Setor sucroenergético

Notícias

Justiça proíbe Raízen de vincular salário ao corte da cana

O acórdão prevê pagamento por tempo de jornada, sob pena de multa diária de R$ 1 mil por trabalhador prejudicado.

A Raízen Bionergia deve interromper a vinculação do salário dos trabalhadores à quantidade de cana-de-açúcar colhida por eles. A decisão é da 3ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região e é favorável a ao recurso apresentado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) em Araçatuba (SP). O acórdão publicado nos autos da ação civil pública movida pelo MPT prevê a adoção do pagamento salarial por tempo de trabalho, sob pena de multa diária de R$ 1 mil por trabalhador prejudicado.

Segundo o MPT, também fica mantido o pagamento, pela empresa, de R$ 400 mil por danos morais coletivos. O valor é reversível ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). “Todos os itens da decisão devem ser cumpridos de forma imediata, independentemente do trânsito em julgado, haja vista a concessão de tutela antecipada pelos desembargadores. Outras obrigações impostas anteriormente pela sentença da Vara do Trabalho de Andradina (SP), relativas à proteção térmica dos trabalhadores, também foram mantidas”, diz o MPT.

As obrigações mantidas são elaborar avaliação de risco da atividade de corte manual de cana, considerando o risco físico e prevendo medidas para aclimatação térmica; monitorar a exposição dos cortadores ao calor, por meio do índice IBUTG, que congrega temperatura, umidade do ar e outros critérios técnicos; conceder pausas para descanso ou suspender as atividades de corte, caso o calor esteja muito intenso, com base a partir do valor 25 do índice IBUTG, e considerar essas pausas ou suspensões para evitar sobrecarga térmica como tempo de serviço prestado.

Na sessão de julgamento do recurso, o MPT foi representado pela procuradora do Trabalho Renata Cristina Piaia Petrocino. Ainda cabe recurso da decisão da empresa ao Tribunal Superior do Trabalho (TST). Na petição inicial, o MPT se apoiou em teses, estudos e casos concretos para demonstrar que os maiores prejuízos à saúde dos cortadores de cana advêm do salário por produção, dentre eles, a sobrecarga térmica.

Uma das teses é a pesquisa empreendida por acadêmicos da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), cujos “números dão a dimensão do enorme esforço realizado pelos cortadores durante a jornada de apenas um dia: eles desferem uma média de 3.792 golpes com o podão, realizam 3.394 flexões de coluna e levantam cerca de 11,5 toneladas de cana”. Segundo o MPT, “nos últimos 15 anos foram registradas várias mortes no ambiente de trabalho, em meio à atividade de corte de cana. A causa dos óbitos, em geral, é provocada por infarto ou acidente vascular cerebral (AVC), intimamente associados à alta de pressão”. (Globo Rural 29/04/2016)

 

Abengoa Bioenergia espera renegociar dívidas em 60 dias

A Abengoa Bioenergia, braço sucroenergético do conglomerado espanhol, prevê em até 60 dias ter suas dívidas renegociadas com os bancos, concluindo um processo de reestruturação elaborado no início deste ano. "Já fechamos tudo com algumas instituições menores e agora faltam as médias e grandes. Estamos avançando bem com os bancos", disse o diretor e porta-voz da companhia, Rogério Abreu dos Santos, em entrevista exclusiva ao Broadcast Agro, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.

"Quanto aos fornecedores de cana-de-açúcar, nós também já pagamos 30% do que devíamos e praticamente acertamos, neste mês, o pagamento dos 70% restantes. Cerca de 90% concordaram com o que apresentamos. Em 2016, não queremos descumprir em nada", complementou.

A empresa chegou ao País em 2007 ao adquirir o controle da Dedini Agro por R$ 1,3 bilhão e assumir R$ 730 milhões em dívidas. Um ano depois, houve a crise mundial de liquidez e o início das dificuldades do setor de etanol por causa do congelamento dos preços da gasolina. (Agência Estado29/04/2016)

 

Açúcar: Alta técnica

Os preços do açúcar dispararam na sexta-feira na bolsa de Nova York em meio a movimentos técnicos.

Os lotes do açúcar demerara para julho fecharam com alta de 61 pontos, a 16,32 centavos de dólar a libra-peso.

Houve influência do vencimento do contrato para maio.

Especula-se no mercado que serão entregues 420 mil toneladas, correspondentes a cerca de 8,3 mil papéis, e que possivelmente haverá apenas um recebedor.

