Setor sucroenergético

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Açúcar: No azul

Movimentos técnicos impulsionaram os preços do açúcar demerara ontem na bolsa de Nova York.

Os contratos do produto para entrega em outubro subiram 17 pontos e fecharam cotados a 16,26 centavos de dólar a libra-peso.

O movimento ignorou uma nova projeção para a produção do Centro-Sul do Brasil.

A consultoria Datagro estimou que a região produzirá nesta safra (2016/17) 35,2 milhões de toneladas de açúcar, um aumento de 12% em relação à produção do ciclo passado, que somou 31,38 milhões de toneladas.

O volume também é maior do que a projeção anterior divulgada pela consultoria, que era de 33,8 milhões de toneladas.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo teve alta de 0,24%, para R$ 75,50 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 10/05/2016)

 

Triângulo Mineiro, o lugar da cana

Não à toa que o Triângulo Mineiro foi a região escolhida pela Associação das Indústrias Sucroenergética de Minas Gerais (Siamig) para sediar o primeiro evento de lançamento da safra 2016/2017, de cana-de-açúcar do estado. Das 36 usinas de Minas, 21 estão no Triângulo. Na safra passada, a região respondeu por 72% da produção de cana do estado, 78% do açúcar e 68% do etanol. A fazenda Santa Vitória, de propriedade da Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA), localizada no município de Uberaba, o maior produtor de cana do Brasil, foi a sede do evento. O grupo é o dono da Usina Vale do Tijuco, que está operando em sua capacidade quase total. A região também abriga as maiores e mais modernas usinas.

Minas Gerais é o segundo maior estado produtor de açúcar, o terceiro em cana e etanol e ocupa a segunda colocação no consumo de etanol. “Isso foi possível por causa da redução da alíquota de ICMS que incide sobre o etanol, em março de 2015, de 19% para 14%. O aumento do consumo foi de 140% porque deixou o preço do etanol produzido em Minas mais competitivo”, diz o presidente da Siamig, Mário Campos. De acordo com ele, a safra 2016/2017 deverá ser recorde na produção de etanol. Na passada, o estado moeu 65 milhões de toneladas de cana, a maior de sua história. Nos últimos 10 anos, a produção subiu de 30 milhões para 60 milhões de toneladas. Neste mesmo período, foram abertas 23 novas usinas no estado, o que triplicou sua capacidade de produção. “Isso levou o desenvolvimento para os pequenos e médios municípios mineiros.”

O estado também ganhou em produtividade nos últimos tempos, subindo da média de 74 toneladas/hectare na safra 2014/2015 para 80,03 toneladas/hectare na safra seguinte. Para a safra 2016/2017, deve ter ligeiro aumento para 80,6 toneladas/hectare em função do aumento da sucralose na cana, que é beneficiada pelo clima que deverá ser mais seco no momento da colheita. Minas tem 903 mil hectares de cultivo de cana em 130 municípios, sendo que 28 deles abrigam plantas industriais. Boa parte delas utiliza 100% de colheita mecanizada. Isso somente não ocorre nas áreas onde a topografia não favorece o uso de máquinas. “Apenas entre 2% a 3% da área plantada não é feita a colheita mecânica”, informa o presidente da Siamig.

A produção das usinas mineiras é bastante variável. A menor processa 200 mil toneladas de cana por ano, enquanto a maior chega a 5 milhões por safra. “A menor empresa gera, no mínimo, 500 empregos diretos e hoje, essas são vagas de qualidade”, destaca Mário Campos. Além do etanol, essas indústrias também são responsáveis pela produção de açúcar e de bioeletricidade. Minas produz 20 mil gigawatts/hora/ano. No caso da Usina Vale do Tijuco, por exemplo, são gerados 250 mil megawatts/hora/ano. “Energia suficiente para abastecer Uberaba”, garante o presidente do conselho de administração da CMAA, José Francisco de Fátima Santos. Sessenta por cento da produção da Vale do Tijuco são de açúcar e os outros 40%, de etanol. Setenta por cento do açúcar produzido em Minas são exportados, por meio de tradings, principalmente para a Ásia, África e Oriente Médio, tendo a China como maior comprador. E a boa notícia para os produtores é que o preço do açúcar no mercado externo está bem valorizado porque a estimativa é de que o mundo produza menos açúcar do que a sua demanda atual. Minas deve chegar a 3,5 milhões de toneladas de açúcar nesta safra.

No caso do etanol, o presidente da Siamig lembra que a produção de Minas é adequada ao consumo do estado, que este ano deve ser bem parecido com 2015. O preço do etanol em relação à gasolina em Belo Horizonte, Uberlândia e Uberaba, é de 65%, no momento, segundo Mário Campos. Ele destaca que o acordo de Paris – resultado da 21ª Conferência Mundial sobre o Clima, assinado recentemente na sede da Organização das Nações Unidas, em Nova Iorque, que prevê a descarbonização da economia global deverá impulsionar a produção de etanol, por ser combustível renovável. “O governo quer aumentar de 30 bilhões para 50 bilhões de litros o consumo de etanol no Brasil até 2030. Para chegarmos a isso, serão necessários muitos investimentos em pesquisa e tecnologia”, diz Mário Campos.

