Setor sucroenergético

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Usinas no radar da Proterra

Apesar de ainda ter dois ativos de açúcar e etanol para serem "digeridos" (as duas usinas adquiridas no fim do ano passado do grupo Antônio Ruette Agroindustrial, em São Paulo), a gestora Proterra não descarta investimentos em novas usinas no Brasil, onde mais de uma dezena delas estão à venda.

Apesar de ter elegido o setor de grãos como foco neste momento, o sócio fundador da gestora, Brent Bechtle diz que "está sempre avaliando oportunidades". Reconhece, no entanto, que, neste momento, o mais difícil na aquisição desse tipo de ativo é encontrar um preço que seja "razoável" para todos os interessados. "O preço precisa ainda permitir à companhia ser sustentável no atual ambiente econômico".

Os aspectos operacionais (agrícolas e industriais) também são esmiuçadas com lupa pela gestora. Além de uma boa planta industrial, é necessário que ela esteja em condições de operar sem um "excessivo" Capex (investimento operacional), segundo ele. "Também precisa estar localizada em uma boa área para produção de cana­de­açúcar e com canaviais no seu entorno, que tenham sido tratados adequadamente e com soqueiras", afirma. A gestora também busca usinas que originem de canaviais próprios a maior parte de sua demanda.

Independentemente se serão concretizadas novas aquisições de usinas, a Proterra tem planos, ainda não tornados públicos, de investir para ampliar a capacidade das duas usinas recém-adquiridas no Estado de São Paulo. Atualmente, as duas unidades processam 3,6 milhões a 3,7 milhões de toneladas de cana por ano, e têm potencial para chegar a 7 milhões em cerca de quatro anos. (Valor Econômico 04/04/2016)

 

Investigação descobre novas contas secretas da Odebrecht

Uma investigação internacional sobre um escritório do Panamá conhecido por abrir empresas para esconder dinheiro ilícito aponta que a Odebrecht criou três firmas que operam contas secretas que são desconhecidas pelos investigadores da Operação Lava Jato, segundo reportagem do UOL deste domingo (4).

As empresas offshores controladas pela Odebrecht são as seguintes, de acordo com a reportagem: Davos Holdings Group SA, Crystal Research Services Pesquisa e Salmet Trad Corp.

A Odebrechet negocia um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República e não quis comentar o caso.

O escritório panamenho que criou as empresas é o Mossack Fonseca, que tem uma filial em São Paulo e também é investigado pela Lava Jato.

A apuração internacional começou quando o jornal alemão "Süddeustche Zeitung" obteve 11,5 milhões de documentos sobre o escritório do Panamá e compartilhou os papéis com 376 jornalistas de 109 veículos em 76 países, todos ligados ao ICIJ (Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos), uma entidade sem fins lucrativos com sede em Washington, nos Estados Unidos.

No Brasil, a investigação foi conduzida pelo UOL, que faz parte do grupoFolha, pelo jornal "O Estado de S. Paulo" e pela Rede TV!. A série de reportagens foi batizada internacionalmente de "Panama Papers".

A apuração revela que o escritório panameno criou empresas para 57 investigados no esquema de corrupção da Petrobras, de acordo com o UOL. Para esses investigados foram criadas 107 empresas offshores, ainda segundo o UOL.

Essas firmas podem ser legais ou ilegais, mas tem em comum o fato de operarem em paraísos fiscais para pagar menos impostos e dificultar que as autoridades descubram quem são seus verdadeiros donos.

LOBÃO E O BVA

Os papéis do Mossack Fonseca mostram que um operador de propinas do PMDB chamado João Henriques é sócio em uma offshore do ex-controlador do banco BVA, José Augusto Ferreira dos Santos.

O ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró havia citado em sua delação premiada a relação do BVA com o senador Edison Lobão (PMDB-MA). Segundo Cerveró, Lobão lhe deu ordens para não "atrapalhar" um investimento do fundo de pensão Petros, de funcionário da Petrobras, no BVA.

Esse banco quebrou em 2012, deixando um rombo de R$ 4,5 bilhões. Setenta fundos de pensão perderam recursos no BVA. O maior prejudicado foi o Petros, conforme a Folha revelou em janeiro de 2014.

As defesas de Lobão e de João Henriques não quiseram comentar o caso.

