Setor sucroenergético

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Amaggi troca o Brasil por outros campos

Menos Brasil e mais mundo. Esta é a estratégia do Grupo Amaggi. O conglomerado agroindustrial comandado pelo senador Blairo Maggi e suas quatro irmãs pretende reduzir sua exposição ao risco Brasil com a venda de ativos locais e a gradativa transferência de investimentos para o exterior.

Os planos do Amaggi passam pela construção de uma unidade de esmagamento de soja nos Estados Unidos e outra na Ásia, principais mercados internacionais do grupo. Hoje, a companhia tem apenas um ativo industrial fora do Brasil, uma planta de processamento na Noruega.

A aposta internacional prevê também a expansão da atividade de trading, com a abertura de escritórios comerciais em locais estratégicos. Do outro lado desta balança, a Amaggi pretende sair do negócio de energia, desfazendo-se de suas cinco usinas térmicas. Planeja também vender algumas de suas fazendas, reduzindo a produção própria de grãos.

Segundo o RR apurou, com a alienação das termelétricas e de propriedades rurais, a família espera amealhar algo em torno de R$ 500 milhões, recursos que serão usados para financiar a expansão das operações internacionais.

E lá se vai mais um grande grupo nacional a exportar divisas e postos de trabalho muito compreensivelmente em busca de hedge em moeda forte, acesso a crédito mais barato, busca de uma carga tributária mais palatável e redução dos custos de logística. (Jornal Relatório Reservado 13/04/2016)

 

Smiles e Raízen acertam acordo de parceria para postos Shell

A Smiles, empresa de programas de fidelidade por coalizão controlada pela Gol, será parceira da Raízen, empresa licenciada da marca Shell no Brasil, para oferecer aos seus clientes a opção de resgate de passagens aéreas, produtos e serviços com milhas.

O acordo contempla ainda o resgate de milhas Smiles em combustível, serviços e produtos das lojas Select, além de ações promocionais e ofertas Smiles aos consumidores da Shell.

“Esse acordo é estratégico para a Smiles, pois vai ampliar a diversificação de opções de acúmulo e resgate, além de ser inserida na rotina de consumo dos clientes”, disse o presidente da Smiles, Leonel Andrade, em nota.

No começo da tarde desta quarta-feira, na Bovespa, as ações da Smiles subiam 3,98%, cotadas a R$ 41,49. (Valor Econômico 13/04/2016 às 12h: 27m)

 

Castigado pela crise do setor e pelo câmbio, etanol brasileiro ainda enfrenta dificuldades

A concorrência com a gasolina subsidiada pelo governo impediu que o combustível verde avançasse no país.

A alta nos preços da gasolina e do diesel no mercado interno trouxe um respiro à indústria do etanol, mas a crise do setor está longe de terminar.

Apesar do consumo recorde do biocombustível em 2015 – 17 milhões de litros –, o setor amarga os efeitos da falta de planejamento e de cinco anos de intervenção do governo nos preços da gasolina.

A queda das cotações do petróleo também voltou a assombrar a indústria sucroenergética. Resultado: em pouco mais de uma década, o setor de etanol foi do céu ao inferno. Agora, tenta sair do buraco.

A promessa de tornar o Brasil líder na produção mundial de energia limpa, tendo o etanol como carro-chefe, levou a um ciclo de investimentos no setor entre 2003 e 2008, impulsionado, no mercado interno, pela introdução dos carros flex.

Mas o auge do etanol não resistiu à crise mundial, e a promessa não se concretizou. Para piorar, o governo passou a segurar os reajustes da gasolina a partir de 2010 para controlar o avanço da inflação, minando a competitividade do etanol e levando o setor a maior crise dos últimos 30 anos, na avaliação de analistas.

Com alto custo de produção e preço baixo na bomba, as dívidas se acumularam e enfraqueceram o caixa das empresas. Descapitalizadas, dezenas de usinas fecharam ou pediram recuperação judicial nos últimos anos. De acordo com balando da RPA Consultoria, das 355 usinas em operação no país, 85 estão em recuperação, sendo que 11 delas decretaram falência. No Paraná, das 30 usinas, cinco fecharam as portas desde 2006.

