Setor sucroenergético

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Safra de cana do Brasil ofusca déficit global de açúcar

O início precoce da colheita da cana-de-açúcar no Brasil, o principal produtor mundial, está ofuscando as projeções de déficit global em um momento em que os países consumidores estão utilizando seus estoques.

A principal região produtora do Brasil colherá uma safra recorde neste ano, aumentando a oferta em um mercado no qual a demanda começou a cair, disse Toby Cohen, vice-presidente de pesquisa de mercado da American Sugar Refining (ASR). Em todo o mundo, os países estão solucionando o déficit na produção recorrendo aos estoques. As reduções do total armazenado na União Europeia responderam por 35 a 40 por cento do total mundial.

Os contratos futuros do açúcar bruto negociados em Nova York caminham para uma quarta semana de declínios, a mais longa sequência de prejuízos desde agosto, porque o início precoce da safra no Brasil ampliou a oferta. Os preços começaram a cair após subirem 11 por cento nos últimos 12 meses em um momento em que as principais empresas de pesquisa, da F.O. Licht à Green Pool, passando pela Kingsman, unidade da Platts (que faz parte do grupo McGraw Hill Financial), projetam escassez global nesta temporada e na próxima.

"Se os preços subirem, devemos esperar o desaparecimento de parte da demanda ou uma resposta pelo lado da oferta", disse Cohen, na quinta-feira, em entrevista no Kingsman EU Seminar, em Genebra. "O que está claro em relação ao Brasil é que o país está dando uma resposta ao mercado em termos de oferta".

Aumento da produção

A produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil subirá mais de 10 por cento na safra que começou neste mês. A produção será de mais de 35 milhões de toneladas, segundo a Kingsman e a ASR, que é proprietária de refinarias de açúcar. Em março, o processamento de cana atingiu uma alta recorde e Alessandra Rosete, analista da Kingsman, disse que o esmagamento na primeira metade de abril mais que dobrará.

A produção internacional de açúcar ficará abaixo da demanda em 7,7 milhões de toneladas na safra que termina em setembro na maior parte dos países, disse Cohen, com base em projeções da ASR. Os países estão solucionando a falta de oferta usando estoques e a estimativa de escassez internacional encolherá para 3,4 milhões de toneladas em 2016-2017, disse ele. Os especuladores que apostam na escassez ampliaram as apostas em uma alta no mês passado para próximo de um recorde, mostraram dados do governo dos EUA.

O esmagamento de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil somará pelo menos 630 milhões de toneladas nesta safra e no ano passado o processamento chegou a 618 milhões de toneladas, 3,9 por cento a mais que a estimativa mais elevada dos analistas, disse Cohen. A produção excedente do Brasil foi mais que suficiente para compensar o déficit induzido pelo El Niño na safra da Tailândia, segundo maior exportador mundial, disse ele.

O Brasil vai direcionar mais cana para a produção de açúcar à custa do etanol porque os preços do açúcar estão mais elevados. As usinas do Centro-Sul direcionarão 44 por cento de toda a cana colhida à produção de açúcar, estimou Rosete, analista da Kingsman. A fatia é maior que a de 41 por cento da safra anterior, segundo a Unica.

"No momento, o que realmente importa é o que acontece no Brasil, e quando você olha para o Brasil, o volume está muito maior em escala", disse Cohen. "O Brasil é realmente um gigante quando se trata de mercado". (Bloomberg 15/04/2016)

 

Cana é uma das culturas que mais recuperam solos degradados

Com técnicas corretas de manejo do plantio à colheita, os canaviais brasileiros enriquecem a estrutura física do solo, proporcionando melhor fertilidade e maior armazenamento de carbono, principalmente em terras degradadas. Pesquisas da Embrapa mostram que a substituição de pastagens deterioradas pelo cultivo de cana permite um importante ganho no estoque de carbono no terreno, que pode variar entre 5 toneladas por hectare (tCO2/ha) e 18 tCO2/ha numa profundidade de 0-30 centímetros.

