Setor sucroenergético

Notícias

Raízen e Wilmar são sócios de uma safra só

Apenas cinco meses após a sua criação, a joint venture formada pela Raí zen e pela Wilmar Sugar, de Cingapura, está ameaçada de derreter feito um tablete de açúcar.

Havia um entendimento entre as partes para que, em um segundo momento, a Renuka do Brasil, sucroalcooleira controlada pelos asiáticos, fosse incorporada à nova sociedade, jogando para dentro do cesto quatro usinas de etanol em São Paulo.

No entanto, a Raízen se nega a levar o projeto adiante. Alega que a situação financeira da Renuka se deteriorou consideravelmente nos últimos dois meses, com a paralisação de usinas e falta de recursos para a compra de cana, em recuperação judicial, a sucroalcooleira tem uma dívida de US$ 1 bilhão.

Nada que já não estivesse sobre a mesa quando a joint-venture foi costurada, dizem os asiáticos da Wilmar Sugar. Para a Wilmar Sugar, a joint venture com a Raízen para a distribuição e comercialização de açúcar perde muito da sua razão de ser caso a Renuka não entre no negócio.

Os asiáticos só aceitaram abrir mão da exclusividade sobre o açúcar que exportam do Brasil e do acesso ao mercado asiático diante da possibilidade de encontrar uma solução e um sócio para as suas quatro usinas sucroalcooleiras no país. Sem a contrapartida, melhor seguir na carreira solo. (Jornal Relatório Reservado 07/04/2015)

 

Odebrecht Agroindustrial negocia dívida de R$ 13 bi

Rombo da empresa, uma das investigadas na Lava Jato, é cinco vezes maior que a sua receita total.

Em meio às investigações da Lava Jato, com o presidente da Odebrecht preso, o braço agroindustrial acumula uma dívida bruta de R$ 13 bilhões, mais do cinco vezes a receita da empresa, de R$ 2,5 bilhões. A situação é muito pior do que a média do setor sucroalcooleiro, que trabalha atualmente com uma dívida 22,5% superior ao faturamento. “Para cada tonelada de cana-de-açúcar, o faturamento médio é de R$ 125 e a dívida é de R$ 153, com base em dados da consultoria MB Agro”, destaca o presidente da Associação das Industriais Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos.

Em declaração atribuída à diretora financeira do grupo, Marcela Drehmer, publicada no site novacana.com, no dia 1º de abril, a Odebrecht Agroindustrial está na fase final da renegociação de dívidas, buscando alongamento dos prazos para aliviar a necessidade de gerar caixa.

Em entrevista à “Folha de S.Paulo”, no dia 1º de abril, o atual presidente da Odebrecht, Newton Souza (que entrou no lugar do Marcelo Odebrecht, preso na Lava Jato) disse que o grupo já aportou R$ 2 bilhões dos ativos de energia renovável, para aumentar a geração de caixa.

Souza destacou ainda que a Odebrecht já demitiu 70 mil funcionários. “Passamos de 190 mil para 120 mil funcionários”, afirmou. O grupo tem hoje em andamento um plano de desmobilização de ativos no valor de R$ 12 bilhões. O endividamento global da Odebrecht atingiu R$ 90 bilhões no fim de 2014. Os números de 2015, que serão divulgados ao fim do mês, devem ser ainda maiores.

O presidente da Siamig explica que cada usina tem sua particularidade, mas, em média, as dívidas do setor sucroalcooleiro subiram 15% em 2015. “Isso aconteceu principalmente pelo aumento do dólar, já que 40% do que devemos é dolarizado”, justifica. Segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), de 2007 até agora, 70 usinas fecharam as portas e outras 80 estão em recuperação judicial. Desde 2009, o setor perdeu 380 mil postos de trabalho.

“Além das dívidas, é difícil pagar os juros, que subiram. Isso reflete na queda do preço, pois estamos no início da safra e a oferta está em alta. Os produtores querem vender. O etanol, por exemplo, já ficou 15% mais barato no preço pago ao produtor. Ainda em abril, essa queda deve chegar às bombas e o etanol deve ficar mais vantajoso do que a gasolina”, explica Campos.

Reflexos

Lava Jato. Em entrevista à “Folha de S.Paulo”, o presidente da Odebrecht, Newton Souza, atribuiu as dificuldades financeiras ao aperto monetário, contração do crédito e operação Lava Jato. (O Tempo 06/04/2016)

 

Agricultura de precisão ganha destaque na Tecnoshow Comigo

A agricultura de precisão ganha cada vez mais espaço no Brasil ao oferecer tecnologias que possibilitam uma melhora na obtenção de resultados garantindo sustentabilidade econômica e ambiental da produção. Atualmente é uma ferramenta real ao alcance dos produtores, assim como um sistema de gestão dentro da fazenda.

