Setor sucroenergético

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Aumento da Cide não resolveria problemas do setor sucroenergético

O setor sucroenergético poderá receber uma boa notícia, mas pelo motivo errado. Uma das alternativas para cobrir parte do déficit público seria uma elevação da Cide (o impostos dos combustíveis).

Mas, mesmo que isso ocorra, o setor não estará garantido. Assim como motivos políticos retiraram a Cide (impostos dos combustíveis) no governo Dilma Rousseff, a elevação atual, se efetivada, poderia cair se o governo vier a dar uma rodada de bondades para os consumidores.

Uma eventual elevação da Cide sobre a gasolina daria mais competitividade momentânea ao etanol. Mas não reduziria as dúvidas que pairam sobre o setor. Sem uma política de previsibilidade de longo prazo, investidores e usinas não vão colocar dinheiro novo no negócio.

Essa política é necessária até para contemplar promessas do próprio governo brasileiro nas medidas de redução de poluição e melhora ambiental.

O governo prometeu, em acordos internacionais sobre redução de CO2, a utilização de pelo menos 50 bilhões de litros de etanol por ano a partir de 2030. Atualmente, são produzidos 27 bilhões.

Esse aumento de 23 bilhões de litros não virá sem investimentos, tanto para ampliação de produção como para elevação de produtividade e aumento de competitividade do etanol.

Estudos indicam que a substituição de um litro de gasolina por um de álcool pode dar um ganho de R$ 0,60 para a sociedade, considerados benefícios que vão da proteção ambiental à saúde humana.

Essa substituição custa e necessita de regras claras. Será via oneração da gasolina, desoneração do etanol ou mudanças na política que permitam essa compensação?

O governo precisa deixar claro ainda qual será a relação dos preços internos da gasolina em relação aos do mercado internacional. Sem regras claras, fica difícil um planejamento no setor de etanol.

Uma política de previsibilidade permitiria uma tomada de decisões tanto para os investidores –usinas, bens de capital e pesquisa– como para os fornecedores de crédito.

Ninguém vai tomar uma decisão sem políticas claras de longo prazo. Só a renovação do canavial leva, pelo menos, cinco anos após o plantio.

Enquanto o governo não tem uma definição para todo o sistema de combustíveis do país, a dependência externa vai aumentando.

Em 2015, o país importava 323 mil barris por dia de combustíveis. Em 2026, serão 683 mil por dia, volume que deverá subir para 1,14 milhão em 2030, segundo dados da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).

A busca da competitividade do etanol na matriz energética passa também por ações mais concretas do próprio setor sucroenergético. Redução de custos e busca de maior produtividade, inclusive com variedades novas de cana-de-açúcar, são essenciais. (Folha de São Paulo 19/05/2016)

 

Açúcar: Pressão do dólar

O fortalecimento do dólar em relação a diversas moedas pressionou as cotações do açúcar demerara ontem na bolsa de Nova York.

Os contratos da commodity para outubro fecharam com recuo de 0,12% (2 pontos), cotados a 17,08 centavos de dólar a libra-peso. O dólar mais caro incentiva as exportações do Brasil ao aumentar a rentabilidade das vendas.

O país é o maior produtor mundial da commodity e, num contexto de déficit na oferta global, ganha ainda mais peso no mercado.

Segundo a consultoria FCStone, a safra internacional 2016/17 terá uma produção de açúcar 7,8 milhões de toneladas menor do que a demanda esperada para o ciclo.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal ficou em R$ 75,72, alta de 0,37%. (Valor Econômico 19/05/2016)

 

O desafio da cana-de-açúcar

Para atender a demanda mundial, é possível saber quanto teremos que produzir de cana-de-açúcar em 2024? No setor sucroalcooleiro existe o impasse para onde projetar seus investimentos: mais terra ocupada ou mais produtividade? Em qual medida?

Um estudo desenvolvido na Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (USP/ESALQ) em parceria com a Embrapa e a Universidade de Nebraska avaliou a eficiência agrícola da cana no Brasil a fim de determinar o grau de crescimento da produção canavieira sem a necessidade de dispor de mais terras. O autor da pesquisa é o professor Fabio Marin, do Departamento de Engenharia de Biossistemas, que publicou o estudo na edição de fevereiro de 2016 da BioScience, da Universidade de Oxford “ O artigo traça cenários para a produção de cana-de-açúcar considerando a demanda projetada para 2024, contatando a necessidade de forte expansão na área cultivada com cana no Brasil”, aponta Marin.

