Setor sucroenergético

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Usina em recuperação judicial deve voltar a moer no segundo semestre

A usina de cana-de-açúcar Usinavi (Usina Naviraí), localizada na cidade de Naviraí (MS), deverá voltar a moer no segundo semestre. Parada, a unidade integra o grupo de 5 usinas da Infinity Bio Energy, empresa sucroenergética em recuperação judicial e cujo controle acionário é do Grupo Bertin, de Lins (SP), com 70% das ações.

Para retomar a produção, no entanto, a Usinavi é cercada de pontos de interrogação. O Portal JornalCana lista a seguir informações a respeito dessa unidade, a maior entre as controladas pela Infinity.

1 – Por que a Usinavi deverá voltar a moer cana?

Devido ao juizado da terceira região do Tribunal Regional Federal (TRF 3, para SP/MS), em São Paulo. As informações são de que a recuperação judicial seria refeita, o que permite o retorno do processamento de cana-de-açúcar pela unidade sucroenergética.

2 – O que é preciso para a usina voltar à ativa?

A nova peça jurídica, sobre a recuperação judicial da Infinity, precisa ser homologada pelo juizado do TRF 3. O Portal Jornal Cana apurou que essa homologação deverá ocorrer ainda neste mês de maio.

3 – Quem assumiria as operações da usina de Naviraí?

A gestão caberia à multinacional americana Cargill, que diretamente já controla a usina Cevasa, em Patrocínio Paulista (SP). E também é sócia da USJ na SJC Bioenergia, com duas unidades no estado de Goiás, e em uma delas desde dezembro de 2015 produz etanol de cana-de-açúcar e de milho. A Cargill possui também o controle da Black River, dona da Pro-Terra, que comprou duas usinas do Grupo Ruette, no interior paulista. O fornecimento da cana-de-açúcar seria feito pela Usina Santa Terezinha, que integra o grupo Usacucar e que possui canaviais próximos a Naviraí para atender o empreendimento sucroenergético Usina Rio Paraná em fase de consolidação na cidade de Eldorado (MS).

4 – A Usinavi voltaria a operar a produção de açúcar e de etanol?

Não. Apenas etanol, ainda assim em produção inferior à que processava anteriormente. O Portal JornalCana solicita informações relacionadas à Usinavi para a Cargill e volta a postar conteúdo.

Ela integra grupo de cinco usinas da Infinity Bio­Energy Brasil, controlada pelo Grupo Bertin, e que está em recuperação judicial Tem capacidade de moagem de 3,2 milhões de toneladas de cana-de-açúcar Foi adquirida pela Infinity em 2006, logo após a usina ser formada por grupo de investidores estrangeiros e brasileiros A unidade estava avaliada em R$ 177,3 milhões, fora o valor da terra. A área canavieira que atendia a usina é formada em 35 mil hectares. (Jornal Cana 10/05/2016)

 

Distribuidora de combustíveis Ale é colocada, mais uma vez, à venda

Número quatro do setor (atrás de BR Distribuidora, Ultra e Raízen), empresa é avaliada em R$ 2 bilhões e está sendo assessorada pelo Banco Safra.

Ale tem hoje 3,7% do setor, bem distante dos 19,1% da 3ª colocada, a rede Ipiranga, controlada pelo Ultra.

O grupo Ale, quarta maior distribuidora de combustíveis do País, foi colocado, novamente, à venda, apurou o Estado. A companhia, que é resultado da união da mineira Ale Combustíveis com a Satélite Distribuidora de Petróleo, do Rio Grande do Norte, é avaliada em R$ 2 bilhões no mercado, segundo fontes. O banco Safra é o assessor financeiro da distribuidora.

O fundo Darby, que está há 12 anos no negócio, já tentou vender apenas sua participação, sem sucesso. “Quando um fundo de private equity não consegue sair de um negócio em que está há muito tempo, algo está muito errado”, disse uma fonte do mercado financeiro.

Nessa nova rodada de negociações, apurou o Estado, a distribuidora de combustíveis começou a ser oferecida novamente pelo banco Safra. Na atual proposta, Marcelo Alecrim estaria mais disposto a deixar totalmente a companhia.

O Safra já ofereceu o grupo Ale para os fundos Advent e Warburg Pincus, segundo fontes. “Ninguém quer entrar em uma empresa que tem briga entre os sócios. Acreditamos que um investidor estrangeiro deva levar o negócio, que é considerado atraente”, disse uma fonte.