Para voltar a pensar em novos investimentos, o setor precisa pagar as contas, cuja fatia considerável está em dólar. “A questão cambial impacta profundamente os custos de produção e a dívida do setor. A indústria sucroenergética do Paraná, por exemplo, tem cerca de 70% da sua dívida atrelada a questão cambial”, afirma Miguel Rubens Tranin, presidente da Associação de Produtores de Bioenergia do Paraná (Alcopar).

Até o final do ano passado, os custos de produção giravam ao redor de R$ 1,40 por litro. Este ano, devem saltar para R$ 1,60, R$ 1,70 em função da variação do câmbio.

Respiro insuficiente

O nível de preço que as usinas vêm vendendo tanto o açúcar quanto o etanol melhorou. Além disso, o aumento da gasolina, com a reintrodução da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide); a elevação do etanol anidro na gasolina para 27,5%; e o diferencial de ICMS cobrado entre a gasolina e o etanol em alguns estados como Minas Gerais, por exemplo, deram novo fôlego ao combustível verde, mas a situação de boa parte das usinas ainda é muito crítica.

O setor deve levar pelo menos de dois a três anos para voltar a investir, avalia o analista de Mercado de Açúcar e Etanol da INTL FCStone, João Paulo Botelho. “O grande problema hoje é o nível de endividamento do setor”, destaca.

A solução, para Tranin, passa pela sensibilidade do governo aos problemas do setor. “É preciso que o governo disponibilize recursos e promova a rolagem da dívida. Não se trata do não pagamento, mas de uma carência maior para poder pagar mais adiante, com uma condição financeira melhor”, afirma.

Mercado mundial ficou só com promessas

Em pouco mais de 10 anos, o Brasil vivenciou dois extremos no mercado de etanol: de promessa de grande fornecedor de combustível verde para o mundo à maior crise do setor sucroenergético nacional.

Em 2007, o então presidente norte-americano George W. Bush, esteve no Brasil para firmar uma grande parceria entre Brasil e Estados Unidos, os dois maiores produtores mundiais de etanol. Contudo, a expectativa de criar um mercado global de etanol não se desenvolveu como gostaria o setor.

“Lá eles não conseguem superar o limite de 10% de etanol na gasolina. Existe um lobby muito forte da indústria petroleira contra o biocombustível nos EUA que impediu esse mercado de deslanchar”, avalia João Paulo Botelho, analista de mercado de Açúcar e Etanol da INTL FCStone.

No resto do mundo, a crise de 2008 levou muitos governos a cortarem investimentos e incentivos em energias limpas, atingindo em cheio a expectativa da indústria brasileira de fornecer combustível verde para outros países. Porém, mesmo com as expectativas frustradas, o Brasil continua sendo protagonista na área de biocombustíveis.

Mais porque o etanol também não avançou no resto do mundo como se esperava do que por mérito e políticas nacionais de incentivo ao biocombustível. Somos o segundo maior produtor do mundo. (Gazeta do Povo 13/04/2016)

 

Receita das usinas com cogeração de eletricidade deverá cair este ano

Com a energia elétrica cotada atualmente no mercado livre por um valor equivalente a menos de 10% do recorde de R$ 822 o megawatt-hora (MWh) alcançado em 2014, as usinas sucroalcooleiras que produzem o insumo a partir do bagaço e da palha da cana tendem a colocar o pé no freio em 2016. Com isso, as perspectivas são de que a receita das empresas do segmento com a venda de eletricidade caia.

O ano deverá ser marcado pelo cumprimento de contratos já firmados, de forma que a produção tende a ser igual a de 2015 ou até levemente menor. "A corrida por aquisição de biomassa adicional com o objetivo de produzir mais e vender a preços altos, vista nos últimos anos, já não vale mais a pena", afirma Zilmar de Souza, consultor de bioeletricidade da União da Indústria de Cana-deAAçúcar (Unica).

Ele lembra que em março de 2014, o Preço de Liquidação de Diferenças (PLD), que serve de referência para o mercado spot de energia, estava em R$ 822 o MWh. Em março do ano passado, o valor caiu para R$ 388 o MWh. "Em março deste ano, foi a R$ 46". Com isso, diz Souza, a geração adicional de energia a partir da biomassa acabou desestimulada.

Em 2015, a produção de eletricidade a partir de biomassa atingiu 20,2 mil gigawatts-hora (GWh) no país, 4,1% mais que em 2014. "Em 2016, essa produção deverá ficar de estável ou recuar", reforça Souza.