A ideia é garantir ao produtor a capacidade de identificar a variabilidade dentro de uma lavoura e possibilitar que pratique um manejo capaz de aumentar a produtividade e os lucros. Com base nesse conceito, o engenheiro Marcio Albuquerque, diretor da Falker, empresa que desenvolve equipamentos e softwares para o meio rural, destaca a importância da agricultura de precisão ao dar um diagnóstico do que está acontecendo no solo e como o agricultor deve proceder para um melhor rendimento da sua lavoura. “A agricultura de precisão é a agricultura do detalhe”, enfatiza.

A Falker participará de 11 a 15 de abril da Tecnoshow Comigo em Rio Verde, Goiás, uma das maiores feiras de tecnologia rural da região Centro-Oeste do país. Promovido pela cooperativa Comigo, o evento tem uma programação diversificada, em que oferta uma mostra de máquinas e equipamentos agropecuários, assim como palestras técnicas e econômicas.

Em seu estande, localizado no pavilhão um, dentro da área do Centro Tecnológico da Comigo, a Falker apresentará sua completa linha de equipamentos para coleta de dados para agricultura de precisão. A linha inclui amostradores de solo, GPS para navegação em campo, software para geração de mapas e instrumentos eletrônicos para análise de parâmetros como compactação do solo, controle de irrigação e medição de nutrição de plantas.

Há dez anos no mercado, a Falker alia conhecimentos técnicos e equipe técnica com capacitação diferenciada e experiência internacional. Os produtos são desenvolvidos com tecnologia própria e usados em propriedades rurais, empresas do setor agrícola e instituições de ensino e pesquisa presentes em todas as regiões do Brasil e em alguns países da América Latina. (Brasil Agro 07/04/2016)

 

Petrobras detalha em manual de assembléia diluição de participação na Logum Logística

A Petrobras vai apresentar aos acionistas, na Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária do dia 28 de abril, os detalhes que levaram à diminuição de sua participação acionária na Logum Logística, empresa que atua na instalação de dutos para transporte de etanol, derivados de petróleo e outros biocombustíveis.

Segundo o manual divulgado há pouco pela estatal, em 2011, foi fechado um financiamento junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a implementação de alguns projetos, entre eles, um duto para transporte de etanol entre as cidades de Itumbiara e Uberaba, em Minas Gerais. O contrato previa que qualquer alteração na composição acionária da Logum seria penalizada com o vencimento antecipado da dívida.

Em outubro do ano passado, foi firmado um aditivo com a previsão de que as decisões e investimentos para o duto Itumbiara-Uberaba poderiam ocorrer sem a aprovação da Petrobras, e sem que a estatal tivesse a obrigação de subscrever ações ou fazer novos aportes para a construção do trecho. O prazo para a implantação do duto e da subscrição das ações relativas ao empreendimento venceu no último dia 31 de março.

Mas no dia 21 de janeiro deste ano, o Conselho de Administração da Logum decidiu, por maioria, substituir o trecho Itumbiara-Uberaba por um outro trecho alternativo. A mudança teve voto contrário dos conselheiros indicados pela Petrobras, e de outros conselheiros, segundo a estatal. A mudança foi aprovada pelo BNDES no dia 8 de março.

Assim, foi necessária uma nova reunião do Conselho da Logum para aprovar o aumento de capital e a subscrição das ações pelos acionistas da companhia, para atender o prazo de implementação do projeto. Com isso, a diretoria da Petrobras tomou a decisão, em caráter de urgência, de renunciar ao seu direito de comprar as novas ações da Logum no aumento de capital. Com isso, a participação da estatal na companhia diminuiu de 20% para 10,47%.

A Petrobras afirma que a decisão teve que ser tomada pela diretoria, por não haver tempo suficiente para apresentar a questão aos acionistas em assembleia. No momento da renúncia ao direito de preferência, a Petrobras um contrato de opção de compra e venda de ações da Logum, que permite à estatal voltar a ter 20% de participação na empresa de logística, caso essa seja a deliberação dos acionistas. O contrato pode ser acionado até o dia 2 de maio.

"A renúncia à subscrição de ações pela Petrobras e consequente diluição de sua participação acionária na Logum importa na redução de futuros aportes pela Companhia (despesas operacionais, administrativas e financeiras, e aportes de capital relacionados à trechos já implementados), o que se encontra em linha com o Plano de Negócios e Gestão da Petrobras 2015-2019", explica a estatal no manual para os acionistas. (Agência Estado 06/04/2016)

 

Rumo ALL perde ação com Agrovia e tem de pagar pesada indenização

Um embate comercial de vários anos entre a concessionária de logística Rumo ALL e sua cliente Agrovia está chegando ao fim, com um desfecho nada favorável para a empresa de operação de ferrovias e portos do grupo Cosan. O tribunal de arbitragem de uma câmara em São Paulo, onde a causa foi parar em 2013, só falta definir o cálculo final do ressarcimento a ser feito pela Rumo ALL à Agrovia, apurou o Valor com fontes com conhecimento do caso.

