Setor sucroenergético

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Ometto, da Cosan, diz que vai olhar ‘um a um’ os ativos à venda pela Petrobrás

Diante dos efeitos dos escândalos de corrupção e da crise econômica, Petrobrás se prepara para vender US$ 14 bilhões em ativos, incluindo fatia da BR Distribuidora, além de gasodutos e termoelétricas.

A companhia de energia e infraestrutura Cosan avalia a possibilidade de comprar ativos que venham a ser vendidos pela Petrobras e estejam dentro de suas áreas de atuação, mas descarta novos aportes no setor de açúcar em 2016, afirmou nesta quinta-feira o presidente do Conselho de Administração da companhia, Rubens Ometto.

"A gente tem que analisar um por um, é claro. A Petrobras tem ativos ótimos. A gente estuda tudo. É claro que tudo que envolve distribuição de combustíveis, geração de energia, gás, nós estamos sempre analisando", disse o Ometto a jornalistas em evento do Itaú BBA.

Com problemas financeiros, a Petrobras planeja venda de ativos de mais de 14 bilhões de dólares neste ano. Há expectativas de que a companhia possa se desfazer de negócios como a subsidiária BR Distribuidora, de combustíveis, além de gasodutos, usinas de geração termelétrica e outros.

Ometto foi enfático, no entanto, ao dizer que a Cosan não estuda novos investimentos no setor de açúcar neste momento.

"Em hipótese nenhuma. (Estamos) sempre melhorando a produtividade do que já temos implantado... tentando tirar mais... nem usinas, nem aquisições, estamos satisfeitos com o tamanho em que estamos".

Entre os principais negócios da Cosan está a produção e comercialização de açúcar e etanol, por meio da Raízen, joint venture com a Shell. A Raízen, maior produtora de açúcar e etanol de cana, também atua na distribuíção de combustíveis.

A Cosan também controla a distribuidora de gás natural Comgás, a maior do Brasil, e atua no setor de transporte com a Rumo Logística, cujo principal acionista é a Cosan Logística.

A Cosan também possui negócios em lubrificantes, gestão de terras e soluções em transporte e armazenagem.

As ações da empresa operavam em alta de 2,6 por cento, por volta das 14h30, enquanto o Ibovespa subia 1,2 por cento.

INTERVENÇÃO

Ometto afirmou ainda que uma eventual redução de preço da gasolina pela Petrobras neste momento representaria uma intervenção indevida do governo federal na petroleira estatal.

Na terça-feira, a presidente Dilma Rousseff disse que há discrepância entre os preços de combustíveis internacionais e os praticados no Brasil, mas descartou uma intervenção estatal na definição sobre o assunto. "O governo não tem nada a ver com subir ou baixar o preço da gasolina", disse.

Na segunda-feira, a Petrobras afirmou que "não há previsão, neste momento, de reajuste nos preços de comercialização de gasolina e diesel". No mesmo dia, no entanto, fontes na companhia afirmaram à Reuters que o tema era debatido internamente, embora não fosse esperada uma decisão imediata.

REDUÇÃO DE CUSTOS

Ometto também afirmou que a Cosan tem conseguido reduzir custos com mão de obra em meio à recessão do país, que possibilita melhores negociações salariais.

"Com o aumento do desemprego, estamos conseguindo melhor margem para negociação (de salários)", disse.

O executivo também afirmou que tem visto uma volta do interesse de investidores do setor de açúcar e etanol por aquisições no Brasil, em meio a um cenário de recuperação dos preços do açúcar no mercado internacional e bom nível de preços e de demanda do etanol no mercado local. (Reuters 07/04/2016)

 

Colheita de cana começa com preço 30% superior ao da safra passada

Produtores estão otimistas com valor pago pela ATR e com mercado internacional em alta. Mas eventual redução do valor da gasolina pode afetar etanol.

O mercado estima que a safra 2016/2017 de cana-de-açúcar fique em torno de 620 milhões de toneladas no Centro-Sul, volume cerca de 2% superior ao do ciclo passado. Os produtores do estado de São Paulo estão otimistas, pois o preço do açúcar está em alta no mercado internacional.

A concentração de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR), que serve como índice para a remuneração da cana, começa a safra valendo R$ 0,68 por quilo, 30% a mais que no mesmo período do ano passado. Os agricultores, no entanto, preocupam-se com a possibilidade de o governo reduzir o preço da gasolina, o que forçaria a redução do valor do etanol.

O produtor Odair Novello, de Piracicaba (SP), cultiva cana em 6 mil hectares e é um dos maiores fornecedores das usinas da região. Com tempo aberto, ele começou a colher uma área de mais de mil hectares de cana bisada, que ficou de uma safra para outra, que não pôde ser colhida por causa do excesso de chuva. Parte do plantio sofreu acamamento, o que dificulta a colheita.