Há casos pontuais de grupos que estão até negociando "comprar" energia para cumprir contratos já firmados no passado. Nesse caso, em vez de queimar o bagaço a empresa pode comercializá-lo para obter uma receita adicional, realça Luiz Cláudio Barreira, analista de bioeletricidade da consultoria FG Agro. A estratégia vem sendo adotada apenas por usinas que já venderam a energia no mercado regulado a preços mais elevados. "Um grupo que tenha vendido o MWh a R$ 200, por exemplo, em vez de produzir compra a energia aos preços atuais [em torno de R$ 50] e ainda tem um ganho líquido de R$ 150 por MWh. Para ampliar sua receita, vende o bagaço não utilizado no mercado".

Barreira explica, ainda, que a maior parte das usinas sucroalcooleiras que vão entregar energia no mercado livre em 2016 já estabeleceu os preços de venda em contratos firmados no ano passado. O consultor estima que esses valores tenham variado entre R$ 180 e R$ 250 o MWh, bem acima dos patamares atuais praticados no mercado spot, de R$ 50 o MWh.

Para 2017, a sinalização, até o momento, é de valores mais atrativos dos que os atuais ­ devido a incertezas políticas e climáticas ­, mas, mesmo assim, mais baixos que os praticados em 2015. A indicação, segundo Barreira, é de preços ao redor de R$ 110 o MWh, conforme referência da plataforma de comercialização de energia elétrica Brazilian Intercontinental Exchange (BRIX).

Barreira explica que o mercado livre é o destino de cerca de 30% da energia total vendida pelas usinas. O restante é vendido no mercado regulado (de longo prazo), com preços negociados nos leilões da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O valor desses contratos, corrigidos pela inflação, não muda ao sabor das oscilações do mercado. Barreira estima que as usinas que vão entregar energia em 2016 oriunda desses contratos de longo prazo vão receber entre R$ 140 e R$ 240 o MWh, a depender do ano em que o compromisso de venda foi firmado. (Valor Econômico 14/04/2016)

 

Cana inspira estudantes brasileiros a criarem inovações sustentáveis

Ao que tudo indica, a expertise no setor sucroenergético brasileiro terá o seu futuro garantido. Em diversas partes do País, jovens estudantes do ensino médio à universidade vêm desenvolvendo projetos acadêmicos usando a biomassa da cana como base para a criação de produtos biodegradáveis. O consultor de Emissões e Tecnologia da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Alfred Szwarc (Foto), cita duas destas soluções inovadoras premiadas no exterior: um detergente de origem renovável com potencial para ajudar no combate ao Aedes aegypti sem causar grandes impactos ao meio ambiente, além de uma bandeja de bagaço e palha de cana que pode substituir algumas embalagens de isopor usadas por padarias e supermercados.

“É estimulante notar como a cana continua contribuindo para o futuro da ciência brasileira, motivando estes jovens pesquisadores a criarem produtos cada vez mais alinhados com a questão ambiental”, avalia o executivo da UNICA.

Biodetergente

Reconhecido na premiação “Idea to Products”, organizado pela Universidade do Texas, nos Estados Unidos, um projeto criado pelos alunos Paulo Franco e Guilherme Fernando Dias Perez, do campus de Lorena da Universidade de São Paulo (USP), concebeu um detergente “verde”. Com características de aplicação semelhantes a outros produtos fabricados a partir de derivados do petróleo, o biodetergente apresentou o diferencial de ser menos agressivo ao meio ambiente graças a presença do bagaço de cana em sua composição.

Segundo o professor orientador do trabalho, Silvio Silvério da Silva, a utilização deste resíduo de origem renovável, abundante em nosso País e de menor custo operacional em relação às fontes fósseis, faz com que o produto tenha um grande potencial de preço reduzido em relação aos seus concorrentes não biodegradáveis. “Além disso, sendo um produto natural produzido a partir do bagaço de cana, há diversos estudos que apontam vantagens como a biodegradabilidade e atoxicidade frente aos detergentes sintéticos, não apresentando riscos ambientais e a saúde”, explica.