“Há pelo menos cinco anos se fala da venda do Ale. Eles tentaram abrir capital, mas enquanto não resolverem o problema dos sócios, é complicado fechar negócio”, disse um executivo de uma concorrente no setor.

A distribuidora já foi alvo do grupo Ultra, dono da Ipiranga, segunda maior do setor, com 19,1%, segundo dados de 2014. A Raízen, parceria entre Shell e Cosan, terceira maior, com 18,7%, também já olhou o ativo.

O grupo Ale tinha, em 2014, 3,7% do mercado nacional. Apesar de pequena, a empresa ajudaria a vice-líder a ficar mais perto da primeira colocada – a BR Distribuidora, da Petrobrás. Também poderia fazer a Raízen superar o Ultra e assumir o segundo lugar.

Plano de expansão

Com cerca de 2 mil postos em 22 Estados, o grupo Ale faturou R$ 11,4 bilhões em 2015. Por meio de sua assessoria, o grupo Ale não confirma que está à venda e diz que segue com seu plano de expansão, com aporte de R$ 118 milhões.

Procurado, Marcelo Alecrim disse não ter posto sua parte à venda, mas não descartou o negócio. Safra, Darby, Advent, Raízen e Ultra não comentam o assunto. O Warburg Pincus não retornou o pedido de entrevista. (O Estado de São Paulo 11/05/2016)

 

Perspectivas apontam para virada no setor sucroenergético

Depois de sofrer por quase uma década com preços baixos e uma crise que sentenciou dezenas de usinas à morte, o setor sucroenergético enxerga uma saída com uma safra que promete bater recordes de produção e com um mercado ávido por etanol e açúcar.

Em Rio Brilhante, município a 160 quilômetros de Campo Grande (MS) e hoje o maior produtor de cana-de-açúcar do Estado, com uma moagem anual de seis milhões de toneladas, o dia 8 de abril começou do mesmo jeito de sempre: quente, muito quente. Antes das 10 horas, o sol já castigava a pele e fazia qualquer um suar em bicas. Às 11 horas, os termômetros marcavam quase 40 graus Celsius. Nada fora do script, a não ser pela intensa movimentação em um galpão pré-fabricado, montado dias antes, para receber 50 convidados em uma das 11 unidades de produção de açúcar, etanol e bioeletricidade da Biosev, pertencente ao grupo francês Louis Dreyfus, um gigante do agronegócio com faturamento global de US$ 65 bilhões.

Recebidos por Rui Chammas, presidente da Biosev, estavam ali as principais autoridades e empresários do setor no Estado. E eles tinham pressa. "Declaro aberta a safra 2016/2017 de cana-de-açúcar em Mato Grosso do Sul e em todo o Brasil", disse Reinaldo Azambuja, governador do Estado. "A cana-de-açúcar é um dos setores que mais aquece a nossa economia, desenvolve os municípios e ainda valoriza a terra", afirmou o governador, em um discurso rápido, que fez a cerimônia acabar antes das 12h. A correria vista no evento é mais do que justificável. Desde 2008, o setor sucroenergético vem amargando sucessivos prejuízos e, agora, os principais produtores do País correm para aproveitar uma oportunidade que não se via desde a safra 2005/2006. Trata-se de uma poderosa combinação de preços em alta tanto para o açúcar como para o etanol. "Estamos prontos para aproveitar esse momento único", diz Chammas, que comanda uma empresa que multiplicou o seu tamanho por 40 vezes de 2000 a 2010.

O setor bioenergético deve colher 691 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra que começou oficialmente em 1º de abril, uma previsão de crescimento de 3,8% em relação à safra 2015/2016, de acordo com os primeiros levantamentos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), que representa as usinas do Centro-Sul do País, responsável por cerca de 90% da produção nacional, estima uma colheita nessa região de até 630 milhões de toneladas na safra que está começando.

Independentemente de qual previsão se tornará realidade, o fato é que a combinação de preços em alta traz alívio para um setor que enfrenta sérias dificuldades financeiras e que atravessou o ano de 2015 com o maior número de usinas entrando em recuperação judicial -foram 13 unidades com dívidas bancárias de cerca de R$ 8 bilhões. "Mas, as empresas do setor que estão estruturadas vão colher resultados", diz Chammas.

