Setor sucroenergético

Notícias

Odebrecht está prestes fechar renegociação de dívida com bancos

A renegociação da Odebrecht para alongar a dívida da Agroindustrial, braço do grupo no setor de etanol, está prestes a ser fechada. Um dos desenhos prevê carência de quatro anos para que o débito, de R$ 10 bilhões, comece a ser pago. E outros seis para a quitação total dele.

PEDRAS

A operação envolve ações da petroquímica Braskem em garantia. A Agroindustrial, segunda maior produtora de etanol do país, deve para Banco do Brasil, Santander, Itaú e Bradesco. (Folha de São Paulo 11/04/2016)

 

Preço do etanol cai em 10 Estados e no DF mas aumenta em outros 15

Os preços do etanol hidratado nos postos brasileiros caíram em 10 Estados e no Distrito Federal e subiram em outros 15 nesta semana. Os dados são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). No período de um mês, os preços só caíram em quatro Estados e subiram em outros 22. Em ambos os casos, a análise desconsidera o Amapá, por falta de referência.

Em São Paulo, principal Estado produtor e consumidor, a cotação caiu 1,92% na semana, para R$ 2,703 o litro. No período de um mês, acumula desvalorização de 0,07%. Na semana, a maior alta ocorreu em Rondônia (4,67%) e o maior recuo, em São Paulo (1 92%). No mês, o etanol subiu mais no Rio Grande do Norte (7,48%) e recuou mais em Mato Grosso (2,14%).

No Brasil, o preço mínimo registrado para o etanol foi de R$ 2 199 o litro, em São Paulo, e o máximo foi de R$ 4,199 o litro, no Rio Grande do Sul. Na média, o menor preço foi de R$ 2,651 o litro, em Mato Grosso. O maior foi registrado no Rio Grande do Sul, a R$ 3,740 por litro.

Desvantagem

O etanol permaneceu em desvantagem ante a gasolina em todos os Estados do País nesta semana. Os dados, também da ANP, foram compilados pelo AE-Taxas.

Segundo o levantamento, o biocombustível tem a menor vantagem no Rio Grande do Sul (94,78%) - a relação é favorável ao etanol quando está abaixo de 70%. Em São Paulo, a gasolina tem cotação média de R$ 3,557 o litro, enquanto o etanol hidratado, de R$ 2 703 o litro. (Agência Estado 08/04/2016)

 

Usina Porto Seguro nega fraude milionária, critica juiz e suspeita de ‘cortina de fumaça’

A Porto Seguro Negócios Imobiliários S.A., arrematante das usinas Jaciara S.A e Pantanal de Açúcar e Álcool Ltda. rechaçou veementemente todas as denúncias de conluio fraudulento envolvendo o processo de recuperação judicial. Em coletiva realizada na manhã desta quinta-feira (7), a Usina Porto Seguro (UPSFlex) anunciou que irá protocolizar sua defesa na ação cível e a anulação da decisão do juiz Valter Fabrício Simioni da Silva, da Comarca de Jaciara.

Em 15 de março deste ano, o magistrado acolheu as denúncias apresentadas pelo Ministério Público Estadual (MPE), que apontou a existência de “crimes falimentares e contra a ordem tributária”. O que forçou o magistrado a elevar as investigações para a esfera federal. Para o corpo jurídico da arrematante, entretanto, não existe qualquer ilegalidade. Segundo eles, o juiz, que entrou há dois meses na ação, “comprou uma tese” equivocada. A Usina descarta “má fé” nas ações do administrador judicial Júlio Tardin, e levanta suspeitas contra os ex-proprietários das usinas, vinculados ao Grupo Naoum.

O representante do departamento jurídico da Usina Porto Seguro, Diogo Borges Naves, “recebeu com muita surpresa” a acusação, que consta nos autos da ação cível, de supostos atos ilícitos ligados a alienação dos ativos das empresas recuperandas. A alienação foi consumada por meio da criação da Unidade de Produção Independente (UPI), em 07 de março de 2014, e sagrou a Porto Seguro Negócios Imobiliários S.A. como vencedora, com a proposta de R$ 210 milhões.

Entretanto, antes mesmo da realização das assembleias, as devedoras já haviam formalizado um “secreto” (termo usado nos autos) Instrumento Particular de Compra e Venda de Ativos Patrimoniais com a empresa Atrium S.A – Incorporadora e Construtora, em 27 de janeiro de 2014. Acordo que foi assinado, na qualidade de testemunha, por Michael Herbert Matheus, advogado e sócio administrador da Porto Seguro. Posteriormente se descobriu, pelo CNPJ da Atrium, que consta o telefone do escritório dos representantes da Porto Seguro. De acordo com MPE, ainda antes da celebração da UPI (em março), já havia sido firmado, em 07 de fevereiro de 2014, um “Instrumento Particular de Assunção de Solidariedade de Dívidas”, por meio do qual os sócios proprietários da Porto Seguro assumiriam as obrigações contraídas pela Atrium no contrato. Movimentação que gerou suspeitas ao órgão acusador e ao magistrado de Jaciara.