CUNHA

A documentação confirma que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), controla uma empresa offshore, a Penbur Holdings, que foi usada para receber suborno no exterior, de acordo com outro delator, o empresário Ricardo Pernambuco, da Carioca Engenharia.

O empresário disse em acordo de delação que pagou US$ 3,9 milhões a Cunha entre 2011 e 2014 para obter recursos da Caixa para investir no Porto Maravilha, um dos principais projetos do prefeito daquela cidade, Eduardo Paes (PMDB-RJ).

Documentos entregues pelo empresário à Procuradoria Geral da República mostram que a Penbur recebeu US$ 702,3 mil do total do suposto suborno pago ao presidente da Câmara.

Cunha nega com veemência que tenha recebido propina e que tenha contas ilegais no exterior.

Os papéis mostram que um empresário português que é suspeito de ter pago propina para Cunha, Idalécio de Oliveira, abriu empresas offshore pouco antes de vender campos de petróleo em Benin para a Petrobras, em 2011. O negócio resultou em prejuízo para a estatal brasileira. Investigadores da Lava Jato suspeitam que Cunha tenha recebido propina na Suíça por conta dessa transação, o que o presidente da Câmara refuta.

QUEIROZ GALVÃO

Uma das empresas investigadas na Lava Jato, a Queiroz Galvão, usou o escritório do Panamá para abrir duas offshores em junho de 2014, três meses depois de a Polícia Federal e do Ministério Público Federal desencadearam a operação.

A empresa foi aberta por Carlos Queiroz Galvão, sócio da empreiteira. A troca de correspondência com a Mossack Fonseca sugere que ele tinha pressa em criar as offshores.

Um outro documento da Queiroz Galvão aponta que a empreiteira pagava 3% de comissão de tudo o que receber do governo da Venezuela em um projeto de irrigação naquele país.

Carlos Queiroz Galvão diz que não ocupa nenhum cargo na empresa. Sobre o contrato na Venezuela, a empresa afirma que não fez nenhum pagamento ilegal no exterior.

SCHAHIN

O escritório do Panamá criou também uma empresa para Carlos Eduardo Schahin, sobrinho de Milton Schahin, que era controlador do banco que leva o seu sobrenome até ser vendido ao BMG em 2011.

A offshore, chamada Lardner Inverstiments Ltd. e aberta em 1996, tinha como sócios outros três executivos do banco: Eugênio Bergamo, Robert Van Dijk e Teruo Hyai.

Investigado pela Lava Jato, Milton Schahin fez um acordo de delação com os investigadores e revelou que o banco fez um empréstimo de R$ 12 milhões ao empresário José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula, que nunca foi pago.

Preso pela Lava Jato, Bumlai confessou que os recursos foram repassados ao PT e que o partido nunca quitou o empréstimo, mas recompensou a família com um contrato de R$ 1,6 bilhão da Petrobras, para operação de sondas de petróleo.

O PT nega que tenha recebido recursos ilícitos. Carlos Eduardo não quis fazer comentários sobre a offshore.

MENDES JÚNIOR

A empreiteira também adquiriu uma offshore da Mossack Fonseca, em 1997, chamada Lanite Development. Aparecem como sócios da offshore Jésus Murilo Vale Mendes, Ângelo Marcus de Lima Cota e Jefferson Eustáquio, que são, respectivamente, presidente, diretor financeiro e superintendente da Mendes Júnior.

A empreiteira diz que a Lanite foi aberta como parte de um projeto de internacionalização da Mendes Júnior que não foi adiante. Por isso, segundo a empresa, a offshore ficou inativa.

OUTRO LADO

A Mossack Fonseca disse em nota que só abre as empresas offshores, mas não tem interferência na operação delas. O escritório afirma respeitar a lei e, em 40 anos, nunca foi acusada de nenhum crime. "Temos orgulho do trabalho que fazemos, independentemente das ações recentes de alguns que buscam caracterizar nossa trabalho de forma errônea". (Folha de São Paulo 04/04/2016)

 

Açúcar: Movimento técnico

O açúcar voltou a registrar queda na bolsa de Nova York na sexta-feira, em um dia pressionado pelo cenário macroeconômico e por vendas técnicas de fundos.

Os papéis do açúcar demerara para entrega em julho fecharam com queda 18 pontos, a 15,27 centavos de dólar a libra-peso.

