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Açúcar: No vermelho

Os preços futuros do açúcar recuaram ontem na bolsa de Nova York em meio à alta do dólar em relação ao real.

Os lotes do demerara para outubro caíram 6 pontos, a 16,53 centavos de dólar libra-peso.

A queda foi ditada também pela liquidação de posições dos fundos, que na semana passada acumulavam um saldo líquido comprado recorde, de 134.616 contratos em 26 de abril.

No vencimento do contrato para maio foram entregues 420 mil toneladas de açúcar demerara, um volume bem menor do que nesses vencimentos em anos anteriores.

O Brasil respondeu por 87% do volume entregue, e a Argentina, 13%. A trading Wilmar será a única recebedora.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo subiu 0,37%, para R$ 75,46 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 03/05/2016)

 

Etanol cai de novo e se torna mais vantajoso que gasolina

Os motoristas de São Paulo enfim estão vendo vantagem em abastecer seus carros com etanol em vez de gasolina. Na semana passada, o preço médio do etanol hidratado (usado diretamente no tanque) ficou abaixo de 70% do valor médio da gasolina (equivalente à eficiência do biocombustível ante o derivado fóssil). A última vez em que a correlação de preços foi favorável ao consumo de etanol foi no início de novembro de 2015.

Segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP), o preço médio do etanol hidratado nos postos paulistas entre 24 e 30 de abril ficou em R$ 2,403 o litro, o equivalente a 68% do preço da gasolina no mesmo período. O valor é 4% menor que o da semana anterior.

O etanol vem se desvalorizando nas últimas quatro semanas por causa do aumento da produção do Centro-Sul. O clima seco que predomina na região desde meados de março tem permitido um avanço da moagem de cana-de-açúcar da safra 2016/17, o que gerou uma oferta elevada para a época. Na primeira quinzena de abril, a produção do etanol hidratado quase dobrou em relação ao mesmo período de 2015 e alcançou 891 milhões de litros.

Quatro semanas atrás, o preço do etanol equivalia a 75% do valor da gasolina. Desde então, os postos de São Paulo já reduziram o valor do biocombustível em 11%. Além de São Paulo, o etanol também tem acumulado queda nas últimas quatro semanas em outros 17 Estados e no Distrito Federal.

Os consumidores estão se beneficiando de um movimento que já tem sido sentido pelas usinas há mais tempo. Desde a segunda semana de março, quando o preço do etanol para as usinas atingiu seu pico na entressafra, de R$ 1,9528 o litro, o valor recebido pelas usinas já recuou 31% até a semana móvel encerrada dia 29 de abril, conforme levantamento do Cepea/Esalq para o hidratado em São Paulo.

De acordo com um trader, a correlação de preços mais favorável ao etanol já desperta o interesse dos motoristas.

O consumo do etanol hidratado, que em março ficou em 1,130 bilhão de litros, deve alcançar 1,5 bilhão de litros por volta de outubro (mês em que a demanda costuma atingir seu maior patamar ao longo do ano), calcula o trader. Ele estima que a paridade entre o etanol e a gasolina pode chegar a 62% em até duas semanas.

Apesar de o etanol estar mais competitivo, a demanda pelo biocombustível no ciclo 2016/17 ainda deve ficar abaixo dos volumes registrados na última temporada, quando o consumo de etanol saiu de um patamar de 1,448 bilhão de litros em março para 1,750 bilhão de litros em outubro.

Na último safra, as usinas deram preferência para a produção de etanol, aumentando a oferta doméstica e baixando os preços ao longo da temporada.

Já na safra atual, que deve ser mais direcionada à produção de açúcar por causa da alta remuneração do alimento, o mercado doméstico de etanol hidratado deverá encontrar um equilíbrio entre oferta e demanda se o consumo do biocombustível atingir até 1,5 bilhão de litros, segundo a mesma fonte.

Caso a demanda suba mais que o esperado e retome os patamares da safra passada, afirma ele, pode haver problemas de oferta durante a entressafra. (Valor Econômico 03/05/2016)

 

Volume de exportação de açúcar cai 26,5% em abril ante março

Exportações de etanol também caíram no mês passado.

