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Cosan entra no mercado da Espanha

Negócio aparentemente com menor visibilidade no grupo Cosan, em relação a açúcar, etanol e infra-estrutura, a produção e distribuição de lubrificantes automotivos e industriais quer replicar na Espanha, onde acaba de fincar bases, o desempenho que obteve no Brasil, Uruguai e Paraguai. O negócio foi concebido em 2008, com a aquisição dos ativos da ExxonMobil no Brasil.

A Cosan Lubrificantes, vice-líder no mercado brasileiro, já é dona de uma receita líquida de R$ 1,75 bilhão, obtida no ano passado. Estréia na Europa com a marca Mobil, com licença concedia pela Exxon. Começa com uma fatia pequena, de 1%, mas em um mercado com margens de venda bem mais robustas que as do Brasil e de outros países, disse ao Valor o presidente da empresa, Ricardo Mussa.

A empresa já tinha presença na Europa, desde 2012, com a compra da marca Comma, fabricante de lubrificantes que são distribuídos nos continentes europeu e asiático. Essa unidade tem uma fábrica em Kent, na Inglaterra, além de operações na Irlanda.

No Brasil, a Cosan Lubrificantes, com a Mobil, fechou o primeiro trimestre com 17,7%% de participação, segundo dados do Sindicom, entidade que reúne as distribuidoras de combustíveis. Em 2010, sua fatia era de 11,5%.

A líder brasileira é a dona do Lubrax, a BR Distribuidora (Petrobras), com 25,3%, conforme o Sindicom. A Cosan disputa mercado ainda com a Ipiranga (grupo Ultra), (15,5%), seguida um pouco mais longe por Texaco (10%), Petronas (9,8%) e Shell (8,6%). As seis empresas dominam 87% das vendas no país.

O foco da Cosan, com a Mobil, é o segmento de lubrificante sintético, óleo considerado premium, com margem de rentabilidade equivalente a quatro vezes à do óleo mineral, ressalta o executivo. "Fomos a única marca premium que cresceu no Brasil nos últimos cinco anos", assegura Mussa.

As aplicações de lubrificantes vão de aviação, carros, motos, caminhões a máquinas industriais, navios e outras embarcações marinhas. São três tipos de óleos: mineral, semi-sintético e sintético.

Segundo Mussa, a grande aposta da empresa é na migração de tipos de produtos, no Brasil, a maior parte ainda é o mineral. Apenas 6% são sintéticos e 10% semi-sintético. "Isso está mudando com maior uso de produtos premium no veículos que saem de fábrica", afirma o executivo, formado engenheiro de produção e que está no grupo Cosan desde 2007.

Ele informa que, dos novos veículos, 58% já saem de fabrica com lubrificante sintético (ante 20% da frota atual). Com semi-sintético, 37%. Já com aplicação do mineral, 5%, contra 54% da frota.

Apesar da queda de 6% do mercado nacional em 2015, a Cosan informa que cresceu 2,5% em relação a igual trimestre do ano passado. "O Mobil está presente em 45% dos carros que saem de fábrica no Brasil, 39% dos caminhões e 84% das motos (semi-sintético)", assegura o executivo.

O investimento na Espanha, sem custo de licenciamento da marca, será em armazéns, estoque e capital de giro. Baseada em Madri, receberá produto local e de outros países, como França. "Foi nosso trabalho, que revigorou a marca Mobil e ampliou sua participação de mercado no Brasil, que levou a Exxon a nos conceder o uso na Espanha", afirma.

Na nova operação, Mussa conta neste início, com um staff de pouco mais de 30 pessoas, sendo seis brasileiros. "Nosso plano é elevar nossa participação na Espanha, solidificar o negócio e só depois mirar outras oportunidades na Europa, onde os mercados são maduros, mas as margens são bem maiores", disse o executivo.

O mercado espanhol de lubrificantes representa um terço do tamanho do brasileiro, que está entre os cinco maiores mundiais.

No Brasil, a Cosan tem unidade fabril na Ilha do Governador (RJ), montada pela Standard Oil em 1894. Com a vantagem logística de ser um grande importador de óleos básicos. Atualmente, a empresa tem capacidade para 2 milhões de barris/ano de lubrificantes e outros produtos químicos. Ao todo, empresa 600 funcionários. (Valor Econômico 06/05/2016)

 

Usina de cana deve aproveitar para quitar dívidas

Previsão de safra recorde e bons preços para açúcar e etanol devem ajudar na recuperação do setor sucroenergético.