Outra vantagem, de acordo com Silva, é que ele também tem características de um larvicída biológico, podendo ser usado para combater o mosquito transmissor da Dengue, vírus Zika e febre Chikungunya. “Testamos sua eficácia no combate de larvas de Aedes, em testes in vitro, demonstrando seu potencial neste sentido”, conclui o docente. Após quatro anos de desenvolvimento, a novidade já foi patenteada e, por enquanto, segue disponível nos laboratórios da USP para mais estudos.

Bandeja

Reduzir a quantidade de isopor descartado no meio ambiente, onde o processo de decomposição do material pode durar até 300 anos. Especialmente aquelas embalagens de carne, embutidos, frutas e verduras encontradas nas prateleiras de padarias e supermercados. Motivada por este objetivo, a aluna do ensino médio Sayuri Miyamoto Magna criou uma solução sustentável inovadora: bandejas a partir do bagaço da cana-de-açúcar.

“Se mantida em estoque, com boas condições de preservação, a embalagem se mantém boa para o uso por até dois anos. Quando vai para os lixões e aterros sanitários, em menos de 6 meses já está decomposta. E se ficar em contato constante com a água, em 4 horas já está dissolvida”, informa a jovem de 16 anos.

Apoiada pelo programa Iniciação Científica do colégio Bom Jesus, em Curitiba, a estudante criou o produto a partir de um processo de fabricação relativamente simples, em que utilizou biomassa de cana, temperos naturais e uma cola caseira feita de água e farinha. A ideia lhe rendeu medalhas na feira de ciências da Usina Itaipu, o terceiro lugar na Olimpíadas dos Gênios, em Nova York, e o título “Jovens Inventores” do programa Caldeirão do Huck, exibido no último sábado pela TV Globo.

De acordo com Sayuri, o maior desafio da sua invenção foi encontrar um modo para dar uma função antimicrobiana à bandeja, garantindo mais segurança alimentar para o consumidor. “Pesquisei nos produtos de limpeza, vi o que era utilizado, e encontrei uma substância que não teria nenhum efeito tóxico sobre o bagaço de cana”, explica, guardando segredo sobre o componente usado. “Há sempre algo que você deve melhorar e que pode ser ainda mais refinado”, complementa a menina.

Segundo o orientador da pesquisa de Sayuri e coordenador do projeto, o professor Cornélio Schwambach, no programa de Iniciação Científica do colégio Bom Jesus estão em cursos outros projetos visando a redução do uso de adubos químicos em monoculturas como a canavieira. “A cana tem um potencial fenomenal que pode ser mais investigado. Creio que o Brasil tem potencial para fazer uma revolução agrícola que considere fatores econômicos, sociais e ambientais”, explica.

“Sempre pergunto aos meus alunos: O que te incomoda? Crie soluções simples para problemas simples. Quantos problemas simples os produtores de cana devem ter? Muitos. Isto é fazer ciência”, encerra Schwambach. (Brasil Agro 14/04/2016)

 

Guarani Tereos dá partida a uma nova safra 'açucareira'

A Guarani Tereos Açúcar e Etanol Brasil, controlada pelo grupo francês Tereos, projeta um aumento apenas marginal da moagem de cana em suas sete usinas situadas no Centro-Sul do país nesta safra 2016/17, e pretende manter a maior parte do processamento da matéria-prima direcionada à produção de açúcar, como no ciclo recém-encerrado.

Mas prevê preços mais remuneradores ao longo da temporada que começou em 1º de abril, e quer aproveitar o cenário para dar continuidade aos investimentos em ganhos de produtividade que marcaram sua estratégia de expansão em 2015/16. No ciclo passado, a empresa investiu R$ 510 milhões em renovação de plantações, novas tecnologias e conservação de energia.

Jacyr Costa Filho, diretor da divisão Brasil do grupo Tereos, disse ao Valor que, no total, a moagem das unidades da companhia no país deverá somar 20,5 milhões de toneladas em 2016/17. Na safra 2015/16, foram 19,6 milhões de toneladas, resultado que ficou um pouco abaixo do inicialmente projetado (entre 20 milhões e 20,5 milhões de toneladas) por causa do excesso de chuvas no Centro-Sul.