O Brasil exportou em abril 1,528 milhão de toneladas de açúcar bruto e refinado, volume 26,48% menor que os 2,078 milhões de toneladas embarcados em março e 72,4% superior ante as 886,2 mil toneladas registradas em igual mês de 2015. Dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) divulgados nesta segunda-feira (2/5) mostram que, do total embarcado no mês passado, 1,232 milhão de toneladas foram de açúcar demerara e 295,8 mil toneladas de refinado.

A receita obtida com a exportação total de açúcar em abril passado foi de US$ 486,4 milhões, 22,47% menor que a registrada em março (US$ 627,4 milhões) e 57,7% acima dos US$ 308,4 milhões computados em abril de 2015.No acumulado de 2016, foram exportadas 7,806 milhões de toneladas de açúcar (+32%), com receita de US$ 2,346 bilhões(12,9%).

Etanol

O Brasil exportou em abril 71,8 milhões de litros de etanol, queda de 65,3% na comparação com os 207,1 milhões de litros embarcados em março, mas aumento de 241,9% frente os 21 milhões de litros de igual período de 2015. Os dados foram divulgados pelo MDIC.A receita cambial com a venda do biocombustível alcançou US$ 39 milhões em abril, recuo de 63,2% ante os US$ 106,1 milhões registrados em março.

Em relação aos US$ 10,5 milhões de litros de abril de 2015, houve aumento de 271,4%.No acumulado de 2016, as exportações somam 705 milhões de litros (+97,7%), com receita de US$ 352 milhões (+73,7%) (Agência Estado, 2/5/16)

Produção de açúcar da Índia deve recuar 11,7% em 2015/16 Açúcar

A Índia, maior consumidor mundial de açúcar, deve produzir 25 milhões de toneladas do produto no ano comercial de 2015/16, que se encerra no dia 30 de setembro, volume 11,7 por cento menor do que na temporada anterior, informou a Associação Indiana de Usinas de Açúcar nesta segunda-feira.

A primeira sequência de duas secas em quase três décadas atingiu as plantações de cana-de-açúcar de Maharashtra, Estado com maior produção, reduzindo a produção total do país, disse a associação em comunicado.

As usinas já produziram 24,6 milhões de toneladas de açúcar, comparado a 27,6 milhões de toneladas durante o mesmo período do ano anterior, disse a associação.

A Índia deve se tornar um importador líquido de açúcar em 2016/17, já que a estiagem em anos seguidos secou os canais de irrigação e devastou os campos de cana, com a produção total do Estado com a maior produção recuando mais de 40 por cento.

O país vai, em breve, derrubar uma ordem que obriga as usinas a exportar o excesso de oferta, disseram duas autoridades do governo nesta segunda-feira, após as secas colocarem o país a caminho de se tornar um importador do produto por volta de outubro (Reuters, 2/5/16)

Índia irá revogar exportação compulsória de açúcar, dizem fontes Açúcar

A Índia irá retirar em breve uma regra que obriga usinas de açúcar a exportar o excesso de oferta, disseram duas autoridades do governo nesta segunda-feira, após duas secas consecutivas prejudicarem a produção do país, que poderá voltar a ser um importador líquido já em outubro.

No fim do ano passado, o governo pediu que usinas exportassem cerca de 3,2 milhões de toneladas, numa tentativa de reduzir o que naquele momento era um excedente de açúcar que pressionava preços e reduzia as margens de lucros das empresas.

Para apoiar o esquema e aliviar aquela pressão, o governo indiano aceitou pagar aos agricultores 45 rúpias por cada tonelada de cana de açúcar que produzissem, representando cerca de dois por cento dos custos das usinas.

Quando as exportações compulsórias forem revogadas, os pagamentos diretos aos agricultores também irão cessar, disseram as autoridades, que falaram sob condição de anonimato.

"Nós iremos revogar a regra em breve, porque não temos mais necessidade de exportar", disse uma das fontes.

Quando questionada sobre o prazo para a medida, a segunda fonte oficial acrescentou que "pode demorar algumas semanas".

Sem o subsídio na produção, as usinas indianas deverão ter dificuldade para exportar com lucro, potencialmente elevando os preços do açúcar e permitindo maiores embarques de outros exportadores, como Brasil, Tailândia e Paquistão. (Reuters 02/05/2016)

 

Agência de Proteção Ambiental dos EUA diz que glifosato é seguro

A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla em inglês) declarou o herbicida glifosato, principal produto usado no controle de ervas daninhas em plantas transgênicas, como seguro.

