Setor sucroenergético

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Usinas receberam R$ 121 por tonelada na safra 2015/16 da cana, diz Unica

O valor obtido pelas usinas do Centro-Sul do Brasil na comercialização de uma tonelada de cana-de-açúcar foi de R$ 121 na safra 2015/16. O valor, que não considera os impostos, é 12,14% maior na comparação com os R$ 107,90/t da temporada 2014/15.

Segundo o diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Padua Rodrigues, a melhora é positiva, mas o faturamento é penalizado pela inflação alta. Padua fez uma comparação com o valor obtido na safra 2011/12, de R$ 116,10 por tonelada.

Acrescentando-se a inflação, o valor corrigido para o ano passado deveria ter sido de R$ 155,60 por tonelada, bem maior que o de R$ 121 apurado. (Agência Estado 28/04/2016)

 

Usina São João tenta fugir do processo de recuperação extrajudicial

Após semanas de negociação com os seus credores, a USJ Açúcar e Álcool alterou as condições da sua oferta de troca dos bônus com vencimento em 2019. As principais mudanças da nova proposta são a redução do desconto na oferta de troca (“haircut”, no termo em inglês), aumento das garantias e extensão do prazo das novas notas.

A oferta anterior incluía como garantia a hipoteca da usina da empresa em Araras (SP), mas o formato jurídico não agradava os detentores dos bônus, de acordo com uma fonte que preferiu não ser identificada. A nova proposta coloca a usina em garantia como alienação fiduciária, inclui terras ao redor da unidade e a cana-de-açúcar plantada no local.

A empresa reduziu também na nova proposta “haircut” na troca dos ativos, que passou de 35% a 40% na oferta anterior para 25% a 30% na atual. Por fim, o vencimento dos novos bônus muda de 2019 para 2021. Esses títulos fazem parte de uma emissão realizada em 2012, na qual a companhia captou US$ 275 milhões.

Conforme explica uma pessoa próxima à reestruturação, a empresa busca atingir a adesão de 90% dos detentores dos bônus. Caso não consiga alcançar esse percentual, mas tenha o aval de mais de 60% dos detentores dos títulos, a companhia passa para a recuperação extrajudicial.

“A legislação da recuperação prevê que se a empresa atingir a aprovação de 60% ou mais de uma classe de credores (nesse caso, os “boldholders”), consegue aprovar o plano e arrastar os credores dissidentes”, diz esta fonte. “É um incentivo para aumentar a adesão na oferta de troca e evitar o processo extrajudicial, que é desgastante e leva tempo”.

Com a adesão de 90% dos investidores, a troca dos bônus é feita com “haircut” de 25%. Caso a adesão não atinja esse percentual, a empresa entra em recuperação extrajudicial, com apresentação do plano até 31 de outubro e, posteriormente, aprovação do juiz. Após esse processo será feita a troca dos bônus com desconto de 30%.

A nova oferta irá expirar em 6 de maio. Está previsto pagamento de juros da emissão de bônus no dia 9 de maio, o que deixa a companhia com prazo mais apertado para resolver a situação. (Brasil Agro 29/04/2016)

 

Açúcar: Produção acelerada

O mercado futuro do açúcar voltou a registrar perdas ontem na bolsa de Nova York diante da produção elevada no Centro-Sul do Brasil. Os lotes do açúcar demerara para julho fecharam a 15,71 centavos de dólar a libra-peso, queda de 13 pontos.

Depois de uma produção de 1,429 milhão de toneladas de açúcar na primeira quinzena de abril, quatro vezes mais do que na mesma época do ano passado, a expectativa é que a oferta da segunda quinzena seja similar, já que o tempo continuou seco na região no período, afirmou Henrique Hakamine, gerente de análise de mercado da trading Czarnikow.

A oferta abundante no Brasil tem atraído uma boa demanda.

No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal caiu 0,58%, para R$ 75,43 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 29/04/2016)

 

BTG Pactual: projeção da Unica da safra 2016/17 é construtiva para setor sucroenergético

As perspectivas traçadas na quarta-feira, 27, pela União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) para a safra 2016/17 no Centro-Sul do Brasil são construtivas para o setor sucroenergético, avaliou o BTG Pactual em relatório nesta quinta-feira, 28. Isso porque a entidade prevê uma moagem em linha com a do ano passado, com possibilidade de queda na fabricação de etanol.

Dessa forma, o banco visualiza um segmento trabalhando perto do limite da capacidade instalada e com estoques de etanol mais apertados - sem falar na previsão de déficit global de açúcar neste ano, o primeiro após cinco temporadas de superávit.

