Setor sucroenergético

Notícias

Raízen e Copersucar interessadas na CanaVialis

A Raízen e a Copersucar têm interesse em ativos da CanaVialis, empresa de pesquisa desativada pela Monsanto.

No pacote, equipamentos e patentes na área de biotecnologia.

A Copersucar nega a negociação. Já a Raízen não fala sobre o assunto. (Jornal Relatório Reservado 06/05/2016)

 

Cofco quer ressuscitar os canaviais do Rio

A chinesa Cofco parece disposta a ressuscitar um Lázaro da indústria sucroalcooleira no Brasil.

O grupo estaria negociando a compra das três usinas de açúcar e álcool da família Bezerra de Mello, leia-se Grupo Othon em Campos, no Norte do Rio de Janeiro.

Trata-se de uma investida de elevado risco.

As unidades são obsoletas, deficitárias e ainda carregam um elevado passivo, notadamente de ordem trabalhista.

Os planos da Cofco vão além das usinas dos Bezerra de Mello.

Os chineses estariam dispostos a revitalizar a indústria sucroalcooleira da região, um dos maiores polos produtores de açúcar e álcool do país nos anos 80.

Além da aposta de risco, outro fato chama a atenção na investida dos asiáticos.

A Cofco já tem uma experiência não muito positiva em etanol no Brasil.

É sócia da Noble Agri, uma destilaria de prejuízos. (Jornal Relatório Reservado 09/05/2016)

 

Trator financeiro

A fabricante de máquinas agrícolas John Deere busca um sócio para a sua operação financeira no Brasil. (Jornal Relatório Reservado 09/05/2016)

 

Açúcar: Realização de lucros

Uma nova rodada de realização de lucros voltou a pressionar a cotações do açúcar na sexta-feira na bolsa de Nova York.

Os contratos do açúcar demerara com vencimento em outubro fecharam com queda de 7 pontos, negociados a 16,09 centavos de dólar a libra-peso.

Os fundos buscam sair de suas posições altamente compradas depois que um forte ataque especulativo descolou os preços internacionais do mercado físico do Brasil.

O açúcar negociado no porto de Santos é negociado com desconto de 35 pontos, um valor que vem subindo nos últimos dias, em consequência da demanda ainda fraca e pelo aumento da oferta a partir do Centro-Sul.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo registrou alta de 0,25%, para R$ 75,32 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 09/05/2016)

 

Demitidos da Dedini fazem ato para cobrar R$ 15,8 milhões em rescisões

Valor é da venda de terrenos da empresa; Justiça Federal decide destino. Sindicato quer o dinheiro para pagar ex-funcionários e não dívidas fiscais.

Funcionários demitidos da metalúrgica Dedini Indústria de Base S/A, em Piracicaba (SP), realizaram um protesto, na manhã desta sexta-feira (6), para que a Justiça Federal determine o pagamento de R$ 15,8 milhões, obtidos com a venda de imóveis da empresa, para a rescisão dos trabalhadores. O ato começou às 9h na sede do órgão, no bairro Vila Rezende, e depois os manifestantes seguiram para o prédio onde mora um dos proprietários da companhia.

De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba, o objetivo da manifestação é cobrar agilidade da Justiça Federal para que o órgão defina qual será a destinação do valor da venda dos terrenos da empresa. A intenção dos funcionários é que os R$ 15,8 milhões sejam usados apenas para as verbas rescisórias dos demitidos e não para pagar as dívidas fiscais da companhia.

Durante a passeata, cerca de 200 ex-funcionários fecharam ruas e avenidas do bairro Vila Rezende até chegar ao prédio do dono da indústria. O trânsito ficou carregado no local. A Polícia Militar acompanhou o protesto junto com o helicóptero Águia. Até a publicação, não haviam informações sobre negociação entre os manifestantes e o proprietário da Dedini.

