Setor sucroenergético

Notícias

Grupo Farias deve apresentar plano de recuperação judicial até julho

O Grupo Farias, um dos maiores do setor sucroalcooleiro do Nordeste, deve apresentar seu plano de recuperação judicial até o início de julho, depois que seu pedido de reestruturação foi aceito no município de Cortês (PE), em 4 de maio. A empresa tem dívidas estimadas em R$ 900 milhões.

Conforme uma pessoa familiarizada com a negociação, a maior parte desse montante (quase R$ 550 milhões) corresponde a dívidas com os bancos Credit Suisse e Bradesco. Entretanto, como têm garantia fiduciária, essas duas instituições estão envolvidas em uma negociação que corre em separado dos demais credores. O restante da dívida abrange outros bancos (como Rabobank, Banco do Brasil, HSBC, entre outros), além de fornecedores e funcionários.

O cenário adverso para o segmento de açúcar e etanol nos últimos anos, juntamente com as dificuldades no acesso ao crédito, deterioraram as condições financeiras do Grupo Farias na última década, tal como dezenas de outras empresas do setor no país.

O Farias processou na última safra pouco mais de 3 milhões de toneladas de cana-de-açúcar (praticamente a metade de sua capacidade), em unidades espalhadas por Goiás, Pernambuco e São Paulo. (Valor Econômico 17/05/2016)

 

Nova política da Europa para o açúcar muda mercado global e afeta o Brasil

Mudanças expressivas nas barreiras comerciais que controlam o setor de açúcar estão redesenhando o mapa do mercado de uma das commodities mais protegidas do mundo.

Muitos países produtores de açúcar protegem sua indústria doméstica através da combinação de pagamentos garantidos a agricultores, restrições à produção ou limites de importação. Mas esse setor está sendo gradualmente liberalizado com uma série de medidas que podem derrubar os preços do açúcar. Refinarias e exportadores estão tentando descobrir o que vai mudar quando elas entrarem em vigor.

A maior mudança será a remoção das cotas de produção e dos pagamentos mínimos para os produtores de beterraba usada na fabricação de açúcar na União Européia a partir de outubro de 2017. A expectativa é que os agricultores passem a exportar a maior parte do excedente, o que pode transformar a UE em uma grande concorrente no mercado internacional.

Além disso, a Organização Mundial do Comércio está analisando se a Tailândia, o segundo maior exportador de açúcar do mundo, está violando as regras comerciais ao subsidiar sua produção em um processo aberto pelo Brasil, o maior produtor mundial e uma voz potente a favor da liberalização. As barreiras de mercado na África também estão sendo pressionadas por acordos comerciais regionais.

"O mundo do açúcar vai ser sacudido por completo", diz Hartwig Fuchs, diretor-presidente da Nordzucker AG, o segundo maior produtor de açúcar da Europa. Fuchs estima que a Europa tem potencial para colocar mais 3,5 milhões de toneladas de açúcar novo no mercado global por ano, total ligeiramente superior a 6% do volume de comércio global esperado para este ano.

As mudanças em andamento criam incertezas em um momento de volatilidade para o mercado de açúcar. O consumo de açúcar deve ultrapassar a oferta em 2016, depois de cinco anos de superávits e preços estagnados. O mercado subiu nos últimos meses depois que secas reduziram a produção em várias partes do mundo. Ainda assim, analistas acreditam que os preços podem cair no longo prazo pelo excesso de produção. As mudanças que entrarão em vigor na Europa em outubro de 2017 são o auge de um processo que já provocou um corte nos subsídios do açúcar na UE depois de a OMC condenar o bloco em 2005 por praticar dumping em um processo aberto pelo Brasil, Tailândia e Austrália.

Com as reformas do ano que vem, os produtores europeus, que atualmente ocupam o terceiro lugar no ranking da produção mundial, dizem que irão elevar a oferta e exportar mais açúcar.

"A UE certamente se tornará uma exportadora líquida", diz Olivier Lippens, diretor administrativo da Finasucre SA, uma produtora de açúcar da Bélgica. Lippens estima que as exportações líquidas podem atingir até três milhões de toneladas ao ano.

Enquanto isso, as restrições sobre as importações de açúcar demerara serão mantidas na UE. Essa combinação pode prejudicar importadores como Tate & Lyle Sugars, cuja refinaria em Londres vem produzindo açúcar há 138 anos.

"Não seremos competitivos depois de 2017 a menos que a regulação mude", diz Gerald Mason, vice-presidente da Tate & Lyle.

Muitos produtores de demerara do Caribe e da África dependem das vendas para refinadores europeus. "As pessoas que vêm fornecendo para a Europa há mais de 100 anos ou mais, infelizmente, são as vítimas", diz Karl James, gerente da Jamaica Cane Products Cales Ltd.,exportadora jamaicana de açúcar.

