Setor sucroenergético

Notícias

Álcool chinês

Executivos da chinesa Anhui Guozhen visitaram cinco usinas de açúcar e álcool no interior de São Paulo nas últimas semanas.

Os asiáticos estão convictos de que cravam pelo menos uma aquisição até junho. (Jornal Relatório Reservado 01/04/2016)

 

ATR – Fechamento de safra 15/16

Segundo fontes, o valor do ATR (mix estado de São Paulo) fechou em R$ 0,6856 por kg / atr para o mês de mar-16 e acumulado de abr-15 a mar-16 em R$ 0,5552 por kg / atr. (Incepa News 01/04/2016)

 

ADM anuncia venda de sua usina de etanol no Brasil

A americana Archer Daniels Midland (ADM) anunciou a venda de sua usina de etanol em Limeira do Oeste (MG) para a JFLim Participações. Em nota, o presidente da ADM, Chris Cuddy, afirmou que o negócio de etanol no Brasil não atendia aos objetivos de longo prazo da companhia e ainda, que o ativo é muito pequeno para a ADM competir efetivamente nesse mercado.

Sem mencionar valores, a americana informou na nota que a transação inclui a plantação de cana-de-açúcar e a destilaria de etanol, que tem capacidade para processar 1,5 milhão de toneladas de cana por safra e produzir 140 milhões de litros de etanol por ano. A unidade emprega 650 pessoas.

A companhia vem tentando vender a sua única usina de etanol no Brasil desde 2012, conforme fontes. À época, a empresa contratou o Bank of America Merrill Lynch (BofA) para ser o mandatário da venda do ativo.

A usina foi construída em parceria com o ex-ministro da Agricultura do Brasil, Antônio Cabrera, e integrava um projeto maior de construção de duas outras usinas. Pelo planejamento inicial, desenhado em 2008 pelos sócios, seriam erguidas plantas em Limeira do Oeste (MG) e em Jataí (GO), com capacidade conjunta de moagem de 6 milhões de toneladas de cana por safra. A empreitada demandaria investimentos de US$ 520 milhões. Uma terceira unidade, em Tarumã (SP), também estava no radar, com aportes calculados em US$ 290 milhões.

Esse projeto não avançou, na esteira de uma forte crise que afetou nos últimos cinco anos o setor de cana-de-açúcar no Brasil. A paralisação do projeto desagradou Cabrera, então sócio da ADM, que após ter frustrada sua tentativa de vender sua participação no negócio, decidiu mover uma arbitragem na Câmara de Comércio Brasil Canadá (CCBC) contra a ADM, o que só foi se resolver definitivamente no fim do ano passado.

A companhia, uma das maiores companhias de agronegócio do mundo, espera que a transação seja fechada no segundo trimestre deste ano, após a aprovação por órgãos reguladores.

Nos Estados Unidos, a ADM é a maior produtora de etanol de milho. No Brasil, a empresa também opera a maior planta de biodiesel do país. (Valor Econômico 31/03/2016)

 

Raízen - União de gerações do etanol pode elevar produção em até 50% por hectare

Integrar a produção de etanol de segunda geração com a de primeira pode trazer uma série de ganhos logísticos e de custo. É o que afirma Evandro da Cruz, gerente de Novas Tecnologias da Raízen, empresa que mantém uma unidade produtiva do gênero, em Piracicaba (SP).

De acordo com ele, o impacto desta tecnologia para o setor como um todo tende a ser muito positivo, levando em conta a possibilidade de aumentar entre 30% e 50% a produção de etanol por hectare.

Ele explica que "este tipo de operação, da qual a Raízen é pioneira no Brasil, aproveita ao máximo a estrutura e o expertise pré-existente no local, a exemplo da gestão compartilhada de biomassa, a utilização da mesma estrutura de energia e de fermentação".

Diferente do etanol de primeira geração, que é produzido a partir do caldo da cana-de-açúcar, o de segunda geração (2G) é feito a partir do bagaço, folhas, cascas e outros resíduos do processo produtivo. "Após o plantio e colheita da cana, o lote chega à unidade produtora e passa por um sistema de moagem, pelo qual é separado o caldo do bagaço", relata Cruz.