A ICE Futures divulga esse dado nesta segunda-feira.

A recuperação do petróleo e a queda do dólar ante o real colaboraram para impulsionar os preços do açúcar.

Os fundos também cobriram posições após as quedas anteriores.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal caiu 0,33% na sexta-feira, para R$ 75,18 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 02/05/2016)

 

Guarani busca ampliar vendas de açúcar no varejo do país

Enquanto a maior parte do setor sucroalcooleiro aposta suas fichas no mercado externo por causa do câmbio favorável e da perspectiva de aumento da demanda internacional, é o comércio varejista brasileiro que gera brilho nos olhos da Tereos Guarani Açúcar e Etanol, controlada pelo grupo francês Tereos.

A companhia buscou repaginar sua marca Guarani, agora com nova identidade visual, e criar uma campanha de marketing para se aproximar diretamente dos consumidores.

O varejo brasileiro representa hoje 13% da receita que a Tereos tem com suas vendas de açúcar ­ uma participação ainda modesta frente os 50% que representam as vendas para o mercado externo.

Jacyr Costa, diretor-geral da Tereos, prefere não estabelecer uma meta para as vendas ou para a participação de mercado, mas demonstra otimismo com relação a um segmento que tem poucos concorrentes com marcas já consolidadas, como a União, do Grupo Camil. "Temos que ver qual aceitação a campanha vai ter e qual resultado terá para direcionar os objetivos", afirmou o executivo.

Apesar de os brasileiros estarem fazendo mais contas antes da decisão de compra por causa da corrosão da renda, Costa ressaltou que o consumo de açúcar tem resiliência mesmo com a crise. As mudanças, porém, não devem influenciar os preços no varejo, que deverão seguir em forte correlação com o mercado externo.

A artilharia será lançada primeiro sobre o Estado do Rio de Janeiro, onde a Guarani tem 25% de participação de mercado, e depois sobre São Paulo, onde a marca é a preferida por 10% dos consumidores, segundo Costa.

A aposta da Tereos, que consumiu R$ 500 mil em investimentos de marketing e publicidade, também levou à contratação de Gustavo Segantini, ex­Ambev, como gerente de produtos de varejo.

O novo executivo ressalta que a Tereos pretende se diferenciar no mercado tentando engajar o consumidor em decisões de investimento da empresa na área de sustentabilidade. (Valor Econômico 02/05/2016)

 

Etanol fica mais barato e recupera vantagem sobre a gasolina em SP

A forte queda nos preços do etanol ocorrida nas usinas de São Paulo nas últimas semanas começa a chegar ao bolso do consumidor.

Nesta semana, os preços médios do álcool hidratado caíram para R$ 2,453 por litro nos postos da capital paulista. O valor é 1,8% inferior ao da semana imediatamente anterior. Já a gasolina recuou para R$ 3,539, uma queda de 0,32% no período.

Os dados fazem parte de pesquisa semanal da Folha, que acompanha preços em 50 estabelecimentos da cidade de São Paulo.

Os novos patamares de preços desses combustíveis recolocam o etanol em condições mais competitivas do que a gasolina no mercado paulistano. A nova paridade entre o derivado de cana e o de petróleo agora é de 69%.

Algumas pesquisas indicam que, quando a diferença for de até 70%, a utilização do etanol é mais vantajosa do que a da gasolina.

Pressionadas por gastos com o início da safra e devido à oferta maior de produto, as usinas derrubaram os preços do etanol hidratado de R$ 1,93 na segunda quinzena de março para o atual R$ 1,36 por litro –um recuo de 30%.

A redução de preços deverá incentivar o consumo do álcool, combustível pouco competitivo nos três primeiros meses do ano devido ao período de entressafra.

A pesquisa da Folha indica que o álcool já ficou 11% mais barato para o paulistano nos últimos 30 dias.

Antonio de Padua Rodrigues, diretor da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), diz que "a intensa queda no preço do etanol hidratado nas usinas nas últimas semanas finalmente começa a chegar aos consumidores". Ele acredita que esse novo cenário seja um incentivo para o aumento do consumo de etanol nos próximos meses.

Padua crê que a safra atual, iniciada no início deste mês, terá um comportamento de demanda semelhante ao da anterior.

De abril de 2015 a março deste ano, as usinas venderam 17,3 bilhões de litros de etanol hidratado no mercado interno. Ou seja, uma média mensal de 1,45 bilhão de litros no período. Em alguns meses, como em outubro passado, as vendas atingiram 1,72 bilhão de litros.