Em um relatório datado de outubro, mas publicado online apenas agora, a EPA afirma que seu comitê destinado à avaliação de câncer respondeu a uma constatação feita no ano passado pela Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer (IARC), vinculada à Organização Mundial da Saúde, segundo a qual o glifosato provavelmente tem potencial para causar câncer em humanos.

Um painel da EPA respondeu ter revisto todos os estudos disponíveis sobre glifosato e câncer, e não encontrou associações entre o herbicida e a maior parte dos tipos de câncer e “evidências conflitantes” quando se trata de linfoma não­Hodgkin. (Valor Econômico 02/05/2016 às 19h: 54m)

 

Índia irá revogar exportação compulsória de açúcar, dizem fontes

A Índia irá retirar em breve uma regra que obriga usinas de açúcar a exportar o excesso de oferta, disseram duas autoridades do governo nesta segunda-feira, após duas secas consecutivas prejudicarem a produção do país, que poderá voltar a ser um importador líquido já em outubro.

No fim do ano passado, o governo pediu que usinas exportassem cerca de 3,2 milhões de toneladas, numa tentativa de reduzir o que naquele momento era um excedente de açúcar que pressionava preços e reduzia as margens de lucros das empresas.

Para apoiar o esquema e aliviar aquela pressão, o governo indiano aceitou pagar aos agricultores 45 rúpias por cada tonelada de cana de açúcar que produzissem, representando cerca de dois por cento dos custos das usinas.

Quando as exportações compulsórias forem revogadas, os pagamentos diretos aos agricultores também irão cessar, disseram as autoridades, que falaram sob condição de anonimato.

"Nós iremos revogar a regra em breve, porque não temos mais necessidade de exportar", disse uma das fontes.

Quando questionada sobre o prazo para a medida, a segunda fonte oficial acrescentou que "pode demorar algumas semanas".

Sem o subsídio na produção, as usinas indianas deverão ter dificuldade para exportar com lucro, potencialmente elevando os preços do açúcar e permitindo maiores embarques de outros exportadores, como Brasil, Tailândia e Paquistão. (Reuters 02/05/2016)

 

Suicídio político: Liderança de Kátia Abreu no agronegócio em xeque

Na manhã da quarta-feira, 4 de abril, horas antes de a cúpula da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) anunciar que iria se posicionar abertamente a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff, a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, fez uma última tentativa de reverter a decisão da entidade máxima de representação do agronegócio no país. E ligou para o seu sucessor à frente da instituição, o baiano João Martins, aliado durante os oito anos em que ela presidiu a Confederação – Kátia está licenciada.

Para surpresa da ministra, o dirigente não atendeu a ligação e se recusou desde então a falar com ela, ferrenha defensora de Dilma, de quem é amiga. O episódio irritou profundamente a ministra, que já comenta nos bastidores ter sido vítima de uma traição. E reflete bem o recrudescimento da crise política, que levou a Câmara a abrir o processo de afastamento de dilma e, no caso de Kátia, pôs em xeque sua condição de maior liderança do agronegócio do país.

É comum hoje ouvir entre presidentes de entidades, empresários do segmento, representantes do que já foi sua base, e parlamentares da bancada ruralista, que Kátia cometeu “suicídio político” ao insistir em permanecer no governo de Dilma e do PT, a quem se opôs no passado e que defender causas contrárias ao agronegócio.

A CNA acabou oficializando um comunicado contra o governo Dilma, aprovado por 26 das 27 federações de agricultura e pecuária vinculadas à rede sindical da entidade. Apenas a federação de Tocantins, Estado por onde Kátia foi reeleita senadora, não se manifestou. O quadro reflete a insatisfação geral do segmento agropecuário, que promete esvaziar a cerimônia do Plano Safra 2016/17, agendada pela ministra para esta quarta-feira (4).

“Nós produtores não vemos mais a senadora como uma pessoa da casa”, afirmou João Martins ao Valor Econômico. “Se eu fosse ela pedia uma licença por algum tempo e começava a reconstrução da vida política. Talvez ela consiga isso no Estado (Tocantins), porque nacionalmente ela não tem mais sustentação”, acrescentou.

Como reflexo da decisão que tomou de apoiar Dilma, Kátia não tem frequentado feiras agropecuárias, sofre a ameaça pública de ser afastada do comando da CNA e ainda enfrenta um processo de expulsão dentro do seu partido, o PMDB, que desembarcou da base aliada e recomendou que todos os ministros da legenda que deixassem seus cargos.

