Setor sucroenergético

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Lava Jato põe foco nas feridas do Grupo Bertin

Os fatos que começam a ser desvendados pela Lava Jato apenas confirmam o que parceiros, credores e mesmo autoridades já conhecem: o Grupo Bertin tem um estilo bastante peculiar de fazer negócios. O jeito Bertin inclui relações sinuosas com o poder, sobre as quais a força-tarefa de Curitiba começa a jogar foco.

Segundo o RR apurou, a acusação de operações fraudulentas com o pecuarista José Carlos Bumlai, que veio a público na última semana, seria apenas o fio da meada. De acordo com fontes envolvidas nas investigações, outra ponta deste emaranhado levaria ao lobista Fernando "Baiano", tido como operador do PMDB. A conferir.

O estilo Bertin inclui também vender energia de térmicas que não existem. E quem o diz é a própria Aneel, que recentemente anunciou a abertura de um processo para cobrar da companhia uma multa de R$ 6,25 bilhões. Seis usinas do grupo deveriam ter iniciado sua operação em 2013, mas, até hoje, as obras não foram concluídas.

Ao longo dos últimos três anos, a agência reguladora fez uma série de alertas ao Bertin, que procrastinou o caso até não poder mais. A situação chegou a tal ponto que, ao divulgar a instauração do processo, o diretor geral da Aneel, Romeu Rufino, disse textualmente que “hoje encerramos a longa e triste história desse contrato”. A julgar pelos fatos, o modus operandi do Bertin passa também pelo expediente de deslocar para sócios dívidas que lhe pertencem.

O caso em questão está prestes a eclodir no Espírito Santo. O Tribunal de Justiça do estado vai julgar em breve ação em que o grupo é acusado de tentar empurrar para terceiros passivos de outras sociedades das quais é acionista, por meio de manobras contábeis vistas como pouco ortodoxas. O valor da causa gira em torno dos R$ 70 milhões.

A maneira Bertin de reger seus negócios se volta contra o próprio grupo. A extensa folha de litígios ameaça a reestruturação da companhia, justamente agora em que seus acionistas, os irmãos Fernando, Silmar e Natalino, estariam tentando se desfazer de ativos para fazer caixa e repactuar as dívidas de suas empresas.

Segundo informações filtradas junto ao Bertin, o grupo procura um comprador para a Águas de Itu, sua única concessão de saneamento. Em outro front, estaria em negociações para a venda do controle da Infinity Bioenergy, que reúne seis usinas sucroalcooleiras. As concessões rodoviárias SPMar e Atlantia também estariam na prateleira.

Alguns destes ativos, no entanto, fazem mais parte do problema do que da solução. É o caso da Infinity Bioenergy. Em recuperação judicial, a companhia carrega um passivo estimado em aproximadamente R$ 2 bilhões. (Jornal Relatório Reservado 05/04/2016)

 

Preços da cana devem remunerar usinas e produtores

As condições climáticas devem favorecer a safra de cana-de-açúcar 2016/2017, que começa oficialmente em abril na região centro-sul do país. Segundo o vice-presidente da Coplacana, José Coral, a produção deve ultrapassar os 620 milhões de toneladas, e a produtividade deve ser em média de 85 toneladas por hectare.

Os preços nesta safra devem remunerar tanto os produtores quanto as usinas e o valor do ATR (base Consecana estima-se em R$ 0,6430 p/ kg / ATR.

Espera-se ainda que o MIX em percentual dos produtos açúcar de álcool não sejam alterados no final da safra, pois todo ano há ajustes diminuindo o preço do ATR. (INCEPA NEWS 06/04/2016)

 

Mudança de preços dos combustíveis teria impacto limitado sobre açúcar

Uma redução do preço dos combustíveis no Brasil pela Petrobras, como discutido nos últimos dias pela estatal, teria um impacto limitado sobre os preços do etanol e do açúcar, na avaliação do banco holandês Rabobank.

Ontem, as cotações internacionais do açúcar despencaram, refletindo os receios de que uma queda do preço da gasolina no Brasil pudesse atingir a competitividade do etanol no país e fazer as usinas darem mais preferência à fabricação de açúcar.