Ainda de acordo com o sindicato, a empresa demitiu 1,6 mil funcionários nos últimos dois anos em Piracicaba e Sertãozinho (SP). Todos os trabalhadores estão sem receber os direitos trabalhistas. A dívida total da Dedini, entre trabalhista e fiscal, é de aproximadamente R$ 32 milhões, de acordo com a entidade. A companhia não se manifestou sobre o assunto até a publicação da reportagem.

Venda de terrenos

No dia 11 de novembro de 2015, terrenos da Dedini que eram utilizados como estacionamento do Shopping Piracicaba foram vendidos por R$ 15,8 milhões, em meio a uma ação de execução fiscal federal contra a metalúrgica. No entanto, dias depois, o valor foi bloqueado pela Justiça de Piracicaba para que fosse avaliado qual instância judicial deveria decidir o destino do dinheiro.

Aproveitando a "brecha", no dia 17 de dezembro, o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Piracicaba e Região solicitou ao juiz Marcos Douglas Veloso Balbino da Silva, da 2ª Vara Cível do município, que o recurso fosse destinado ao pagamento dos cerca de 500 trabalhadores dispensados em agosto do ano passado pela Dedini.

Antes mesmo de Silva tomar a decisão, o Ministério Público (MP) opinou favorável à solicitação. Já a Fazenda Nacional da União afirmou que o dinheiro deveria ser destinado ao pagamento de débitos fiscais. Com o impasse, a Justiça Federal informou, na ocasião, que a decisão não tem prazo para acontecer. O G1 procurou o órgão, mas não obteve retorno.

Demissões e recuperação judicial

Entre janeiro e fevereiro, a indústria demitiu 40 trabalhadores na unidade de Piracicaba. No inicio de dezembro do ano passado, mais 200 trabalhadores do município e de Sertãozinho foram dispensados.

Em agosto de 2015, a Dedini já havia demitido cerca de 650 funcionários nas unidades de Piracicaba (SP) e Sertãozinho. No mesmo mês, a empresa entrou com pedido de recuperação judicial para tentar evitar a falência, e recebeu prazo para retomar a saúde financeira dos negócios. (G1 07/05/2016)

 

Açúcar: Dupla personalidade – Por Arnaldo Luiz Corrêa Açúcar

Como comentávamos a semana passada o mercado estava próximo de uma acareação entre o Dr. Jekyll do longo prazo e o Mr. Hyde do curto prazo, o primeiro mostrando um lado altista que se contrapunha ao cenário baixista do curto prazo. Um estranho caso de múltipla personalidade como o dos personagens de Robert Louis Stevenson acima citados.

O começo de safra de cana bastante vigoroso no Centro-Sul cria uma expectativa no mercado de que tudo está bem e continuará assim para todo o sempre. Os fundos foram construindo uma imensa posição comprada que chegou ao recorde de 234,000 lotes, segundo os dados divulgados pelo CFTC com base na posição em aberto da última terça-feira, e devem ter liquidado parte delas no colapso de quinta-feira.

O mercado futuro acabou encerrando a semana com o vencimento julho/2016 cotado a 15.74 centavos de dólar por libra-peso, uma queda de 58 pontos em relação ao fechamento da semana anterior, ou aproximadamente 12.75 dólares por tonelada. Todos os meses fecharam com variação negativa pesando mais os vencimentos mais curtos, que tiveram quedas entre 8 e 11 dólares por tonelada enquanto os vencimentos mais longos (maio de 2017 em diante) tiveram quedas entre 4 e 6 dólares por tonelada.

Foi uma semana de muita oscilação, com um intervalo de 125 pontos entre a mínima e a máxima e o prêmio das opções refletindo uma volatilidade maior em relação à semana anterior em cerca de 1.6%. Ou seja, os participantes do mercado pagam mais para se proteger porque percebem um risco maior de oscilação nas cotações. Foi a maior oscilação numa semana desde a liquidação dos fundos no final de fevereiro passado quando o mercado teve um intervalo de preços de 199 pontos.