O esgarçamento dessa relação tem raízes na própria estrutura de poder da CNA, onde Kátia Abreu começou a sofrer oposição de algumas federações, como a do Paraná e do Mato Grosso, e enfrentou um processo judicial contra sua reeleição para presidente da instituição em 2014.

Uma fonte próxima da ministra lembra que antes de se tornar ministra em 2015, Kátia foi “tolerada” por sua base de sustentação política, que representa o PIB do agronegócio. Como não conseguiu manter esse apoio, caminha para “jogar sua biografia no lixo”, e voltar ao Senado sem partido, saindo do governo “menor do que entrou”. “Estamos afastados dela”, diz o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Marcos Montes (PSD-MG).

Antônio Alvarenga, presidente da Sociedade Nacional da Agricultura (SNA), pondera que Kátia fez um excelente trabalho no ministério, após abrir mercados internacionais para as carnes brasileiras e vencer uma queda de braço com a Fazenda para abaixar juros do Plano Safra 2015/16. Entretanto, “consumiu seu capital político” ao ter duas oportunidades de sair do governo e não o fazer: quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva retomou seus laços com o governo, e quando um dirigente da Contag, representante dos trabalhadores, ameaçou invasões de fazendas em discurso no Planalto. “Ela foi alertada por nós a sair do governo, mas hoje posso dizer que acabou nossa simpatia e o respeito pelo governo e pela ministra também”, diz Almir Dalpasquale, presidente da Aprosoja Brasil.

“A ministra tomou uma decisão na minha opinião completamente equivocada, ela abandonou a história dela e o apoio do setor, a partir do momento em que passou a ter um projeto pessoal à frente do ministério”, argumenta Gustavo Diniz Junqueira, presidente da Sociedade Rural Brasileira.

Em resposta às críticas, a ministra Kátia disse ao Valor Econômico que não poderia demonstrar ingratidão a Dilma “por tudo que ela fez pelo setor”. E que em sua gestão, a Agricultura “foi colocada pela presidente no primeiro escalão da Esplanada”. “Posso perder tudo, só não consigo viver com minha consciência me assombrando. Não existe liderança ou futuro sem honra (...) popularidade vai e volta, mas não conheço a palavra convardia ou deslealdada”. (Brasil Agro 03/05/2016)

 

CNA deve se opor a retorno de Kátia Abreu à presidência da entidade

A permanência de Kátia Abreu na presidência da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasi), de onde ela se licenciou antes de assumir o ministério da Agricultura, deverá sofrer oposição interna da diretoria da entidade, que está descontente com sua defesa do governo Dilma Rousseff.

"A ministra ficou do lado do governo, tomou uma posição diferente da nossa. Foi uma escolha dela e as escolhas têm custo", explicou José Mário Schreiner, vice-presidente diretor da CNA e presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás, em entrevista à Folha.

De acordo com Schreiner, enquetes internas revelaram que cerca de 98% dos produtores rurais do Brasil não querem que ela continue sendo presidente da confederação.

Perguntado se a diretoria entrará com um pedido de afastamento caso ela retorne, Schreiner lembra que "há uma questão estatutária a ser obedecida". Ele também faz a ressalva de que é necessário primeiro saber se ela têm a intenção de voltar.

"Mas eu estou representando os produtores rurais de Goiás e 98% dos produtores não querem mais ela lá", alertou.

A ministra não participou da abertura da ExpoZebu no sábado (30), em Uberaba (MG), um dos principais eventos do setor pecuário no país.

Plano Safra

Schreiner, que acumula a função de presidente da Comissão Nacional de Política Agrícola da CNA, criticou também a antecipação do Plano Safra da Agricultura Familiar 2016/2017. O programa de fomento foi anunciado na semana passada e será lançado nesta terça (3).

"Todos os anos, percorremos o Brasil todo colhendo sugestões para o próximo Plano Safra. Nesse Plano Safra, nós não fomos ouvidos. Ele não tem a nossa chancela", afirmou, acrescentando que a CNA não irá participar do lançamento.

O vice-presidente diretor da CNA classificou a iniciativa como "uma peça de gabinete", "uma peça de ficção" e "uma pirotecnia". (Folha Online 02/05/2016)