CRISE

O diretor da Unica afirma que, devido à difícil situação econômica brasileira, o consumo de combustível do ciclo Otto (etanol e gasolina) deverá recuar perto de 2% neste ano.

A demanda por etanol, no entanto, deverá persistir. De acordo com ele, não há redução da oferta de etanol; as exportações podem até cair e o consumo de anidro não vai pressionar.

Como a produção de etanol será maior –a Unica estima em até 17,7 bilhões de litros de hidratado nesta safra 2016/17–, o ritmo de vendas será determinado por um ajuste de preço de mercado.

Pádua acredita, porém, que a média de preços recebidos pelos produtores deverá ser maior neste ano. O preço médio do etanol na usina foi de R$ 1,20 de abril a outubro do ano passado. Neste ano, está em R$ 1,36 por litro neste início de safra.

Em algumas regiões, os preços do etanol já estão bastante competitivos, devido à necessidade de crédito de algumas usinas e, ainda, à predominância de postos sem bandeiras. Em geral, esses estabelecimentos comercializam o etanol com redução de até R$ 0,20 por litro.

Cálculos da Unica, com base em dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo), mostram que os Estados de São Paulo e de Mato Grosso já têm paridades médias próximas a 70%.

Essas médias são puxadas pela redução de preços do derivado de cana nas capitais desses Estados.

Dados da Unica apontam que pelo menos 2% da frota flex do país está em municípios com paridade inferior a 67%. Já outros 14% da frota estão em municípios com paridade média de 67% a 70%.

Algumas pesquisas consideram que a paridade, na verdade, pode se estender para até 73% nos carros mais modernos.

Dentro desse contexto, outros 15% da frota nacional de carros flex estão em municípios cujos preços do etanol são mais competitivos do que os da gasolina. (Folha de São Paulo 30/04/2016)

 

Wilmar recebe açúcar bruto na bolsa de NY pela 5ª vez consecutiva

A Wilmar International adquiriu cerca de 422 mil toneladas de açúcar contra o contrato da bolsa ICE que expirou nesta sexta-feira, disseram operadores, registrando a quinta compra consecutiva por meio da bolsa para empresa agrícola de Cingapura.

Os 8.309 lotes de açúcar devem vir do Brasil e da Argentina, disseram os operadores norte-americanos. A Wilmar International não pode ser imediatamente contatada para comentários devido ao horário tardio em Cingapura. (Reuters 29/04/2016)

 

Boas práticas ambientais estão em 26,3% da área de cana de São Paulo, dizem secretarias

Colheita mecanizada é feita em mais de 91% das lavouras e consumo de água caiu 33% entre 2010 e 2015, informa relatório.

Pelo menos 26,3% da área de lavouras de cana-de-açúcar no estado de São Paulo estão adequados às boas práticas ambientais. A proporção corresponde a 5.405.772 hectares. A informação está no relatório referente à safra 2015/2016 do Protocolo Agroambiental do Setor Sucroenergético, apresentado nesta quinta-feira (28/4) durante a Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), pelas Secretarias Estaduais de Agricultura e de Meio Ambiente.

"O Protocolo é um conjunto de ações do governo e dos setores produtivos, destacadas as usinas e fornecedores de cana. Não é uma lei que obriga, por isso destaco a adesão dos produtores rurais", afirmou Arnaldo Jardim, secretário de Agricultura, considerando o resultado expressivo.

Ao todo, 133 unidades agroindustriais e 24 associações de fornecedores independentes de cana (que somam 5485 produtores) já obtiveram o Certificado Etanol Verde, que atesta o cumprimento das regras do protocolo. De acordo com o governo paulista, as usinas que assinaram o protocolo respondem por 92% da produção de etanol do Estado e 44% do volume de combustível no país.

Entre os principais resultados destacados pelas autoridades paulistas, o consumo de água no processamento da cana caiu 33% entre 2010 e 2015. Na safra 2015/2016, chegou a um metro cúbico (1000 litros) por tonelada moída. Na década de 90, esse volume era de 5 metros cúbicos.

Foi estimada também uma redução de 89% na emissão de gases de efeito estufa pelo setor desde a safra 2006/2007. A variação corresponde a 8,65 milhões de toneladas que deixaram de ir para a atmosfera, de acordo com o documento.