Segundo a pesquisa, o rendimento médio nacional atual é de 62% do potencial de produção estimado para condições de sequeiro, ou seja, existe uma oportunidade de incremento de 38%. “O desafio é aumentar a produtividade da cana existente dadas as preocupações sobre a conversão de pastagens e floresta para cortar a produção e a crescente demanda mundial de etanol de cana”. A projeção indicada pelo estudo tenta encontrar o nível em que a taxa de ganho de rendimento deverá ser acelerada considerando a trajetória de rendimento das duas últimas décadas, para que se obtenha, em 2024, uma maior produção de cana sem a expansão da área de produção. “Considerando a taxa histórica de ganho de rendimento, não será suficiente para atender a demanda projetada sem uma expansão de área de 5% a 45% para cenários de baixa e alta demanda, respectivamente”, explica Marin.

No entanto, se fosse possível resolver as limitações que impedem e prejudicam o rendimento e atingirmos uma produtividade de 80% do nosso potencial, atenderemos a demanda de cana em um futuro próximo, com uma redução de 18% na área de cana para o cenário de baixa demanda ou uma expansão de 13% para o cenário de alta demanda. “É possível, mas esse cenário exige uma grande aceleração na taxa rendimento em comparação com a tendência histórica, o que seria difícil de conseguir sem esforços de financiamento concentrado nessa problemática”. Em contrapartida, alerta o docente, “se continuarmos a aumentar os rendimentos seguindo a trajetória histórica das últimas duas décadas, será necessário expandir entre 5% e 45% a área de cana para satisfazer os cenários de baixa e de alta demanda até 2024”.

Como indicativo, o estudo aponta a necessidade de focar os esforços de pesquisa na aceleração do ritmo de ganho de produtividade para minimizar a demanda por terras. “Os resultados deste estudo podem ajudar a fomentar as políticas e a priorização de investimentos em pesquisa e desenvolvimento para atender à demanda de cana e, ao mesmo tempo, considerar as preocupações ambientais associadas”, finaliza Marin.

O estudo teve apoio do Water for Food Institute (University of Nebraska–Lincoln), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). (Brasil Agro 19/05/2016)

 

CTBE divulga estudo do bagaço da cana-de-açúcar

Um estudo interlaboratorial realizado pelo Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol, CTBE, e o National Renewable Energy Laboratory, NREL, em parceria com sete instituições brasileiras, uniformiza e valida metodologias analíticas para a caracterização do bagaço de cana-de-açúcar. O estudo foi publicado no Journal of AOAC International e é a primeira publicação que apresenta uma comparação entre métodos de caracterização química desta biomassa.

O artigo, intitulado "Evaluation of Brazilian Sugarcane Bagasse Characterization: An Inter-laboratory Comparison Study" apresenta os resultados da composição do bagaço da cana, realizados por oito laboratórios utilizando técnicas semelhantes com pequenas alterações nos métodos analíticos, com o objetivo de determinar as variações esperadas nesta análise.

O estudo teve início após a assinatura de um Memorando de Entendimento entre NREL e CTBE em 2009, seguido de discussões e definições de protocolos aplicados pelos pesquisadores das instituições envolvidas durante encontro na instituição norte-americana. Para a pesquisadora do CTBE e uma das autoras do artigo, Maria Teresa Borges Pimenta Barbosa, o resultado do trabalho beneficiará muitas instituições nacionais e internacionais que estão trabalhando com o bagaço da cana-de-açúcar. "Para a comunidade científica é muito importante ter uma base concreta de consulta das metodologias para a caracterização do bagaço de cana, uma vez que a literatura especializada reporta normas específicas para a caracterização de outras biomassas que, quando utilizadas para a caracterização do bagaço de cana, acarretam em erros experimentais que dificultam a comparação dos resultados", reforça.

No CTBE o estudo foi realizado pelo Laboratório de Desenvolvimento de Processos (LDP), na Central Analítica para Biomassa e Derivados, composta por um conjunto de equipamentos analíticos. As instituições que também participaram deste trabalho foram CENPES/Petrobras, IQSC/USP, EEL/USP, CTC, Embrapa Agroenergia, INMETRO e IPEN/CNEN.