Conforme o executivo, 60% do volume previsto será direcionado à produção de açúcar, e o restante servirá à fabricação de etanol. Já foi assim em 2015/16, mas agora as perspectivas são melhores. "O açúcar vive um bom momento, até porque há queda de produção na Índia e na Tailândia por causa do clima", o que ajuda a sustentar suas cotações internacionais. "E o cenário para o etanol também é positivo, apesar da recente queda do consumo e dos preços do produto no mercado doméstico".

Conforme Costa Filho, a demanda interna por etanol, que chegou a 1,7 bilhão de litros em outubro, caiu em março para cerca de 1 bilhão mas voltará a aumentar, em linha com a oferta. Assim, os preços tendem a voltar a reagir, devolvendo ao biocombustível a condição de "boa opção" de negócio, sobretudo para usinas que precisam de liquidez.

Mas ele transparece estar mais otimista com o açúcar, "que deverá contar com preços remuneradores até a safra 2017/18". Depois de cinco safras internacionais seguidas de superávits (produção maior que a demanda), a commodity voltou a apresentar déficit ­ que, mesmo compensado por estoques amplos, garante alguma sustentação adicional aos preços.

Quanto aos investimentos, Costa Filho reiterou que o foco continuará na busca de uma maior eficiência energética. Nessa frente, ele destacou, além dos aportes na renovação de canaviais e do uso de novas variedades de cana, inclusive importadas, o uso de drones no monitoramento das plantações. "Temos 300 mil hectares, entre canaviais próprios e de terceiros. E já temos três drones de tecnologia suíça em testes, cada um capaz de cobrir cerca de 20 mil hectares". (Valor Econômico 14/04/2016)

 

Real ditará tendências para commodities agrícolas

A moeda brasileira deve seguir como um fator determinante para a trajetória das principais commodities agrícolas produzidas no Brasil no segundo trimestre de 2016.

As crises política e econômica no Brasil escalaram a tal nível que o trimestre que se inicia impõe um grande desafio àqueles que necessitam de um pouco de previsibilidade para variáveis chaves da economia. Em relação aos principais produtos agrícolas, esse contexto fez com que as atenções voltadas ao clima cedessem lugar à cotação do real, que se coloca, hoje, no radar das commodities.

Em estudo especial, “Perspectivas para Commodities - 2º trimestre de 2016”, a consultoria INTL FCStone analisou a moeda brasileira e suas implicações na agricultura, considerando dois desfechos possíveis para o processo de impeachment. “Enxergamos dois cenários básicos que implicam em patamares bem diferentes para a cotação do real – ao redor de R$ 3,10 no caso do impeachment e R$ 4,20 caso a presidente Dilma Rousseff se mantenha no cargo”, explica o Diretor de Inteligência de Mercado, Thadeu Silva.

Para o setor sucroalcooleiro, os diferentes cenários terão papel decisivo na determinação do mix de produção. Com uma safra recorde a caminho e um déficit global de açúcar, uma valorização cambial pode reduzir a larga vantagem na rentabilidade que o açúcar apresenta no momento e estimular a produção de etanol.

“Nos próximos meses provavelmente se observarão os menores níveis de preços para o biocombustível em toda a safra, o que deve incentivar um aumento na demanda, enquanto o mercado de açúcar aponta que oferecerá suporte ao álcool combustível”, aposta o Analista de Mercado da INTL FCStone, João Paulo Botelho.

O nível de preços da soja também deve se manter pressionado. Ainda de acordo com relatório, as perspectivas para as exportações brasileiras a partir de abril podem ser revistas para baixo no caso do afastamento da presidente, principalmente se for considerada a grande disponibilidade de produto nos Estados Unidos, que por sua vez pode se beneficiar da perda de competitividade do produto brasileiro.

Já o milho vive um momento bastante particular de escassez do produto no Brasil. Com novas desvalorizações cambiais, o cenário de preços domésticos altos pode ser mantido por mais tempo. Da mesma forma, uma valorização pode levar a importações expressivas do grão no primeiro semestre deste ano, inviabilizando a exportação do produto do Centro-Oeste.

