Setor sucroenergético

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Piracicaba quer sediar 'Vale do Silício' do agronegócio no campus da USP

Agtech Valley terá Esalq como polo irradiador de inovação e tecnologia.

Portal na internet deve ser disponibilizado em maio para divulgação.

Piracicaba (SP) terá uma espécie de "Vale do Silício" do agronegócio. Uma iniciativa chamada AgtechValley foi lançada no dia 4 de abril durante reunião Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia (CMCT). Também denominado "Vale do Piracicaba", o conglomerado pretende reunir empreendimentos tecnológicos que têm no agronegócio seu escopo de atuação. A Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP) será o polo de produção e pesquisa de inovações no setor.

Portal

O presidente do conselho deliberativo da incubadora tecnológica da instituição de ensino, a EsalqTec, professor Mateus Mondin, apontou o Vale do Silício, nos Estados Unidos (EUA), como modelo para a nova estrutura. Segundo ele, os empreendimentos envolvidos com inovação tecnológica voltada para o agronegócio serão levantados em um raio de até 500 quilômetros. O ecossistema será materializado em um portal na internet.

"Isso fará com que os investidores enxerguem Piracicaba a partir de um viés bem interessante devido a existência da Esalq. Assim como é no Vale do Silício, nos EUA, que é enxergado a partir da Universidade de Stanford, que atua como o centro de irradiação de conhecimento e tecnologia por lá", explicou

O portal na internet do AgtechValley deve estar disponibilizado até o mês de maio, disse Mondin. "Até lá, a equipe da EsalqTec e outros parceiros estarão envolvidos na divulgação de um selo que poderá ser exibido pelas empresas associadas", disse.

"Esse sistema ajudará a própria comunidade a perceber o processo de transferência de tecnologia. Serão envolvidos o setor acadêmico, o setor público, as entidades de classe, as empresas", explicou.

Diferencial

Ele salientou que a cidade carece de ações empreendedoras no setor do agronegócio, apesar de apesar ter uma rede de pesquisa e produção tecnológica desenvolvida na área.

"Em Piracicaba, há empresas, centros de pesquisa, o parque tecnológico e por isso estamos formatando um ecossistema batizado de Vale do Piracicaba, ou na versão em inglês, AgtechValley. A Esalq é a única escola de agricultura do mundo que está na região tropical e isto é um diferencial", disse.

Para o diretor da Esalq, professor Luiz Gustavo Nussio, o Vale do Piracicaba trará valoração à atividade das empresas e instituições envolvidas. "Os envolvidos atuarão com uma certificação, uma identidade que remeta a um conglomerado tecnológico na área agrícola. Com isso podemos facilitar a chegada de recursos financeiros e humanos, atraindo investimentos do exterior e do mercado interno", ressaltou.

Visibilidade

O presidente do CMCT e gerente executivo da Esalq Incubadora Tecnológica, Sergio Marcus Barbosa, o AgtechValley poderá colaborar na maior visibilidade do ecossistema local para o Brasil e o mundo.

"A proposta é que Piracicaba se posicione para captação de novos negócios, empreendimentos, recursos humanos, eventos técnicos e corporativos. Esta ação beneficiará a economia local, como o imobiliário, serviços, instituições de ensino, proporcionando geração de emprego e renda", afirmou. (G1 19/04/2016)

 

Cosan anuncia Mario Augusto da Silva como novo diretor-presidente

A empresa de infraestrutura e energia Cosan informou que Mario Augusto da Silva assume a partir desta terça-feira o cargo de diretor-presidente da companhia, em substituição a Nelson Gomes, que renunciou ao posto.

Silva possui cerca de 20 anos de experiência profissional, tendo atuado em empresas como PricewaterhouseCoopers, Booz Allen Hamilton e Odebrecht.

Nos últimos três anos, Silva ocupou o cargo de vice-presidente de Finanças e Relações com Investidores da Braskem S.A.

Com a renúncia de Gomes também do cargo de diretor de Relações com Investidores da Cosan, Paula Kovarsky, atual diretora de Relações com Investidores da Cosan Limited, passará a ser a nova executiva. (Reuters 19/04/2016)

 

Açúcar: Colheita no Brasil

O clima favorável à colheita de cana no Brasil pressionou as cotações do açúcar na bolsa de Nova York.

Ontem, os lotes da commodity com entrega para julho encerraram o pregão a 15,45 centavos de dólar por libra-peso, queda de 12 pontos.

Neste mês, a falta de chuva vem favorecendo a colheita, permitindo as usinas sucroalcooleiras do Centro-Sul do país produzirem mais açúcar do que no mesmo período do ano passado.

Pelos cálculos do banco Pine, quase 220 usinas já deviam estar em funcionamento em 15 de abril, bem acima das 160 do ano passado.

