Setor sucroenergético

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Rumor de que a Petrobras pode reduzir preço da gasolina fez ações de sucroenergéticas caírem na bolsa

O Ibovespa caía nesta segunda-feira (4). Além do cenário político, as ações da Petrobras (PETR4) caíam mais de 3% com a notícia de uma possível redução nos preços dos combustíveis. A interpretação é que o corte também poderia ser visto como um movimento populista do governo, que controla a companhia.

No entanto, também existe uma preocupação com a perda de mercado por parte da Petrobras. Ao manter os preços mais altos, a estatal abriu brecha para que distribuidoras privadas importem combustíveis a preços mais baratos do que o cobrado em suas refinarias, o que agrava a queda do mercado. Com isso, as concorrentes da BR podem vender mais barato e ganhar mercado, ou elevar margens de lucro.

"A diretoria da empresa queria reduzir [os preços dos combustíveis]. O conselho de administração reagiu com firmeza contra. Não é certo que haverá [redução dos preços]. O presidente do conselho, Nelson Carvalho, pediu para a empresa cancelar [a decisão de redução dos preços] e desmentir [nota publicada na coluna de Lauro Jardim, no "O Globo" neste domingo de manhã", disse uma fonte ao Valor Econômico.

O rumor acabou derrubando as ações de produtores de etanol, como Cosan (CSAN3) e São Martinho (SMTO3). Os papéis das companhias caíram mais de 5%. (Exame 04/04/2016)

 

Açúcar: Brasil no foco

Os preços do açúcar recuaram ontem na bolsa de Nova York num dia em que as atenções dos investidores se voltaram para o Brasil.

Os contratos para julho caíram 45 pontos, a 14,82 centavos de dólar a libra-peso.

A principal influência veio dos rumores de que a Petrobras poderia cortar o preço dos combustíveis no país para equalizar às cotações internacionais do petróleo.

Esse corte reduziria a competitividade do etanol e incentivaria as usinas a direcionarem mais cana-de-açúcar para a fabricação de açúcar.

O início da moagem da safra 2016/17 no Centro-Sul do país em meio a um tempo firme colaborou para exercer pressão sobre os preços.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal negociada em São Paulo caiu 0,29%, para R$ 76,42 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 05/04/2016)

 

Definidos volumes de cota adicional de açúcar para os EUA para cada exportador

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) definiu quanto cada empresa brasileira exportadora de açúcar poderá comercializar para os Estados Unidos por meio da cota adicional de 13,1 mil toneladas. Recentemente, os EUA anunciaram que o Brasil foi um dos países beneficiados com o volume adicional de exportação do produto, em substituição a mercados que não preencheram suas cotas.

Inicialmente, a cota brasileira de exportação de açúcar para os EUA, este ano, era de 155,7 mil toneladas (equivalente a US$ 48 milhões). O volume adicional de 13,1 mil toneladas representa cerca de US$ 4 milhões.

Após consulta aos países detentores de cotas preferenciais, o escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos identificou 86.533 toneladas em cotas não preenchidas do produto e resolveu redistribuí-las.

Brasil, Filipinas, Austrália e República Dominicana foram os países beneficiados com a cota extra. As exportações realizadas dentro da cota são livres da cobrança de imposto de importação nos EUA.

O mercado brasileiro se destaca como um dos tradicionais fornecedores de açúcar em bruto aos EUA. Em 2015, o produto do Brasil ocupou a segunda posição em valores importados pelo país (US$ 108 milhões), e terceira, em quantidade importada (222 mil toneladas).

A decisão sobre a distribuição do volume da cota adicional para os exportadores brasileiros de açúcar foi publicada no Diário Oficial da União de sexta-feira (1). Por determinação legal, os volumes foram distribuídos a produtores das unidades das regiões Norte e Nordeste. (Mapa 05/04/2016)

 

Governo impõe ultimato à Abengoa

O governo deu prazo até o fim deste mês para uma solução "amigável" em torno dos ativos da multinacional espanhola Abengoa no Brasil. A expectativa das autoridades do setor elétrico é que possa haver, ainda em abril, um entendimento com os chineses da State Grid para a transferência do controle de um punhado de linhas de transmissão de energia, incluindo o Linhão Pré-Belo Monte, assim chamado porque permitirá o escoamento à região Nordeste da eletricidade gerada pela mega-usina amazônica.