Com a publicação do trabalho, a próxima etapa é o estabelecimento da padronização em norma ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). (Brasil Agro 19/05/2016)

 

BNDES lança Prorenova 2016 com R$ 1,5 bilhão e incentivo a difusão de novas variedades de cana

A Diretoria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou a reedição do Programa BNDES de Apoio à Renovação e Implantação de Novos Canaviais (BNDES Prorenova).

Nesta edição de 2016, o Prorenova sofreu algumas alterações, com destaque para o incentivo à maior utilização de novas variedades de cana-de-açúcar cujo potencial de produtividade seja maior.

Além disso, manteve-se o limite de financiamento por Grupo Econômico de até R$ 150 milhões, sendo que os recursos baseados na Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), antes limitados a R$ 20 milhões, foram ampliados para até 70% do valor financiado, sendo o restante referenciado em Selic.

Incentivo à difusão tecnológica

A opção pelo apoio ao plantio de variedades de cana mais atuais visou o alinhamento às prioridades estratégicas do BNDES, sobretudo no que tange ao incentivo à difusão tecnológica e aumento de produtividade.

Apesar de haver significativa criação de novas variedades de cana-de-açúcar, essas ainda são pouco difundidas pelo setor, o que pode ser evidenciado pelo fato de cerca de 40% da lavoura ainda usar variedades de domínio público.

Tais variedades foram liberadas para o plantio comercial há mais de 15 anos, indicando acentuada desatualização tecnológica do canavial brasileiro. E isso tem contribuído para limitar os ganhos de produtividade agrícola.

Estimativas realizadas pelos principais centros de melhoramento genético de cana indicam que as variedades lançadas nos últimos anos apresentam produtividade superior às variedades liberadas em períodos anteriores, demonstrando correlação positiva entre atualização tecnológica e produtividade agrícola do canavial.

As demais condições financeiras são as seguintes:

• Remuneração básica do BNDES: 1,5% ao ano; Taxa de Intermediação Financeira: 0,1% ao ano para MPME e 0,5% ao ano para Média-Grande e Grande Empresa; e

• Remuneração da Instituição Financeira Credenciada: Negociada entre o Beneficiário e a Instituição Financeira Credenciada.

O limite mínimo para solicitações de financiamento será de R$ 20 milhões, que deverão ser realizadas apenas na modalidade indireta não-automática e já podem ser protocoladas junto ao BNDES.

Para valores abaixo de R$ 20 milhões, os pedidos deverão ser encaminhados por meio da modalidade indireta automática, considerando as regras de apoio do Produto BNDES Automático.

Somente poderão ser financiados no âmbito do BNDES Prorenova os projetos de plantio de cana-de-açúcar realizados entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2016. Entretanto, todos os gastos para a preparação do plantio que tenham sido feitos a partir de 1º de julho de 2015 poderão ser reembolsados no âmbito do Programa.

O prazo para protocolo das solicitações de financiamento encerra-se em 31 de dezembro próximo. (BNDES 18/05/2016)

 

Frio pode afetar cana no fim da colheita

O volume de chuvas registrado nas áreas de produção de cana-de-açúcar do Centro-Sul do Brasil não deve se tornar um padrão na maior parte da região durante os próximos meses, mas a perspectiva de um clima mais frio do que no ano passado, diante da formação cada vez mais provável do fenômeno La Niña ainda este ano, coloca o rendimento para a produção de açúcar em xeque.

O próximo inverno promete ser tipicamente seco no Sudeste do país, com chuvas dentro ou mesmo abaixo da média, segundo a Climatempo. As temperaturas, por sua vez, não deverão ser tão altas como no ano passado, o que tende a reter um pouco de umidade nas plantações.

O inverno seco, porém, não significa uma repetição da estiagem atípica ocorrida em abril, quando a ausência de precipitações nos principais polos produtores do Centro­Sul turbinou a moagem de cana-de-açúcar, no início da safra de 2016/17, para patamares bastante elevados.

A seca recente tanto não deve se repetir como, nas duas primeiras semanas de maio, as precipitações em algumas cidades já ultrapassaram até a média para o mês. Contudo, a previsão é de que as chuvas se prolonguem somente no máximo até a próxima semana, indicou Alexandre Nascimento, meteorologista da Climatempo.

A tendência de um clima frio e seco pelos próximos meses deve ser intensificado pelo La Niña, que, se confirmado, sucederá um dos mais fortes El Niño de que se tem notícia. Mas as chances para a formação do fenômeno ainda são incertas. Até o momento, as probabilidades de formação do La Niña neste ano calculadas pelos principais institutos de meteorologia que acompanharam esses fenômenos oscilam entre 50% e 75%.