Na semana que vem, a Unica divulgará o balanço da moagem de cana na primeira quinzena de abril. Em São Paulo, o preço do açúcar cristal caiu 0,6% ontem, para R$ 76 por saca, de acordo com o indicador Cepea/Esalq. (Valor Econômico 20/04/2016)

 

Produtor demonstra otimismo com nova safra de cana-de-açúcar

Produtor demonstra otimismo com nova safra de cana-de-açúcar

Antonio Campanelli acredita que a fase mais difícil para o setor sucroalcooleiro já foi superada.

O produtor Antonio Campanelli (Foto) - um dos principais fornecedores de cana-de-açúcar da Guarani, participou do evento de abertura da safra 2016/2017, realizado pela companhia em Bebedouro.

Ele conta que sua empresa rural atuava na área de citricultura, mas devido às doenças e pragas que afetam os pomares, resolveu procurar outra atividade. “Então escolhemos a cana-de-açúcar como um dos pilares para trabalhar. Estamos no setor há cerca de 16 anos e entregando toda nossa produção para o grupo Tereos”, explicou.

O produtor acredita que a fase mais difícil para o setor sucroalcooleiro já foi superada. “Estamos num ano que, com toda a certeza, será muito melhor tanto para o produtor quanto para as usinas de açúcar e álcool. Já no final da safra 2015/2016 o mercado mostrou-se melhor. A produção de açúcar está equilibrada, os estoques excedentes foram consumidos e o preço do açúcar no mercado internou melhorou. O preço do álcool melhorou e, consequentemente, o preço da cana também”, explica.

Antonio Campanelli conta que a produção de sua empresa chegou perto de 700 mil toneladas de cana em 8 mil hectares de área plantada. Trabalhamos numa parceria com a Guarani, em que nós produzimos, colhemos e colocamos nas carretas da Guarani que levam nossa cana para a usina”, diz.

A empresa de Antonio Campanelli atua também nos setores de pecuária e grãos, sendo este último voltado para alimentação dos bovinos. (Diário Online 19/04/2016)

 

Minas colhe a melhor safra de cana-de-açúcar da sua história

A safra 2015/2016 de cana-de-açúcar foi de 65 milhões de toneladas em Minas Gerais. Este já é o número final confirmado pela Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), e a safra considerada a melhor da sua história. Para a próxima, a previsão é de que haja números semelhantes.

De acordo com o presidente da Siamig, Mário Campos, o levantamento foi feito sobre toda cana-de-açúcar moída no Estado entre os meses de abril de 2015 e março de 2016, chegando a 65 milhões de toneladas. “Sobre a próxima safra, a expectativa da entidade, não tenho os números finais, mas a tendência é que em Minas a moagem seja semelhante a anterior. Isso, porque não percebemos aumento de área plantada”, destaca o presidente.

Contudo, Mário explica que haverá melhoras em outros aspectos. De acordo com ele, houve aprimoramento na qualidade da matéria prima, e a cana-de-açúcar, com qualidade melhor, é possível ter maior produtividade. “Desta forma, mesmo com a safra parecida com a anterior, mas com a qualidade melhor, poderemos ter mais etanol e açúcar”, explica.

Vale ressaltar que a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) divulgou recentemente estimativa da safra 2016/17 de cana-de-açúcar. Segundo os dados, o crescimento com relação à anterior deverá ser de 7,8% em Minas Gerais, com o esmagamento de 69,98 milhões de toneladas. “Também estamos fazendo o nosso levantamento, vamos divulgá-lo até o final do mês, provavelmente em um evento aqui na região”, explica Mário, lembrando que Uberaba é o município com maior área plantada de cana do Estado, possui duas usinas com áreas de cana, e ainda mais duas que não estão instaladas na cidade, mas possuem plantação no local. (JM Online 19/04/2016)

 

Camboja inaugura mega usina de açúcar de propriedade chinesa

O primeiro-ministro do Camboja, Hun Sen, inaugurou oficialmente nesta terça-feira uma grande usina de açúcar de propriedade chinesa, com investimentos de 360 milhões de dólares e capacidade de processamento de 500 mil toneladas por ano e que será uma das maiores indústrias de açúcar da Ásia.

A usina é parte de um pacote de investimentos de 1 bilhão de dólares da empresa agrícola chinesa Rui Feng (Cambodia) International no norte do Camboja.

"Esta usina poderá produzir cerca de meio milhão de toneladas de açúcar por ano", disse Hun Sen em um discurso durante a cerimônia.

A nova usina, que produzirá a partir da moagem de cana plantada na região, soma-se às cinco já existentes no país, que juntas poderão produzir cerca de 1,8 milhão de toneladas de açúcar por ano, disse o primeiro-ministro.

Empresas estrangeiros têm sido atraídas para investir no Camboja devido a um acordo de exportações para União Europeia isentas de impostos, em um programa destinado a ajudar um dos países mais pobres do mundo.

Sob este esquema, a maior parte do açúcar processado na nova usina será exportado para a União Europeia, disse Hun Sen.