A Porto Seguro refutou esse entendimento, “a Porto Seguro não assinou nada e não assumiu nenhuma obrigação”, afirma Diogo Naves, “uma coisa que tem que ser feita é uma distinção, a Porto Seguro é uma sociedade anônima, ela sequer tem sócios, ela tem acionistas. Assim como você pode ser um acionista da Petrobras e não necessariamente você está responsabilizado por alguma coisa que a Petrobras fez. O que a gente tem que distinguir é a atuação de um dos acionistas, como advogado, em um outro instrumento que não envolve a Porto Seguro”, afirma, referindo-se a participação de Michael Herbert Matheus.

Sobre o acordo secreto com a Atrium, o jurista avalia como “um instrumento que sequer tem validade jurídica ou efeito. Quer dizer: eu não posso fazer um contrato de compra da Lua, pois não tem jeito de entregar. Um contrato de venda de ativos de uma empresa em recuperação judicial também não tem como entregar, porque a venda só pode ser feita por hasta pública”, conclui.

A hasta pública (que é uma espécie de leilão, previsto em lei, para venda de empresas em recuperação judicial), teria sido firmada pela justiça de Mato Grosso, após aprovação em AGC. A Usina também alega que estes questionamentos, hoje feitos pelo juiz, Valter Simioni da Silva, já haviam sido apreciados em primeiro grau (na Justiça comum e na Justiça do Trabalho) e em segundo grau, pelo Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJMT). Para a Usina, “todos os passos da lei foram seguidos e os credores escolheram a liquidação de ativos por UPI”.

Sobre o telefone do diretor da Porto Seguro que conta no CNPJ da Atrium, Diogo Naves avalia. “Acho que essa pergunta deveria ser feita à Atrium. O que eu imaginei, na verdade, porque é muito difícil saber o porquê, mas quando você constitui uma empresa, uma pessoa jurídica, muitas vezes você coloca o telefone do seu contador, do seu advogado, eventualmente a empresa ainda não tem funcionamento próprio, não tem sede [...] Suspeito eu que seja isso. [...] Não por isso o contador, que tem seu nome colocado, é o sócio da empresa. Isso é um equívoco, não tem muito fundamento. A decisão não teve muito cuidado... ela trouxe essas informações, pulverizou e aceitou isso como se fato fosse e fez um juízo de valor, diga-se de passagem, sem nos ouvir. Em nenhum momento fomos ouvidos ou intimados”, afirma.

Ele volta a criticar o magistrado. “No começo da decisão ele fala que uma venda anterior de um pedaço de terra, que foi inclusive um pedido nosso, que deveria ter sido declarada nula, pois foi vendida fora da hasta pública, ele considerou nula, essa venda menor, falando que não tem eficácia, e depois vem falar que a venda maior tem eficácia? Se você não pode o menos, que dirá do mais? Então ainda falta um pouco de coerência na própria construção da mesma decisão”, avalia.

Ativos da empresa

Com relação a denúncia, também do MPE, de que a Porto Seguro já tivesse transferido para terceiros mais de 90% do patrimônio das Usinas.

Segundo os investigadores, que as pessoas e as empresas mencionadas, “em conluio, engendraram as negociatas com a finalidade de transferir o patrimônio das devedoras (ou simular a transferência) com a eliminação de todas as penhoras, arrestos, sequestros, hipotecas e demais restrições sobre todas as matrículas dos imóveis que integravam os ativos das recuperandas, aproveitando-se do disposto no artigo 60, parágrafo único, da LRF”, segundo consta nos autos.

O defensor do grupo nega. “Esse é outro grandíssimo equívoco. Nos últimos dois anos que a Porto Seguro assumiu as atividades, ela fez um investimento de R$ 70 milhões [...] A única coisa que foi vendida, algum patrimônio, foram vendidas algumas terras. Por estratégia negocial. A Usina acha que é melhor você ter uma eficiência dinâmica em maquinário e equipamento que propriamente valores mobilizados em terras [...] Outra coisa que também não foi levada em consideração é que uma Usina de álcool e açúcar tem 85% do seu ativo na sua planta industrial e no seu ativo [...] que é cana. Então muitas vezes você não é dono da terra, você arrenda ou faz outro tipo de contrato de fornecimento, mas você é dono do ativo. Esse sim é muito valioso e esse está integralmente preservado desde a compra originária”, conclui e avalia: “Para vender 90% do patrimônio, como afirma equivocadamente o juiz, você teria que abrir mão da própria atividade e os nossos investimentos, a gente consegue, e vai provar na justiça, em contrapartida dessa alegação de venda de 90% do patrimônio não passa de um ‘ouvi dizer’”. E garante que “não houve perda patrimonial nenhuma”, e sim um acréscimo.

Questionado sobre a porcentagem dos ativos da empresa que foram vendidos a terceiros, o jurista avalia em cerca de 12% ou 13% do valor inicial.

Suspeitas sobre a família Naoum

Questionado sobre quem, afinal de contas, estaria interessado nesta sequência de denúncias e decisões jurídicas, o defensor da Usina Porto Seguro levanta suspeitas sobre os membros da família Naoum. Dentre os nomes elencados na denúncia do MPE estão o de vinculados judicialmente ao Grupo Naoum (ex-proprietária das Usinas), Mounir Naum, Georges Habib Naoum, Alzira Gomes Naoum, Ângela Maria Santos Naoum e Lúcia Gomes Naoum.