Se não houver uma solução definitiva até o fim de abril, segundo fontes que participam diretamente das discussões, duas medidas serão tomadas para a saída do impasse. O atraso na construção das obras preocupa cada vez mais. Diante disso, uma medida será a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) decretar intervenção administrativa nas linhas já em operação pela Abengoa. Para os projetos em construção ou que ainda não tiveram obras iniciadas, caso do Linhão Pré-Belo Monte, haverá a abertura de processos de caducidade (fim) da concessão pela agência reguladora. Esse é um caminho tido como mais rápido para a retomada e re-licitação dos ativos.

Além da State Grid, a estatal Furnas, especula-se que em parceria com o fundo canadense Brookfield, já admitiu interesse em adquirir ativos da empresa espanhola. Um dos obstáculos são as apertadas taxas de retorno dos empreendimentos. A Abengoa arrematou essas linhas no momento em que o WACC - sigla que define a remuneração para o capital próprio dos investidores, estava nos níveis mais baixos. Para complicar, ainda ofereceu deságio em seus lances.

Aposta é em solução 'amigável' que envolva chineses da State Grid; sem isso, resposta inclui retomada da concessão

Apesar do agravamento da crise política e do aprofundamento da recessão, o governo resolveu manter o próximo leilão de transmissão para o dia 13. Serão ofertados 26 empreendimentos, que somam 6,5 mil quilômetros de linhas e R$ 12 bilhões de investimentos. O governo aposta no sucesso do certame e que, se não todos, pelo menos a maioria dos lotes receberá propostas.

Na avaliação das autoridades, os ajustes feitos recentemente nas taxas de retorno (que foram elevadas) e no prazo de construção das obras (até 60 meses) foram muito bem recebidos pelas empresas, que teriam acenado concretamente com lances em pelo menos metade dos lotes.

Ao contrário de rodovias e portos, cujos leilões previstos para o primeiro trimestre foram adiados ou desacelerados, assegura-se no governo que não há motivos para postergar a licitação do dia 13. Rodovias e portos são mais vulneráveis à demanda, por exemplo, de veículos e de cargas para encher navios. Ativos na área de energia têm receita fixa e o maior risco para o empreendedor é atrasar o cronograma. Portanto, a crise tende a afetá-los muito menos. Já o risco de atraso foi atenuado pelos novos prazos de implantação das linhas. Antes, tinham 36 meses para ficar prontas e entrar em operação.

De acordo com fontes do governo, a participação da Eletrobras no leilão da próxima semana está condicionada ao cronograma de pagamento das indenizações para ativos de transmissão construídos antes de maio de 2000 e que tiveram suas concessões prorrogadas pela MP 579.

A medida provisória, publicada em 2012 com o intuito de reduzir as contas de luz e depois convertida na Lei 12.783, garantiu cobertura para os investimentos ainda não amortizados das concessionárias. No entanto, a fatura às transmissoras foi quitada apenas para os ativos erguidos de maio de 2000 em diante.

Estima-se que as empresas ainda tenham R$ 20 bilhões para receber. O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, vem sinalizando que o acerto será feito por meio de um acréscimo às tarifas durante cinco anos. Esse acréscimo, que teria como destino o pagamento das indenizações remanescentes, começaria em 2019 ou em 2020.

O governo esticou o prazo de início de recolhimento para não onerar os consumidores no período em que outros encargos também vão pesar sobre as contas de luz, como a devolução dos empréstimos às distribuidoras.

Uma definição está bastante perto de sair. Os últimos detalhes estão sendo tratados por Braga e pelo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa. Não só o grupo estatal considera importante a decisão. A liberação desses recursos, ainda que não seja à vista, tende a servir como garantia na obtenção de financiamentos bancários. (Valor Econômico 05/04/2016)

 

No bimestre vendas de etanol caem 6,8%, diesel 6,6% e gasolina 2,6%

A crise econômica no país faz com que as vendas de combustíveis registrem queda pela segunda vez consecutiva no primeiro bimestre. E dessa vez, a redução no comércio de diesel, gasolina e etanol é ainda maior.

Segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), o total comercializado pelas distribuidoras nos dois primeiros meses caiu 5,5% –em 2015, a queda foi de 1,9%.

Combustível mais consumido no país devido ao peso do transporte rodoviário de cargas, o diesel apresentou queda de 6,6%. Mas houve redução também de etanol (-6,8%), que sofre com a entressafra de cana-de-açúcar, e da gasolina (-2,6%).

A diminuição é reflexo do movimento nas rodovias. Segundo o índice ABCR (Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias), nos dois primeiros meses, houve queda de 4,6% no fluxo de veículos pesados nas rodovias e de 1,4% no de leves.

Nos últimos 12 meses, a redução atinge 5,1% nos pesados e 0,9%, nos leves. O índice é calculado com base no total de veículos que passam pelas praças de pedágio.

DIESEL E PIB

No caso do diesel, a venda desse combustível tem acompanhado o desempenho da economia na última década. Em 2007, por exemplo, o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 6,1% e a comercialização do diesel aumentou 6,53%.

Nos dois anos de PIB negativo, o diesel seguiu o ritmo: em 2009, as vendas do ano todo caíram 1,03%, enquanto o PIB recuou 0,1% e, em 2015, as quedas foram de 4,69% e 4,77%, respectivamente.

Segundo o índice ABCR (Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias), nos dois primeiros meses houve queda de 4,6% no fluxo de veículos pesados nas rodovias e de 1,4% no de leves. A taxa é calculada com base no total de veículos que passam pelas praças de pedágio.

"É uma situação compatível com a dinâmica industrial. O deslocamento de cargas depende do ritmo de produção. Como a produção está em retração, há arrefecimento no movimento nas rodovias", disse Luciano Bacciotti, economista da Tendências Consultoria, que calcula o índice em parceria com a ABCR. Em São Paulo, a retração é mais acentuada, de 6% no fluxo de veículos pesados.

ETANOL: QUEDA APÓS RECORDE

Apesar de ter crescido 37,5% e batido recorde de vendas em 2015impulsionado por incentivos tributários, o etanol atingiu em fevereiro o pior volume desde setembro de 2014.

As vendas foram menores também graças à entressafra das usinas, que tradicionalmente encerram a moagem de cana em dezembro e retomam a produção a partir de março. No período, os estoques caem e os preços sobem.

A perda de competitividade do etanol ocorre desde novembro, quanto o preço chegou a 70,7% do valor da gasolina –até 70% ele é mais vantajoso–, segundo a pesquisadora Ivelise Bragato, do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP.

"Em fevereiro a relação chegou a 76% e ficou ainda mais agravada para o etanol, o que não ocorria desde 2011."

O preço do etanol só não subiu mais porque havia 23 usinas moendo cana em fevereiro, fora do período tradicional, devido a três fatores: a necessidade de fazer caixa, moer sobra do ano passado, que foi chuvoso, e aproveitar o preço em alta.

O início de ano ruim confirma tendência verificada ao longo do ano passado, quando as vendas caíram 1,9% no mercado de combustíveis –a primeira desde 2013. Além de diesel, gasolina e etanol, o levantamento da ANP computa combustíveis como gasolina de aviação, GLP e querosene de aviação, entre outros (Folha de S.Paulo, 5/4/16)

Alta do etanol pode derrubar presidente do Conselho da Petrobras 

Medidas da estatal colocam biocombustível em desvantagem perante a gasolina

Presidente do Conselho de Administração da Petrobras, o professor da USP Nelson Carvalho pode perder o cargo caso mantenha a política de redução do preço da gasolina, de acordo com apuração do Jornal do Brasil.

As medidas da diretoria prejudicam a concorrência com o etanol e aprofundam os problemas financeiros da estatal. De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), os preços do biocombustível subiram em 20 estados brasileiros na semana passada.

Em São Paulo, o principal estado produtor, a cotação subiu 0,44%, para R$ 2,756 o litro. No período de um mês, o etanol teve alta de 6,66% no Rio Grande do Norte. A política da atual diretoria coloca o produto em desvantagem ante a gasolina.