Queimadas

Uma das principais medidas previstas no Protocolo Agroambiental é a substituição do uso da queimada na colheita da cana pelo trabalho mecanizado. Na safra 2015/2016, a proporção chegou a 91,3% sem o uso do fogo, o equivalente a 3,46 milhões de hectares. A safra 2016/2017, iniciada em primeiro de abril, é a última em que a queima poderá ser utilizada.

A secretária de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Patricia Iglecias, disse que serão adotadas medidas para coibir crimes ambientais e punir responsáveis. Ela disse que não há prazo para as ações e avaliou que o trabalho evitará que produtores de cana sejam indevidamente punidos.

"Vamos trabalhar com a polícia ambiental para atuar nesses casos. A infração ambiental tem características de como isso se deu. Estamos procurando estabelecer critérios para determinar características dos crimes de queimadas para deixar de multar produtores de forma indevida", disse.

Em relação às queimadas espontâneas, sujeitas a ocorrer em períodos de estiagem, Patrícia Iglecias informou que será antecipada neste ano a operação Corta Fogo, por causa de previsões que indicam período seco no Estado.

"A expectativa é de estiagem forte esse ano. Em São Paulo nem sempre é tão simples fazer previsões. Por isso antecipamos o anúncio do programa Corta Fogo. Queremos acompanhar de perto porque a incidência de queimada foi maior ano passado pelas condições climáticas", disse Patrícia. (Globo Rural 29/04/2016)

 

ATR PR: Preços sofrem queda de 2,04% no mês de abril

O Conselho dos Produtores de Cana-de-açúcar, Açúcar e Álcool do Estado do Paraná (Consecana-PR) divulgou, nesta sexta-feira (29), os dados referentes ao ATR para o mês de abril da safra 2016/2017. De acordo com os números, o ATR projetado para o mês de abril caiu 2,04%, passando de R$ 0,6048 em março para R$ 0,5927 neste mês.

O ATR acumulado fechou com alta de 3,04% em relação ao mês passado, cotado em R$ 0,6232 o quilo contra R$ 0,6048 do mês de março. O ATR mensal teve a mesma valorização, com contratos fechados no mesmo valor.

Os contratos de parceria baseados no índice de cana campo fecharam em R$ 64,72 a tonelada, baixa de 2,04% ante os R$ 66,04 a tonelada no mês passado. Os preços de cana esteira também caíram. Ela foi negociada a R$ 72,29 a tonelada contra os R$ 73,77 do último mês, desvalorizando, portanto, 2,04%. (Udop 29/04/2016)

 

CE: Crise econômica piora as condições de negociação da Usina de Barbalha

Inflação e incertezas do mercado inibiram os investidores e continua impasse em torno do equipamento.

Piora a situação de possíveis investimentos no setor canavieiro no Cariri. Praticamente falido, restando apenas pouquíssimos e precários engenhos na região, além de insignificante área de produtividade de cana-de-açúcar, parece cada vez mais distante o interesse de investidores na área.

Mesmo adquirida há quase três anos pela Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece), por R$ 15,4 milhões, em leilão, a Usina Manoel Costa Filho continua sem compradores. Com equipamentos ultrapassados e o entorno da usina com cultura da cana-de-açúcar substituída por plantio de bananas, a possibilidade de venda da agroindústria deixa cada vez mais distante a crença do produtor em ver Barbalha retornar à fama da terra dos verdes canaviais.

Retomada

A Adece atribui a real condição de dificuldade nas negociações à crise econômica nacional, bem como os fatores climáticos. Diante disso, conforme o órgão, os empresários têm se comportado de forma conservadora, adiando a realização de investimentos em novos empreendimentos. No entanto, a agência estadual reafirma o compromisso de continuar prospectando investidores para a retomada do funcionamento da Usina Costa Filho. Um desses empreendedores está sendo contatado, mas o órgão não quis adiantar em que nível de encontra a negociação nesse momento.

Em estudos levantados pelo governo do Estado, para a viabilidade de compra do empreendimento, no quesito capacidade industrial, três opções de produção se apresentam na usina, relacionadas ao etanol hidratado, etanol e açúcar e cachaça. Na produção de etanol a capacidade verificada é de esmagamento de 4.000 toneladas de cana/ano. Já na produção de açúcar, foi constatada capacidade nominal de moagem de 400.000 toneladas de cana/ano, capacidade de destilação etanol hidratado de 9.600.000 litros/ano e capacidade de produção de açúcar de 1.200.000 kg/ano. Por fim, na produção de cachaça, a capacidade nominal de moagem é de 400.000 toneladas/ano e capacidade de produção de cachaça de até 80.000.000 litros/ano.