"Reiteramos nosso rating de compra para todas as empresas do setor listadas em Bolsa que cobrimos: Cosan, São Martinho e Adecoagro", destacaram os analistas Thiago Duarte e José Luiz Rizzardo, que assinam o relatório.

Conforme a Unica, a produção de etanol hidratado em 2016/17 pode cair 2%, tomando-se a média do intervalo estimado, que vai de 16,70 a 17,70 milhões de toneladas. A moagem de cana foi estimada entre 605 milhões e 630 milhões de toneladas, enquanto a produção de açúcar, entre 33,50 milhões e 35 milhões de toneladas. (Agência Estado 28/04/2016)

 

Ministros do STJ voltam a analisar arbitragem de US$ 100 milhões

A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) voltou a julgar processo que discute a homologação de duas arbitragens feitas em Nova York envolvendo a Abengoa e a Adriano Ometto Agrícola. As decisões americanas garantem uma indenização à espanhola Abengoa superior a US$ 100 milhões por problemas decorrentes da aquisição de usinas da paulista Adriano Ometto Agrícola e do grupo Dedini Agro.

Depois de dois votos, o julgamento foi novamente suspenso por um pedido de vista. Por ora, o placar é de dois a um contra a homologação das sentenças arbitrais. Não há previsão de quando o processo será retomado pelos ministros.

No caso, a Adriano Ometto Agrícola alega irregularidades nas arbitragens. O julgamento foi iniciado em outubro de 2015, com o voto do relator, ministro Felix Fischer. O ministro foi favorável à homologação das sentenças. Na sequência, o ministro João Otávio Noronha pediu vista, interrompendo a discussão.

Recentemente, na retomada do julgamento, Noronha e a ministra Nancy Andrighi votaram contra a homologação das sentenças. Mas o julgamento foi novamente suspenso, agora pelo pedido de vista do ministro Herman Benjamin. Os demais integrantes da Corte Especial, composta por 15 ministros, aguardam o voto para se manifestarem.

A discussão chegou ao STJ após passar por tribunais arbitrais e pela Justiça dos Estados Unidos. No Brasil, a Corte Especial é a responsável por homologar sentenças arbitrais estrangeiras. A disputa tem como pano de fundo um negócio firmado em 2007. A espanhola Abengoa pagou US$ 327 milhões pelas usinas. Porém, posteriormente, questionou a capacidade de produção das unidades, alegando que não seria a prevista em contrato, além de apontar problemas com encargos trabalhistas.

Insatisfeita, a Abengoa levou o assunto à arbitragem nos Estados Unidos. A Adriano Ometto Agrícola concordou em pagar US$ 18 milhões. A empresa espanhola, porém, pediu uma revisão do valor e obteve o direito a US$ 100 milhões em sentença proferida no fim de 2011. O tribunal arbitral considerou que houve fraude nas estimativas de potencial de moagem de cana das usinas apresentadas pelos vendedores, Adriano Ometto Agrícola e Dedini Agro.

Após discussão na esfera arbitral, o caso foi levado à Justiça de Nova York por Adriano Ometto. O empresário alegou que o árbitro-presidente, o americano David W. Rivkin, é sócio de um escritório que recebeu US$ 6,5 milhões da Abengoa. Rivkin também é presidente da International Bar Association (IBA), organização que congrega ordens de advogados em vários países do mundo. Em primeira instância, porém, concluiu-se que não havia provas contra o advogado-árbitro e manteve-se a sentença arbitral. A disputa chegou então ao Brasil, para homologação das arbitragens pelo STJ. (Valor Econômico 29/04/2016)

 

SP: 91,3 % da colheita de cana foi realizada sem emissão de poluentes

O balanço do Protocolo Agroambiental do Setor Sucroenergético mostra que 91,3% da colheita de cana-de-açúcar das usinas e fornecedores de cana signatário foi realizada sem o emprego do fogo, através da colheita mecanizada. O dado refere-se a safra 2015/2016 e foi divulgado pela Secretária do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Patrícia Iglecias, em coletiva de imprensa, realizada nesta quinta-feira (28/04), na Agrishow 2016 - 23ª Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação, que vai até sexta-feira (29/04), em Ribeirão Preto.