A produção do álcool no Brasil começou ainda na década de 1970. O país é o maior produtor mundial de etanol da cana-de-açúcar. As características agrícolas do país tornam viável essa produção. (Jornal do Brasil 04/04/2016)

 

Brasil questiona Tailândia e Indonésia na OMC com consultas sobre açúcar e carne

A delegação brasileira em Genebra (Suíça), sede da Organização Mundial do Comércio (OMC), entrou nesta segunda-feira com pedidos de consulta questionando a Tailândia e a Indonésia sobre o que chamou de práticas comerciais desleais. O primeiro pedido tem como base a concessão de subsídios, pelo governo tailandês, ao setor de cana e açúcar daquele país. O segundo diz respeito à apresentação de restrições impostas às exportações de carne bovina do Brasil pelo governo indonésio.

Os dois movimentos do Brasil, caso não resultem em acordos bilaterais, poderão se transformar em ações junto ao Órgão de Soluções de Controvérsia da OMC. Em caso de vitória, o governo brasileiro estará autorizado a retaliar a outra parte seja comercialmente, seja em áreas como direitos autorais, via cassação de patentes, por exemplo. De acordo com o Itamaraty, em ambos os casos, as práticas estão em desconformidade com obrigações assumidas em acordos multilaterais de comércio.

O Brasil argumenta que, no caso da Tailândia, as medidas têm afetado artificialmente as condições de competitividade internacional do açúcar, em detrimento das exportações brasileiras, cuja participação no mercado global do produto caiu mais de 5% entre 2012 e 2014. Os prejuízos anuais atingiram US$ 1 bilhão.

"O governo brasileiro espera que as consultas, que constituem a primeira etapa do procedimento de solução de controvérsias da OMC, contribuam para o pronto equacionamento do problema", diz um comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores.

Quanto à Indonésia, os questionamentos envolvem um conjunto de medidas mantidas pelas autoridades daquele país: entraves comerciais de natureza alfandegária, sanitária, técnica e no regime de licenciamento. Conforme o Itamaraty, a solução para esses problemas permitiria ao Brasil exportar mais de 20 mil toneladas para o mercado indonésio, "facilitando o aprofundamento das relações econômicas bilaterais, com ganhos para todos os países".

As datas e os locais das consultas serão definidas de comum acordo no decorrer dos próximos dias. (O Globo 04/05/2016)

 

Superávit recorde com exportações fracas

O superávit comercial de março atingiu US$ 4,4 bilhões, o mais elevado da série histórica iniciada em 1989, alcançando US$ 8,4 bilhões no trimestre, maior para o período desde 2007. São resultados decisivos para continuar reduzindo o déficit na conta corrente do balanço de pagamentos e afastar um desequilíbrio cambial. No entanto, as exportações pouco reagem e a principal explicação para o saldo positivo é a queda de importações. Fraqueja a corrente de comércio (soma de exportações e importações, que diminuiu quase US$ 96 bilhões nos últimos 12 meses), expondo a fragilidade do comércio exterior, pois é ela o indicador mais relevante para avaliar a abertura da economia que ajuda a produzir a custos mais competitivos.

O País exportou apenas US$ 15,9 bilhões em março e US$ 40,5 bilhões no primeiro trimestre, recuo de 5,8% e 5,1% em relação a igual período de 2015. Em 12 meses, as exportações de US$ 188,9 bilhões caíram 13,4% em relação aos 12 meses anteriores. Em março, foram fracas as vendas de semimanufaturados (ferro fundido, couros e peles, produtos de ferro e aço, açúcar em bruto, ferro-ligas e celulose) e manufaturados (laminados planos, motores para veículos e partes, autopeças, geradores elétricos, bombas e compressores). Queda menor ocorreu com as commodities, salvas pela melhoria das exportações de soja em grão, carnes, milho, algodão e minério de cobre.

A queda de importações foi liderada por combustíveis e lubrificantes (-40,8%), mas também por bens de consumo, intermediários e de capital. É o reflexo da baixa demanda dos consumidores e do adiamento de investimentos das empresas.

Entre os primeiros trimestres de 2015 e de 2016, a Ásia aumentou a participação nas exportações brasileiras de 29,9% para 33%, principalmente em razão das compras de China, Hong Kong e Macau, enquanto diminuíam as vendas para a América do Norte, em especial para os EUA. Não é bom sinal, pois mostra que persiste a dependência de commodities, cujos preços são voláteis. A exportação insatisfatória de manufaturados reflete as dificuldades da indústria, apertada por baixa demanda interna, tributos altos, perda de escala e custos decorrentes da infraestrutura precária.