A queda do petróleo colaborou para pressionar o produto. Mas o baixa foi ditada principalmente pela liquidação de posições compradas por parte dos fundos especulativos e pela abertura de posições vendidas.

Não houve mudanças no campo dos fundamentos que justificassem a desvalorização ocorrida nos dois últimos pregões, na avaliação de analistas.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal permaneceu estável em R$ 76,64 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 04/04/2016)

 

Grupo Moreno reestrutura endividamento de R$ 1,5 bi

O Grupo Moreno, um dos principais produtores de açúcar e etanol de São Paulo, assinou na quinta-feira com credores um acordo com duração de 18 meses para reestruturar sua dívida, na casa dos R$ 1,5 bilhão. O grupo detém três usinas sucroalcooleiras que somam capacidade para moer 13 milhões de toneladas de cana por safra.

Durante esses 18 meses de carência, a empresa vai negociar com credores as condições do alongamento da dívida e uma eventual necessidade de desalavancagem, o que pode significar venda de ativos ou de participação na empresa. A relação entre a dívida do grupo e sua capacidade de moagem de cana é de R$ 130 por tonelada ­ acima do patamar considerado "razoável" pelo mercado, de até R$ 100 por tonelada.

Ao todo, 23 bancos estão participando diretamente ou indiretamente da reestruturação da dívida, o que significa 100% de adesão, segundo garantem fontes próximas às negociações. Cerca de 30% dos credores se anteciparam, e já repactuaram o prazo de vencimento da dívida do grupo por cinco anos. Os 70% restantes participam diretamente, ou seja, assinaram o acordo para renegociar as condições ao longo dos próximos 18 meses. Entre os principais bancos credores estão Santander, Rabobank, HSBC e Citi.

As três unidades industriais do grupo, localizadas nos municípios paulistas de Luiz Antônio, Monte Aprazível e Planalto, processaram na safra 2015/16 em torno de 11 milhões de toneladas de cana. Nos últimos anos, a empresa vinha investindo na expansão do canavial, e foi penalizada, assim como todo o setor, pelos preços mais baixos do açúcar e do etanol. (Valor Econômico 04/04/2016)

 

Produtores de açúcar da África procuram novos mercados

As barreiras comerciais e a infraestrutura ruim estão impedindo o acesso dos produtores de açúcar da África subsaariana a regiões com pouco abastecimento no continente em um momento em que o iminente fim das cotas de importação da União Europeia os obriga a procurar novos mercados.

O acordo em vigor com a UE para acesso preferencial de produtores de açúcar da África, do Caribe e da região do Pacífico terminará em setembro de 2017, possivelmente privando os produtores de um maior acesso a um mercado livre de impostos. As exportações para a UE respondem por um quinto da produção anual atual da região subsaariana, de cerca de 7,5 milhões de toneladas, segundo o Cooperatieve Rabobank UA.

A África subsaariana consome mais açúcar do que produz, mas os agricultores poderão ter dificuldades para reduzir esse déficit. Os motivos: a infraestrutura insuficiente dificulta as entregas entre as regiões e os impostos de importação elevam o custo das vendas, disse Lindsay Jolly, economista sênior da Organização Internacional do Açúcar.

"A primeira pergunta é: há infraestrutura à disposição, rodovias comerciais ao longo da África?", disse Jolly, na quinta-feira, em conferência em Maputo, Moçambique. "A resposta é não. Os operadores menos competitivos podem ter que produzir menos".

Projeção de consumo

A África subsaariana consumirá 10,2 milhões de toneladas de açúcar em 2016, criando uma escassez de oferta de cerca de 2,4 milhões de toneladas na região, segundo a Organização Internacional do Açúcar. As vendas para a UE respondem pela vasta maioria das exportações da Maurícia e de Moçambique e por cerca de metade das vendas ao exterior da Suazilândia, disse Gareth Forber, chefe de pesquisa para o açúcar da LMC International, na conferência.

Embora a produção de açúcar da UE deva aumentar quando as medidas reformistas entrarem em vigor, no ano que vem, os produtores africanos ainda poderão vender para alguns mercados da região, especialmente do sul da Europa, disse Jack Marrian, chefe de negociação de açúcar para o sul e o leste da África na ED&F Man Holdings, em Maputo. As entregas a partir da África para essa região estão, em muitos casos, mais baratas do que as exportações oriundas do norte da Europa, que respondem pelo grosso da produção do continente, disse Marrian. Muitos produtores europeus produzem açúcar a partir da beterraba plantada no solo local.

