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Açúcar: Produção brasileira

Os preços do açúcar recuaram na sexta-feira na bolsa de Nova York, refletindo vendas técnicas dos fundos e apostas de que o Centro-Sul do Brasil começou a safra 2016/17 com alto volume de produção.

Os contratos do demerara para julho recuaram 32 pontos, a 15,47 centavos de dólar a libra-peso.

Os dados devem ser divulgados nesta semana pela União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica).

Os analistas estimam que tenham sido processadas em torno de 31 milhões de toneladas de cana, com produção de 1,2 milhão a 1,3 milhão de toneladas de açúcar na primeira quinzena de abril.

Os traders também aguardam a aproximação do vencimento do contrato de maio.

Na sexta-feira, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 75,85 a saca, alta de 0,32%. (Valor Econômico 25/04/2016)

 

Crise econômica está pressionando as vendas de açúcar e derivados

De acordo com o escritório adido do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), em São Paulo, a recessão econômica brasileira está pressionando as vendas de açúcar e derivados.

Sinais de enfraquecimento da demanda em um importante mercado em desenvolvimento para o setor são potencialmente negativos para indústria, que vinha se beneficiando de um crescimento anual de consumo de cerca de 2% nos últimos anos, destacou o USDA.

O aumento da receita com as vendas de açúcar e produtos derivados reflete principalmente a melhora da renda em países em desenvolvimento, o que encorajou as pessoas a comprarem e consumirem mais doces. (Gazeta do Povo 22/04/2016)

 

F.O. Licht vê aumento na produção de açúcar da Europa para 28,8 mi t

A consultoria F. O. Licht projetou que a produção de açúcar da Europa em 2016/2017 deverá atingir 28,8 milhões de toneladas em 2016/17, ante 25,7 milhões de toneladas em 2015/16, em relatório visto pela Reuters nesta sexta-feira.

"Enquanto a área na União Europeia deve ter alta de 9,5 por cento ante o ano passado, haverá aumentos também na Rússia, Turquia e Ucrânia", disse o relatório. (Reuters 22/04/2016)

 

Usinas de AL podem ficar sem financiamento

Banco disponibilizou aporte de R$ 1,77 bilhão para o setor.

As usinas de cana-de-açúcar de Alagoas correm o risco de ficar sem o financiamento de US$ 500 milhões, o equivalente a R$ 1,77 bilhão, em valores atuais – que o banco Credit Suisse disponibilizou para as indústrias canavieiras da região Nordeste. A informação foi veiculada ontem, através do blog do Edivaldo Junior na Gazetaweb.

Apesar de o empréstimo ter sido aprovado pelo Comitê de Financiamento e Garantia das Exportações (Cofig) em reunião extraordinária realizada na quarta-feira, 13, o banco suíço ainda não recebeu o parecer com a aprovação do Cofig, colegiado integrante da Câmara do Comércio Exterior (Camex) que tem como função acompanhar as operações do Programa de Financiamento às Exportações (Proex) e do Fundo de Garantia à Exportação (FGE).

O setor teme que a burocracia inviabilize o empréstimo e prejudique a renovação do canavial, um dos objetivos do financiamento, em Alagoas. “O setor tem urgência de empréstimo porque estamos no período climático em que é feita a renovação do canavial. Se perdermos esse prazo, tudo ficará prejudicado”, disse ontem o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Alagoas (Sindaçúcar), Pedro Robério de Melo Nogueira.

Segundo ele, desde que foi aprovado, na semana passada, o próprio Credit Suisse cobra diariamente o parecer do Cofig, “que não dá explicação nenhuma pela demora de enviar o documento”. “Parece absurdo, mas corremos o risco de ficar sem o financiamento por causa da burocracia”, lamenta Pedro Robério.

A urgência do presidente do Sindaçúcar é motivada pelo risco da perda da validade da Medida Provisória 701, de oito de dezembro de 2015, que permite a contratação de crédito através do FGE. Para que isso não aconteça, a MP precisa ser aprovada no Congresso Nacional até o dia 17 de maio.

Na semana passada, uma Comissão Mista do Senado deu parecer favorável à medida, que foi enviada ao plenário da Câmara dos Deputados no dia 14, para apreciação do plenário. Caso seja aprovada, o texto será enviado ao Senado. “O problema é que o [rito de] de impeachment da presidente Dilma Rousseff pode inviabilizar a sua votação no devido prazo”, teme Pedro Robério. “As atenções no Senado vão estar voltadas para o processo de impedimento”, explica.

Ironia do destino, o financiamento ao setor canavieiro nordestino foi anunciado pela própria presidente Dilma Rousseff durante sua visita a Alagoas, no dia 5 de novembro do ano passado. Um mês depois, ela editaria a Medida Provisória autorizando o empréstimo, que será feito pelo Credit Suisse e terá como garantia cinco cotas de exportações do açúcar do Brasil para os Estados Unidos.