A Agrovia confirmou a decisão favorável do júri de arbitragem da Câmara de Comércio Brasil-Canadá, parcialmente em dezembro e definitivo em fevereiro deste ano. Mas alegou não poder dar detalhes do despacho dos três juízes que cuidaram da ação devido ao sigilo imposto ao processo.

A concessionária informou que não se manifestaria a respeito por se tratar de uma ação sigilosa. Mas, no formulário de referência enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) diz que a empresa é parte de um procedimento arbitral e que estima perda de R$ 101 milhões, ante valor total de pedidos que somam R$ 305,2 milhões.

A companhia observou que o valor da perda estimado por ela, a efeito de indenização pela quebra do contrato, poderia variar, "conforme a liquidação da condenação e atualização monetária dos respectivos montantes". Informa ainda que, além do impacto financeiro, "houve também a condenação da ALL em cumprir a obrigação de transporte dos volumes pré-acordados desde Santa Adélia (SP) até o Porto de Santos até o ano de 2027".

Uma fonte disse ao Valor que a indenização, envolvendo multas, danos e lucros cessantes pleiteados pela Agrovia pode ser mesmo superior a R$ 300 milhões. A disputa envolve contratos de transporte de açúcar pela ferrovia da ALL, nos Estados de São Paulo e Paraná, assinados em 2009. A informação é que a ALL começou a suspender os atendimentos em 2012, após questionamentos sobre o serviço que já vinham desde o ano anterior. E que essa situação perdurou até agora.

Sobre o histórico do contrato, a trading de açúcar informou que a empresa ferroviária, na época controlada por vários investidores, Wilson Delara, família Arduini, BNDES, os fundos Funcep e Previ mais outros acionistas, cumpriu, na máximo, 700 mil toneladas ao ano, 40% do volume total acordado. Conforme documento da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) o volume fixado nos trajetos Santos e Paranaguá para a safra 2015/16 soma 1,715 milhão de toneladas.

No trecho Santa Adélia, interior de São Paulo, ao porto de Santos, o volume informado pela ANTT é de 1,18 milhão de toneladas. Para Paranaguá, desde o terminal da Agrovia em Londrina, o volume é de 535 mil toneladas.

A reclamante aponta que em certo período, durante seis meses, recebeu apenas dois trens da ALL em um de seus terminais para pegar cargas de açúcar. A alegação era de superveniência, fatos que ocorreram após firmar os contratos, o que a impedia de atendê-los. Sobre essas alegações, a ANTT não acatou nenhum argumento da ALL, em documentos apresentados à agência em 2015.

Segundo apurou o Valor, após a fusão Rumo-ALL houve tentativa de negociação com a Agrovia, mas os entendimentos, após 60 dias, não avançaram. E que, desde dezembro, a trading não recebeu nenhum trem em Santa Adélia, tendo de transportar por caminhão. O terminal, que pertence à Rumo ALL, foi interditato pela própria ferrovia, alegando falta de condições para carregar.

A ALL foi incorporada pela Rumo, então empresa de logística do grupo Cosan, no fim de abril de 2015. A fusão ocorreu após uma disputa entre as duas companhias. O caso também foi parar na Justiça e numa câmara de arbritragem. Sua origem foi justamente desavenças sobre um contrato de transporte de açúcar da Rumo pela ALL até Santos.

A Rumo alegava que não tinha atendimentos conforme os volumes estipulados no contrato, que também fora firmado em 2009. (Valor Econômico 07/04/2016)

 

Outra herança maldita de Dilma

Há fantasias de recomeço em todos os grupos que pretendem tomar o poder de Dilma Rousseff depois da votação do impeachment, seja qual for o resultado, Lula 3, Temer 1, Dilma 2, a Zumbi, ou sabe-se lá que mutreta institucional se venha a inventar.

Recomeço no sentido de alguma retomada econômica ou "estabilização", suficiente para evitar envenenamento adicional do ambiente socioeconômico e, assim, a ruína política antecipada de quem tomar o poder.

Esqueçam-se por um momento a conversa macroeconômica e debates sobre o médio e longo prazos. Convém ainda duvidar sobre os efeitos imediatos de um programa de reformas alentado.