Entre essas vítimas potenciais está também o Brasil. As reformas da UE devem reduzir o acesso do açúcar brasileiro à Europa ao mesmo tempo em que cria um concorrente para o produto do Brasil no mercado internacional, disse Geraldine Kupas, assessora sênior da presidência da Unica para assuntos internacionais, em entrevista ao The Wall Street Journal, de Bruxelas. A Unica é a entidade que representa a indústria brasileira de açúcar e etanol.

"Com a abolição das cotas de produção, os países mais competitivos da UE como França e Alemanha irão elevar sua oferta de açúcar, reduzindo a necessidade de importação do bloco em até 50%", disse ela. Esse açúcar que precisará ser importado virá de países com os quais a UE possui acordos de comércio ou cotas sem impostos, acrescentou.

Hoje, o Brasil exporta 600 mil toneladas de açúcar por ano para a UE através de um sistema de cotas pelo qual paga um imposto de 98 euros por tonelada, considerando um preço médio de 350 euros por tonelada. "Como o Brasil não possui um acordo de livre comércio com o bloco para o açúcar e o etanol, esse volume exportado pode desaparecer a partir de 2017", disse Kutas.

Além de perder o acesso ao mercado europeu, o Brasil terá que enfrentar a concorrência dos produtores da UE no mercado internacional de açúcar. Atualmente, a UE tem suas exportações limitadas em 1,4 milhão de toneladas, "mas esse número pode subir consideravelmente com as reformas", afirma a assessora.

A mudança também deve atingir os produtores com custo mais elevado do Caribe, que podem ter dificuldades em competir na Europa quando os preços caírem com o fim das cotas.

Na Europa, os produtores de beterraba já cortaram os preços para ganhar mercado antes da reforma de 2017. O impacto está sendo sentido por todo o setor açucareiro. A refinaria da Tate & Lyle, às margens do Tâmisa, está operando com capacidade reduzida. Em outubro, a Jamaica Cane Products Sales concordou em estender por um ano um contrato de fornecimento de açúcar demerara para a Tate & Lyle por cerca de US$ 370 a tonelada, bem abaixo dos US$ 770 registrados no acordo anterior de três anos.

Em uma mudança de posição em relação à decisão da OMC de 2005 que derrubou as barreiras europeias, o Brasil agora está colocando a mira em seu antigo aliado, a Tailândia. O Brasil tem acusado a Tailândia de aumentar sua participação no mercado de açúcar global subsidiando as exportações. Em uma manobra complexa, o governo tailandês fixa os preços domésticos do açúcar, taxa as vendas e usa a receita para subsidiar os produtores de cana-de-açúcar. O Brasil afirma que isso é uma violação às decisões da OMC que custa aos seus exportadores cerca de US$ 1 bilhão por ano.

O Brasil "quer um resultado similar ao que obteve quando processou a União Europeia", diz João Botelho, analista da corretora INTL FCStone Inc. (Valor Econômico 18/05/2016)

 

Preços do etanol hidratado sobem pela 1ª vez na safra

Os valores do etanol hidratado em São Paulo registraram a primeira alta significativa da safra 2016/17. Pesquisadores do Cepea indicam que chuvas em várias regiões paulistas paralisaram a colheita e a moagem em algumas usinas, reduzindo a oferta do combustível.

Além disso, sem necessidade de “fazer caixa” no momento, muitas unidades produtoras estiveram fora do mercado, à espera de preços maiores. Mesmo assim, o volume de negócios foi considerado bom. Entre 9 e 13 de maio, o Indicador CEPEA/ESALQ do hidratado foi de R$ 1,3746/litro (sem impostos, a retirar), alta de 2,82% frente à semana anterior.

O Indicador semanal CEPEA/ESALQ do anidro combustível, por sua vez, fechou a R$ 1,5259/litro (sem impostos, a retirar), queda de 0,44% em relação ao anterior. O movimento de queda do anidro está sendo observado desde a primeira quinzena de março, configurando a nona semana seguida de baixa. De lá para cá, o recuo é de 37,4%. (Cepea/ESALQ 17/05/2016)

 

Safra gigantesca de açúcar do Brasil reduz projeção de déficit

A safra recorde de açúcar do Centro-Sul do Brasil, principal região de cultivo do maior país produtor do mundo, fará com que a escassez global desta temporada seja 29 por cento menor que o previsto, segundo a Kingsman, uma unidade da S&P Global Platts.

A produção mundial ficará 5,48 milhões de toneladas abaixo da demanda na safra que começou em outubro passado, contra uma estimativa anterior de 7,67 milhões de toneladas, disse a empresa de pesquisas em um relatório. A produção na região subirá para 36,4 milhões de toneladas, 3,7 por cento a mais que em uma projeção anterior. A quantidade seria recorde, mostraram dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

"É esperada uma produção mais elevada no Brasil, especialmente no segundo e no terceiro trimestres", disse a Kingsman. "Não há dúvida quanto à grande quantidade de cana à espera para ser esmagada no Centro-Sul do Brasil".