A UE continuará comprando açúcar bruto africano, mas em menor quantidade, disse Ruud Schers, analista para o açúcar do Rabobank em Utrecht, Holanda, por telefone. "Isso significa que esses volumes precisarão ir para as residências de outros lugares".

Projetos atuais poderão elevar a produção açucareira da África subsaariana a 10 milhões de toneladas nos próximos seis anos, disse Schers. Embora o consumo global esteja crescendo a um ritmo anual de 1,5 por cento a 2 por cento, a demanda do continente poderá superar as 12,2 milhões de toneladas, cerca de 22 por cento a mais que o consumo atual, até 2020 e criar mais oportunidades para os produtores, disse ele.

Apesar da demanda crescente, alguns produtores poderão engavetar novos projetos em regiões onde há oferta abundante, disse Larry Riddle, diretor comercial da Illovo Sugar na África do Sul.

Novos setores

Os agricultores poderão investir em novos setores que criarão demanda para o seu produto, como a elaboração de etanol, disse Jose Orive, diretor-executivo da Organização Internacional do Açúcar, que tem sede em Londres, na conferência. Países como a Maurícia começaram a investir em infraestrutura de refino para diversificarem o negócio, indo além das exportações de açúcar bruto, disse Schers.

Os produtores africanos poderão encontrar novos compradores no continente se desbancarem parte do total de 1,5 milhão de toneladas a 2,5 milhões de toneladas deaçúcar brasileiro, indiano e tailandês enviado às regiões leste e sul da África todos os anos, disse Forber, da LMC International.

"Para que isso aconteça, o acesso aos mercados será extremamente importante", disse Forber. "Depende muito do resultado dos acordos regionais de livre comércio".

Os contratos futuros do açúcar bruto caíram em mais da metade desde o início de 2011. (Bloomberg 01/04/2016)

 

Colheita da cana mecanizada chega a 98% na região de Ribeirão Preto

Segundo associação de plantadores, 98% das colheitas são feitas com máquinas.

A colheita mecanizada da cana-de-açúcar avança no País e na região de Ribeirão Preto. De acordo com Manoel Carlos de Azevedo Ortolan, presidente da Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo (Canaoeste), 98% das colheitas na região de Ribeirão são feitas com máquinas agrícolas. Segundo o pesquisador Carlos Eduardo Fredo, do Instituto de Economia Agrícola (IEA), em 2007, o município de Ribeirão tinha apenas 52,3% da cana-de-açúcar colhida por máquinas.

Acordo

A proibição da queimada dos canaviais foi um fator que acelerou o processo de mecanização da colheita. Em 2007, os produtores rurais e o governo do Estado de São Paulo firmaram um acordo que antecipou o fim da queima da cana.

Contudo, a implantação da colheita mecanizada gerou polêmica desde o início. Apesar de o corte manual dos canaviais ser um trabalho degradante, segundo Silvio Palviqueres, presidente do Sindicato dos Empregados Rurais de Ribeirão, “entre 80% e 90% dos boias frias perderam o emprego e tiveram que buscar uma nova atividade na construção civil ou voltaram para suas regiões de origem”.

Capacitação

Segundo o pesquisador Carlos Eduardo Fredo, entre 2007 e 2015 foram fechados 5,4 mil postos de trabalho ligados ao corte da cana-de-açúcar no município de Ribeirão. “É um grande impacto e é difícil mensurar o número dos que conseguiram se requalificar para outras ocupações seja no setor sucroalcooleiro, seja em outras atividades ligadas ao setor agropecuário”, comentou o pesquisador.

Silvio Palviqueres afirmou que as usinas chegaram a realizar programas de incentivo à capacitação profissional dos boias-frias, porém, com a longa jornada de trabalho, muitos operários desistiram. “As usinas até incentivavam os estudos, mas os trabalhadores desanimavam, pois tinham que trabalhar o dia inteiro no sol cortando toneladas de cana e à noite assistir aulas”, explicou Palviqueres.