Suponha-se que apareça um governo sério, de qualquer cor ideológica, com um plano crível e politicamente viável de consertar a política econômica e, ainda, de retirar o entulho microeconômico ruinoso deixado por Dilma Rousseff (ufa). Assim, especula-se, a expectativa de dias melhores animaria desde já empresas e consumidores sobreviventes da crise. Começaríamos lentamente a sair do buraco.

Observando as ruínas reais em torno, há motivos para suspeitar dessa primavera no pós-guerra. Considere-se o caso das montadoras de veículos, que nesta quarta (6) apresentaram os números de sua depressão cada vez mais profunda.

Cerca de 60% das linhas de produção de automóveis estão paradas. No caso de caminhões e ônibus, mais de 81%. A produção de automóveis baixou uns 40% desde o pico histórico de 2013 (em termos anuais), quase 1,5 milhão de carros a menos. A produção agora baixou ao nível de meados de 2005.

Já houve outras descidas aos infernos. Não tão longas; talvez de qualidade diferente.

Talvez a indústria automotiva padeça de mais que recessão profunda: de superinvestimento doentio, excesso duradouro de capacidade. As fábricas cresceram com o estímulo de crédito, reduções de impostos e algumas proteções da concorrência. A mão pesada (ou leve?) do governo inflou as montadoras, incentivando de modo artificial e, por fim, equivocado, decisões de investir ("distorceu a alocação de capital").

O governo inflou o crédito por meio de bancos estatais, alimentados à base de dívida pública. Reduziu impostos sobre bens de consumo de modo suicida, em termos fiscais. Etc. A distorção não aconteceu apenas em um ramo central da indústria de bens de consumo ou na construção residencial.

Não se pode dizer, do mesmo modo, que aconteceu superinvestimento no setor imobiliário, mas de algum modo tal coisa ocorreu. O ritmo de crescimento de crédito que inflou preços e expectativa de vendas era insustentável. Aliás, note-se que, em termos anuais, a venda de imóveis residenciais novos na região metropolitana de São Paulo caiu 17%.

Aconteceu tal coisa ainda com os investimentos incompetentes ou criminosos em expansão doidivanas do setor do petróleo, movidos a dívida e proteções. De modo inverso (escassez), ocorreu no restante do setor de energia (elétrica e etanol).

A economia de muita empresa ou setor está, pois, fora do lugar, além de avariada por dívidas e assombrada pela perspectiva de que o crédito não vai voltar a crescer tão cedo: ainda cai e, pior, os efeitos piores da recessão estão para aparecer no balanço dos bancos. (Folha de São Paulo 07/04/2016)

 

Vazamento e posição firme do conselho da Petrobras impediram aumento de preço da gasolina

A decisão de reduzir o preço da gasolina e do diesel foi tomada pela presidente Dilma com sua equipe na busca de criar uma agenda positiva para enfrentar a crise política, mas acabou não sendo adotada por causa da reação contrária do conselho de administração da Petrobras.

Segundo a Folha apurou, a medida foi discutida, em Brasília, pela presidente com os ministérios da Fazenda, Minas e Energia, com o Banco Central e a Petrobras.

Nessas reuniões, foi decidido que havia espaço para queda dos preços e que caberia à direção da Petrobras definir como a decisão seria formalizada.

A área econômica defendia desde o ano passado reduzir o preço dos combustíveis, diante da queda do valor do barril de petróleo no mercado internacional. Isso ajudaria no combate à inflação.

Dilma e a direção da Petrobras, contudo, resistiam à medida porque poderia aumentar as dificuldades de caixa enfrentadas pela estatal.

Mas o cenário mudou, na avaliação do Planalto. A defasagem entre o preço internacional e o do mercado interno aumentou, abrindo espaço para uma redução no valor dos combustíveis para ajudar a melhorar o ambiente político para Dilma. Nas discussões, a Folha apurou que a Petrobras ficou isolada e cedeu, acatando a decisão de redução.

A Petrobras estava pronta para formatar a fórmula de redução do preço dos combustíveis nesta segunda-feira (04), mas recuou depois que a informação foi antecipada pela imprensa, gerando uma reação contrária do conselho de administração.

Segundo a Folha apurou, houve até ameaça de renúncia de membros do conselho, o que iria gerar um desgaste ao governo neste momento, já que ficaria caracterizado que a medida teria mais cunho político do que técnico.

Com a medida, as ações da estatal caíram cerca de 9% na segunda. Uma parte das perdas foi recuperada nesta terça-feira, com os papéis preferenciais da estatal subindo 3,3%, e os ordinários, 2,3%.

Em resposta a críticas do conselho de administração, o presidente da estatal, Aldemir Bendine, negou, em carta que a Folha teve acesso, que houve "politização" nas discussões sobre o corte.

