Setor sucroenergético

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Temer promete açúcar e afeto aos usineiros

O novo ministro-chefe da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, carrega debaixo do braço uma pasta repleta de reivindicações do setor sucroalcooleiro. Leva também ao presidente Michel Temer o recado de que um dos tantos erros de Dilma Rousseff foi ter ignorado um segmento que gera divisas internacionais, é intensivo em mão de obra e, acima de tudo, dá voto.

A missão do governo é brecar um processo de esfarelamento que pode ser mensurado pela dramática escalada no número de recuperações judiciais no setor. Do início de 2015 para cá, 14 empresas entraram em regime de RJ, com um volume de dívidas superior a R$ 9 bilhões. O mais novo sócio deste "clube do bagaço" é o Grupo Farias, uma das maiores sucroalcooleiras do Nordeste, com faturamento anual de R$ 1,2 bilhão. Dona de seis usinas, a companhia pernambucana protocolou nos últimos dias pedido de RJ.

Seu passivo é da ordem de R$ 1 bilhão. Desse total, aproximadamente R$ 350 milhões entraram no pedido de recuperação. A preocupação com o soerguimento da atividade sucrooalcoleira é uma sinalização de que Michel Temer dará prioridade a setores da indústria com forte impacto social. Ao longo de 2015, o segmento fez mais de 35 mil demissões, a maior parte de trabalhadores do campo, notoriamente uma mão de obra de baixíssima qualificação (Relatório Reservado 16/05/2016)

 

Grupo Farias entra em recuperação judicial

Justiça de Pernambuco aceitou pedido de reestruturação de um dos maiores grupos de açúcar e álcool do Nordeste, com dívidas de R$ 900 milhões.

O Grupo Farias, um dos maiores do setor de açúcar e álcool da região Nordeste, entrou em recuperação judicial há duas semanas com a autorização da Justiça da cidade de Cortês, em Pernambuco. O conglomerado, dono de usinas em três regiões do País, vai tentar renegociar dívidas que somam pelo menos R$ 900 milhões com bancos, trabalhadores e fornecedores.

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Ao todo, 14 empresas do grupo entraram na recuperação judicial. Juntas, elas empregam 13 mil pessoas nas cidades de Cortês, em Pernambuco; Baía Formosa, no Rio Grande do Norte; Anicuns, Itapuranga e Itapaci, em Goiás; e ainda na cidade paulista de Rio das Pedras. A dívida com os trabalhadores é de cerca de R$ 7 milhões.

A dívida total a ser renegociada poderá superar R$ 1 bilhão, se considerados os juros dos financiamentos tomados pelas empresas do grupo. Os dois maiores credores são os bancos Bradesco e Credit Suisse que, segundo a lista de credores, teriam a receber R$ 532 milhões. A advogada dos bancos, Maria Salgado, do escritório Sérgio Bermudes, afirma que, com juros, a dívida ultrapassa R$ 630 milhões.

A renegociação com os dois bancos, que concentram mais da metade da dívida total, poderá selar o destino da recuperação judicial do Grupo Farias. Isso porque os empréstimos foram concedidos com a garantia de terras, usinas e equipamentos que, se forem tomados pelos bancos, inviabilizam a operação das empresas.

Por causa dessas garantias, na forma de alienação fiduciária, os dois bancos estão fora da recuperação judicial e negociam um plano separado do que será apresentado ao restante dos credores. De qualquer forma, com a concessão da recuperação judicial pela Justiça de Cortês, nenhum deles poderá cobrar dívidas da empresa por um período de 180 dias.

Processos suspensos

Sendo assim, vários processos judiciais de cobrança que já estavam em curso precisam ser suspensos. Somente na Justiça de São Paulo, os bancos cobram R$ 766 milhões em créditos que deixaram de receber da empresa. Além de Bradesco e Credit Suisse, a empresa também tinha financiamentos com o Bicbanco, China Construction Bank, Rabobank, HSBC, Itaú Unibanco, entre outros. Todos buscavam receber seus créditos na Justiça de São Paulo.