Em outras palavras, seria necessário quase dobrar a produção de cana. “O Brasil levou 500 anos para chegar a 680 milhões de toneladas de cana por ano e terá apenas 15 anos para aumentar essa produção em mais 300 milhões de toneladas. Isso é um desafio para as empresas e para o governo, que precisará definir políticas públicas que não atrapalhem o desenvolvimento do setor”, afirma o presidente da Siamig. Para isso, o país precisaria sair da produção dos atuais 7,2 mil litros de etanol por hectare para 13 mil litros. Se o acordo de Paris realmente vingar, mercado não faltará para o etanol. E o meio ambiente também agradece.

Estimativa da safra 2016/2017 para MG:

Cana: 65,5 milhões de toneladas

Açúcar: 3,5 milhões de toneladas

Etanol anidro (m³): 1,040 bilhão

Etanol hidratado (m³): 2,040 bilhões (Revista Viver Bem, Edição nº 174

 

Datagro estima produção de açúcar 2016/17 do centro-sul do Brasil em 35,2 mi t

O centro-sul, principal cinturão produtor de cana do Brasil, deve produzir 35,2 milhões de toneladas de açúcar em 2016/17, com alta ante estimativa de 31,38 milhões de toneladas em 2015/16, apoiado por condições climáticas mais favoráveis que na última temporada, disse a consultoria Datagro nesta segunda-feira.

A consultoria havia estimado no mês passado que a produção da safra 2016/17 no centro-sul chegaria a 33,8 milhões de toneladas.

Uma quantidade menor de chuvas na comparação com a última temporada ajudou a colheita da safra 2016/17 a ter um bom começo, disse o presidente da Datagro, Plinio Nastari, em apresentação em evento do setor em Paris.

A produção total de açúcar do Brasil deve subir para 38,1 milhões de toneladas em 2016/17, o que é quase um recorde, ele disse.

Os preços mais altos do açúcar também sustentaram a produção e devem inclinar mais a safra de cana em direção ao açúcar, em vez do mercado de etanol, revertendo a tendência dos últimos anos, disse Nastari.

A Datagro estimou que a parcela da cana destinada à produção de açúcar deverá subir para 44,4 por cento em 2016/17, ante 40,9 por cento, enquanto o etanol deverá recuar para 55,6 por cento, ante 59,1 por cento. (Reuters 09/05/2016)

 

Preço da gasolina em alta ressuscita o gás natural no Brasil

O aumento dos preços dos combustíveis provocou uma nova onda de procura pelo gás natural veicular (GNV), mais barato que gasolina e etanol, mas que andava desacreditado desde meados dos anos 2000.

Em São Paulo, o número de conversões de veículos saltou de 1.137 no primeiro quadrimestre de 2015 para 2.340 no mesmo período de 2016.

Executivos do setor dizem que a queda do poder de compra da população, aliada aos reajustes da gasolina em 2015, justificam o interesse.

"Esse é um mercado que se sai melhor na crise", diz Jorge Mathuiy, diretor comercial da MAT SA, única fabricante de cilindros de GNV no país.

Com o crescimento da demanda, a empresa dará início em junho ao terceiro turno de produção em sua fábrica de Campinas, projeto que demandou a contratação de 15 novos trabalhadores.

SETE VACAS MAGRAS

O setor amargou sete anos de ostracismo desde que o governo decidiu, em 2007, eliminar os incentivos ao uso de gás em veículos para priorizar a indústria e a geração de energia. Na época, o Brasil temia cortes no fornecimento após a nacionalização das reservas da Bolívia, então o maior fornecedor do país.

A partir de outubro de 2015, porém, o número de conversões voltou a crescer. A data coincide com o último reajuste no preço da gasolina.

Segundo estimativas da associação das distribuidoras de gás canalizado (Abegás), o custo por quilômetro rodado com GNV equivale hoje, em São Paulo, a cerca de metade do valor pago por outro combustível.

No Rio, a vantagem é maior: o km rodado com GNV está 63% mais barato do que com etanol e 57% mais barato do que a gasolina.

"Com a crise econômica, as pessoas estão mais criteriosas com seus gastos. Se antes apenas táxis optavam pelo GNV, há hoje muitos carros particulares", diz o gerente de marketing da Comgás Ricardo Vallejo.

Ele estima que São Paulo tenha cerca de 100 mil automóveis com equipamentos para uso de GNV, sendo que 10% são táxis. No Rio, principal mercado para o setor, são 1 milhão de veículos.

O combustível é mais usado por motoristas que percorrem grandes distâncias, diante do alto custo da instalação do kit para uso do GNV (entre R$ 4 mil e R$ 5 mil).

Um consumidor que percorre mil quilômetros por mês –pouco mais de 30 por dia– levaria 20 meses para recuperar o investimento.

MOVENDO A CADEIA

Embora em crescimento, o ritmo de novas conversões ainda não garante a volta aos tempos áureos. A Comgás, que vende hoje cerca de 600 mil de m³/dia para o setor automotivo, chegou a vender 1,5 milhão de m³/dia em 2006.

Mas já movimentar os prestadores de serviço. "Estávamos com 15 conversões por mês. Agora, são 45", diz Teresa Signori, gerente da System Gas, oficina em São Bernardo do Campo que contratou um técnico e um auxiliar para reforçar a equipe de três técnicos de instalação.

A vantagem do gás, porém, tende a ficar menor nos próximos meses, com o início da safra de etanol, que reduzirá os preços. Mas o excesso de oferta de gás natural pode manter a competitividade do combustível por mais tempo.

O preço do gás começou a baixar –no Rio, caiu 5% em maio e está em revisão em SP. (Folha de São Paulo 10/05/2016)