“Quando isso apareceu em outubro do ano passado, até disse que tem outros contratos com o mesmo objeto, o interesse era da família [Naoum] tentar se esquivar do pagamento de créditos trabalhistas que ainda sobraram. Se você pegar o edital, vai perceber que o quadro de credores tem um universo de R$ 190 milhões de débito. Então se você vendeu por R$ 210 milhões, naturalmente você percebe que esse valor pagaria integralmente todos os créditos que estão abarcados pelo processo de recuperação judicial. Mas tinham outros funcionários que ainda tinham ações propostas, que não tinham chegado ao seu final, não liquidado ainda, e essas ações continuaram contra seus sócios anteriores. O entendimento nosso é que se tenta criar uma cortina de fumaça para impedir que esses trabalhadores, executando seus créditos, avancem sobre os patrimônios pessoais e de outras empresas que ainda são do grupo. Essa é a teoria. Porque isso começou a aparecer nas defesas trabalhistas da própria família das recuperandas da Usina Pantanal e Jaciara. O que se parece é isso. A gente também tem opositores. Porque se a gente pensar em quais seriam os objetivos práticos de, numa decisão drástica, se você anular a venda da Usina para a Porto Seguro, naturalmente você poderia ir para o segundo colocado. A Usina Porto Seguro ofereceu R$ 210 milhões, o segundo colocado ofereceu R$ 160 milhões. Considerando que deveria também descontar R$ 50 milhões que ele tinha de crédito, então efetivamente estariam pagando R$ 110 milhões. Eventualmente, se tirar a Porto Seguro do certame, se considerar, em uma decisão absurda, nula esta hasta publica, confirmada e homologada, você poderia acreditar que o segundo colocado seria sagrado vencedor. É muito difícil entender qual que é a dinâmica dessa decisão”, conclui.

Administrador judicial sob suspeita

Também acusado pelo MPE, o administrador judicial da recuperanda, Júlio Tardin, teve, sobre ele, suspeitas levantadas pelo magistrado Valter Fabrício Simioni da Silva. Para o juiz é possível considerar as razões pela qual o administrador judicial defenda ‘com unhas e dentes’ a manutenção do processo, afastando todo e qualquer pedido de decretação de falência, ‘que mais se assemelham à manifestação dos patrocinadores das recuperandas e da arrematante Porto Seguro Negócios Imobiliários S.A. do que propriamente ao parecer de um Administrador Judicial’. Para o magistrado, o motivo seria o fato de a remuneração já determinada pelo juízo falimentar ser o montante aproximado de R$ 3.345.021,00, ou 1,5% sobre o valor da dívida das recuperandas.

Para Diogo Naves, o entendimento do magistrado sobre as suspeitas levantadas contra Júlio Tardin foi um “erro primário”, critica. “Essa é outra confusão e um erro primário. Na verdade, a lei de recuperação judicial traz a possibilidade de remuneração ao administrador judicial de até 5% dos ativos. Esse administrador judicial teve uma remuneração de 1,5%. Você imagina que ele poderia ter recebido até 5% e mesmo assim quem criou essa remuneração não fui eu, foi o legislador. É muito natural. E para cada tipo de empresa, cada tamanho, o juiz arbitra um percentual. O magistrado fez uma confusão entre duas remunerações que estão no edital de venda. Na data da hasta publica foi apresentado um valor perto de R$ 10 milhões de uma empresa de consultoria das próprias empresas de recuperação judicial, que fez o plano de recuperação judicial, que fez o trabalho para formatação dessa UPI, e esse pagamento foi dessa empresa. O administrador judicial recebeu acho que R$ 3,5 milhões, referente ao porcentual de 2,5%. Mais ou muito? Enfim... é o valor que se estabeleceu para ele. É o critério”, explica.

Posição oficial da usina

Em nota, a Usina Porto Seguro reforçou que “é a única usina do país a produzir, simultaneamente, etanol de milho e de cana-de-açúcar e açúcar”. Que os investimentos realizados por ela possibilitaram “não só a manutenção dos empregos, mas também a modernização do parque industrial, o que mostra o compromisso da UPSFlex com o desenvolvimento do Estado de Mato Grosso e da região, ressaltando que, além de Jaciara, pelo menos outros quatro municípios têm sua economia fortemente amparada nas atividades da Usina Porto Seguro, que gera 960 empregos diretos e cerca de 3 mil indiretos”.

Decisão do Magistrado

Entretanto, a decisão do juiz continua "de pé". Ele determinou “o imediato bloqueio de todas as matrículas dos imóveis que compõem a UPI alienada” em 15 de março. Ainda, para apuração de eventual responsabilidade criminal dos envolvidos, o magistrado determinou o encaminhamento de cópia da decisão ao Ministério Público Federal.

Por fim, para investigação de eventual prática de tipos penais contra a ordem tributária em prejuízo da União, o magistrado determinou encaminhamento de cópia à Superintendência da Polícia Federal do Estado de Mato Grosso (PF-MT), bem como à Procuradoria Geral da República (PGR). Por fim, solicitou notificação à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional.

Grupo Naoum

Olhar Jurídico procurou o Grupo Naoum para avaliar o mérito da elaboração do jurista. Mas não conseguimos contato, pois os números de telefone disponíveis na internet e atribuídos à empresa não mais existem.

 

IAC estuda cana que pode ser usada tanto para ração quanto para produção de usinas

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do Programa Cana do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), está realizando levantamento sobre o uso da cana-de-açúcar forrageira multifunções (a IACSP93-3046) para melhorar a qualidade dos alimentos dos rebanhos de gado.