Para o consultor Ambiental e de Recursos Hídricos da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), André Elia, estas “importantes contribuições ambientais, essenciais para amenizar as emissões dos gases de efeito estufa na agricultura”, devem ser exaltadas, especialmente nesta sexta-feira (15 de abril), quando se comemora o Dia Nacional da Conservação do Solo. Precedendo esta data, foi lançado ontem (14 de abril) o "Boletim de Conservação do Solo e da Água da Cultura da Cana-de-açúcar", documento da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo que atualiza recomendações para o segmento sucroenergético sobre novas técnicas de conservação do solo. O documento final deverá ser apresentado na metade do ano.

Manejo sustentável

No período de plantio e maturação da cana, as técnicas de solo atualmente mais utilizadas para assegurar um crescimento sadio da planta envolvem a aplicação da torta de filtro, fuligem proveniente da queima do bagaço (utilizado na indústria para gerar energia elétrica) e vinhaça. Ricos em nutrientes e matéria orgânica, estes subprodutos sucroenergéticos permitem ganho de produtividade e a redução do uso de fertilizantes químicos no campo. O controle biológico de pragas e o desenvolvimento de programas de melhoria genética que ajudam a identificar as variedades de cana resistentes às doenças também colaboram neste sentido. Outro método usado para proteger o solo da erosão e manter a sua umidade é o aproveitamento da palha da cana, que serve como um “colchão” protetor para a superfície do terreno.

Já no momento da colheita, o uso do corte mecanizado, praticamente consolidado no Estado de São Paulo, traz enormes benefícios não apenas para o terreno mas também para a saúde das pessoas. Com a eliminação da prática da queima controlada, além da já mencionada cobertura vegetal criada pela palha no campo, evita-se a emissão de 5,7 milhões de toneladas de GEEs na atmosfera, equivalente ao que seria emitido por 100 mil ônibus circulando durante um ano na capital paulista.

Uso da água

Outro ponto de destaque nestas três fases citadas acima - plantio, maturação e colheita – é o aproveitamento dos recursos hídricos na irrigação do canavial. No Brasil, ao contrário do que se imagina, a cana quase não é irrigada. Já na indústria, quando a planta é processada para se transformar em etanol e açúcar, dados da UNICA indicam que nas últimas quatro décadas a taxa média de captação de água foi reduzida da faixa de 15 a 20 m3/t de cana para a faixa de 1 a 2 m3/t, ou seja, uma queda de 95%. Este avanço se deu graças a investimentos em reuso de água por meio do tratamento e recirculação do recurso, otimização do balanço hídrico industrial e adoção de novas tecnologias como, por exemplo, a limpeza a seco da cana.

Outro destaque na preservação dos recursos hídricos promovida pelo segmento sucroenergético é a proteção de nascentes e recuperação de matas ciliares. Em SP, desde 2007, usinas e fornecedores de cana conseguiram recuperar cerca de 270 mil hectares de áreas ciliares, contando com a proteção de 8.100 nascentes. (Unica 15/04/2016)

 

Açúcar: Atenção ao déficit

As cotações do açúcar demerara dispararam na bolsa de Nova York na sexta-feira. Os lotes para julho fecharam com ganhos expressivos de 83 pontos, a 15,20 centavos de dólar por libra-peso.

Na quinta-feira, a trading Czarnikow previu que o consumo de açúcar deve exceder a produção em 11,4 milhões de toneladas em 2015/16, acima do déficit anteriormente previsto de 8,2 milhões.

O aumento da estimativa para a produção brasileira de cana na próxima safra 2016/17 não limitou os ganhos da commodity.

Também na quinta-feira, a Conab projetou que o país deverá produzir 691 milhões de toneladas de cana na nova safra, 3,8% acima do ciclo anterior.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal ficou em R$ 75,88, alta de 0,37%. (Valor Econômico 18/04/2016)

 

Canaplan estima moagem de 580 milhões de t de cana em 2016/17 no Centro-Sul

As usinas e destilarias do Centro-Sul do Brasil devem processar 580 milhões de toneladas na safra 2016/2017, de acordo com a primeira estimativa da Canaplan, divulgada em reunião da consultoria, em Ribeirão Preto (SP), realizada nesta sexta-feira, 15.