Segundo Pedro Robério, entre janeiro e março deste ano, a Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias (ABFG) analisou os projetos de pedidos de empréstimos das usinas alagoanas. Compete à ABFG dar o parecer – favorável ou não – sobre os pedidos. Os projetos aprovados foram enviados à Secretaria de Assuntos Internacionais (Sain), que autoriza a garantia de cobertura do Seguro de Crédito à Exportação. “Foram três meses de esforços que podem ir por água abaixo”, lamenta o presidente do Sindaçúcar.

A reportagem tentou contato com representantes do Comitê de Financiamento e Garantia das Exportações, mas, devido ao feriado de Tiradentes e ao aniversário de Brasília (onde funciona o Cofig), não havia ninguém na sede do órgão. (Gazeta de Alagoas 22/04/2016)

 

AÇÚCAR: Dois mundos diferentes – Por Arnaldo Luiz Corrêa

Os fundamentos do mercado de açúcar não mudam na mesma velocidade que os sentimentos dos participantes do mercado. Por isso temos assistido nas últimas duas semanas grandes oscilações no em NY, deixando aos analistas a árdua tarefa de tentar explicar o inexplicável. Apenas nesta semana tivemos uma oscilação de mais de 100 pontos (1578-1477), ligeiramente inferior à da semana anterior (1512-1400). No mês de abril, o vencimento maio/2016 até o fechamento de sexta-feira apresentou 178 pontos de oscilação (1578-1400). Ou seja, a dicotomia entre a realidade do curto prazo e perspectiva do longo prazo é gritante. São dois mundos diferentes.

A semana acabou sendo positiva com o vencimento maio/2016 encerrando o pregão de sexta-feira negociado a 15.26 centavos de dólar por libra-peso, um ganho de 22 pontos em relação ao fechamento da semana anterior. De forma geral, todos os vencimentos encerraram a semana com sinal positivo, variando entre 9 e 27 pontos, aproximadamente de 2 a 6 dólares por tonelada.

Acredita-se que os fundos de uma maneira geral estão retomando seu apetite para as commodities. O petróleo tem se recuperado alcançando os níveis de preço próximos aos 45 dólares por barril vistos no início de dezembro de 2015. Farelo de soja, soja e açúcar, juntamente com o petróleo, lideram as commodities com variação positiva no acumulado do ano. Café, suco de laranja e cacau estão no negativo, mas recuperam-se também. Portanto, ainda existe espaço para que os fundos adicionem mais compras à posição atual.

No caso do açúcar os fundamentos continuam construtivos e poderíamos enumerar alguns pontos que devem validar esse sentimento: primeiramente, a safra indiana cuja produção foi novamente revisada para baixo; depois, a Tailândia que atingida por uma seca deve produzir menos açúcar afetando o prêmio de branco no mercado internacional; e a China que –segundo alguns traders – está bastante confortável com o mercado a 15 centavos de dólar por libra-peso, ou seja, num nível atrativo para os chineses e, último mas não menos importante, o petróleo acima de 40 dólares por barril melhora a arbitragem do etanol com o açúcar.

O que mata esse sentimento altista de longo prazo é o sentimento baixista de curto prazo, validado pela falta de demanda do físico (poucos negócios na exportação, por exemplo), pelo ritmo de moagem no Centro-Sul que está acima do que se previra, pela pressão de venda do hidratado cujo preço derreteu nos últimos 30 dias e pela oscilação do real que eventualmente exerce pressão sobre as cotações de NY. O maio/2016 fechou equivalente a R$ 1.260 por tonelada. Esse é o valor que acreditamos ser o suporte de preços em reais para o açúcar do Centro-Sul ao longo desta safra.

Com a presidente Dilma praticamente dando adeus ao seu medíocre mandato, apesar da insistência dela em tentar mostrar ao mundo que o processo contra si é um golpe, o próximo governo deve trazer – ainda que de maneira muito lenta – o retorno da credibilidade ao país, que deverá passar por um período de cortes nos gastos e aumento de impostos. O real pode se valorizar em relação ao dólar até em 3.2000 segundo alguns respeitados economistas. Neste nível, é razoável pensar que o açúcar pode facilmente chegar aos 17 centavos de dólar por libra-peso, que é a nossa estimativa para o segundo semestre deste ano. O recrudescimento do déficit global, que será mais “palpável” no último trimestre de 2016, pode elevar ainda mais o nível de preço do açúcar para 2017/2018. O vencimento março 2018 pode ver 18 centavos de dólar por libra-peso.

Até o final de março, a exportação de açúcar acumulada em doze meses no período compreendido entre abril de 2015 e março de 2016 foi de 24,681 milhões de toneladas. Esse volume é 1.8% superior ao mesmo período do ano passado. O Brasil também exportou 2,159 bilhões de litros de etanol no acumulado em doze meses, um acréscimo de 55% em relação ao período anterior aproveitando a janela proporcionada pelo real desvalorizado.
Vale notar que as exportações de açúcar em março, que totalizaram 2,078,428 toneladas foram a segunda maior num mês de março de toda a história.

A dívida do setor hoje, segundo nosso levantamento, é de R$ 92,886 bilhões. A estimativa de receita para a safra 2016/2017 é de R$ 93,062 bilhões (sem contar a cogeração).

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