Essa influência, porém, não ocorre de forma tão direta. “A extensão do quanto a indústria pode responder a tal sinal é limitado por restrições de capacidade e, para as usinas sob pressão financeira, por restrições de liquidez”, avaliou o banco holandês, que recorda que muitas usinas dão preferência à produção de etanol porque o pagamento pelo biocombustível é mais imediato que o do açúcar.

Por esse motivo, o Rabobank calcula que um corte no preço da gasolina no curto prazo e, consequentemente, uma redução dos valores praticados no mercado de etanol pode provocar um aumento de cerca de 2 milhões de toneladas na produção de açúcar do Centro-Sul do Brasil no curto prazo, um volume relativamente modesto, considerando que a expectativa para a produção da commodity na safra de 2016/17 é de 34 milhões de toneladas.

Porém, se o descasamento entre a rentabilidade do açúcar e do etanol se prolongasse no longo prazo, o banco avalia que a situação promoveria investimentos que poderiam aumentar a capacidade produtiva.

O Rabobank ressalva, ainda, que mesmo uma alteração do preço da gasolina no Brasil não se reflete proporcionalmente nos preços do etanol, já que o mercado do biocombustível é mais sensível às variações sazonais de oferta e demanda. (Valor Econômico 05/04/2016 às 19h: 40m)

 

Glencore prestes a vender sua divisão agrícola

A gigante suíça de commodities Glencore está em conversas avançadas para vender uma participação de sua divisão agrícola ao maior fundo de pensão do Canadá, um movimento estratégico para tentar reduzir uma dívida de quase US$ 26 bilhões.

O Canada Pension Plan Investment Board (CPPIB, na sigla em inglês) é o provável vencedor do leilão que a Glencore está realizando, e fontes próximas afirmam que o negócio pode ser anunciado já esta semana. O CPPIB poderá assumir uma participação de até 40% da unidade, estimada em US$ 6 bilhões. Assim, o CPPIB desembolsaria até US$ 2,4 bilhões pela aquisição parcial.

O leilão atraiu a atenção de diversos fundos soberanos e de pensão e tradings asiáticas, conforme as fontes, que não quiseram se manifestar publicamente. Não há garantias ainda, no entanto, sobre o desfecho da operação.

O negócio esperado com o fundo de pensão canadense está alinhado com o objetivo da Glencore de levantar dinheiro através da venda de ativos, na tentativa de ajudar a reduzir o peso de sua dívida depois que as ações da companhia despencaram com a queda os preços internacionais das commodities. No último ano, as ações da Glencore recuaram 50%.

A decisão de venda de ativos foi acelerada com a perda de vigor da economia da China e a desvalorização cambial no Brasil.

A Glencore é a terceira maior empresa de mineração do mundo em valor de mercado, e atua em segmentos desde carvão e níquel a óleo e cobre. Seu negócio agrícola está focado em processamento e distribuição de trigo, milho e outros grãos, óleos vegetais e também algodão e açúcar. Suas operações estão distribuídas na Europa, Canadá e América do Sul.

Em 2015, a divisão agrícola gerou ganhos ajustados antes de juros e impostos de US$ 524 milhões, uma queda de 47% em relação ao ano anterior.

Para o fundo de pensão, que administra US$ 214,9 bilhões em ativos para mais de 18 milhões de canadenses, o investimento na divisão agrícola da Glencore dá suporte à estratégia de diversificação de ativos para proteção contra volatilidades. O CPPIB investiu em agricultura pela primeira vez em 2012, com a compra de fazendas no Canadá, EUA, Austrália, Nova Zelândia e Brasil.

Apenas nos EUA e no Canadá seus investimentos em terras são estimados em US$ 597 milhões de dólares, conforme o último relatório financeiro anual. (Valor Econômico 06/04/2016)

 

Lauro Jardim: Redução do preço da gasolina e do diesel sobe no telhado

A redução do preço da gasolina e do diesel, que a diretoria da Petrobras queria anunciar hoje, subiu no telhado.

A péssima repercussão da medida no mercado sepultou por ora o assunto.