Depois disto, continua o gerente de Novas Tecnologias da Raízen, é realizado um pré-tratamento nas fibras deste bagaço, com a desagregação de alguns componentes. "Na sequência, por meio da ação de enzimas, as fibras são transformadas em açúcares solúveis. Logo depois, ocorre uma fermentação e as leveduras convertem o açúcar em etanol. A última etapa é a destilação, ou seja, a purificação do etanol de segunda geração."

Segundo Cruz, o etanol de segunda geração também possibilita a redução significativa das emissões de gases de efeito estufa (GEE), por isto é considerado como o combustível do futuro. (SNA 31/03/2016)

 

Açúcar: Recuo técnico

Ajustes típicos de fim de mês fizeram os preços do açúcar registrar forte queda ontem na bolsa de Nova York.

Os papéis do açúcar demerara para julho recuaram 51 pontos, para 15,45 centavos de dólar a libra-peso.

Segundo analistas, os traders venderam posições depois que as cotações alcançaram níveis considerados de "sobre compra" nos dias anteriores.

Para Bruno Zanetti, analista de risco de açúcar e etanol da FCStone, a retração aproximou o mercado "à realidade dos fundamentos do Centro-Sul do Brasil: clima mais seco, mercado físico de açúcar bruto com desconto [o que indica oferta imediata mais confortável] e spreads normais".

No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo registrou leve queda de 0,03%, para R$ 76,68 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 01/04/2016

 

Justiça dos EUA aceita pedido de recuperação judicial da Abengoa

A Justiça Federal dos Estados Unidos aceitou o pedido de recuperação judicial da espanhola Abengoa no país, dando assim mais tempo para a empresa continuar as negociações com seus credores sobre uma reestruturação de dívida.

O juiz Kevin Carey do Tribunal de Falências em Wilmington (distrito de Delaware) concordou em proteger a Abengoa e suas subsidiárias de qualquer possível ação de credor que resulte na falência da empresa.

A Abengoa fez nessa quarta-feira o pedido sob o capítulo 15, seção do código de falências dos Estados Unidos, após 75% de seus credores financeiros assinarem o contrato para congelamento de dívidas (“standstill”). O acordo exige que a espanhola consiga até outubro um acordo para reestruturação de sua dívida. (Valor Econômico 31/03/2016)

 

Aprovado projeto sobre localização de revendas de defensivos agrícolas

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (31) o projeto de lei 1.805/2015, de autoria do deputado Jerônimo Goergen (PP-RS), membro da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que dispõe sobre a localização dos depósitos dos estabelecimentos revendedores e/ou distribuidores de defensivos agrícolas.

Goergen lembra que os estabelecimentos poderão se instalar em zonas rurais, urbanas mistas, comerciais ou industriais em consonância com o plano diretor de cada município e demais leis municipais de parcelamento do solo urbano ou do Estatuto da Cidade.

As revendas não poderão ser instaladas em áreas de preservação permanente, unidades de conservação, áreas com lençol freático aflorante ou com solos alagadiços e áreas geológicas que não ofereçam segurança para a construção de obras civis.

Segundo Goergen, “o projeto cria um marco legal que traz segurança jurídica ao setor e evita atos do poder executivo contra garantias fundamentais de livre concorrência e livre iniciativa”. (Brasil Agro 01/04/2016)

 

BNDES define condições de apoio para leilões de geração e transmissão de 2016

A diretoria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou as condições de financiamento para os empreendimentos de geração e transmissão de energia elétrica a serem licitados em 2016 por leilões públicos promovidos pelo Governo Federal. As regras são válidas já para o próximo leilão, previsto para o dia 13 de abril.

Os destaques das condições aprovadas são:

- Possibilidade de conversão do sistema de amortização da dívida do BNDES de SAC para PRICE, quando houver emissão de debêntures de infraestrutura pela beneficiária do crédito.

- Aplicação do índice de cobertura do serviço da dívida do projeto (incluindo as debêntures) de 1,2, calculado com base no fluxo de receitas projetadas para cada ano da fase operacional.

- O valor do crédito do BNDES será dimensionado de acordo com o Sistema SAC e o índice de cobertura mínimo de 1,2.