Análise - Mecanização aumenta a produtividade

A mecanização do corte nas lavouras de cana-de-açúcar é um fator crucial no aumento da produtividade. Apesar dos efeitos que gera na redução do emprego, é dessa forma que as sociedades conseguem avançar e se tornarem mais produtivas. Em outras palavras, apesar de alguns custos sociais de curto prazo, o crescimento da produtividade é a base da evolução econômica.

Nesse ponto, o governo possui um papel importante em oferecer treinamento para mão de obra que acaba sendo liberada das lavouras, para adequá-la em outras atividades. Por exemplos, as atividades relacionadas ao setor de serviços carecem de mão de obra qualificada para o aumento de produtividade.

A mão de obra liberada pela mecanização do corte da cana foi muito absorvida pela construção civil, sendo que esta se encontra dificuldades pelo cenário recessivo atual. No entanto, isso já é mais uma questão conjuntural da economia brasileira. Luciano Nakabashi, Professor de Economai da FEA/USP. (A Cidade 01/04/2016)

 

Bertin diz não saber que frigorífico foi usado em empréstimo de Bumlai

O empresário Natalino Bertin afirmou, em epoimento à Lava Jato, não saber que o frigorífico Bertin foi usado por José Carlos Bumlai, em 2004, para montar uma operação de R$ 12 milhões ligada ao PT.

Segundo ele, o dinheiro "entrou e saiu das contas do frigorífico" sem seu conhecimento.

De acordo com o Ministério Público Federal, Bumlai, empresário e amigo do ex-presidente Lula, pegou um empréstimo de R$ 12 milhões com o Banco Schahin em 21 de outubro de 2004, e, no mesmo dia, transferiu o montante para o frigorífico Bertin.

Deste valor, R$ 6 milhões, diz a investigação, foram então repassados a uma empresa chamada Remar Assessoria e Agenciamento Ltda, que, depois, fez o dinheiro chegar ao empresário Ronan Maria Pinto.

A procuradoria aponta que o PT pretendia usar o dinheiro para silenciar Ronan Maria Pinto, que teria ameaçado contar o que sabia sobre o envolvimento de lideranças do partido com o assassinato do então prefeito Celso Daniel (PT), em 2002.

Em depoimento, Bumlai afirmou que pediu a Natalino Bertin, seu "amigo de longa data" segundo ele, para receber os R$ 12 milhões na conta do frigorífico, sem que ambos soubessem o destinatário final do montante.

Ao depor no dia 2 de fevereiro, Bertin, no entanto, disse que a versão de Bumlai "não corresponde à realidade". Ele afirmou ainda que não conhece Ronan Maria Pinto, ninguém do Schahin e que "não sabe como foi justificada contabilmente a saída do dinheiro das contas do frigorífico".

Bertin afirmou também que não tem ciência do destino dos outros R$ 6 milhões transferidos por Bumlai –além dos R$ 6 milhões repassados para a Remar e, depois, a Ronan Maria Pinto.

Natalino Bertin contou que, em 2005, fez um empréstimo de R$ 12 milhões a Bumlai, mas que a dívida jamais foi paga.

O empresário relatou que, certa vez, o ex-ministro José Dirceu afirmou a ele que tinha "uma oportunidade" de usina de açúcar em Cuba. O assunto, segundo ele, no entanto, "não foi para frente".

A Folha procurou a empresa Remar, mas não houve resposta até a conclusão desta reportagem. (Folha de São Paulo 01/04/2016)

 

Agronegócio é um dos setores mais beneficiados

Entre as propostasmais recentes, está a isenção de PIS/Cofins para a importação de milho.

O agronegócio tem sido um dos setores que mais receberam benesses do governo, tendo a maioria das demandas atendidas. Entre as mais recentes está a proposta da ministra da Agricultura, Kátia Abreu, de isenção do PIS/Cofins para a importação de milho. Segundo analistas, a medida é marginalmente positiva para a BRF e para a JBS, podendo reduzir o custo com ração entre 1,7% e 2%.

Para o setor de produção de ração, entrou na lista de benesses a melhoria no programa de venda do milho balcão (com ampliação das vendas), a utilização de instrumentos governamentais para o escoamento dos excedentes do grão das regiões produtoras e a desoneração de PIS e Cofins para importação de outros países.