A safra de cana-de-açúcar 2016/2017 será ideal para as usinas colocarem a casa em ordem e quitar as dívidas acumuladas. É a avaliação da JOB Economia e Planejamento. A consultoria estima a moagem para este ano em torno de 640 milhões de toneladas, um recorde para o setor. Os preços do açúcar e do etanol tornam o cenário otimista.

“Estamos em um momento de bom volume e bons preços, um cenário atípico. Nossa recomendação é para que as usinas aproveitem o momento e arrumem a casa”, analisa o sócio-diretor da JOB, Julio Maria Borges, que acredita que 2016 pode ser o início da retomada para o setor.

O analista aponta também que o viés desta safra é açucareiro e o desafio será vender bem, pois a demanda existe e é grande. Mesmo com as chuvas abaixo do esperado em abril, a tendência é que não exista grande prejuízo para a safra. Para ele, esta é a oportunidade para o setor conseguir sair dos endividamentos, já que as condições de mercado da próxima safra ainda são incertas. (Canal Rural 05/05/2016)

 

Açúcar: Realização de lucros

Os preços do açúcar tombaram ontem na bolsa de Nova York refletindo vendas de posições dos fundos, que desviaram a atenção dos fundamentos e dos fatores macroeconômicos para tentar embolsar os ganhos recentes.

Os lotes do açúcar demerara para entrega em outubro fecharam com recuo de 74 pontos, a 16,16 centavos de dólar a libra-peso. Recentemente, os fundos acumularam uma posição líquida vendida bastante elevada, o que deixou o mercado vulnerável para correções técnicas como a de ontem.

Os analistas ainda afirmam, porém, que o mercado pode encontrar mais sustentação diante da quebra de safra na Índia, que pode voltar a importar açúcar.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal caiu 0,03%, para R$ 75,13 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 06/05/2016)

 

O canavial já não “vive” mais sem a agricultura de precisão

Parece que o produtor de cana não consegue mais viver sem os benefícios proporcionados pela agricultura de precisão. “Especificamente para a cultura da cana-de-açúcar, a adoção de tecnologias é necessária para atingir a tão esperada produtividade de três dígitos. Tecnologias como piloto automático (tráfego controlado), uso racional de insumos e ferramentas para assertividade de controle de pragas e doenças ajudam muito o setor canavieiro”, diz Alessandra Barreto, gerente de projetos da Coopercitrus.

Este tema é abordado com profundidade na reportagem de capa da edição de Maio da Revista Cana Online. Um dos especialistas ouvidos para a matéria é Igor Pizzo, gerente agrônomo da Coplana. Ele enumera inúmeros benefícios possibilitados pela agricultura de precisão em cana-de-açúcar. Muitas vezes, a quantidade necessária de um determinado insumo pode ser diferente dentro de um mesmo talhão, ou seja, sem essa tecnologia se utiliza uma dose padrão. “Entretanto, um local pode precisar menos e outro mais. Uma das funções dessa técnica é reduzir insumo onde está sobrando e aumentar onde está faltando.”
As principais aplicações hoje estão no uso do piloto automático, que possibilita o plantio com espaçamento entre linhas preciso e exatidão na quantidade de metros lineares da cultura por hectare. “Isso, por si só gera ganhos comprovados de produtividade. AP também possibilita o correto deslocamento das máquinas nas operações subsequentes, que, utilizando o piloto automático, não trafegam sobre as linhas da cultura, o que preserva as soqueiras e reflete em longevidade do canavial.”

Segundo ele, outros grandes benefícios observados com o uso do piloto automático estão relacionados à redução da sobreposição de faixas, o que, em operações de maior custo, gera economias significativas, e também menor perda na colheita mecanizada, com o uso deste recurso nas colhedoras.

“A aplicação de fertilizantes, corretivos de solo e herbicidas em taxa variável é outra técnica utilizada, pois aplica os insumos na quantidade adequada em cada ponto da lavoura, melhorando o retorno de insumo utilizado”, sublinha Pizzo.

Para saber mais sobre a agricultura de precisão em cana-de-açúcar e por que o canavial brasileiro está cada vez mais high tech, confira a edição de maio da Revista Canaonline.