Nesta terça-feira (5), a estatal disse, em nota, que não é "verdadeira a informação de que há qualquer tipo de influência externa à companhia para a definição de eventuais ajustes nos preços de seus derivados". A empresa diz que a definição de preços é resultado de uma análise exclusivamente técnica.

Segundo consultorias, o preço da gasolina no Brasil é mais de 20% superior à cotação de referência no mercado internacional. No caso do valor do diesel, essa diferença supera 40%.

Porém, estimativas internas apontam que a Petrobras deixou de receber R$ 100 bilhões de 2011 a 2014, quando subsidiou o preço dos combustíveis –analistas estimam que ela precisa de seis meses com a política atual de preço para recuperar as perdas.

Interferência

Oficialmente, o governo nega qualquer interferência na discussão e diz que política de preço de combustíveis é de responsabilidade direta da diretoria da Petrobras.

Nesta terça-feira (05), a presidente Dilma repetiu essa explicação ao ser questionada sobre o tema. Ela, porém, sinalizou que o tema realmente está sendo debatido ao reforçar que hoje o preço do mercado interno está acima do praticado lá fora. "Há, desde o ano passado, uma discrepância entre o preço praticado no Brasil e no exterior. Se a Petrobras houver por bem fazê-lo, é o caso de fazer", afirmou a presidente. (Folha de São Paulo 07/04/2016)

 

Celso Ming: Conversa de que governo não interfere no preço dos combustíveis é enganação

A presidente Dilma apressou-se nesta terça-feira em desmentir que pretende redistribuir bondades por meio da derrubada dos preços da gasolina e do óleo diesel.

Desde segunda circula a informação de que a diretoria da Petrobrás quer reduzir os preços ao consumidor, no que encontrara resistência do Conselho de Administração que nisso vê uma iniciativa prematura.

Para não começar a história da metade, convém voltar ao capítulo número um. Durante o primeiro período Dilma, quando os preços internacionais do petróleo ficaram ao redor ou acima dos US$ 100 por barril, a Petrobrás foi obrigada a praticar preços achatados e a pagar parte da conta do consumidor (subsídio).

O objetivo foi executar uma política populista: manter os preços internos artificialmente baixos, de maneira a segurar a inflação e, assim, indiretamente comprar a boa vontade do eleitor.

O resultado foi a brutal hemorragia do caixa da Petrobrás, uma das razões pelas quais teve de endividar-se compulsivamente. Agora ostenta uma dívida próxima dos R$ 500 bilhões, a maior entre as companhias de petróleo do mundo. De cambulhada, os preços baixos demais da gasolina derrubaram o setor do etanol, que teve de competir com a gasolina vendida em condições de dumping.

Mas, desde julho de 2014, os preços internacionais do petróleo começaram a mergulhar e chegaram ao nível dos US$ 30 por barril em janeiro de 2016. Desde setembro de 2015, a Petrobrás preferiu manter inalterados os preços ao consumidor como providência destinada a recompor seu caixa.

A presidente Dilma reconheceu nesta terça a existência de “uma discrepância” nos preços contra os interesses do consumidor. Mas negou que estivesse empenhada em levar a Petrobrás a revê-los para baixo. Essa “discrepância” é hoje de 25% no caso da gasolina e de 45% no do diesel, conforme cálculos da consultoria Tendências.

No entanto, essa conversa de que o governo não interfere diretamente nos preços dos combustíveis é uma enganação. No período de 2011 a 2014, foi o então ministro Guido Mantega, encastelado na presidência do Conselho da Petrobrás, quem exigiu que o caixa da empresa fosse usado para conter a inflação, como aconteceu com praticamente todas as tarifas (gás, energia elétrica, telefone e condução urbana). No momento, não há notícia de intervenção direta, mas é evidente que é o governo que, em última análise, diz o que terá de ser.

Para o analista Walter de Vitto, da consultoria Tendências, à atual relação de preços, e levando em conta o patamar do dólar, que é a referência para as cotações do petróleo e de seus derivados, a recomposição do caixa da Petrobrás aconteceria em seis meses. Se sair a redução, levará mais tempo.

A baixa dos preços dos combustíveis deixaria o governo Dilma de bem com o consumidor - com provável impacto sobre as atuais pressões populares a favor do impeachment-, mas produziria dois outros efeitos: voltaria a derrubar o setor do etanol e reduziria a receita dos Estados, uma vez que o ICMS sobre os combustíveis tem grande peso na arrecadação. (O Estado de São Paulo 06/04/2016)

 

Questionamentos do Brasil na OMC sobre açúcar e carne podem resultar em litígio

Os recentes questionamentos feitos pelo Brasil junto ao Sistema de Solução de Controvérsias da Organização Mundial de Comércio (OMC) contra possíveis barreiras da Indonésia e Tailândia à carne bovina e açúcar, respectivamente, podem resultar em litígio, segundo a advogada especialista em comércio internacional do escritório de advocacia L.O. Baptista-SVMFA, Cynthia Kramer. Para ela, não haverá um consenso entre os países nessa primeira fase das discussões, embora existam argumentos consistentes para o Brasil questionar os dois parceiros comerciais.