Para o café, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou Orçamento de R$ 4,6 bilhões para o Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), um aumento de 12% em relação ao ano passado. Outra medida que afeta o caixa da União é a proposta do Ministério da Agricultura que prevê a dedução das despesas financeiras na cobrança de Imposto de Renda (IR) e da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) sobre as receitas de aplicações financeiras obtidas pelas cooperativas. Com essa medida, o governo acena para as regiões Sul e Sudeste do País, onde ficam as sesdes da maioria das cooperativas. Além disso, as maiores rejeições à presidente Dilma Rousseff estão nesses Estados.

O governo também abriu mão de tributar as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), mesmo em um cenário em que precisa aumentar a carga tributária para melhorar o caixa.

Para este ano, produtores rurais que tinham perdido o prazo para tomar empréstimos mais baratos cujo funding eram os fundos constitucionais, ganharam mais tempo. Se as datas não fossem alteradas, os produtores que já estavam com os contratados fechados, mas não tinham tomado os recursos, pegariam o dinheiro com uma taxa nova, mais elevada que a do ano passado. O governo ainda está desenhando medidas para ajudar na reestruturação da dívida do setor de etanol e dos produtores de arroz.

Também se discute nos gabinetes do Ministério da Agricultura uma medida que prevê um modelo de seguro para faturamento em casos de perdas na produção. A ideia é assegurar renda ao produtor nos momentos de oscilação do preço e de variação de produtividade. A pasta não tem estimativa de impacto fiscal, mas, desde que assumiu o cargo, a ministra deseja um orçamento de R$ 1 bilhão para o seguro rural. (O Estado de São Paulo 04/04/2016)

 

Argentina eleva mistura obrigatória de etanol na gasolina a 12%

O governo argentino aumentou nesta sexta-feira a proporção de etanol que deve ser misturada à gasolina no país para 12 por cento, ante 10 por cento, com o objetivo de impulsionar a combalida indústria de açúcar local.

A Argentina, um dos maiores produtores mundiais de alimentos, sofre com um déficit energético que pode ser parcialmente aliviado com o uso de biocombustíveis.

Os dois pontos percentuais de aumento na parcela de etanol serão fornecidos exclusivamente pela indústria de açúcar, que atualmente fornece proporcionalmente menos etanol para uso na gasolina que os produtores de milho.

Agora o etanol adicionado à gasolina será fornecido em partes iguais pelos produtores de açúcar e de milho.

Em um decreto publicado no Diário Oficial de sexta-feira, o Ministério de Energia ressaltou que busca "estabilidade no fornecimento do biocombustível e obter uma segurança energética maior em virtude da diversificação das matérias primas". (Reuters 01/04/2016)

 

Venda de adubo deve aumentar 4% neste ano

Mesmo com o cenário das recentes quedas internacionais de preços das commodities, o volume de fertilizantes a ser entregue aos produtores brasileiros deverá aumentar 4,3% neste ano em relação ao que foi entregue em 2015.

A estimativa é de Victor Ikeda, analista do departamento de pesquisa e análise setorial do Rabobank, instituição financeira especializada no setor de agronegócio.

Com isso, após a forte retração de 6,2% nas vendas do ano passado, o volume de 2016 ficaria entre 30,5 milhões e 31,5 milhões de toneladas.

A estimativa de alta para este ano está em linha com a taxa de crescimento das vendas de adubo nos últimos 15 anos no país.

Segundo Ikeda, o desequilíbrio global, devido ao excesso de oferta e à demanda desaquecida, vem provocando queda nos preços dos fertilizantes desde o início de 2015.

Por isso, os preços nos portos brasileiros neste início de ano indicam queda de 25% em relação a igual período de 2015.

A indústria internacional de fertilizantes tem efetuado cortes na produção, a fim de adequar a oferta à demanda e dar suporte aos preços.

Mas o cenário de fraca demanda deverá persistir em 2016, avalia Ikeda.

Já no Brasil, alguns fatores poderão dar sustentação aos preços. Entre eles, a intensificação da demanda interna, custos portuários e fretes. Além disso, grande parte do produto é importada e deve ser impactada pelo dólar.