Os estudos para a redução foram feitos pela diretoria da estatal. O conselho nunca apoiou a idéia. (O Globo 05/04/2016)

 

Itaú BBA: Importação de diesel e gasolina não é motivo para Petrobras reduzir preços

O Itaú BBA avalia que a importação de diesel e gasolina por companhias brasileiras de distribuição não é motivo para Petrobras reduzir os preços dos combustíveis. Em comentário assinado pelo analista Diego Mendes e sua equipe, o banco ressaltou que a estatal precisa manter prêmios em relação às cotações internacionais para melhorar seu fluxo de caixa e que o volume de gasolina e diesel importado por terceiros é relativamente baixo e não implica em qualquer impacto para os negócios da petroleira.

"Se os preços do diesel e da gasolina forem reduzidos, a percepção seria muito negativa. Aumentaria a pressão sobre o fluxo de caixa", observou o Itaú BBA. O banco calcula que a cada corte de 5% no valor dos combustíveis reduzira o fluxo de caixa depois de impostos em cerca de R$ 5 bilhões. "Além disso, colocaria em questão todos os esforços que o conselho administrativo vem implementando para melhorar a situação financeira da empresa", acrescentou.

Ainda segundo Mendes e sua equipe, uma eventual redução dos preços também poderia ser vista como uma tentativa de melhorar o índice de aprovação do governo, o que também seria considerado negativo. O Itaú BBA reforçou, ainda, que os diretores executivos da estatal são os encarregados da decisão sobre reajustes no preço dos combustíveis. (Agência Estado 05/04/2016)

 

Dinheiro de João Lyra em paraíso fiscal pode pagar dívida da Laginha

Dados da Panama Papers indicam que ‘falência’ de usinas não atingiu offshore.

O resultado da investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) sobre dados da empresa de consultoria panamenha Mossack Fonseca trouxe o nome do ex-deputado federal e usineiro João Lyra como um dos políticos brasileiros que utilizavam paraísos fiscais para movimentar recursos.

De acordo com o que já chamam de ‘maior furo jornalístico da história’, na mesma época em que pediu à Justiça a recuperação judicial da Laginha Agro Industrial S/A, o usineiro foi nomeado procurador da Refill Trading Corp, companhia offshore aberta em janeiro de 2009 e que continuava ativa em março de 2015. Tal fato pode ajudar autoridades a apurar se houve evasão de divisas da falida Laginha para os paraísos fiscais da Suíça e do Panamá.

Talvez com o objetivo de manter seu histórico distanciamento da tributação de sua fortuna, João Lyra utilizou a companhia criada no Panamá para também abrir uma conta no banco suíço privado Pictet, onde o usineiro é único signatário autorizado, de acordo com o levantamento do consórcio de jornalistas.

O levantamento do ICIJ, denominado Panama Papers, não cita valores que podem ter sido movimentados por João Lyra nos paraísos fiscais. Mas tais novidades dão às autoridades locais em Alagoas e no Brasil, principalmente as que têm o papel institucional de preservar a massa falida da Laginha, um ponto de partida que pode ser capaz de explicar e corrigir os gravíssimos problemas causados ao patrimônio do Grupo João Lyra, aos seus fornecedores e a funcionários e ex-funcionários.

Integrante do Ministério Público Estadual (MP) consultado pelo Blog do Davi Soares afirmou que as dificuldades de quitação do montante aproximado de R$ 2 bilhões da dívida da Laginha podem levar o MP e o Poder Judiciário a lançar mão do instituto jurídico da despersonalização, e migrar parte da responsabilidade pela falência da pessoa jurídica à pessoa física de João Lyra, em busca de recursos provenientes das cinco usinas produtoras de açúcar e álcool – três em Alagoas e duas e Minas Gerais.

“Já que o objetivo principal do processo de falência é buscar dinheiro para saldar os prejuízos dos credores da Massa Falida da Laginha, há a possibilidade de utilizar os convênios existentes entre Ministério Público do Brasil e autoridades suíças para saber a dimensão desse depósito de dinheiro que o empresário João Lyra manteve na Suíça. É uma possibilidade que deve ser buscada”, avaliou o integrante do MP, que preferiu não se identificar, por não atuar diretamente no caso.