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Genes-alvos para o melhoramento da cana-energia são identificados

Pesquisadores brasileiros identificam genes associados ao metabolismo da parede celular da variedade voltada à produção de etanol celulósico.

O desenvolvimento de uma variedade de cana-de-açúcar com menor teor de sacarose (açúcar) e maior quantidade de fibra e de matéria orgânica vegetal (biomassa), a chamada cana-energia, voltada à produção de etanol celulósico ou bioeletricidade, ou com maior teor de sacarose, direcionada à produção de açúcar e de etanol de primeira geração, pode estar próximo de se tornar realidade.

Pesquisadores dos Institutos de Química (IQ) e de Biociências (IB) da Universidade de São Paulo (USP), em colaboração com colegas dos Departamentos de Biologia Vegetal e de Fitotecnia da Universidade Federal de Viçosa (UFV), de Minas Gerais, do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) do Bioetanol, identificaram genes associados à produção de compostos químicos (biossíntese) da parede celular da cana-de-açúcar. Entre eles a lignina, que é importante para a produção de bioeletricidade por ter alto poder calorífico.

Resultado de um Projeto Temático financiado pela Fapesp, no âmbito do Programa Pesquisa em Bioenergia (BIOEN), e de um acordo de cooperação com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), o estudo foi publicado como artigo de capa da edição de maio da revista Plant Molecular Biology.

O estudo também faz parte de um estudo de pós-doutorado, realizado com Bolsa da Fapesp.

“Nossas descobertas abrem caminho para a identificação de vias bioquímicas importantes que podem ajudar a desenvolver novas variedades de cana ou de plantas transgênicas úteis para a produção de bioetanol e de novos materiais em biorrefinarias”, disse Glaucia Mendes Souza, professora do IQ-USP e coordenadora do projeto, à Agência Fapesp.

Os pesquisadores realizaram uma análise da expressão de genes (transcriptoma) de três espécies ancestrais da cana, a Saccharum officinarum, a S. spontaneum e a S. robustum, usadas nos programas de melhoramento para gerar cultivares, e de uma variedade comercial da planta, a RB867515.

Com base nessa análise de transcriptoma das plantas eles construíram, pela primeira vez, redes de genes que poderiam ser alteradas para melhorar características de interesse na cana, como a produção de sacarose e de fibra na parede celular da planta.

As análises das redes genéticas resultaram na identificação de 18 genes chamados fatores de transcrição, que codificam proteínas que ativam ou inativam a expressão de outros genes, que podem ser reguladores-chave da biossíntese da parede celular da cana-de-açúcar.

Um desses genes, denominado ScMYB52, foi apontado como um bom candidato para estudos posteriores.

“Conseguimos identificar genes que estão relacionados com pontos-chave de regulação do metabolismo da parede celular da cana. Agora já temos alvos para fazer análises mais aplicadas e verificar se, ao focar nesses genes, é possível alterar a composição de fibras e de sacarose da planta”, disse Souza, membro da coordenação do BIOEN.

Partição do carbono

Os resultados do estudo permitem aumentar a compreensão do funcionamento da partição de carbono na cana – como a planta distribui o carbono absorvido da atmosfera e fixado quimicamente na forma de carboidratos. E, com base nisso, direcioná-lo para a produção de moléculas de interesse, como sacarose, fibra e lignina.

Hoje se sabe que, depois de absorvido da atmosfera, o carbono é utilizado para a produção de moléculas mais complexas na planta, como a sacarose e a celulose, que podem ser convertidas em energia quando quebradas em processos de combustão ou oxidação.

Um terço do carbono dos cultivares modernos de cana está estocado na forma de sacarose. Os outros dois terços estão embutidos na biomassa da cana, distribuídos nas fibras do colmo e da palha da planta.

“Isso não foi sempre assim. Nos ancestrais da cana-de-açúcar temos genótipos com uma relação maior de fibra em relação à sacarose”, explicou Souza.

A fim de desenvolver variedades com maior teor de sacarose, voltadas a aumentar a produção de açúcar ou de etanol, produzido por meio da fermentação do caldo da cana, ou com maior teor de fibra e de biomassa, para produção de etanol celulósico, os programas de melhoramento genético de cana vêm selecionando e cruzando há séculos espécies ancestrais e cultivares da gramínea.