As condições recém-aprovadas dão continuidade à política do BNDES de financiamento à infraestrutura com estímulo ao mercado de crédito privado por meio da emissão das debêntures.

As demais condições financeiras seguem o previsto na Política Operacional, sendo os destaques:

- Custo Financeiro: TJLP + 1,5% a.a. (spread básico) + spread de risco (até 2,87% a.a.).

- Participação Máxima do BNDES: 70% dos itens financiáveis.

Além disso, o banco também divulgou os prazos de amortização:

- Até 20 anos, para pequenas centrais hidrelétricas e hidrelétricas de grande porte.

- Até 18 anos para energia solar.

- Até 16 anos, para energia eólica e para geração térmica movida a biomassa, carvão e gás natural.

- Até 14 anos para projetos transmissão. (BNDES 31/03/2016)

 

Preço-teto para a biomassa cai 11% para o próximo leilão de energia

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) divulgou na última terça-feira (29/03) os preços-teto para o próximo Leilão de Energia A-5, previsto para ocorrer em 29 de abril deste ano, e que contratará energia de novos empreendimentos de geração, com início de suprimento a partir de 2021. Para a fonte biomassa, o preço-teto estabelecido foi de R$ 251/MWh, 11% inferior ao estabelecido no ano passado para o último Leilão A-5.

As termelétricas a carvão, que concorrerão diretamente com a fonte biomassa, tiveram estabelecido o mesmo preço de R$ 251/MWh. Já para termelétricas a gás natural, o valor máximo a ser pago por MWh será de R$ 290, enquanto que para eólicas ficará em R$ 223. Para empreendimentos hidrelétricos, o preço-teto será de R$ 227/MWh.

Para o Leilão A-5 de 2016, em termos de potência cadastrada, a liderança cabe à fonte eólica, com 864 projetos somando 21.232 MW. Na sequência aparecem as térmicas a gás natural, com 36 projetos totalizando 18.741 MW, e sete térmicas a carvão ofertando um total de 3.056 MW. A biomassa ocupa a quarta posição. Cadastrou 64 projetos, incluindo um de geração de biogás, totalizando 3.040 MW em capacidade instalada. Isso representa 6,4% do total de potência cadastrada para o certame.

De acordo com o gerente em Bioeletricidade da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Zilmar de Souza, a falta de clareza e previsibilidade na condução de uma política setorial para a bioeletricidade ainda prejudica o investimento naquela fonte. “Em 2014, o Leilão A-5 teve um preço-teto para a biomassa de R$ 209 por MWh. Em 2015, esta remuneração subiu para R$ 281 e, agora, reduz em mais de 11%, caindo para R$ 251 por MWh. Tínhamos a esperança de que o preço para a bioeletricidade sucroenergética continuasse a melhorar, incorporando os benefícios desta fonte para o sistema e estimulando o retorno do investimento de forma mais robusta”, avalia Souza.

Segundo o executivo, se fossem contratados todos os projetos de bioeletricidade cadastrados para o Leilão A-5 em 2016, isto significaria trazer minimamente algo como R$ 15 bilhões em investimentos para a cadeia produtiva da biomassa, que opera atualmente com capacidade ociosa. Baseado em estimativas do BNDES, Souza também menciona que agregar 3.040 MW de biomassa à matriz de energia elétrica proporcionaria a contratação de aproximadamente 50 mil novos empregos diretos naquela cadeia produtiva. (Unica 31/03/2016)

 

Briga de sócios ameaça projeto de R$ 500 mi

Família catarinense rompe acordo com árabe, dono da maior refinaria de açúcar do mundo, e Terminal Graneleiro da Babitonga pode ficar no papel.

Projeto foi criado para atender demandas de exportação de açúcar e de grãos

O Terminal Graneleiro da Babitonga, na cidade de São Francisco do Sul, em Santa Catarina, que tinha pretensões de ser um dos maiores do Brasil, com investimentos de pelo menos R$ 500 milhões, pode nem sair do papel. A família Fernandes, dona de um pedaço de terra de 640 mil m² que abrigaria o terminal, rescindiu unilateralmente o acordo de investimentos que tinha com o árabe Jamal Majid Ahmad Al Ghurair, controlador da maior refinaria de açúcar do mundo e operador de diversos terminais portuários em diferentes países.