Com relação aos fertilizantes, que vivem um cenário de estoques elevados, podem ver seu contexto mudar, ao passo que paralisações de unidades produtoras e demanda crescente contribuiriam para uma interrupção da tendência de queda dos preços dos principais fertilizantes no mercado internacional nos próximos meses. “A demanda brasileira por fosfatados e, principalmente, potássicos, será um importante fator para que esse piso nos preços seja estabelecido no segundo trimestre e as perspectivas são positivas em relação a ela”, resume Fábio Rezende, Analista de Mercado da consultoria. (INTL FCStone 13/04/2016)

 

Déficit de combustíveis do Brasil deve quadruplicar até 2030, diz ANP

A importação de combustíveis pelo Brasil deverá crescer quatro vezes até 2030 e tornar o déficit do país o maior do planeta, estimou nesta quarta-feira a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A importação média de combustíveis do Brasil poderá atingir 1,201 milhão de barris por dia (b/d) em 2030, alta de 271 por cento ante a média registrada em 2015, de 323 mil barris por dia, disse nesta terça-feira a diretora-geral da autarquia, Magda Chambriard, em evento no Rio de Janeiro.

O cenário foi calculado considerando que a refinaria do Comperj, em construção pela Petrobras no Rio de Janeiro, com muitos atrasos, não entre em operação conforme o previsto em 2023. Caso a refinaria entre em operação, a média de importações em 2030 deverá atingir 1,142 milhão de b/d.

A Petrobras está em busca de um sócio para concluir as obras da refinaria do Comperj, sem sucesso até o momento.

O cálculo inclui diesel A, os combustíveis do Ciclo Otto (gasolina e etanol, por exemplo), querosene de aviação, gás liquefeito de petróleo (GLP) e nafta.

"Vai faltar (combustíveis) e essa falta tem que ser suprida por importação... isso tem impactos na logística. O consumidor não mora no porto, mora em diversos pontos do Brasil", alertou Magda, destacando a necessidade do país aprimorar sua infraestrutura de distribuição.

No caso do diesel A, a importação média brasileira deverá atingir 483 mil b/d em 2030, avanço de 313 por cento ante a média de 117 mil b/d em 2015, considerando um cenário em que a refinaria do Comperj não entre em operação em 2023. Caso a refinaria esteja operando, as importações de diesel A do Brasil em 2030 serão de 424 mil b/d, estimou a ANP.

A importação média de combustíveis do Ciclo Otto deverá atingir 408 mil b/d em 2030, alta 1175 por cento ante a média importada em 2015, de 32 mil b/d.

Além da conclusão do Comperj, Magda destacou que o Brasil precisa de outras medidas para atingir a autossuficiência de combustíveis, como a operação máxima da primeira unidade de refino da Refinaria do Nordeste (Rnest), prevista para 2017, e a da segunda unidade, prevista para 2019.

Ela acredita ainda na necessidade de construção de duas outras refinarias.

Segundo Magda, o cenário de dependência externa é preocupante e demanda medidas e investimentos urgentes.

"Não vamos ter muito tempo para perder nisso", disse a executiva. (Reuters 13/04/2016)

 

USDA reduz previsão de produção de açúcar e eleva importação da safra 2015/16

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu a projeção de produção doméstica de açúcar em 0,40%, de 8,827 milhões de toneladas curtas (8,008 milhões de toneladas) para 8,792 milhões de toneladas curtas (7,976 milhões de toneladas).

Com isto, reduziu em 1,64% a sua previsão de estoques finais domésticos de açúcar na temporada 2015/16, para 1,619 milhão de toneladas curtas (1,469 milhão de toneladas), ante o volume de 1,646 milhão de toneladas curtas (1,493 milhão de toneladas) previsto em março.

O USDA aumentou a sua estimativa para importação dos EUA em 0,28%, a 3,209 milhões de toneladas curtas (2,911 milhões de toneladas). Em março, a previsão era de 3,200 milhões de toneladas curtas (2,903 milhões de toneladas). (Down Jones 13/04/2016)

 

Europeus vetam acordo com Mercosul

Em carta, França e outros 12 governos dizem que uma oferta de liberalização ao Brasil seria ‘uma provocação’ ao setor produtivo europeu.

Acordo permitiria o Brasil aumentar as exportações de açúcar, carnes e produtos agrícolas.

Países europeus se lançam em uma ofensiva para bloquear qualquer tipo de acordo comercial da União Europeia com o Mercosul que permita ao Brasil e ao restante da região incrementar de forma substancial suas exportações de açúcar, carnes e produtos agrícolas. 