O momento é apropriado para a compra dos adubos em dólar, mas o produtor deve ficar atento à alta volatilidade cambial no país, avalia o analista do Rabobank. (Folha de São Paulo 02/04/2016

 

Açúcar: Duas faces de um mesmo mercado – Por Arnaldo Luiz Corrêa

O mercado futuro de açúcar em NY despencou na semana encerrada nesta sexta-feira por duas razões fundamentais: a primeira, o começo da moagem de cana no Centro-Sul e o início da produção de etanol pressionaram os preços do combustível que mergulharam de R$ 2,2000 por litro para R$ 1,8000 por litro. Em geral, o início da safra é o período em que as usinas, em especial aquelas com – eufemisticamente dizendo - reduzida flexibilidade no fluxo de caixa, precisam fazer dinheiro para atender aos compromissos assumidos durante a entressafra. Vendem o produto com a velocidade e necessidade que o momento impõe e evidentemente aumentam o desconto.

A segunda razão é a liquidação parcial das maciças compras dos fundos avalizadas pela performance estrondosa de um mercado que simplesmente se valorizou fortemente em um curto espaço de tempo e é natural que decidam tomar lucro. Só que os fundos reportaram uma posição comprada até a última terça-feira, quando os dados são apurados, de nada menos de 224.000 contratos (quase batendo o recorde de 2008 quando eles possuíram quase 240.000). Ou seja, adicionaram mais compras num mercado em queda. O fechamento fraco da semana poderá acionar mais liquidações dos fundos (que devem ter liquidado entre quarta e sexta) após a divulgação do elevado volume de posição comprada por parte deles. Pode cair mais na segunda-feira!

Mas, atenção: o fraco desempenho de NY na semana, com vencimento maio/2016 perdendo 17 dólares por tonelada em relação à semana anterior e fechando a 15.18 centavos de dólar por libra-peso, não invalida o que temos discutido aqui sobre os fundamentos construtivos de longo prazo.

Oscilações como as que tem ocorrido no açúcar são naturais no mercado de commodities mormente quando o futuro no curto prazo “ignora” o comportamento do mercado físico. Faltou a este, vinculado que está a oferta e demanda do produto espelhar o vigor do mercado futuro que é alimentado pelos fundos por razões e fatores muitas vezes exógenos à própria commodity. Pois bem, o físico se mantém devagar e a falha em não validar o movimento do futuro, acaba esgarçando o tênue tecido deste. Assim, NY assistiu a uma queda quase que linear de 17-18 dólares por tonelada nos quatro meses que representam a safra 2016/2017 do Centro-Sul e, ao longo da curva de preços que se estende até outubro de 2018, também teve desempenho negativo entre 5 e 14 dólares por tonelada.

O fechamento da sexta-feira coloca o açúcar para maio/2016 equivalendo R$ 1.268 por tonelada FOB (ainda um excelente preço). Como dissemos aqui na semana passada, NY tinha espaço para cair mais é isso efetivamente ocorreu. Não acredito em pressão substancial oriunda de fixações de preço por parte das usinas uma vez que, como demonstrado recentemente pelo modelo de preço desenvolvido pela Archer Consulting, tem muito pouco açúcar para ser fixado contra a tela de maio.

O longo prazo continua construtivo e as expectativas de produção seja no Centro-Sul, seja na Tailândia ou na Índia deverão se consolidar ao longo do ano apontando para preços mais altos em centavos de dólar por libra-peso. Minha preocupação é que haverá uma potencialização desse quadro de disponibilidade por parte do Brasil até meados do segundo semestre deste ano. A renovação do canavial foi muito aquém do necessário, o volume de produção de cana está basicamente estagnado há anos, a produção de ATR pode ir para seu quarto ano consecutivo de queda. As projeções de produção e consumo, extremamente conservadoras, mostram uma razoável possibilidade de déficits para 2017/2018 e 2018/2019. O quadro, mesmo conservadoramente, é muito positivo.

Qual produtor vai suprir as dezenove milhões de toneladas de açúcar adicionais que o mundo vai consumir em 2020/2021? Como serão supridas as 110 milhões de toneladas de cana que o Brasil vai precisar moer em 2020/2021 para atender a demanda de etanol no mercado interno, do açúcar no mercado interno e da exportação de açúcar, assumindo neste caso que não vamos exportar mais do que 25 milhões de toneladas? Uma pergunta de um milhão de dólares!