Apesar das condições difíceis, Novello está confiante nos bons resultados da cultura. Principalmente, em função da valorização do quilo do ATR. “Começou bem mais alto que no ano passado, e a esperança é que não caia tanto (ao longo do ciclo)”, diz.

Para o vice-presidente da cooperativa Coplacana, José Coral, mesmo que a cotação caia um pouco, por influência da variação do dólar, a remuneração será satisfatória. “Se ela ficar em R$ 0,60 (o kg de ATR por tonelada de cana), já é um número bom”. (Canal Rural 07/04/2016)

 

Açúcar: Pressão em NY

Os preços do açúcar perderam sustentação ontem na bolsa de Nova York com a retomada da queda do petróleo e a avaliação de que o mercado não está com oferta tão apertada.

Os contratos para julho recuaram 16 pontos, para 14,61 centavos de dólar a libra-peso.

Os analistas acreditam que o volume de cana moído na segunda metade de março tenha sido elevado.

O dado será divulgado em breve pela União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica).

Além disso, alguns traders ainda estão assustados com os boatos que surgiram no início da semana de que a Petrobras poderia reduzir os preços dos combustíveis, apesar de não terem sido confirmados.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo caiu 0,47%, para R$ 76,17 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 08/04/2016)

 

Usina em MT recorre contra denúncia de fraude

A Usina Porto Seguro (UPSFlex) vai apresentar nesta semana sua defesa no processo da 2ª Vara Cível de Jaciara. Os advogados entrarão com recurso no Tribunal de Justiça do Mato Grosso suspendendo a última decisão imediatamente após a notificação da justiça.

Será pedida em juízo a anulação da última decisão, que acolheu denúncia de irregularidades no processo de recuperação judicial da usina. Os advogados da UPSFlex apresentará uma lista de ao menos dez fragilidades da decisão, sendo a principal delas o cerceamento de direito de defesa.

“Recebemos com surpresa a decisão do novo juiz, que assumiu a comarca há cerca de 2 meses. O processo tramita há 3 anos dentro da total legalidade e clareza dos atos. Todas as alegações de supostas fraudes são profundamente equivocadas e estão respondidas em juízo, já que até o momento não fomos ouvidos, o que é um imenso equívoco. Não houve fraude e isso está já sendo provado na justiça”, afirma o advogado Diogo Naves.

O advogado observa ainda que toda e qualquer medida em torno da complexa recuperação judicial da usina deve ser tomada com grande cautela e absoluto equilíbrio dado o impacto social e econômico nos quatro municípios que orbitam a operação da empresa.

Nesses 2 anos desde a aquisição por parte da Porto Seguro, mais de R$ 70 milhões foram investidos no intuito de quitar débitos e, sobretudo, ampliar a capacidade de eficiência e produção da usina. UPSFlex é hoje a única usina do Brasil que produz etanol a partir de milho e cana-de-açúcar e, ainda, açúcar. E isso se deve aos recentes investimentos realizado no negócio.

O corpo jurídico está trabalhando para responder a todas as dúvidas, resposta que será tornada pública a tempo e a hora. "Estamos produzindo riquezas para os matogrossenses e contamos com o apoio da justiça, da imprensa e da sociedade para seguir contribuindo com o desenvolvimento do Estado”, conclui Diogo Naves. (Folha Max 06/04/2016)

 

A próxima crise do petróleo será causada pelos carros elétricos

Há uma mudança em curso que levará à ampla adoção dos modelos elétricos na próxima década.

Com todas as boas tecnologias, chega uma hora em que comprar a alternativa antiga deixa de fazer sentido. Basta pensar nos smartphones na década passada, nas TVs a cores nos anos 70, ou nos próprios carros a gasolina no começo do século XX. Prever o prazo dessas mudanças é difícil, mas quando elas acontecem, o mundo inteiro se altera.

Ao que parece, os anos 2020 vão ser a década do carro elétrico.

As baterias ficaram 35% mais baratas no ano passado. Se essa trajetória de queda continuar, dentro de seis anos os veículos elétricos, sem subsídios, serão tão acessíveis quanto seus equivalentes a gasolina. É o que revela uma análise do mercado de veículos elétricos feita pela Bloomberg New Energy Finance (BNEF). Será o deslanchar de um verdadeiro mercado de massas para os carros elétricos.

Segundo as projeções, até 2040 os carros elétricos de longa autonomia estarão custando menos de US$ 22 mil (pelos referenciais atuais), e 35% dos carros novos fabricados no mundo virão equipados com plugue para recarga elétrica.