Uma carta obtida pelo Estado revela que 13 dos 28 governos do bloco europeu indicaram que qualquer movimento nesse sentido seria considerado como “uma provocação” ao setor produtivo europeu. Na prática, o acordo comercial com a UE apenas traria ganhos econômicos ao Brasil se incluir uma abertura do mercado para os produtos mais competitivos, justamente aqueles considerados como “sensíveis” aos europeus. Em 2015, dos US$ 33 bilhões exportados pelas empresas brasileiras para a Europa, US$ 21 bilhões eram produtos básicos e semi-manufaturados.

Na semana passada, as diplomacias dos dois lados do Atlântico indicaram que vão trocar ofertas de como seria a liberalização em maio. O processo está emperrado desde 2004 quando Mercosul e UE não conseguiram chegar a um acordo sobre como lidar com os produtos sensíveis.

Estudo

Para 2016, a meta é relançar o processo e, consultada pelo Estado, a Comissão Européia indicou que a proposta que pretende trocar com o Mercosul ainda não foi finalizada.

Mas, numa carta de 7 de abril ao Conselho da Europa e a todos os 28 membros da UE, um grupo de 13 países liderados pela França saiu ao ataque contra qualquer tentativa de ceder aos produtos agrícolas do Mercosul. “Somos contrários à presença de propostas sobre cotas em produtos sensíveis na oferta européia que será passada ao Mercosul nos próximos meses”, alertou o grupo, composto ainda pela Áustria, Grécia, Polônia, Irlanda, Hungria, Chipre, Estônia, Letônia Lituânia, Romênia, Eslovênia e Luxemburgo. O tema foi tratado no dia 11 de abril num encontro de ministros de Agricultura.

Os governos europeus apontaram, na carta, que os agricultores da região estão enfrentando “uma crise particularmente difícil” e que as medidas tomadas pela UE para ajudar o setor “fracassaram”. “Uma oferta ao Mercosul contendo cotas em produtos sensíveis seria provavelmente visto como uma provocação pelo setor agrícola europeu”, indicou o grupo.

Os países também alertam que, se isso ocorrer, o que pode ser prejudicado seria justamente a negociação para a criação de uma área de livre comércio ente Europa e Estados Unidos, uma das prioridades de Bruxelas. Para esses governos, se houver uma abertura ao Mercosul, ela terá de ser compensada por uma oferta menor aos EUA.

“Os países do Mercosul são os líderes no mercado agrícola mundial e seus setores são altamente competitivos”, indicaram os governos na carta. Para eles, a negociação não pode mais se basear nas propostas que existiam em 2004. (O Estado de São Paulo 13/04/2016)

 

Bioeletricidade da cana poupa o equivalente a 14% da água em reservatórios

Em 2015, o setor sucroenergético brasileiro ofertou mais de 20 mil GWh para o Sistema Interligado Nacional (SIN). De acordo com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) e a Associação da Indústria de Cogeração de Energia (COGEN), esse volume de energia fornecido à rede pela biomassa da cana foi equivalente a economizar 14% da água dos reservatórios hidrelétricos do principal sub-mercado do setor elétrico - Sudeste/Centro-Oeste - que no ano passado respondeu por 59% do consumo de eletricidade no País.

Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), os recursos hídricos, materializados nos rios, apresentam grande variabilidade e incerteza em sua disponibilidade, seja por aspectos sazonais ou por períodos pontuais de baixas afluências, como observado em 2014 e 2015. Embora atualmente a energia armazenada nos reservatórios das hidrelétricas no Sudeste/Centro-Oeste esteja em 58% da capacidade máxima, em novembro de 2014 chegou a apenas 16%.

O gerente em Bioeletricidade da UNICA, Zilmar de Souza (Foto), ressalta que “em termos de preservação de água nos reservatórios, a contribuição da cana é ainda maior, pois a indústria sucroenergética é autossuficiente em energia elétrica durante a safra, fazendo com que a autoprodução evite também a aquisição intensiva de eletricidade neste período”.

Para o diretor da COGEN, Leonardo Caio Filho, o recente estresse hídrico e a recuperação dos níveis dos reservatórios reforçam a função estratégica da bioeletricidade da cana para o Sistema Interligado. “Pela geração da biomassa estar concentrada no período seco da região Sudeste e Centro-Oeste, a contribuição de cada MWh gerado pela cana é muito significativa, resultando em um indicador tão relevante como este de poupar o equivalente a 14%”, comenta.