Nesse caso, para a produção industrial ser concretizada, é necessária a implantação de 6.000 hectares de cana-de-açúcar. Em levantamento realizado pelo governo estadual na região, se constatou a existência e 10,3 mil hectares de área de produtores dispostos a fornecer à usina. Mesmo com o grande cultivo de banana na região nos últimos anos, deixando os municípios de Barbalha e Missão Velha entre os maiores produtores do Estado, a Adece aposta que esse fator não afetará o retorno do cultivo da cana, por conta do grande potencial apresentado na região. A redução da área para o plantio aconteceu em função do declínio do setor canavieiro.

O secretário de Agricultura de Barbalha, Elismar Vasconcelos, diz que a expectativa de otimismo dos agricultores, que acreditaram na reativação do setor logo que a usina foi adquirida pelo governo, não é a mesma. A substituição de culturas no campo, pelo plantio da banana irrigada, foi a alternativa de sobrevivência para os pequenos produtores da região. Centenas deles ainda se deslocam boa parte do ano de suas casas de diversas comunidades de Barbalha, principalmente do distrito de Arajara, para trabalhar em fazendas do Interior de São Paulo, Bahia, Paraná e Pernambuco. O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Barbalha estava na expectativa de realizar todo um trabalho para reanimar os produtores. São mais de mil, segundo o órgão, que saem todos os anos da cidade.

Outra expectativa do governo do Estado para que a venda se torne realidade é a concretização da transposição do Rio São Francisco e do Cinturão das Águas. Com isso, o cenário ficará mais favorável para a captação e realização dos investimentos necessários. A Adece avalia que o equipamento que se encontra no local é bom. Já em relação ao investimento, vai depender do que a empresa vai querer produzir. A compra remonta uma discussão de vários anos, relacionada à revitalização do cultivo da cana-de-açúcar na região. O valor inicial da venda da agroindústria era de mais R$ 25,8 milhões. A usina foi desativada em 2004 e empregava direta a indiretamente mais de 4 mil pessoas. Uma das ideias iniciais era de que o equipamento fosse repassado aos produtores, por meio de sistema de cooperativa de gestão, e a revitalização do cultivo da cana ficasse a cargo do Estado.

Viabilidade

A compra pelo governo foi efetivada após a realização de um estudo de viabilidade técnica das áreas agricultáveis na região, cerca de 8.500 hectares. Grande parte das terras está inativa desde o fechamento da agroindústria que detinha pelo menos 3 mil hectares plantados para manter o funcionamento da usina.

A aquisição do empreendimento pela iniciativa privada seria a alternativa para o ressarcimento do valor investido pelo governo aos cofres estaduais. A usina chegou a representar, na década de 1980, auge da produção, cerca de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB), do Ceará. A Manoel Costa Filho foi implantada na região, em 1973, por Fernando Júlio Maranhão. Por três décadas incentivou o cultivo e foi responsável por 4 mil empregos diretos e indiretos, 500 deles na usina, número que deverá ser reduzido pela metade com a modernização dos equipamentos.

Investidores desistiram da aquisição

A Usina Manoel Costa Filho foi implantada na região em 1973, por Fernando Júlio Maranhão, já falecido. Por três décadas incentivou o cultivo e foi responsável por quatro mil empregos diretos e indiretos, 500 deles na usina, número que deverá ser reduzido pela metade com a modernização dos equipamentos. A produção comercializada da agroindústria era de cinco mil sacos de açúcar com possibilidade para produzir 40 mil litros de álcool por dia.

Investidores de vários Estados e do Sudeste do País interessados, chegaram a assinar, em regime de comodato com o governo estadual, documento para realizar uma avaliação inicial para retomar a produção, com o funcionamento previsto a partir de 2016. O Estado teria uma parcela nos lucros para compensar os investimentos. O período do contrato expirou e o grupo, que já utilizava outro nome para a agroindústria, de Usina Cariri, acabou não dando continuidade à negociação. Uma solenidade ocorreu na própria usina. A reunião contou com a presença de representantes do setor canavieiro do Cariri e instituições agrárias, empresários, além da administração local, agentes financiadores, ex-funcionários e representantes do Governo. A previsão de investimentos em cinco anos era de R$ 176 milhões, com meta de gerar 1.200 empregos diretos, com mais 2.500 diretos. (Diário do Nordeste 01/05/2016)

 

Açúcar: Mais emoção vindo por aí – Por Arnaldo Luiz Corrêa

O desempenho do mercado futuro de açúcar em NY não poderia ser mais promissor. O vencimento maio/2016 que expirou nesta sexta-feira a 16,16 centavos de dólar por libra-peso acumulou uma alta de quase 20 dólares por tonelada na semana, com uma entrega de 415,000 toneladas, das quais mais de 80% de Brasil.