Os mercados de petróleo não estão se preparando para esse cenário, e é fácil entender o motivo. Os carros recarregáveis constituem hoje apenas a décima parte de 1% do mercado global de carros. Eles são uma raridade nas ruas da maioria dos países, e têm um custo consideravelmente maior que os movidos a gasolina.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) sustenta que os veículos elétricos representarão apenas 1% dos carros em 2040. Segundo Ryan Lance, CEO da ConocoPhillips, o impacto material dos elétricos não será sentido pelos próximos 50 anos – ele próprio não acredita que verá isso acontecer em vida, como afirmou numa entrevista no ano passado.

Mas eis o que sabemos: Tesla, Chevy e Nissan têm planos para começar a vender carros elétricos com autonomia longa na faixa dos US$ 30 mil. Outros fabricantes e empresas de tecnologia estão investindo bilhões em vários novos modelos. Já em 2020, alguns deles serão mais baratos e terão melhor desempenho que os carros a gasolina.

A meta seria reeditar o sucesso do Tesla Modelo S, que hoje bate todos os concorrentes convencionais na categoria grandes de luxo nos EUA. Sendo assim, a pergunta que fica é: em que medida isso causará uma redução na demanda de petróleo? E quando essa redução será suficiente para virar a balança e provocar uma nova crise do petróleo?

Em primeiro lugar, precisamos de uma estimativa do quanto crescerão as vendas nos próximos anos.

No ano passado, a venda de elétricos no mundo aumentou em torno de 60%. É um percentual interessante, de vez que praticamente equivale ao índice de crescimento anual de vendas projetado pela Tesla até 2020, e coincide com o índice que levou o Ford Modelo T a deixar cavalos e carroças para trás na década de 1910. Para fins de comparação, os painéis solares têm seguido uma curva parecida, com um crescimento anual em torno de 50%, enquanto as vendas de lâmpadas LED vêm se ampliando na base de impressionantes 140% ao ano.

No primeiro episódio de Sooner Than You Think [Antes do que você imagina], a nova série animada da Bloomberg, calculamos o efeito de um crescimento continuado de 60%. Descobrimos que os veículos elétricos podem eliminar uma demanda de 2 milhões de barris/dia já em 2023, o que criaria um excedente de petróleo equivalente ao que desencadeou a crise do petróleo de 2014.

Como não é possível as taxas compostas de crescimento anual permanecerem na faixa dos 60%, trata-se de uma previsão bastante agressiva. O BNEF adota uma abordagem mais metódica em sua análise, discriminando os preços dos componentes dos veículos elétricos para fazer uma previsão de quando os preços irão cair a ponto de se tornarem atrativos para o consumidor médio. Com base no modelo do BNEF, a barreira dos 2 milhões de barris irá demorar um pouco mais para ser cruzada em 2028.

Previsões como essas exigem precaução, na melhor das hipóteses. O máximo que se pode esperar é que sejam mais precisas que o que dita o senso comum, o que, na perspectiva da indústria do petróleo, significa pouco interesse no avanço dos carros elétricos.

“Se olharmos os estudos da Opep ou da Exxon, eles trabalham com uma adoção na faixa dos 2%”, afirma Salim Morsy, analista do BNEF e autor do estudo em questão. “Francamente, quer o valor final para 2040 seja de 25% ou 50%, o que importa mesmo é que a adoção maciça aconteça”.

A análise do BNEF focou no custo total da posse de um carro elétrico, incluindo coisas como manutenção, o custo da gasolina e, o que é mais importante, o custo das baterias.

As baterias representam um terço do custo de fabricação de um carro elétrico. Para que eles se tornem comuns, é preciso que uma das seguintes coisas aconteça:

1. Os governos ofereçam subsídios para reduzir os custos

2. Os fabricantes aceitem trabalhar com margens de lucro ínfimas

3. Os consumidores estejam dispostos a gastar mais para aderir ao elétrico

4. O custo das baterias diminua

As três primeiras coisas já estão acontecendo nesta fase inicial de comercialização dos carros elétricos, mas não têm como se sustentar. Felizmente, o custo das baterias caminha na mesma direção.

Há um outro aspecto a se levar em conta nessa equação: de onde virá toda essa eletricidade? Em 2040, os carros elétricos irão consumir um total de 1.900 terawatts-hora, segundo o BNEF. Isso equivale a 10% de toda a energia elétrica produzida pela humanidade no ano passado.

A boa notícia é que a eletricidade está ficando mais limpa. Desde 2013, o mundo vem acrescentando mais capacidade de geração de eletricidade por via eólica e solar do que de outras fontes como carvão, gás natural e petróleo somadas. Os carros elétricos reduzirão o custo da armazenagem de energia em baterias e ajudarão a estocar energia solar e eólica. Na passagem para um matriz mais limpa, veículos elétricos e energia renovável criam um ciclo de demanda mutuamente benéfico.