Tributação e falência

Ex-magnata local da agroindústria da cana-de-açúcar, João Lyra fez parte de um setor historicamente ligado a escandalosas renúncias fiscais e acordos políticos para pagar o mínimo em impostos. Inclusive, foi acusado e nega ter sido um dos mandantes do assassinato, em outubro de 1996, do então coordenador de arrecadação tributária de Alagoas, Sílvio Vianna, alvo de uma cruel trama que exterminou sua iniciativa de cobrar dos usineiros o pagamento do ICMS que havia sido perdoado pelo senador e ex-presidente Fernando Collor (PTC), quando este era governador de Alagoas.

O termo offshore qualifica a empresa e/ou conta bancária abertas em paraísos fiscais, fora do país em que seus proprietários exercem atividade empresarial e, consequentemente, longe do alcance da legislação e da tributação vigente na origem dos recursos financeiros. Obviamente, o intuito é pagar menos impostos do que no país de origem dos seus proprietários. O que pode ou não resultar em flagrantes de ilegalidade.

Dizem que o empresário octagenário que ergueu e pôs em falência seu império agroindustrial estaria atolado em dívidas. Sobre suas empresas, é fato. Porém, a existência da offshore panamenha e de sua conta na Suíça sugere que a pindaíba não tenha atingido João Lyra em seu paraíso fiscal.

Ter dinheiro no exterior não é absolutamente ilegal. E abrir uma empresa fora do Brasil para pagar menos impostos também não é crime, desde que se declare o fato às autoridades fiscais. Porém, um aspecto dessa relação que pode ser um agravante para a situação jurídica do usineiro é o fato de João Lyra não ter declarado o controle da Refill Trading ou a conta no banco suíço em sua declaração de bens de 2010 ou 2014, entregues à Justiça Eleitoral no registro de suas candidaturas à reeleição para a Câmara dos Deputados, cuja última tentativa resultou em renúncia em plena campanha.

De acordo com o ICIJ, “João Lyra não respondeu às várias solicitações para comentar o caso”. (Cada Minuto 05/04/2016)

 

GranBio paralisa usina em Alagoas

A GranBio, holding da família Gradin, paralisará temporariamente sua usina de etanol celulósico em Alagoas, a Bioflex. A empresa informou que a parada, que deverá durar até outubro, permitirá uma avaliação de outras tecnologias que podem ser empregadas na etapa de pré-tratamento da matéria-prima, a palha da cana, usada na produção do etanol de segunda geração.

Essa etapa é uma das principais do processo. Nela, a estrutura da biomassa é preparada para que, na etapa seguinte, as enzimas possam "quebrar" os açúcares contidos dentro da celulose da biomassa em açúcares mais simples de serem fermentados e convertidos em etanol. Segundo Allan Hiltner, vice-presidente de Negócios da GranBio, a companhia ainda não conseguiu manter a planta operando continuamente durante essa fase de pré-tratamento.

"Os desafios tecnológicos se mostraram maiores do que os esperados originalmente, mas a empresa mantém a confiança de que reverterá essa situação o mais rapidamente possível". A GranBio espera que a fábrica volte a operar em outubro com cerca de 50% da capacidade. A empresa quer atingir "zero" de ociosidade até o fim de 2017.

A Bioflex, localizada no município alagoano de São Miguel dos Campos, entrou em operação em setembro de 2014, com capacidade para fabricar 82 milhões de litros de etanol celulósico por ano. Em 2015, no entanto, produziu apenas 4 milhões de litros. Uma série de ajustes tecnológicos vem sendo feita desde que a fábrica deu a partida. Entre eles, a redução do nível de impurezas minerais que eram trazidas do campo juntamente com a matéria-prima (palha), que caiu de 8%, no início do projeto, para atuais 2%. O excesso de "areia" que entrava na fábrica foi um problema sério no passado, à medida que danificava as estruturas metálicas da usina, tais como válvulas, bombas e tubulações.

Além da Bioflex, da GranBio, há uma outra unidade de etanol celulósico em operação no país, da Raízen Energia, instalada na usina Costa Pinto, em Piracicaba (SP). Fora do Brasil, os projetos também estão enfrentando gargalos tecnológicos para operar em grande escala, conforme fontes do mercado.