"Em ambos os casos vejo o direito do setor privado em reduzir ou eliminar as barreiras tarifárias que configuram nos mercados", avalia Cynthia. A consulta recente, no caso da carne bovina, trata de questionamentos sobre o cumprimento, por parte do governo indonésio, do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (Gatt, na sigla em inglês), dos acordos de agricultura, licenciamento de importações, barreiras sanitárias e fitossanitárias e barreiras técnicas ao comércio.

Welber Barral, sócio-diretor da Barral M Jorge, que apoia o governo brasileiro e o setor privado nas negociações na OMC, acompanha a avaliação. Para ele, "as medidas impostas pela Indonésia são injustificadas e refletem barreiras comerciais, inconsistentes com os compromissos do país asiático junto à OMC." Segundo o governo brasileiro, a solução destes problemas permitiria ao Brasil exportar mais de vinte mil toneladas de carne bovina para a Indonésia.

Já em relação ao açúcar, o Brasil questiona subsídios ao setor sucroenergético na Tailândia que podem ter gerado prejuízos anuais de cerca de US$ 1 bilhão ao País. Naquele mercado, o preço da cana é definido e parte da receita gerada com a comercialização do açúcar acaba retornando aos produtores, o que tem estimulado a expansão das plantações. A expectativa entre os participantes do setor é de que as discussões perdurem por até três anos.

Segundo Cynthia, apesar de terem a mesma finalidade - acesso aos mercados para os itens nacionais -, os acordos são diferentes e um contencioso no órgão leva mais ou menos tempo dependendo da sua complexidade. "Essa primeira parte, que é mais diplomática, leva até 60 dias, sendo que tem 30 dias para que o país reclamado receba o pedido e se iniciem as consultas", explica, citando as discussões entre Brasil e Estados Unidos com relação ao algodão, que durou mais de 10 anos, e da carne de frango contra a Indonésia, que dura cerca de três anos.

Se não houver um consenso nesse período, o Brasil pode pedir a realização de um painel. "A partir daí, o diplomático não existe mais e entra o litigioso. Mas não há prazo fixo de quando o Brasil pode decidir por um painel", informa. Cynthia enfatiza que a duração do painel também não pode ser prevista. "Na realidade, uma disputa na OMC leva uns dois anos no mínimo", completa. O Itamaraty, em nota, afirmou esperar que as consultas "contribuam para o pronto equacionamento do problema".

O Brasil, conforme a especialista do L.O. Baptista-SVMFA, possui uma representatividade de 1% a 1,5% no comércio global, tem cerca de 30 casos solicitados; 15 disputas nas quais foi demandado e aproximadamente 100 casos nos quais é a terceira parte. "O País é bastante ativo na OMC", ressalta. (Agência Estado 06/04/2016)

 

Exportações de açúcar da Índia travam com alta dos preços domésticos

As exportações de açúcar da Índia sofreram uma parada, com comerciantes não tendo assinado novos contratos nos últimos cinco dias após os preços locais terem subido por expectativas de menor produção, disseram fontes do mercado nesta terça-feira.

A Índia, maior produtor de açúcar do mundo depois do Brasil, fechou contratos para exportar 1,6 milhão de toneladas desde o início da temporada, em 1° de outubro. Comerciantes embarcaram 1,3 milhão de toneladas até o momento.

Os preços locais subiram cerca de 8 por cento nos últimos 10 dias, após a Índia, também maior consumidora do adoçante, cortar sua estimativa de produção em 1,4 por cento ante uma projeção anterior. A produção deverá cair nesta temporada após seis anos consecutivos de excedentes de oferta.

O governo agiu para convencer as usinas a aceitar uma meta de 3,2 milhões de toneladas em exportações de açúcar em 2015/16. Com projeções de menor produção e maiores preços domésticos, operadores dizem que a Índia poderá não conseguir atingir a meta de exportações. (Reuters 06/04/2016)

 

Queda na venda de trator afeta mais produtor menor

O primeiro trimestre deste ano mostrou o quanto as indústrias de máquinas agrícolas e rodoviárias estão com dificuldades.

Uma das máquinas mais utilizadas no campo, o trator, está na lista das principais quedas de vendas e de produção neste ano.