Que dizer de todo o lítio e outras matérias-primas finitas usadas na fabricação de baterias? O BNEF também analisou esses mercados e descobriu que não são um problema. Até 2030, as baterias utilizarão menos de 1% das reservas conhecidas de lítio, níquel, manganês e cobre, e 4% das reservas de cobalto. Depois disso, novas soluções químicas provavelmente franquearão o uso de outras matérias-primas, tornando as baterias menores, mais leves e mais baratas.

Em que pese isso tudo, ainda há razões para os mercados de petróleo permanecerem céticos. Os fabricantes precisam concretizar na prática essa redução no preço dos carros elétricos, e hoje ainda não possuímos postos de carga rápida em número suficiente para viabilizar viagens longas. Muitos novos motoristas chineses e indianos continuarão a optar pela gasolina e pelo diesel. A demanda crescente nos países em desenvolvimento pode vir a sobrepujar o impacto dos carros elétricos, especialmente se as cotações do petróleo caírem para US$ 20 e se estabilizarem nesse patamar.

O BNEF também levou em conta outras incógnitas, como o surgimento dos carros autônomos e de serviços de compartilhamento de veículos como o Uber e o Lyft, o que aumentaria o número de carros que percorrem mais de 30 mil quilômetros por ano. Quanto maior a distância percorrida por um carro, melhor o custo-benefício das baterias. Caso esses novos serviços tenham êxito, os elétricos podem abocanhar uma fatia de 50% do mercado de veículos novos até 2040, segundo o BNEF.

Uma coisa é certa: quando o crash do petróleo vier, será apenas o começo. Depois disso, o número de carros elétricos em circulação só irá aumentar, enquanto a demanda de petróleo perde fôlego. Alguém, com os barris, vai ficar a ver navios. (Bloomberg 07/04/2016)

 

Conselho da Rumo ALL aprova aumento de capital de R$ 2,6 bi

O conselho de administração da Rumo Logística, concessionária de ferrovias e portos, aprovou ontem aumento de capital de R$ 2,6 bilhões para a companhia. O valor superou a capitalização mínima de R$ 2 bilhões estimada pela diretoria para fortalecer o balanço financeiro da empresa.

O aumento será feito mediante a emissão de 1,04 bilhão de ações ordinárias, ao preço de emissão de R$ 2,50. O valor unitário foi fixado após a coleta de intenções de subscrição de investidores institucionais no Brasil e no exterior. A Rumo informou ainda, em comunicado, que não haverá abertura de prazo para desistência, nem modificação dos pedidos de subscrição prioritária e das intenções dos investidores institucionais.

A companhia, fruto da fusão há um ano da Rumo Logística, controlada do grupo Cosan, e a operadora ferroviária ALL, fechou o ano passado com dívida financeira líquida de R$ 7,8 bilhões, segundo seu último balanço. Em dezembro do ano passado, a empresa havia aprovado um aumento de capital de R$ 650 milhões, ao preço de R$ 6,05 por ação, mas o mercado reagiu de forma negativa, entendendo que o valor seria insuficiente para aliviar sua situação financeira.

Os recursos serão usados para reforço de caixa e financiamento do plano de negócios da companhia, que tem planos de investir até R$ 7,4 bilhões em suas operações ferroviárias e portuárias em cinco anos, desde o início de 2015.

Recentemente, a empresa também fez a rolagem de quase R$ 3 bilhões de sua dívida com um grupo de seis bancos e obteve compromisso de apoio financeiro do BNDES, uma linha direta de até R$ 1,5 bilhão e indireta, por meio de repasses, de R$ 1 bilhão.

A respeito da indenização à Agrovia devido a perda de uma disputa arbitral sobre contratos de transporte de açúcar, segundo apurou o Valor, a previsão da concessionária é de que o desembolso poderá levar mais de um ano para ser efetivado. Ou seja, sem impacto de caixa em 2016.

A disputa com a Agrovia, empresa de logística no mercado de açúcar, começou em 2012 e foi parar em uma câmara arbitral em 2013. A reclamação era que a ALL, que foi incorporada com essa herança, não cumpria os contratos firmados em 2009. No formulário de referência que enviou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Rumo ALL estima perda de R$ 101 milhões para a causa, mas que o valor da indenização poderá variar conforme a liquidação da condenação e atualização monetária do montante.

Segundo apurou o Valor, o processo de cálculo do valor final do ressarcimento à Agrovia, que teve início em fevereiro, não tem data para ser concluído. Vai depender de trâmite interno da câmara e de metodologias para chegar ao número definitivo. Em comunicado, a Rumo informou que a sentença arbitral "limita os valores de indenização e afasta danos emergentes e lucros cessantes pleiteados".