Mais do que um novo processo de fabricação de biocombustíveis, a tecnologia do etanol celulósico é considerada por especialistas como uma das maiores inovações do setor de agronegócios das últimas duas décadas, já que permite ampliar a produção do biocombustível com "resíduos" agrícolas, bagaço e palha de cana, palha de milho, entre outros.

Antes de dar partida na fábrica, em setembro de 2014, a GranBio também enfrentou alguns percalços, que resultaram no atraso de cerca de seis meses na inauguração da planta, a primeira de etanol celulósico a operar no mundo. À época, a empresa informou que os investimentos na empreitada haviam superado em 35% o valor projetado e alcançado US$ 265 milhões, US$ 190 milhões na usina e US$ 75 milhões em uma planta de cogeração no mesmo complexo.

O BNDES é o grande parceiro financeiro da GranBio no projeto, financiamento de R$ 300 milhões e aquisição de 15% no projeto, por R$ 600 milhões, via seu braço de participações, a BNDESPar. O projeto todo da GranBio prevê investimentos de R$ 4 bilhões na construção quatro usinas de etanol de segunda geração, duas unidades bioquímicas e duas biorrefinarias flexíveis. (Valor Econômico 06/04/2016)

 

Petrobras nega redução do preço dos combustíveis ‘no momento’; ações caem quase 10%

A Petrobras informou nesta segunda-feira que não pretende reduzir os preços dos combustíveis no momento, mas que está permanentemente avaliando as condições do mercado, depois que notícias sugerindo um iminente corte dos preços derrubaram as ações da estatal nesta segunda-feira.

"A Petrobras informa que não há previsão, neste momento, de reajuste nos preços de comercialização de gasolina e diesel. Sobre o assunto, vale esclarecer que a companhia avalia permanentemente a competitividade de suas práticas e condições comerciais", disse a estatal em comunicado.

No domingo, o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, noticiou que a Petrobras deveria anunciar nesta segunda-feira redução dos preços da gasolina e do diesel, levando à queda das ações da estatal nesta segunda-feira na Bovespa. (Reuters 05/04/2016)

 

BTG Pactual: Petrobras teria motivos para reajuste, mas momento pode ser mal interpretado

O BTG Pactual considera os prêmios aplicados à gasolina e ao diesel no mercado doméstico em relação aos preços internacionais e a fraca demanda 'motivos inegavelmente justos' para Petrobras reajustar as cotações internas de ambos os combustíveis. Contudo, em relatório divulgado nesta segunda-feira, o banco ressalta que tal iniciativa, se confirmada, levantaria questões igualmente ou mais importantes.

Para o BTG Pactual, o novo conselho administrativo tem agido corretamente para recuperar a confiança do investidor (em suas ações e títulos de dívida) e o momento atual pode não ser apropriado para cortar os preços dos combustíveis.

"Com toda a comunidade de investidores avidamente monitorando a agenda política brasileira, o timing dessa decisão pode ser gravemente mal interpretado", disse o banco no documento, assinado pelos analistas Antonio Junqueira, Julia Ozenda e Andres Cardona.

Ainda segundo o relatório, antes de qualquer reajuste, é preciso esclarecer o objetivo de tal iniciativa. "Se o objetivo de longo prazo for a paridade entre as cotações domésticas e as internacionais, o corte a ser feito pela estatal teria que ser significativo", exemplificou o banco.

O BTG Pactual avalia, ainda, que a comunicação acerca do tema deve ser mais detalhada que o usual para ajudar a Petrobras a seguir restaurando a confiança do mercado. "Entender a política de preços é essencial para transparência ou previsibilidade do investimento", ressaltou.

O banco estipula um preço-alvo de US$ 3 por ADR com ou sem aumento de capital. (Agência Estado 05/04/2016)

 

Baixa da gasolina?

A possível redução de preços da gasolina concorrerá para reduzir a inflação e, num segundo momento, para reduzir os juros básicos; Além disso, pode produzir um respiro de agenda positiva para o governo Dilma

O jornal Valor Econômico desta segunda-feira, 4, traz a informação de que a diretoria da Petrobrás está propensa a reduzir os preços dos combustíveis ao consumidor, mas encontra forte resistência do Conselho de Administração.