Assim, a umidade que deve ser observada nos próximos meses pode até continuar favorecendo um avanço mais rápido da colheita de cana e do processamento industrial, mas não terá potencial para compensar os efeitos negativos da estiagem recente sobre o desenvolvimento da cana que será colhida mais para frente. "Chuvas dentro do normal já são um sinal negativo porque o período de maio a julho já é seco", avaliou Vanessa Nardy, analista de mercado do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).

Além de chuvas limitadas na maior parte dos canaviais, as previsões apontam para a queda das temperaturas, com possibilidade de amplitude térmica considerável ao longo dos dias, detalhou o meteorologista da Climatempo. E esse tempo frio costuma manter a umidade, ainda que limitada, nos pés de cana-de-açúcar.

Para Nascimento, essa característica pode levar a uma redução da concentração de sacarose na cana (o chamado ATR, Açúcar Total Recuperado) da cana que será colhida no fim da safra. Para a técnica do CTC, se o La Niña se formar, a produtividade dessas plantas pode recuar muito. "A cana colhida no fim da safra passada, entre outubro e dezembro, está em crescimento e já não recebeu chuva em abril. Se continuarmos com chuva baixa até julho, o desenvolvimento vai atrasar", sinalizou.

O rendimento da cana-de-açúcar também depende de outras variantes, como a distribuição e a intensidade das pancadas de chuva. Segundo o meteorologista da Climatempo, as precipitações em épocas de La Niña são geralmente bastante espaçadas. "O volume de chuvas costuma ficar dentro da média em anos de La Niña, mas é mais concentrado em alguns momentos", explicou Alexandre Nascimento.

Vanessa Nardy, do CTC, ressalta que a baixa intensidade das chuvas também pode ser um fator negativo para o desenvolvimento das gramíneas. "O problema é a chuva pingapinga, que não penetra no solo", ressaltou.

O padrão seco, porém, não deve se repetir em toda a área produtora de cana do Centro-Sul. No norte do Paraná e no sul de Mato Grosso do Sul, o tempo já tem sido mais úmido desde o fim de abril, o que chegou a provocar algumas interrupções pontuais na colheita.

Na segunda metade do mês passado, as usinas dessas duas regiões e das áreas de Araçatuba e Assis, onde as precipitações aumentaram de volume nos últimos dias de abril, processaram um volume de matéria-prima menor do que na primeira quinzena do mês, conforme o último balanço quinzenal da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica). E o padrão úmido deve se manter nas próximas semanas nessas regiões. (Valor Econômico 19/05/2016)

 

Lucro líquido da Usina São Manoel dobra na safra 2015/16

A Usina Açucareira São Manoel, fornecedora da Copersucar, registrou no exercício fiscal encerrado em 31 de março, equivalente ao período da safra 2015/16, um lucro líquido de R$ 126,037 milhões, um crescimento de 147% em relação ao resultado líquido apurado na temporada anterior, quando o resultado ficou positivo em R$ 50,914 milhões. O balanço da companhia, cuja unidade se localiza no município paulista de São Manoel, foi divulgado na edição desta quarta-feira no Diário Oficial de São Paulo.

O resultado positivo teve forte contribuição do aumento da receita operacional líquida, que cresceu 35,5% e somou R$ 523,654 milhões. O lucro líquido antes de impostos de R$ 171,232 milhões, 115% a mais do que na safra anterior.

Esse aumento foi possível com a melhora da produtividade dos canaviais na última safra e com a valorização dos preços dos produtos. O volume de cana-de-açúcar processado somou 3,764 milhões de toneladas, superando em 17,7% o total moído no ciclo anterior, que permitiu um maior volume de açúcar e etanol fabricados.

Além disso, a Usina São Manoel também conseguiu ajusta seu custo de produção em 0,5% por tonelada de cana.

A companhia destacou que o resultado operacional representou na safra passada uma rentabilidade de 17,2% do patrimônio líquido médio, ante 7,8% no período anterior. Em 31 de março, o patrimônio líquido da empresa era de R$ 789,170 milhões.