Especialistas já esperam superávit comercial de US$ 50 bilhões neste ano, com ajuda da recessão e do câmbio. Mas a desvalorização recente do dólar poderá tornar algumas exportações menos atrativas. (O Estado de São Paulo 05/04/2016)

 

Rabobank prevê retomada do crescimento da entrega de fertilizante

Um estudo elaborado pelo Rabobank prevê que o volume entregue de fertilizantes ao consumidor final brasileiro deve ficar entre 30,5 milhões e 31,5 milhões de toneladas neste ano, o que representaria uma recuperação de até 4,5% em relação ao ano passado, quando a demanda recuou 6,2% ante o desempenho de 2014. Os analistas observam que o crescimento esperado está em linha com a taxa verificada nos últimos 15 anos.

Os analistas citam os dados da Associação Nacional para a Difusão de Adubos (Anda), que mostram aumento de 10,8% nas entregas de fertilizantes no primeiro bimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, para 4,2 milhões de toneladas. “Os elevados patamares de preços do milho no mercado interno impulsionaram a demanda por adubos voltados ao cultivo da segunda safra do cereal”, dizem eles.

Em relação às estratégias de negociação, os analistas comentam que embora o momento seja favorável para compra dos fertilizantes em dólar, o produtor deve estar atento à alta volatilidade cambial, que impacta tanto os preços dos fertilizantes, quanto o de commodities agrícolas no mercado brasileiro, alterando a relação de troca. Eles observaram que os produtores que fecharam negócios nos dois primeiros meses do ano, antes da forte desvalorização cambial, obtiveram os insumos pelo menor preço.

Para evitar surpresas no pagamento dos adubos, os analistas recomendam ao produtor que vende sua produção em reais a realização da trava do câmbio dos fertilizantes em operação de hedge. “Para o produtor que tem a opção de venda da produção em dólar, existe a alternativa de deixar a dívida pelo fertilizante na própria moeda americana”, dizem eles.

Os técnicos alertam que o preço pago pelo adubo não deve ser tomado como único parâmetro para avaliação de um bom negócio. “Estar bem alinhado em termos de custos e venda da produção pode ser essencial para garantir uma boa rentabilidade”.

Mercado

Na análise do mercado, os analistas comentam que o desequilíbrio formado pelo cenário global de excesso de oferta e demanda desaquecida tem reduzido os preços dos fertilizantes no mercado internacional desde o início de 2015. “Em vista dessas cotações pressionadas, o momento se mostra favorável ao produtor brasileiro para aproveitar as oportunidades em dólar e negociar os adubos para a próxima safra”. (Globo Rural 04/04/2016)

 

Só agricultura exibe alta nas projeções do mercado para o PIB

No período, setor avançará 1,59%, segundo analistas do setor privado.

Atividade doméstica apresentará um recuo de 3,73% este ano.

Apenas a agricultura apresentará resultado positivo no Produto Interno Bruto (PIB) de 2016, de acordo com a abertura do relatório de mercado Focus. Segundo o documento, a atividade doméstica apresentará um recuo de 3,73% este ano ante projeção anterior de queda de 3,66%.

No período, o setor rural avançará 1,59%, conforme cálculos dos analistas do setor privado. A expectativa desses profissionais é a de que o setor de serviços mostre uma retração de 2,74% este ano, a anterior era de 2,72% e a indústria recue 5,06%, um tombo maior do que o previsto no documento passado, de -4,88%.

Para 2017, a previsão mediana no boletim Focus para o PIB, que recuou de leve alta de 0,35% para 0,30%, embute a perspectiva de alta de 2,00% do setor agrícola (a mesma da semana passada); de queda de 1,50% da indústria (que também foi mantida como no levantamento anterior) e de estabilidade do setor de serviços, até a edição anterior, contava-se com uma contribuição positiva dessa área; no último boletim estava em +0,18%.

Retração

Mesmo após uma expressiva revisão nas estimativas por parte do Banco Central (BC), a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deste ano - revisada de 1,9% para retração de 3 50% - não conseguiu se equiparar à projeção pessimista dos analistas do setor privado.