O volume moído, se confirmado, representará uma queda de 6% sobre o total de 617,65 milhões de t processadas na safra recém-encerrada 2015/16. Segundo a Canaplan, a queda ocorrerá, além do impacto do clima, porque a moagem na atual safra seguirá até dezembro deste ano.

Na safra passada, 26 milhões de toneladas de cana foram processadas entre dezembro de 2015 e março de 2016. A oferta de cana para a atual safra será de 586 milhões de toneladas, segundo a consultoria, ou seja, apenas 6 milhões de toneladas serão ofertadas para a abertura da safra 2017/18, em abril de 2017.

A produtividade em 2016/17 ficará entre 74,3 toneladas por hectare de cana colhida na região, ante 83 t por hectare na safra passada. Já a qualidade da cana, medida pelo Açúcar Total Recuperável por tonelada de cana processada (ATR/t), deve ficar em 135,8 kg de ATR/t em 2016/17, ante 130,5 kg de ATR/t em 2005/16.

A produção de etanol deve variar de 28,22 bilhões de litros, na safra 2015/16, para 24,9 bilhões de litros em 2016/2017, ou seja, uma queda de 11,76% entre os períodos, de acordo com a Canaplan. Do etanol produzido na safra, 10,8 bilhões de litros serão de anidro e 14,1 bilhões de litros de hidratado.

Já a produção de açúcar deve sair de 31,22 milhões de t para 34,7 milhões de t entre as safras, segundo estimativa da consultoria, representando alta de 11,15%. O mix de destino da matéria-prima em 2016/17 será de 46% para o açúcar e 54% para o etanol, segundo a Canaplan. (Agência Estado 15/04/2016)

 

Corte no orçamento da ANP pode parar programa de controle de combustíveis

Programa de monitoramento está funcionando de maneira parcial desde março do ano passado, sem equipes de coleta em 20 Estados.

Após um corte de 51% em seu orçamento para 2016, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) não sabe como vai manter o programa de monitoramento da qualidade de combustíveis. Em dezembro, a agência abriu três licitações para recontratar laboratórios para atuar em 20 estados, com previsão orçamentária de R$ 46 milhões para reativar o programa. Segundo fontes do governo, entretanto, a agência não sabe se terá caixa para assinar os contratos após o término das licitações, já em fase final.

Conforme reportagem do Broadcast, o Programa de Monitoramento da Qualidade de Combustíveis (PMQC) está desde março de 2015 sem equipes de coleta de amostras em 20 Estados. Os convênios e contratos com universidades e laboratórios responsáveis pelas análises venceram, reduzindo à metade o número de postos monitorados.

A previsão era que os contratos fossem renovados até novembro, segundo a própria ANP. Entretanto, a partir daquele mês apenas foram iniciados três processos de licitação para a escolha dos laboratórios e universidades responsáveis por coletas em cerca de 20 estados.

Quatro meses depois, as licitações ainda estão em curso, um processo, referente às regiões Norte e Centro-Oeste, teve os laboratórios desclassificados. As outras duas licitações, referentes ao monitoramento para as regiões Sul/Sudeste e Nordeste aguardam propostas técnicas e comerciais, de acordo com dados da Agência.

Mesmo com a conclusão das licitações, ainda não há garantia de recursos para o programa, segundo fontes do governo. Na previsão orçamentária aprovada no Congresso, a agência estimava em R$ 46 milhões os recursos necessários para o programa.

Corte

No final de março, os repasses do Ministério de Minas e Energia (MME) para a agência reguladora foram reduzidos em cerca de 51%. Além do monitoramento de combustíveis, o contingenciamento pode afetar até outras despesas de custeio da agência. Procurada, a ANP não respondeu aos questionamentos sobre o volume dos cortes e as atividades afetadas.

O MME foi alvo de um contingenciamento de 60% em março. De acordo com a pasta, foi o segundo corte de recursos somente este ano, que afetou R$ 251 milhões do orçamento discricionário, para custeio e investimento. “Ainda estão em análise ações necessárias para a execução Orçamentária do valor total previsto para a Eletrobrás e para as demais atividades do Ministério”, diz o comunicado.