A indenização envolve valores de "take or pay" não cumprimento volumes fixados para os portos de Santos e Paranaguá, de multas processuais e pelo uso de vagões exclusivos da Agrovia para cargas de outros clientes da ALL. Ontem, as ações da empresa fecharam o dia com queda de 16,92%, negociadas a R$ 2,70. (Valor Econômico 08/04/2016)

 

Com dólar a R$ 3,10, gasolina importada seria 40,1% mais barata, diz FCStone

Em um cenário em que o impeachment da presidente Dilma Rousseff fosse aprovado e o atual vice-presidente Michel Temer assumisse a presidência da República, o dólar poderia se desvalorizar a R$ 3,10, o que afetaria de diferentes formas importantes commodities agrícolas produzidas pelo Brasil, como açúcar, soja e milho. Com o dólar a R$ 3,10, a gasolina importada chegaria 40,1% mais barata ao País, o que estimularia a redução dos preços pela Petrobras no mercado interno e reduziria a receita das usinas de etanol.

A avaliação foi feita pelo analista da INTL FCStone, Matheus Silva, durante evento realizado em São Paulo. "Já em um cenário de permanência da presidente no governo, o câmbio subira a R$ 4,20 e o preço da gasolina importada ficaria só um pouco abaixo do preço doméstico, 4%", complementou Silva.

A eventual queda do dólar ante o real também estimularia uma menor produção de açúcar no País, alterando o mix de açúcar e etanol das usinas de cana-de-açúcar. Em um cenário considerado de estresse pela consultoria, com o dólar a R$ 3,10 e queda no preço da gasolina, 41,8% da cana seria destinada à produção de açúcar, em comparação com 42,8% hoje e 44,9% em um cenário de dólar cotado a R$ 4,20.

No caso do milho, o câmbio a R$ 3,10 poderia anular a possibilidade de exportação do produto, já que desestimularia a escolha dos produtores por esta opção e elevaria o peso do frete no custo das exportações, segundo a INTL FCStone. Em março, com o dólar em torno de R$ 3,60, o frete era responsável por 35,3% dos custos de exportação no Centro-Oeste, abaixo dos 50,4% do ano passado, em virtude da forte alta dos preços do produto no mercado interno e do avanço menor, de 7,15%, do preço do frete (que não é dolarizado).

Caso o dólar venha a cair para R$ 3,10 (cenário com Michel Temer na presidência), esta participação subiria para 63,2% dos custos. "As exportações do milho dependem muito do custo do frete e a queda nos custos do frete entre 2015 e 2016 foi uma das razões do aumento das exportações do produto", disse Silva.

Uma eventual valorização do real ante o dólar também reduziria a margem de lucros dos produtores de soja do País, na análise da INTL FCStone. Se com o câmbio a R$ 4,10 a margem dos produtores de Mato Grosso subiriam dos atuais R$ 5 por saca para R$ 8 por saca, caso o vice-presidente Michel Temer assumisse a presidência da República e o dólar recuasse a R$ 3,10, a margem do produtor recuaria para R$ 2/saca. (Agência Estado 07/04/2016)

 

Clealco estima moer 10,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar em 2016/17

O Grupo Clealco, com três unidades produtivas no interior de São Paulo, encerrou no dia 31 de março, a safra 2015/2016. A empresa moeu no período, 9,946 milhões de toneladas de cana, volume 7% superior ao resultado da safra 2014/2015, e obteve receita de R$ 1,2 bilhão. Ambos, recordes históricos da Companhia.

No ano passado, a Clealco encerrou a safra 2014/15 com um prejuízo de R$ 198 milhões, 116% acima do resultado já ruim da safra 2013/14, na qual perdeu R$ 91,7 milhões. Logo na sequência, a companhia realizou uma reestruturação em sua diretoria.

Em relação à produção de 2015/16, a empresa afirmou por meio de nota enviada à imprensa que ampliou o volume de açúcar VHP em 10%, com receita 20% maior. Já no etanol o crescimento foi no anidro, ficando 9% acima da safra passada, com um resultado de vendas 21% superior. A cogeração de energia cresceu 28%.

Já para a safra 2016/2017, que teve início em 1º de abril, a Clealco tem como meta a moagem de 10,5 milhões de toneladas de cana, com faturamento previsto de R$ 1,5 bilhão. A companhia estima crescer a produção de açúcar VHP em 18% e 5% no etanol.