O Relatório de Mercado Focus, divulgado nesta segunda-feira (4), pelo BC, aponta que a mediana das estimativas para o PIB de 2016 passou de uma retração de 3 66% para queda de 3,73% - um mês atrás estava em -3,50%. Para 2017, a previsão ainda é de alta da atividade, mas cada vez menor, já que passou de 0,35% para 0,30% (quatro semanas antes estava em 0,50%).

As perspectivas também são mais pessimistas em relação à produção industrial. Após duas semanas consecutivas de melhora do indicador, a mediana das estimativas do mercado saiu de queda de 4,40% para recuo de 5,80% - um mês atrás, estava em -4,50%. Para 2017, a previsão ainda continua no terreno positivo, em 0 69% - estava em 0,85% na semana passada e em 0,57% quatro semanas antes. (Agência Estado 04/04/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Brasil no foco: Os preços do açúcar recuaram ontem na bolsa de Nova York num dia em que as atenções dos investidores se voltaram para o Brasil. Os contratos para julho caíram 45 pontos, a 14,82 centavos de dólar a libra-peso. A principal influência veio dos rumores de que a Petrobras poderia cortar o preço dos combustíveis no país para equalizar às cotações internacionais do petróleo. Esse corte reduziria a competitividade do etanol e incentivaria as usinas a direcionarem mais cana-de-açúcar para a fabricação de açúcar. O início da moagem da safra 2016/17 no Centro-Sul do país em meio a um tempo firme colaborou para exercer pressão sobre os preços. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal negociada em São Paulo caiu 0,29%, para R$ 76,42 a saca de 50 quilos.

Café: Forte queda: As cotações do café registraram queda expressiva ontem na bolsa de Nova York, refletindo a valorização do dólar em relação ao real e a queda dos preços do petróleo. Os contratos do café arábica para entrega em julho recuaram 440 pontos, cotados a US$ 1,2495 a libra-peso. A alta do dólar sobre o real estimula os produtores brasileiros a negociarem sua produção no mundo, ampliando a oferta disponível. O mercado do café também foi influenciado pela queda do petróleo, que afetou as negociações de todas as commodities. O mercado continua em busca de consolidação enquanto não há novidades quanto aos fundamentos. No mercado interno, o preço do café de boa qualidade oscilou entre R$ 490 e R$ 500 a saca de 60,5 quilos, segundo o Escritório Carvalhaes, de Santos.

Soja: Reavaliação do plantio: As cotações da soja perderam terreno ontem na bolsa de Chicago diante da possibilidade de aumento do plantio nos Estados Unidos. Os lotes para julho caíram 4,5 centavos, para US$ 9,215 o bushel. Analistas avaliam que os produtores dos EUA podem mudar seus planos e migrar algumas áreas que antes seriam plantadas com milho para o cultivo de soja. A chuva tem atrasado a semeadura do milho, que tem uma janela mais curta de plantio, reduzindo o tempo hábil para semear o cereal. A redução dos embarques semanais de soja dos EUA também exerceu pressão sobre as cotações. Na semana até o dia 31, os embarques caíram 64% na base semanal, para 205 mil toneladas. No mercado interno, o preço médio da soja no Paraná subiu 0,55%, para R$ 63,58 a saca, de acordo com o Deral/Seab.

Trigo: Baixa competitividade: Problema já conhecido do mercado de trigo dos EUA, a baixa competitividade do cereal americano no mundo voltou a pesar sobre as cotações da commodity no país. Na bolsa de Chicago, os papéis para entrega em julho registraram queda de 1,75 centavo ontem, a US$ 4,8125 o bushel. Na bolsa de Kansas, onde se negocia o trigo de melhor qualidade, os contratos com o mesmo vencimento recuaram 2 centavos, para US$ 4,865 o bushel. Os embarques de trigo americano caíram 9% na semana até o dia 31 ante a semana anterior. No acumulado da safra 2015/16, o volume embarcado foi 12% menor que no mesmo período do ciclo precedente. No mercado doméstico, o preço do trigo no Paraná teve alta de 1,19%, para R$ 40,68 a saca, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab). (Valor Econômico 05/04/2016)