O caso começou quando a família Fernandes, reunida no Fundo de Investimentos em Participações (FIP) Anessa, acusou o empresário árabe de estar deliberadamente atrasando o empreendimento para forçar uma renegociação dos termos acertados no acordo de investimentos. Em janeiro deste ano, o fundo rescindiu unilateralmente o contrato.

Pelo projeto de investimentos original, acertado em 2012, a família Fernandes entraria com o terreno e Al Ghurair elaboraria e construiria o terminal investindo R$ 500 milhões, sendo responsável por qualquer valor extraordinário.

Apenas no ano passado, o órgão ambiental catarinense emitiu a Licença Prévia Ambiental, mas o fundo Anessa alega que têm sido parcos os esforços dos árabes para agilizar a liberação da próxima licença, a de instalação, que é vital para o início das obras. Isso estaria acontecendo, segundo o fundo, porque os investimentos mínimos necessários para colocar o terminal em operação seria da ordem de R$ 1,3 bilhão e não o meio bilhão acordado inicialmente. “Após quase três anos de vigência do acordo, a inércia e a falta de interesse pelo projeto, somadas à insistente tentativa de revisar as bases do contrato, foram talhando a confiança do FIP Anessa”, dizem os advogados do escritório de advocacia Pinheiro Neto, em processo judicial que corre na Justiça paulista.

A briga dos sócios ganhou não só o tribunal brasileiro como a corte internacional. Al Ghurair se mostrou indignado com as acusações e alega que tem todo interesse em realizar o investimento. Para isso, entrou com processos na Justiça paulista, com o auxílio do escritório de advocacia Lefosse, e solicitou ainda a instalação de um tribunal arbitral internacional, uma espécie de Justiça privada.

Nas cortes brasileiras, o árabe obteve duas decisões liminares a seu favor. Em uma delas, a Justiça permitiu que o empresário tenha acesso ao terreno onde será instalado o terminal para poder fazer os estudos ambientais e elaborar o projeto de construção. Na outra liminar, conseguiu com que conste das escrituras públicas do terreno que existe uma pendência judicial. Na prática, esse selo nas escrituras registradas em cartórios dificulta a venda de qualquer imóvel.

A disputa em torno do investimento está só começando e deve se arrastar por pelo menos dois anos, que é o prazo médio em que cortes arbitrais decidem qualquer pendenga. Isso poderia favorecer Al Ghurair, que teria interesse em protelar o investimento. Os advogados do fundo Anessa alegam no processo que na própria instalação do tribunal arbitral está havendo protelações. Mas nenhuma das duas partes quis fazer qualquer comentário à reportagem.

O Terminal Graneleiro da Babitonga será um importante ponto de exportação de açúcar e grãos, com capacidade de 14 milhões de toneladas por ano, sendo alternativa a portos já abarrotados como de Paranaguá e Santos. Além disso, o terminal ficará instalado próximo à rede ferroviária Norte-Sul. (O estado de São Paulo 01/04/2016)

 

China condiciona crédito à Petrobrás à compra de equipamentos chineses

Financiamento de US$ 3,5 bilhões do banco chinês CDB fechado no ano passado exige que 60% dos recursos sejam gastos com produtos do país asiático; modelo tem sido usado em todos os contratos recentes.

Principal financiadora da Petrobrás atualmente, a China vem conseguindo, a cada liberação de dinheiro para a petroleira, impor a compra dos seus equipamentos e serviços e desbancar a indústria nacional. Documento obtido pelo ‘Broadcast’, serviço em tempo real da ‘Agência Estado’, mostra que, em financiamento obtido em abril de 2015, a Petrobrás se comprometeu a adquirir em produtos chineses o equivalente a 60% do valor total do empréstimo de US$ 3,5 bilhões.

Segundo fonte próxima à estatal, o mesmo modelo de acordo tem sido replicado em todos contratos firmados mais recentemente com o banco de desenvolvimento chinês, o CDB.