Para Zilmar de Souza, tudo isso reforça o papel de seguro energético que a bioeletricidade sucroenergética apresenta. “Estimular a contratação dessa fonte nos leilões é incentivar uma energia renovável e sustentável, mas também funciona como adquirir um hedge para mitigar eventos críticos como foi o ciclo hídrico 2014-2015”, avalia.

O próximo leilão em que a biomassa poderá participar já está agendado para 29 de abril de 2016. Será o Leilão A-5/2016, que contratará energia de novos projetos para entrega a partir de 2021. Além do Leilão A-5/2016, neste ano também estão agendados dois outros certames de Energia de Reserva para as fontes eólicas, solar e para as pequenas hidrelétricas. Contudo, a fonte biomassa não foi inserida. Ressaltando-se, ainda, que a biomassa não é convidada a participar dos Leilões de Energia de Reserva desde o ano de 2011. (Brasil Agro 14/04/2016)

 

Commodities Agrícolas

Café: Pressão em NY: Os futuros do café fecharam em baixa ontem na bolsa de Nova York, em um momento em que o dólar ainda registrava ganhos em relação ao real, a moeda americana acabou o dia em queda. Os papéis do arábica para julho caíram 270 pontos, para US$ 1,2175 a libra-peso. No fechamento, o dólar subia em relação ao real por causa da ação do Banco Central, com a venda de 105 mil lotes de swap cambial reverso. A valorização da moeda americana costuma incentivar as exportações do Brasil, que lidera os embarques globais. O mercado internacional do café tem mantido forte correlação com a moeda brasileira, já que ela tem ditado o ritmo das exportações. No mercado interno, o café de boa qualidade oscilou entre R$ 480 e R$ 490 a saca de 60,5 quilos, segundo o Escritório Carvalhaes.

Cacau: Europa processa menos: A Associação Européia de Cacau (ECA, na sigla em inglês), que reúne a maior parte das indústrias do setor no continente e do mundo, informou que foram processadas 337.029 toneladas de cacau no primeiro trimestre, queda de 0,2% ante igual período de 2015. O dado surpreendeu os analistas, que esperavam um crescimento em torno de 2% no período. Segundo traders, uma redução da moagem industrial reflete arrefecimento da demanda pela amêndoa. Os dados de processamento são utilizados como indicadores do consumo. Como reflexo, os contratos do cacau na bolsa de Nova York para entrega em julho recuaram US$ 9, a US$ 2.954 a tonelada. Em Ilhéus e Itabuna, o preço ficou estável, em R$ 145 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Algodão: Fôlego adicional: Os preços futuros do algodão voltaram a subir na bolsa de Nova York ontem, ampliando os ganhos de terça-feira diante do cenário mais apertado para a oferta desenhado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Os lotes para julho avançaram 38 pontos, para 61,29 centavos de dólar a libra-peso. O órgão reduziu sua estimativa da safra americana de 2015/16 para 2,8 milhões de toneladas e sua projeção para os estoques finais nos EUA para 762 mil toneladas. A alta foi considerada exagerada por alguns analistas, que avaliam que o mercado está "sobre comprado". Houve uma tentativa de realização de lucros, mas insuficiente para manter as cotações em baixa até o fechamento. Na Bahia, o preço do algodão ficou em R$ 79,36 a arroba, segundo a Aiba.

Soja: Ganhos em Chicago: Fatores macroeconômicos e climáticos deram suporte para a forte alta da soja ontem na bolsa de Chicago. Os papéis para julho subiram 19,75 centavos, para US$ 9,645 o bushel. O aumento das exportações gerais da China e o recorde de importação do grão pelo país em março deram forte impulso para os preços. Além disso, analistas citam as fortes pancadas de chuva na Argentina como motivo para preocupações com a safra que está sendo colhida no país. As precipitações, que em algumas áreas geram inundação, atrasam os trabalhos de campo e ainda podem prejudicar a produtividade. Uma redução da oferta do país pode direcionar a demanda global para a soja americana. No mercado doméstico, o indicador Cepea/ Esalq para a soja em Paranaguá subiu 1,19%, para R$ 76,32 a saca. (Valor Econômico 14/04/2016)