O balanço do Protocolo Agroambiental do Setor Sucroenergético, de abrangência estadual, define metas, como a antecipação do prazo para a eliminação da queima da palha da cana, proteção de nascentes e matas ciliares, e a redução de consumo de água na etapa industrial. Sobre a água, a secretária disse que o gasto médio de água no processamento industrial da cana entre 2010 e 2015 apresentou queda de 33% no consumo, atingindo o patamar estabelecido pelo Zoneamento Agroambiental na maioria das regiões do estado. "Também estimamos que cerca de 8,65 milhões de toneladas de gases de efeito estufa deixaram de ser emitidas no Estado", disse.

A pesquisa apontou que na safra 2015/2016, 133 unidades agroindustriais e 24 associações, que representam 5.485 fornecedores, obtiveram Certificado Etanol Verde. A área total compromissada com as boas práticas agroambientais do protocolo pelas usinas e fornecedores de variedades signatários totaliza 5.405.772 hectares, que representam 26,3% da área agricultável do estado. As usinas que integram o Protocolo Agroambiental são responsáveis pela produção de 44% do etanol brasileiro e 92% do paulista.

Outro benefício do acordo é que a energia elétrica produzida a partir do bagaço e da palha da cana-de-açúcar pelas usinas na safra 2015/2016 totalizou mais de 18.100 GWh. "Desse total, cerca de 10.170 GWh foram exportados para a rede elétrica, o que equivale a 26% do consumo residencial paulista em um ano, que é de 39.450", explicou Patrícia.

Para a secretária do Meio-Ambiente, a proteção e a preservação das nascentes e matas ciliares também tiveram ganhos com o compromisso assumido usinas. "Cerca de 258.773 hectares de matas ciliares e mais de 8.400 nascentes estão no acordo de proteção e restauração, prestando serviços ambientais importantes para São Paulo", afirmou. (Brasil Agro 28/04/2016)

 

Abengoa Bioenergia ganha fôlego após sucesso em negociações no Brasil

Meta é produzir 170.000 m³ de etanol e 557.000 MWh de energia neste ano.

A Abengoa Bioenergia Brasil, subsidiária da espanhola Abengoa, atualizou nesta quarta-feira, 27 de abril, o estágio das negociações da reestruturação financeira da companhia. A empresa informou que houve avanços nas conversas com fornecedores e bancos e estima uma produção de 485.000 toneladas de açúcar, 170.000 m³ de etanol e 557.000 MWh de energia neste ano.

Segundo a Abengoa, foi apresentado aos fornecedores de cana um plano que garante a continuidade dos pagamentos referentes a 2015 e, simultaneamente, toda operação para o trabalho ao longo deste ano. Esse plano foi apresentado para as entidades representativas do setor sucroalcooleiro, como também individualmente aos fornecedores de cana. Já com os bancos, a Abengoa também avalia que houve um avanço e as negociações vão prosseguir nas próximas semanas.

“Com os acordos feitos no início do ano, fechados e cumpridos neste mês de abril, conseguimos avançar nas negociações com os fornecedores de cana. Com isso, tenho certeza, teremos tranquilidade para trabalhar a safra 2016. O nosso plano de reestruturação, em todas as áreas, está avançando dentro do esperado. Os fornecedores de cana estão aceitando em sua grande maioria nossa proposta de pagamentos referente a 2015. Acreditamos que conseguiremos ultrapassar todos os obstáculos que estamos enfrentando e, a partir de 2017, iniciaremos um período de crescimento de nossas usinas”, projeta o diretor da companhia, Rogério Ribeiro Abreu dos Santos.

Esse empenho nas negociações com os produtores de cana, ressalta Abreu dos Santos, também reflete nas tentativas de acordos com as instituições financeiras. “É evidente que a confiança e garantia da continuidade dos nossos fornecedores conosco, e a projeção de uma boa safra, refletem em nossas negociações com os bancos, independentemente do seu porte no mercado financeiro.”

O planejamento da Abengoa para a safra deste ano é atingir a moagem de 5.860.000 toneladas de cana, superior ao total de 5.846.000 toneladas registrado em 2015. “Para um futuro próximo, está em nosso plano também a implantação de um projeto de etanol de segunda geração (2G)”, revela Abreu dos Santos.

Com esse planejamento estabelecido e já em andamento, a empresa descarta a possibilidade de demissões fora normalidade. “Como não paramos a moagem total depois de dezembro, nossa contratação de mão de obra não foi muito alta. Mantivemos uma estrutura mínima para a operação em uma usina e agora estamos preparando as equipes para trabalharmos completos a partir de maio nas duas unidades”. (Canal Energia 28/04/2016)