Na lista de credores, figuram ainda nomes como Banco do Brasil, Daycoval, Banco Espírito Santo e Banco Panamericano. Mas todos essas instituições possuem dívidas individuais que não chegam a R$ 50 milhões, valor muito inferior aos créditos registrados por Bradesco e Credit Suisse.

Dificuldades. Os advogados da empresa, liderados por Joel Thomaz Bastos, do escritório paulista de advocacia Dias Carneiro, alegaram no pedido de recuperação judicial que as dificuldades financeiras da companhia não se deram por má administração, mas sim por condições adversas da conjuntura econômica do País e do setor de açúcar e álcool, em particular.

Diversas usinas de açúcar e álcool entraram com pedidos de recuperação judicial no País nos últimos anos. No caso do grupo Farias, as dificuldades começaram em 2007, quando a companhia foi obrigada a vender estoque abaixo do custo de produção. Desde 2012 há relatos de atrasos nos salários de funcionários em diferentes cidades, com negociações com sindicatos de trabalhadores.

Um dos argumentos usados pelos advogados para explicar a dificuldade da empresa em honrar dívidas foi a política de preços praticada pela Petrobrás. Eles afirmam que a estatal, ao segurar o valor da gasolina, acabou prejudicando o comércio de etanol. Os advogados alegaram ainda a retração do mercado financeiro, que deixou de ofertar capital de giro a custos aceitáveis, e a queda mundial dos preços do açúcar.

Solução

O juiz Antonio Carlos dos Santos, da Comarca de Cortês, aceitou o pedido de recuperação judicial dizendo que não há outra alternativa para assegurar a manutenção das atividades da empresa. O caso foi ajuizado em Cortês porque é na cidade que está situada a principal empresa do Grupo Farias, a administradora Baía Formosa. A partir da decisão, que foi tomada no dia 4 de maio, o grupo terá 60 dias para apresentar um plano de recuperação.

De acordo com o último dado disponível, de 2013, o grupo faturava R$ 850 milhões por ano. Tinha capacidade para moer 8,5 milhões de toneladas de cana e uma e uma área plantada de 90 mil hectares. (O Estado de São Paulo 17/05/2016)

 

Açúcar: Fôlego técnico

Os preços do açúcar recuperaram o fôlego ontem na bolsa de Nova York com recompras técnicas.

Os contratos do açúcar demerara para outubro subiram 13 pontos, para 17,12 centavos de dólar a libra-peso.

O pregão foi marcado por compras especulativas e baixo volume de contratos negociados. Embora a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) tenha reportado um forte crescimento da produção no Centro-Sul em abril, os investidores já esperavam pelos dados.

Os traders voltam suas atenções nesta semana para um evento do setor que ocorre em Nova York, no qual consultorias divulgarão novas estimativas sobre o balanço entre oferta e demanda de açúcar no mundo.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,73%, para R$ 75,43 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 17/05/2016)

 

Produção de açúcar do centro-sul do Brasil em 2016/17 deve ser recorde

A produção de açúcar do Brasil na importante região do centro-sul deverá subir para um recorde de 34,4 milhões de toneladas na atual temporada 2016/17, uma alta ante as 31,2 milhões de toneladas na comparação anual, disse o sócio e presidente-executivo da consultoria Job Economia, Julio Borges (Foto) , em conferência nesta segunda-feira.

A moagem total de cana no centro-sul será de 636 milhões de toneladas, uma alta ante as 618 milhões de toneladas durante o ano anterior. Isto representou uma queda ante da estimativa de abril, de 644 milhões de toneladas de cana devido ao tempo seco, disse Borges.

A produção total de açúcar do país será de 38,6 milhões de toneladas, uma alta ante os 33,8 milhões de toneladas do ano anterior.