Os cortes do ministério atingiram também a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), com corte de cerca de 60%, e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Do orçamento inicial previsto, a agência reguladora do setor elétrico perdeu um total de R$ 76 milhões, cerca de 63% da dotação original.

Na terça-feira, a agência alertou para o risco de paralisação das atividades e cancelou reuniões com distribuidoras em Minas e no Rio. “Mantido o corte, serão afetadas atividades de fiscalização e ouvidoria. Também haverá impacto em serviços de informática e em diárias e passagens, o que impede a realização de sessões presenciais de audiências públicas fora de Brasília”, informou. (O Estado de São Paulo 15/04/2016)

 

Luz no horizonte

O primeiro trimestre do ano mostrou que a crise continua se aprofundando aceleradamente. Reafirmamos, mais uma vez, o que viemos dizendo desde setembro de 2015: é impossível manter essa situação por mais três anos.

A entrada do ex-presidente Lula no governo, de fato, ainda que não de direito, embaralhou o jogo, mas não alterou o acima exposto. No momento em que este artigo foi escrito, é certo que a admissibilidade do impedimento da presidente da República será aprovada na Câmara dos Deputados.

Mesmo que o impedimento da presidente não passasse agora, um governo Dilma-Lula não se sustentaria, por pelo menos duas razões: é difícil imaginar uma convivência pacífica entre uma presidente legal, sem nenhum poder, e um ostensivo presidente de fato; e para segurar o impeachment, o negociador Lula está prometendo um governo de esquerda para a esquerda, um aumento expressivo do gasto público para a bancada fisiológica e, certamente, irá tentar vender uma carta aos brasileiros, versão 2016, para o setor empresarial. Nas condições de crise atual e exaustão total do Tesouro Nacional, trata-se de uma missão impossível.

A presidente Dilma Rousseff, neste processo, perdeu qualquer condição de interlocução e governança com o País. Sua ação ultrapassou todos os limites, como o de transformar o Palácio do Planalto em local de comícios. Ademais, tentando comprar apoio, ela está acabando com o que sobrou do Tesouro Nacional e não está se detendo perante nada. Basta pensar que se discutiu no centro do governo a hipótese de se baixar o preço dos combustíveis, o que acabaria por liquidar a Petrobrás, apenas para gerar uma “boa notícia” para os proprietários de veículos.

E o que poderá ser um governo Temer?

Teremos um grande choque positivo de expectativas, que decorre de uma parada nessa longa trajetória de queda do País e da economia que ocorre há alguns anos. Em particular, referimo-nos ao final de um sistema de poder que colocou a corrupção como instrumento fundamental de sua perpetuação. Seguramente, a governança do País vai melhorar, o que é essencial para se construir um futuro.

As expectativas serão tão melhores quanto mais claramente houver um compromisso sério para um governo de transição (isto é, Temer não seria candidato em 2018), o que elevaria a possibilidade de uma união nacional para sairmos do fundo buraco que foi cavado.

Nestes anos de crise e de deterioração econômica, clareou-se a agenda fundamental para o País. Trata-se de recuperar nosso regime fiscal, de sorte a acabar com a louca trajetória de expansão descontrolada da dívida pública. Ademais, é indispensável o desenho de um programa de reformas (como na área de Previdência) que possa trazer de volta a possibilidade de retomar o crescimento.

Finalmente, é absolutamente necessário um esforço organizado de ações que busquem uma redução importante no custo de fazer negócios no País, sem o que, os investimentos não retornarão. Como o desarranjo é profundo, é impossível um salto muito grande no futuro próximo.

É, portanto, muito importante que se selecione um conjunto de iniciativas nos três campos, que ponha em marcha o ajuste e solidifique as expectativas. Após as eleições de 2018, o novo governo teria o poder real de completar o serviço. Até lá, o que se pode esperar é estabilizar o PIB e ensaiar um início de recuperação.

Além das considerações anteriores, o que poderia dar suporte à estabilização do crescimento?