Com dupla aptidão, essa cultivar desenvolvida pelo Instituto pode ser adotada para alimentação animal e também para produção de etanol e açúcar, incluindo o mascavo, rapadura e cachaça, atendendo as necessidades dos pequenos, médios e grandes produtores.

Essa variedade vem sendo utilizada pelos produtores de gado, em substituição à IAC86-2480, a primeira variedade desenvolvida especificamente para a finalidade forrageira para alimentar o rebanho.

A nova cultivar apresenta 58% de digestibilidade, apenas dois pontos percentuais a menos que a variedade IAC86-2480. “A IACSP93-3046 apresenta um ótimo resultado em relação a digestibilidade in vitro da matéria seca e 51% de fibra em detergente neutro (FDN), frente aos 60% de digestão por parte do animal e 48% de FDN apresentados pela cultivar IAC86-2480. As duas apresentam teores de sacarose acima de 15%, o que é desejável e, portanto, apresentam relação ao teor de polarização do caldo (FDN/Pol) em torno de 3,4”, explicou o pesquisador da Secretaria, que atua no IAC, Ivan Antonio dos Anjos.

De acordo com o pesquisador, se considerar o melhoramento genético convencional, como o mantido pelo Programa Cana do IAC, o resultado da cana-de-açúcar forrageira multifunções é considerado um sucesso no processo de seleção, porque foi desenvolvido um material com características bromatológicas e agroindustriais que compreendem as várias necessidades do setor e atendem à pecuária e ao setor sucroenergético.

Essa cana com dupla aptidão pode ser colhida por um período longo, que vai da segunda quinzena de maio até outubro, quando há escassez de pasto para o gado “A cultivar tem período ótimo de colheita crescente, ou seja, à medida que o período de colheita se estende, a cana fica mais rica em sacarose e o teor de FDN é reduzido, favorecendo a digestão da fração fibrosa e, consequentemente, o maior consumo do volumoso”, esclarece o pesquisador da Secretaria de Agricultura.

Para o Secretário de Agricultura, Arnaldo Jardim, o produtor precisa buscar alternativas para alimentar o seu gado durante a entressafra, quando o pasto seca, e a cana forrageira é uma alternativa fundamental para manter a produtividade. “A cana tem alta produção por hectare, é uma cultura de fácil manejo e é acessível tanto ao pequeno quanto ao grande produtor, mostrando-se como a melhor opção para a alimentação do gado”, disse.

Para Arnaldo Jardim, a estimativa é que, após a consolidação dos resultados do questionário, seja realizado um estudo, com o objetivo de esclarecer dúvidas que surgirem aprofundando algumas questões. “A finalidade da pesquisa é levantar o máximo de informações possível, fazer um estudo socioeconômico da produção de cana-de-açúcar forrageira e criar um canal de comunicação entre os produtores interessados em utilizar a tecnologia, especialmente os canavicultores, para esclarecer suas dúvidas, como orienta o governador Geraldo Alckmin”, afirmou.

Interessados em cana forrageira, como produtor rural, técnico, alunos e professores, podem acessar o questionário e colaborar com o levantamento. O questionário pode ser preenchido clicando neste link, até julho de 2016, quando está prevista a análise de dados.

A pesquisa é realizada em parceria com a Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Jaú, da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), e o Centro de Inovação, Empreendedorismo e Extensão Universitária (Unicetex), da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo (USP). (Secretária da Agricultura 08/04/2016)

 

Usina de cana Jalles Machado recorre a banco

Conheça os conselheiros que aprovaram a operação.

A companhia sucroenergética Jalles Machado S/A, com unidade produtora de açúcar, etanol e bioeletricidade na cidade de Goianésia (GO), oficializou contratação de operação de empréstimo ou de financiamento na modalidade Cédula de Crédito Bancário (CCB).

A contratação foi autorizada pelos conselheiros da companhia sucroenergética e é feita junto ao banco Santander do Brasil.

Conforme apurado pelo Portal Jornal Cana, a operação tem valor de R$ 2 milhões e vence em 15 de março de 2021.

Pela operação, a companhia pode inclusive oferecer avais, garantias reais e/ou fidejussórias de bens e direitos pertencentes à sociedade, assim como assinar eventuais aditamentos, retificações e ratificações que se fizerem necessárias para consecução ou aperfeiçoamento da contratação.

Conselheiros da Jalles Machado S/A que aprovaram a operação:

Ricardo Fontoura de Siqueira, Gibrail Kinjo Esber Brahim Filho, Silvia Regina Fontoura de Siqueira, João Pedro Braollos Neto e Clóvis Ferreira de Morais. (Jornal Cana 08/04/2016)

 

Após capitalização, Rumo espera obter crédito do BNDES

A Rumo Logística, braço logístico da Cosan, conseguiu ficar habilitada para receber duas linhas de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no total de R$ 3,5 bilhões.

A habilitação ocorreu depois da capitalização de R$ 2,6 bilhões anunciada pela empresa na última quinta (7). Esse aporte deverá ser usado para o reforço do caixa e no aumento de produtividade.

Segundo a Folha apurou, o banco havia condicionado os empréstimos à melhora da saúde financeira da empresa. E isso implicaria injeção de capital e reestruturação de sua dívida.