Para quem usa opções como substituição ao hedge com futuros de maneira adequada (usando o delta hedging e observando e controlando as gregas), tem a oportunidade de embolsar uma bela porção dos 15 dólares por tonelada de valor tempo que estão “disponíveis” nas opções no dinheiro (aquelas cujo preço de exercício é próximo ao mercado) para o vencimento julho/2016. É muito dinheiro para ser ignorado pelos gestores de risco. O que sempre ouço nas empresas é que “ah, opções é muito arriscado”, “controlar derivativos é muito complicado”, ou “ah isso traz um problema para a controladoria”, e outras razões. Realmente, ganhar dinheiro com disciplina dá muito trabalho. Perder com operações mal estruturadas é muito mais fácil.

Mesmo com a queda de preços na semana em quase 13 dólares por tonelada, o fechamento em reais teve uma queda pequena: R$ 1,265 por tonelada contra R$ 1,275 na semana passada. São esses detalhes que fazem diferença na trajetória de preços.

Será que o mercado se recupera na próxima semana? Bem, os fundos estão muito comprados e nunca se sabe em que momento (nível) as vendas acionadas por sistemas de computador podem entrar em cena e fazer com o mercado. Acredito que apenas fatores exógenos ao açúcar podem contribuir para a queda de preços. Por exemplo, uma eventual queda do barril do petróleo que prejudica a arbitragem do etanol internamente. É muito importante lembrar que o novo governo – que deve assumir na sexta-feira após o Senado afastar a presidente Dilma – tentará manter o real mais desvalorizado para aumentar as exportações e isso pode trazer pressão para o açúcar. Uma taxa de 3.6500-3.7000 mantendo os valores em reais por tonelada constantes (R$ 1,250) pode derrubar o mercado em NY mais 100 pontos (para 14.80 centavos de dólar por libra-peso, aproximadamente). Esta é a maior bandeira baixista tremulando no campo de jogo.

No entanto, quedas acentuadas próximas desse nível (14.80) seriam uma excelente oportunidade de compra visando o segundo semestre, ou mais conservadoramente, o último trimestre de 2016, pois até lá teremos um quadro mais realista da disponibilidade de açúcar no mundo.

Nos últimos doze meses a moeda brasileira se desvalorizou 14% em relação ao dólar. Tailândia e Índia tiveram desvalorização frente à moeda americana de 7% e 5% respectivamente. Portanto o custo de produção do Brasil (Centro-Sul) continua sendo muito menor do que seus competidores diretos. Na Tailândia, nossa estimativa de custo na usina é de 15.43 centavos de dólar por libra-peso enquanto na Índia é de 25,53 centavos de dólar por libra-peso. No Centro-Sul do Brasil, o custo na usina, pelos cálculos da Archer é de R$ 51,59 por saca, pelos menos 270 pontos mais barato do que na Tailândia.

O Brasil vai começar a parar de piorar a partir da próxima semana. Não é muito, mas é o que temos para hoje. Livrar-se de Dilma, de Lula e do PT já é um grande alento. Muito precisará ser feito ainda para que o país seja colocado de volta nos trilhos do desenvolvimento, da ética e dos valores perdidos ao longo de 13 anos de governo dessa súcia. Ainda tem muito bandido no Congresso Nacional e a faxina apenas começou. Lula, finalmente denunciado pelo Procurador Geral da República, como o chefe da quadrilha que junto com vários políticos, empresas e empreiteiras saqueou o Brasil com seu projeto de poder, acabou. Podem escrever o seu obituário. Aguardemos o grande momento de júbilo nacional quando assistirmos esse grande farsante ser conduzido para atrás das grades juntamente com todos da sua corriola infame. Haja cadeia para tanto bandido.

Caso você queira receber nossos comentários semanais de açúcar diretamente no seu e-mail basta cadastrar-se no nosso site acessando o link http://archerconsulting.com.br/cadastro/ (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)