Antes de mais nada, existe claramente uma certa demanda reprimida pelo desânimo e pela incerteza, que poderá começar a se reverter se melhores expectativas se consolidarem. Esta melhora, ainda que modesta, afetará bens não duráveis, duráveis e até imóveis.

Em segundo lugar, as exportações crescentes e a continuidade na expansão do agronegócio são duas alavancas que já existem e que contribuirão para uma eventual retomada do crescimento, embora sozinhas não o possam fazer.

Em terceiro lugar, mesmo não sendo de imediato, uma boa revisão na regulação das concessões poderia afastar o receio de investidores em certos projetos de infraestrutura absolutamente necessários. Falo aqui da saída norte da soja de Mato Grosso, alguns trechos rodoviários e alguns terminais portuários, por exemplo.

Embora muitas empresas tenham desaparecido neste período difícil, chamo a atenção para três coisas positivas em meio ao vendaval: existem muitas empresas nacionais com estratégia bem definida e disciplina de capital e que vêm atravessando bem a presente crise. (Grupo Ultra, Hipermarcas, Raízen e Renner são exemplos, entre outros).

De outro lado, muitas empresas internacionais, que operam no Brasil há anos e daqui não têm intenção de sair, estão aproveitando o momento para consolidar e até expandir suas posições, uma vez que existem muitos ativos bons na praça.

Finalmente, para quem acompanha de perto a economia brasileira, observa-se que existem muitas empresas novas em vários setores. Não são companhias grandes (que sozinhas, evidentemente, não puxam o PIB), mas que têm muita capacitação tecnológica, vitalidade, produtos novos e modelos de negócios. Em muitos casos, são companhias que já nascem com visão e operação internacional.

Num cenário como esse, o sistema financeiro fica muito mais disposto a alongar dívidas e construir uma saída para muitas companhias boas, mas que se atrapalharam na travessia de toda essa turbulência recente.

Não podemos ter ilusões: o desafio de retomar as condições de crescimento é gigante, tal a desordem construída pelo governo Dilma, tijolo a tijolo. Entretanto, as considerações acima sugerem que, penosamente, poderemos começar a reconstruir uma estratégia de desenvolvimento. (O Estado de São Paulo 16/04/2016)

 

Transporte de grãos por ferrovia cresce 25% nos últimos anos

Em 2014, 12 milhões de toneladas foram transportadas. Em 2015, quase 15 milhões e a previsão é de novo aumento.

O transporte da soja de Mato Grosso até o Porto de Santos, SP, por ferrovias está crescendo nos últimos anos. Com o trem e os caminhões, o escoamento não enfrenta problemas, mesmo em ano de safra recorde.

Nos campos de Mato Grosso já não tem mais soja. A colheita acabou e o movimento agora é nas estradas e nos trilhos. É o transporte de uma safra volumosa que tem o mercado externo entre os principais destinos.

Neste ano Mato Grosso está batendo recorde de exportações de soja. Entre janeiro a março foram mais de 4 milhões de toneladas, um desempenho histórico.

Mais de 50% da produção foi levada para o Porto de Santos, em São Paulo. Quase metade dessa soja foi transportada por caminhões. A Coabra (Cooperativa Agroindustrial do Centro-Oeste do Brasil), com sede em Cuiabá, tem mais de 200 associados e deve comercializar 200 mil toneladas de soja neste ano. Tudo vai para o porto de caminhão e não por ferrovias.

“A dificuldade maior de produtores que vêm com a ferrovia é que você tem dois tombos com mercadoria, tem que carregar com o caminhão e tem que levar até a ferrovia para traslado por trem e então levar para o porto. Isso encarece um pouco”, explica Helvio Fiedler, diretor-executivo da Coabra.

Mas o trem vem ganhando espaço e já responde pelo transporte da maior parte da soja que vai do estado para o porto de Santos (SP). Inaugurado há pouco menos de três anos, o Terminal Ferroviário de Rondonópolis fica movimentado nesta época.

Mais de mil caminhões carregados passam diariamente por lá e trazem uma produção que levanta poeira nos tombadores e que, em seguida, vai parar dentro dos vagões.