“Temos mais de 11 milhões de toneladas de cana garantidas para a safra 2016/2017 e as nossas três unidades estão preparadas para maximizar suas eficiências. Estes fatores, somados à uma projeção de mercado que sinaliza a sustentação de bons preços, nos trazem a confiança de uma safra com resultados amplamente favoráveis”, afirma o CEO da Clealco, Fernando Capra.

No novo ciclo produtivo, o mix de produção estimado é de 60% para o açúcar VHP e 40% para o etanol. (Assessoria Clealco 07/04/2016)

 

Disputa entre Abengoa e Dedini Agro não entra em pauta no STJ

O julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) da disputa de US$ 150 milhões entre a empresa espanhola Abengoa e a brasileira Dedini Agro não entrou em pauta nesta quarta-feira, 6. A expectativa era de que o STJ decidisse sobre a homologação ou não da decisão de uma corte arbitral internacional, a qual determinou o pagamento desse valor à Abengoa Bioenergia. O caso envolve a compra, em 2007, de usinas de cana-de-açúcar da Dedini. Inicialmente, a análise estava agendada para 16 de março. A próxima corte está marcada para 20 de abril, quando a questão poderá ser apreciada.

A Abengoa chegou ao setor sucroenergético brasileiro em 2007 ao adquirir o controle da Dedini Agro por R$ 1,3 bilhão e assumir R$ 730 milhões em dívidas. Foram compradas as unidades de processamento de cana localizadas em Pirassununga e São João da Boa Vista, ambas no interior paulista. O conglomerado espanhol, entretanto, afirma que teve prejuízos por causa de números superestimados de moagem divulgados pela Dedini.

As duas usinas da Abengoa têm capacidade instalada para quase 7 milhões de toneladas de cana por temporada. No ciclo 2016/17, que começa em abril, a expectativa da companhia é de processamento em torno de 5,8 milhões de toneladas. (Agência Estado 07/04/2016)

 

ADM anuncia novo presidente para operação da América do Sul

O norte-americano Scott Fredericksen foi nomeado presidente da operação da Archer Daniels Midland para a América do Sul, informou nesta quinta-feira a companhia, uma das maiores empresas do agronegócio do mundo.

Fredericksen assume no lugar do Valmor Schaffer, que deixou a companhia no ano passado.

O novo presidente da operação da América do Sul iniciou sua carreira na ADM em 1983 e mais recentemente atuava como presidente da ADM Transportation. Anteriormente, atuou como presidente da unidade de oleaginosas norte-americana.

"Ele é a pessoa certa para liderar nosso ótimo time sul-americano de forma que continuemos a acelerar nossos planos para o crescimento estratégico na região", disse o chairman e presidente-executivo da ADM, Juan Luciano, em nota.

A ADM apresentou recentemente um plano agressivo de expandir suas operações portuárias visando elevar as exportações de soja, milho e farelo de soja a partir do Brasil.

A norte-americana anunciou na terça-feira ter iniciado a expansão e modernização do seu terminal de exportação no porto de Santos. A empresa ampliará a capacidade no terminal de 6 milhões para 8 milhões de toneladas ao ano. (Reuters 07/04/2016)

 

Lucros da Monsanto voltam a diminuir

A americana Monsanto, maior empresa de sementes do mundo, anunciou ontem que seu resultado líquido voltou a cair, 25,4%, no segundo trimestre deste exercício 2016, em consequência da queda dos preços globais das commodities agrícolas, o que continua a pressionar a demanda dos produtores rurais por insumos e tecnologia.

O lucro líquido global da companhia foi de US$ 1,063 bilhão no período de três meses encerrado em 29 de fevereiro, ou US$ 2,41 por ação. No mesmo período do exercício anterior, o resultado positivo foi de US$ 1,425 bilhão (US$ 2,90 por ação). Apesar da baixa, a múlti manteve sua previsão de lucro para 2016 entre US$ 4,40 a US$ 5,10 por ação.

As vendas mundiais da empresa, por sua vez, somaram US$ 4,532 bilhões no segundo trimestre fiscal, ante US$ 5,197 bilhões no mesmo intervalo do exercício 2015. Mesmo com os resultados gerais abaixo das expectativas, as ações da companhia subiram 1,1% ontem na bolsa de Nova York.

De acordo com o CEO da Monsanto, Hugh Grant, a empresa tem feito progressos nos esforços de ganhar "momentum", esforços esses liderados por um portfólio de novas variedades de milho e pelo lançamento de novas gerações do herbicida Roundup. Ele expressou otimismo em relação às condições de mercado no próximo ano.

No segmento de sementes e biotecnologia, seu carro-chefe, a Monsanto registrou queda de 8,6% nas vendas do segundo trimestre, para 3,817 bilhões No segmento de proteção de cultivos, o recuo foi maior, de 30%, para US$ 715 milhões.