No caso da Biosev, a área de produção atual é de 340 mil hectares de cana em 120 municípios dos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraíba, Rio Grande do Norte, além de Mato Grosso do Sul. A capacidade de produção é de 2,5 milhões de toneladas de açúcar, mais 1,6 bilhão de litros de etanol e 1,3 mil gigawatts por hora de cogeração de energia elétrica. Na última safra, a moagem foi de 31 milhões de toneladas de cana. Os dados financeiros consolidados serão apresentados em junho. Mas, assim como ocorreu na safra de 2014/2015, com receita de R$ 4,5 bilhões, um crescimento de 12%, a expectativa é de um desempenho positivo nesse ano fiscal. Os dados do terceiro trimestre da safra encerrada mostram um ebitda (medida de geração de caixa da empresa) de R$ 438 milhões, valor 30,8% acima do período anterior. No prêmio As Melhores da Dinheiro Rural 2015, a Biosev se apresenta no grupo de frente do ranking das 500 maiores receitas do setor do agronegócio. "Estamos olhando para o futuro com otimismo", afirma Chammas. "Nos preparamos nos últimos anos, porque o setor passa por uma revolução silenciosa e será muito desafiador daqui para a frente."

"O setor passa por uma revolução silenciosa e será muito desafiador daqui para a frente." Rui Chammas

Para ele, há elementos que vieram se consolidando ao longo da última década, que estão levando a indústria da bioenergia a mudar radicalmente. Entre as mudanças estão a entrada de fortes grupos internacionais no setor; a expansão das usinas além do eixo São Paulo-Minas Gerais, principalmente para o Centro-Oeste; e a inversão do mais prolongado ciclo de baixa para o açúcar, ao mesmo tempo em que a capacidade de moagem de cana do setor duplicava. Nos anos 2000, por exemplo, a moagem era de cerca de 300 milhões de toneladas, menos da metade da atual. Mas nem todos os empresários do setor conseguiram ter essa leitura do segmento.

Cenário

O País possui 390 usinas de cana-de-açúcar. De acordo com a Unica, cerca de 80 unidades foram fechadas nos últimos cinco anos e 67 estão em recuperação judicial. Especialistas de mercado, entre eles Gabriel Leutewiler, sócio-diretor do escritório Santos Neto Advogados, acreditam que essas usinas dificilmente voltarão a operar. "Não há notícia de nenhuma usina que tenha entrado em recuperação judicial e saído dela", afirma Leutewiler. "Acreditamos que outro tanto, pelo menos uma centena de pequenas e médias usinas, ainda sairão do mercado."

"Acreditamos que outro tanto, pelo menos uma centena de pequenas e médias usinas, ainda sairão do mercado." Santos Neto Advogados

Diante desse cenário, cabe uma pergunta: quem sobreviverá no setor da cana-de-açúcar? Chammas dá uma dica. "Nesse momento, a relação com os investidores, os clientes e os bancos é muito importante. Hoje, disciplina operacional é fundamental." Para Leutewiler, continuarão no mercado justamente as empresas que, de alguma forma, melhorarem o desempenho operacional. "A Biosev, por exemplo, está trabalhando muito bem", diz ele. "Grandes grupos, como São Martinho, ou a Cosan, que é controlada pelo empresário Rubens Ometto, também estão nessa conta do bom gerenciamento."

Basta dar uma rápida olhada nos números do setor para entender o quão importante -e estratégico - ele é para a economia brasileira. Em 2015, o Valor Bruto da Produção (VBP) da cana-de-açúcar foi de R$ 50,3 bilhões, só perdendo para a soja, cultura com um VBP de R$ 106,4 bilhões. Ou seja, de acordo com a Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, a cana respondeu por 15,7% do total de R$ 321 bilhões em riquezas que as lavouras do País movimentaram no ano passado.

Por segmento, o Brasil produziu 33,5 milhões de toneladas de açúcar e exportou 24 milhões de toneladas, por cerca de US$ 7 bilhões. Isso representa metade do comércio global da commodity. Neste ano, a produção deve ir a 37,5 milhões de toneladas, com o mesmo volume exportado. Porém, a um câmbio muito mais competitivo em relação às safras passadas, quando a moeda americana estava no patamar médio de R$ 2,50.

