes de energia mais limpas. (O Globo 25/03/2016)

 

Preço do etanol sobe nos postos

Há duas semanas em queda na usina em São Paulo, os preços do etanol seguem, no entanto, subindo nos postos de combustíveis na maior parte do país. Conforme levantamento feito pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), os preços médios do hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos, subiram em 19 Estados entre 20 e 26 de março na comparação com a semana anterior. Em seis Estados, houve retração e em um, estabilidade.

Em São Paulo, maior centro consumidor de combustíveis do país, o preço médio do hidratado se valorizou 0,07%, para R$ 2,744 o litro. Em quatro semanas, o preço médio nesse Estado acumula alta de 1,44%.

As maiores altas do preço médio do hidratado no país foram observadas na última semana no Maranhão (3,96%) e em Alagoas (3,41%). A maior queda, no Rio de Janeiro (1,47%).

A valorização dos preços do etanol hidratado ao consumidor final vem ocorrendo de forma mais intensa desde outubro do ano passado, e inibindo a demanda pelo produto no país. No primeiro bimestre deste ano, as vendas do produto pelas distribuidoras aos postos acumulam queda de 6,8%, conforme a ANP.

Na usina em São Paulo, no entanto, os preços do biocombustível recuaram pela segunda semana consecutiva, apesar de essa retração ainda não ter chegado ao consumidor final. O indicador Cepea/Esalq para o hidratado caiu 4,68%, para R$ 1,8424 o litro, entre 21 e 24 de março. (Valor Econômico 29/03/2016)

 

Situação do Brasil “derruba” em 15% vendas de máquinas agrícolas em Mato Grosso

As vendas de máquinas agrícolas, assim como a produção, também está sendo afetada pela situação política e econômica do Brasil. A valorização das commodities, como o milho que chegou no último dia 23 de março a R$ 32,85 em Alto Araguaia, está “remunerando” os produtores, segundo as revendas e fábricas de maquinários, contudo a cautela neste momento tem “atrapalhado” as vendas.

As vendas de máquinas agrícolas (total) em Mato Grosso caíram de 4.601 unidades em 2014 para 3.558 unidades em 2015, conforme dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Somente em colheitadeiras o recuo foi de 1.306 unidades para 848 de um ano para o outro, enquanto de tratores de rodas de 3.208 para 2.668 unidades.

“Em Mato Grosso não há crise e sim medo de investir”, comenta Walter Zacarkin da Vegrande, representante New Holland. Segundo ele, as vendas no Estado tiveram queda o ano passado e no primeiro bimestre de 2016, mas não devido à safra. “A safra o ano passado foi boa, neste ano ainda caminha, os preços estão remunerando, porém o setor produtivo não acredita mais no governo. As vendas no primeiro bimestre de 2016 caíram 15%. O setor está quieto na espera dos rumos políticos e econômicos”, explica.

As fabricantes revelam que as vendas de maquinários agrícolas e implementos para Mato Grosso não cresceram e nem caíram, mas sim se estabilizaram.

"As vendas estão boas. Para a Stara estão um pouco melhores que as expectativas. Por que isso? Porque de certa forma os preços das commodities eles até surpreenderam os produtores. A soja tem uma boa sustentação de preços, o milho inesperadamente ganhou valores nos últimos meses. A taxa de juros permanece fixa, o que é um grande benefício ao produtor", comentou o diretor comercial da Stara, Márcio Fülber, durante a Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul. (Cenário MT 28/03/2016)

 

Aurélio Amaral é nomeado diretor da ANP

O governo federal nomeou Aurélio Amaral como novo diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), com mandato de quatro anos, segundo publicação no Diário Oficial da União (DOU), nesta segunda-feira.

O novaCana já havia adiantado a nomeação 43 dias atrás, quando a presidente Dilma Rousseff tomou a decisão. Conforme publicado, a indicação expôs um conflito no governo. A Diretora Geral, Magda Chambriard, divergia do Ministro de Minas e Energia na escolha dos nomes. O ministro, juntamente com o vice-presidente Michel Temer e Eliseu Padilha, na época ministro da Aviação Civil – todos do PMDB –, defendia a recondução de Florival e a indicação de Symone Christine Araújo, para o lugar de Helder Queiroz.