A última contratação ocorreu no mês passado, quando foram liberados para a Petrobrás US$ 10 bilhões. Oficialmente, a empresa não confirma que o acesso ao crédito está condicionado à compra de produtos do país asiático. Afirma apenas que as condições dos acordos são confidenciais. A empresa foi obrigada, no entanto, a prestar esclarecimento ao Senado, que questionou a falta de transparência nas negociações. O Broadcast teve acesso às explicações enviadas aos senadores.

A opção da empresa por contratar na China contraria a política de conteúdo local do governo e está motivando um embate entre a estatal e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), responsável por controlar o cumprimento dos contratos de concessão de áreas de exploração de petróleo e gás.

Nesses contratos, as petroleiras se comprometem a comprar um porcentual mínimo de bens e serviços no Brasil. Mas a Petrobrás, assim como outras grandes companhias, tem alegado à agência ser impossível cumprir às exigência da política de conteúdo. Por isso, em alguns casos, opta por pagar multa em vez de comprar da indústria brasileira, que teriam condições de preço e prazo piores do que os do mercado internacional.

Briga

A “guerra” pela flexibilização da regra de conteúdo local une a Petrobrás e as petroleiras estrangeiras. Mas a Petrobrás, por ser controlada pelo governo, mantém uma postura menos radical que as estrangeiras em suas argumentações na ANP, segundo fonte. Enquanto as multinacionais afirmam que a Operação Lava Jato enfraqueceu a indústria nacional, que, com isso, teria dificuldade em atender à demanda, a Petrobrás diz que precisa reduzir custos para conseguir dar conta do seu extenso plano de investimento.

Em meio à crise financeira, a Petrobrás encara a China como uma solução para, simultaneamente, ter acesso a crédito barato, mesmo sem o selo de grau de investimento (de boa pagadora) das agências de classificação de risco, e ainda comprar produtos mais baratos do que os da média do mercado.

A parceria entre CDB e Petrobrás iniciou em 2009, após visita do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Pequim. Desde então, o banco tem aprovado uma série de empréstimos. Segundo o documento obtido pelo Broadcast, o contrato firmado em abril do ano passado, de US$ 3,5 bilhões, prevê prazo de pagamento de até dez anos, sendo que a maior fatia, 15% do total, deve ser paga nas quatro últimas parcelas semestrais.

No contrato, a empresa não apresenta qualquer garantia de pagamento ao CDB, contrariando uma formalidade. O acordo é assinado pela subsidiária Petrobrás Global Trading BV (PGT). (O Estado de São Paulo 01/04/2016)

 

Lei Plurianual Agrícola contemplará seguro de faturamento

Esse tipo de apólice garante renda ao produtor nos momentos de oscilação de preço ou de variação de produtividade.

A ministra Kátia Abreu (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) afirmou nesta quinta-feira (31) que a Lei Plurianual Agrícola (LPA), em elaboração pelo Mapa, estabelecerá seguro de faturamento ao produtor. A declaração foi feita durante o seminário Agronegócios e Energias Renováveis, em Goiânia.

Kátia Abreu disse que a Lei Plurianual, com duração de cinco anos, vai conferir mais transparência e previsibilidade ao setor. A nova legislação, explicou, consolidará leis que regem importantes mecanismos e políticas do Mapa, como o Programa de Garantia de Preço Mínimo (PGPM), o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e o Fundo de Catástrofe, além de estabelecer o seguro agrícola de faturamento.

A atual legislação prevê seguro agrícola apenas para risco climático. Apesar algumas seguradoras oferecerem o seguro de faturamento. Essas apólices não são regidas pelo Mapa.

“A LPA vai trazer a figura do seguro de faturamento, que assegura renda ao produtor nos momentos de oscilação do preço e de variação de produtividade”, destacou a ministra durante o seminário, com presença dos governadores de Goiás, Marconi Perillo, e de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja.

Ela ressaltou ainda que o texto inicial da lei está sendo redigido por um grupo de economistas renomados, sob a coordenação do secretário de Política Agrícola, André Nassar. O Mapa enviará a proposta ao Congresso Nacional em meados de agosto deste ano e, até lá, recolherá sugestões do setor produtivo, de parlamentares e de entidades ligadas ao agronegócio.