"Nesse momento, a relação com os investidores, os clientes e os bancos é muito importante. Hoje, disciplina operacional é fundamental."

Além disso, de acordo com a consultoria Datagro, haverá um déficit mundial da commodity em 2016, da ordem de 6,1 milhões de toneladas em valores brutos. A produção global de açúcar deve registrar 175,3 milhões de toneladas, para um consumo da ordem de 181,4 milhões. Somado a isso, os preços do açúcar no mercado internacional subiram 60% desde agosto de 2015. "Hoje, é de até US$0.16 por libra peso, contra US$ 0,10 no ano passado", afirma o analista Andy Duff, gerente da equipe de agroeconomia do Rabobank. "Somente em agosto poderá haver alguma mudança, quando tivermos um cenário mais definido do que vai acontecer com as safras concorrentes do Brasil, entre elas as da Indonésia e Tailândia."

No mercado de etanol, basicamente para atender a demanda interna, entre o anidro, para misturar na gasolina; e o hidratado, utilizado diretamente no tanque dos automóveis, a safra 2015/2016 fechou com um consumo de 30,5 bilhões de litros. O volume deve se repetir na safra 2016/2017, mas num outro cenário econômico. A presidente da Unica, a executiva Elizabeth Farina, diz que nesse momento, há dificuldade em se discutir política pública, em função da instabilidade pela qual o País passa: "Mas algumas coisas começaram a avançar", afirma ela. "Já no segundo semestre de 2015 começou a ocorrer essa combinação de mudanças para o etanol e o açúcar, e isso passou a gerar uma receita maior por hectare de cana produzida."

De acordo com Elizabeth, no caso do etanol, o que contribuiu para turbinar a demanda foi o aumento da mistura de 25% para 27% de etanol anidro na gasolina. Houve também a retomada parcial da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) no combustível fóssil, que saiu de zero para R$ 0,10. "Além disso, a Petrobras aumentou o preço da gasolina e vários Estados subiram o valor do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços sobre esse combustível, o que resultou no aumento da demanda por etanol hidratado", diz Elizabeth.

Futuro

Para a presidente da Unica, os últimos acontecimentos mostram que o setor pode, de fato, ter uma chance de recuperação efetiva e sustentável no longo prazo. Isso, se daqui para a frente o País contar com um conjunto de políticas públicas e de incentivos para cumprir os compromissos ambientais levados à 21ª Cúpula do Clima de Paris, a COP 21, no final do ano passado. A COP 21 propôs um novo acordo entre os 195 países presentes ao evento, destinado a diminuir as emissões de gases de efeito estufa, que será ratificado no dia 22 de novembro, em Nova York. No caso do Brasil, a meta é que os biocombustíveis, que hoje respondem por 15% da matriz energética do País, passem a representar 18%, em 2030, e que, até 2050, sejam produzidos 50 bilhões de litros de etanol por ano, 20 bilhões de litros acima da atual produção. "Para que isso se concretize é preciso retomar a nossa capacidade produtiva e ter mais clareza a respeito da estabilidade das regras de mercado", afirma Elizabeth.

"Nos últimos quatro anos, a crise do setor nos trouxe lições importantes, mas a principal delas é que não se pode parar." Roberto Hollanda Filho

De acordo com Roberto Hollanda Filho, presidente da Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul (Biosul), entidade que representa 20 grupos de usinas, o mercado pode, sim, reagir rapidamente e de forma positiva à demanda. "O País tem um parque industrial que funciona, o mercado existe e as condições de produção estão dadas", afirma Hollanda Filho. "Nos últimos quatro anos, a crise do setor nos trouxe lições importantes, mas a principal delas é que não se pode parar."

Na safra passada, os associados da Biosul investiram R$ 2 bilhões para melhorar a produtividade das lavouras de cana-de-açúcar no Estado e já começaram a colher os frutos. A produtividade foi de 89,3 toneladas de cana por hectare, 27% acima da safra anterior. A produção total foi de 48,6 milhões de toneladas, 13% de crescimento no período, com expectativa de chegar a 52,1 milhões de toneladas em 2016/2017. A atual produtividade média do País é de 76,9 toneladas por hectare.