Mudando de assunto, fique de olho: as opções de maio vencem daqui a duas semanas. Existem quase 24.000 calls em aberto no preço de exercício de 15.50 e 16.00 centavos de dólar por libra-peso. Aqueles que venderam calls especulativamente podem se assustar numa subida repentina de mercado e ter que ajustar suas posições via delta. Do lado das puts, a mesma quantidade paira entre os preços de exercício de 13.50 e 14.00. Podemos ter um vencimento de opções bastante animado e volátil, bem ao gosto dos especuladores.

A ADM anunciou em nota a venda de suas operações de etanol no Brasil. A empresa informou que regularmente revisa seu portfólio de ativos com intuito de maximizar o retorno ao acionista. Diz a nota que “as operações da empresa no país são muito pequenas para possibilitar um retorno efetivo num ambiente desafiador como o do etanol”. Qual multinacional estará satisfeita com as compras de usinas que fizeram no passado?

O mercado aposta freneticamente em duas datas chave: quando a presidente Dilma Rousseff cai e quando o ex-presidente Lula será preso. Meu Blue Label aguarda impaciente ser degustado.

O Demarest Advogados promove dia 13 de abril o evento Arbitragem no Agronegócio. Para mais informações contate afaraujo@demarest.com.br

Caso você queira receber nossos comentários semanais de açúcar diretamente no seu e-mail basta cadastrar-se no nosso site acessando o link http://archerconsulting.com.br/cadastro/ (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Movimento técnico: O açúcar voltou a registrar queda na bolsa de Nova York na sexta-feira, em um dia pressionado pelo cenário macroeconômico e por vendas técnicas de fundos. Os papéis do açúcar demerara para entrega em julho fecharam com queda 18 pontos, a 15,27 centavos de dólar a libra-peso. A queda do petróleo colaborou para pressionar o produto. Mas o baixa foi ditada principalmente pela liquidação de posições compradas por parte dos fundos especulativos e pela abertura de posições vendidas. Não houve mudanças no campo dos fundamentos que justificassem a desvalorização ocorrida nos dois últimos pregões, na avaliação de analistas. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal permaneceu estável em R$ 76,64 a saca de 50 quilos.

Algodão: Projeção questionada: Os contratos futuros do algodão ganharam fôlego no fim do pregão de sexta-feira na bolsa de Nova York em meio a incertezas com a safra 2016/17. Os lotes para julho subiram 53 pontos, fechando a 58,84 centavos de dólar a libra-peso. Analistas e investidores têm questionado a perspectiva de que a área plantada com algodão nos Estados Unidos avançará 11%, para 3,87 milhões de hectares, como indicado no dia anterior pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Avalia-se que as fortes chuvas que caíram na porção sul do país onde se concentra o cultivo da pluma podem atrapalhar os planos dos produtores. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias subiu 0,05%, para R$ 2,4344 a libra-peso.

Soja: Nova alta em Chicago: Os preços futuros da soja galgaram mais uma alta na sexta-feira na bolsa de Chicago, ainda diante do cenário de possível redução de área plantada nos Estados Unidos. Os papéis para julho subiram 8,25 centavos, a US$ 9,26 o bushel. Na dia anterior, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estimou que o cultivo seria reduzido em 1%, para 33,27 milhões de hectares na safra 2016/17. Para analistas, a reação "altista" dos preços ainda pode alterar os planos dos produtores e a correlação com a área a ser semeada com milho. A valorização do óleo de soja, que responde à redução da oferta de óleo de palma da Malásia, também ofereceu suporte para as cotações do grão. No Paraná, o preço médio da soja caiu 0,02% para R$ 63,23 a saca, de acordo com o Deral/Seab.

Milho: Área em xeque: Após despencarem na quinta-feira, os preços futuros do milho reagiram na sexta e fecharam no campo positivo na bolsa de Chicago. Os lotes para entrega em julho subiram 2 centavos, cotados a US$ 3,5775 o bushel, na esteira de incertezas quanto às projeções de plantio do grão nos Estados Unidos. Para o Departamento de Agricultura americano (USDA), a área plantada com milho aumentará 6% em 2016/17, para 37,88 milhões de hectares. No entanto, analistas já levantaram dúvidas com relação à estimativa e observaram que o efeito negativo sobre os preços após a divulgação das projeções pode limitar a efetivação do plantio nessa extensão. No mercado doméstico, também houve valorização. O indicador Esalq/ BM&FBovespa para o grão registrou alta de 0,46%, para R$ 49,91 a saca. (Valor Econômico 04/04/2016)