Os demais meses de negociação fecharam com altas maiores para os vencimentos mais curtos e variações mais modestas quanto mais longe for o vencimento. Assim, tivemos uma média de valorização de 18 dólares por tonelada para o primeiro grupo e 10 dólares por tonelada para o segundo grupo.

Interessante notar que a curva de preços está no custo e carrego nos primeiros dois meses de negociação, ou seja, os vencimentos julho/2016 e outubro/2016 encerraram respectivamente a 16.32 e 16.59 cujo carrego implica em aproximadamente 6.50% ao ano. Mercados em carrego espelham a percepção do mercado de que há produto suficiente no mercado.

É normal que em mercados futuros de commodities em custo e carrego os fundos estejam vendidos, pois há produto suficiente e a eventual rolagem de suas posições vendidas para o vencimento seguinte, implicam em recomprar o primeiro mês e vender o segundo que mostra um prêmio e consequentemente um ganho no portfolio dos fundos. Ocorre que os fundos estão é comprados e não é pouco não. Estavam posicionados, com base no pregão de terça-feira passada, em mais de 230,000 lotes (um novo recorde). Imaginem como estarão agora depois da expressiva alta do mercado na sexta-feira, com o vencimento julho (que agora passa a ser o primeiro mês de negociação) valorizando em mais de 60 pontos?

As duas faces do mercado estão próximas a uma acareação. O curto prazo mostrando o lado baixista, mas que conflita com a posição altista dos fundos. O longo prazo mostrando a face altista em função dos fundamentos do mercado para o longo prazo, mas que não é sentido no mercado físico nem nos spreads.

A vigorosa maneira com que os preços reagiram na sessão de sexta-feira pode ser atribuída à queda da produção da Índia, a menor desde 2009/2010; ou ao apetite dos fundos que continuam apostando na subida de preços do açúcar e aumentando suas posições compradas; ou, ainda, à valorização do real contra o dólar que pode mudar a arbitragem do açúcar com o etanol e afetar a disponibilidade do primeiro. Enfim, tem para todos os gostos.

A reação dos futuros na próxima segunda-feira pode começar a dar o tom e o ritmo da música que o mercado vai querer dançar a partir de agora. Uma semana de preços mais firmes poderá antecipar as compras dos importadores sob aquele terrível sentimento que todos temos quando perdemos o bonde. Um fortalecimento dos spreads pode sinalizar que os fundamentos de longo prazo mostram-se mais presentes. Se os fundos mantiverem novas compras, a volatilidade das opções vai continuar subindo como já ocorreu nesta sexta-feira.

Vamos ter um mercado extremamente interessante como há muito não se via. É o momento de apontar os lápis e escolher a estratégia de gestão de risco correta para aproveitar as oportunidades. Fence, hedge com opções usando o delta, futuros, seja qual for o apetite que se tenha ao risco, o setor tem um amplo cardápio de estratégias que deverão ajudar a agregar valor ao acionista.

Vale lembrar que como toda a firmeza do mercado na sexta expirando a 16,16 centavos de dólar por libra-peso, o valor em reais por tonelada pouco mudou: R$ 1.270.

Eliane Castanhede, colunista do jornal O Estado de São Paulo, acredita que existe um temor que a presidente Dilma protagonize um “gran finale” para o processo de impeachment e para seus anos de governo. Algo como se acorrentar à mesa presidencial e forçar uma retirada à força do palácio. Algo “teatral e dramático para ilustrar sua indignação, gerar imagens fortes e corroborar a narrativa do golpe”. Será que 200 anos depois o Brasil terá a reedição da Rainha de Portugal (e também do Brasil) Dona Maria I, a Louca, de 1815 até 1816? É triste.

Caso você queira receber nossos comentários semanais de açúcar diretamente no seu e-mail basta cadastrar-se no nosso site acessando o link http://archerconsulting.com.br/cadastro/ (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)