Segundo relato, Magda teria ameaçado renunciar a diretoria geral da agência se Florival fosse reconduzido. A proposta dela era justamente a indicação de Aurélio Amaral.

O novo diretor

Advogado formado pela Faculdade de Direito de São Bernardo, Amaral exercia desde 2012 o cargo de superintendente de Abastecimento da autarquia.

Está desde 2009 na ANP, onde já atuou como assessor de diretoria, coordenador do escritório da agência em São Paulo e superintendente-adjunto de Fiscalização do Abastecimento.

Amaral ocupará uma das duas cadeiras deixadas vagas pelos ex-diretores Florival Carvalho e Helder Queiroz, no ano passado, juntando-se à atual diretoria formada pela diretora-geral, Magda Chambriard, e os diretores Waldyr Barroso e José Gutman. (Reuters 28/03/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Embalado pelo câmbio: O açúcar demerara reagiu na bolsa de Nova York ontem, depois de ter despencado na quinta-feira, último pregão antes do feriado de Páscoa. Os lotes para julho fecharam em alta de 15 pontos, a 16,03 centavos de dólar por libra-peso. O recuo do dólar ante o real favoreceu a alta. A desvalorização da moeda americana desestimula as vendas externas pelos produtores do Brasil, na medida em que diminui a rentabilidade das exportações. Com menos oferta no mercado, o preço tende a subir. Mas, de modo geral, os traders estão à espera de uma maior clareza nas previsões climáticas no Brasil e na Ásia e no posicionamento dos fundos especulativos. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal subiu 0,03%, para R$ 76,84.

Cacau: Atenção ao clima: Os preços do cacau voltaram a subir ontem em Nova York. Os contratos com vencimento em julho fecharam em alta de US$ 8, a US$ 2.980 por tonelada. Previsões climáticas continuam a indicar chuvas para o oeste da África, onde estão os principais fornecedores globais de cacau. Essa condição tende a melhorar a umidade das lavouras para a safra intermediária, depois de um período de seca e calor. Em Camarões, importante produtor do oeste africano, os exportadores estão pagando menos pelo cacau porque a chuva retornou às regiões de cultivo nos últimos dias. Entretanto, perdas de rendimento no país e em produtores vizinhos já são dadas como certas. Em Ilhéus e Itabuna (BA), o preço médio da arroba ficou em R$ 145, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Milho: Impacto da demanda: O milho teve valorização modesta na bolsa de Chicago ontem. Os lotes com entrega em julho fecharam em elevação de 0,25 centavo, cotados a US$ 3,7475 por bushel. De modo geral, o dólar enfraquecido ante outras moedas aumenta a competitividade do milho americano, atraindo maior atenção de compradores estrangeiros. Os dados mais recentes sobre a demanda, porém, indicam queda nas exportações americanas. Em relatório divulgado ontem, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) indicou que o país embarcou 977,68 mil toneladas do grão na semana encerrada em 24 de março, aquém das 1,014 milhão na semana anterior. No oeste da Bahia, a saca de 60 quilos do grão foi negociada a R$ 42, conforme a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba).

Trigo: Frio nos EUA: O trigo teve ganhos expressivos nas bolsas americanas ontem, sob o impulso de uma nova onda de frio nos EUA. Em Chicago, os contratos para julho fecharam em alta de 7,25 centavos, a US$ 4,78 por bushel. Em Kansas, onde se negocia o cereal de melhor qualidade, o mesmo vencimento subiu 5,25 centavos, a US$ 4,88 por bushel. Nas últimas semanas, cresceu o temor de que as baixas temperaturas em regiões produtoras dos EUA prejudiquem as lavouras, que emergiram antecipadamente da dormência. As previsões de clima seco e ameno para a primeira metade de abril também influenciaram as cotações, porque esse cenário tende a aumentar o estresse das plantas. No Paraná, a saca do trigo ficou em R$ 40,32, baixa de 0,59%, conforme o Deral/Seab. (Valor Econômico 29/03/2016)