A Usina São Manoel informou ainda que investiu R$ 177,469 milhões para a renovação e expansão de canaviais e para concluir projetos industriais e agrícolas ao longo d safra 2015/16. O montante investido superou em 5% o da safra precedente. (Valor Econômico 18/05/2016 às 14h: 18m)

 

EUA propõem mais 2,65 bilhões de litros de etanol na gasolina em 2017

A Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA, na sigla em inglês) propôs nesta quarta-feira (18), elevar o volume de etanol que refinarias do país devem misturar à gasolina em 2017. A proposta da EPA é de 18,8 bilhões de galões (71,16 bilhões de litros) de etanol de milho e outros biocombustíveis, o que representa um aumento de quase 700 milhões de galões (2,65 bilhões de litros) em relação à exigência para 2016.

O volume, no entanto, ainda é bem inferior ao acertado em 2007 no Padrão de Combustíveis Renováveis (RFS), de 24 bilhões de galões (90,8 bilhões de litros). Uma disposição na lei de 2007 permite que a EPA estabeleça montantes menores por uma série de motivos. Neste caso, a agência cita o lento desenvolvimento de certos tipos de biocombustíveis não derivados de milho. Nos EUA, o etanol é feito principalmente com o grão.

A meta final para 2017 deve ser publicada pela EPA no fim deste ano, após um período de consulta pública.

Chet Thompson, presidente da Associação Americana do Setor de Combustíveis e Petroquímica, que representa refinarias, disse que "os volumes propostos vão além das realidades do mercado". Segundo Thompson, a proposta da EPA ameaça obrigar consumidores a usar um volume de biocombustíveis que veículos, motores e a infraestrutura não podem suportar.

Autoridades da EPA, por sua vez, disseram que estavam buscando um equilíbrio entre o objetivo do Congresso de promover um uso maior de etanol e a realidade atual do mercado de combustíveis e da infraestrutura. (Globo Rural 19/05/2016)

 

Índia não deve exportar açúcar nos próximos 24 meses, diz RCMA

A Índia não deve ser vista como uma exportadora de açúcar nos próximos 24 meses, embora ainda seja incerta a quantidade da commodity que o país pode comprar, projetou nesta quarta-feira o chefe da divisão de açúcar RCMA Sugar Zaandam, Jonathan Drake, em evento do setor açucareiro em Nova York.

Apesar da previsão, Drake acredita que ainda é prematuro estimar a quantidade que o país, segundo maior produtor de açúcar do mundo, deva importar na temporada.

"Ainda é muito certo para saber se a Índia importará 2 milhões de toneladas ou 6 milhões de toneladas (de açúcar)", disse Drake.

Já a projeção para a China é de que o país importe entre 7 milhões e 8 milhões de toneladas de açúcar em um ou dois anos, com a potência asiática se caminhando para se tornar uma importadora estrutural, devido ao abandono da cana pelos produtores.

"A mudança da política na China, e quando ela ocorrer, provavelmente será uma diretriz para nosso negócio de açúcar este ano, junto com o que acontecer com as monções na Índia", disse ele. (Reuters 19/05/2016)

 

Senado derruba subvenção do Governo Federal prometida à fornecedores de cana-de-açúcar

A proposta de pagamento de subvenção do Governo Federal a fornecedores de cana-de-açúcar foi retirada da Medida Provisória 707 de 2015 durante votação no Senado. A matéria ainda contempla a prorrogação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e do pagamento de dívidas de produtores rurais ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O argumento para a retirada dado pelo senador cearense Eunício Oliveira (PMDB) foi o de que se tratava de uma “emenda estranha”. O presidente da União Nordestina dos Produtores de Cana-de-Açúcar (Unida), Alexandre Andrade Lima, discordou. “A gente lamenta o entendimento do Governo e do senador de retirar (a emenda). O argumento dele a gente não pode aceitar, porque a nossa emenda tratava de prorrogação também”, disse.

Ainda segundo ele, haverá um encontro entre lideranças do setor e o presidente do Senado, Renan Calheiros, para pedir nova articulação com o presidente em exercício da República, Michel Temer, para incluir a emenda em outra MP. A subvenção que estava em vigor valia até 31 de dezembro de 2015 e não foi paga.

A ideia é que seja renovada a validade do pagamento de R$ 12 por tonelada de cana perdida devido à seca. O presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco, Renato Cunha, também criticou a retirada: “Essa política pública continuará sendo perseguida pelas lideranças em outras medidas provisórias”. (Folha de Pernambuco 18/05/2016)