O embarque é feito em duas linhas simultaneamente, que trabalham em ritmo acelerado. Juntas elas dão conta de encher, em média, 33 vagões por hora, cada um deles com 85 toneladas de soja.

O abre e fecha das bicas se repete 24 horas por dia, sete dias por semana, e o tamanho da fila para embarque explica o motivo do trabalho constante.

“Saem por dia deste terminal sete composições com 80 vagões. Então nós estamos falando em um volume aproximado de quase um navio por dia que sai de grãos aqui dos nossos terminais de Mato Grosso e vão para Santos”, conta Fabrício Degani, diretor de portos e terminais da Rumo/All.

O terminal pertence a uma empresa privada que, desde 2006, tem a concessão para explorar a malha ferroviária no estado, de 351 km ao todo. Além de Rondonópolis, possui estações em Itiquira e Alto Araguaia.

No ano passado o grupo se uniu com outra empresa. Novas locomotivas e vagões foram comprados, trilhos, renovados e o desempenho melhorou.

Em 2014, 12 milhões de toneladas de soja, farelo de soja e milho foram transportadas. Em 2015, quase 15 milhões. Para este ano, a previsão é de novo aumento.

“Se pegar este primeiro trimestre deste ano nós já fizemos pouco mais de 3 milhões e meio de toneladas. Comparado com o primeiro trimestre do ano passado a gente tem 1 milhão, 1,2 milhão de toneladasa mais”, diz Fabrício Degani, diretor de portos e terminais da Rumo/All.

A concessionária não revela o valor do frete, mas diz que é mais barato que o rodoviário, hoje R$ 240 por tonelada entre Rondonópolis e Santos.

Na cartela de clientes, as grandes empresas do setor, que fecham contratos de longo prazo. Uma multinacional, por exemplo, manda o farelo de soja que sai da fábrica de Primavera do Leste e parte da soja em grão recebida nas outras 26 unidades espalhadas pelo estado.

Em torno de 90% do volume que segue para exportação pelo porto de Santos chega até lá pela ferrovia. O gerente também não fala em valores, mas aponta as vantagens do transporte por trem.

“Sem dúvida ele faz diferença porque commodity você tem que ganhar performance. Quando você tem plena capacidade de performance. ele se traduz automaticamente no bolso”, afirma Elvio Moro, gerente regional da Cargill.

As empresas não divulgam os valores gastos com o transportes dos grãos por uma questão de estratégia comercial. (Globo Rural 17/04/2016)

 

Açúcar: Muita coisa para digerir – Por Arnaldo Luiz Corrêa

O mercado de açúcar em NY começou a semana reagindo negativamente à posição dos fundos e chegou a se desvalorizar em 69 pontos em relação ao fechamento da sexta-feira anterior. Os fundos não tiveram uma doce experiência com o açúcar na recente alta, momento em que aumentaram suas posições num mercado que declinava sob forte influência do início de safra no Centro-Sul e pela volatilidade da moeda brasileira causada pela instabilidade política no Brasil. Muitos ingredientes para digerir.

É fato que, como disséramos aqui há algumas semanas, o mercado físico estava divorciado do mercado futuro quando este subiu estrondosamente 400 pontos de 23 de fevereiro a 22 de março. Nossa observação era que faltava ao mercado futuro a validação, por parte do mercado físico, de sua pujança. Ora, isso não ocorreu, e os fundamentos de longo prazo não foram suficientes para atuar sobre a realidade do mercado físico que continuou anêmico e prejudicado pelo derretimento do preço do etanol neste início de safra. Além do mais, a maneira mais rápida de fazer caixa para as usinas é vender etanol. A pressão foi grande: os valores negociados de hidratado e anidro hoje estão a desconto do preço do açúcar em NY.

A boa notícia é que parece que o etanol parou de cair. Depois de ter negociado a R$ 1,3000 por litro, equivalente a um desconto de 260 pontos em relação ao açúcar de NY, recuperou-se ligeiramente. Um executivo do setor acredita que com os preços menores ao consumidor, o hidratado volta a ganhar competitividade na bomba permitindo a reconquista do mercado que já pendia para a gasolina e pode, segundo ele, adicionar 200 milhões de litros mensais à demanda.