"Agora, é hora de ajustar as tecnologias da agricultura de precisão e investir em ganhos de produtividade." Jacyr da Silva Costa Filho

Aliás, investimento na produtividade parece ser o caminho das empresas do setor para ajustar a performance nos próximos anos. É o que afirma Jacyr da Silva Costa Filho, diretor geral da também francesa Tereos International no Brasil. "Entre os anos 2011 e 2016 investimos cerca de R$ 1,5 bilhão para sair de 16 milhões de toneladas de cana processada para os atuais 21 milhões", diz Costa Filho. "Agora, é hora de ajustar as tecnologias da agricultura de precisão e investir em ganhos de produtividade." A Tereos opera atualmente sete usinas, com capacidade para processar 23 milhões de toneladas de cana por safra. No ranking As Melhores da Dinheiro Rural 2015, a companhia surge com uma receita de R$ 8,1 bilhões e também se destaca entre as 15 empresas do agronegócio com maior faturamento do setor no ano passado.

Além de um cenário mais promissor, o setor também passará por uma nova onda de aquisições, sobretudo das operações hoje deficitárias. E quem estará à frente desse movimento são os chamados fundos abutres, que avançam sobre as operações que se encontram na bacia das almas. O cenário é confirmado por Rui Chammas, da Biosev. "Realmente, parece que os fundos internacionais estão de olho no que pode ocorrer com as usinas brasileiras", diz ele.

Os atuais fundos interessados no mercado de bioenergia são os americanos Black River, ligado à Cargill, o Carval e Amerra, ambos com sede em Nova York, e o canadense Brookfield. Entre os asiáticos há movimentos dos fundos Cofco e Toyota. A Cofco, listada na bolsa de Cingapura, já está no Brasil por meio da compra da Nobre Agri, braço agrícola da Noble Group, vendida por US$ 1,5 bilhão e que já possui quatro usinas no interior paulista. Leutewiler diz que, de modo geral, a proposta média desses investidores é assumir dívidas pagando entre US$ 20 e US$ 30 por tonelada de cana produzida por uma usina. No entanto, no auge do mercado, por volta dos anos 2000, a métrica usada para determinar o valor de um negócio era de US$ 110 por tonelada. "É possível que nos próximos anos tenhamos um outro desenho do mercado bioenergético no País", diz Leutewiler. "Agora, com a possibilidade desse novo tipo de investidor". (Dinheiro Rural 10/05/2016)

 

Cotações de etanol se mantêm estáveis em semana de poucos negócios

Apesar do clima favorável à moagem de cana-de-açúcar e à produção de etanol no Centro-Sul brasileiro, os valores do hidratado e do anidro estiveram firmes na última semana no mercado spot paulista.

Segundo pesquisadores do Cepea, algumas usinas comercializaram o etanol hidratado no spot a preços mais baixos, com o objetivo de fazer caixa para bancar despesas de início de mês e de safra. No entanto, a posição firme de outras unidades vendedoras limitou a queda no valor médio do combustível na semana passada.

Além disso, o Cepea captou menor volume de negócios envolvendo o hidratado, fator que também influenciou a estabilidade nos valores. Entre 2 e 6 de maio, o Indicador Cepea/Esalq do hidratado fechou a R$ 1,3369/litro (sem impostos, a retirar), ligeira queda de 0,61% frente à semana anterior. Quanto ao anidro, o Indicador Cepea/Esalq semanal fechou a R$ 1,5327/l (sem impostos e sem frete), recuo de 0,9% frente ao da semana anterior. (Cepea / Esalq 10/05/2016)

 

Pesquisa viabiliza produção de biofertilizantes para cana e milho

Os produtores de cana-de-açúcar têm uma nova perspectiva para aumento da produtividade e fertilidade dos solos. Um estudo da Embrapa Agrobiologia (RJ) conseguiu reduzir em 66% o custo de produção do inoculante, fertilizante biológico produzido a partir de bactérias, desenvolvido em laboratório, tornando viável sua fabricação em escala industrial. De acordo com o pesquisador Luís Henrique Soares, com a simplificação do processo, foi possível reduzir de dez para quatro as substâncias químicas utilizadas para multiplicação da bactéria Azospirilum amazonense, que compõe o inoculante da cana-de-açúcar. "Hoje temos a bactéria e todo o processo de produção otimizado para oferecer à indústria", diz.