A receita líquida do segmento de milho como um todo recuou de US$ 2,912 bilhões para US$ 2,687 bilhões entre um período e outro. Na área de soja, recuou de US$ 883 milhões para US$ 782 milhões, e na de algodão saiu de US$ 30 milhões para US$ 37 milhões. (Valor Econômico 07/04/2016)

 

Em tempos difíceis no mercado de commodities, Cargill se reinventa

A mansão em estilo francês à beira de um lago nesse arborizado bairro de Minneapolis, nos Estados Unidos, está perdendo seus ocupantes mais famosos, agora que os executivos da Cargill Inc. estão trocando suas escadas em espiral e lareiras por uma sede com escritórios mais monótonos nas proximidades.

O diretor-presidente da Cargill, David MacLennan, e sua equipe serão os primeiros em 70 anos a dirigir a empresa, uma potência global no processamento de cultivos, carne e outras commodities, num novo endereço. A mudança reflete alterações mais amplas dentro da maior empresa americana de capital fechado em vendas.

MacLennan, 56 anos, está fazendo uma reforma na Cargill após dois anos de lucros em queda. Ontem, ela divulgou uma pequena alta no lucro do seu terceiro trimestre fiscal em relação a um ano atrás, para US$ 459 milhões, mas alertou que a fraqueza no setor deve continuar. A receita caiu 11%, para US$ 25,2 bilhões, um reflexo, segundo a empresa, da queda dos preços das commodities e da alta do dólar.

Ainda de propriedade das famílias Cargill e MacMillan em seu 151o ano de vida, a Cargill já resistiu a muitos booms e colapsos do mercado agrícola. Mas MacLennan agora enfrenta uma mudança no comportamento dos consumidores ocidentais, que estão abandonando marcas de alimentos tradicionais que dependem de ingredientes “commoditizados” de baixo custo, que são a especialidade de empresas como a Cargill.

“Eles querem saber o que está em seu alimento, quem os preparou, que tipo de empresa é, como elas tratam os animais?”, disse MacLennan em sua primeira entrevista extensa sobre as reformas na Cargill. “É isso o que os EUA e a Europa, e logo, creio, cada vez mais outras economias, vão querer.”

Fundada como um armazém de grãos em Iowa, a Cargill emprega hoje 149 mil pessoas em 70 países (28 mil só na América Latina), com operações em quase todos os aspectos da produção de alimentos. Ela opera barcas que transportam fertilizantes para os agricultores, compra seus produtos agrícolas e os processa em óleo de fritura, malte para cerveja e adoçantes para refrigerantes. Ela fabrica rações para animais que ela mesmo cria e abate para fornecer nuggets de frango e carne moída a clientes como Wal-Mart Stores Inc. e McDonalds Corp.

Uma desaceleração global nos preços do petróleo, metais e bens agrícolas aprofundou os desafios no setor já volátil de comércio de commodities. No ano passado, a Cargill gerou US$ 120 bilhões em receitas, uma queda de 11% em relação ao ano anterior, à medida que a alta do dólar e as turbulências do mercado de commodities pesaram sobre suas vendas. O lucro de US$ 1,58 bilhão obtido em 2015, 41% menor que o pico registrado em 2011, “não atingiu as expectativas”, disseram os executivos aos acionistas no relatório anual da Cargill.

MacLennan, que adquiriu experiência executando ordens nas bolsas de futuros de grãos de Chicago antes de se juntar à divisão financeira da Cargill, em 1991, quer mudar a posição ocupada por ela na cadeia alimentar. O ano fiscal de 2016 será para a empresa o maior para desinvestimentos em uma década e, no mínimo, o segundo maior para aquisições, diz ele.

Depois de vender suas processadoras de carne suína no ano passado, a Cargill fez uma aposta de longo prazo na criação de peixes como uma fonte de proteína alternativa que pode exigir menos recursos que porcos e gado, comprando a produtora norueguesa de ração de peixes EWOS por US$ 1,2 bilhão.

Nos EUA, a Cargill começou a fabricar produtos de milho e soja livres de transgênicos. Ela está expandindo um negócio de dez anos de ração orgânica para frango, onde as vendas no ano fiscal de 2016 já subiram 50% em relação ao ano anterior.

“Eles estão tentando consertar ativos que podem ser consertados para, em seguida, tomar uma decisão sobre se eles ainda cabem dentro do portfólio” da empresa, diz John Rogers, analista da agência de classificação de crédito Moody’s Investors Service Inc. “É uma mudança tanto no modelo de negócios quanto na cultura.”

Para acelerar a tomada de decisões, nos últimos oito meses MacLennan dividiu em duas sua equipe sênior de gestão, reorganizou linhas de negócios e eliminou cerca de metade dos comitês corporativos da empresa, reduzindo a burocracia que, segundo alguns executivos, contribuiu com a queda dos lucros.