Hoje, a Rumo tem uma dívida, incluindo leasing de locomotivas, de R$ 9,85 bilhões, sendo que R$ 2,37 bilhões eram de curto prazo com vencimentos de 2016 a 2018, e foram alongados para os próximos sete anos.

De acordo com a Rumo, a capitalização será feita com investimento de capital do principal acionista e com a emissão de 1,04 bilhão de ações ordinárias, ao preço de emissão de R$ 2,50.

Nesta sexta (8), os papéis da empresa tiveram a maior alta na BM&F Bovespa.

A Rumo afirma que, desde a fusão com a ALL, vem se reestruturando para aumentar a sua produtividade.

O projeto inclui a compra de 100 locomotivas e mais de 1.300 vagões feita nos últimos meses, segundo a empresa. A frota atual é de 939 máquinas e 25 mil vagões.

Segundo a Rumo, também foram realizadas obras de revitalização em terminais e na via permanente. As injeções de capital estão previstas no plano de investimentos em curso de R$ 7,4 bilhões.

Quanto à contenda jurídica com a Agrovia, empresa de logística do mercado de açúcar, segundo a Folha apurou, a empresa já provisionou R$ 101 milhões para o pagamento da dívida. O reforço no caixa, anunciado na quinta, não contempla essa quantia.

O valor, que está sendo definido pela câmara arbitral, deve sair em seis meses. O desembolso será feito somente no próximo ano. O imbróglio com a Agrovia começou em 2012 e, no ano seguinte, foi para uma câmara arbitral.

Rumo em 2015
Faturamento: R$ 4,8 bilhões
EBITDA: R$ 1,9 bilhão
Número de funcionários: 12 mil diretos e indiretos
Dívidas/capital: R$ 9,85 bilhões

Principais concorrentes

MRS Logística e VLI Logística. (Folha de São Paulo 09/04/2016)

 

Começa a colheita da cana-de-açúcar no Centro-Sul do país

Setor deve ter crescimento de 5% na safra. Colheita deve ficar entre 610 e 630 milhões de toneladas.

Começou a colheita da cana-de-açúcar na região centro-sul. Em São Paulo, principal produtor do país, o clima ajudou e os agricultores esperam colher mais do que no ano passado. O produtor Marcelo Ravagnane, de Batatais, colheu 27,5 mil toneladas de cana na safra passada. Neste ano ele espera colher 5% a mais por hectare.

As usinas começaram a colheita de cana com boa perspectiva de moagem. De acordo com a ÚNICA – União das Indústrias de Cana-de-Açúcar – a previsão é que a região centro-sul tenha um crescimento de 5% em comparação a safra passada.

A ÚNICA prevê que a colheita da cana fique entre 610 e 630 milhões de toneladas nesta safra. O clima deve continuar favorável, o que colabora com a colheita no período de pico de moagem, entre os meses de julho e setembro.

O diretor de usina Antonio Eduardo Tonielo Filho espera produzir 10% a mais este ano. Ele diz que o setor continua apostando no álcool, mas por conta dos bons preços pagos no mercado internacional, a fabricação de açúcar vai aumentar.

“O ano passado também a gente produziu bastante etanol em relação ao outro ano, que o preço também estava muito bom, e continua. Então a previsão nossa é produzir um pouco mais de açúcar nessa safra por causa da estimativa mundial de déficit que tá tendo na produção do mundo. Países como Índia, Tailândia, China e União Européia diminuíram suas produções. E o Brasil vai praticamente aumentar em 10% a produção de açúcar em relação ao ano passado.”

A ÚNICA prevê que as usinas da região centro-sul vão produzir 27 bilhões de litros de etanol e 34 milhões de toneladas de açúcar nesta safra. (Globo Rural 10/04/2016)

 

Argentina deve elevar a 26% mistura de etanol nos combustíveis em 2017, diz indústria

A Argentina planeja multiplicar o uso de etanol em combustíveis em 2017, como parte de sua política de diversificação da matriz energética, disse um executivo da câmara de bioetanol de milho, que participou de conversas com o governo de centro-direita que assumiu em dezembro.

O país sul-americano, um dos maiores exportadores mundiais de grãos, sofre com um grave déficit energético há anos, que pode ser atenuado em parte com o uso de biocombustíveis. Atualmente, vigora uma mistura obrigatória de etanol e biodiesel nos combustíveis comercializados localmente.

"O plano do governo de Mauricio Macri é elevar a mistura do etanol com combustível dos 12 por cento atuais até um limite de 26 por cento, seguindo a política que o Brasil leva adiante há décadas", disse à Reuters o diretor-executivo da Cámara de Bioetanol de Maíz, Patrick Adam.

Recentemente, a Argentina subiu 2 pontos percentuais a mistura, o que representa cerca de 170 mil metros cúbicos adicionais que serão fornecidos por uma indústria açucareira que sofre há anos devido aos preços baixos internacionais.

"A intenção é aprofundar as porcentagens, o caminho é esse", disse um porta-voz do Ministério de Energia, que ressaltou que, de toda maneira, ainda não estão definidos os prazos nem as porcentagens nos quais crescerá o uso do bioetanol.

A mistura de 12 por cento implica em uma produção de mais de 1 milhão de metros cúbicos anuais de etanol, que pode ser produzido a base de cana ou a partir do milho.