NY assistiu a uma semana bastante volátil. Esperávamos que essa grande volatilidade ocorresse conforme antecipáramos aqui no último comentário, mas certamente o mercado se superou no quesito oscilação. O maio/2016 fechou a sexta-feira cotado a 15.04 centavos de dólar por libra-peso depois de ter negociado a mínima de 14.00 quarta-feira e a máxima na mesma sexta-feira a 15.12 centavos de dólar por libra-peso. Em 5 dias de pregão a volatilidade anualizada da semana traduz-se em 57.84%. Há tempos não víamos tal oscilação. Excetuando-se o final de fevereiro que também foi altamente volátil, a última vez que tivemos alta volatilidade em curto espaço de tempo foi em novembro do ano passado.

Algumas peças não se encaixam no quebra-cabeça maluco em que se transformou o mercado de açúcar nas últimas semanas. Ninguém duvida do déficit mundial que se avizinha e cujo tamanho, dependendo da fonte, está entre 4.7 e 11.4 milhões de toneladas, o primeiro depois de cinco anos de sucessivos superávits. Por outro lado, o mercado de açúcar FOB no curto prazo está tão largado às traças que basta olhar o tamanho do desconto que se dá para o vencimento outubro/2016 em relação ao março/2017, um spread de 76 pontos, equivalentes a um desconto de 7.50% ao ano. Então fica assim combinado: todos nós sabemos do déficit, mas não estamos nem aí para ele. Parece que assim que o mercado está tratando a situação.

A trading britânica Czarnikow, por outro lado, aumentou o déficit global de açúcar para a safra mundial de 2015/2016 (que iniciou em outubro de 2015 e vai até setembro deste ano) para 11.4 milhões de toneladas, o segundo maior da história. Esse número representa um acréscimo de 3.2 milhões de toneladas de sua ultima projeção. A estiagem nas regiões produtoras da Índia (1.4 milhão de toneladas) e da Tailândia (1.7 milhão de toneladas) é a grande responsável por esse aumento no déficit global.

O saldo da semana, no final, acabou sendo positivo com o vencimento maio/2016 apreciando 35 pontos (7.72 dólares por tonelada) e dos demais meses ao longo da curva até o vencimento março/2019 valorizaram entre 3.50 e 7.00 dólares por tonelada. Vale notar que o preço médio em reais por tonelada dos vencimentos correspondentes à safra 2016/2017 do Centro-Sul e suas respectivas taxas de câmbio fecharam na média de R$ 1.300 por tonelada.

O que pode estar por trás da recuperação do açúcar nesta sexta-feira? Será a possibilidade de impeachment da presidente Dilma Rousseff que – segundo alguns analistas – pode fazer com que o real se valorize até 3.2000? Será que as usinas estão bem fixadas a ponto de mesmo havendo um rally (subida acentuada de preços) como o de sexta-feira, não atraiu vendas por parte do Centro-Sul que atenuassem o apetite dos compradores? Teremos visto a mínima do mercado e agora vamos mudar de patamar? Os fundos estão comprados em 174.000 lotes baseado na posição de terça-feira. De lá para cá o mercado subiu 100 pontos. Como estarão os fundos agora?

Para esse mercado continuar sua trajetória de alta, embora ainda longe do recente 16.75 centavos de dólar por libra-peso, há necessidade que o mercado físico valide o futuro. Isso só vai ocorrer com o aumento da demanda que ainda não se apresentou e também – a melhor indicação de todas – o fortalecimento dos spreads que refletem o posicionamento do livro das tradings em função da demanda que elas esperam do físico. Por enquanto, não é isso que estamos vendo. E já estamos soando como um disco quebrado.

Apenas para esclarecer alguns e-mails que recebemos, o valor da gasolina no mercado internacional aponta um preço médio ao consumidor (num levantamento feito com 100 países) de US$ 0.99 por litro, equivalendo a R$ 3.2550 por litro no Brasil (levando em consideração a mistura de 27% de anidro) e colocaria o preço justo do hidratado em R$ 2.2750 por litro, na equivalência do mercado internacional. Em suma, diferentemente do que se ouve na imprensa, que chegou a informar que o valor da gasolina no país estaria 40% acima do mercado internacional, em verdade está apenas 12%.