"Não há dúvida quanto à grande quantidade de cana à espera para ser esmagada no Centro-Sul do Brasil"

Os futuros do açúcar negociados em Nova York deram um salto de 30 por cento nos últimos 12 meses depois que o mercado passou a registrar déficit após anos de oferta excedente e foi projetada mais escassez para a próxima safra. O estoque excedente acumulado nas cinco safras anteriores desaparecerá no ano que vem, disse a Organização Internacional do Açúcar na sexta-feira.

Esmagamento de cana

As usinas do Centro-Sul do Brasil esmagarão 638 milhões de toneladas de cana e direcionarão 44,7 por cento da matéria-prima para a fabricação de açúcar, segundo a Kingsman. A fatia é maior que a estimativa anterior, de 44,2 por cento. As fábricas darão preferência à fabricação do açúcar porque os preços oferecem retornos melhores do que a produção de etanol, que sofrerá com um declínio de 2,3 por cento na demanda do combustível provocada pelo aprofundamento da recessão do País.

Apesar de o Brasil por enquanto estar ampliando a oferta, a escassez global aumentará para 7,3 milhões de toneladas no período de 12 meses a partir de outubro porque o clima seco está prejudicando a safra na Tailândia, segundo a Kingsman. A produção no país asiático, o segundo maior exportador mundial, será de 9,6 milhões de toneladas em 2016-17, 18 por cento menor que o apontado em uma projeção anterior.

Na quinta-feira, a Sucres et Denrées projetou que o mercado internacional de açúcar mudará para um "ligeiro" excedente em 2016-17, em parte porque as safras se recuperarão nas regiões da Ásia assoladas pela seca. A trader com sede em Paris estima um déficit de cerca de 5 milhões de toneladas nesta safra. (Bloomberg 17/05/2016)

 

Produção de açúcar no Centro-Sul deve atingir 35,3 mi ton na safra 2016/17, afirma INTL FCStone

Clima seco favoreceu a concentração de açúcar na cana e o início precoce da moagem em muitas usinas.

O clima no Centro-Sul vem sendo mais seco desde fevereiro, tanto em relação ao ano anterior como à média histórica para o período, condição que favoreceu o início precoce da moagem em muitas usinas. De acordo com avaliação da INTL FCStone, a perspectiva de precipitação próxima à média histórica para os próximos meses deve levar a moagem mais rápida em relação à safra passada, quando chuvas entre julho e setembro levaram algumas usinas a perderem mais de 30 dias de moagem durante os meses de pico da colheita.

Por outro lado, a falta de chuvas por afetar a produtividade agrícola dos canaviais em algumas importantes regiões. Para a consultoria, a moagem de cana no acumulado da safra 2016/17 no Centro-Sul do Brasil deve ficar em 619 milhões de toneladas, apenas 0,2% acima da safra 2015/16.

Cabe destacar também que o clima seco em boa parte do Centro-Sul vem apresentando efeito positivo sobre a concentração de açúcar na cana, que apresentou média de 117,4 Kg/t em abril, 7,4% acima da safra passada.

“Nos próximos meses, a tendência é que o Açúcar Total Recuperável (ATR) continue aumentando conforme a tendência sazonal desta variável. Além disso, a mudança na metodologia de divisão entre as safras ‘retirou’ da temporada 2016/17 o elevado volume de cana bisada processado no primeiro trimestre do ano e que apresentava ATR médio baixo”, explica o Analista de Mercado, João Paulo Botelho.

Esses fatores devem contribuir para a melhora na qualidade da matéria-prima em relação à safra passada, levando a INTL FCStone a aumentar a estimativa de ATR médio para 135,7 Kg/t, 4% acima de 2015/16.

Quanto aos produtos da cana, o diferencial entre a remuneração média oferecida pelo açúcar em comparação com o etanol disparou em março e já atinge 46%, o maior valor desde 2011. “Esta situação é resultado, principalmente, da recuperação do preço de exportação do açúcar devido à expectativa de déficit global e do câmbio desvalorizado, enquanto as cotações do etanol no mercado doméstico brasileiro vêm sofrendo com a redução na demanda por combustíveis graças à recessão na economia nacional”, analisa Botelho.

Com isso, grande parte das usinas vem aumentando ao máximo a produção de açúcar em detrimento do biocombustível, fato que fez a consultoria INTL FCStone elevar a estimativa de mix açucareiro para 44,1%, 3,5 pontos percentuais acima da safra passada. Este mix leva a uma produção de açúcar de 35,3 milhões de toneladas de açúcar, 13% a mais do que o realizado em 2015/16.

A produção de etanol de cana, por sua vez, deve ficar em 27,6 bilhões de litros, divididos em 17,3 bilhões de litros de hidratado, 1% a menos do que o produzido em 2015/16 e 10,3 bilhões de litros de anidro, 3% abaixo da safra passada. (INTL FCStone 17/05/2016)