Os preços da gasolina estão hoje mais de 50% acima dos preços internacionais e os do diesel, 71%.

A diretoria argumenta que os preços internos substancialmente mais elevados não só derrubaram o consumo, mas também criaram condições para importação por empresas independentes. (A Cosan pode ser uma delas).

Já o Conselho de Administração prefere manter os preços atuais de maneira a garantir recomposição do caixa da Petrobrás, fortemente delapidado com a política populista de preços achatados de 2011 a 2014.

Se prevalecer o ponto de vista da diretoria, a redução de preços concorrerá para reduzir a inflação e, num segundo momento, para reduzir os juros básicos (Selic). Além disso, pode produzir um respiro de agenda positiva para o governo Dilma.

Quem não vai gostar são os usineiros cujo produto, o etanol, terá de competir com uma gasolina mais barata.

Por conta dessas especulações, as ações preferencias da Petrobrás despencavam mais de 6% por volta das 14h30 dessa segunda-feira, 4. (Folha de São Paulo 04/04/2016)

 

Commodities Agrícolas

Café: De novo o câmbio: As cotações do café arábica cederam ontem na bolsa de Nova York diante da valorização do dólar em relação ao real. Os papéis do grão com vencimento em julho fecharam cotados a US$ 1,2305 a libra-peso, queda de 190 pontos. A movimentação cambial tem tido influência direta na formação dos preços internacionais do café, já que o Brasil é o maior exportador mundial do grão e a oscilação da moeda altera a disposição dos produtores em negociar sua oferta no mercado internacional. Como a colheita começa apenas daqui quatro semanas, analistas avaliam que o mercado continuará suscetível a oscilações do real. No mercado doméstico, o preço do café de boa qualidade se manteve entre R$ 490 e R$ 500 a saca de 60,5 quilos, segundo o Escritório Carvalhaes.

Cacau: Alta técnica: Os preços futuros do cacau chegaram a registrar perdas ontem na bolsa de Nova York diante de notícias positivas para a produção, mas recompras no fim do pregão fizeram o mercado fechar o positivo. Os contratos da amêndoa para entrega em julho negociados fecharam com alta US$ 13, a US$ 2.895 a tonelada. A Costa do Marfim, maior produtor global de cacau, voltou a receber chuvas após um longo período de seca, o que pode recuperar as lavouras para a próxima safra. Os investidores também já incluem na formação de preço a avaliação de que o processamento de cacau no primeiro trimestre do ano deve ter recuado nos principais centros consumidores. No mercado interno, o preço médio recuou R$ 1, para R$ 141 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Soja: Aumenta aqui: O mercado continua acreditando que os produtores americanos ainda ampliarão a área plantada com soja na safra 2016/17, o que levou a mais uma queda dos preços futuros ontem na bolsa de Chicago. Os lotes para julho recuaram 8,75 centavos, para US$ 9,1275 o bushel. O tempo continua frio e úmido no Meio-Oeste, o que atrasa o plantio do milho e favorece uma migração para o cultivo da oleaginosa, segundo analistas. Esse movimento se contrapõe ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que projetou uma leve redução da área de soja no levantamento feito no início de março. Os traders esperam agora as novas projeções mensais do USDA. No Paraná, o preço subiu 0,87%, para R$ 64,13 a saca, de acordo com o Deral/Seab.

Milho: Tira dali: Coerente com as avaliações no mercado da soja, o preço do milho subiu ontem na bolsa de Chicago com a perspectiva de que os produtores americanos possam trocar áreas que seriam plantadas com o cereal por lavouras de soja. Os contratos do milho para julho tiveram alta de 2,25 centavos, a US$ 3,60 o bushel. O tempo frio e úmido no Meio-Oeste reduz o tempo hábil para os produtores completarem a semeadura do grão dentro da janela ideal de plantio, menor que a da soja. Além disso, o milho americano tem sido negociado por preços bastante competitivos com relação a outras origens, o que favorece as exportações dos Estados Unidos. No mercado interno, o preço médio do milho no Paraná subiu 1,25% para R$ 37,13 a saca, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 06/04/2016)