O Camboja produz atualmente 440 mil toneladas de açúcar por ano, embora não existam dados oficiais sobre exportações da commodity pelo país.

A usina sofreu oposição de moradores locais e indígenas, que acusam empresas chinesas de tomar posse de terras ilegalmente. (Reuters 19/04/2016)

 

Brasil pode produzir 10 bi de litros de etanol de segunda geração até 2025, diz ONU

Para cumprir os compromissos firmados na 21ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 21), no último mês de dezembro, em Paris, o Brasil precisa diminuir suas emissões de gases de efeito estufa em 37% até 2025.

Uma saída está em investimentos na ampliação de biocombustíveis derivados da cana-de-açúcar na matriz energética brasileira, como o etanol de segunda geração, diz relatório da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), órgão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

De acordo com o documento Second generation biofuel markets: state of play, trade and developing country perspectives, publicado em fevereiro, o país tem capacidade para produzir 10 bilhões de litros de etanol de segunda geração até 2025. O relatório é o segundo divulgado pelo órgão na área e segue a proposta de ouvir especialistas de diversas instituições ao redor do mundo para traçar um panorama global dos desafios e oportunidades do setor.

Nesta edição o documento se concentra em analisar como as oportunidades de mercado surgidas com o aumento da produção de biocombustíveis de segunda geração podem ser capitalizadas por países em desenvolvimento interessados em se engajar no setor para cumprir os compromissos firmados na COP 21, promovendo ainda transferência de tecnologia.

"Por meio de um mapeamento das iniciativas em etanol celulósico e das lições políticas recentes em todo o mundo, o relatório da UNCTAD busca proporcionar aos gestores públicos e à iniciativa privada um panorama do setor de biocombustíveis avançados produzidos a partir de biomassa, também conhecidos como de segunda geração, que se tornaram uma realidade comercial, uma alternativa energética que não compete com a produção de alimentos", explica Laís Forti Thomaz, que participou da elaboração do documento e é pesquisadora do (INCT-Ineu), apoiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela FAPESP.

O primeiro relatório da UNCTAD sobre o estado das tecnologias de biocombustíveis, em 2007, destacava um setor de grande potencial, mas ainda muito longe dos mercados. Com as nações assumindo compromissos em 2015, na COP 21, e a produção de biocombustíveis de segunda geração em escala comercial finalmente decolando, o desafio agora é saber como aproveitar as oportunidades do mercado.

Nesse sentido, o relatório apresenta sugestões para o desenvolvimento responsável da indústria de biocombustíveis de segunda geração - entre elas, a criação de marcos regulatórios para o mercado de bioenergia avançada adaptados às circunstâncias nacionais, concentrando-se nas demandas locais existentes; a promoção de cooperação entre organizações nacionais e empresas estrangeiras a fim de facilitar a transferência de tecnologia; e o combate a bloqueios ao desenvolvimento industrial em setores e tecnologias específicos, como os biomateriais.

Também é defendida uma maior flexibilidade para que os agentes de mercado que operam biorrefinarias atuem em outros segmentos, como materiais, alimentos e energia.

"Essas sugestões são importantes, por exemplo, para que o país evite o surgimento de um grande fosso tecnológico entre a primeira e a segunda gerações de etanol. É preciso continuamente promover o diálogo técnico entre as diferentes áreas de produção dos biocombustíveis avançados", diz Thomaz.

Litro a litro

O mercado mundial de etanol celulósico é liderado pelos Estados Unidos, com seus 490,37 milhões de litros, que representam 34% do total. Em seguida estão a China, com 340,19 milhões, equivalentes a 24%; o Canadá, com 303,45 milhões (21%); o Brasil, com 177,34 milhões (12%); e a União Europeia, com 130,83 milhões (9%).

Para atingir a marca de 10 bilhões até 2025, diz o relatório, o Brasil precisa avançar na moagem de cana e na modernização e integração das produções de etanol de primeira e segunda geração nas usinas existentes. Também é necessária a construção de novas unidades exclusivamente voltadas ao biocombustível celulósico.

Com a modernização de 81 plantas em operação, cuja capacidade de moagem somada alcança 275 milhões de toneladas de cana por ano, seriam produzidos 5 bilhões de litros até 2025. Os 5 bilhões restantes viriam de acréscimos de 100 milhões de toneladas de cana na moagem por parte de 80% das empresas do setor, que levariam à produção de 1,5 bilhão de litros, e da produção nas novas unidades, que, segundo o relatório, responderiam pela produção de 3,5 bilhões.

A íntegra do relatório Second generation biofuel markets:

state of play, trade and developing country perspectives está disponível para download em unctad.org/en/PublicationsLibrary/ditcted2015d8_en.pdf

Além de Thomaz, participaram da elaboração do documento representantes de outras instituições brasileiras, entre elas a Universidade de São Paulo (USP), a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) e a Associação Brasileira de Biotecnologia Industrial (ABBI). (Udop 19/04/2016)