De janeiro a março, a indústria vendeu 5.629 unidades no atacado, 46% menos do que em igual período anterior.

Uma das principais quedas ocorre exatamente no segmento que impulsionou as vendas nos últimos anos: os tratores de menor porte e voltados para os programas sociais do governo.

As máquinas com potência de até 80 CV tiveram queda de 57% nas vendas, enquanto as com potência superior a 130 CV recuaram 17%.

Colheitadeiras

Já as vendas de colheitadeiras recuaram para 973 unidades, 17,1% menos do que as 1.174 de janeiro, conforme dados da Anfavea (associação das empresas do setor).

As indústrias já esperavam um recuo nas vendas neste ano, o que já vinha ocorrendo desde o ano passado.

Diante desse cenário, que se apresentava complicado para 2016, repetindo 2015, pisaram no freio da produção.

A produção de tratores do primeiro trimestre recuou 53% neste ano em relação a igual período anterior. No mesmo período, a produção de colheitadeiras encolheu 29%.

Nem mesmo o real desvalorizado, um fator positivo para as vendas de commodities, facilitou a vida das indústrias.

As exportações de tratores dos três primeiros meses deste ano recuaram 27% ante igual período anterior.

Já as vendas externas de colheitadeiras despencaram ainda mais, com queda de 59% no período.

Com um mercado retraído na produção e nas vendas, a situação se agravou também para o lado dos trabalhadores.

O total de empregos no setor recuou para 15,2 mil vagas no mês passado, 15% menos do que as indústrias empregavam em março do ano passado.

A avaliação de um executivo de uma das indústrias é que o setor tem de olhar para a frente. Os investimentos são sempre feitos para longo prazo.

O problema é que este será o terceiro ano de queda na produção e nas vendas, após o recorde de 83 mil máquinas vendidas em 2013. (Folha de São Paulo 07/04/2016)

 

Glencore anuncia venda de 40% de unidade agrícola por US$ 2,5 bi

Negócio faz parte do plano da trading e mineradora anglo-suíça de vender ativos para reduzir o nível de endividamento.

Trading e mineradora anglo-suíça Glencore fechou na madrugada desta quarta-feira a venda de 40% de sua unidade agrícola.

A trading e mineradora anglo-suíça Glencore fechou na madrugada desta quarta-feira a venda de 40% de sua unidade agrícola, a Glencore Agri, para o maior fundo de pensão do Canadá, o Canada Pension Plan Investment Board (CPPIB), pela cifra de US$ 2,5 bilhões, informou a empresa.

O negócio faz parte do plano da Glencore de vender ativos para reduzir o nível de endividamento, que alcança cerca de US$ 26 bilhões. Considerando os valores da transação, o acordo avalia 100% da unidade agrícola da Glencore em US$ 6,25 bilhões.

Conforme os termos do acordo, a Glencore Agri terá seu próprio Conselho Administrativo, formado por dois representantes do CPPIB e três representantes da Glencore, incluindo o CEO Chris Mahoney. Ambas partes concordaram em manter suas respectivas participações por um período mínimo de quatro anos, com possibilidade de venda de outros 20% pela Glencore.

Tanto Glencore quanto CPPIB terão direito de recusar a venda de ações pela outra parte, enquanto poderão realizar oferta pública de ações (IPO, na sigla em inglês) oito anos após a conclusão do negócio.

Para o analista Nick Hatch, do banco Canaccord Genuity, "o preço de venda é razoável", citando que pode ser abaixo da expectativa de alguns analistas do mercado. De acordo com o banco, a venda representa entre 50% e 62,5% da meta da Glencore de levantar entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões com venda de ativos.

O acordo ainda precisa passar pelo crivo de agências reguladoras, num processo que deve correr até o segundo semestre deste ano, afirma a Glencore.

O jornal britânico Financial Times informa que, com a venda, a empresa tem mais caixa para eventuais aquisições. "Analistas acreditam que a companhia pode estar olhando para o Brasil, o maior exportador mundial de soja, para aquisições", cita o jornal. Em fevereiro, a Glencore anunciou que comprou da norte-americana ADM metade do controle do terminal para exportação de grãos em Barcarena, no Pará.

A Glencore é a terceira maior mineradora diversificada em valor de mercado, e produz commodities como carvão, níquel, cobre e petróleo. Sua unidade de agricultura se concentra em processamento, movimentação e comercialização de trigo, milho, soja e outros grãos, além de algodão e açúcar. Em 2015, a unidade de produtos agrícolas da trading gerou lucro ajustado antes de juros e impostos - uma medida de lucro operacional - de US$ 524 milhões, uma queda de 47% ante o ano anterior.