O salto ocorre com os usineiros, especialmente no Nordeste do Brasil, favorecendo o açúcar em relação ao etanol, disse Borges. (Reuters 16/05/2016)

 

Chuva atrasa colheita da cana no Paraná e no Mato Grosso do Sul

A produção de etanol nas usinas da região Centro-Sul aumentou 30,87% na segunda quinzena de abril sobre o mesmo período do ano passado, totalizando 1,492 milhão de toneladas, informou nesta segunda-feira (16) a União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica). O órgão informou que a produção de açúcar foi 71% superior, com o processamento de 1,806 milhão de toneladas.

A Unica esclareceu que, em algumas localidades, houve atraso na colheita por causa do excesso de chuvas. Nos estados do Paraná e Mato Grosso do Sul, além das regiões paulistas próximo à divisa com estes estados ( Araçatuba e Assis), as chuvas prejudicaram a colheita, consequentemente afetaram as unidades produtoras voltadas para o etanol. Segundo a Unica, não fosse isso teria ocorrido um aumento de dois pontos percentuais.

Segundo a entidade, o volume de etanol hidratado destinado ao mercado interno nos últimos 15 dias de abril caiu 1,85% na comparação com a oferta da primeira quinzena. “Esse movimento se deve ao menor número de dias úteis na segunda quinzena de abril”, conforme o comunicado da Unica.

O balanço das atividades indicou que, proporcionalmente ao total moído (36,08 milhões de toneladas), houve queda na taxa destinada para produção do álcool em comparação a igual período de 2015, passando de 20,99% para 16,04%. (Gazeta do Povo 17/05/2016)

 

Unica atualiza dados de moagem da safra 2016/17 - 2ª quinzena de abril

Dados divulgados nesta segunda-feira (16/05) pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) indicam que na região Centro-Sul do País a moagem de cana-de-açúcar atingiu 36,08 milhões de toneladas na 2ª quinzena de abril de 2016, com produção de 1,81 milhão de toneladas de açúcar, 541,01 milhões de litros de etanol anidro e 951,42 milhões de litros de etanol hidratado.

A variação de moagem entre as regiões produtoras na 2ª quinzena de abril foi heterogênea. Em algumas áreas houve aumento no volume de cana processada devido ao adiantamento do início de safra por várias unidades. No Paraná, no Mato Grosso do Sul, nas regiões de Araçatuba e de Assis, por outro lado, as chuvas prejudicaram a operacionalização da colheita, com retração na quantidade moída em relação à primeira metade do mês.

Na 2ª metade de abril, 238 unidades produtoras estavam em operação na região Centro-Sul. Desse total, 28 empresas iniciaram a safra ao longo da última quinzena do mês. Em maio, outras 29 usinas devem entrar em operação. A proporção de moagem realizada pelas unidades autônomas (aquelas aptas a produzir somente etanol) atingiu 16,04% em abril de 2016, contra 20,99% no mesmo mês de 2015.

Essa alteração ocorreu em função da data de início da safra 2016/2017 pelas unidades anexas (aquelas que podem produzir açúcar e etanol), o que influenciou o mix de produção observado no mês. Caso a proporção não tivesse sido alterada, o mix médio de etanol para o Centro-Sul aumentaria em 2 pontos percentuais.

Essa mudança no mix e a maior quantidade de cana processada foram, em grande medida, responsáveis pelo avanço na fabricação de açúcar em abril. Caso a moagem não tivesse aumentado, o crescimento da produção na safra 2016/2017 em relação ao valor observado no mesmo período de 2015/2016 seria de apenas 440 mil toneladas de açúcar e não 1,79 milhão de toneladas.

O volume de etanol hidratado destinado ao mercado interno nos últimos 15 dias de abril ficou ligeiramente inferior (1,85%) aquele verificado na primeira metade do mês. Esse movimento se deve ao menor número de dias úteis na segunda quinzena de abril.

Dados publicados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam que, na última semana, o preço de bomba do etanol hidratado ficou inferior a 70% do valor praticado para a gasolina em cerca de 80% dos municípios amostrados pela Agência no Estado de São Paulo. Essa vantagem econômica do etanol em relação ao seu substituto fóssil deve promover um aumento do consumo do biocombustível em maio. (Unica 16/05/2016)