"Um aumento a 26 por cento, por exemplo, nos faria duplicar nossa produção atual e investir 400 milhões de dólares, já que há uma enorme e crescente disponibilidade de matéria-prima para seguir crescendo", ressaltou Adam.

Diversos analistas têm alertado que haverá um forte aumento na produção do cereal devido a eliminação dos impostos e das restrições para a exportação de milho após o presidente Mauricio Macri assumir o cargo.

Mas, se os produtores celebram o maior uso doméstico de etanol, a notícia não seria boa para todos: as petroleiras perderiam até 14 pontos percentuais do mercado atual, ao mesmo tempo em que precisarão investir mais em logística para receber o biocombustível para a mistura.

Por sua vez, os fabricantes de automóveis teriam dado seu apoio para o maior uso do etanol, disse Adam.

"O certo é que na Argentina são produzidos veículos que vão ao mercado brasileiro e vice-versa, o que simplificaria a operação das montadoras", disse Adam. (Reuters 08/04/2016)

 

Agricultura ainda é caso raro de sucesso na economia do Brasil

O Brasil está sendo golpeado por uma profunda recessão, uma crise política e a epidemia do vírus zika, mas numa área o país continua sendo uma potência mundial: a agricultura.Neste ano, o Brasil deve registrar uma safra recorde de

soja e uma quase recorde de milho, segundo projeções da Companhia Nacional de Abastecimento, a Conab, divulgadas na semana passada. Os produtores brasileiros também parecem prontos para alcançar safras recorde de café e cana-de-açúcar em 2016, enquanto os criadores de gado, frango e porco anteveem novos aumentos nas exportações.

As abundantes colheitas e os numerosos rebanhos são um raro ponto positivo na economia brasileira, que em 2015 apresentou sua maior contração nos últimos 35 anos e deve encolher mais 3,7% em 2016.

A agricultura foi o único setor do Brasil que se expandiu no ano passado, em 1,8%, ao passo que o produto interno bruto recuou 3,8%.

“O mundo todo tem que comer e o Brasil está se sustentando com a agricultura”, diz Edimilson Calegari, gerente-geral da Cooperativa dos Cafeicultores de São Gabriel, a Cooabriel, no Espírito Santo. “Nossas lavouras e fazendas de gado são o que mantiveram a economia funcionando durante esses três anos ruins.

A forte desvalorização do real no ano passado, 30% em relação ao dólar, deu impulso às exportações e mais do que compensou a queda nos preços das commodities. Isso ajudou a aumentar as reservas em moeda estrangeira e a reduzir o déficit em conta corrente do Brasil.

Normalmente, seria de se esperar que as previsões de safras volumosas neste ano pudessem empurrar para baixo os preços das commodities, reduzindo os ganhos dos produtores brasileiros.

Até agora, porém, os preços da soja, do açúcar e do café arábica estão todos subindo neste ano devido a uma variedade de fatores, incluindo preocupações com as condições meteorológicas em outros países produtores de commodities.

O real se valorizou ante o dólar recentemente, acumulando uma alta em torno de 10% desde 22 de janeiro. Mas, numa tentativa de ajudar os exportadores, o Banco Central vem intervindo no mercado de câmbio, com a meta, segundo analistas, de impedir que o dólar caia abaixo de R$ 3,60.
Isso é uma boa notícia para os agricultores, cujos produtos continuam mais baratos que os de seus pares nos Estados Unidos e na Europa.

“O Brasil ficou muito mais competitivo no ano passado por causa do real mais fraco, e isso realmente ajudou a aumentar as exportações” e os ganhos dos produtores, diz Natália Orlovicin, analistas da INTL FCStone, firma americana de serviços financeiros.

A agricultura oferece um exemplo raro de um setor globalmente competitivo no Brasil. A manufatura do país, em grande parte ineficiente, ainda é altamente protegida por tarifas e impostos de importação, mas o governo seguiu uma estratégia diferente com a agricultura.

A partir dos anos 90, o Brasil reduziu subsídios agrícolas e eliminou impostos de exportação, enquanto ampliava o investimento na pesquisa agrícola. Os produtores responderam com uma rápida expansão da área cultivada e uma onda de investimentos que os colocou entre os agricultores mais produtivos e mais eficientes do mundo.

O poder de influência da agricultura na economia brasileira ficou em destaque neste ano, quando a presidente Dilma Rousseff cogitou reintroduzir um imposto sobre exportações agrícolas para ajudar a reduzir o enorme déficit no orçamento do governo.

A influente Confederação Nacional da Agricultura (CNA) condenou imediatamente a proposta. A ministra da Agricultura, Kátia Abreu, ela mesma uma pecuarista e ex-presidente da confederação, também se opôs à iniciativa, que parece ter sido discretamente descartada.

Há apenas alguns anos, quando os preços das commodities estavam altos e a China comprava grandes quantidades de minério de ferro do Brasil, a commodity era a campeã das exportações brasileiras. As vendas externas do minério alcançaram o recorde de US$ 41,8 bilhões em 2011, mas despencaram para US$ 14,1 bilhões no ano passado.

Enquanto isso, o total das exportações de soja e produtos à base de soja subiram de US$ 23,9 bilhões em 2011 para US$ 31,3 bilhões em 2014. Embora as vendas tenham recuado para US$ 27,9 bilhões no ano passado, a soja ainda superou o minério de ferro no valor das exportações.