A venda da participação na unidade de agricultura deve compensar parcialmente a aquisição da operadora de grãos canadense Viterra. Em 2012, a Glencore comprou a companhia por aproximadamente US$ 6 bilhões, apostando que o crescimento econômico na China e em outros mercados emergentes impulsionaria a demanda por alimentos. (O Estado de São Paulo 06/04/2015 às 12h: 15m)

 

MS é o 4º maior produtor de cana-de-açúcar

Com área total de 800 mil hectares e 20 unidades em operação, Mato Grosso do Sul é o 4º maior produtor decana-de-açúcar do Brasil, 5º de açúcar, 4º de etanol e 3º de bioeletricidade. A Biosul - Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul - realizará, nesta sexta-feira (08/04), na Usina Biosev, unidade de Rio Brilhante, a partir das 10h30, a abertura da safra de cana-de-açúcar 2016/2017.

As chuvas acima da média em julho e de setembro a dezembro, prejudicaram a colheita. Por outro lado, o regime de chuvas também permitiu que algumas unidades estendessem a produção. Quando normalmente a maioria das usinas termina a safra em novembro, a maioria seguiu moendo e algumas estenderam o processamento até março.

Além da abertura oficial da safra, com a presença do governador Reinaldo Azambuja, será realizada também a coletiva de imprensa onde o presidente da Biosul, Roberto Hollanda Filho apresentará os números de produção da safra 2015/2016 e também a estimativa para a safra 2016/2017. (Diário Digital 06/04/2016)

 

Commodities Agrícolas

Suco de laranja: Reflexo do dólar: Os preços do suco de laranja subiram ontem na bolsa de Nova York diante da queda do dólar em relação a diversas moedas e recompras técnicas. Os lotes do suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) para julho subiram 160 pontos, para US$ 1,4485 a libra-peso. Nos últimos dias, as cotações foram pressionadas pelo dado de queda de 6,1% nas vendas de suco de laranja no varejo americano em fevereiro divulgado pelo Departamento de Citrus da Flórida, a partir de pesquisa da consultoria Nielsen. O recuo do dólar, porém, deu um tom altista para as commodities ontem. Os investidores aguardam os cálculos do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para a safra da Flórida. Em São Paulo, o preço da laranja para a indústria apurado pelo Cepea/Esalq ficou estável em R$ 14,60 a caixa de 40,8 quilos.

Soja: Influência externa: A alta do petróleo e a queda do dólar deram o tom nas negociações dos futuros da soja ontem na bolsa de Chicago, influenciando a valorização da oleaginosa. Os contratos para julho fecharam a US$ 9,16 por bushel, alta de 3,25 centavos. Os ganhos no petróleo favorecem a competitividade do setor de biocombustíveis nos EUA, mas também exercem influência sobre as cestas de investimentos dos fundos que incluem papéis de entrega futura da soja. A alta da oleaginosa, porém, não deve se manter por muito tempo. Segundo analistas, o clima no Meio-Oeste americano está favorável à migração de áreas do milho para soja, enquanto continua boa a oferta da América do Sul. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca no Paraná ficou em R$ 71,50, alta de 0,24%.

Milho: Leve alta: A alta do petróleo e o recuo do dólar também influenciaram o mercado do milho, que fechou no azul ontem na bolsa de Chicago. Os contratos do milho para entrega em julho registraram leve alta de 0,75 centavo e fecharam cotados a US$ 3,6075 o bushel. A valorização do petróleo teve forte influência, uma vez que a commodity em alta abre espaço para a melhora de competitividade do setor de etanol nos Estados Unidos, onde o biocombustível é produzido a partir do milho. O clima frio e úmido no Meio-Oeste americano também preocupa, já que reduz o tempo hábil para que os produtores realizem o plantio do cereal para a safra 2016/17 na área que foi planejada inicialmente. No mercado doméstico, o indicador Esalq/BM&FBovespa teve ligeira alta de 0,02% para R$ 49,35 a saca.

Trigo: Boas condições: O diagnóstico positivo das lavouras de trigo nos Estados Unidos e o clima favorável nas áreas produtoras do país fizeram o cereal cair ontem nas bolsas americanas. Em Chicago, os papéis para julho recuaram 11 centavos, a US$ 4,6975 o bushel. Em Kansas, onde se negocia o trigo de melhor qualidade, os contratos para julho caíram 12,75 centavos, a US$ 4,7225 o bushel. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), 59% da área plantada com trigo de inverno estava em condições boas a excelentes até o último domingo, o melhor resultado desde a semana encerrada em 29 de novembro, quando 55% das lavouras estavam nessa situação. No mercado interno, o preço médio no Paraná subiu 0,69%, para R$ 40,69 a saca, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 07/04/2016)