“A Lei Plurianual Agrícola vai dar previsibilidade e capacidade de planejamento aos nossos produtores. Vai modelar a política agrícola brasileira de modo que, progressivamente, cada produtor saiba o que fazer nos cinco anos seguintes”, acrescentou Kátia Abreu.

Gestão

A ministra enfatizou também que sua gestão à frente do Mapa tem sido pautada pela modernização e desburocratização de processos. Destacou a digitalização dos documentos da pasta e a força-tarefa realizada nos primeiros meses de 2015 para analisar mais de 5 mil pedidos acumulados, tanto de produtores quanto de indústrias do setor.

“No dia em que recebi o convite para ser ministra, uma frase da presidente Dilma Rousseff que me marcou foi: ‘eu quero uma revolução no Mapa’. Desde então, temos tido carta branca para trabalhar com vontade e força e executar essa missão”, afirmou Kátia Abreu. (Mapa 31/03/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Recuo técnico: Ajustes típicos de fim de mês fizeram os preços do açúcar registrar forte queda ontem na bolsa de Nova York. Os papéis do açúcar demerara para julho recuaram 51 pontos, para 15,45 centavos de dólar a libra-peso. Segundo analistas, os traders venderam posições depois que as cotações alcançaram níveis considerados de "sobre compra" nos dias anteriores. Para Bruno Zanetti, analista de risco de açúcar e etanol da FCStone, a retração aproximou o mercado "à realidade dos fundamentos do Centro-Sul do Brasil: clima mais seco, mercado físico de açúcar bruto com desconto [o que indica oferta imediata mais confortável] e spreads normais". No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo registrou leve queda de 0,03%, para R$ 76,68 a saca de 50 quilos.

Suco de laranja: Nova disparada: Os contratos futuros do suco de laranja avançaram com força mais uma vez na bolsa de Nova York ontem com uma nova rodada de compras especulativas. Os papéis do suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) com vencimento em julho fecharam com alta de 525 pontos, a US$ 1,4675 por libra-peso. Em apenas dois dias, os contratos acumularam elevação de 1.050 pontos. Segundo Jack Scoville, analista da consultoria Price Futures Group, a menor produção na Flórida, que abriga o principal parque citrícola fornecedor de laranjas para a indústria americana de suco, é o fator-chave para o movimento dos preços. No mercado interno, o valor da caixa de laranja à indústria apurado pelo Cepea/Esalq teve alta de 0,71%, para R$ 14,10 a caixa de 40,8 quilos.

Algodão: Valorização em NY: As cotações do algodão registraram valorização nesta quinta-feira na bolsa de Nova York, apesar da previsão de aumento da área plantada nos Estados Unidos em 2016/17. Os papéis da fibra para entrega em julho fecharam em alta de 59 pontos, a 58,31 centavos de dólar por libra-peso. O Departamento de Agricultura do EUA (USDA) estimou ontem que os produtores do país ocuparão 3,88 milhões de hectares com o cultivo da pluma na próxima temporada, um aumento em relação aos 3,48 milhões de hectares plantados na safra atual. Alguns analistas, porém, duvidam que essa projeção se confirme por causa do clima úmido. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias registrou ligeira alta 0,04%, para R$ 2,4332 a libra-peso.

Trigo: Avanço tímido: As projeções mais tímidas que o esperado para o plantio de trigo de primavera nos Estados Unidos deram fôlego para os preços ontem nas bolsas do país. Em Chicago, os lotes para julho subiram 9,25 centavos, a US$ 4,8075 por bushel. Em Kansas, onde se oferta o trigo de melhor qualidade, os lotes para julho subiram 10 centavos, a US$ 4,87 por bushel. O USDA estimou que serão semeados 20,07 milhões de hectares em 2016/17, 9% a menos do que na safra atual. Dessa área, o cultivo de primavera deverá ocupar 4,57 milhões de hectares, o que foi considerado pouco pelos traders. Por outro lado, o órgão reportou forte alta nos estoques, de 20%, em 1 de março, para 37,34 milhões de toneladas. No Paraná, o preço médio ficou estável em R$ 40,22, segundo levantamento do Deral/Seab. (Valor Econômico 01/04/2016)