“Os produtos de soja são a locomotiva” do setor agrícola do Brasil, diz Endrigo Dalcin, presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso, a Aprosoja-MT. “Foi o que salvou nossa balança comercial no ano passado e, neste ano, acho que vai chegar a um novo recorde de exportações.”

Porém, apesar da força da agricultura brasileira, ela enfrenta muitos desafios. Entre eles estão estradas deficientes, falta de ferrovias e portos sobrecarregados, o que prejudica o fluxo dos produtos até o mercado.

O custo de transportar a soja da região produtora do Cerrado para o porto de Santos é perto do quádruplo do que os produtores do Estado americano de Illinois, por exemplo, gastam para enviar sua soja para o porto de Nova Orleans, segundo a Aprosoja-MT.

E, embora o real esteja estimulando as exportações, o governo não tem feito o suficiente para ajudar o setor agrícola e o restante da economia, diz Mario Lanznaster, um criador de porcos de 75 anos que vende 36 mil cabeças anualmente em sua fazenda próxima a Chapecó, em Santa Catarina.

Lanznaster gostaria que o governo construísse uma ferrovia para ajudá-lo a transportar do interior do país o milho que serve de ração para os porcos e frango que cria. A ferrovia cortaria custos e tornaria ainda mais baratos os animais que ele vende no Brasil e no exterior.

“Não há dúvida de que o real desvalorizado nos ajuda, nos torna mais competitivos”, diz ele. “Mas os brasileiros também têm que comer. Precisamos fazer a economia crescer de novo, criar mais empregos para que as pessoas aqui possam comer mais e melhor”. (The Wall Street Journal 11/04/2016)

 

Açúcar: Mais volatilidade adiante – Por Arnaldo Luiz Corrêa

O mercado futuro de açúcar em NY fechou a semana em queda de 49 pontos no vencimento maio/2016 que encerrou a sexta-feira negociado a 14.69 centavos de dólar por libra-peso, um fechamento até que auspicioso se levarmos em consideração que se recuperou 46 pontos no pregão do mesmo dia após ter negociado a 14.23 centavos de dólar por libra-peso. Poderá haver uma reversão? Ainda é confusa a situação. Ocorre que, como dissemos na semana passada, a posição comprada dos fundos indicara que eles estavam ainda mais comprados num mercado descendente, fato que acabou desencadeando um volume expressivo de liquidação de posições que levou o mercado de açúcar em NY para o nível de 14.23 centavos de dólar por libra-peso, uma desvalorização que acumulou 250 pontos de baixa em apenas 11 sessões e 95 pontos apenas na última.

No entanto, pela posição dos fundos divulgada na sexta-feira, com base nos negócios feitos até a terça anterior, eles continuam bem comprados em 206.000 lotes. Acredito que esse número mostra que o mercado futuro em NY ainda estará muito suscetível às oscilações que ocorreram ao sabor de fatores exógenos (petróleo, real, crise política) e aos números de moagem e às pressões por caixa nesse início de safra. Aperte os cintos porque a volatilidade deverá aumentar. Principalmente porque na semana que vem ocorre o vencimento das opções de maio. As posições em aberto das opções nos preços de exercício mais próximos ao mercado correm o risco de exercício: as de 13.50 a 14.50 centavos de dólar por libra-peso para as puts e as de 15.00 a 16.00 para as calls. Elas somam 42.000 para as puts e 40.000 para as calls. Pode ser uma semana bem “divertida”.

A queda de preços no vencimento maio é porque o mercado sentiu o baque do que um trader de uma usina chamou de “cisne negro do etanol”, ou seja, ninguém poderia imaginar que os preços do hidratado fossem despencar com a velocidade e magnitude ocorridas.

Em três semanas o etanol hidratado passou de R$ 1.9500 para R$ 1.6000, enquanto na bomba o preço teve pouca alteração. Quem está ganhando muito dinheiro com o etanol são as distribuidoras e os revendedores. A diferença bruta entre o preço na bomba e o índice ESALQ alcançou seu pico em 2 de abril, segundo apuração de um trader de uma multinacional, de R$ 1,1000 por litro. A margem bruta da distribuidora é recorde com mais de R$ 0,7000 por litro. O posto fica com R$ 0,4000 por litro. E o produtor fica chupando o dedo.

O governo tentou, mas não conseguiu, abaixar o preço da gasolina para ver se engana uma vez mais os incautos que ainda acreditam nessa súcia que está no poder. Argumentaram que o preço está acima do mercado internacional. O pior é quando a mídia embarca nessa teoria.

Existe uma enorme desinformação que corre o mercado acerca do preço da gasolina no Brasil comparado com o preço internacional. Um jornal televisivo disse que a gasolina no Brasil está 40% mais cara que o preço internacional. Não sei de onde esses caras pegam essas informações.

Podemos checar duas fontes: primeira o preço de realização na refinaria, que é o preço da gasolina importada com os devidos custos de frete e internação do produto, antes dos impostos. Esse valor hoje é de R$ 1,5370 por litro enquanto o mercado internacional mostra R$ 1,5030 por litro. Ou seja, quando muito, o preço está 2% acima do mercado internacional. Lembrando que esse valor não tem impostos, frete até a refinaria, margem de revenda, etc. A segunda, é comparar o preço médio internacional da gasolina com o valor para o consumidor no posto de abastecimento. Esse valor é hoje de R$ 0.99 por litro, ou seja R$ 3,66 por litro, muito em linha com o mercado. De onde vem essa propalada defasagem de 40%, não faço ideia.