MacLennan, que foi nomeado diretor-presidente da Cargill em setembro, também está promovendo mudanças no conselho de administração. À medida que membros mais velhos se aposentam, uma nova geração das famílias Cargill e MacMillan está ocupando os assentos. As duas adições mais recentes, Andrew Cargill Liebmann e Richard Cargill, têm 30 e poucos anos de idade e nunca trabalharam para a empresa, disse MacLennan.

Parte do desafio da Cargill é o seu compromisso em se manter como uma empresa de controle familiar, o que exige que o crescimento seja financiado através da emissão de dívida e com seus próprios lucros.

As famílias proprietárias possuem cerca de 90% das ações da empresa, e cerca de 80% dos lucros são reinvestidos. Os membros da família, nenhum dos quais trabalha atualmente na empresa, recebem os dividendos.

Lucros em queda significam que a empresa tem menos recursos para reinvestir em negócios promissores, e manter uma forte nota de crédito é necessário para continuar a financiar as operações, dizem analistas.

Para preparar os jovens da família, MacLennan os leva em visitas às unidades processadoras nos EUA e granjas na China.

Embora os membros da família Cargill e MacMillan sejam frequentadores das listas de bilionários norte-americanos, trabalhar na empresa retém um certo fascínio. Este ano, um jovem da família planeja trabalhar nas operações de peru da Cargill nos EUA.

“Ele vai começar de baixo, literalmente”, disse MacLennan. “Essa é a melhor maneira de aprender um negócio”. (The Wall Street Journal 08/04/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Pressão em NY: Os preços do açúcar perderam sustentação ontem na bolsa de Nova York com a retomada da queda do petróleo e a avaliação de que o mercado não está com oferta tão apertada. Os contratos para julho recuaram 16 pontos, para 14,61 centavos de dólar a libra-peso. Os analistas acreditam que o volume de cana moído na segunda metade de março tenha sido elevado. O dado será divulgado em breve pela União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica). Além disso, alguns traders ainda estão assustados com os boatos que surgiram no início da semana de que a Petrobras poderia reduzir os preços dos combustíveis, apesar de não terem sido confirmados. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo caiu 0,47%, para R$ 76,17 a saca de 50 quilos.

Algodão: Vendas americanas: O forte aumento dos volumes de algodão negociados pelos exportadores americanos ofereceu impulso aos preços da pluma ontem em Nova York. Os contratos com vencimento em maio registraram elevação de 0,48%, ou 28 pontos, e fecharam a 59,03 centavos de dólar a libra-peso. De acordo com dados divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), foram negociados, entre os dias 25 e 31 de março, 45,9 mil toneladas de algodão da safra 2015/16, mais do que o dobro do total negociado na semana imediatamente anterior e 45% acima da média das quatro semanas anteriores. No mercado baiano, o preço médio da pluma ficou em R$ 79,03 a arroba, de acordo com informações da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba).

Soja: Troca de grãos: Os contratos futuros da soja cederam ontem na bolsa de Chicago diante da queda do petróleo e das cotações do óleo de soja. Os contratos da para entrega em julho caíram 3,25 centavos, a US$ 9,1275 o bushel. A desvalorização do petróleo prejudica a competitividade da indústria de biodiesel nos EUA e pressiona o mercado de óleo de soja, matéria-prima de biocombustível no país. Analistas ressaltam ainda que o clima úmido no Meio-Oeste americano continua como fator de incentivo para os produtores trocarem algumas áreas que inicialmente seriam semeadas com milho pelo cultivo de soja, cuja janela de plantio é mais extensa. No mercado doméstico, o preço médio da soja na Bahia ficou em R$ 64,17 a saca, segundo associação local, a Aiba.

Trigo: Exportações fracas: Os futuros do trigo fecharam no vermelho ontem nas bolsas americanas diante de novos sinais ruins sobre a demanda pelo cereal americano. Em Chicago, os lotes para julho recuaram 5,25 centavos, a US$ 4,57 o bushel. Em Kansas, onde se oferta o trigo de melhor qualidade, os papéis para julho caíram 6,75 centavos, a US$ 4,655 o bushel. Na semana até o dia 31, os exportadores americanos negociaram 58,1 mil toneladas de trigo do ciclo atual, um tombo de 76% na comparação semanal. Além disso, os EUA não acertaram a venda de nenhum lote de trigo no leilão de compras internacionais realizado pelo Egito, maior importador do cereal no mundo. No mercado interno, o preço médio do trigo no Paraná caiu apenas 0,07%, para R$ 40,93 a saca, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 08/04/2016)