Essa estratégia, contudo, pode estar se esgotando, apontou Souza. “Os programas de melhoramento da cana estão chegando a um limite e não estão conseguindo aumentar muito mais a quantidade de sacarose, por exemplo, da planta”, afirmou.

Por meio de estudos como o que estão realizando será possível os programas de melhoramento da cana utilizarem ferramentas de biologia molecular para realizar melhoramento guiado, aumentando a expressão de genes relacionados a características como o aumento do teor de fibra, sacarose e biomassa, inserindo mais cópias deles no genoma de variedades da planta, ou alterando a expressão deles –, apontou Souza.

“Por meio desses fatores de transcrição que identificamos poderemos analisar se é possível aumentar ou diminuir os teores de fibra, sacarose e de compostos químicos produzidos pela cana, como a lignina, que é muito importante para a produção de bioeletricidade, por exemplo, porque tem um alto poder calorífico”, afirmou.

“A ideia, no futuro, é direcionar pela planta a produção de compostos de interesse comercial, sem competir com a produção de sacarose e de fibras, por exemplo”, apontou.

Os pesquisadores também identificaram no mesmo estudo que o acúmulo de sacarose na cana pode ser controlado epigeneticamente, por mudanças hereditárias na expressão dos genes que independem de alterações na sequência primária do DNA da planta. (Agência FAPESP 05/05/2016)

 

Próximo relatório da UNICA deve mostrar moagem em ritmo acelerado, afirma FCStone

O acompanhamento de safra referente à primeira metade de abril surpreendeu, mostrando moagem superior à máxima já registrada na quinzena.

Considerando que o aumento do número de usinas em operação deve ser suficiente para incrementar a moagem ainda mais, a INTL FCStone estima que o processamento de cana referente à segunda quinzena de abril deve ficar em 36,3 milhões de toneladas, 10,5% acima da quinzena anterior e 33,8% acima do mesmo período na safra passada.

“O clima na segunda quinzena não foi tão propício para as atividades de colheita, mas as chuvas levaram a paradas de, no máximo, dois dias, sendo que em algumas regiões a precipitação não foi suficiente para paralisar as atividades de moagem”, explica o Analista de Mercado da INTL FCStone, João Paulo Botelho.

Mesmo com as chuvas, o ATR médio também vem seguindo a sazonalidade esperada na maioria das usinas e deve se concentrar, podendo alcançar 118 Kg/t. Esta melhora na qualidade da matéria-prima pode ajudar o mixaçucareiro a aumentar ainda mais, levando a consultoria a estima-lo em 42%.

Ainda segundo relatório divulgado, a INTL FCStone estima produção de 1,7 milhões de toneladas, 62,8% acima de 2015/16. Já para a produção de etanol, é esperada uma divisão em 978,7 milhões de litros de hidratado e 482,3 milhões de litros de anidro.

Resumo

Moagem: 36,3 MT

ATR: 118 Kg/t

Mix: 42%

Açúcar: 1,71 MT

Hidratado: 979 Mm³

Anidro: 482 Mm³. (FCStone 06/05/2016)

 

Fila de navios para embarque de açúcar cai de 37 para 36 na semana, diz Williams Brazil

O total de navios que aguardam para embarcar açúcar nos portos brasileiros caiu de 37 para 36 na semana encerrada na quarta-feira, 4, segundo levantamento da agência marítima Williams Brazil. O relatório considera embarcações já ancoradas, aquelas que estão ao largo esperando atracação e também as que devem chegar até o dia 28 de maio.

Foi agendado o carregamento de 1,531 milhão de toneladas de açúcar. A maior quantidade será embarcada no Porto de Santos (SP), de onde sairão 1,227 milhão de t, ou 80% do total. Paranaguá responderá por 16% (243,80 mil t); e Maceió, por 4% (60,753 mil t). No terminal da Copersucar, em Santos, estão agendadas 343,012 mil toneladas. No da Rumo, são 884,061 mil t.

A maior parte do açúcar a ser embarcado é da variedade VHP, açúcar bruto de alta polarização, com 1,426 milhão de toneladas. Outras 80 mil toneladas são de cristal B-150 e outras 25 mil toneladas de A-45, ambos carregados ensacados. (Agência Estado 0505/2016)