A pesquisa também otimizou o processo de fabricação do inoculante de milho, recém-desenvolvido pelo mesmo centro de pesquisa. Após esses estudos, o custo de produção foi barateado em aproximadamente 50%, e o produto já está sendo alvo de negociação com indústrias para em breve será disponibilizado ao mercado. O biofertilizante, que contém uma estirpe da bactéria Herbaspirillum seropedicae, aumenta a produção da planta. Mas estudos mostram que ele também pode contribuir para uma maior eficiência do fertilizante nitrogenado, permitindo a redução da dose aplicada.

O Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar. Em 2015, a produção foi de aproximadamente 755 milhões de toneladas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Só essa cultura consome anualmente 570 mil toneladas de nitrogênio na forma de fertilizante. Já a produção nacional de milho foi de 85 milhões de toneladas, com uma área plantada em torno de 15 milhões de hectares.

Juntas, as lavouras da cana-de-açúcar e milho são responsáveis pelo consumo de cerca de 70% do fertilizante nitrogenado utilizado no País. O uso de inoculantes nessas culturas pode significar maior produtividade e economia para o agricultor, que reduz os gastos com insumos. Além disso, o biofertilizante promove uma maior sustentabilidade ambiental. Menos fertilizante nitrogenado no campo significa menor poluição ambiental e menor emissão de gases de efeito estufa.

Desafio da produção em escala industrial

A produção do inoculante envolve uma cadeia que vai desde a identificação e validação do microrganismo pelos cientistas até a fabricação do produto em grande escala nas indústrias. Porém, nem sempre é viável reproduzir na fábrica o processo desenvolvido pela pesquisa. "Os meios de isolamento, caracterização e cultivo nos laboratórios são complexos, ricos e caros. E, quando tentamos transpor para a indústria, é preciso simplificar", explica Soares.

Os meios de isolamento utilizados em laboratórios de pesquisa em geral têm múltiplas fontes de carbono, nitrogênio, uma série de vitaminas e outros compostos para fazer com que a bactéria, que originalmente vive nos tecidos da planta ou na rizosfera, multiplique-se. Mas a indústria busca meios simples, de preferência com apenas uma fonte de carbono, uma de nitrogênio, poucos sais e que ainda potencialize o crescimento do microrganismo, reduzindo as possibilidades de contaminação.

As fábricas de inoculantes buscam utilizar insumos baratos como, por exemplo, os subprodutos da agropecuária em geral, como farelos, resíduos, extratos de cana, extratos de indústria cervejeira que normalmente seriam descartados e que são relativamente baratos. "Encher um fermentador com dois mil litros de um meio caro inviabiliza a produção, pois o risco de contaminação não pode ser descartado", relata o pesquisador da Embrapa.

A engenheira-agrônoma Cibele Medeiros, coordenadora de Pesquisa e Desenvolvimento da indústria de inoculantes Bio Soja, aponta a contaminação como o maior risco no processo de fabricação desse biofertilizante. Por isso, ela considera a otimização do processo de produção fundamental. "É por meio de um processo eficiente que obtemos os melhores resultados, como um alto rendimento e a redução de custos", complementa.

A representante da indústria salienta que para se adaptar a um determinado processo de produção, é necessário tempo e investimento. "Quanto mais próximos da realidade da indústria forem os processos, maiores serão as chances de parceria entre a pesquisa e a indústria", comenta Cibele.

Desvendando os segredos dos microrganismos

Para chegar à formulação otimizada, os pesquisadores estudaram a fisiologia dos microrganismos. "Procuramos saber como eles aproveitam determinados compostos e fomos analisando uma série de parâmetros, como crescimento e taxas de conversão, ou seja, como utilizam os nutrientes e transformam tudo em biomassa de bactérias (células que vão compor o inoculante)", relata Luís Henrique Soares.

Durante o estudo, os pesquisadores foram variando os compostos até chegar a uma composição ideal do meio. "Pegamos o meio original e testamos com diferentes concentrações e avaliamos estatisticamente os resultados. Analisamos em pequena escala e depois vamos para a simulação industrial até chegarmos o mais próximo possível da situação real da fábrica", explica o cientista da Embrapa.

Esse mesmo processo que foi simplificado pode vir a ser utilizado para outros inoculantes. Isto abre uma perspectiva de simplificação industrial para os produtos que já estão no mercado e para aqueles que ainda estão sendo desenvolvidos pelos pesquisadores nos laboratórios.