O mercado físico de açúcar para a exportação continua bem fraco, especialmente para o VHP. Os spreads – termômetros que mostram o quão preocupado está o mercado com a disponibilidade imediata do produto – indicam que há confiança que haverá açúcar para todo mundo. Os spreads maio/julho, julho/outubro e outubro/março apresentam carrego de 6-8% ao ano em dólar, isto é, dá-se cada vez mais desconto para quem levar o produto agora.

Segundo a MB Associados, em boletim distribuído na semana passada, mesmo que o impeachment não passe, um governo Dilma-Lula não é sustentável por pelo menos duas razões: primeiro, é difícil imaginar uma convivência pacífica entre um presidente sem nenhum poder e um ostensivo presidente de fato; segundo, porque para segurar o impeachment, o negociador Lula está prometendo um governo de esquerda para a esquerda, um aumento expressivo do gasto público para a bancada fisiológica e certamente vai tentar vender uma carta aos brasileiros versão 2016 para o PIB. Nas condições de crise atual e exaustão total do Tesouro Nacional trata-se de uma tarefa impossível.

O placar do impeachment segundo o jornal O Estadão está 277 a 114. Existem 62 indecisos e 60 que não responderam à pesquisa. Dois não comparecerão à votação, pois estão em licença médica. Ou seja, são necessários 65 votos dentre os 120 disponíveis, pouco mais de 50%. Dilma cai.

Caso você queira receber nossos comentários semanais de açúcar diretamente no seu e-mail basta cadastrar-se no nosso site acessando o link http://archerconsulting.com.br/cadastro/ (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)

 

Commodities Agrícolas

Café: Gangorra com o dólar: As cotações do café arábica fecharam no campo positivo na sexta-feira na bolsa de Nova York, refletindo a queda do dólar em relação ao real. Os papéis do grão para julho subiram 60 pontos, a US$ 1,2255 a libra-peso. O movimento do dólar refletiu o cenário internacional de alta do petróleo. A queda da moeda em relação à divisa brasileira reduz o estímulo para os produtores brasileiros negociarem sua produção no mercado global, diminuindo a oferta disponível. Segundo analistas, o comportamento do mercado de café tem se mantido fortemente relacionado às oscilações do real, que determina o ritmo das exportações brasileiras. No mercado doméstico, o preço do café de boa qualidade oscilou entre R$ 490 e R$ 500 a saca de 60,5 quilos, de acordo com o Escritório Carvalhaes, de Santos.

Cacau: Mercado apertado: Os preços futuros do cacau subiram na sexta-feira na bolsa de Nova York como resultado de cobertura de posições vendidas e receios com uma oferta mais apertada nesta temporada. Os lotes para julho avançaram US$ 22, a US$ 2.894 a tonelada. Recentemente, uma fonte do governo da Costa do Marfim, maior produtor mundial de cacau afirmou que a produção do país na safra 2015/16 deve ter ficado em 1,6 milhão de toneladas, abaixo das 1,8 milhão de toneladas da safra anterior e das 1,69 milhão de toneladas previstas pela Organização Internacional do Cacau (ICCO, na sigla em inglês). Também há receios com os próximos dados de moagem. Em Ilhéus, o preço médio do cacau ficou estável em R$ 138 a arroba, de acordo com dados da Secretaria de Agricultura da Bahia (Seagri).

Soja: USDA no radar: O mercado da soja ganhou impulso na sexta­feira na bolsa de Chicago diante dos ganhos do petróleo e de ajustes prévios às projeções de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Os papéis para julho subiram 12,25 centavos, para US$ 9,25 o bushel. Os analistas acreditam que a projeção dos estoques será reduzida diante de uma demanda maior que o esperado. A aposta média é de que a estimativa para os estoques finais nos EUA fiquem em 12,41 milhões de toneladas. Em março, projetou-se 12,51 milhões de toneladas. O USDA divulgará suas estimativas amanhã. Para analistas, a soja também foi influencia pela queda do dólar ante o real, que desestimula as exportações do Brasil. No Paraná, o preço médio subiu 0,62%, para R$ 65,26 a saca, segundo o Deral/Seab.

Trigo: Ânimo com compras: O mercado do trigo interrompeu na sexta-feira a sequência de quedas dos quatro dias anteriores e registrou altas na sexta-feira nas bolsas americanas. Em Chicago, os papéis para julho subiram 2,25 centavos, a US$ 4,6025 o bushel. Em Kansas, onde se negocia o trigo de melhor qualidade, os lotes para julho tiveram alta de 5,25 centavos, a US$ 4,7075 o bushel. Relatos de que Coréia do Sul, Tailândia, Argélia e Marrocos acertaram a compra de trigo de alta qualidade dos EUA interromperam o pessimismo com o ritmo da demanda global. As previsões de tempo um pouco mais seco nos próximos dias em áreas produtoras do Kansas também deram suporte às cotações. O preço médio do trigo no Paraná apurado pelo Cepea/ Esalq recuou 1%, para R$ 760,21 por tonelada. (Valor Econômico 11/04/2016)