Na segunda-feira, o Brasil deve acordar com novo presidente. A perspectiva hoje é de que já existe maioria de 2/3 na Câmara para o impeachment da presidente Dilma Rousseff, a pior presidente da história do Brasil desde Hermes da Fonseca que foi considerado, apenas dois anos após a posse, “uma nulidade”. Dilma superou Hermes, pouco mais de 100 anos depois, agregando outras “qualidades” à do citado presidente. O bom é que pela primeira vez em 14 anos finalmente o Brasil vai ter um presidente que fala português. A crise política, no entanto, está longe de terminar apenas com o impeachment.

Caso você queira receber nossos comentários semanais de açúcar diretamente no seu e-mail basta cadastrar-se no nosso site acessando o link http://archerconsulting.com.br/cadastro/ (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Atenção ao déficit: As cotações do açúcar demerara dispararam na bolsa de Nova York na sexta-feira. Os lotes para julho fecharam com ganhos expressivos de 83 pontos, a 15,20 centavos de dólar por libra-peso. Na quinta-feira, a trading Czarnikow previu que o consumo de açúcar deve exceder a produção em 11,4 milhões de toneladas em 2015/16, acima do déficit anteriormente previsto de 8,2 milhões. O aumento da estimativa para a produção brasileira de cana na próxima safra 2016/17 não limitou os ganhos da commodity. Também na quinta-feira, a Conab projetou que o país deverá produzir 691 milhões de toneladas de cana na nova safra, 3,8% acima do ciclo anterior. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal ficou em R$ 75,88, alta de 0,37%.

Suco de laranja: Liquidação de posições: O suco de laranja estendeu na sexta-feira as perdas da sessão anterior em Nova York, em uma liquidação de posições para a realização de lucros, após a alta expressiva de quarta-feira. Os lotes com entrega em julho fecharam em forte baixa de 320 pontos, a US$ 1,3805 por libra-peso. No início de abril, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) elevou sua estimativa para a atual safra de laranja da Flórida em 7%, para 76 milhões de caixas. O volume, porém, ainda representa uma forte redução em relação à safra passada, de 20%. A Flórida detém o segundo maior pomar de citros do mundo, atrás de São Paulo. No mercado spot de São Paulo, a caixa de 40,8 quilos da laranja destinada à indústria permaneceu estável, em R$ 14,72, de acordo com o Cepea/Esalq.

Soja: Clima adverso: A soja voltou a registrar ganhos na bolsa de Chicago na sexta-feira, em meio às preocupações com o clima adverso em importantes regiões produtoras. Os contratos para julho fecharam em alta de 8 centavos, a US$ 9,6425 por bushel. Previsões indicavam chuvas para a Argentina no fim de semana, onde fortes precipitações e inundações já prejudicaram a produtividade das lavouras e trouxeram lentidão à colheita. Sinais de demanda aquecida também colaboraram para sustentar a alta da soja. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reportou na sexta a venda de 132 mil toneladas da oleaginosa do país para a China, com entrega na próxima safra 2016/17. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca no Paraná ficou em R$ 72,13, alta de 0,60%.

Milho: Temor com a seca: Os preços do milho subiram na bolsa de Chicago na sexta-feira, sob o impulso de uma cobertura de posições vendidas por parte dos investidores e das crescentes preocupações com a seca em regiões produtoras do cereal no Brasil. Os contratos com vencimento em julho encerraram a sessão em alta de 4 centavos, cotados a US$ 3,82 por bushel. Ainda assim, os ganhos do milho foram limitados por previsões de condições climáticas quase ideais no Meio-Oeste americano nos próximos dez dias, o que tende a favorecer o plantio da próxima safra 2016/17 no país. O Meio-Oeste concentra o cultivo de milho nos EUA, país que é o maior produtor global do grão. No oeste da Bahia, a saca de milho foi negociada a R$ 41 na sexta-feira, conforme a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba). (Valor Econômico 18/04/2016)