Segundo a Associação Nacional dos Produtores e Importadores de Inoculantes (ANPII), por ano, são comercializados aproximadamente 40 milhões de doses de inoculantes no Brasil. Deste total, 34 milhões de doses são para a cultura da soja e outros dois milhões para gramíneas (entre elas o milho e o trigo), enquanto para a cana-de-açúcar ainda não há inoculante disponível no mercado. (Brasil Agro 11/05/2016)

 

USDA eleva previsão de produção de açúcar de estoques finais da safra 2015/16

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou a projeção de produção doméstica de açúcar em 1,61%, de 8,792 milhões de toneladas curtas (7,976 milhões de toneladas) para 8,933 milhões de toneladas curtas (8,1 milhões de toneladas). Com isto, aumentou em 7,65% sua previsão de estoques finais domésticos de açúcar na temporada 2015/16, para 1,743 milhão de toneladas curtas (1,58 milhão de toneladas), ante o volume de 1,619 milhão de toneladas curtas (1,469 milhão de toneladas) previsto em abril.

O USDA elevou sua estimativa para importação dos EUA em 0,68%, para 3,231 milhões de toneladas curtas (2,93 milhões de toneladas). Em abril, a previsão era de 3,209 milhões de toneladas curtas (2,911 milhões de toneladas).

O governo norte-americano também divulgou suas primeiras estimativas referentes à temporada 2016/17. Para a produção dos EUA, a projeção é de 8,710 milhões de toneladas curtas (7,90 milhões de toneladas).

Já a previsão de estoques domésticos é de 1,657 milhão de toneladas curtas (1,50 milhões de toneladas). Quanto às importações do país no ciclo 2016/17, a estimativa é de sejam adquiridas 3,479 milhões de toneladas curtas (3,16 milhões de toneladas). (Down Jones 10/05/2016)

 

Lucro líquido da Wilmar International cresce 3,2% no 1º trimestre

A Wilmar International teve um lucro líquido de US$ 239,4 milhões no primeiro trimestre deste ano, 3,2% maior que no mesmo período do ano passado. A empresa responsabilizou o desempenho constante das operações com óleo de palma e uma maior atuação na área de açúcar.

Em seu comunicado, a trading afirmou que o negócio de óleos tropicais, que inclui plantações e fabricação de óleos, cresceu 7,5% na comparação anual para US$ 149,3 milhões. E o resultado poderia ter sido melhor se não fosse o El Niño, que causou perdas no rendimento médio das lavouras da Wilmar de 5%.

O lucro com a divisão de oleaginosas e grãos da Wilmar subiu 1,6% e ficou em US$ 168,8 milhões, devido a melhores vendas e margem nas operações de arroz e farinha. Isso compensou a as menores margens na área de esmagamento de soja na China.

A divisão de açúcar, que tem sido um problema nos últimos anos, teve perda de impostos significativamente menor no período analisado, de US$ 18,2 milhões, ante US$ 68 milhões no primeiro trimestre de 2015. A divisão teve prejuízo de US$ 18,17 milhões ante US$ 68 milhões um ano antes.

A receita da Wilmar ficou em US$ 8 bilhões no primeiro trimestre, com queda de 4,3% na comparação com o mesmo período do ano passado. O Ebitda cresceu 18,2% na mesma relação, para US$ 559 milhões. (Valor Econômico 10/05/2016)

 

Mesmo com queda na produção de açúcar, estoque garante fornecimento na Índia

Apesar da expectativa de uma queda na produção de açúcar na Índia neste ano, o país não deve precisar recorrer ao mercado internacional graças a seus estoques domésticos.

O estoque no fim de setembro, quando se encerra o ano comercial, deve ser de cerca de 7 milhões de toneladas, somando 31 milhões de toneladas disponíveis que poderão ser destinadas ao consumo interno, conforme a Associação de Usinas de Açúcar da Índia.

A estimativa é de que a demanda doméstica chegue a 26 milhões de toneladas. "Temos açúcar mais do que suficiente no país", disse Turan Sawhney, presidente da Associação.

A Índia é o segundo maior produtor global de açúcar, atrás do Brasil. A produção no atual ano comercial, entre outubro de 2015 e setembro deste ano, deve chegar a 25 milhões de toneladas, ante 28,3 milhões no ano anterior. (Down Jones 10/05/2016)